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23 maio, 2026

Avibras Aeroco: o portfólio que renasce, de foguetes a mísseis antiaéreos

Reestruturada com aporte de R$ 300 milhões do grupo J&F, a empresa retoma o ASTROS, avança nos mísseis de cruzeiro e balístico, e revela dois sistemas de defesa antiaérea, de baixa e média altitude 


*LRCA Defense Consulting - 23/05/2026

Em maio de 2026, quase quatro anos após um colapso financeiro que paralisou fábricas, atrasou salários por mais de 28 meses e desencadeou uma das mais longas greves da história da indústria de defesa brasileira, 1.280 dias, a Avibras voltou ao mapa. A empresa que criou o ASTROS, o sistema de lançadores múltiplos mais exportado da América Latina, reinicia suas operações sob o nome Avibras Aeroco, com nova estrutura societária, nova governança e um aporte de R$ 300 milhões do empresário Joesley Batista, do grupo J&F.

O plano de reestruturação foi aprovado por 99,2% dos credores e prevê ainda o pagamento de R$ 230 milhões em passivos trabalhistas. O Fundo Brasil Crédito, principal credor da antiga Avibras Indústria Aeroespacial, conduziu o processo e permanece como parte relevante da nova estrutura.

À frente da nova empresa, como diretor-presidente, está Sami Youssef Hassuani, engenheiro com mais de 40 anos de trajetória nos setores de defesa e aeroespacial e que já havia presidido a antiga Avibras. Sua presença sinaliza continuidade técnica e conhecimento profundo dos contratos e relações institucionais com o Exército Brasileiro.

A Avibras Aeroco tem sede em São José dos Campos, com instalações industriais em Jacareí e Lorena (SP), no coração do principal parque tecnológico e aeronáutico do Brasil. Todos os ativos industriais e tecnológicos da antiga Avibras foram preservados e incorporados à nova estrutura.

Sistema ASTROS: a referência mundial provada em combate
O carro-chefe da Avibras Aeroco é o ASTROS II MK6 (Artillery Saturation Rocket System), um sistema multicalibre de artilharia de foguetes e mísseis desenvolvido nos anos 1980 e comprovado em combate em múltiplos conflitos. É o único sistema do mundo capaz de lançar foguetes, mísseis balísticos e mísseis de cruzeiro táticos a partir de uma mesma plataforma, a distâncias entre 9 e 300 km.

O ASTROS foi desenvolvido originalmente a partir de contrato firmado em 1981 com o Iraque. Concluído em 1983, tornou-se o produto mais lucrativo da empresa, movimentando mais de US$ 1 bilhão em exportações nas décadas seguintes. Até hoje, oito países operam o sistema: Brasil, Iraque, Arábia Saudita, Qatar, Bahrein, Angola, Malásia e Indonésia.

O batismo de fogo do ASTROS ocorreu na primeira Guerra do Golfo, em 1991, quando Iraque e Arábia Saudita — dois operadores do sistema — empregaram-no intensamente em combate. O desempenho impressionou tanto que os Estados Unidos, durante a operação, priorizaram a destruição dos lançadores iraquianos como objetivo de alta importância. Mais tarde, o ASTROS seria empregado novamente pela coalizão árabe liderada pelos sauditas no conflito do Iêmen, no combate ao Estado Islâmico.

Na versão MK6, a mais moderna, o sistema utiliza chassis Tatra 815 (6x6 e 4x4), cabine blindada, comunicações digitais, navegação moderna e o radar de rastreamento Fieldguard 3 da Rheinmetall Air Defence. O ASTROS MK6 integra a munição de cruzeiro AV-TM 300, além dos foguetes convencionais de até 450 mm de calibre.

Em março de 2026, o Exército Brasileiro oficializou a transformação do programa ASTROS no que passa a se chamar "FOGOS", uma plataforma multidomínio que integrará artilharia de foguetes, mísseis de cruzeiro e, pela primeira vez, um sistema de defesa antiaérea contra drones — consolidando o ASTROS como o núcleo de um ecossistema de fogos de alta complexidade.

No âmbito dessa evolução contínua, a Avibras Aeroco estaria desenvolvendo uma nova variante do sistema, designada ASTROS II MK7, cujos primeiros detalhes teriam sido revelados em maio de 2026 pelo diretor-presidente da empresa ao perfil @Defence360 na rede social X. A principal novidade seria a capacidade de lançar o míssil tático balístico AV-SS 120, com alcance estimado na faixa dos 120 km, o que posicionaria o MK7 em patamar comparável ao do M270 MLRS norte-americano equipado com ATACMS, em termos de amplitude de alvos alcançáveis. 

A nova viatura lançadora 6x6 contaria ainda com maior autonomia operacional em relação às versões anteriores. Nenhum país da América Latina dispõe atualmente de um sistema de artilharia de foguetes com míssil balístico tático orgânico. Para os atuais operadores do MK6, o MK7 poderá ser oferecido como atualização que amplia significativamente o leque de opções táticas sem a necessidade de adquirir uma plataforma inteiramente nova.

ASTROS MK6 lançando um míssil AV-TM 300 "Matador"

Operação e exportações
A composição básica de uma bateria do ASTROS inclui seis viaturas lançadoras universais (AV-LMU), seis viaturas de remuniciamento, uma viatura de radar de controle de fogo (AV-UCF) e uma viatura de comando (AV-VCC). Essa arquitetura distribuída, baseada em plataformas rodadas, confere alta mobilidade ao sistema, um dos principais diferenciais competitivos no mercado internacional.

A Arábia Saudita, que opera o ASTROS desde 1987 com 60 viaturas, manifestou interesse em atualizar seu parque para o padrão MK6. O Egito também foi identificado como potencial comprador, e missões militares de Emirados Árabes Unidos, Qatar, Kuwait e Bahrein têm sido frequentes em exposições brasileiras de defesa nos últimos anos.

Míssil Tático de Cruzeiro: 300 km de alcance, em fase de certificação
O Míssil Tático de Cruzeiro (MTC), também designado AV-TM 300 ou “Matador”, é o projeto que concentra a maior atenção estratégica da Avibras Aeroco. Com alcance de até 300 km na versão de exportação, e superior a 1.000 km na versão destinada às Forças Armadas brasileiras, o míssil é movido a turbina, tem guiagem combinada por GPS e sistema inercial, e carrega uma ogiva de 200 kg com Círculo de Erro Provável (CEP) menor ou igual a 30 metros.

