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07 março, 2026

Embraer teria posicionado o C-390 como plataforma "nave-mãe" multimissão para a Índia, com enxame de drones e capacidade Rapid Dragon

Portal indiano detalha proposta da fabricante brasileira de transformar o C-390 Millennium em uma plataforma aérea capaz de lançar enxames de drones e empregar o conceito Rapid Dragon, tema que esta Consultoria vem acompanhando desde o final de 2024. 

Imagem meramente ilustrativa

*LRCA Defense Consulting - 06/03/2026

"A Embraer está posicionando o C-390 não meramente como um transportador tático, mas como uma plataforma modular multimissão capaz de evoluir para uma avançada 'nave-mãe' aérea."— IDRW, março de 2026

O conceituado portal indiano de defesa Indian Defence Research Wing (IDRW) publicou nesta quinta-feira, 5 de março de 2026, uma análise detalhada sobre o posicionamento estratégico da Embraer junto à Força Aérea Indiana (IAF): o C-390 Millennium não como um simples transportador tático, mas como uma plataforma aérea modular de alto espectro, capaz de se transformar em uma verdadeira "nave-mãe" de drones e de empregar capacidades avançadas de arsenal aéreo, incluindo o conceito norte-americano Rapid Dragon.

Segundo o IDRW, a proposta da fabricante brasileira vai muito além do transporte convencional de tropas e cargas. A Embraer traçou para a IAF um roteiro de codesenvolvimento de variantes especializadas, abrangendo missões de Inteligência, Vigilância e Reconhecimento (IVR), inteligência de sinais (SIGINT) e conceitos avançados de emprego de sistemas não tripulados — inspirados na doutrina de aeronave-arsenal que vem ganhando corpo nas principais forças aéreas do mundo.

O que é o conceito de "nave-mãe" proposto pela Embraer
No coração da proposta está a ideia de que um transportador moderno pode funcionar como um carregador aéreo de sistemas flexível. A grande rampa traseira do C-390 e sua arquitetura de carga paletizada permitem que kits de missão sejam trocados rapidamente, convertendo a aeronave de um veículo logístico em uma plataforma de lançamento de sistemas não tripulados. Essa característica modular é central: qualquer aeronave C-390 poderia receber os kits necessários e estar pronta para missões especiais em poucas horas, sem modificações estruturais permanentes.

A Embraer também explorou junto à IAF conceitos de recuperação aérea de drones comparáveis aos experimentos de captura em voo realizados em outros programas de ponta da aviação mundial. Nessa configuração, o porão de carga do C-390 poderia abrigar um sistema de captura baseado em guincho para recolher drones em retorno ao interior da aeronave, possibilitando reutilização e reimplantação rápida. Tal capacidade transformaria efetivamente o transportador em um nó de comando de drones reutilizável, estendendo a resistência operacional sem exigir bases avançadas em território hostil.

Outra dimensão do conceito de nave-mãe envolve o transporte externo sob as asas. Os hardpoints alares do C-390, originalmente previstos para pods de reabastecimento aéreo, podem suportar plataformas não tripuladas de maior porte, inviáveis de serem lançadas pela rampa traseira. Esses drones transportados externamente poderiam ser liberados em voo para atuar como repetidores de sensores, batedores de reconhecimento ou ativos de apoio eletrônico, coordenados pelos sistemas de missão embarcados.

O conceito Rapid Dragon e o enxame de drones
O IDRW destaca ainda que a Embraer apresentou à IAF a possibilidade de implementar o conceito Rapid Dragon, desenvolvido originalmente pelos Estados Unidos. Nessa configuração, paletes de carga padrão são adaptados para comportar mísseis de cruzeiro ou munições planadas de longo alcance, que são lançadas pela rampa traseira durante o voo, transformando qualquer C-390 em uma plataforma de ataque stand-off sem modificações permanentes na aeronave. O conceito já foi testado com sucesso nos EUA a partir de aeronaves C-130 e C-17, e sua adaptação ao C-390 representaria um salto qualitativo considerável para a IAF.

Paralelamente, a proposta de emprego de enxames de drones lançados a partir da rampa traseira alinha o C-390 com as tendências mais modernas de guerra aérea. A saturação de defesas adversárias por múltiplos sistemas autônomos coordenados é uma das lições mais contundentes extraídas dos conflitos recentes na Ucrânia e em Nagorno-Karabakh, e a IAF demonstra crescente interesse em incorporar essa doutrina à sua força.

