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07 outubro, 2026

MODIRUM | GESPI transforma experiência em munições em solução industrial modular

Nova estação turn-key pode ser configurada para munições de 105, 120 e 155 mm e insere a empresa em um mercado global pressionado pela necessidade de ampliar e descentralizar capacidades produtivas 



*LRCA Defense Consulting - 07/10/2026

Da munição à capacidade de produzir 
A MODIRUM | GESPI ampliou seu portfólio com uma solução turn-key para implantação de estações de carregamento de munições, movimento que leva a empresa além do fornecimento de produtos de defesa e passa a oferecer também a engenharia necessária para estabelecer ou ampliar capacidades industriais.

A proposta ganha relevância por combinar três características particularmente valorizadas no atual mercado de defesa: modularidade, flexibilidade para diferentes calibres e possibilidade de expansão conforme a demanda. Segundo o material técnico divulgado pela empresa, a plataforma pode ser configurada para munições de 105 mm, 120 mm e 155 mm, incluindo diferentes variantes, e permite fabricar distintas famílias de projéteis dentro da mesma infraestrutura.

Mais do que um novo equipamento, a solução representa a transformação da experiência acumulada pela companhia na produção de munições em um produto industrial potencialmente exportável. Em vez de vender apenas o resultado final da fábrica, a MODIRUM | GESPI passa a oferecer parte do conhecimento necessário para que outros clientes desenvolvam capacidade própria de produção.

Um conceito diferente da linha contínua 
O elemento central da solução é a substituição do fluxo tradicional de produção contínua por estações modulares independentes. Em uma linha convencional, o produto se desloca sucessivamente entre diferentes etapas e uma interrupção em determinado ponto pode repercutir sobre todo o processo.

No conceito apresentado pela MODIRUM | GESPI, cada módulo funciona de maneira independente e o corpo do projétil permanece em sua estação durante o processo. A empresa afirma que essa arquitetura reduz a movimentação interna de materiais, diminui a dependência de um fluxo serial e limita os efeitos provocados por paradas de máquinas ou interrupções em outros pontos da produção.

A modularidade também permite adequar a configuração às necessidades do cliente e acrescentar ou reorganizar estações conforme a demanda. Dessa forma, investimentos adicionais podem acompanhar o crescimento da produção, em vez de exigir, desde o início, uma estrutura dimensionada para a capacidade máxima.

Uma plataforma para três calibres 
Outro diferencial destacado é a produção multicalibre. A mesma plataforma pode ser configurada para 105 mm, 120 mm e 155 mm, sem que cada família de munição exija necessariamente uma linha completamente independente.

De acordo com a documentação da empresa, a mudança entre modelos é realizada principalmente por ajustes de configuração e pequenas alterações de ferramental. Essa característica pode ser especialmente relevante para países ou fabricantes que necessitam produzir volumes diferentes de várias famílias de munições e não dispõem de escala suficiente para justificar instalações exclusivas para cada uma delas.

O calibre 155 mm confere dimensão estratégica adicional à iniciativa. A guerra na Ucrânia evidenciou o consumo elevado de munição de artilharia em conflitos de alta intensidade e desencadeou uma corrida internacional pela recomposição de estoques e ampliação da capacidade industrial.

A corrida mundial pela capacidade industrial 
A tendência não se limita à compra de munições prontas. Países da OTAN vêm procurando ampliar, distribuir e tornar mais resiliente sua própria capacidade de produção. Em julho de 2026, nove aliados anunciaram o projeto multinacional Generic NATO Indirect Fire Round (GENIFR), destinado a estabelecer parâmetros para uma futura munição genérica de 155 mm plenamente intercambiável e interoperável. Segundo a Aliança, a iniciativa pretende simplificar e acelerar a produção.

No mesmo contexto, a OTAN lançou o NATO Engine, iniciativa voltada a conectar empresas a fábricas e instalações avançadas com capacidade disponível, estimulando produção transfronteiriça e expansão industrial. O princípio é relevante para compreender o mercado potencial de soluções modulares: a questão estratégica deixou de ser apenas onde comprar munição e passou a incluir onde e com que rapidez é possível criar nova capacidade de produzi-la.

A dimensão dessa demanda pode ser observada nos investimentos dos grandes fabricantes. A Rheinmetall, por exemplo, informou em setembro que continua ampliando instalações existentes e construindo novas unidades, com objetivo de atingir aproximadamente 1,5 milhão de projéteis de 155 mm por ano em 2030. A empresa vem recebendo sucessivos contratos internacionais para fornecimento desse tipo de munição.

Gargalos permanecem na cadeia 
A estação da MODIRUM | GESPI, entretanto, não deve ser confundida, com as informações disponíveis, com uma fábrica integral e verticalizada de munições. O material divulgado trata especificamente de uma solução de estação de carregamento e não detalha a inclusão de todas as etapas anteriores da cadeia, como fabricação do corpo do projétil, produção de explosivos, propelentes e espoletas.

A distinção é importante porque alguns dos maiores gargalos internacionais estão justamente nos materiais energéticos. A Comissão Europeia já identificou limitações na disponibilidade de nitrocelulose energética, nitroglicerina e altos explosivos, além da capacidade instalada para mistura, extrusão e acondicionamento de propelentes, como obstáculos à expansão da produção de munição de artilharia.

Portanto, a solução apresentada deve ser entendida pelo que está comprovado: uma arquitetura modular para estações de carregamento, concebida para aumentar flexibilidade, escalabilidade e continuidade operacional. Não há, até o momento, dados públicos sobre capacidade anual de cada configuração, prazo de implantação, nível de automação, preço ou clientes já contratados.

Uma evolução da estratégia da MODIRUM | GESPI 
O lançamento não surge isoladamente. Após adquirir participação majoritária na GESPI, a Modirum Defence anunciou investimento nas instalações industriais brasileiras para desenvolver produção regular de munição de 155 mm padrão OTAN. O plano divulgado previa o início de volumes mensais regulares a partir de abril de 2025 e posterior ampliação de acordo com a demanda.