O míssil é lançado a partir da plataforma móvel do Sistema ASTROS 2020, aproveitando toda a infraestrutura logística, de comando e controle já existente. Quando certificado, o AV-TM 300 tornará o Brasil o único país da América do Sul com um míssil de cruzeiro indígena operacional.

O programa teve início no final dos anos 1990. Ao longo da década de 2010, avançou para fases de teste. Em setembro de 2020, o Ministério da Defesa anunciou que o míssil estava em fase final de desenvolvimento, com recursos alocados para conclusão. Em 2023, o Exército agendou novos lançamentos para obtenção de aprovação operacional. A crise da Avibras em 2022 interrompeu o ritmo do projeto, mas o site da Avibras Aeroco confirma que o MTC está em processo de certificação.

O componente propulsivo crítico é a turbina a jato desenvolvida pela Turbomachine (ex-Polaris), empresa brasileira com expertise específica nessa tecnologia. O CEP projetado é de 30 metros, precisão compatível com alvos estratégicos pontuais de alto valor, obtido pela combinação de guiagem inercial e GPS.

ASTROS MK6 lançando um míssil tático balístico AV-SS 100 (renderização)

Míssil Tático Balístico AV-SS 100: a nova fronteira de alcance
Enquanto o MTC segue trajetória rasante com guiagem precisa, a Avibras Aeroco desenvolve um segundo vetor estratégico: o Míssil Tático Balístico (MTB) AV-SS 100, com alcance máximo superior a 100 km. Diferentemente do míssil de cruzeiro, o MTB segue trajetória parabólica de alta altitude, atingindo velocidades muito maiores na fase terminal, dificultando significativamente a interceptação por sistemas de defesa adversários.

O AV-SS 100 é projetado para ser lançado a partir da plataforma do Sistema ASTROS, ampliando o ecossistema já existente sem novas viaturas de lançamento. Seu perfil de missão é o ataque de alta precisão a alvos táticos, operacionais e estratégicos entre 50 km e 100 km de distância, com baixo efeito colateral, eficaz contra pessoal, veículos e edificações de alto valor.

O programa é identificado internamente pelo Exército como S+100 e foi desenvolvido aproveitando o conhecimento acumulado no projeto S-80. Segundo o Escritório de Projetos Estratégicos do Exército (EPEx), o S+100 deverá ter interoperabilidade com outros sistemas da Avibras, reforçando a centralidade da empresa na arquitetura de fogos de longa distância do Brasil.

A combinação de três vetores distintos na mesma plataforma - foguetes de saturação, míssil de cruzeiro e míssil balístico - posicionaria o ASTROS MK6/FOGOS em patamar de superioridade funcional sobre a maioria dos sistemas comparáveis disponíveis no mercado internacional.

Sistema de Foguetes Skyfire 70 mm na versão ar-terra

Sistema Skyfire 70 mm: da aviação à artilharia leve
O Sistema de Foguetes Skyfire 70 mm é um dos produtos mais maduros e operacionais do portfólio da Avibras Aeroco. Evolução direta da família SBAT-70 (Sistema Brasileiro Ar-Terra), desenvolvida nos anos 1980, o Skyfire oferece desempenho superior a sistemas convencionais de 70 mm graças a motores de alta energia e cabeças de guerra intercambiáveis.

Versão ar-terra
Na configuração aeronáutica, o Skyfire é compatível com praticamente todos os modelos de aeronaves de asa fixa e helicópteros. Pesa 11,28 kg, mede 1.430 mm de comprimento e tem alcance efetivo de 4.700 m com velocidade de engajamento de 820 m/s. O motor-foguete padrão é o AV-SF 70 M9.

O Exército Brasileiro qualificou o Skyfire-70 no helicóptero HA-1 Fennec (Airbus H125), em campanha de testes realizada pelo Centro de Avaliações do Exército (CAEx). O lançador múltiplo AV-LM 70/19-SF, desenvolvido com a Helibras, foi aprovado para uso na plataforma.

Versão terra-terra
A versão superfície-superfície, designada AV-SS 12/36, é especialmente indicada para forças especiais e artilharia leve. Pode ser rebocada ou montada sobre viaturas leves 4x4, e também pode ser transportada por helicóptero. Sua principal característica tática é a capacidade de disparar uma rajada de 36 foguetes de 70 mm em apenas 12 segundos, com alcance de até 12 km.

As cabeças de guerra disponíveis cobrem múltiplos efeitos: anticarro, antipessoal, antimaterial, flechete, antipista e versões de exercício (inerte e sinalizadora). Uma derivação do Skyfire é empregada como munição de treinamento (subcalibre) do Sistema ASTROS. O motor, as cabeças de guerra e os lançadores do Skyfire-70 estão certificados pelo IFI.

Em outubro de 2023, o Centro de Obtenções do Exército (COEx) assinou contrato com a Avibras para aquisição de um lote de foguetes Skyfire-70 com cabeça de guerra antipessoal (AVC-70 HE), demonstrando que a demanda operacional pelo sistema permanece ativa mesmo durante o período de crise da empresa.

Defesa antiaérea: o capítulo inédito do portfólio
Um dos elementos mais relevantes do portfólio da Avibras Aeroco, e que passou praticamente despercebido na cobertura da retomada da empresa, é a declaração de dois sistemas de defesa antiaérea: um para baixa altitude e outro para média altitude. Embora ambos tenham raízes em parcerias anteriores ao colapso de 2022, sua presença ativa no novo site corporativo sinaliza que a Avibras Aeroco pretende reativá-los como produtos comerciais.

Uma distinção que o site da empresa revela
Uma leitura atenta do site da Avibras Aeroco oferece uma pista relevante sobre o estágio atual de cada um dos dois sistemas antiaéreos. Ao descrever o Sistema FILA, a empresa usa o pretérito: "a Avibras, em parceria com empresas internacionais, desenvolveu o Sistema FILA". Ao descrever o sistema de média altura, o tempo verbal muda para o presente do indicativo: "em cooperação com parceiros internacionais, a Avibras desenvolve..."