C-390 Millennium: dados técnicos relevantes

  • Motorização: dois turbofans IAE V2500-E5
  • Peso máximo de decolagem: 81.500 kg
  • Carga transportável: até 26 toneladas métricas
  • Capacidade de tropas: até 80 soldados equipados
  • Alcance com carga plena: 5.056 km (2.730 NM)
  • Velocidade de cruzeiro: ~850 km/h (Mach 0,80)
  • Hardpoints alares: originalmente para pods REVO; adaptáveis para armamento e drones
  • Parceiros na Índia: Mahindra Defence Systems (produção local e MRO)

Multimissão: a vantagem comparativa do C-390 na licitação MTA
A licitação MTA (Medium Transport Aircraft) da IAF prevê a aquisição de 60 aeronaves para substituir a frota de Antonov An-32 e operar ao lado dos C-17 Globemaster III, C-130J Super Hercules e dos recém-adquiridos Airbus C295. Trata-se de uma das maiores aquisições militares de transporte aéreo do mundo na última década, estimada em cerca de cem mil crores de rúpias (aproximadamente 12 bilhões de dólares). A concorrência é acirrada, com o Lockheed Martin C-130J Super Hercules como principal rival.

Ao apresentar o C-390 como uma plataforma que vai muito além do transporte convencional, a Embraer aposta em uma vantagem decisiva: enquanto concorrentes entregam primordialmente capacidade logística, o C-390 multimissão oferece, em um único chassi, transporte de tropas e cargas, reabastecimento aéreo (REVO), evacuação aeromédica (EVAM), lançamento de paraquedistas, combate a incêndios florestais (MAFFS), operação em pistas curtas e não pavimentadas, patrulha marítima armada (MPA), Inteligência, Vigilância e Reconhecimento (IVR) e, potencialmente, lançamento e recuperação de drones e emprego do conceito Rapid Dragon.

A parceria com a Mahindra Defence Systems, formalizada por Memorando de Entendimento em fevereiro de 2024 e ampliada para um acordo estratégico de produção local em outubro de 2025, reforça o alinhamento com a política Atmanirbhar Bharat (India Autossuficiente), um critério fundamental para a IAF. Em fevereiro de 2026, Embraer e Mahindra anunciaram ainda um acordo para o estabelecimento de uma instalação de manutenção, reparo e revisão (MRO) no país, caso o C-390 vença a licitação. A linha de montagem final prevista na Índia permitiria ao país tornar-se hub regional de produção, MRO e treinamento para toda a Ásia-Pacífica.

Imagem meramente ilustrativa

O contexto geopolítico: China, modernização e a urgência indiana
Vale registrar que o tema não é exatamente novo. Esta Consultoria vem acompanhando os desdobramentos da proposta da Embraer para a IAF desde dezembro de 2024, quando o IDRW noticiou pela primeira vez a oferta de uma variante armada do C-390M com hardpoints alares. Desde então, análises subsequentes sobre as variantes de Patrulha Marítima Armada, IVR e nave-mãe de drones foram publicadas aqui, à medida que o quadro ia se tornando mais nítido. A matéria de ontem do IDRW agrega novos elementos — em especial o conceito Rapid Dragon e a recuperação aérea de drones, e consolida, com autoridade, um cenário de múltiplas camadas que vai bem além do transporte convencional.

A proposta da Embraer ganha contornos ainda mais relevantes no contexto geopolítico regional. A China, que mantém longas disputas fronteiriças com a Índia, avança aceleradamente no desenvolvimento de plataformas de guerra baseada em drones. O drone-porta-aviões Jiu Tian, revelado no Zhuhai Air Show de novembro de 2024, é capaz de transportar e lançar até 100 drones kamikaze a partir de altitudes de 15.000 metros, com raio de ação de 7.000 km. Trata-se de uma ameaça assimétrica de nova geração que não passa despercebida pelos planejadores estratégicos de Nova Délhi.

Nesse quadro, a possibilidade de que a própria frota de transportadores da IAF, caso o C-390 seja selecionado, possa desempenhar papel análogo, com vantagens operacionais consideráveis por ser tripulada, representa um argumento de peso. A solução modular do C-390 permite que a mesma aeronave alterne entre missões logísticas rotineiras e funções de combate avançado sem necessidade de aeronaves dedicadas adicionais, com impacto positivo nos custos do ciclo de vida.

