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10 setembro, 2023

Brasil irá adquirir obuseiros montados em veículos táticos. Parceria entre Avibras e Nexter?

Elbit Systems de Israel lançou o ATMOS 2000, um obuseiro de 155 mm/52 montado em um chassi 6x6, incorporando sistemas automatizados de carregamento e direção de tiro.

*Noticias de Israel - 10/09/2023

O Brasil  avança em sua modernização militar, concentrando seus esforços na aquisição de obuseiros de última geração montados em veículos táticos.

Objetivos Estratégicos da Atualização da Artilharia Brasileira

A força terrestre brasileira, na tentativa de aprimorar significativamente suas capacidades táticas, busca adquirir sistemas avançados de artilharia montados em chassis de veículos. Esta iniciativa está alinhada com o  Programa “VBCOAP 155 mm SR” , cujo núcleo é o fortalecimento das capacidades armamentistas nacionais. Esses sistemas substituirão os obuseiros M114A1, melhorando a mobilidade e a versatilidade de combate das unidades de artilharia.

Obuseiro autopropulsado CAESAR 8×8 do Exército Real Dinamarquês (SPH)

O gatilho para este projeto remonta a janeiro de 2022, quando foi mencionado pela primeira vez no portal “ InfoDefensa ”. O plano é adquirir dois sistemas de avaliação, visando ampliar a frota em mais trinta e quatro unidades.

Esta evolução da frota de artilharia procura dotar as forças armadas de mais meios móveis e de maior alcance de fogo, contrastando com os atuais sistemas rebocados e facilitando as operações em articulação com forças mecanizadas.

Comparação com sistemas de artilharia pré-existentes
Em contraste com os obuses autopropelidos sobre esteiras M109A3 e M109A5+, esses obuses táticos montados em veículos oferecem maior mobilidade e implantação rápida. Seu design permite operações estendidas em rodovias e minimiza necessidades de logística e manutenção.

Além disso, esses sistemas devem ser compatíveis com munições calibre 155 mm e oferecer alcance operacional de até 40 km, conforme especificações técnicas ditadas pelo Exército Brasileiro.

As principais empresas de defesa já demonstraram interesse em atender esta demanda, apresentando propostas tecnologicamente avançadas testadas em situações de combate.

Propostas e Alternativas para o Exército Brasileiro

A Elbit Systems  de Israel apresentou o ATMOS 2000, um obuseiro de 155 mm/52 montado em um chassi 6x6, incorporando sistemas automatizados de carregamento e direção de tiro. Com uma cadência de tiro que varia entre quatro e nove tiros por minuto, esta plataforma já foi adotada por diversas forças em todo o mundo, incluindo o exército colombiano.

Por seu lado, o  francês Nexter CAESAR  surge como uma opção robusta e versátil, adequada para ser integrada tanto em chassis 6×6 como 8×8. 

Surgiram rumores sobre uma possível aliança entre a empresa brasileira AVIBRAS e Nexter, que permitiria adaptar o chassi utilizado pelo sistema lançador de foguetes Astros Mk6, já em operação no Brasil.

Se este acordo for finalizado, a Nexter fornecerá os principais componentes do CAESAR, enquanto a AVIBRAS ficará responsável pela integração e adaptação aos chassis nacionais.

ASTROS III Sistema autopropelido de mísseis e lançamento de foguetes. (Foto Avibras)

Especificações CAESAR e seu papel potencial no Brasil
O CAESAR já provou seu valor em diversos teatros operacionais e sua versatilidade ao se adaptar a diferentes plataformas veiculares. Projetado para uma tripulação de cinco pessoas, possui sistemas avançados de navegação, assistência de carregamento, posicionamento automatizado e tempos de preparação e viagem altamente eficientes.

Seu canhão calibre 52 permite um alcance de até 42 km com munição ERFB e até 50 km com projéteis assistidos por propelente.

A escolha do Brasil pela artilharia montada em veículos reflete uma tendência global, já que inúmeras forças armadas estão optando por essas soluções devido à sua versatilidade e capacidade de resposta.

18 agosto, 2023

Exército solicita propostas para sistema de artilharia AP 155mm sobre rodas. Tupã, da Avibras, pode ser uma opção?

Sistema de Artilharia 155mm/52 AP SR Tupã, da Avibras Aeroespacial

*The Defense Post, por Inder Singh Bisht - 18/08/2023

O Exército Brasileiro solicitou propostas para adquirir um sistema de artilharia autopropulsada de 155 mm sobre rodas.