Não se trata de descuido de redação. A diferença é semanticamente precisa e juridicamente relevante em um site corporativo: o FILA é apresentado como uma realização concluída, um produto com histórico, enquanto o sistema de média altura é descrito como um projeto em curso, com parceiros ativos. 

A Avibras Aeroco, portanto, sinaliza de forma inequívoca, ainda que sem nomear os parceiros, que o desenvolvimento do sistema antiaéreo de média altura não foi encerrado com a crise de 2022 e que segue em andamento sob a nova estrutura da empresa. No contexto da escolha do EMADS pelo Exército Brasileiro e da arquitetura aberta do sistema, essa distinção adquire significado estratégico adicional: a empresa se posiciona não como quem perdeu o programa, mas como quem ainda tem um papel a desempenhar nele. 

Sistema antiaéreo de baixa altitude FILA

Sistema FILA para defesa antiaérea de baixa altura
O Sistema FILA (Fighting Intruders at Low Altitude, ou “atacante de invasores à baixa altitude”) foi a primeira incursão da Avibras no mercado de defesa antiaérea. Desenvolvido na década de 1980 em cooperação com a empresa sueca Bofors e com o Centro Tecnológico do Exército (CTEx), o FILA é uma unidade de controle de fogo (Equipamento de Direção de Tiro — EDT) para defesa antiaérea de baixa altitude.

O sistema é munido de múltiplos radares, sensores eletro-ópticos e computadores de tiro capazes de controlar simultaneamente canhões antiaéreos de 35 mm e 40 mm e mísseis terra-ar, para defesa de ponto contra alvos múltiplos. O Exército Brasileiro adquiriu o sistema em 1983, integrando-o aos canhões automáticos Bofors L70 de 40 mm (M985). O inventário chegou a incluir 26 canhões Bofors e 13 EDT FILA, que equiparam os seis Grupos de Artilharia Antiaérea por quatro décadas.

Em março de 2023, o Exército desativou formalmente o sistema Bofors/FILA 40 mm, junto ao Oerlikon/Contraves de 35 mm, por portarias publicadas no Boletim do Exército. A decisão marcou uma mudança estrutural na estratégia antiaérea da Força Terrestre, que passou a depender de mísseis (RBS 70 da Saab e Igla-S russo) e das futuras viaturas Guarani antiaéreos.

O site da Avibras Aeroco, no entanto, não apresenta o FILA como produto histórico, e sim como sistema atual, descrevendo-o como capaz de integrar sensores, radares e sistemas de controle de fogo capazes de controlar canhões e mísseis. A linguagem indica que a empresa posiciona uma versão modernizada do conceito FILA como oferta de portfólio. O parceiro internacional não é identificado nominalmente no site, mas o histórico aponta a Bofors (hoje parte do grupo BAE Systems) como o parceiro fundador.

O canhão do FILA na guerra dos drones
A relevância operacional do Sistema FILA ganhou um capítulo inesperado no conflito da Ucrânia. O canhão Bofors L70 de 40 mm, o mesmo tubo que o EDT FILA da Avibras controlava no Exército Brasileiro, está sendo empregado com eficácia comprovada no abate de drones kamikazes tipo Shahed-136 operados pela Rússia.

A partir de 2023, a Lituânia transferiu à Ucrânia 36 unidades do L70, desativadas de seu próprio exército, especificamente para o combate a esse tipo de ameaça. A Holanda contribuiu com outras 17 unidades. O sistema se revelou uma resposta pragmática e de baixo custo: o Shahed-136 voa lentamente (cerca de 185 km/h), em baixa altitude e sem manobras evasivas, tornando-se um alvo relativamente acessível para um canhão antiaéreo de 40 mm com alcance efetivo de 3 a 4 km. Combatentes da 5ª Brigada Slobozhanska da Guarda Nacional da Ucrânia, operando na região de Kharkiv, registraram mais de 19 abates com um único canhão.

Há, porém, uma distinção técnica importante: o que está sendo empregado na Ucrânia é o canhão em si, sem o EDT FILA. As tripulações ucranianas operam o L70 com miras ópticas básicas e pontaria manual, o que aumenta a carga de trabalho, mas não elimina a eficácia do sistema contra alvos lentos e previsíveis como o Shahed. O cérebro do sistema original - com seus radares, sensores eletro-ópticos e computadores de tiro da Avibras - não integra o lote transferido.

O episódio reforça, paradoxalmente, o argumento em favor da modernização do conceito FILA que a Avibras Aeroco sinaliza em seu portfólio: a guerra na Ucrânia demonstrou que canhões antiaéreos de médio calibre, quando dotados de sistemas de controle de fogo modernos e munições programáveis, constituem uma camada de defesa eficiente e economicamente viável contra a ameaça de drones de baixo custo e alta eficiência, exatamente o nicho que o FILA, em versão atualizada, poderia ocupar. 

Sistema de Defesa Antiaérea de Média Altura e a parceria com a MBDA
O segundo sistema antiaéreo da Avibras Aeroco é o mais estrategicamente ambicioso e o que possui o histórico de parceria mais bem documentado. Em novembro de 2014, a Avibras e o consórcio europeu MBDA, maior fabricante de mísseis da Europa, apresentaram ao Exército Brasileiro, no Seminário de Proteção em Grandes Eventos realizado em Brasília, o conceito desenvolvido em conjunto para a defesa antiaérea de média altitude. O projeto envolvia a adaptação do CAMM (Common Anti-Air Modular Missile), míssil de nova geração da MBDA com capacidade multiplataforma, para uso brasileiro. Recebeu a denominação AV-MMA (Míssil Modular Antiaéreo) e previa o aproveitamento das plataformas, veículos e tecnologias já desenvolvidas para o Sistema ASTROS 2020, com cerca de 70% de conteúdo nacional.

A história da parceria Avibras/MBDA nesse campo começa ainda antes de 2014. Na LAAD 2013, a Avibras já havia apresentado um conceito antiaéreo baseado no MICA VL, outro míssil da MBDA, associado ao caça Dassault Rafale, então finalista do programa FX-2 da FAB. Com a não seleção do Rafale, o foco migrou para o CAMM, que, anos depois, seria adotado pela Marinha do Brasil para equipar as fragatas da Classe Tamandaré.

