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19 outubro, 2026

ATMOS avança com Avibras e abre nova etapa para a artilharia brasileira

Exército prevê contratar dois obuseiros em 27 de outubro; montagem em Jacareí e participação da IMBEL podem ampliar o conteúdo nacional de um programa de 36 viaturas



*LRCA Defense Consulting - 19/10/2026 - 15h10

O Exército Brasileiro deverá assinar em 27 de outubro, no Comando Logístico (COLOG), em Brasília, o primeiro contrato relativo à aquisição do obuseiro autopropulsado ATMOS 2000, de 155 mm, desenvolvido pela israelense Elbit Systems. A etapa inicial abrange duas viaturas destinadas à avaliação e precede uma eventual contratação de outras 34 unidades. A data foi informada nesta segunda-feira (19) pelo jornalista Marcelo Godoy, de O Estado de S. Paulo, e repercutida pelo portal Forças Terrestres. Até a publicação desta reportagem, portanto, a assinatura ainda era uma previsão.

A novidade não se limita à retomada de uma aquisição interrompida por divergências diplomáticas entre Brasil e Israel. A entrada da Avibras Aeroco no arranjo industrial, mediante memorando de entendimento com a AEL Sistemas, subsidiária brasileira da Elbit, cria a perspectiva de montagem das 36 viaturas em Jacareí (SP). A produção de munições de 155 mm também aparece nas informações divulgadas como uma frente de participação da IMBEL. O detalhamento das obrigações, contudo, dependerá dos instrumentos contratuais.

Da seleção técnica ao novo arranjo industrial 
O ATMOS foi selecionado em abril de 2024 no processo para obtenção de Viaturas Blindadas de Combate Obuseiro Autopropulsado Sobre Rodas (VBCOAP-SR). A contratação não avançou no ritmo inicialmente esperado, em meio à deterioração das relações políticas entre os governos brasileiro e israelense por causa da guerra na Faixa de Gaza.

A solução industrial que agora ganha contornos mais definidos não surgiu de improviso. O LRCA Defense Consulting registrou, em julho de 2026, tratativas entre Avibras, AEL e Elbit. Em 7 de setembro, detalhou a proposta de montagem nacional dos dois exemplares de avaliação e das 34 viaturas de série, submetida ao COLOG no fim de agosto. Segundo a apuração publicada por Godoy, a oferta vencedora já contemplava uma parceira nacional sem identificá-la nominalmente, circunstância que teria permitido incluir a Avibras sem alterar as condições essenciais da seleção.

A Avibras e o aproveitamento da experiência com o ASTROS 
A escolha de Jacareí apresenta coerência industrial. A Avibras possui experiência na integração de sistemas de artilharia, veículos especiais e plataformas da família Tatra empregadas no ASTROS. A configuração brasileira do ATMOS é associada, nas informações divulgadas, a um chassi Tatra, embora seus detalhes finais ainda dependam de confirmação contratual e técnica.

Em 15 de outubro, a Avibras anunciou a conclusão de sua aquisição pela Globe Investimentos, veículo de investimentos pessoais de Joesley e Wesley Batista. A reorganização societária e a retomada das atividades industriais formam o contexto da nova oportunidade. A eventual montagem do ATMOS pode diversificar encomendas e preservar competências industriais, mas não equivale, por si só, à transferência integral de tecnologia ou à fabricação nacional de todos os componentes. 

ATMOS 2000

O papel estratégico da IMBEL 
A participação indicada para a IMBEL na produção de munições de 155 mm merece atenção própria. Para uma força terrestre, a disponibilidade de munições, sua qualificação, a capacidade de reposição e o domínio de processos produtivos são elementos essenciais da autonomia logística. Ainda não estão esclarecidos publicamente o escopo exato da produção, os tipos de munição abrangidos e o grau de nacionalização previsto.

Dois obuseiros agora, 34 em etapa posterior 
A assinatura prevista para 27 de outubro diz respeito somente ao lote inicial de duas viaturas. Segundo a apuração de Godoy, o passo seguinte dependerá da avaliação do equipamento, da análise das compensações industriais e tecnológicas (offset), da cadeia logística, da integração aos sistemas de artilharia do Exército e de nova comprovação de preços. A contratação das outras 34 unidades é apontada como possibilidade para 2027, não como obrigação já firmada.

