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09 fevereiro, 2026

Embraer fortalece cadeia de suprimentos na Índia em movimento estratégico global

Fabricante brasileira conclui visita executiva a Nova Délhi e avança em parcerias industriais com o país mais populoso do mundo 


*LRCA Defense Consulting - 09/02/2026

A Embraer está intensificando sua presença na Índia com um ambicioso programa de desenvolvimento de cadeia de suprimentos local, consolidando o país asiático como parceiro estratégico fundamental na região da Ásia-Pacífico. A movimentação ocorre em um momento crucial para a indústria aeroespacial global e antecede uma visita oficial do presidente brasileiro ao país.

Expansão estratégica em mercado promissor
A mais recente visita de executivos da Embraer à Índia marca um novo capítulo na cooperação industrial Brasil-Índia. A empresa brasileira avaliou diversos fornecedores potenciais indianos com capacidades em áreas críticas como montagem de aeroestruturas, usinagem, conformação de metais, compósitos, sistemas de fiação e desenvolvimento de hardware e software.

"Reafirmamos nosso forte compromisso com a colaboração com a indústria aeroespacial da Índia", declarou Roberto Chaves, Vice-Presidente Executivo de Compras Globais e Cadeia de Suprimentos da Embraer. O executivo destacou que o foco está em promover iniciativas conjuntas nas áreas de defesa e aviação civil, contribuindo para inovação tecnológica, excelência operacional e parcerias estratégicas de longo prazo.

Estrutura local e presença consolidada
Para dar suporte às operações expandidas, a Embraer inaugurou recentemente um escritório em Nova Délhi e estabeleceu uma equipe dedicada de Compras local para apoiar as iniciativas de cadeia de suprimentos no país.

A presença da fabricante brasileira na Índia já é significativa. A empresa opera atualmente mais de 44 aeronaves no país, atendendo clientes nos setores de aviação comercial, executiva e defesa, incluindo cinco jatos VIP operados pelo governo indiano e três aeronaves EMB 145 AEW "Netra" da Força Aérea Indiana.

Contexto de mercado e oportunidades
A investida da Embraer coincide com um momento de expansão acelerada do mercado de aviação indiano. Companhias aéreas indianas como IndiGo e SpiceJet, junto com operadoras internacionais como Air India, Emirates e Qatar Airways, estão de olho no crescente mercado indiano, que se tornou um dos segmentos de aviação com crescimento mais rápido do mundo.

A Índia representa uma oportunidade particularmente atrativa para a Embraer devido à crescente demanda por aeronaves de menor porte adequadas para conectividade regional, área em que a empresa brasileira é líder global.

Implicações geopolíticas e econômicas
A iniciativa da Embraer ocorre antes de uma visita de Estado do presidente brasileiro à Índia, sinalizando o fortalecimento dos laços bilaterais entre os dois países em setores estratégicos como defesa e aeroespacial.

Especialistas do setor aeroespacial veem a movimentação como parte de uma estratégia mais ampla da Embraer de diversificar geograficamente sua cadeia de suprimentos e reduzir dependências. A empresa busca estabelecer parcerias de longo prazo que apoiem tanto a base industrial nacional indiana quanto suas iniciativas globais.

Perspectivas futuras
A aposta da Embraer na Índia reflete uma tendência mais ampla de fabricantes aeroespaciais globais que buscam aproveitar as capacidades industriais indianas em manufatura avançada e engenharia. O governo indiano tem promovido políticas de incentivo à produção local no setor aeroespacial sob a iniciativa "Make in India", tornando o país um destino atraente para investimentos estrangeiros no setor.

Com uma frota já estabelecida e agora com foco no desenvolvimento de fornecedores locais, a Embraer posiciona-se para capturar uma fatia maior do mercado indiano em seus três segmentos de negócios: aviação comercial, executiva e defesa.

A próxima fase desta cooperação industrial Brasil-Índia promete não apenas expandir a presença da Embraer no subcontinente, mas também contribuir para o desenvolvimento tecnológico e industrial de ambos os países, fortalecendo uma parceria estratégica em um dos setores mais dinâmicos da economia global. 

06 novembro, 2025

Com cadeia de suprimentos estabilizada, Embraer foca em eficiência para cumprir metas


*LRCA Defense Consulting - 06/11/2025

Em meio a um cenário global ainda marcado por dificuldades logísticas em vários setores industriais, a Embraer anunciou avanço significativo na superação da crise de supply chain que afetava sua produção. Segundo o CEO Francisco Gomes Neto, a empresa já dispõe de todas as peças e componentes necessários para cumprir o cronograma de entregas previstas para este ano, encerrando assim o risco relacionado a atrasos logísticos externos. Contudo, a fabricante brasileira mantém uma projeção cautelosa quanto ao segundo semestre de 2025 devido à concentração das entregas nos próximos dois meses, que colocam pressão operacional para cumprir o guidance financeiro.

Na teleconferência de resultados do terceiro trimestre, Gomes Neto destacou que o desafio atual está no próprio ritmo de produção e montagem, e não mais na disponibilidade de insumos. "O risco de supply chain em 2025 acabou. Temos todas as peças e partes. Agora, depende de nós montar as aeronaves", afirmou o executivo. A Embraer manteve a estimativa de entregar entre 77 e 85 aeronaves comerciais e de 145 a 155 jatos executivos em 2025, com um faturamento projetado entre US$ 7 bilhões e US$ 7,5 bilhões (sem considerar a unidade Eve).

O cenário para o fechamento do ano exige disciplina e eficiência operacionais. Dos 148 aviões entregues nos primeiros nove meses, a empresa precisa concentrar entre 43 jatos executivos e 31 aeronaves comerciais só no quarto trimestre para atingir suas metas. Essa concentração de entregas cria uma pressão intensa para o cumprimento do guidance financeiro e operacional, especialmente com contratos firmados e carteira histórica de pedidos, avaliada em US$ 31,3 bilhões.

Internamente, a Embraer tem atuado para fortalecer e integrar sua cadeia de suprimentos global, que envolve fornecedores em mais de 60 países. Adaptar-se a um ambiente produtivo estável também é preocupação para 2026, especialmente frente a custos adicionais, como as tarifas de importação dos EUA que podem influenciar o resultado financeiro e as exportações brasileiras.

Embora a crise externa na logística tenha sido contornada, a companhia mantém uma postura de cautela gerencial. A estratégia é garantir não apenas entregas no prazo, mas também a continuidade de um ambiente produtivo próspero e resiliente para os próximos anos.

 

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