A Força pretende adquirir dois sistemas iniciais para avaliação, seguidos por mais 34 sistemas em diferentes tranches para armar três grupos de artilharia de campanha, informou Janes, citando o documento de solicitação.

O sistema destina-se a substituir o antigo obus rebocado M114A1 como parte das Forças Blindadas do Programa Estratégico do Exército para armar três unidades de artilharia de campanha.

O Exército tem mais de 1.400 peças de artilharia, incluindo 24 M109A3 e 24 obuseiros autopropulsados ​​M109A5 de 155 mm. No entanto, falta um sistema sobre rodas.

Requisitos e possíveis candidatos
Os requisitos exigem um chassi de caminhão de alta mobilidade 6 × 6 ou 8 × 8 com um alcance superior a 500 km que pode transportar até seis tripulantes. O veículo poderia ser equipado com um canhão padrão da OTAN calibre 52 montado, lançadores de granadas de fumaça de 76 mm montados no teto e um suporte para metralhadora de 12,7 mm ou 7,62 mm.

O sistema deve ser capaz de disparar munição OTAN convencional, de longo alcance e de precisão (até 40 quilômetros, revelou a Info Defensa em 2022), e incluir provisões para o conjunto padrão de comunicações do exército e o sistema de coordenação e comando de artilharia Gênesis da IMBEL.

Ainda de acordo com Info Defensa, a israelense Elbit Systems e a francesa Nexter Systems apresentaram suas plataformas, ATMOS e CAESAR.

A agência acrescentou que a empresa de defesa local Avibras Indústria Aeroespacial também poderia entrar na competição com seu 155mm/52 AP SR Tupã.

Sistema de Artilharia 155mm/52 AP SR Tupã
Conforme a Tecnodefesa publicou em janeiro de 2022, em ampla reportagem sobre o assunto, outro modelo que pode ressurgir é o Sistema de Artilharia 155mm/52 AP SR Tupã, da Avibras Aeroespacial, que em 2014, durante a feira francesa Eurosatory, anunciou uma parceria com a Nexter para adaptar o sistema de CAESAR nos veículos da família Astros MK6, com chassi Tatra T815-7 6X6, aproveitando também toda a estrutura de comando e controle (C2) e meteorológico do Sistema Astros 2020, padronizando a frota da Artilharia.

Este programa chegou a ter um convênio entre a empresa, o Centro Tecnológico do Exército (CTEx) e o Departamento de Ciência e Tecnologia (DCT) para seu desenvolvimento; porém, diversos problemas na época fizeram que fosse cancelado. Todavia, esse projeto pode retornar, talvez com outro sistema de armas e características, especialmente se a Avibras conseguir uma significativa injeção de capital de seu(s) novo(s) parceiro(s) estratégico(s).

Sistema de Artilharia 155mm/52 AP SR Tupã, da Avibras Aeroespacial




08 outubro, 2022

Artilharia: lições aprendidas na Ucrânia

HIMARS - M142 High Mobility Artillery Rocket System - Lockheed Martin Missiles and Fire Control
 

*Strategy Page - 06/10/2022

A luta na Ucrânia é um teste de campo de batalha que revela quais armas e sistemas de artilharia atuais são mais eficazes em um conflito próximo (ambos os lados com armas modernas). Tais conflitos têm sido raros desde a Segunda Guerra Mundial porque armas nucleares e grandes alianças militares desencorajaram guerras entre pares. Houve poucos conflitos entre pares nos últimos cinquenta anos e a maioria deles foi breve. A invasão russa na Ucrânia é diferente porque, no papel, as forças russas eram mais numerosas e sem dúvida mais capazes do que seus oponentes ucranianos. Isso poderia ter sido verdade se os russos tivessem invadido de repente sem confrontos anteriores. A Rússia havia feito um ataque limitado à Ucrânia em 2014 para tomar três províncias: Crimeia e duas províncias fortemente industrializadas no leste da Ucrânia chamadas Donbas.

A Rússia parecia incerta sobre o que fazer a seguir. Não foi assim com os ucranianos, que passaram os oito anos seguintes reformando suas forças armadas e se preparando para lidar com uma guerra maior com a Rússia para recuperar a Crimeia e Donbas ou repelir uma grande invasão.