O DRDO (Organização de Pesquisa e Desenvolvimento de Defesa da Índia) também se move nessa direção: em colaboração com o setor privado, a organização desenvolve enxames de drones com cargas úteis integradas, projetados especificamente para serem lançados a partir de transportadores da IAF. A convergência entre essa demanda doméstica e a oferta da Embraer é, no mínimo, estrategicamente conveniente.

Índia: o maior operador mundial do C-390?
 A materialização dessas propostas em contrato dependerá de múltiplos fatores: a avaliação técnica e financeira pela IAF, o ritmo das negociações sobre transferência de tecnologia (ToT), os resultados dos estudos colaborativos em andamento entre Embraer, FAB e FAP, e as decisões políticas do governo Modi no âmbito do Atmanirbhar Bharat. O que está claro, entretanto, é que a Embraer construiu, ao longo dos últimos anos, uma proposta de valor excepcionalmente robusta para o mercado indiano, e que o C-390 Millennium está muito bem posicionado para se tornar a espinha dorsal da aviação de transporte tático da IAF nas próximas décadas.

Se confirmada a seleção, a Índia se tornará o maior operador mundial do C-390, superando a soma de todos os clientes existentes, incluindo a própria Força Aérea Brasileira. Um fato que, por si só, diz muito sobre o alcance e a relevância estratégica desta aeronave e sobre a capacidade da Embraer de transformar um projeto 100% brasileiro em vetor global de poder aéreo.

20 maio, 2025

O Embraer C-390 como nave-mãe para drones: um "porta-aviões" voador para a Índia?

Imagem meramente representativa

*LRCA Defense Consulting - 20/05/2025

Em meados de dezembro de 2024, a imprensa indiana noticiou que a Embraer, em seu briefing para a Força Aérea Indiana (IAF) relativo à licitação de 60 aeronaves de transporte médio (MTA), apresentou uma nova e ousada proposta: o C-390M Millennium equipado com hardpoints sob suas asas para transportar sistemas de armas ar-superfície. Essa característica, destinada a fornecer capacidades operacionais antiterrestres e anti-navio, poderia posicionar o C-390M como uma plataforma ainda mais versátil e multifuncional, além de suas funções primárias de transporte, REVO etc.

Esses hardpoints suportariam sistemas de armas stand-off pesados, como o Rudram-II (aproximadamente 800 kg), um míssil ar-superfície desenvolvido para a IAF. Ele também poderia transportar mísseis NASM-MR ou Medium Range Anti-Ship Missiles (MRAShM), atendendo a funções anti-navio para a Marinha da Índia.

Nave-mãe para drones
Ainda segundo a mídia especializada indiana, a Embraer também estaria ansiosa para transformar o C-390M em uma nave-mãe para drones lançados do ar, alinhando-se com as tendências modernas de guerra aérea e permitindo operações de longo alcance. Esta variante poderia atender aos requisitos da IAF para uma implantação de enxame ou UAV autônomo, adicionando uma capacidade de ponta à sua frota.

Ao integrar sistemas de armas e capacidades de lançamento de drones, o C-390M poderia se transformar em um multiplicador de força, adequado para funções além do transporte convencional, como ataques de precisão, segurança marítima e operações de combate de UAV. Uma aeronave multifuncional, como o C-390M, poderia simplificar os custos e a logística para a IAF, servindo tanto como uma aeronave de transporte quanto como uma plataforma de ataque tático.

Imagem meramente representativa

Com uma parcela significativa a ser fabricada localmente na Índia por meio de transferência de tecnologia (ToT), a Força Aérea Indiana (IAF) também estaria considerando desenvolver variantes adicionais da aeronave para atender a requisitos operacionais específicos.

Tal intenção da IAF pode fazer com que o C-390M dispare na frente dos concorrentes, pois, além de sua atual característica multimissão já presente (transporte de tropas, de cargas paletizadas e de veículos; reabastecimento aéreo - REVO; evacuação aeromédica - EVAM; lançamento de paraquedistas e cargas; combate a incêndios extensos - MAFFS; operação em pistas não pavimentadas e curtas), a Embraer está desenvolvendo também a versão de Patrulha Marítima/Terrestre Armada (combate contra submarinos, navios de superfície e alvos terrestres) e de Inteligência, Vigilância e Reconhecimento (IVR), além do transporte e lançamento de drones (levantado recentemente, mas ainda não confirmado pela empresa).