As estimativas financeiras publicadas também exigem cautela: a reportagem atribuída a Godoy menciona aproximadamente R$ 800 milhões, enquanto o Forças Terrestres se refere a investimento total próximo de R$ 1 bilhão. Sem a documentação contratual definitiva, não é adequado tratar qualquer desses valores como preço final fechado.

Mobilidade e sobrevivência no combate moderno 
O ATMOS combina canhão de 155 mm com tubo de 52 calibres e plataforma sobre rodas, além de recursos automatizados de navegação, pontaria e operação. A mobilidade e a redução do tempo de permanência em posição de tiro são atributos particularmente relevantes diante da ameaça de drones de reconhecimento, munições vagantes e fogos de contrabateria. Isso não elimina a necessidade de camuflagem, dispersão, defesa antidrone, comunicações seguras e integração com sensores e sistemas de comando e controle.

Para o Exército, o ganho operacional dependerá menos da simples incorporação de uma peça moderna do que de sua inserção em uma arquitetura de fogos capaz de detectar alvos, transmitir dados, engajar e mudar rapidamente de posição. A nacionalização do suporte e das munições pode ser decisiva para sustentar essa capacidade ao longo do tempo.

O que ainda precisa ser confirmado 
A assinatura anunciada deverá esclarecer o cronograma de entregas, a divisão de trabalho entre Elbit, AEL e Avibras, a configuração das viaturas, as obrigações de suporte e os mecanismos de transferência de conhecimento. Também será importante verificar a extensão da participação da IMBEL e os critérios para a passagem do lote inicial à produção em série.

Se confirmada, a contratação encerrará uma fase de incerteza e abrirá outra, de execução industrial e validação operacional. Para a Base Industrial de Defesa, o resultado estratégico não estará apenas nas 36 viaturas previstas, mas nas competências que efetivamente permanecerem no País.

06 junho, 2026

O obuseiro na estante: o Exército escolheu, o governo não assina e a defesa segue precaríssima

Vencedor de licitação bilionária do Exército, o obuseiro autopropulsado da Elbit Systems segue sem contrato assinado. A Ares, subsidiária brasileira da empresa israelense, exibe uma maquete do sistema em suas instalações. Do lado de fora, o mundo está em guerra e o alto comando brasileiro reconhece: o país não tem defesa compatível com o que seria necessário

Maquete do obuseiro ATMOS na sede da Ares, já com a designação do EB: VBCOAP 155 mm SR (crédito: @Defence360 no X
)


*LRCA Defense Consulting - 06/06/2026

Nas instalações da Ares Aeroespacial e Defesa, no Rio de Janeiro, uma maquete do obuseiro ATMOS ocupa um lugar de destaque. O detalhe resume bem a situação do programa: a subsidiária brasileira da Elbit Systems está pronta para cumprir sua parte, os contratos de suporte logístico e transferência de tecnologia já foram desenhados, a licitação foi concluída, o Exército escolheu o vencedor. Falta apenas a assinatura.

Mais de dois anos após o início do processo formal de seleção e mais de um ano após a declaração de vencedor, o Exército Brasileiro ainda não contratou os 36 obuseiros autopropulsados de 155 mm sobre rodas (VBCOAP 155 mm SR) que o Programa Estratégico Forças Blindadas aguarda desde os primeiros estudos, iniciados em 2017. O motivo não é técnico. Não é jurídico. É político.

Um vencedor sem contrato
Em 29 de abril de 2024, o Comando Logístico do Exército (COLOG) divulgou o resultado do processo licitatório internacional RFP/RFT COLOG nº 01/2023, aberto em agosto de 2023. A vencedora foi a Elbit Systems Land Ltd, com o ATMOS 155 mm/52 calibres montado em chassi Tatra T-815 6×6. A empresa israelense superou três concorrentes: a tcheca Excalibur International (com o Zuzana 2, em segundo lugar), a francesa KNDS (CAESAR, em terceiro) e a chinesa Norinco (SH-15, em quarto). O sistema israelense atendeu a todos os requisitos absolutos estabelecidos pelo Exército e foi avaliado em quatro dimensões: técnica, comercial, suporte logístico integrado e offset.

