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08 junho, 2026

O substituto do Orion: FAB e Embraer avançam no C-390 como aeronave de patrulha marítima

Denominado C-390 IVR, o projeto prevê transformar o cargueiro em plataforma multissensora e armada; com frota de P-3AM reduzida a dois ou quatro aparelhos operacionais, a urgência cresce 


*LRCA Defense Consulting - 08/06/2026

A Força Aérea Brasileira (FAB) e a Embraer avançam nos estudos para transformar o C-390 Millennium em uma plataforma de patrulha marítima (Maritime Patrol Aircraft - MPA), sob o programa denominado C-390 IVR. O projeto responde a uma necessidade operacional crescente: a frota de P-3AM Orion do Esquadrão Orungan da FAB, encarregada de vigiar a Amazônia Azul, opera hoje com apenas dois a quatro aparelhos em condições de voo, limitados por restrições estruturais que impedem o uso de armamento.

Dois acordos, um programa
O ponto de partida formal ocorreu em 3 de dezembro de 2024, durante a Mostra BID, feira nacional de defesa e segurança realizada em Brasília. Na ocasião, FAB e Embraer assinaram um memorando de entendimento para aprofundar estudos colaborativos voltados à adaptação do C-390 para missões de Inteligência, Vigilância e Reconhecimento (IVR), com foco específico em patrulha marítima.

O programa ganhou dimensão internacional quatro meses depois. Em 1º de abril de 2025, durante a 15ª edição da LAAD Defence & Security, no Rio de Janeiro, a Força Aérea Portuguesa (FAP) aderiu formalmente aos estudos. O acordo tripartite foi assinado na presença do Comandante da Aeronáutica, Ten.-Brig. Marcelo Kanitz Damasceno; do Chefe do Estado-Maior da FAP, General João Cartaxo Alves; do presidente da Embraer, Francisco Gomes Neto; e do CEO da Embraer Defesa & Segurança, Bosco da Costa Junior. Na cerimônia, a Embraer apresentou a imagem conceitual de um sistema modular roll-on/roll-off de missão IVR, desenhado para que o C-390 execute funções de vigilância sem abrir mão de suas capacidades multimissão originais.

A conclusão dos estudos está prevista para o final de 2026. Segundo Bosco da Costa Junior, o objetivo é garantir um cliente lançador "o mais rapidamente possível". A se dar crédito a informações da imprensa internacional, este cliente poderia ser o próprio Brasil ou Portugal.

O que é o C-390 IVR
A variante em desenvolvimento incorpora um conjunto de sistemas que transformam o cargueiro em plataforma naval multifuncional. Imagens conceituais divulgadas pela Embraer mostram a aeronave com um pod de vigilância instalado sob a fuselagem dianteira e um míssil antinavio sob cada asa. A configuração prevê radar de abertura sintética, sensores eletro-ópticos e infravermelhos, sistemas avançados de comunicação e dois hardpoints externos para carga útil.

A arquitetura modular é central ao conceito: o sistema IVR seria instalado como roll-on/roll-off, sem modificações estruturais permanentes, mantendo a aeronave disponível para missões de transporte, reabastecimento em voo ou evacuação aeromédica quando necessário. A opção evita o dilema da especialização excessiva que encareceu e limitou a vida operacional de plataformas anteriores.

Para o armamento antinavio, a tendência aponta para o MANSUP/MANSUP-ER, desenvolvido pela brasileira SIATT em parceria com o Grupo EDGE (Emirados Árabes Unidos), em substituição ao AGM-84 Harpoon atualmente integrado aos P-3AM. Em junho de 2025, a SIATT assinou contrato com a Marinha do Brasil para fornecimento do míssil às fragatas classe Tamandaré. A lógica de uma versão ar-superfície (MAS) para o C-390 IVR está embutida na própria família multimissão em desenvolvimento: o mesmo míssil poderá operar a partir de navios, do sistema ASTROS e de aeronaves.

Um ponto de atenção: os renderings divulgados pela Embraer até o momento não apresentam tubos de lançamento de sonoboias nem detector de anomalias magnéticas (MAD), elementos indispensáveis para guerra antissubmarina (ASW) plena. A variante parece estar sendo otimizada, em primeiro lugar, para patrulha de superfície e strike antinavio. A inclusão de capacidade ASW integral permanece como questão em aberto a ser confirmada junto à FAB.