Em setembro de 2025, MODIRUM | GESPI e IMBEL anunciaram o fortalecimento de sua parceria estratégica, destacando compartilhamento de conhecimento técnico, desenvolvimento de soluções, certificação, padronização e controles de qualidade para atender às Forças Armadas brasileiras e ao mercado internacional.

A internacionalização ganhou outro instrumento em junho de 2026, com a criação da Modirum International, estrutura do grupo dedicada a vendas, comercialização e logística de defesa em escala global. Sua atuação inclui munições, foguetes, sistemas aéreos não tripulados, componentes de munição e matérias-primas destinadas à fabricação de produtos de defesa.

A nova estação turn-key se encaixa nessa trajetória. A companhia passa a ter condições de oferecer não apenas munições e componentes, mas uma solução de engenharia destinada a clientes que pretendam instalar ou ampliar capacidade local de carregamento.

Produção local como ativo estratégico 
A busca por soberania industrial tornou-se um dos efeitos duradouros das crises recentes. Estoques nacionais, capacidade de reposição e segurança das cadeias de suprimento voltaram a ocupar posição central no planejamento de defesa. Nesse cenário, países que não pretendem construir grandes complexos industriais desde o início podem encontrar valor em instalações escaláveis e configuráveis para diferentes necessidades.

É justamente nesse espaço que a proposta da MODIRUM | GESPI pode encontrar oportunidades. Uma solução modular reduz a necessidade de estruturas dedicadas a um único modelo e permite ampliar a capacidade de forma progressiva. Para mercados que desejam nacionalizar parte da produção, estabelecer uma segunda fonte ou criar reservas industriais mobilizáveis, essa flexibilidade pode representar vantagem.

Ainda não é possível medir a dimensão comercial da iniciativa. A empresa não divulgou contratos, clientes, capacidade produtiva por estação ou mercados específicos em negociação. Também não há elementos públicos suficientes para afirmar que o sistema constitua uma fábrica completa de munições.

Mesmo com essas ressalvas, o lançamento representa uma evolução relevante. Ao transformar conhecimento adquirido na fabricação de munições em uma solução industrial oferecida ao mercado, a MODIRUM | GESPI procura ocupar um segmento que ganhou importância estratégica: não apenas fornecer munição, mas ajudar a criar a capacidade para produzi-la.

26 junho, 2026

Imbel e KNDS assinam memorando para produzir munições de artilharia e de blindados no Brasil

Acordo foi firmado durante a Eurosatory 2026 e está ligado ao offset do Centauro II; Imbel também renovou parceria com a Safran, enquanto a KNDS vive reestruturação acionária que aproxima Alemanha e França

Registro da assinatura do memorando de entendimento entre Imbel e KNDS, durante a Eurosatory 2026
 
*LRCA Defense Consulting - 26/06/2026

A Indústria de Material Bélico do Brasil (Imbel) e o grupo franco-alemão KNDS assinaram, em 18 de junho, durante a Eurosatory 2026, um memorando de entendimento (MoU) para cooperação no setor de munições de artilharia e de blindados. O documento prevê o estudo das condições para a transferência ao Brasil de capacidades de produção de munições de 105mm, 155mm e 120mm, com apoio da Direction Générale de l’Armement (DGA), agência francesa de aquisições de defesa. No mesmo evento, a Imbel também renovou parceria com a Safran Eletrônica & Defesa Brasil para sistemas de controle e direção de tiro de artilharia. As duas assinaturas ocorrem em paralelo a uma reestruturação acionária da própria KNDS, que prepara a entrada do governo alemão em seu capital e uma futura oferta pública inicial (IPO) nas bolsas de Frankfurt e Paris.

Dois memorandos em uma mesma feira
Os dois memorandos foram assinados em dias consecutivos da feira. Segundo nota publicada pela própria Imbel, a renovação do acordo com a Safran ocorreu na quarta-feira, 17 de junho. Já a assinatura do MoU com a KNDS, na quinta-feira, 18 de junho, foi confirmada pela Adidância de Defesa da França no Brasil, que descreveu a iniciativa como parte da relação estratégica de defesa entre os dois países. Essa mesma formulação foi posteriormente replicada em publicações institucionais da própria KNDS e da conta diplomática francesa no Brasil, o que indica um texto padronizado, acordado entre as partes, para a divulgação pública do acordo.

O documento com a KNDS foi assinado pelo diretor-presidente da Imbel, general de divisão R1 Ricardo Rodrigues Canhaci. Segundo a Imbel, a parceria busca fortalecer a cooperação industrial entre as empresas e os dois países, e estudar as condições para a transferência de capacidades de produção de munições para o Brasil.

Já a renovação com a Safran Eletrônica & Defesa Brasil, voltada à integração de sistemas de controle e direção de tiro para a Arma de Artilharia, com foco em apoio à promoção comercial e em ampliação de oportunidades no mercado internacional, foi firmada pelo CEO da Safran Eletrônica & Defesa Brasil, David Montmasson, e pelo mesmo general Canhaci. Segundo a Imbel, a cerimônia contou ainda com a presença dos diretores Comercial, de Inovação e Industrial da empresa brasileira, e do Sr. Benjamin Faget, vice-presidente de Sistemas Optrônicos da Safran Electronics & Defense.

Munições de 105mm, 155mm e 120mm
Para a Imbel, a parceria garantiria a transferência de tecnologia para a produção de munições de artilharia de 105mm e 155mm, em padrão Otan e com alcance estendido, além de munição de 120mm para carros de combate. Uma das capacidades pretendidas é a produção local, em padrão Nato/Otan, de munições dotadas da tecnologia base bleed, recurso que amplia em pelo menos um terço o alcance total do tiro.

Já para a KNDS, o acordo facilita a importação de componentes e matérias-primas do Brasil, com potencial, no longo prazo, para que munições com a marca da própria KNDS sejam fabricadas e exportadas a partir do território brasileiro. Entre os produtos do portfólio da empresa citados como referência estão a munição de 155mm de alcance estendido LU 211 BB e a nova munição cinética de 120mm SHARD.