A cerimônia de assinatura do contrato inicial, que previa a entrega de um lote de amostra com dois exemplares, estava marcada para 7 de maio de 2024. Não ocorreu. O Exército suspendeu o ato por 60 dias, alegando necessidade de revisão jurídica. Nos bastidores, a razão era outra: o conflito em Gaza e a resistência política de parte do governo Lula à formalização de um contrato bilionário com empresa israelense.

O presidente Lula, pressionado por parlamentares do PT, PDT, PSOL e PCdoB pela anulação de todos os contratos de defesa com Israel, acabou dando aval à compra. O argumento do Exército era objetivo: o ATMOS era a melhor proposta técnica e a mais vantajosa para o país em razão da transferência de tecnologia e da criação de empregos. Mas o contrato continuou suspenso. Em outubro de 2024, o ministro da Defesa, José Múcio, foi explícito ao admitir publicamente que o programa estava parado por questões ideológicas, citando a influência do assessor especial Celso Amorim.

Em dezembro de 2024, o Tribunal de Contas da União (TCU) rejeitou a medida cautelar interposta pela KNDS, que pedia a reavaliação do resultado. A decisão do TCU eliminou o último obstáculo formal. Mesmo assim, no início de 2026, o status do programa era descrito por analistas setoriais como o de um "adiamento não anunciado", sem data para assinatura do contrato.

A ToT que está na mesa 
A proposta da Elbit Systems não era apenas a venda de 36 viaturas. Incluía um conjunto estruturado de contrapartidas industriais que, se concretizadas, posicionariam o Brasil como fornecedor global de munições de 155 mm. São três frentes principais.

A primeira envolve a Indústria Brasileira de Material Bélico (IMBEL). A Elbit assinou um memorando de entendimento com a IMBEL para investimentos na Fábrica de Juiz de Fora, com o objetivo de ampliar a capacidade de produção de granadas e cargas de 155 mm e habilitar a fabricação de modelos mais modernos. Hoje, a IMBEL produz apenas a granada M107 de alto explosivo, modelo básico e sem certificação Otan, o que limita severamente seu potencial de exportação.

A segunda frente envolve a empresa brasileira CSD (Componentes e Sistemas de Defesa). A intenção declarada pela Elbit é transformar a CSD na principal fornecedora de munições para todos os sistemas ATMOS e SOLTAN em operação no mundo, incluindo munições de alcance estendido e guiadas. O projeto destacaria o Brasil como exportador de munições de artilharia de alta tecnologia para o mercado internacional.

A terceira frente é a montagem nacional. A proposta negociada com o Ministério da Defesa previa que 34 dos 36 obuseiros seriam integrados e montados no Brasil, utilizando as competências da AEL Sistemas (Porto Alegre) e da Ares Aeroespacial e Defesa (Rio de Janeiro), ambas subsidiárias brasileiras da Elbit. Os dois primeiros exemplares, do lote de amostra, seriam produzidos integralmente em Israel e enviados para avaliações técnica e operacional no Centro de Avaliações do Exército (CAEx).

O diretor comercial da Ares, Frederico Medella, confirmou que a empresa "possui vasta experiência na execução de contratos de suporte logístico e ToT com o Exército Brasileiro". A Ares tem histórico comprovado nessa modalidade, incluindo o contrato de US$ 100 milhões firmado em 2017 para o fornecimento de estações de armas remotamente controladas às Forças Armadas.

O offset formal, avaliado como critério classificatório na licitação, contemplava ainda o desenvolvimento de um simulador de treinamento de baixo custo, aproveitando a experiência da Ares na área. Somados, os elementos da proposta configuravam uma das transferências de tecnologia mais abrangentes já oferecidas ao Exército Brasileiro em um programa de artilharia. 