A crise silenciosa do Orungan
O Esquadrão Orungan, 1º/7º GAV, é a unidade responsável pela vigilância marítima de longo alcance da FAB. Transferido da Base Aérea de Salvador para Santa Cruz (RJ) em janeiro de 2018, opera os P-3AM e, desde agosto de 2020, também o sistema de aeronave remotamente pilotada (SARP) IAI RQ-1150 Heron I, formando uma Esquadrilha IVR dedicada.

A história dos P-3AM é, ao mesmo tempo, um capítulo de modernização e de precariedade estrutural. A FAB recebeu nove aparelhos entre 2011 e 2014, adquiridos do excedente da US Navy e modernizados na Espanha pela CASA. Com quatro motores turboélice, autonomia de até 16 horas de voo e capacidade ASW completa (sonoboias, MAD, torpedos, mísseis Harpoon), o Orion representou, à época, um salto de geração para a aviação de patrulha brasileira.

O problema veio com o uso intenso em ambiente marítimo, voos a baixa altitude e velocidade sobre o oceano, sujeitos à corrosão pela salinidade e ao desgaste estrutural nas asas. Em maio de 2024, a Akaer (São José dos Campos, SP) executou o primeiro voo de um P-3AM com asas revitalizadas, projeto destinado a prolongar a vida operacional da frota. Mas o diagnóstico é sombrio: naquele momento, apenas dois aparelhos (FAB 7202 e 7207) estavam operacionais, com a previsão de que a revitalização trouxesse mais dois de volta à linha. O total operacional oscila entre dois e quatro aeronaves, e parte delas voa com restrições que impedem o emprego de armamento.

Constitucionalmente, a vigilância da Zona Econômica Exclusiva (ZEE) brasileira, quase 4,5 milhões de km², é atribuição da Marinha, que conta com o apoio do Orungan para cumpri-la. Com o pré-sal e rotas de navegação estratégicas, a Amazônia Azul permanece como um dos espaços mais relevantes para a segurança nacional, monitorada por uma frota que se aproxima do fim de sua vida útil.

A Elbit no circuito
Em fevereiro de 2026, durante o Singapore Airshow, a Elbit Systems revelou que está trabalhando em uma variante ISR/SIGINT do C-390, independentemente do programa IVR conduzido pela Embraer em parceria com a FAB e a FAP. O modelo apresentado pela empresa israelense no salão mostrava um pod sob o queixo semelhante ao sistema multiespectral MS-110, além de antenas na derive provavelmente associadas a conjunto de guerra eletrônica, ELINT e COMINT.

A Elbit tem presença consolidada no C-390. Já fornece suítes de autoproteção DIRCM para a aeronave e, em novembro de 2025, firmou contrato de US$ 175 milhões para fornecimento de sistemas de guerra eletrônica e autoproteção, incluindo o pod SPEAR, para C-390 e helicópteros H225M de países europeus membros da OTAN. No Brasil, a empresa israelense é sócia na AEL Sistemas (subsidiária brasileira desde 2001) juntamente com a Embraer, e entre 2011 e 2016 manteve com a Embraer a joint venture Harpia Sistemas, voltada a veículos aéreos não tripulados.

A aparição do C-390 na comunicação de marketing de soluções navais da Elbit sinaliza que a empresa se posiciona como integradora de missão para a variante IVR, um papel que inclui não apenas os sistemas de autoproteção já contratados, mas potencialmente a suíte completa de sensores eletro-ópticos, SIGINT e guerra eletrônica.

Captura de tela de um vídeo da Elbit Systems de janeiro de 2026 mostrando um C-390 Millennium em um sistema de segurança naval em rede mais amplo, contra ameaças simétricas e assimétricas, desempenhando funções de ISR (Inteligência, Vigilância e Reconhecimento) e detecção eletrônica.

Um close do pod montado no queixo, retirado do vídeo de janeiro de 2026, também visto no modelo em escala exibido no show aéreo de Singapura.

Dimensão internacional: Portugal e o mercado global
A adesão da Força Aérea Portuguesa tem duplo significado. Do ponto de vista técnico, Portugal opera cinco KC-390 (com um sexto encomendado durante o Salão de Paris em junho de 2025, mais dez opções adicionais) e enfrenta necessidade análoga à do Brasil: a substituição de suas capacidades de patrulha marítima. A FAP opera os P-3C Orion e busca uma solução para suas missões no Atlântico, incluindo a vigilância das águas ao redor do arquipélago dos Açores.

Do ponto de vista comercial, a participação de Portugal empresta credibilidade exportadora ao programa. Um terceiro operador que desenvolva e adote a configuração IVR transforma o C-390 MPA de projeto bilateral em produto catálogo, reduzindo custos de desenvolvimento e abrindo caminho para vendas a outros usuários da plataforma: Hungria, Áustria, Holanda, República Tcheca, Suécia e Coreia do Sul, além dos países em negociações avançadas.