O acordo visa tanto o mercado interno (Exército Brasileiro e Corpo de Fuzileiros Navais) quanto os mercados de exportação, que atualmente registram forte demanda por munições de artilharia modernas. Um dos antecedentes que pavimentaram a assinatura foi a inauguração, em 10 de julho de 2025, na unidade de Juiz de Fora (MG), de uma nova planta de carregamento de munições pesadas com maquinário atualizado, uma das cinco fábricas que compõem a estrutura da Imbel. A data precisa da inauguração é confirmada pelo próprio site institucional da Imbel; reportagens de terceiros chegaram a situar o episódio em setembro de 2025.

O nexo com o offset do Centauro II
A munição de 120mm para uso no blindado Centauro II é resultado do offset (compensação industrial) acordado após a aquisição da viatura blindada de combate de cavalaria média sobre rodas (VBC Cav) 8x8. Em um primeiro momento, devem ser incluídas munições de treinamento dos tipos HEAT-T e HESH-T, respectivamente, alto explosivo de carga oca e alto explosivo de carga moldada, ambas traçantes.

Chama atenção a cronologia do processo: o Exército Brasileiro ainda não assinou o contrato de aquisição do primeiro lote de blindados 8x8, estimado em sete exemplares, mas já trabalha para receber o offset da munição de 120mm. Atualmente, a Força opera apenas as duas unidades do lote de avaliação, entregues entre agosto e setembro de 2024. A previsão é de uma aquisição total de até 98 exemplares, com entregas planejadas entre 2028 e 2033.

Uma parceria renovada, outra inédita
Diferentemente do memorando com a KNDS, descrito pelas partes como uma nova etapa de cooperação, o MoU entre Imbel e Safran é a renovação de uma parceria de longa data. Há registro de memorandos anteriores entre as duas empresas firmados em 2017 e em dezembro de 2020, este último também assinado por David Montmasson, então diretor-geral da Safran Eletrônica & Defesa Brasil.

A relação foi novamente renovada em dezembro de 2024, durante a 8ª Mostra BID Brasil, com a assinatura dos mesmos representantes que voltaram a firmar o acordo na Eurosatory 2026: Montmasson e o general Canhaci. Entre os resultados já colhidos dessa cooperação está a integração do sistema Gênesis de artilharia, da Imbel, a sensores e equipamentos óticos e inerciais da Safran, usada inclusive em viaturas blindadas Guarani e Cascavel.

IMBEL e Safran

Confirmações institucionais convergentes
A assinatura do MoU com a KNDS foi confirmada, com o mesmo texto padronizado, em pelo menos três canais distintos: a conta institucional da Adidância de Defesa da França no Brasil no Instagram, a página da KNDS France no LinkedIn e a cobertura jornalística especializada. Em sua publicação, a KNDS descreveu o acordo como mais uma ilustração de seu compromisso em construir parcerias de longo prazo com aliados e parceiros estratégicos, enquadrando a cooperação brasileira dentro de uma estratégia global da companhia.

Até a conclusão desta reportagem, o site institucional da Imbel havia publicado nota própria e detalhada sobre a renovação com a Safran, mas nenhuma nota equivalente sobre o conteúdo técnico do MoU com a KNDS. A própria KNDS também não havia detalhado o acordo em seus canais corporativos além da publicação padronizada no LinkedIn, o que reforça o caráter ainda preliminar do memorando, que tem natureza de intenção, não de contrato vinculante.

O pano de fundo: a reestruturação acionária da KNDS
O MoU com a Imbel foi assinado num momento de transformação societária da própria KNDS. Em 22 de junho, os governos da Alemanha e da França anunciaram acordo para que Berlim adquira uma participação de 40% na empresa, hoje detida em 50% pelo Estado francês e em 50% pela família alemã controladora da antiga Krauss-Maffei Wegmann (KMW), cuja saída planejada abriu espaço para a entrada do governo alemão.

Segundo apurou a agência Reuters, a operação avalia a KNDS entre 15 bilhões e 18 bilhões de euros, e a Alemanha também busca obter uma “ação de ouro” na unidade alemã da empresa, o que lhe daria influência ampliada sobre decisões de pessoal e estratégicas, garantindo equilíbrio de poder entre Paris e Berlim. O acordo abre caminho para uma oferta pública inicial (IPO) nas bolsas de Frankfurt e Paris, na qual, segundo o CEO da KNDS, Jean-Paul Alary, os acionistas privados venderão 20% do capital, enquanto os Estados francês e alemão deterão 40% cada um.

A movimentação ocorre poucos dias depois de Berlim e Paris cancelarem oficialmente o programa conjunto do caça de nova geração FCAS, por divergências sobre divisão de trabalho e propriedade intelectual entre as empresas dos dois países. O contraste é relevante: enquanto um programa bilateral de defesa colapsa, a cooperação industrial entre os dois países se reorganiza por outra via, a da própria estrutura acionária da KNDS, que se posiciona como uma das principais referências globais do setor de defesa terrestre.

Notas da editoria
O memorando de entendimento entre Imbel e KNDS é, por definição, um instrumento não vinculante. As próprias partes descrevem o objetivo como “estudar as condições” para a transferência de capacidades de produção, não como o início efetivo dessa transferência. Esta editoria tratará eventuais avanços contratuais, prazos e valores como fatos novos, a serem apurados separadamente.

A reestruturação acionária da KNDS é um processo institucional em andamento, sem relação contratual direta com o MoU brasileiro; sua menção tem caráter de contexto, para situar o momento em que a cooperação com o Brasil foi firmada.

10 maio, 2025

Munição Polymatch recebe homologação para o uso em campeonatos presenciais da Confederação Brasileira de Tiro Prático

 


*LRCA Defense Consulting - 10/05/2025

A Confederação Brasileira de Tiro Prático (CBTP), em conjunto com a diretoria da NROI Brasil (National Range Officers Institute), informam que, a partir deste ano, está autorizado o uso da nova munição Polymatch no calibre 9mm – 124gr em competições nacionais presenciais organizadas pela CBTP. 