Ao oferecer à licitação MTA da IAF uma variante armada e com capacidade para ser uma nave-mãe de drones, a Embraer estaria posicionando o C-390M como uma solução única capaz de abordar funções de transporte tático e combate, potencialmente dando a ele uma enorme vantagem sobre seus concorrentes.

Iniciativa chinesa
A China - país vizinho e com um grande histórico de conflitos com a Índia - já está se movimentando nesse sentido. A matéria abaixo divulga que a
Marinha Chinesa lançará seu primeiro "porta-aviões voador" em junho. A aeronave não tripulada (UAV) Jiu Tian é uma nave-mãe capaz de transportar até 100 drones para lançar ataques massivos a 7.000 quilômetros de distância.

Apesar das capacidades avançadas ainda não bem conhecidas, o Jiu Tian enfrentou críticas, especialmente de analistas ocidentais, que questionam sua eficácia em cenários de combate com defesas aéreas sofisticadas. Comentários nas redes sociais descreveram o drone como "grande, lento e não furtivo", sugerindo que seria um alvo fácil para sistemas de defesa aérea integrados modernos.

São concepções diferentes (a serem estudadas em matéria futura) para uma finalidade similar, mas nessas diferenças - especialmente no que tange ao fator humano - é que podem residir as vantagens do C-390 Millennium. Além disso, seria uma solução a ser implementada em prazo relativamente curto, quando comparada ao desenvolvimento de uma nova aeronave para esse fim específico.
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O porta-aviões chinês não é o porta-aviões da SHIELD, mas suas capacidades ofensivas serão formidáveis ​​(Marvel)
 
China lançará porta-aviões com 100 kamikazes inteligentes em junho

*El Confidencial, por Jesus Diaz - 19/05/2025

China está finalizando os preparativos para o primeiro voo operacional do Jiu Tian, ​​o primeiro porta-aviões voador da história . Esta plataforma poderá transportar e implantar até 100 drones em um raio de 7.000 quilômetros. De acordo com fontes oficiais citadas pela emissora de televisão estatal CCTV, a missão inaugural da aeronave está programada para o final de junho. Seu objetivo: ampliar o raio de ação da Força Aérea Chinesa em combates não tripulados e testar sua capacidade de realizar ataques massivos utilizando enxames, uma tática capaz de saturar as defesas inimigas com ataques coordenados de múltiplas aeronaves kamikaze.

O Jiu Tian — nome que significa "céu alto" — foi revelado em novembro no Zhuhai Air Show. Com uma envergadura de 25 metros e um peso máximo de decolagem de 16 toneladas, esta aeronave a jato pode atingir altitudes de 15.000 metros, o que a coloca fora do alcance de muitos sistemas antiaéreos de médio alcance implantados globalmente. Sua autonomia pode cobrir quase a distância entre Madri e Nova Déli.

Ampliando o alcance de ação da Marinha Chinesa

A aeronave pode transportar e lançar até 100 drones kamikaze a partir de dois compartimentos em sua barriga. Essas aeronaves pequenas e de alcance limitado voam carregadas de explosivos para atingir alvos em rede, sobrecarregando as defesas com ataques simultâneos. Eles também podem realizar missões de reconhecimento e interferir eletronicamente nas comunicações inimigas. Além disso, o Jiu Tian conta com oito pontos de fixação externos adicionais para carregar até seis toneladas de armas, sensores ou outros equipamentos. O porta-aviões, projetado pela empresa estatal de defesa China Aerospace Industry Corporation, apresenta um design de compartimento de carga modular. Isso permite que ele seja adaptado tanto para funções civis quanto militares, desde vigilância marítima até resgates em ambientes hostis, de acordo com o fabricante.

Vista lateral do enorme drone

No entanto, seu objetivo principal é sua capacidade de ataque. O projeto faz parte da estratégia da China de dominar tecnologias militares assimétricas, como a Ucrânia fez com a Rússia. De acordo com o South China Morning Post de Hong Kong, especialistas citados na mídia estatal enfatizam que o Jiu Tian competirá em tamanho com modelos americanos como o RQ-4 Global Hawk, que opera em altitudes mais elevadas (18.000 metros), mas não tem capacidade ofensiva. Mas, além disso, ele representa um conceito completamente novo na nova aviação baseada em drones.