A Coreia do Sul, por exemplo, avalia a aquisição de seis aeronaves de patrulha marítima adicionais (além da frota P-8A já operacional), com decisão prevista para 2026. A Embraer disputa essa concorrência com o P-8A da Boeing e uma proposta da KAI baseada no Global 6500, apresentando tanto o E190-E2 MPA quanto o C-390 MPA como alternativas.

Plataforma de missões especiais: além do MPA
O C-390 IVR é a ponta mais visível de uma estratégia mais ampla da Embraer de converter o Millennium em uma família de plataformas de missões especiais. Conforme reportagem do portal indiano Indian Defence Research Wing (IDRW), a fabricante brasileira apresentou à Força Aérea Indiana (IAF), no contexto da concorrência pelo programa MTA (60 aeronaves de transporte médio para substituir os An-32 e Il-76), um roteiro de variantes que inclui: configuração armada com hardpoints subalares para mísseis ar-superfície; lançamento de enxames de drones pela rampa traseira; emprego do conceito Rapid Dragon (paletes de ataque stand-off lançados em voo); versão AEW&C (alerta aéreo antecipado); e versão SIGINT/ELINT.

Para a Índia, a Embraer firmou parceria com o Grupo Mahindra para linha de montagem local, alinhando-se às políticas "Make in India" e "Aatmanirbhar Bharat". A exigência da IAF de que a aeronave transporte o tanque leve Zorawar (25 toneladas), caso seja mantida, elimina o C-130J Super Hercules da competição, deixando o C-390 (26 toneladas de carga útil) e o A400M (37 toneladas) como únicos concorrentes viáveis.

Esse posicionamento multiuso reforça a atratividade da plataforma: para a FAB, a compra de C-390 na versão IVR não significaria adquirir uma aeronave especializada de nicho, mas expandir as capacidades de uma frota já em operação, aproveitando logística, treinamento e infraestrutura existentes.

Imagem meramente ilustrativa

O que ainda precisa ser respondido
Apesar do avanço dos estudos, questões fundamentais permanecem em aberto. A quantidade de aeronaves a ser adquirida para o Orungan, frequentemente mencionada como seis unidades na imprensa especializada estrangeira, não foi confirmada por documento oficial da FAB, da Embraer ou do governo brasileiro. A capacidade ASW plena (sonoboias, MAD, torpedos) não está refletida nos renderings conceituais divulgados até o momento. O cronograma de desativação dos P-3AM tampouco foi formalizado.

O que está claro é a urgência, pois a realidade que se sobrepõe é uma ZEE de quase 4,5 milhões de km², vigiada por dois a quatro Orion envelhecidos, com restrições de armamento e crescente demanda por presença nas rotas do pré-sal. 

O C-390 IVR pode ser a resposta, desde que os estudos se convertam, até o fim de 2026, em decisão de aquisição.

06 abril, 2025

O novo Embraer C-390 especializado em missões de Patrulha Armada e IVR: mais um grande trunfo da Embraer


*LRCA Defense Consulting - 06/04/2026

No dia 01 de abril, a Força Aérea Portuguesa (FAP) anunciou oficialmente sua intenção de se juntar à Embraer e à Força Aérea Brasileira (FAB) em estudos colaborativos para identificar potenciais adaptações ao atual avião de transporte tático multimissão KC-390 Millennium para executar missões de Inteligência, Vigilância e Reconhecimento (IVR).

Para estabelecer a importância estratégica da iniciativa da Embraer, conjuntamente com a FAB e com a FAP, esta Consultoria discorre sobre os potenciais de emprego e de comercialização das novas especialidades do C-390, trazendo também uma esclarecedora matéria de "Hoje no Mundo Militar" e duas entrevistas sobre o assunto com Bosco da Costa Junior, presidente e CEO da Embraer Defesa & Segurança.

Anteriormente, no início de dezembro de 2024, a Embraer e a Força Aérea Brasileira (FAB) haviam assinado um acordo para aprofundar os estudos colaborativos que visam ampliar a capacidade da plataforma C-390 Millennium para o segmento de Inteligência, Vigilância e Reconhecimento (IVR), com foco em missões de Patrulhamento Marítimo. 