Desenvolvida para aprimorar a prática dos atletas do tiro desportivo e criada em parceria com a Companhia Brasileira de Cartuchos (CBC), a Polymatch calibre 9mm – 124gr foi oficialmente aprovada pela CBTP e segue padrões de produção e de controle de qualidade diferenciados, oferecendo um fator médio (cálculo da velocidade e energia que garante o equilíbrio entre os diferentes tipos de munição e pistolas utilizados nas competições pelos atiradores) mínimo de potência para a prática desportiva.

As munições Polymatch foram desenvolvidas exclusivamente para atender a modalidade do Tiro Prático. Oferecem a confiabilidade da munição original de fábrica e excelente custo-benefício, possibilitando treinamento constante pelos atiradores esportivos. 

A munição original de fábrica possui diversos benefícios, como segurança, assistência técnica e subsídio para atletas de ranking por meio do Pro Training CBC. É caracterizada por possuir espoleta com cápsula fabricada em latão na cor dourada e gravação no culote da letra "V" que favorecem uma identificação rápida de sua originalidade de fabricação e a dispensa do teste Cronógrafo.

Seus projéteis são revestidos por quatro camadas de polímero especial, sendo carregadas com peso de projétil adequado para proporcionar recuo e precisão similares às munições operacionais. 

O revestimento de polímero do projétil Polymatch proporciona menor aquecimento e atrito no cano da arma, quando comparado com projéteis encamisados, estendendo, assim, a vida útil da arma. 

Além disso, apresenta redução da emissão de fumaça e menor acúmulo de chumbo na arma, quando comparada às munições com projéteis de chumbo convencionais. 

Por meio do Pro Training CBC, maior programa de incentivo ao esporte do tiro já desenvolvido no Brasil, os atiradores de ranking e clubes de tiro indicados pela CBTP podem adquirir a nova munição Polymatch no calibre 9mm – 124gr com desconto subsidiado pela indústria, além de outros produtos do portfólio da CBC voltados ao esporte.  

Para mais informações e regras de utilização da munição Polymatch no calibre 9mm – 124gr nas competições, acesse o site da CBTP.

08 dezembro, 2024

Munição de festim para treinamento pode estar a caminho do fim


*Shephard Media, por Scott Gourley - 29/10/2024

Munição de festim ainda tem um papel a desempenhar no treinamento de armas leves – ou melhor, os efeitos que ela cria têm. Uma nova alternativa eletrônica visa fornecer o mesmo nível de realismo, mas sem o fardo logístico ou desgaste da arma.

A Green Ammo, sediada na Noruega, aproveitou a Reunião Anual da AUSA em meados de outubro para exibir o design 'Electronic Blanks' (Festim Eletrônico) da empresa, que segundo ela está desfrutando de crescimento recente em vários mercados importantes...

De acordo com Curt Belden, diretor de operações da Green Ammo US, o conceito oferece uma série de benefícios táticos, logísticos e ambientais.

'Green Ammo é um kit drop-in que é basicamente um sistema de "substituição em branco", ele explicou. 'Mas ele realmente faz muito mais do que isso. Com a M4 [carabina], tudo o que o combatente tem que fazer é retirar seu grupo de ferrolho, sua alça de carregamento e coronha, e substituí-los por nosso ferrolho eletrônico, alça de carregamento e coronha. Nosso carregador age como um carregador de 30 cartuchos, mas também oferece recuo para o sistema.'

Como o sistema funciona? Uma unidade de medição inercial dentro do grupo de substituição do transportador de ferrolho rastreia a arma nos eixos X, Y e Z, capturando tudo o que acontece três segundos antes do disparo, no evento de disparo e, em seguida, três segundos após o disparo. "Isso é importante para o treinamento porque diz o que você está fazendo com sua arma entre os disparos e quão rápido você está readquirindo o alvo", disse Belden.

Mudando para preocupações ambientais e logísticas, ele continuou: 'Os tradicionais festins são muito, muito sujos. Então eles danificam sua arma. Toda vez que você está treinando, você está danificando a utilidade de sua arma. E você também está perdendo tempo crítico de treinamento, porque seus soldados têm que limpar suas armas depois.'

Com a Green Ammo, de acordo com a empresa, o ciclo de vida da arma é aumentado, assim como a quantidade de tempo de treinamento disponível para os soldados. "Também há benefícios de custo, porque os festins são muito, muito caros", observou Belden. "Este sistema se pagará apenas com a economia dos festins. E você pode treinar em qualquer lugar. Você não precisa assinar os festins. Você não precisa ir para uma área de treinamento ou para um campo de tiro ou algo assim. Você pode transformar seu quartel no campo de tiro."

Ele resumiu: 'Isso lhe dá a habilidade de treinar enquanto luta, e isso é muito, muito importante... Por exemplo, se você tem treinamento específico para a operação, isso lhe dá a habilidade de repetir essa operação várias vezes. Também treina suas habilidades de manuseio de armas; sua forma, ajuste e função em sua arma. Você não está lidando com uma arma substituta. Você não está lidando com uma arma de treinamento ou qualquer outra coisa nesse sentido. Você está lidando com sua arma. E você está aprendendo a lutar.'

Além das entregas para a Noruega, Belden disse que quantidades não especificadas do sistema estão começando a ser enviadas para o Exército dos EUA e a USAF.

"E atualmente estamos trabalhando com os franceses e os ucranianos para adotar em seus sistemas de treinamento também", disse ele.

 

04 setembro, 2024

CBC lança linha de munições para o calibre .38 TPC


*LRCA Defense Consulting - 04/09/2024

Após o novo calibre .38 TPC estar totalmente liberado pela Polícia Federal, os processos de aquisição junto ao SINARM já estão sendo retomados de maneira célere.

Nesse ínterim, a CBC está lançando uma linha específica para o novo calibre, possibilitando que os usuários disponham de munição para treinamento e para uso normal, além de uma linha premium.

.38TPC LPC Polymatch 124gr
A .38TPC LPC Polymatch 124gr, por exemplo, é uma munição exclusiva para treinamento que prolonga a vida útil da armas.

Seu projétil é revestido por quatro camadas de polímero especial, sendo carregada com peso de projétil adequado para proporcionar recuo e precisão similares às munições operacionais. 