De acordo com a televisão estatal chinesa CCTV, esta primeira missão será seguida por testes para validar sua integração no Exército de Libertação Popular. Se passar nos testes, a China terá uma ferramenta única: uma nave-mãe que transformará o céu e a terra em um campo de batalha saturado de máquinas de guerra e sensores, talvez o exemplo máximo da ideia que muitos analistas de defesa têm sobre o futuro da aviação militar.

O enorme porta-aviões voador da China será capaz de realizar ataques com até 100 drones. (SCMP)

Uma ideia de ciência em vez de ficção
O porta-aviões realizará missões que podem combinar coleta de inteligência, vigilância constante de áreas — vitais para a defesa da área — e ataques aéreos massivos. Além disso, o Jiu Tian tem quatro pontos de fixação sob cada asa para transportar armamento adicional.

O Jiu Tian usa um motor a jato montado na fuselagem central. Possui asas grandes e estabilizadores traseiros verticais em forma de 'H', sugerindo voo em baixa velocidade com grande alcance. O nariz da aeronave parece estar equipado com radar e um módulo de sensores ópticos, eletrônicos e infravermelhos.

Módulo central Jiu Tian

Mas o elemento-chave é sua capacidade de lançar enxames de drones menores, algo que a China vem investigando nos últimos anos, tanto por via aérea quanto marítima. Especialistas chineses e americanos acreditam que enxames de drones oferecem uma vantagem inegável no ar. Eles podem cobrir grandes áreas, desorientar as defesas inimigas e executar missões de todos os tipos, dependendo de sua configuração, tudo com eficiência sem precedentes e a um custo infinitamente menor do que as forças aéreas convencionais.

O problema é que esses drones têm capacidades de voo limitadas. Este porta-aviões compensa essa falta de alcance. Voando por longas distâncias ou realizando voos sustentados sobre regiões continuamente, o Jiu Tian oferece implantação em áreas distantes de bases terrestres ou navios de guerra. Além das tarefas ofensivas, os drones lançados pelo Jiu Tian podem transportar outras cargas úteis não destrutivas, como sensores de reconhecimento e sistemas de interferência eletrônica.

Os EUA querem a mesma coisa

Os Estados Unidos estão trabalhando em ideias semelhantes usando vários conceitos. Eles vêm desenvolvendo um 'porta-aviões voador' mais ambicioso há anos, sob a égide da Agência de Projetos de Pesquisa Avançada de Defesa ( DARPA ). O programa, chamado X-61A Gremlins, é mais complexo que o chinês: uma plataforma capaz de lançar, mas também recuperar drones em pleno voo. Steve Fendley, presidente da divisão de sistemas não tripulados da Kratos, fabricante dos drones Gremlin, diz que o objetivo agora é que os drones "possam se rearmar no ar e relançar para executar mais de uma missão". Fendley explica que, inicialmente, a ideia era que os drones fossem lançados para completar uma missão e depois retornassem à sua base.

A evolução dos Gremlins permitiu que as naves-mãe agissem como um porta-aviões clássico, recolhendo os drones, reabastecendo-os e lançando-os novamente. Os chineses, no entanto, parecem acreditar que é melhor multiplicar as unidades disponíveis, tornando-as tão baratas que perdê-las em cada missão não importa.

Um dos X-61As pronto para lançamento de um porta-aviões C-130 (DARPA)

O X-61A Gremlin, em desenvolvimento desde 2015, é um drone em rede e coordenado que opera como parte de um enxame. Esses drones podem ser implantados a partir de bombardeiros B-1B Lancer ou B-21 Raider, bem como de naves-mãe como o C-130 Hercules, equipado com um sistema de captura especializado para a recuperação de Gremlins. Fendley enfatiza que a nova capacidade de "recarregar e relançar" aumenta significativamente a eficácia dessas armas. Esses drones poderiam até mesmo se mover de uma nave-mãe para outra para continuar suas operações sem precisar retornar a uma base fixa.

História e ficção
O conceito de "porta-aviões voador" não é novo. A história está repleta de várias tentativas de desenvolver plataformas aéreas capazes de transportar e lançar aeronaves menores em busca de superioridade aérea. Se seus aviões decolarem de um ponto alto na mesma zona de conflito, eles não precisarão perder minutos preciosos entrando em ação e interceptando o inimigo. Todos eles falharam em atingir esse objetivo, condenados pela tecnologia da época e pelo baixo retorno comparado ao custo e à complexidade operacional. O Jin Tian é o primeiro que realmente funciona e acerta o tom, especialmente na guerra do futuro que já se manifestou nos céus da Ucrânia.