“O trabalho colaborativo com a Embraer está evoluindo de forma eficiente e estruturada, permitindo uma avaliação abrangente do KC-390 Millennium para as necessidades atuais e futuras da Força Aérea Brasileira. Vemos um grande potencial da aeronave para missões IVR e patrulha marítima. A Força Aérea Brasileira dá as boas-vindas à Força Aérea Portuguesa por se juntar a este estudo, trazendo seu conhecimento e experiência para aprimorar a solução potencial”, disse o Tenente-Brigadeiro Marcelo Kanitz Damasceno, Comandante da Força Aérea Brasileira.”

Solução modular e novo filão
Bosco da Costa Junior enfatizou que a solução IVR é totalmente modular, ou seja, qualquer aeronave C-390 poderá receber o módulo IVR e realizar missões especiais de patrulha marítima, reconhecimento etc.

O Embraer C-390 IVR, além de substituir os antigos Lockheed P-3AM Orion na FAB com uma solução nacional de alta tecnologia e muito mais eficaz, abrirá um novo e significativo filão de negócios para a empresa no mercado internacional, haja vista que, além dessas substituições, no Brasil e no mundo, irá concorrer também com o Boeing P-8 Poseidon, e com vantagens. Segundo o CEO de Defesa & Segurança, já há diversos países interessados nas novas capacidades da aeronave.

Esta Consultoria acredita que esse fato  também se constitua em um trunfo inesperado e importante para as seleções que estão sendo feitas pela Índia (40 a 80 unidades) e Arábia Saudita (cerca de 33 unidades), além de vários outros outros países.

C-390M para a Índia
Em meados de dezembro de 2024, a imprensa indiana noticiou que a Embraer, em seu briefing para a Força Aérea Indiana (IAF) para a licitação de aeronaves de transporte médio (MTA) para 60 transportadores, apresentou uma nova proposta ousada: o C-390M Millennium equipado com hardpoints sob suas asas para transportar sistemas de armas ar-superfície. Essa capacidade, destinada a fornecer capacidades operacionais antiterrestres e anti-navio, pode posicionar o C-390M como uma plataforma ainda mais versátil e multifuncional, além de suas funções primárias de transporte, REVO etc.

O C-390M pode potencialmente ser equipado com múltiplos hardpoints sob cada asa. Esses hardpoints suportariam sistemas de armas stand-off pesados, como o Rudram-II (aproximadamente 800 kg), um míssil ar-superfície desenvolvido para a IAF. Ele também poderia transportar NASM-MR ou Medium Range Anti-Ship Missiles (MRAShM), atendendo a funções anti-navio para a Marinha da Índia. 

Nave-mãe para drones 
Segundo a imprensa indiana, a Embraer também está ansiosa para transformar o C-390M em uma nave-mãe para drones lançados do ar, alinhando-se com as tendências modernas de guerra aérea. Esta variante poderia atender aos requisitos da IAF para uma implantação de enxame ou UAV autônomo, adicionando uma capacidade de ponta à sua frota.

Tal variante também teria o caráter modular, ou seja, poderia ser adicionada a qualquer aeronave C-390 e implementada em poucas horas sem modificações estruturais. No entanto, a empresa não confirmou ainda tal informação.

Solução única para a IAF e trunfo para o C-390
Ao integrar sistemas de armas e de Inteligência, Vigilância e Reconhecimento (IVR) e, eventualmente, capacidades de lançamento de drones, o C-390M poderá se transformar em um poderoso e único multiplicador de força, adequado para funções além das características multimissão já existentes, haja vista que somará, a estas, possibilidades de ataques de precisão (terrestres e marítimos), vigilância marítima e operações de combate de UAV.

A IAF planeja adquirir entre 40 e 80 unidades do MTA, com uma parcela significativa a ser fabricada localmente na Índia por meio de transferência de tecnologia (ToT). A Força também estava considerando desenvolver variantes adicionais da aeronave para atender a requisitos operacionais específicos.

Assim, no quesito "variantes adicionais", o C-390M pode disparar na frente, pois, além de sua atual característica multimissão (transporte de tropas, de cargas paletizadas e de veículos; reabastecimento aéreo - REVO; evacuação aeromédica - EVAM; lançamento de paraquedistas e cargas; combate a incêndios extensos - MAFFS; operação em pistas não pavimentadas e curtas), a Embraer está desenvolvendo também a versão de patrulha marítima/terrestre armada (combate contra submarinos, navios de superfície e alvos terrestres) e de Inteligência, Vigilância e Reconhecimento (IVR), além do transporte e lançamento de drones (levantado recentemente, mas ainda não confirmado pela empresa).

Uma aeronave multifuncional como o C-390M poderá simplificar os custos para a IAF, servindo tanto como uma aeronave de transporte, de reabastecimento aéreo etc., quanto como uma plataforma de ataque tático ou para missões IVR.