O revestimento de polímero do projétil Polymatch proporciona menor aquecimento e atrito no cano da arma, quando comparado com projéteis encamisados, estendendo, assim, a vida útil da arma.

A confiabilidade da munição original de fábrica e seu excelente custo-benefício, possibilitam treinamento constante.

Quando compara às munições com projéteis de chumbo convencionais, apresenta redução de emissão de fumaça e menor acúlo de chumbo na arma. 

.38TPC Gold Hex Expo 124gr)
Com geometria especial, aliado à altíssima velocidade, o projétil Gold Hex oferece excelente expansão e elevada transferência de energia, o que garante alto desempenho e a perfeita equação entre expansão e penetração ideal.

Em teste realizado em gelatina balística com a munição .38 TPC Gold Hex, esta apresentou 14,5” de penetração, dentro do intervalo de 12” a 18”, que é o especificado como ideal pelo Protocolo do FBI, considerando a efetividade necessária em situações de defesa, com mínima possibilidade de transfixação. 

As munições Gold Hex CBC têm desempenho premium e estão disponíveis em diversos calibres para revólver e pistolas.

.38TPC Bonded 124gr

Devido ao processo tecnológico de fabricação, o projétil Bonded possui camisa metálica e núcleo de chumbo soldados, evitando sua fragmentação no disparo e garantindo resultados uniformes e manutenção de trajetória, mesmo em disparos indiretos.

Com excelente desempenho no Protocolo do FBI, apresenta resultado superior em expansão, poder de parada, precisão e penetração.
.38TPC ETOG 124gr
A munição ETOG (Encamisado Total Ogival), também conhecida como FMJ (Full Metal Jacket) são de chumbo revestido, com objetivo de unir características de densidade e dureza de metais diferentes. O projétil possui boa penetração e é não expansivo.
 





02 setembro, 2024

CBC lança a munição de desempenho premium Gold Hex no calibre .38 TPC


*LRCA Defense Consulting - 02/09/2024

O calibre .38 TPC, desenvolvido pela Taurus em parceria com a CBC, conta agora também com a Munição Gold Hex (.38TPC Gold Hex Expo 124gr).

Com geometria especial, aliado à altíssima velocidade, o projétil Gold Hex oferece excelente expansão e elevada transferência de energia, o que garante alto desempenho e a perfeita equação entre expansão e penetração ideal.

Em teste realizado em gelatina balística com a munição .38 TPC Gold Hex, esta apresentou 14,5” de penetração, dentro do intervalo de 12” a 18”, que é o especificado como ideal pelo Protocolo do FBI, considerando a efetividade necessária em situações de defesa, com mínima possibilidade de transfixação. 

As munições Gold Hex CBC têm desempenho premium e estão disponíveis em diversos calibres para revólver e pistolas.


 


04 janeiro, 2024

Grupo tcheco compra fábricas de munições da americana Vista Outdoor


*LRCA Defense Consulting - 04/01/2023

A Vista Outdoor, com sede em Minnesota (EUA), fez um acordo para vender suas principais marcas de munição ao Grupo Tchecoslovaco CSG.

O acordo de US$ 1,9 bilhão, totalmente em dinheiro, anunciado no dia 16 de outubro de 2023, fará com que a Vista se desfaça de uma série de marcas clássicas americanas de munição, incluindo CCI, Federal, Hevi, Remington e Speer  – algumas das quais datam de mais de um século. Elas são produzidas em quatro fábricas em Minnesota e Arkansas e empregam aproximadamente 4.000 pessoas.

Não está incluída na venda a fabricante de armas Rem Arms, uma empresa autônoma não relacionada com sedes em Nova York e na Geórgia.

A CSG, uma holding sediada em Praga anteriormente conhecida como Grupo Excalibur, possui uma série de empresas tchecas de armamento militar, incluindo Tatra Atrak e Retia, bem como uma participação majoritária na fabricante de munição Fiocchi, cujas marcas próprias incluem Baschieri & Pellagri e Expresso Lyalvale. Entre suas instalações na Europa e na América, a CSG contava com mais de 10.000 funcionários antes da planejada aquisição das linhas de munição da Vista.

Assim que o acordo for aprovado e fechado neste ano, Jason Vanderbrink, que atualmente lidera as marcas de munição do Vista, permanecerá como CEO do negócio de Produtos Esportivos da CSG, e sua sede nos EUA permanecerá em Anoka, Minnesota.

“Estamos confiantes de que a CSG é um excelente lar para nossas principais marcas de munição”, disse Vanderbrink. "A empresa está totalmente comprometida com nossas marcas americanas icônicas e com a expansão de nosso legado de fabricação nos EUA, suporte para clientes militares e policiais e investimentos em conservação e nossa herança de caça e tiro. Estamos entusiasmados em trabalhar em estreita colaboração com a equipe CSG enquanto trabalhamos para entrar nesta próxima fase e posicionar nossas marcas para o sucesso a longo prazo."

Anteriormente, o Grupo Colt CZ havia apresentado uma oferta não solicitada de US$ 30 por ação à Vista Outdoor para comprar suas marcas de munição CCI,  Federal,  Hevi,  Remington e Speer em um total de US$ 1,74 bilhão. A Vista rapidamente rejeitou a oferta em favor do acordo de US$ 1,91 bilhão para vender suas fábricas de munições ao Grupo Tcheco.

CBC e Grupo Colt CZ: "colaboração estratégica impactante"
Depois de ser rejeitado em sua tentativa de comprar as marcas icônicas de munição da Vista Outdoor, o Grupo Colt CZ decidiu adquirir a Sellier & Bellot. No final de dezembro de 2023, o grupo anunciou que havia adquirido a fabricante tcheca de munições Sellier & Bellot (S&B), que data de 1825 e emprega 1.600 pessoas. A aquisição é complicada, com o Colt CZ assumindo 100 por cento de participação na S&B de seu atual proprietário, o CBC Global Ammunition Group (controlador em 100% da brasileira Taurus Armas S.A.), que também possui as marcas de munição Magtech, MEN, SinterFire, New Lachaussee e Fritz Werner. O acordo em dinheiro de US$ 350 milhões também fará com que a Colt CZ emita novas ações ordinárias para o CBC Global Ammunition Group (CBC), o que dará a este uma participação de 27 a 28% na fabricante de armas, tornando-se o seu segundo maior acionista. 