O projeto AV-MMA, no entanto, não chegou a ser contratado. O colapso financeiro da Avibras em 2022 encerrou esse ciclo em um momento crítico: quando o Exército acelerou o processo de obtenção de um sistema antiaéreo de média altura, entre 2024 e 2025, com caráter de urgência operacional, a empresa simplesmente não existia como fornecedor confiável.

A decisão do Exército veio em dezembro de 2025. Por meio da Portaria EME/C Ex nº 1.086, a Força formalizou a escolha do sistema EMADS (Enhanced Modular Air Defence Solutions), da MBDA, como solução para preencher a histórica lacuna de defesa antiaérea de média altura e médio alcance. A aquisição ocorrerá via acordo Governo a Governo (G2G) com a Itália, modelo ágil, com forte supervisão estatal e histórico consolidado na cooperação bilateral em defesa, que inclui programas como o AMX, os blindados Guarani e Centauro II e os veículos Guaicurus. A configuração prevista inclui quatro viaturas radar Kronos Land (Leonardo) e seis viaturas lançadoras de oito mísseis cada, compondo três baterias integradas ao Link-BR2. O míssil escolhido é o CAMM-ER (versão de alcance estendido, superior a 45 km), da mesma família que equipa as fragatas Tamandaré, o que garante interoperabilidade logística entre o Exército e a Marinha e reduz custos de manutenção e treinamento. O investimento estimado é de até R$ 5 bilhões.

A Avibras Aeroco não integra essa primeira fase, pois esse contrato já está definido. Existe, porém, uma janela de oportunidade nas fases seguintes do programa, sustentada por dois pilares. O primeiro é a arquitetura aberta do EMADS, que comprovadamente permite a integração de radares e subsistemas de origens diferentes: o Reino Unido opera o EMADS com radares da Saab; a Itália usa o Kronos Land da Leonardo no Exército e o X-TAR 3D da Rheinmetall em sua Força Aérea. A diretriz do Exército Brasileiro prevê explicitamente a integração futura com radares desenvolvidos pela Base Industrial de Defesa nacional. O segundo pilar é a perspectiva de produção local de mísseis: o ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, sinalizou que a aquisição do EMADS poderá abrir caminho para a fabricação de mísseis no Brasil, mediante transferência de tecnologia com a Itália.

Se esse cenário se concretizar, a Avibras Aeroco, que tem parceria histórica declarada com a MBDA e que desenvolveu o projeto AV-MMA ao longo de uma década, seria a candidata natural para sediar essa produção no país, dado que nenhuma outra empresa nacional acumula experiência equivalente em integração de sistemas de mísseis superfície-ar nessa faixa de altitude. O fato de a Avibras Aeroco manter ativo o sistema de média altura em seu portfólio sugere que as conversas com a MBDA não foram encerradas. Além disso, a linguagem utilizada pela empresa é compatível com a continuidade da parceria com a MBDA, sem excluir eventuais outras colaborações.

Há, porém, uma complicação técnica relevante: o Exército escolheu o CAMM-ER, não o CAMM base do projeto AV-MMA original. O CAMM-ER tem alcance quase dobrado e motor diferente, o que significa que qualquer proposta de produção nacional ou integração industrial teria de ser renegociada com a MBDA em torno de um míssil mais complexo do que aquele previsto em 2014.

Sistema de defesa antiaérea de média altitude no ASTROS MK6 (renderização)

Contexto estratégico: por que esses sistemas importam agora
A retomada da Avibras Aeroco ocorre em um momento em que a demanda global por sistemas de defesa, especialmente artilharia de longo alcance e defesa antiaérea, está em seu pico histórico. O emprego intensivo de drones, foguetes e mísseis de cruzeiro nos conflitos da Ucrânia e do Oriente Médio demonstrou tanto a eficácia quanto a vulnerabilidade de forças que carecem de capacidade antiaérea robusta em múltiplas camadas de altitude.

O projeto da empresa adquire relevância no contexto do Projeto Estratégico de Defesa Antiaérea do Exército Brasileiro, cujo objetivo central é recuperar e ampliar a capacidade de defesa de baixa e média altitude. Esse objetivo tornou-se mais urgente com a desativação dos sistemas Bofors/FILA e Oerlikon/Contraves em 2023 e a ausência de um substituto de tubo adequado para a baixa altitude. 

Para o Brasil, a Avibras Aeroco é um ativo estratégico insubstituível no horizonte imediato. O Exército Brasileiro apresentou ao presidente do País um plano de modernização de defesa avaliado em R$ 456 bilhões até 2040, com o míssil tático de cruzeiro (AV-TM 300) e o míssil balístico (S+100) como projetos prioritários. Ambos dependem diretamente da retomada operacional da Avibras.

No campo das exportações, a empresa retorna ao mercado em posição mais ambiciosa. A parceria com a Milanion NTGS, firmada na World Defence Show 2024 em Riade, indica o posicionamento da Avibras para oferecer sistemas ao mercado saudita e do Golfo Pérsico, uma região que historicamente é o maior comprador do ASTROS e que hoje enfrenta ameaças de mísseis e drones de longo alcance.

A questão central que analistas apontam é de natureza financeira e estrutural: programas de desenvolvimento de mísseis exigem décadas de investimento continuado. O aporte de R$ 300 milhões do grupo J&F é substancial, mas cobre apenas a estabilização inicial. A capacidade do novo modelo societário de sustentar projetos de longo prazo, especialmente o AV-TM 300 e os sistemas antiaéreos, será o teste decisivo da nova fase da empresa.