A licitação MTA da IAF é altamente competitiva, com concorrentes como o Lockheed Martin C-130J Super Hercules e o A400M Atlas da Airbus também na briga. Ao oferecer uma variante com tantas potencialidades adicionais, a Embraer está posicionando o C-390M como uma solução única,  dando a ele uma vantagem excepcional sobre seus concorrentes.

Veja abaixo os vídeos da Embraer, de "Hoje no Mundo Militar" e das entrevistas citadas.

 
Vídeo da Embraer sobre o acordo com FAB e FAP

 
Reportagem de "Hoje no mundo Militar"
 
Entrevista do CEO da Embraer D&S a Felipe Salles, do canal Base Militar Vídeo Magazine
 

Entrevista do CEO da Embraer D&S à Revista Asas

03 dezembro, 2024

Com acordo entre Embraer e FAB, está nascendo o C-390 IVR, com foco em missões de Patrulhamento Marítimo


*LRCA Defense Consulting - 03/12/2024

A Embraer e a Força Aérea Brasileira (FAB) assinaram hoje, na Mostra BID, Feira Nacional de Defesa e Segurança, em Brasília, um acordo para aprofundar os estudos colaborativos que visam ampliar a capacidade da plataforma C-390 Millennium para o segmento de Inteligência, Vigilância e Reconhecimento (IVR), com foco em missões de Patrulhamento Marítimo. 

Graças à sua flexibilidade, robustez, sistemas de comunicação e de autoproteção de última geração, a aeronave apresenta grande potencial para atender ou mesmo superar necessidades e expectativas não apenas da Força Aérea Brasileira, mas também de outros clientes. 

“Os estudos para adaptação da plataforma C-390 Millennium às missões de IVR têm evoluído de forma estruturada, analisando a aderência e flexibilidade da aeronave às necessidades atuais e futuras da Força Aérea Brasileira, principalmente em relação ao Patrulhamento Marítimo”, aponta o Tenente Brigadeiro do Ar Marcelo Kanitz Damasceno, Comandante da Aeronáutica. 

"Temos a honra de avançar com a FAB nos estudos de expansão das capacidades operacionais do C-390 Millennium. Esse acordo reforça nosso compromisso de sempre oferecer aos nossos clientes uma aeronave capaz de realizar as missões mais desafiadoras com eficiência inigualável", disse Bosco da Costa Junior, presidente e CEO da Embraer Defesa & Segurança. "Este é mais um passo importante no relacionamento de longo prazo construído com a FAB". 

 

Solução modular e novo filão
Costa Junior enfatizou que a solução IVR é totalmente modular, ou seja, qualquer aeronave C-390 poderá receber o módulo IVR e realizar missões especiais de patrulha marítima, reconhecimento etc.

O Embraer C-390 IVR, além de substituir os antigos Lockheed P-3AM Orion na FAB com uma solução nacional de alta tecnologia e muito mais eficaz, abrirá um novo e significativo filão de negócios para a empresa no mercado internacional, haja vista que, além dessas substituições, no Brasil e no mundo, irá concorrer também com o Boeing P-8 Poseidon, e com vantagens. Segundo o CEO de Defesa & Segurança, já há diversos países interessados nas novas capacidades da aeronave.

A nova capacidade da aeronave é um trunfo inesperado e importante para as seleções que estão sendo feitas pela Índia (40 a 80 unidades) e Arábia Saudita (cerca de 33 unidades), além de vários outros outros países.

 
 Entrevista a Felipe Salles, do canal Base Militar Vídeo Magazine

O desenvolvimento de novas funcionalidades operacionais demonstra a capacidade de engenharia e integração de sistemas da Embraer. A aeronave já é considerada por seus usuários como a mais moderna em sua categoria e foi escolhida por diversos países, como Brasil, Hungria, Áustria, Coreia do Sul, Holanda, República Tcheca, Portugal e Suécia, para modernizar suas forças aéreas. 

Com uma carga útil máxima de 26 toneladas, uma velocidade máxima de 470 nós e aviônicos de última geração, o C-390 Millennium é a melhor aeronave de sua categoria. Seus potentes motores, amplo compartimento de carga equipado com rampa traseira e trem de pouso robusto permitem realizar as missões mais exigentes em pistas não pavimentadas. 

A atual frota de aeronaves em operação em todo o mundo acumula mais de 15.000 horas de voo, demonstra taxa de prontidão para a missão em 93% e taxa de conclusão de missão acima de 99%, demonstrando produtividade excepcional na categoria.

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