A Ucrânia ficou quieta sobre suas descobertas e reformas. Houve escaramuças constantes na linha de frente de Donbas, o que deu aos ucranianos a oportunidade de testar novas armas e táticas em condições realistas. A Ucrânia também percebeu que tinha que se juntar à OTAN, como muitos de seus vizinhos do Leste Europeu já haviam feito. A Rússia era hostil à adesão da Ucrânia à OTAN porque isso significaria que qualquer invasão da Ucrânia traria o resto dos membros da OTAN, incluindo vários que tinham armas nucleares.

Quando se tratava de reforma militar, a Rússia não estava ociosa, mas a corrupção maciça do governo sabotou a maioria de seus esforços de reforma e a extensão disso não foi percebida até meses após a invasão de 2022. Os militares russos estavam uma bagunça em 2022, enquanto os ucranianos implementaram muitas reformas eficazes.

A Ucrânia e os novos membros da Europa Oriental da OTAN convenceram o resto da OTAN de que, se os russos invadissem, a Ucrânia poderia vencer sem tropas da OTAN, mas precisava de suprimentos constantes de armas, munições e equipamentos da Organização. Em 2022, a OTAN já havia começado a fornecer as armas solicitadas pela Ucrânia e, uma vez que a Rússia invadiu em fevereiro de 2022, houve muitas surpresas, a maioria delas desagradáveis ​​para a Rússia. Para a OTAN, a Guerra da Ucrânia foi reveladora. De maneira geral, a OTAN forneceu o que a Ucrânia solicitou, porque ficou óbvio que os ucranianos descobriram quais das suas armas eram as mais eficazes. Isso foi especialmente útil quando se tratava de artilharia.

HIMARS


Inovações ucranianas e deficiências russas
Houve muitas surpresas quando se tratava do uso da artilharia moderna. Os russos tinham bastante, mas usavam as mesmas táticas lentas e centralizadas que haviam desenvolvido durante a Segunda Guerra Mundial.

A Ucrânia tinha menos grandes armas e lançadores de foguetes, então teve que inovar para sobreviver. Isso os ucranianos fizeram forçando um impasse no ar, onde a força aérea russa, muito maior, deveria ter sido dominante. Os ucranianos concentraram-se em novas técnicas de defesa aérea contra o lento planejamento de ataque aéreo russo da Segunda Guerra Mundial. Essas inovações ucranianas eram algo com que os russos não conseguiam lidar e, assim, nunca alcançaram a superioridade aérea.

Isso deixou a artilharia decidir qual lado tinha superioridade no poder de fogo. Mais uma vez, a Ucrânia estava em grande desvantagem numérica. A Rússia tinha mais lançadores de foguetes e grandes armas. Felizmente para a Ucrânia, a Rússia ainda estava usando suas lentas táticas de artilharia da Segunda Guerra Mundial, enquanto os ucranianos, forçados a improvisar, inventavam um sistema melhor.

Havia outras vantagens para os ucranianos: a artilharia, foguetes e mísseis guiados russos eram menos confiáveis ​​do que os equivalentes ocidentais, com até 50% dos projéteis se mostrando defeituosos. Este foi um salva-vidas, embora estressante, para as tropas ucranianas, que tinham bombas ou foguetes nas proximidades. Esses insucessos russo geralmente estavam intactos, mas com uma espoleta defeituosa que ainda poderia explodir se manuseada incorretamente. Por outro lado, as munições ocidentais tinham uma taxa de fracasso mais próxima de 10%.

Contrabateria
O que a Ucrânia teve que desenvolver foi um sistema de contrabateria mais eficaz (destruindo a artilharia inimiga). A OTAN pode ajudar com isso porque suas forças tinham radares de contrabateria superiores para calcular de onde vinham os projéteis e foguetes inimigos e permitir fogo de retorno rápido. A Ucrânia melhorou isso desenvolvendo um melhor sistema de controle de fogo (muito mais rápido para reagir, usando vários canhões individuais bem dispersos e lançadores de foguetes de artilharia), bem como seus próprios UAVs especializados em detectar alvos, especialmente sistemas de artilharia inimiga que não estavam disparando. Os russos não tinham nada tão eficaz quanto isso e nem a OTAN.

Localização de alvos
A Ucrânia tem alguns dos melhores engenheiros de software do mundo e eles se mobilizaram depois de 2014 para melhorar as capacidades militares ucranianas. Uma vantagem adicional foi que muitos civis ucranianos em áreas ocupadas pelos russos mantiveram seus celulares ucranianos e, uma vez iniciada a invasão, juntaram-se a redes clandestinas locais para fornecer localizações GPS sobre as tropas russas, quartéis-generais e depósito de suprimentos. 