Obuseiro israelense ATMOS 2000 - vencedor da licitação do Exército Brasileiro

"Nós não temos defesa" 
O impasse em torno do ATMOS ocorre em paralelo a um debate cada vez mais urgente sobre a capacidade de defesa do Brasil. No último dia do Simpósio de Sistemas Não Tripulados da Força Terrestre (SSNTFT 2026), realizado em Brasília em 27 de maio de 2026, o comandante do Exército, general Tomás Paiva, fez uma declaração que rompeu com décadas de discurso oficial. "No passado, não tínhamos nenhuma ameaça na América do Sul. Hoje temos uma percepção de ameaça, incluindo nossa atuação constitucional e legal de auxiliar os Poderes da República na faixa de fronteira, que é uma preocupação enorme, muito vasta. Temos que estar olhando para ela", afirmou.

A declaração, feita diante do Alto Comando e de representantes da Base Industrial de Defesa (BID), reconhece oficialmente uma mudança estratégica no entorno regional. O general não especificou as fontes da ameaça, mas o contexto é conhecido: a crise venezuelana, a disputa por Essequibo, a presença crescente de crime organizado transnacional na faixa de fronteira e a instabilidade política em países vizinhos.

Poucos dias antes, em encontro reservado com representantes da BID em Brasília, o ministro da Defesa, José Múcio, havia feito um diagnóstico ainda mais contundente. "A Defesa é precaríssima. A Defesa brasileira é incompatível com o tamanho e as potencialidades do Brasil. Nós não temos defesa. Muita gente pensa que nós temos como nos defender; nós não temos", declarou o ministro, segundo reportagem publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo. Múcio citou como exemplo a mobilização militar realizada quando a Venezuela ameaçou avançar sobre a região de Essequibo, território disputado com a Guiana, e reforçou a necessidade de elevar os investimentos em Defesa para pelo menos 2% do PIB, contra pouco mais de 1% hoje.

O mesmo ministro que reconhece publicamente a fragilidade da defesa brasileira é o responsável por viabilizar, no plano político, a assinatura do contrato do ATMOS. A contradição não passou despercebida no setor.

Um mundo armado, um calendário que escapa 
O contexto internacional que cerca o impasse é o mais desfavorável possível para o adiamento de decisões de defesa. A guerra na Ucrânia demonstrou que o apoio de fogo de artilharia continua sendo o eixo central do combate terrestre de alta intensidade e que a autonomia industrial em munições é condição de sobrevivência operacional. O conflito no Oriente Médio, a tensão entre Estados Unidos e Irã e o rearmamento acelerado de potências médias e grandes reforçam a percepção, expressa pelo próprio ministro Múcio, de que "todo mundo está armado".

O ATMOS, ironicamente, é um produto com histórico de combate exatamente nessas regiões. Utilizado em operações no Oriente Médio, o sistema acumula registros operacionais que orientaram parte dos requisitos técnicos fixados pelo Exército Brasileiro. A escolha pelo chassi Tatra T-815 6×6, o mesmo utilizado pelo sistema de foguetes ASTROS II MK nas versões mais recentes, foi um elemento adicional de padronização logística que pesou na avaliação.

O cronograma original previa a entrega dos dois exemplares do lote de amostra no segundo trimestre de 2025, a partir da assinatura do contrato inicial ainda em 2024. Aprovados os exemplares, o COLOG assinaria o contrato principal para as 34 unidades restantes, com entregas anuais até 2034. Cada mês de atraso comprime esse horizonte e encarece o programa.

Do lado da Ares, a maquete na parede continua esperando. A subsidiária brasileira da Elbit é o elo local de uma cadeia que, para ganhar vida, depende de uma decisão que está menos no plano técnico do que no plano da vontade política.

O que está em jogo além do obuseiro 
O atraso no ATMOS não é um caso isolado. Insere-se num padrão mais amplo de programas estratégicos do Exército que dependem de importação e que encontram resistências de diferentes origens. O contingenciamento de R$ 4,363 bilhões no orçamento do Ministério da Defesa, o maior corte nominal entre os ministérios no exercício de 2025, colocou em risco simultâneo o submarino de propulsão nuclear Álvaro Alberto, as fragatas Classe Tamandaré, os caças Gripen NG da FAB, as aeronaves KC-390 e os programas de sistemas terrestres.