Ilustração do USS Macon

Na década de 1930, a Marinha dos Estados Unidos fez experiências com o USS Akron e o USS Macon, dois dirigíveis gigantes que transportavam caças Curtiss F9C Sparrowhawk. Essas aeronaves foram lançadas e recuperadas em pleno voo usando um sistema de gancho trapezoidal. Embora os dirigíveis tenham sido perdidos em acidentes, o conceito continuou vivo na imaginação dos engenheiros.

O Convair B-36 Peacemaker foi projetado para ser uma aeronave de transporte do caça F-84. (Força Aérea dos EUA)

Mais tarde, durante a década de 1950, a Força Aérea dos Estados Unidos desenvolveu o projeto FICON, que usou bombardeiros Convair B-36 Peacemaker como naves-mãe para caças F-84 Thunderjet. Apesar dos testes bem-sucedidos, dificuldades técnicas e riscos operacionais levaram ao cancelamento do projeto.

Além dos Gremlins, os EUA também estão trabalhando na implantação em massa de drones menores, de estilo chinês. Uma das propostas mais interessantes é a conversão de bombardeiros nucleares B-52 para que eles possam lançar conjuntos de drones em vez de bombas. Nenhum desses projetos é como os Helicarriers da SHIELD nos filmes da Marvel, talvez o sonho de consumo de todo general da aeronáutica. O Helicarrier é o equivalente direto de um porta-aviões naval, capaz de lançar aeronaves a qualquer hora e lugar, exceto do ar. No mundo real, faz muito mais sentido ter um grande número de aeronaves como a Jiu Tian patrulhando grandes regiões do espaço aéreo e implantando vários enxames inteligentes difíceis de interceptar com o toque de um botão.

06 abril, 2025

O novo Embraer C-390 especializado em missões de Patrulha Armada e IVR: mais um grande trunfo da Embraer


*LRCA Defense Consulting - 06/04/2026

No dia 01 de abril, a Força Aérea Portuguesa (FAP) anunciou oficialmente sua intenção de se juntar à Embraer e à Força Aérea Brasileira (FAB) em estudos colaborativos para identificar potenciais adaptações ao atual avião de transporte tático multimissão KC-390 Millennium para executar missões de Inteligência, Vigilância e Reconhecimento (IVR).

Para estabelecer a importância estratégica da iniciativa da Embraer, conjuntamente com a FAB e com a FAP, esta Consultoria discorre sobre os potenciais de emprego e de comercialização das novas especialidades do C-390, trazendo também uma esclarecedora matéria de "Hoje no Mundo Militar" e duas entrevistas sobre o assunto com Bosco da Costa Junior, presidente e CEO da Embraer Defesa & Segurança.

Anteriormente, no início de dezembro de 2024, a Embraer e a Força Aérea Brasileira (FAB) haviam assinado um acordo para aprofundar os estudos colaborativos que visam ampliar a capacidade da plataforma C-390 Millennium para o segmento de Inteligência, Vigilância e Reconhecimento (IVR), com foco em missões de Patrulhamento Marítimo. 

“O trabalho colaborativo com a Embraer está evoluindo de forma eficiente e estruturada, permitindo uma avaliação abrangente do KC-390 Millennium para as necessidades atuais e futuras da Força Aérea Brasileira. Vemos um grande potencial da aeronave para missões IVR e patrulha marítima. A Força Aérea Brasileira dá as boas-vindas à Força Aérea Portuguesa por se juntar a este estudo, trazendo seu conhecimento e experiência para aprimorar a solução potencial”, disse o Tenente-Brigadeiro Marcelo Kanitz Damasceno, Comandante da Força Aérea Brasileira.”

Solução modular e novo filão
Bosco da Costa Junior enfatizou que a solução IVR é totalmente modular, ou seja, qualquer aeronave C-390 poderá receber o módulo IVR e realizar missões especiais de patrulha marítima, reconhecimento etc.

O Embraer C-390 IVR, além de substituir os antigos Lockheed P-3AM Orion na FAB com uma solução nacional de alta tecnologia e muito mais eficaz, abrirá um novo e significativo filão de negócios para a empresa no mercado internacional, haja vista que, além dessas substituições, no Brasil e no mundo, irá concorrer também com o Boeing P-8 Poseidon, e com vantagens. Segundo o CEO de Defesa & Segurança, já há diversos países interessados nas novas capacidades da aeronave.

