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15 dezembro, 2025

Brasil entra na era espacial comercial com lançamento do Hanbit-Nano

Operação Spaceward marca marco histórico para o programa espacial brasileiro e abre caminho para novos investimentos no setor. Evento terá transmissão ao vivo no YouTube


 
*LRCA Defense Consulting - 15/12/2025

O Brasil está às vésperas de entrar definitivamente no mercado global de lançamentos espaciais comerciais. A empresa sul-coreana Innospace anunciou nesta segunda-feira (15) que iniciou a fase final de preparação para o lançamento do foguete HANBIT-Nano, marcado para quarta-feira (17 de dezembro), às 15h45, a partir do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), no Maranhão.

A Operação Spaceward, como foi batizada a missão, representa não apenas o primeiro lançamento comercial realizado em solo brasileiro, mas também o primeiro voo orbital comercial da história do país. Se bem-sucedido, o evento colocará o Brasil no seleto grupo de nações capazes de oferecer serviços de lançamento espacial ao mercado internacional.

Um marco conquistado após décadas
O lançamento do HANBIT-Nano simboliza a concretização de um sonho que atravessa gerações de cientistas, engenheiros e técnicos brasileiros. A janela de lançamento se estende de 16 a 22 de dezembro, período determinado após extensos testes de segurança realizados pela Innospace em coordenação com a Força Aérea Brasileira (FAB) e a Agência Espacial Brasileira (AEB).

Para esta operação, a FAB mobilizou aproximadamente 400 pessoas, sendo 300 militares e 100 civis, especializadas em engenharia, telemetria, logística, segurança, comunicações e medicina aeroespacial. A eles se juntaram cerca de 60 técnicos e representantes da empresa sul-coreana, em um esforço conjunto que demonstra o alto nível de cooperação internacional alcançado pelo setor espacial brasileiro.

O foguete e sua tecnologia
O HANBIT-Nano é um veículo lançador orbital de dois estágios que utiliza tecnologia de propulsão híbrida — combinando parafina sólida e oxigênio líquido. Com 21,8 metros de altura e 1,4 metro de diâmetro, o foguete é capaz de transportar até 90 quilos de carga útil a uma altitude de aproximadamente 500 quilômetros em órbita terrestre baixa.

A missão carregará oito cargas úteis, distribuídas entre cinco pequenos satélites destinados à inserção orbital e três dispositivos experimentais. Entre as cargas brasileiras destacam-se:
  • Jussara-K e PION-BR2 "Cientistas de Alcântara" (UFMA): Nanossatélites desenvolvidos pela Universidade Federal do Maranhão para coleta de dados ambientais. O PION-BR2 levará ao espaço mensagens produzidas por cerca de 300 crianças participantes do projeto Cientistas de Alcântara.

  • FloripaSat-2A e 2B (UFSC): Satélites da Universidade Federal de Santa Catarina para testes de comunicação em órbita.

  • Sistema de Navegação Inercial/GNSS (SNI): Desenvolvido por meio de uma encomenda tecnológica da AEB pelas empresas Concert Space, CRON Sistemas e HORUSEYE TECH, é o principal equipamento de controle para veículos lançadores.

  • Solaras-S2 (Índia): Satélite da empresa Grahaa Space para monitoramento de fenômenos solares.
Alcântara: a vantagem geográfica do Brasil
O Centro de Lançamento de Alcântara está localizado a 2°18' de latitude sul, sendo a base de lançamento comercial mais próxima da linha do Equador. Essa posição privilegiada confere ao CLA vantagens significativas: a velocidade de rotação da Terra na altura do Equador auxilia o impulso dos lançadores, permitindo uma economia estimada em até 30% de combustível em comparação com bases situadas em latitudes maiores.

O Centro de Lançamento de Alcântara, com mais de quatro décadas de experiência e mais de 500 operações realizadas, consolida-se como uma das bases mais estratégicas do mundo, competindo diretamente com o Centro Espacial de Kourou, na Guiana Francesa.



Uma trajetória marcada por desafios
O programa espacial brasileiro passou por momentos difíceis ao longo de sua história. A construção da base começou em 1982, com o primeiro lançamento ocorrendo em 21 de fevereiro de 1990. No entanto, o acidente de 22 de agosto de 2003, quando a explosão do foguete VLS-1 (XV-03) matou 21 profissionais, representou um dos capítulos mais trágicos da história espacial brasileira.

A "Tragédia de Alcântara" ceifou a vida de 21 heróis que compartilhavam o sonho de ver o Brasil conquistar os céus e explorar o espaço. Desde então, o país implementou significativas mudanças nos protocolos de segurança e nos sistemas que garantem maior precisão e confiabilidade nos lançamentos.