Vantagens ucranianas
As forças russas, corruptas e mal lideradas, foram incapazes de lidar com a localização de alvos ucraniano e a vantagem da artilharia. Esta é uma das principais razões pelas quais, em outubro, os russos não estavam apenas recuando, mas muitas vezes fugindo do avanço das tropas ucranianas e dos numerosos ataques de artilharia a alvos atrás da linha de frente.

HIMARS

Armas de artilharia mais eficazes
Esses sucessos ucranianos com artilharia também revelaram quais armas desse naipe eram mais eficazes. Os grandes vencedores não foram os obuseiros autopropulsados ​​blindados disparando novos projéteis de longo alcance.

Os ucranianos descobriram que obuseiros de 155 mm rebocados (como o M777) ou obuseiros de 155 mm montados em caminhão (como CAESAR - CAmion Équipé d'un Système d'ARtillerie) eram os melhores para apoiar as tropas da linha de frente e o fogo de contrabateria contra a artilharia inimiga perto da linha de frente. Para alvos mais distantes, a melhor solução foram sistemas como o americano HIMARS (High Mobility Artillery Rocket System). Este é um sistema montado em caminhão que transporta seis foguetes guiados de 227 mm de diâmetro com alcance de 80 quilômetros, ou um ou dois foguetes guiados maiores com alcance de até 500 quilômetros.

CAESAR - Nexter Systems

As nações ocidentais, especialmente os Estados Unidos, gastaram muito tempo e dinheiro tentando desenvolver projéteis de maior alcance e criaram obuseiros autopropulsados ​​blindados maiores, disparando projéteis guiados por GPS muito caros que poderiam atingir alvos a até 70 quilômetros de distância.

O cano mais curto do M777 e do CAESAR disparam projéteis não guiados a 40 quilômetros. Essa abordagem era muito mais barata porque o M777 e o CAESAR eram mais baratos e mais eficazes, já que ambos podem se preparar rapidamente, disparar vários projéteis e desaparecer em cerca de um minuto ou dois. Isso é rápido o suficiente para evitar o fogo da contrabateria. Os sistemas de artilharia baseados em caminhões se mostraram também mais fáceis de se manter operacionais.

Veículos blindados sobre lagartas exigem muito mais manutenção por parte da tripulação e precisam de peças de reposição (como lagartas novas) com mais frequência, além de muito mais combustível. A blindagem às vezes é útil, mas o sistema HIMARS montado em caminhão obteve muita experiência no campo de batalha no Afeganistão e em outros lugares e descobriu que alguma blindagem leve na cabine da tripulação era suficiente. Sistemas montados em caminhões, como o CAESAR, costumam usar esse “compartimento de tripulação protegido” também.

M777 - BAE Systems' Global Combat Systems division

Veículo HIMARS e capacidades dos foguetes GMLRS
A Ucrânia sabia do sucesso do veículos HIMARS e das capacidades dos foguetes GMLRS (Multiple Launch Rocket System). A versão mais recente do foguete pode atingir alvos a até 85 quilômetros de distância usando a orientação INS/GPS (Sistema de Navegação Inercial/Sistema de Posicionamento Global). O componente INS é importante porque assume o controle se o sinal do GPS for perdido devido à interferência ou caso o terreno montanhoso bloqueie o GPS quando o foguete se aproximar do alvo. Nas últimas duas décadas, o INS tornou-se mais preciso. A Rússia tem sido uma importante fonte de bloqueadores de GPS desde a década de 1990.

Dois membros da OTAN da Europa Oriental (Romênia e Polônia) usam o HIMARS. Vários outros países da OTAN usam o HIMARS ou o veículo MLRS sobre lagartas maior (M270) que transporta dois pods, mas o HIMARS está substituindo gradualmente estes.

O sistema GMLRS montado em caminhão HIMARS é ideal para táticas de artilharia ucranianas, que atualmente usam artilharia autopropulsada ou rebocada individual para disparar projéteis não guiados em alvos a até 40 quilômetros de distância. Isso evita o fogo de contrabateria dos russos, que são mais vulneráveis ​​às táticas ucranianas porque a Rússia ainda emprega fogo de artilharia em massa de baterias (seis canhões) ou grupos (três baterias).