“A contribuição bem-sucedida de uma das principais empresas do CBC Global Ammunition Group para o Colt CZ Group em troca de uma participação acionária significativa marca o ponto de partida de uma colaboração estratégica impactante”, explicou Fabio Mazzaro, CFO da CBC.

Com a recente aquisição de 27 a 28% do Grupo Colt CZ pela CBC, é bastante provável que a Taurus, finalmente, tenha conquistado uma entrada "pela porta da frente" no cobiçado mercado americano de Law Enforcement (Agências de Aplicação da Lei), haja vista que o Grupo Colt CZ, pela participação histórica nesse mercado, seria um parceiro de primeiríssima linha, marcando uma inédita e estratégica cooperação entre as três grandes empresas, tanto para o Law Enforcement como para outras licitações internacionais. Este fato deverá reforçar e maximizar a presença da Taurus nos Estados Unidos, atingindo um mercado de grande relevância onde atualmente não atua.

CZ já havia comprado a americana Colt
Esta não é a primeira vez que uma empresa tcheca adquire marcas icônicas da indústria americana de armas de fogo. Em 2021, o Grupo CZ adquiriu a Colt's Manufacturing Company, bem como a sua subsidiária canadense, a Colt Canada Corporation. Essa venda supostamente envolveu US$ 220 milhões em dinheiro adiantado e a emissão de pouco mais de 1 milhão de ações ordinárias.

Vista agregará marcas restantes em nova operação negociada na NYSE
Quanto ao futuro da Vista Outdoor, a empresa planeja desmembrar suas 40 marcas restantes de produtos esportivos e outdoor, incluindo Fox, Bell, CamelBak, Bushnell, Hoppe's, Tasco, Uncle Mikes, Gun Mate, Simmons, Weaver, Butler Creek, Outers, Blackhawk e RCBS em uma nova operação chamada Revelyst, que será negociada na Bolsa de Valores de Nova York sob o código “GEAR”. A Revelyst empregará 2.900 pessoas em vários locais. 

*Com informações de Guns.com e Grupo Colt CZ

18 dezembro, 2022

IMBEL participa de Acordo de offset da nova Viatura Blindada de Combate do EB - Centauro II


*LRCA Defense Consulting - 18/12/2022

O Exército Brasileiro (EB) anunciou que a Viatura Blindada de Combate (VBC) Centauro II desenvolvida pela empresa italiana CIO, uma joint venture entre a Iveco Defence Vehicles (IDV) e a Leonardo, venceu a concorrência internacional do projeto de obtenção da Viatura Blindada de Combate de Cavalaria média sobre rodas (VBC CAV – MSR) 8X8.

Participaram da concorrência cerca de 10 empresas estrangeiras e da relação inicial de participantes do certame restaram, além do consórcio italiano vencedor, cujo veículo oferecido era o único equipado com um canhão 120mm, outras duas empresas: a canadense General Dynamics Land Systems –GDLS, que apresentou o blindado LAV700AG e a chinesa NORINCO, com a VBC ST1-BR, ambos dotados de canhões 105mm.

O Centauro II é considerado a referência em blindados sobre rodas, pois dentre os três finalistas é o único desenvolvido especificamente para este fim e não uma viatura blindada de transporte de pessoal adaptada. Com um peso aproximado de 30 toneladas, é equipado com uma torre Leonardo HITFACT MkIIarmada com um canhão de 120mm, em operação no Exército Italiano.

O contrato de aquisição prevê um acordo de compensação (offset) por meio da transferência de tecnologia em diversas áreas, um meio eficaz para reduzir a dependência tecnológica da Base Industrial de Defesa nacional.  

Em relação à fabricação da munição, que caberá à Imbel, o consórcio vencedor ofereceu a transferência de conhecimento da munição 120mm TP-T (Exercício) em um prazo de 36 meses, a partir da aquisição do lote econômico pelo EB.

O conhecimento e a capacidade para produção da munição HE (High Explosive - munição explosiva detonada por espoleta após o impacto), APDFSDS (Armor Piercing Fin Stabilized Discarding Sabot), conhecida comumente como munição “flecha”, e a TPCSDS (Target Practice Cone Stabilized Discarding Sabot Tracer – munição de exercício estabilizada por aletas e sabot descartável) bem como dos componentes adicionais fazem parte de atividades futuras a serem negociadas com o consórcio vencedor.

Com a produção da munição de exercício 120mm para o canhão da nova Viatura Blindada de Combate de Cavalaria média sobre rodas, a Imbel ingressa em novo patamar tecnológico, dando início ao  gradativo e complexo processo de assimilação de conhecimento, visando o domínio completo da tecnologia de fabricação das demais munições utilizadas pelo canhão da VBC Centauro II.

02 agosto, 2022

Imbel entrega munição de Artilharia 100% nacional ao Exército Brasileiro

 


*LRCA Defense Consulting - 02/08/2022

No dia 29 de julho, a Fábrica de Juiz de Fora da Indústria Brasileira de Material Bélico (IMBEL) antecipou a entrega de 15 toneladas de componentes para a Munição 155 mm ao Exército Brasileiro. Os componentes foram transportados de Juiz de Fora até a Cidade de Palmeira (PR), onde foram entregues ao 5º Batalhão de Suprimento para distribuição entre as unidades de artilharia sediadas no Comando Militar do Sul.

A atividade marcou a nacionalização do processo produtivo do Tiro 155mm M 107, uma vez que todo o processo produtivo dos componentes da munição é realizado no Brasil, de modo a fomentar a Base Industrial de Defesa e a reduzir a dependência externa.

Pela primeira vez, o Exército Brasileiro fará uso da munição com componentes 100% nacionais, sendo eles o Corpo da Granada, as Estopilhas MK2A4 e M82 e a Carga de Projeção M3A1.