No setor de munições, o quadro é sintomático: em janeiro de 2025, o Exército Brasileiro emitiu, por meio de sua comissão em Washington, um pedido de informações (RFI-0159/2025) para a aquisição de munições de 105 mm e 155 mm no exterior. O país que quer ser exportador de granadas de alcance estendido ainda busca no mercado internacional as munições básicas para operar seus obuseiros existentes.

Para a BID brasileira, a equação é conhecida: sem contratos, não há escala; sem escala, não há transferência de tecnologia que se sustente. A ToT prevista no contrato do ATMOS, que incluiria a modernização da IMBEL e a transformação da CSD em fornecedora global, só se materializa se o contrato existir. Enquanto a maquete fica na parede da Ares, o potencial industrial associado ao programa permanece no papel.

25 janeiro, 2025

IAV 2025: Exército Brasileiro busca adquirir MBT e IFV com alto grau de comunalidade


*European Security & Defence, por Pedro Felstead - 24/01/2025

Em seus planos de modernização para adquirir novos carros de combate principais (MBTs) e veículos de combate de infantaria (IFVs), o Exército Brasileiro está buscando obter soluções com alto grau de comunalidade, conforme foi revelado.

Em discurso na conferência internacional de veículos blindados (IAV 2025) da Defence iQ, realizada em Farnborough (Inglaterra) de 21 a 23 de janeiro, o general Hertz Pires do Nascimento, comandante do Comando Militar Sul do Exército Brasileiro, disse em 21 de janeiro que, ao substituir os MBTs Leopard 1 e os veículos blindados de transporte de pessoal (APCs) M113 do Brasil, o exército "está buscando plataformas com o mais alto nível possível de comunalidade".

O general observou que o projeto MBT está programado para começar em 2028 com o objetivo de fornecer ao exército uma frota de tanques “em linha com as tendências atuais na guerra de tanques”, mas que um subprograma “também inclui a implementação de um projeto de veículo de combate de infantaria”.

O Gen Hertz não deu mais detalhes sobre o programa, que poderia, por exemplo, envolver a aquisição de um IFV pesado sobre esteiras com uma variante de apoio de fogo direto, mas acrescentou: “Estamos buscando oportunidades de mercado internacional e potenciais parceiros para cooperar no desenvolvimento desses projetos com o objetivo de construí-los no Brasil”.

Em uma apresentação abrangente, o Gen Hertz também detalhou os atuais esforços de modernização do Exército Brasileiro. Em relação ao desenvolvimento das forças blindadas, ele observou que o Guarani 6×6 APC é o foco principal. Desenvolvido pela Iveco em colaboração com o Exército Brasileiro, o Guarani já está em serviço operacional, com o Gen Hertz observando que mais de 1.300 APCs Guarani serão finalmente entregues em diversas variantes, incluindo uma variante armada com um canhão Elbit de 30 mm operado remotamente, um veículo de posto de comando, veículos de defesa aérea com unidades de disparo e radar, veículos de comunicação e variantes de ambulância, além do APC básico. Uma variante de engenharia blindada, acrescentou o general, está nos estágios finais de avaliação e subsequente produção em série.

Para modernizar seus regimentos de cavalaria mecanizada e substituir seus carros blindados Engesa 6×6 Cascavel armados com canhões de 90 mm, o Exército Brasileiro selecionou o Centauro II armado com um canhão de 120 mm e construído pelo Consórcio Iveco – Oto Melara (CIO), disse o Gen Hertz. Ele acrescentou que o Exército Brasileiro concluiu a avaliação técnica e operacional de dois veículos de amostra e em breve espera assinar um contrato para 98 veículos. Enquanto isso, 98 Cascavel serão atualizados por um consórcio de empresas brasileiras contratadas em 2023 para estender suas vidas úteis, acrescentou o general. Enquanto os canhões de 90 mm dos Cascavel serão mantidos, parte da frota será armada com o míssil anti-tanque brasileiro MAX 1.2 AC (da SIATT) para aumentar seu poder de fogo.