O caminho para a comercialização
Como resultado do edital de chamamento público lançado pela AEB em 2020, a Innospace foi selecionada para operar no CLA e assinou contrato com o Comando da Aeronáutica em 2022. Este modelo de parceria público-privada representa um novo capítulo para o programa espacial brasileiro.

Um ponto de virada importante ocorreu em 2019, com o Acordo de Salvaguardas Tecnológicas (AST) firmado entre Brasil e Estados Unidos, que liberou lançamentos em Alcântara de foguetes com tecnologia norte-americana. Em 2024, o governo criou a Empresa de Projetos Aeroespaciais do Brasil (Alada), responsável por negociar contratos comerciais de lançamentos.

Preparativos finais
O transporte do veículo lançador HANBIT-Nano até a plataforma de lançamento teve início na segunda-feira (15), seguido por operações sequenciais como elevação do veículo, conexão dos umbilicais para carregamento de propelentes, energia elétrica e dados, além de testes de vazamento.

No dia do lançamento, será realizada uma revisão final abrangente em coordenação com a FAB e a AEB, incluindo verificação das condições meteorológicas e prontidão técnica geral. Após a autorização final, terá início o carregamento dos propelentes e a contagem regressiva.

O evento será transmitido ao vivo no YouTube a partir das 14 horas do dia 17: https://www.youtube.com/live/RqGZ1mS5FC0?si=1NT0xbxvS1TJzOtZ

Perspectivas para o futuro
O mercado espacial global movimentou US$ 596 bilhões em 2024 e deve atingir US$ 944 bilhões em 2033, de acordo com estudo da consultoria internacional NovaSpace. O lançamento do HANBIT-Nano pode servir de catapulta para novos investimentos no setor brasileiro.

"Nosso primeiro lançamento comercial, a missão Spaceward, possui um forte significado simbólico, já que marca o início dos serviços de transporte espacial utilizando um veículo lançador desenvolvido de forma independente por uma empresa privada sul-coreana", afirmou Soojong Kim, fundador e diretor-presidente da Innospace.

O legado dos heróis de Alcântara
Este lançamento também representa uma forma de honrar a memória dos 21 profissionais que perderam suas vidas em 2003. O projeto valoriza a formação de novas gerações de engenheiros e técnicos, estimulando a inovação e reforçando a importância do setor espacial para o desenvolvimento científico e econômico do Brasil.

Se bem-sucedido, o lançamento do HANBIT-Nano marcará o ingresso definitivo do Brasil no mercado comercial de lançamentos espaciais, abrindo caminho para o aumento de investimentos em tecnologia aeroespacial e consolidando Alcântara como um dos principais centros de lançamento do hemisfério sul.

A contagem regressiva para este momento histórico já começou, e o Brasil observa atentamente enquanto décadas de esforços, investimentos e sonhos se aproximam de se tornarem realidade.

Sobre a Operação Spaceward
A Operação Spaceward é coordenada pela Força Aérea Brasileira em parceria com a Agência Espacial Brasileira e representa o primeiro lançamento comercial realizado a partir do território brasileiro. A missão demonstra o amadurecimento do programa espacial brasileiro e sua capacidade de atrair investimentos internacionais, posicionando o país como player competitivo no mercado global de serviços espaciais.

10 novembro, 2025

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*LRCA Defense Consulting - 10/11/2025

O Centro de Lançamento de Alcântara, no Maranhão, será palco em 22 de novembro de 2025, às 15h, do primeiro lançamento comercial de foguete no Brasil, com a decolagem do Hanbit Nano, um foguete desenvolvido pela empresa sul-coreana Innospace. A ação faz parte da Operação Spaceward 2025, uma iniciativa da Força Aérea Brasileira (FAB) em parceria com a Agência Espacial Brasileira (AEB), que marca a entrada do país no mercado global de lançamentos espaciais.

Com 21,9 metros de comprimento e tecnologia híbrida de propulsão — combustível sólido e líquido — o Hanbit Nano transportará cinco satélites e três experimentos científicos de instituições brasileiras, sul-coreanas e indianas. Esses equipamentos coletarão dados relevantes sobre o clima, o meio ambiente e o espaço em condições de microgravidade.

Quase 400 profissionais da FAB, incluindo militares e civis, atuam na coordenação e execução do lançamento, que reforça a importância da base de Alcântara, reconhecida internacionalmente por sua localização próxima à linha do Equador. Mais do que um marco tecnológico, o lançamento simboliza a crescente independência espacial brasileira e o fortalecimento de parcerias internacionais no setor aeroespacial.

Além dos experimentos científicos, o lançamento levará ao espaço mensagens de estudantes de Alcântara, representando o sonho e a participação da comunidade local nesta nova era espacial do Brasil.

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