Portfólio da Avibras Aeroco — síntese de dados

ASTROS II MK6  |  Foguetes de 9 a 300 km  |  Exportado a 8 países

MTC (AV-TM 300 “Matador”)  |  Alcance: 300 km (exportação)  |  Guiagem: GPS + inercial  |  Em certificação

AV-SS 100 (MTB)  |  Alcance: 50–100 km  |  Plataforma ASTROS  |  Em desenvolvimento

Skyfire 70 mm  |  Ar-Terra e Terra-Terra  |  Alcance: até 12 km  |  Rajada: 36 foguetes em 12 s

FILA (renovado)  |  Baixa altura  |  Parceiro histórico: Bofors (Suécia)

Sistema média altura  |  Parceiro: MBDA (Europa)  |  Míssil base: CAMM  |  Designação: AV-MMA


15 janeiro, 2026

Eve Air Mobility garante financiamento de até US$ 15 milhões de bancos americanos para desenvolvimento de eVTOL

Acordo com EXIM Bank e PEFCO fortalecerá cadeia de suprimentos nos EUA e acelerará fase de testes da aeronave elétrica brasileira 


*LRCA Defense Consulting - 15/01/2026

A Eve Air Mobility, subsidiária da Embraer focada em mobilidade aérea urbana, anunciou nesta quinta-feira (15) um acordo de financiamento com duas instituições financeiras americanas que pode totalizar até US$ 15 milhões. Os recursos serão destinados exclusivamente a fornecedores americanos envolvidos no programa de desenvolvimento do veículo elétrico de decolagem e pouso vertical (eVTOL) da companhia.

O financiamento será fornecido pela Export-Import Bank of the United States (EXIM Bank), agência de crédito à exportação do governo federal americano, em parceria com a Private Export Funding Corporation (PEFCO), corporação privada que trabalha em conjunto com o EXIM Bank para financiar exportações dos EUA.

Investimento em baterias e engenharia
Segundo o comunicado da Eve, os recursos do empréstimo serão aplicados na aquisição de baterias e serviços de engenharia fornecidos pela BAE Systems, gigante britânica de defesa e aeroespacial com operações significativas nos Estados Unidos. Esses componentes e serviços são considerados críticos para as fases de desenvolvimento e testes da aeronave eVTOL.

Eduardo Siffert Couto, diretor financeiro da Eve Air Mobility, destacou que o acordo representa um voto de confiança no modelo de negócios da empresa e no futuro da mobilidade aérea urbana. "Isso fortalecerá a cadeia de suprimentos da Eve nos EUA ao proporcionar flexibilidade financeira crítica, acelerando a adoção de viagens aéreas sustentáveis globalmente", afirmou o executivo.

Contexto estratégico
O anúncio ocorre em um momento crucial para a Eve, que compete em um mercado global aquecido de eVTOLs, com dezenas de fabricantes disputando posição para comercializar os primeiros táxis aéreos elétricos. A empresa já acumula um portfólio de mais de 2.900 encomendas condicionais de sua aeronave.

A decisão de estruturar o financiamento através do EXIM Bank também reflete a estratégia da Eve de fortalecer sua presença nos Estados Unidos, maior mercado potencial para mobilidade aérea urbana. Ao vincular os recursos a fornecedores americanos, a empresa não apenas diversifica sua cadeia de suprimentos, mas também constrói relacionamentos estratégicos com o ecossistema aeroespacial dos EUA.

A BAE Systems, escolhida como fornecedora principal neste acordo, possui expertise reconhecida em sistemas de energia e eletrônicos de aviação, áreas essenciais para o sucesso de aeronaves elétricas que dependem de tecnologia de baterias avançada e sistemas de gerenciamento de energia sofisticados.

Perspectivas
O financiamento oferece à Eve maior flexibilidade financeira durante a fase mais intensiva em capital de seu programa eVTOL. A empresa ainda não divulgou cronograma atualizado para início das operações comerciais, mas o investimento em desenvolvimento e testes indica progressão rumo à certificação da aeronave.

O mercado de mobilidade aérea urbana é visto como um dos segmentos mais promissores da aviação nas próximas décadas, com projeções que apontam movimentação de bilhões de dólares à medida que as regulamentações forem estabelecidas e a tecnologia amadurecer.

06 julho, 2025

Eve, da Embraer, poderá ter uma variante eVTOL para aplicações militares e de segurança?


*LRCA Defense Consulting - 06/07/2025

Em 2020, a Embraer lançou a Eve Urban Air Mobility Solutions, Inc. (hoje Eve Holding) como uma empresa nova e independente dedicada a desenvolver o ecossistema da Mobilidade Aérea Urbana. O estrondoso sucesso da empresa após seu lançamento fez também com que a Embraer firmasse, em julho de 2022, um Memorando de Entendimento (MoU) com a poderosa BAE Systems visando criar uma joint venture para reunir as reconhecidas competências de ambas com foco no potencial desenvolvimento de uma variante de defesa, que terá a Eve como fornecedora da plataforma.

“As equipes da Embraer e da BAE Systems continuarão trabalhando juntas para explorar como a aeronave, projetada para o mercado de mobilidade urbana, pode ser uma variante de defesa com baixos custos operacionais, sustentável e adaptável”, explicou Jackson Schneider, então Presidente e CEO da Embraer Defesa & Segurança.

Além da BAE Systems, a Embraer e a Eve estão associadas a diversos e importantes grupos ligados às indústrias de defesa e de aviação, como o Thales Group, um líder global em soluções tecnológicas, serviços e produtos nas áreas de defesa, aeronáutica, aeroespacial, transporte, identidade digital e mercados de segurança.

A expertise adquirida pela Embraer desde então fez com com que a empresa se voltasse novamente para o mercado de drones militares, visando uma solução mais leve e totalmente nacional. Assim, em setembro de 2022, a Embraer anunciou a assinatura de acordo de investimento para participação minoritária na XMobots, empresa localizada em São Carlos (SP), classificada como a maior companhia de drones da América Latina e fabricante do Nauru 1000C, o RPAS CAT 2 (Remotely Piloted Aircraft System) selecionado pelo Exército Brasileiro para missões ISTAR (Inteligência, Vigilância, Aquisição de Alvos e Reconhecimento), pesando 150kg.

A matéria abaixo evidencia a visão correta da Embraer ao planejar, há cerca de três anos, o desenvolvimento de um eVTOL voltado para aplicações militares e de segurança.