Com o apoio da Academia Militar das Agulhas Negras e do Centro de Avaliações do Exército, a IMBEL realizou  os ensaios balísticos que ratificaram a qualidade desses componentes, garantindo-lhes a segurança e o desempenho exigidos em normas técnicas da Empresa.



18 junho, 2022

Indústria de Defesa: a invasão da Ucrânia e o retorno da guerra industrial


*RUSI, pelo Tenente-Coronel Alex Vershinin - 17/06/2022

A guerra na Ucrânia provou que a era da guerra industrial ainda está aqui. O consumo massivo de equipamentos, veículos e munições exige uma base industrial em larga escala para reabastecimento – a quantidade ainda tem uma qualidade própria. 

O combate em massa colocou 250.000 soldados ucranianos, juntamente com 450.000 soldados cidadãos recentemente mobilizados contra cerca de 200.000 soldados russos e separatistas . O esforço para armar, alimentar e abastecer esses exércitos é uma tarefa monumental.

O reabastecimento de munição é particularmente oneroso. Para a Ucrânia, compondo essa tarefa estão as capacidades russas de fogo profundo, que têm como alvo a indústria militar ucraniana e as redes de transporte em toda a profundidade do país. O exército russo também sofreu com ataques transfronteiriços ucranianos e atos desabotagem, mas em menor escala. A taxa de consumo de munições e equipamentos na Ucrânia só pode ser sustentada por uma base industrial em grande escala.

Essa realidade deve ser um alerta concreto para os países ocidentais, que reduziram a capacidade industrial militar e sacrificaram escala e eficácia pela eficiência. Essa estratégia baseia-se em suposições equivocadas sobre o futuro da guerra e foi influenciada tanto pela cultura burocrática dos governos ocidentais quanto pelo legado de conflitos de baixa intensidade. Atualmente, o Ocidente pode não ter capacidade industrial para travar uma guerra em grande escala. Se o governo dos EUA está planejando se tornar novamente o arsenal da democracia , então as capacidades existentes da base militar-industrial dos EUA e as premissas centrais que impulsionaram seu desenvolvimento precisam ser reexaminadas.

Estimando o consumo de munição
Não há dados exatos de consumo de munição disponíveis para o conflito Rússia-Ucrânia. Nenhum governo publica dados, mas uma estimativa do consumo de munição russa pode ser calculada usando os dados oficiais das missões de fogo fornecidos pelo Ministério da Defesa russo durante seu briefing diário.

Número de missões de fogo diário russo, 19-31 de maio

Embora esses números misturem foguetes táticos com artilharia convencional, não é razoável supor que um terço dessas missões foram disparados por tropas de foguetes porque formam um terço da força de artilharia de uma brigada de fuzileiros motorizados, com dois outros batalhões sendo artilharia de tubo. Isso sugere 390 missões diárias disparadas por artilharia de tubo. Cada ataque de artilharia de tubo é conduzido por uma bateria de seis obuses no total. No entanto, as avarias de combate e manutenção provavelmente reduzirão esse número para quatro. Com quatro obuses por bateria e quatro tiros por obus, a artilharia de tubo dispara cerca de 6.240 tiros por dia. Podemos estimar um desperdício adicional de 15% para cartuchos que foram colocados no chão, mas abandonados quando a bateria se moveu com pressa, cartuchos destruídos por ataques ucranianos em depósitos de munição, ou tiros disparados, mas não relatados aos níveis de comando mais altos. Esse número chega a 7.176 rodadas de artilharia por dia. Deve-se notar que o Ministério da Defesa russo relata apenas missões de fogo por forças da Federação Russa. Isso não inclui formações das repúblicas separatistas de Donetsk e Luhansk, que são tratadas como países diferentes. Os números não são perfeitos, mas mesmo com uma diferença de 50%, isso ainda não muda o desafio logístico geral.

A capacidade da base industrial do Ocidente
O vencedor em uma guerra prolongada entre duas potências próximas ainda é baseado em qual lado tem a base industrial mais forte. Um país deve ter a capacidade de fabricação para construir grandes quantidades de munição ou ter outras indústrias de fabricação que possam ser rapidamente convertidas em produção de munição. Infelizmente, o Ocidente também não parece ter.

Atualmente, os EUA estão diminuindo seus estoques de munição de artilharia. Em 2020, as compras de munição de artilharia diminuíram 36%, para US$ 425 milhões . Em 2022, o plano é reduzir os gastos com rodadas de artilharia de 155 mm para US$ 174 milhões. Isso é equivalente a 75.357 rodadas 'burras' básicas M795 para artilharia regular, 1.400 rodadas XM1113 para o M777 e 1.046 rodadas XM1113 para canhões de artilharia rodada estendida. Finalmente, há US$ 75 milhões dedicados a munições guiadas de precisão Excalibur que custam US$ 176 mil por rodada, totalizando assim 426 rodadas. Em suma, a produção anual de artilharia dos EUA duraria, na melhor das hipóteses, apenas 10 dias a duas semanas de combate na Ucrânia. Se a estimativa inicial de projéteis russos disparados for superior a 50%, isso só prolongaria a artilharia fornecida por três semanas.

Os EUA não são o único país que enfrenta esse desafio. Em um recente jogo de guerra envolvendo forças americanas, britânicas e francesas, as forças britânicas esgotaram os estoques nacionais de munição crítica após oito dias.

Infelizmente, este não é apenas o caso da artilharia. Javelins anti-tanque e Stingers de defesa aérea estão no mesmo barco. Os EUA enviaram 7.000 mísseis Javelin para a Ucrânia – cerca de um terço de seu estoque – com mais remessas por vir. A Lockheed Martin produz cerca de 2.100 mísseis por ano, embora esse número possa subir para 4.000 em alguns anos. A Ucrânia afirma usar 500 mísseis Javelin todos os dias.