Em relação aos veículos mais leves, o Gen Hertz disse que a introdução dos Iveco LMV-BR 2 4×4s “representa uma mudança significativa nas capacidades das brigadas mecanizadas”, acrescentando que algumas dessas plataformas já estão em serviço e que 420 veículos devem ser entregues até 2033 para substituir os veículos de carroceria macia atualmente em serviço.

Em termos de artilharia, o Gen Hertz observou o sucesso do programa estratégico de lançadores múltiplos de foguetes Astros do Brasil. Enquanto o sistema de artilharia Astros II entrou em serviço com o Exército Brasileiro no início dos anos 1990, o Astros II Mk6, que entrou em serviço em 2014, pode disparar mísseis de cruzeiro AVMT-300 brasileiros com alcance de 300 km.

O general também destacou o programa do Exército Brasileiro para adquirir obuses autopropulsados ​​(SPHs) de 155 mm. Em abril de 2024, foi anunciado que o exército havia selecionado a Elbit Systems de Israel para fornecer 36 de seus SPHs sobre rodas ATMOS, embora um contrato para esses sistemas tenha sido adiado pelo governo brasileiro em vista da conduta de Israel na guerra em Gaza.

10 setembro, 2023

Brasil irá adquirir obuseiros montados em veículos táticos. Parceria entre Avibras e Nexter?

Elbit Systems de Israel lançou o ATMOS 2000, um obuseiro de 155 mm/52 montado em um chassi 6x6, incorporando sistemas automatizados de carregamento e direção de tiro.

*Noticias de Israel - 10/09/2023

O Brasil  avança em sua modernização militar, concentrando seus esforços na aquisição de obuseiros de última geração montados em veículos táticos.

Objetivos Estratégicos da Atualização da Artilharia Brasileira

A força terrestre brasileira, na tentativa de aprimorar significativamente suas capacidades táticas, busca adquirir sistemas avançados de artilharia montados em chassis de veículos. Esta iniciativa está alinhada com o  Programa “VBCOAP 155 mm SR” , cujo núcleo é o fortalecimento das capacidades armamentistas nacionais. Esses sistemas substituirão os obuseiros M114A1, melhorando a mobilidade e a versatilidade de combate das unidades de artilharia.

Obuseiro autopropulsado CAESAR 8×8 do Exército Real Dinamarquês (SPH)

O gatilho para este projeto remonta a janeiro de 2022, quando foi mencionado pela primeira vez no portal “ InfoDefensa ”. O plano é adquirir dois sistemas de avaliação, visando ampliar a frota em mais trinta e quatro unidades.

Esta evolução da frota de artilharia procura dotar as forças armadas de mais meios móveis e de maior alcance de fogo, contrastando com os atuais sistemas rebocados e facilitando as operações em articulação com forças mecanizadas.

Comparação com sistemas de artilharia pré-existentes
Em contraste com os obuses autopropelidos sobre esteiras M109A3 e M109A5+, esses obuses táticos montados em veículos oferecem maior mobilidade e implantação rápida. Seu design permite operações estendidas em rodovias e minimiza necessidades de logística e manutenção.

Além disso, esses sistemas devem ser compatíveis com munições calibre 155 mm e oferecer alcance operacional de até 40 km, conforme especificações técnicas ditadas pelo Exército Brasileiro.

As principais empresas de defesa já demonstraram interesse em atender esta demanda, apresentando propostas tecnologicamente avançadas testadas em situações de combate.

Propostas e Alternativas para o Exército Brasileiro

A Elbit Systems  de Israel apresentou o ATMOS 2000, um obuseiro de 155 mm/52 montado em um chassi 6x6, incorporando sistemas automatizados de carregamento e direção de tiro. Com uma cadência de tiro que varia entre quatro e nove tiros por minuto, esta plataforma já foi adotada por diversas forças em todo o mundo, incluindo o exército colombiano.

Por seu lado, o  francês Nexter CAESAR  surge como uma opção robusta e versátil, adequada para ser integrada tanto em chassis 6×6 como 8×8. 