Esta Consultoria acredita que esse fato  também se constitua em um trunfo inesperado e importante para as seleções que estão sendo feitas pela Índia (40 a 80 unidades) e Arábia Saudita (cerca de 33 unidades), além de vários outros outros países.

C-390M para a Índia
Em meados de dezembro de 2024, a imprensa indiana noticiou que a Embraer, em seu briefing para a Força Aérea Indiana (IAF) para a licitação de aeronaves de transporte médio (MTA) para 60 transportadores, apresentou uma nova proposta ousada: o C-390M Millennium equipado com hardpoints sob suas asas para transportar sistemas de armas ar-superfície. Essa capacidade, destinada a fornecer capacidades operacionais antiterrestres e anti-navio, pode posicionar o C-390M como uma plataforma ainda mais versátil e multifuncional, além de suas funções primárias de transporte, REVO etc.

O C-390M pode potencialmente ser equipado com múltiplos hardpoints sob cada asa. Esses hardpoints suportariam sistemas de armas stand-off pesados, como o Rudram-II (aproximadamente 800 kg), um míssil ar-superfície desenvolvido para a IAF. Ele também poderia transportar NASM-MR ou Medium Range Anti-Ship Missiles (MRAShM), atendendo a funções anti-navio para a Marinha da Índia. 

Nave-mãe para drones 
Segundo a imprensa indiana, a Embraer também está ansiosa para transformar o C-390M em uma nave-mãe para drones lançados do ar, alinhando-se com as tendências modernas de guerra aérea. Esta variante poderia atender aos requisitos da IAF para uma implantação de enxame ou UAV autônomo, adicionando uma capacidade de ponta à sua frota.

Tal variante também teria o caráter modular, ou seja, poderia ser adicionada a qualquer aeronave C-390 e implementada em poucas horas sem modificações estruturais. No entanto, a empresa não confirmou ainda tal informação.

Solução única para a IAF e trunfo para o C-390
Ao integrar sistemas de armas e de Inteligência, Vigilância e Reconhecimento (IVR) e, eventualmente, capacidades de lançamento de drones, o C-390M poderá se transformar em um poderoso e único multiplicador de força, adequado para funções além das características multimissão já existentes, haja vista que somará, a estas, possibilidades de ataques de precisão (terrestres e marítimos), vigilância marítima e operações de combate de UAV.

A IAF planeja adquirir entre 40 e 80 unidades do MTA, com uma parcela significativa a ser fabricada localmente na Índia por meio de transferência de tecnologia (ToT). A Força também estava considerando desenvolver variantes adicionais da aeronave para atender a requisitos operacionais específicos.

Assim, no quesito "variantes adicionais", o C-390M pode disparar na frente, pois, além de sua atual característica multimissão (transporte de tropas, de cargas paletizadas e de veículos; reabastecimento aéreo - REVO; evacuação aeromédica - EVAM; lançamento de paraquedistas e cargas; combate a incêndios extensos - MAFFS; operação em pistas não pavimentadas e curtas), a Embraer está desenvolvendo também a versão de patrulha marítima/terrestre armada (combate contra submarinos, navios de superfície e alvos terrestres) e de Inteligência, Vigilância e Reconhecimento (IVR), além do transporte e lançamento de drones (levantado recentemente, mas ainda não confirmado pela empresa).

Uma aeronave multifuncional como o C-390M poderá simplificar os custos para a IAF, servindo tanto como uma aeronave de transporte, de reabastecimento aéreo etc., quanto como uma plataforma de ataque tático ou para missões IVR.

A licitação MTA da IAF é altamente competitiva, com concorrentes como o Lockheed Martin C-130J Super Hercules e o A400M Atlas da Airbus também na briga. Ao oferecer uma variante com tantas potencialidades adicionais, a Embraer está posicionando o C-390M como uma solução única,  dando a ele uma vantagem excepcional sobre seus concorrentes.

Veja abaixo os vídeos da Embraer, de "Hoje no Mundo Militar" e das entrevistas citadas.

 
Vídeo da Embraer sobre o acordo com FAB e FAP

 
Reportagem de "Hoje no mundo Militar"
 
Entrevista do CEO da Embraer D&S a Felipe Salles, do canal Base Militar Vídeo Magazine
 

Entrevista do CEO da Embraer D&S à Revista Asas

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