Exército Indiano Explora Tecnologia eVTOL para Aplicações Militares 

*Indian Defence Research Wing - 01/07/2025

O Exército Indiano está avaliando ativamente o potencial de aeronaves elétricas de decolagem e pouso vertical (eVTOL), desenvolvidas por startups indianas, para uma gama de aplicações militares, de acordo com fontes citadas pelo idrw.org. Essas aeronaves elétricas projetadas localmente, que incluem configurações para passageiros e carga, estão sendo estudadas por sua utilidade em missões militares, incluindo transporte de tropas, logística, evacuação médica e operações especializadas em terrenos remotos e desafiadores. A iniciativa sinaliza uma mudança estratégica em direção ao aproveitamento de tecnologia local de ponta para aumentar a eficiência operacional e, ao mesmo tempo, reduzir custos.

Ao contrário dos helicópteros tradicionais, que são máquinas complexas com componentes mecânicos complexos, como rotores, caixas de engrenagens e motores de combustão, os eVTOLs dependem de sistemas de propulsão elétrica que exigem significativamente menos manutenção. Os helicópteros são notórios por seus altos custos de manutenção devido a cronogramas de manutenção frequentes e intensivos em mão de obra, que envolvem peças especializadas e pessoal qualificado. Em contrapartida, as aeronaves elétricas, com menos peças móveis e designs mais simples, oferecem demandas de manutenção reduzidas, tornando-as particularmente adequadas para operações em locais remotos onde o suporte logístico é limitado. Essa característica se alinha perfeitamente com a necessidade do Exército Indiano por plataformas confiáveis ​​e de baixa manutenção em diversos ambientes operacionais, desde regiões de alta altitude como Ladakh até áreas urbanas densamente povoadas.

Startups indianas como a ePlane Company e a Sarla Aviation estão na vanguarda do desenvolvimento de eVTOLs econômicos, adaptados para diversas funções, incluindo transporte de passageiros, entrega de cargas e missões médicas. Por exemplo, a ePlane fechou um acordo de US$ 1 bilhão para fornecer 788 ambulâncias aéreas eVTOL para a ICATT, com planos para operações comerciais até o final de 2026. Essas aeronaves são projetadas para operar a baixos custos — a ePlane afirma uma economia unitária de US$ 0,49 por passageiro-milha, significativamente inferior às médias globais — tornando-as uma opção atraente para aplicações militares onde a eficiência de custos é crucial. Da mesma forma, o Shunya eVTOL da Sarla Aviation, projetado para mobilidade aérea urbana, oferece capacidade de carga de 680 kg e configurações para missões de evacuação de passageiros, cargas e médicas, com alcance de até 160 km e velocidades de até 250 km/h.

O Exército Indiano vê um potencial significativo nos eVTOLs para missões como o rápido deslocamento de tropas, reabastecimento em áreas contestadas ou remotas e evacuação de vítimas. A capacidade dos eVTOLs de decolar e pousar verticalmente elimina a necessidade de pistas, permitindo operações em ambientes austeros onde helicópteros tradicionais ou aeronaves de asa fixa podem enfrentar limitações. Além disso, a operação mais silenciosa dos sistemas de propulsão elétrica — em comparação com a alta assinatura acústica dos helicópteros — aumenta a furtividade, uma vantagem crítica em operações militares.

Outro fator-chave que impulsiona o interesse do Exército é o potencial de redução dos custos do ciclo de vida. À medida que a produção aumenta e a tecnologia de baterias avança, espera-se que os custos de fabricação dos eVTOLs diminuam, tornando seu preço inicial de compra mais competitivo do que o de helicópteros convencionais. O Exército Indiano também se sente atraído pelos benefícios de sustentabilidade dos eVTOLs, que produzem zero emissões e se alinham ao crescente foco militar em soluções ecologicamente corretas. A capacidade de carregar eVTOLs usando sistemas portáteis, como painéis solares dobráveis ​​ou pequenas turbinas eólicas, aumenta ainda mais sua adequação para bases operacionais avançadas em regiões remotas.

A exploração de eVTOLs pelo Exército faz parte de uma tendência mais ampla de alavancar o crescente ecossistema de startups da Índia para atender às necessidades de defesa. Empresas como a VTOL Aviation India já estão trabalhando em drones híbridos-elétricos e totalmente elétricos para transporte de cargas pesadas, como o Abhiyaan ENU800, que pode transportar cargas úteis de até 200 kg para missões de carga militar. Esses esforços são apoiados por iniciativas governamentais como o "Make in India", que visa fomentar a fabricação nacional e reduzir a dependência de fornecedores estrangeiros.

Embora a tecnologia eVTOL seja imensamente promissora, ainda existem desafios, incluindo a necessidade de uma infraestrutura de carregamento robusta, certificações regulatórias e a garantia da confiabilidade da bateria em condições extremas. Startups indianas estão superando esses obstáculos colaborando com instituições como o Instituto Indiano de Tecnologia (IIT) e fornecedores licenciados pela DRDO para localizar a produção e aumentar a resiliência tecnológica. Por exemplo, a ePlane está trabalhando com parceiros de infraestrutura para implantar carregadores de bateria de alta capacidade em vertiportos, enquanto a Sarla Aviation está aproveitando a expertise global de profissionais com experiência em empresas como Joby Aviation e Lilium. 

03 fevereiro, 2024

Drones: Embraer mira um mercado que atingirá US$ 100 bilhões até 2032


*LRCA Defense Consulting - 04/02/2024

A matéria publicada por Prakash Nanda no The Eurasian Times permite entender o pesado investimento que a Embraer está fazendo na XMobots, maior fabricante de drones da América Latina.

Explica também, por exemplo, porque a gigante britânica BAE Systems adquiriu as fabricantes de drones Malloy Aeronautics, no dia 02 último, e Prismatic em 2021, além de estar estudando parceria com a QinetiQ, todas do Reino Unido.
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Mercado de drones atingirá US$ 100 bilhões até 2032; EUA e Ásia-Pacífico impulsionarão a demanda global por robôs assassinos

*The EurAsian Times, por Prakash Nanda - 02/02/2024

Na verdade, o ataque na noite de 27 de janeiro que matou três reservistas do Exército dos EUA da 718ª Companhia de Engenharia, com sede na Geórgia, e feriu mais de 40 soldados, todos dormindo em uma tenda que servia como alojamento temporário em uma base avançada chamada Torre 22 ( localizado perto da fronteira entre a Jordânia, o Iraque e a Síria), provou o imenso poder dos drones nas guerras modernas, sejam elas grandes ou pequenas, e quer sejam levadas a cabo por intervenientes estatais ou não estatais.