Cada sistema HIMARS é transportado em um caminhão 6x6 de 12 a 16 toneladas, sendo que a versão mais pesada possui cabine dupla blindada (contra fogo de armas pequenas e fragmentos de projéteis). O veículo carrega um MLRS de seis foguetes, em vez de dois no veículo MLRS original maior e sobre lagartas.

Inicialmente, uma grande atração era que um caminhão HIMARS poderia caber em um transporte C-130 (ao contrário do MLRS sobre lagartas de 22 toneladas) e era muito mais barato de operar.

O veículo HIMARS pode percorrer até 85 quilômetros por hora em estradas pavimentadas e percorrer 480 quilômetros com combustível interno. Em 2016, foi revelado que os veículos HIMARS em serviço americano atingiram um milhão de horas operacionais com uma taxa de prontidão de 99%. A tecnologia que o HIMARS usa permite que ele opere (mova-se, receba uma ordem de alvo e lance o GMLRS) usando apenas um dos tripulantes normais de três homens.

O primeiro HIMARS entrou em serviço em 2005, cerca de um ano após o GMLRS. As duas inovações funcionaram bem juntas e foram uma das principais razões para o sucesso do GMLRS e do lançador de foguetes HIMARS. Os EUA não compram mais os lançadores de foguetes MLRS sobre lagartas ou MLRS não guiados. Um pod MLRS com seis GMLRS pesa 2,8 toneladas e atraiu muitos pedidos de exportação.

O míssil GMLRS de 309 kg (680 libras) é um foguete de 227 mm guiado por GPS. Ele foi projetado para ter um alcance de 70 quilômetros e a capacidade de atingir o alvo pretendido com erro de pouco mais de três metros, em qualquer distância. Isso é possível porque ele usa o GPS (mais um INS/sistema de orientação inercial de backup) para encontrar o local do alvo com o qual foi programado. Se o INS tiver que ser usado, essa margem de erro triplica para cerca de dez metros. Em 2008, o exército testou o GMLRS no alcance máximo (cerca de 85 quilômetros) e descobriu que funcionava bem. Isso permite que um veículo HIMARS forneça suporte em uma fachada de 170 quilômetros.

Um veículo HIMARS pode fornecer suporte de fogo de precisão em uma área de cerca de 20.000 quilômetros quadrados. Esta é uma pegada enorme para uma única arma (um veículo HIMARS individual), e muda fundamentalmente a maneira como você emprega artilharia em combate. A título de comparação, o Excalibur (projétil de 155 mm guiado por GPS) agora tem um alcance máximo de 55 quilômetros, ou 70 quilômetros com o canhão ERCA.


GMLRS significa que o sistema de controle de tiro MLRS foi atualizado para lidar com alvos de precisão, ao invés de apenas atingir uma área geral. Desde 2004, mais de 3.000 foguetes GMLRS foram disparados em combate com 98% de precisão (atingindo o alvo) e mais de 50.000 GMLRS foram produzidos.

Os foguetes GMLRS custam cerca de US$ 100.000 cada inicialmente e o custo atual (um pedido de 2021) é de US$ 110.000, mesmo após várias atualizações. Isso é mais barato do que os projéteis de artilharia de 155 mm equipados com GPS, porque esses projéteis geram muito mais estresse quando saem do cano da arma. Um invólucro guiado por GPS mais acessível (US$ 12.000 cada) está disponível usando a espoleta ATK, que é parafusada na frente de um invólucro não guiado de 155 mm. A abordagem ATK é um pouco menos precisa do que os projéteis Excalibur, mas foi considerada aceitável em situações de combate. 

A demanda de exportação para o HIMARS fez com que o fabricante dos EUA tivesse que retomar a produção para o crescente número de clientes estrangeiros. Isso foi novamente afirmado na Ucrânia, que aguarda a nova versão do GMLRS, que pode ser usado no HIMARS e tem um alcance de 150 quilômetros.

Suporte para a linha de frente e suporte de longo alcance
Apesar de [hoje] os foguetes HIMARS e GMLRS serem preferidos e a popularidade do HIMARS significar ainda menos trabalho para a artilharia de tubo, esta era considerada a “rainha do campo de batalha” desde o século XVII.

Em combate, a artilharia de tubo não pode mais competir quando o alcance e a precisão são os fatores-chave. Mas, como os ucranianos demonstraram, canhões de 155 mm, rebocados ou montados em caminhões, que fornecem suporte para as tropas da linha de frente, permitem que sistemas como o HIMARS forneçam suporte de longo alcance.