Surgiram rumores sobre uma possível aliança entre a empresa brasileira AVIBRAS e Nexter, que permitiria adaptar o chassi utilizado pelo sistema lançador de foguetes Astros Mk6, já em operação no Brasil.

Se este acordo for finalizado, a Nexter fornecerá os principais componentes do CAESAR, enquanto a AVIBRAS ficará responsável pela integração e adaptação aos chassis nacionais.

ASTROS III Sistema autopropelido de mísseis e lançamento de foguetes. (Foto Avibras)

Especificações CAESAR e seu papel potencial no Brasil
O CAESAR já provou seu valor em diversos teatros operacionais e sua versatilidade ao se adaptar a diferentes plataformas veiculares. Projetado para uma tripulação de cinco pessoas, possui sistemas avançados de navegação, assistência de carregamento, posicionamento automatizado e tempos de preparação e viagem altamente eficientes.

Seu canhão calibre 52 permite um alcance de até 42 km com munição ERFB e até 50 km com projéteis assistidos por propelente.

A escolha do Brasil pela artilharia montada em veículos reflete uma tendência global, já que inúmeras forças armadas estão optando por essas soluções devido à sua versatilidade e capacidade de resposta.

18 agosto, 2023

Exército solicita propostas para sistema de artilharia AP 155mm sobre rodas. Tupã, da Avibras, pode ser uma opção?

Sistema de Artilharia 155mm/52 AP SR Tupã, da Avibras Aeroespacial

*The Defense Post, por Inder Singh Bisht - 18/08/2023

O Exército Brasileiro solicitou propostas para adquirir um sistema de artilharia autopropulsada de 155 mm sobre rodas.

A Força pretende adquirir dois sistemas iniciais para avaliação, seguidos por mais 34 sistemas em diferentes tranches para armar três grupos de artilharia de campanha, informou Janes, citando o documento de solicitação.

O sistema destina-se a substituir o antigo obus rebocado M114A1 como parte das Forças Blindadas do Programa Estratégico do Exército para armar três unidades de artilharia de campanha.

O Exército tem mais de 1.400 peças de artilharia, incluindo 24 M109A3 e 24 obuseiros autopropulsados ​​M109A5 de 155 mm. No entanto, falta um sistema sobre rodas.

Requisitos e possíveis candidatos
Os requisitos exigem um chassi de caminhão de alta mobilidade 6 × 6 ou 8 × 8 com um alcance superior a 500 km que pode transportar até seis tripulantes. O veículo poderia ser equipado com um canhão padrão da OTAN calibre 52 montado, lançadores de granadas de fumaça de 76 mm montados no teto e um suporte para metralhadora de 12,7 mm ou 7,62 mm.

O sistema deve ser capaz de disparar munição OTAN convencional, de longo alcance e de precisão (até 40 quilômetros, revelou a Info Defensa em 2022), e incluir provisões para o conjunto padrão de comunicações do exército e o sistema de coordenação e comando de artilharia Gênesis da IMBEL.

Ainda de acordo com Info Defensa, a israelense Elbit Systems e a francesa Nexter Systems apresentaram suas plataformas, ATMOS e CAESAR.

A agência acrescentou que a empresa de defesa local Avibras Indústria Aeroespacial também poderia entrar na competição com seu 155mm/52 AP SR Tupã.

Sistema de Artilharia 155mm/52 AP SR Tupã
Conforme a Tecnodefesa publicou em janeiro de 2022, em ampla reportagem sobre o assunto, outro modelo que pode ressurgir é o Sistema de Artilharia 155mm/52 AP SR Tupã, da Avibras Aeroespacial, que em 2014, durante a feira francesa Eurosatory, anunciou uma parceria com a Nexter para adaptar o sistema de CAESAR nos veículos da família Astros MK6, com chassi Tatra T815-7 6X6, aproveitando também toda a estrutura de comando e controle (C2) e meteorológico do Sistema Astros 2020, padronizando a frota da Artilharia.