O ataque foi supostamente obra de uma organização radical chamada “Kataib Hezbollah ”, um grupo de milícias apoiado pelo Irão que os EUA já responsabilizaram pelos ataques no Iraque e na Síria.

O próprio fato do seu “drone kamikaze” ter atingido o alvo e ter explodido ao penetrar na defesa aérea é algo que os analistas militares consideram ser um grave lapso. Eles não estão convencidos pela justificativa oficial de que o drone kamikaze voando baixo se aproximou ao mesmo tempo em que se esperava que um drone de vigilância dos EUA pousasse e, portanto, não fosse atacado pelas defesas aéreas.  

Afinal, sabe-se que a Torre 22 foi vigiada por um radar phased array do tipo AN/TPS-75 PESA, normalmente usado pela Força Aérea dos EUA para controle de voo e alerta precoce e supostamente tinha defesas contra drones.

Diz-se que Stingers e C-RAM são contra drones. O C-RAM também pode disparar morteiros e foguetes de artilharia, que também são formas comuns de ataque.

A Torre 22 os possuía, junto com alguns outros sistemas anti-UAS, como bloqueadores de drones portáteis ou drones interceptadores Coyote. No entanto, estes não foram utilizados porque o sistema de defesa não conseguia distinguir entre a vigilância amiga e o drone kamikaze inimigo.

A falha na  identificação das ameaças de drones que se aproximam (erro de identificação de amigo ou inimigo) tem sido explorada por adversários americanos no Médio Oriente nos últimos meses. Na verdade, uma hora  e meia depois do ataque à Torre 22, representantes iranianos lançaram outro drone contra outra base americana do outro lado da fronteira na Síria, al-Tanf Garrison. No entanto, desta vez, um drone dos EUA, o sistema aéreo desenroscado Coyote da RTX, o derrubou.

Alegadamente, desde o início da guerra Israel-Hamas em 7 de Outubro de 2023, ocorreram cerca de 165 ataques montados em várias bases dos EUA no Iraque e na Síria por grupos militantes apoiados pelo Irão, apelidados coletivamente de “Eixo da Resistência”. Estes ataques podem não ter sido considerados fatais, mas permanece o fato horrível  de que 170  soldados norte-americanos ficaram  feridos no processo.

Deve-se notar que o Irã é um fabricante líder de drones kamikaze de muitas variedades, como o Shahed-136 e o ​​131, que costumam usar foguetes propulsores para lançamento. E o Irã fornece-os em bom número aos seus representantes regionais, como o Hamas, o Hezbollah e os rebeldes Houthi no Iêmen. Também foram partilhados com os militares russos na  guerra na Ucrânia.

Obviamente, existe agora uma pressão sistemática sobre o establishment militar dos EUA (e o mesmo se aplica a outros países) para conceber e desenvolver capacidades anti-drones mais eficazes. A tarefa é desafiadora, no entanto. Porque, para estes drones baratos, idealmente não se pode permitir contramedidas altamente caras, como o uso de baterias de mísseis de defesa aérea Patriot (3-4 milhões de dólares por míssil).

Drones militares agora dominam o mercado

Em segundo lugar, a evolução da inteligência artificial (IA) está a tornar os drones cada vez mais potentes a cada dia que passa. A IA está tornando a análise de fusão de dados e sensores de drones significativamente mais eficaz, permitindo que algoritmos complexos e aprendizado de máquina criem uma compreensão muito melhor do ambiente circundante do drone.

Diz-se que está melhorando os sistemas de comunicação e a segurança cibernética de dados críticos obtidos, interpretados, analisados ​​e transmitidos por drones.

A IA facilitou o que é chamado de “inteligência de enxame”. Permite que os drones funcionem de forma coordenada e coerente num “enxame”, o que permite aos militares lançar uma barragem de drones que pode subjugar o inimigo e executar tarefas militares táticas e estrategicamente importantes, aumentando assim ainda mais a utilidade individual de um drone.

A IA também está permitindo que os drones se tornem “autônomos”. Outrora um conceito imaginário, a IA tornou possível uma nova forma de guerra, utilizando drones que são “robôs assassinos”, que podem ser baseados no solo, no ar ou na água.  Eles estão totalmente armados e são usados ​​para rastrear forças inimigas, observar  comportamento e coletar informações cruciais.  

Isso explica por que uma pesquisa recente mostra que os drones militares agora dominam o mercado global de drones, com uma importante participação nas receitas de 48,6%, e os drones de lâmina rotativa lideram o segmento de tecnologia, com uma participação de 62,4%. A segurança e a aplicação da lei estão a impulsionar o crescimento no segmento da indústria de utilização final, representando uma quota significativa de receitas de 26,4 %.

Mercado global de drones
O mercado global de drones foi estimado em 34,5 bilhões de dólares até ao final de 2023 e deverá  testemunhar  um crescimento substancial, atingindo  101,1 bilhões de dólares em 2032. O mercado está preparado para um aumento notável, com uma Taxa Composta de Crescimento Anual (CAGR) projetada de 12,7%  durante o período de previsão de 2023 a 2032.

Região Indo-Pacífico lidera o mercado

Geopoliticamente falando, esta pesquisa também revela que a região Indo-Pacífico lidera o mercado com uma importante participação nas receitas de 39,6%. As robustas capacidades de produção da região tornaram-na numa importante produtora de drones, atendendo à procura interna e global. As suas diversas indústrias, da agricultura à construção, beneficiam-se das versáteis aplicações dos drones.

Além disso, “ambientes regulatórios favoráveis ​​e apoio governamental em países como a China incentivaram a inovação e a adoção de drones. A vasta população da região apresenta um mercado consumidor significativo para drones de consumo.

À medida que a região Ásia-Pacífico continua a investir em tecnologia e aplicações de drones, consolida a sua posição como líder no mercado global desses aparelhos.