O sistema ucraniano funciona bem para combater os russos. Outros conflitos de pares próximos podem apresentar oponentes que têm algum apoio aéreo e podem até usar sistemas e táticas semelhantes aos que a Ucrânia desenvolveu. Isso não vai mudar o fato de que o "simples e barato" muitas vezes derrota o "mais caro e complicado" em combate. 

Na teoria, o melhor desempenho off-road dos veículos de artilharia autopropulsados sobre lagartas é um fator chave. Na prática não é, e o HIMARS é prova disso. 

*Traduzido, revisado e editado por LRCA Defense Consulting.

21 agosto, 2022

Brasil busca obuseiro autopropulsado de 155mm; CAESAR da Nexter, Archer da BAE e ATMOS da Elbit se destacam

CAESAR self-propelled howitzer [SPH - obuseiro autopropulsado]

*BulgarianMilitary.com - 21/08/2022

Pouco mais de um ano após o anúncio da diretriz para iniciar o projeto Veículo Autopropulsado de Combate com Rodas 155 mm, em julho de 2021, o Comando Logístico do Exército Brasileiro deu mais um importante passo neste programa, anunciando publicamente o lançamento do RFI/RFQ em 15 de agosto.

Este documento e seus dois anexos destinam-se a permitir legalmente a aquisição, por licitação internacional, de 36 obuseiros autopropulsados ​​de 155 mm [SPH: self-propelled howitzer - obuseiro autopropulsado].

Essa quantidade seria suficiente para três grupos de Artilharia Divisionária [AD] ou brigadas mecanizadas atualmente em processo de rearmamento pelo Programa Estratégico Guarani, que permite a destruição de alvos a distâncias de até quarenta quilômetros por meio de armas convencionais e/ou munições inteligentes com capacidade de alcance estendido.

Como parte do EEP Guaraní, esta iniciativa conta ainda com o apoio do Subprograma Estratégico do Sistema de Artilharia de Campanha [SPrg EE SAC] do Programa Estratégico para Alcançar a Capacidade Operacional Plena [OCOP].

Archer self-propelled howitzer

Consulta pública
A consulta pública ou “pedido de licitação” está marcada para o período entre os dias 17 de agosto e 10 de novembro, para consultar o mercado nacional e internacional sobre a capacidade de entrega de sistemas de armas para o projeto Veículo de Combate Blindado Autopropulsado 155mm Sobre Rodas [VBCOAP 155mm SR].

O objetivo da consulta 01/2022 é refinar e esclarecer as descrições contidas nos requisitos operacionais [EB20-RO-04.021] e os requisitos técnicos, logísticos e industriais [EB20-RTLI-04.010] aprovados em abril deste ano, e realizar uma pesquisa abrangente de preços.

Esse processo resultará em dois contratos, um para a compra de duas unidades para teste e avaliação, e o segundo para definir a compra de mais 34 unidades em um prazo de entrega de até oito anos.

Cooperação industrial
Entre os requisitos a serem atendidos com esta compra está o de fabricar sua munição de 155mm no Brasil, com ToT [transferência de tecnologia] para munições guiadas inteligentes e sistemas correlatos, algo considerado essencial, bem como a integração da arma com a plataforma de rodas no Brasil, em um caminhão militar tipo 6×6 ou 8×8, até um limite máximo de 21 toneladas para o conjunto completo, ou seja, teoricamente transportável pelas aeronaves Hercules C-130 ou KC-390 Millennium.

ATMOS self-propelled howitzer

Os contratos também devem prever as ações necessárias para possibilitar o treinamento de pessoal de operação e manutenção, a adequação/construção de infraestrutura para esse tipo de material novo para os militares e a pesquisa e criação de doutrina com vistas ao uso destes obuseiros por pelo menos 25 anos.

Três se destacam
Nos últimos 10 anos, diversos fabricantes, percebendo o desejo brasileiro por este sistema, ofereceram seus produtos aos militares brasileiros.

Três deles se destacam: o francês CAESAR (CAmion Équipé d'un Système d'ARtillerie), do KNDS [Nexter Systems], apresentado no Brasil em parceria com a Avibras Aeroespacial e Defesa; o israelense ATMOS, da Elbit Systems, apresentado aos militares em conjunto com a Ares Aeroespacial e Defesa; e o britânico-sueco Archer, da BAE Systems.

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