Os gastos com mísseis de cruzeiro e mísseis balísticos de teatro são igualmente enormes. Os russos dispararam entre 1.100 e 2.100 mísseis . Os EUA atualmente compram 110 mísseis de cruzeiro PRISM, 500 JASSM e 60 Tomahawk anualmente, o que significa que em três meses de combate, a Rússia queimou quatro vezes a produção anual de mísseis dos EUA. A taxa de produção russa só pode ser estimada. A Rússia iniciou a produção de mísseis em 2015 em execuções iniciais limitadas, e mesmo em 2016, as execuções de produção foram estimadas em 47 mísseis. Isso significa que teve apenas cinco a seis anos de produção em grande escala.

Se a competição entre autocracias e democracias realmente entrou em uma fase militar, então o arsenal da democracia deve melhorar radicalmente sua abordagem à produção de material em tempo de guerra.
O estoque inicial em fevereiro de 2022 é desconhecido, mas considerando os gastos e a necessidade de manter estoques substanciais em caso de guerra com a OTAN, é improvável que os russos estejam preocupados. Na verdade, eles parecem ter o suficiente para gastar mísseis de cruzeiro de nível operacional em alvos táticos. A suposição de que existem 4.000 mísseis de cruzeiro e balísticos no inventário russo não é irracional. Essa produção provavelmente aumentará, apesar das sanções ocidentais. Em abril, a ODK Saturn, que fabrica motores de mísseis Kalibr, anunciou mais 500 vagas de emprego. Isso sugere que, mesmo nesse campo, o Ocidente só tem paridade com a Rússia.

Premissas erradas
A primeira suposição-chave sobre o futuro do combate é que as armas guiadas com precisão reduzirão o consumo geral de munição, exigindo apenas uma rodada para destruir o alvo. A guerra na Ucrânia está desafiando essa suposição. Muitos sistemas de fogo indireto 'burros' estão alcançando uma grande precisão sem orientação de precisão, e ainda assim o consumo geral de munição é enorme. Parte do problema é que a digitalização de mapas globais, combinada com uma proliferação massiva de drones, permite geolocalização e direcionamento com maior precisão, com evidências em vídeo demonstrando a capacidade de marcar ataques de primeiro ataque por fogos indiretos.

A segunda suposição crucial é que a indústria pode ser ligada e desligada à vontade. Esse modo de pensar foi importado do setor empresarial e se espalhou pela cultura do governo dos Estados Unidos. No setor civil, os clientes podem aumentar ou diminuir seus pedidos. O produtor pode ser prejudicado por uma queda nos pedidos, mas raramente essa queda é catastrófica porque geralmente há vários consumidores e as perdas podem ser distribuídas entre os consumidores. Infelizmente, isso não funciona para compras militares. Há apenas um cliente nos EUA para projéteis de artilharia – os militares. Uma vez que os pedidos caem, o fabricante deve fechar as linhas de produção para cortar custos para permanecer no negócio. Pequenas empresas podem fechar totalmente. Gerar nova capacidade é muito desafiador, especialmente porque há tão pouca capacidade de fabricação para atrair trabalhadores qualificados.trabalho intensivo a ponto de serem praticamente construídos à mão , e leva muito tempo para treinar uma nova mão de obra. As questões da cadeia de suprimentos também são problemáticas porque os subcomponentes podem ser produzidos por um subcontratado que sai do negócio, com perda de pedidos ou reequipamento para outros clientes ou que depende de peças do exterior, possivelmente de um país hostil.

O quase monopólio da China em materiais de terras raras é um desafio óbvio aqui. A produção de mísseis Stinger não será concluída até 2026, em parte devido à escassez de componentes. Relatórios dos EUA sobre a base industrial de defesa deixaram claro que aumentar a produção em tempo de guerra pode ser um desafio, se não impossível, devido a problemas na cadeia de suprimentos e à falta de pessoal treinado devido à degradação da base de fabricação dos EUA.

Finalmente, há uma suposição sobre as taxas gerais de consumo de munição. O governo dos EUA sempre baixou esse número. Da era do Vietnã até hoje, as fábricas de munição para armas pequenas encolheram de cinco para apenas uma. Isso foi gritante no auge da guerra do Iraque, quando os EUA começaram a ficar com pouca munição para armas pequenas, fazendo com que o governo dos EUA comprasse munição britânica e israelense durante o estágio inicial da guerra. A certa altura, os EUA tiveram que mergulhar no Vietnã e até nos estoques de munição da Segunda Guerra Mundial de munição calibre 50 para alimentar o esforço de guerra. Isso foi em grande parte o resultado de suposições incorretas sobre a eficácia das tropas americanas. De fato, o Government Accountability Office estimou que foram necessárias 250.000 rodadas para matar um insurgente. Felizmente para os EUA, sua cultura de armas garantiu que a indústria de munição para armas pequenas tivesse um componente civil nos EUA. Este não é o caso de outros tipos de munição, como mostrado anteriormente com mísseis Javelin e Stinger. Sem acesso à metodologia do governo, é impossível entender por que as estimativas do governo dos EUA estavam erradas, mas existe o risco de que os mesmos erros tenham sido cometidos com outros tipos de munições.

Conclusão
A guerra na Ucrânia demonstra que a guerra entre adversários pares ou próximos exige a existência de uma capacidade de produção da era industrial tecnicamente avançada, em escala de massa. A investida russa consome munição a taxas que excedem massivamente as previsões dos EUA e a produção de munição. Para que os EUA atuem como o arsenal da democracia em defesa da Ucrânia, deve haver um grande olhar sobre a maneira e a escala em que os EUA organizam sua base industrial. Esta situação é especialmente crítica porque por trás da invasão russa está a capital manufatureira do mundo – a China. À medida que os EUA começam a gastar cada vez mais seus estoques para manter a Ucrânia na guerra, a China ainda não forneceu qualquer assistência militar significativa à Rússia. O Ocidente deve assumir que a China não permitirá que a Rússia seja derrotada, especialmente por falta de munição.

*O tenente-coronel (Retd) Alex Vershinin tem 10 anos de experiência na linha de frente na Coréia, Iraque e Afeganistão. Na última década antes de sua aposentadoria, ele trabalhou como oficial de modelagem e simulações no desenvolvimento de conceitos e experimentação para a OTAN e o Exército dos EUA.

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