“No entanto, espera-se que a região da América do Norte cresça no CAGR mais rápido durante todo o período de previsão. Espera-se que o investimento substancial em pesquisa e desenvolvimento de tecnologias de ponta de drones impulsione o crescimento da região norte-americana durante o período de previsão”, prevê a pesquisa. Isso significa, efetivamente, que os EUA se tornarão o líder do mercado.

Drones-alvo
Outra pesquisa da “Fact. MR Research” afirma da mesma forma que a adoção da tecnologia de drones-alvo é significativamente impulsionada pelas forças militares envolvidas em extenso treinamento de combate e testes de tecnologia.

“As forças navais em todo o mundo estão desenvolvendo e implantando ativamente tecnologia de contramedidas, conduzindo exercícios de treinamento que envolvem vários produtos-alvo, incluindo alvos aéreos móveis. Espera-se que esta maior adoção tenha contribuído para que o mercado de drones-alvo capturasse uma participação substancial de 64,2% em 2023 no setor militar”.  

De acordo com esta pesquisa, os principais players do mercado incluíam AeroTargets International LLC; China’s Military UAV; Denel Dynamics; Embention; Airbus; Griffon Aerospace; Kadet  Defense  Systems; Kratos Defense & Security Solutions, Inc.; L3Harris Technologies, Inc; Leonardo SpA; MSP; Northrop Grumman; QinetiQ; Sistemas de Controle  Remoto;  Target Arm Inc.; e UAV Navigation SL.

Drone militar: recurso crítico e vantagem estratégica
Assim, a conclusão inevitável é que, embora os drones comerciais e de consumo tenham aplicações substanciais, o papel vital dos drones militares na salvaguarda dos interesses e da segurança nacionais eleva-os ao segmento líder.

Os drones militares estão a revelar-se indispensáveis ​​para reconhecimento, vigilância e operações táticas, oferecendo uma vantagem estratégica na guerra moderna. A sua versatilidade, alcance e capacidades avançadas  tornaram-os recursos críticos para as forças de defesa em todo o mundo.  
 

06 novembro, 2023

Eve, da Embraer, nomeia fornecedores de aviônicos, controles de vôo e sistemas de gerenciamento térmico eVTOL


*LRCA Defense Consulting - 06/11/2023

A Eve Air Mobility nomeou três novos fornecedores para sua aeronave elétrica de decolagem e pouso vertical (eVTOL). A Garmin ®  fornecerá os aviônicos para a aeronave, enquanto a Liebherr-Aerospace fornecerá os atuadores de controles de voo. A Intergalactic fornecerá o sistema de gerenciamento térmico.

“Estamos ansiosos para trabalhar com cada um de nossos fornecedores à medida que avançamos no desenvolvimento de nosso eVTOL”, disse Johann Bordais, CEO da Eve Air Mobility. “Cada um de nossos fornecedores passa por uma análise muito rigorosa que avalia não apenas o desempenho e a qualidade de seus produtos, mas também sua dedicação à melhoria contínua e ao suporte e satisfação do cliente. Esperamos ter um relacionamento de trabalho de longo prazo com cada um de nossos fornecedores.”

Garmin
A Garmin fornecerá o G3000 ® Integrated Flight Deck para o eVTOL da Eve, que apresenta telas de vidro de grande formato, leves e de alta resolução que se integram perfeitamente aos sistemas de gerenciamento de veículos e controle de vôo da Eve. Adaptada às necessidades das aeronaves eVTOL, a interface intuitiva da tela sensível ao toque da cabine de comando reduz a carga de trabalho do piloto, fornecendo acesso direto a um conjunto completo de recursos aviônicos, incluindo um sistema integrado de gerenciamento de voo, rádios NAV/COM, transponder, gerenciamento de áudio e acesso a uma ampla variedade de aplicativos, incluindo listas de verificação, gráficos, sinópticos e mapas completos.

Liebherr
A Liebherr desenvolverá atuadores eletromecânicos (EMA) para os controles de voo fly-by-wire do eVTOL da Eve. A Liebherr é reconhecida por sua experiência na fabricação de engrenagens de precisão e atuação confiável, cruciais para esse tipo de tecnologia. Os atuadores serão alimentados pelo sistema elétrico da aeronave e a tecnologia garantirá alto desempenho, configurabilidade e facilidade de manutenção.

Intergalactic
A Intergalactic fornecerá o sistema de gerenciamento térmico que manterá uma faixa ideal de temperatura para equipamentos, incluindo baterias e outros componentes eletrônicos. O sistema também ajudará a garantir uma temperatura confortável dentro da cabine da aeronave.

Nidec Aerospace LLC, BAE Systems e DUC  Hélices  Propellers
Os três novos fornecedores somam-se aos três anunciados no Paris Air Show no verão passado. A Nidec Aerospace LLC, uma joint venture entre a japonesa Nidec Corporation e a brasileira Embraer, fornecerá o sistema de propulsão elétrica para o eVTOL da Eve, enquanto a BAE Systems fornecerá o sistema de armazenamento de energia. A DUC  Hélices  Propellers fornecerá os rotores e hélices.

A aeronave eVTOL da Eve utiliza configuração lift+cruise com oito hélices dedicadas para voo vertical e asas fixas para voo em cruzeiro, sem alteração na posição desses componentes durante o voo. O conceito mais recente inclui um empurrador elétrico alimentado por motores elétricos duplos que fornecem redundância de propulsão, garantindo alto desempenho e segurança. Embora ofereça inúmeras vantagens, incluindo menor custo de operação, menos peças, estruturas e sistemas otimizados, foi desenvolvido para oferecer impulso eficiente com baixo ruído.

Em julho, a empresa anunciou que sua primeira unidade de produção de eVTOL estará localizada na cidade de Taubaté, no estado de São Paulo, Brasil. A empresa iniciou a montagem de seu primeiro protótipo eVTOL em grande escala, que será seguido por uma campanha de testes em 2024. O eVTOL da Eve está programado para começar a ser entregue e entrar em serviço em 2026.

Ao mesmo tempo, a Eve continua a desenvolver um portfólio abrangente de soluções agnósticas de serviços e operações, incluindo um software exclusivo de gerenciamento de tráfego aéreo urbano (ATM urbano) para otimizar e dimensionar as operações de mobilidade aérea urbana em todo o mundo.

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