Este programa chegou a ter um convênio entre a empresa, o Centro Tecnológico do Exército (CTEx) e o Departamento de Ciência e Tecnologia (DCT) para seu desenvolvimento; porém, diversos problemas na época fizeram que fosse cancelado. Todavia, esse projeto pode retornar, talvez com outro sistema de armas e características, especialmente se a Avibras conseguir uma significativa injeção de capital de seu(s) novo(s) parceiro(s) estratégico(s).

Sistema de Artilharia 155mm/52 AP SR Tupã, da Avibras Aeroespacial




21 agosto, 2022

Brasil busca obuseiro autopropulsado de 155mm; CAESAR da Nexter, Archer da BAE e ATMOS da Elbit se destacam

CAESAR self-propelled howitzer [SPH - obuseiro autopropulsado]

*BulgarianMilitary.com - 21/08/2022

Pouco mais de um ano após o anúncio da diretriz para iniciar o projeto Veículo Autopropulsado de Combate com Rodas 155 mm, em julho de 2021, o Comando Logístico do Exército Brasileiro deu mais um importante passo neste programa, anunciando publicamente o lançamento do RFI/RFQ em 15 de agosto.

Este documento e seus dois anexos destinam-se a permitir legalmente a aquisição, por licitação internacional, de 36 obuseiros autopropulsados ​​de 155 mm [SPH: self-propelled howitzer - obuseiro autopropulsado].

Essa quantidade seria suficiente para três grupos de Artilharia Divisionária [AD] ou brigadas mecanizadas atualmente em processo de rearmamento pelo Programa Estratégico Guarani, que permite a destruição de alvos a distâncias de até quarenta quilômetros por meio de armas convencionais e/ou munições inteligentes com capacidade de alcance estendido.

Como parte do EEP Guaraní, esta iniciativa conta ainda com o apoio do Subprograma Estratégico do Sistema de Artilharia de Campanha [SPrg EE SAC] do Programa Estratégico para Alcançar a Capacidade Operacional Plena [OCOP].

Archer self-propelled howitzer

Consulta pública
A consulta pública ou “pedido de licitação” está marcada para o período entre os dias 17 de agosto e 10 de novembro, para consultar o mercado nacional e internacional sobre a capacidade de entrega de sistemas de armas para o projeto Veículo de Combate Blindado Autopropulsado 155mm Sobre Rodas [VBCOAP 155mm SR].

O objetivo da consulta 01/2022 é refinar e esclarecer as descrições contidas nos requisitos operacionais [EB20-RO-04.021] e os requisitos técnicos, logísticos e industriais [EB20-RTLI-04.010] aprovados em abril deste ano, e realizar uma pesquisa abrangente de preços.

Esse processo resultará em dois contratos, um para a compra de duas unidades para teste e avaliação, e o segundo para definir a compra de mais 34 unidades em um prazo de entrega de até oito anos.

Cooperação industrial
Entre os requisitos a serem atendidos com esta compra está o de fabricar sua munição de 155mm no Brasil, com ToT [transferência de tecnologia] para munições guiadas inteligentes e sistemas correlatos, algo considerado essencial, bem como a integração da arma com a plataforma de rodas no Brasil, em um caminhão militar tipo 6×6 ou 8×8, até um limite máximo de 21 toneladas para o conjunto completo, ou seja, teoricamente transportável pelas aeronaves Hercules C-130 ou KC-390 Millennium.

ATMOS self-propelled howitzer

Os contratos também devem prever as ações necessárias para possibilitar o treinamento de pessoal de operação e manutenção, a adequação/construção de infraestrutura para esse tipo de material novo para os militares e a pesquisa e criação de doutrina com vistas ao uso destes obuseiros por pelo menos 25 anos.

Três se destacam
Nos últimos 10 anos, diversos fabricantes, percebendo o desejo brasileiro por este sistema, ofereceram seus produtos aos militares brasileiros.

Três deles se destacam: o francês CAESAR (CAmion Équipé d'un Système d'ARtillerie), do KNDS [Nexter Systems], apresentado no Brasil em parceria com a Avibras Aeroespacial e Defesa; o israelense ATMOS, da Elbit Systems, apresentado aos militares em conjunto com a Ares Aeroespacial e Defesa; e o britânico-sueco Archer, da BAE Systems.

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