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16 fevereiro, 2026

Fragata Tamandaré recebe certificação da DNV e marca estreia operacional da “Embraer naval”

Primeiro navio da Classe Tamandaré obtém aval da DNV e está pronto para operação, consolidando o maior projeto de construção naval de defesa já desenvolvido no país


*LRCA Defense Consulting - 16/02/2026 

Em um marco histórico para a indústria de defesa brasileira, a Fragata "Tamandaré" (F200), primeira unidade da Classe Tamandaré da Marinha do Brasil, recebeu nesta semana a certificação estatutária emitida pela Det Norske Veritas (DNV), uma das mais respeitadas sociedades classificadoras do mundo. A certificação oficializa a mudança de status da embarcação de "em construção" para "em operação", abrindo caminho para sua plena integração à Esquadra Brasileira.

A certificação representa muito mais do que um passo burocrático no processo de aceitação do navio. Trata-se do reconhecimento internacional de que o Brasil conseguiu conceber, construir e colocar em serviço uma escolta de última geração, cumprindo rigorosos padrões de segurança, desempenho e proteção ambiental estabelecidos por convenções como SOLAS (Convenção Internacional para a Salvaguarda da Vida Humana no Mar) e MARPOL (Convenção Internacional para a Prevenção da Poluição por Navios).

"A certificação da DNV é um reconhecimento objetivo da maturidade técnica da Fragata Tamandaré e do trabalho rigoroso realizado ao longo de todo o processo de construção e comissionamento", afirmou Fernando Queiroz, CEO do Consórcio Águas Azuis, em comunicado oficial. "Esse avanço posiciona o navio em um novo patamar operacional, dentro dos mais altos referenciais internacionais".

A "Embraer dos mares": tecnologia aeronáutica navega para o oceano
Mais do que um avanço para a Esquadra, a Fragata Tamandaré consolida-se como vitrine tecnológica da indústria de defesa brasileira, em especial da Embraer Defesa & Segurança e da Atech. A fragata representa, literalmente, a expressão naval da capacidade tecnológica desenvolvida pela Embraer ao longo de mais de cinco décadas de experiência em sistemas aeronáuticos complexos.

Integrante do Consórcio Águas Azuis, ao lado da alemã thyssenkrupp Marine Systems (TKMS), a Embraer leva para o mar sua expertise acumulada em integração de plataformas complexas, sistemas embarcados e engenharia de missão. Se nas alturas a empresa consolidou o Brasil como potência aeronáutica regional, agora transporta essa mesma filosofia de integração de sistemas e inovação tecnológica para as águas da chamada "Amazônia Azul".

A Atech, subsidiária do Grupo Embraer especializada em engenharia e integração de sistemas, desempenha papel ainda mais central no projeto. A empresa é responsável pelo desenvolvimento e fornecimento de dois dos sistemas mais críticos da fragata: o Sistema de Gerenciamento de Combate (CMS – Combat Management System) e o Sistema Integrado de Gerenciamento da Plataforma (IPMS – Integrated Platform Management System).

O CMS, derivado do Atlas ANCS e desenvolvido em parceria com a Atlas Elektronik (subsidiária da TKMS), é o "cérebro" que integra sensores, armamentos e sistemas de comunicação do navio, permitindo que a tripulação processe informações táticas e tome decisões de combate em frações de segundo. Já o IPMS, baseado no sistema da L3Harris e desenvolvido em cooperação com a empresa canadense, monitora e controla 68 sistemas integrados da plataforma, incluindo propulsão, geração e distribuição de energia, sistemas auxiliares e controle de avarias.

Para viabilizar esse trabalho, a Atech inaugurou em outubro de 2021 um escritório de 3 mil metros quadrados no Rio de Janeiro, equipado com laboratórios de integração e testes (LIT), instalações para simulação de sistemas (LBTF – Land Based Test Facility) e ambientes de treinamento com ferramentas do tipo Computer Based Training System (CBTS). Nesses laboratórios, os sistemas da fragata foram testados exaustivamente antes de serem embarcados, em um processo que envolveu estreita colaboração entre equipes da Atech, da Marinha e dos demais parceiros do consórcio.

 

O Consórcio Águas Azuis: parceria estratégica para soberania tecnológica
O Programa Fragatas Classe Tamandaré (PFCT) é executado pela Sociedade de Propósito Específico (SPE) Águas Azuis, formada por três players com papéis complementares:

thyssenkrupp Marine Systems (TKMS): líder do consórcio, fornece a tecnologia naval da comprovada plataforma MEKO, já utilizada em mais de 80 embarcações em operação em marinhas de 15 países, incluindo Portugal, Grécia, Austrália, Argentina e Argélia. A TKMS adaptou o design MEKO A-100 para as necessidades específicas da Marinha brasileira e gerencia a construção no estaleiro TKMS Brasil Sul, em Itajaí (SC).

Embraer Defesa & Segurança: responsável pela integração de sensores e armamentos ao sistema de combate, trazendo ao programa seus mais de 55 anos de experiência em soluções de tecnologia de sistemas e suporte em serviço. A empresa aplica à plataforma naval a mesma metodologia de integração de sistemas complexos que a tornou referência mundial na aviação.

Atech: desenvolve e fornece os sistemas CMS e IPMS, além de realizar as atividades de integração e testes dos sistemas de combate e da plataforma. A empresa consolida sua posição como fornecedora estratégica de sistemas críticos para a Defesa Nacional.

O contrato, assinado em março de 2020, tem valor de R$ 9,1 bilhões (posteriormente atualizado para aproximadamente R$ 13,8 bilhões com a incorporação de sistemas e equipamentos adicionais) e prevê não apenas a construção das quatro fragatas, mas também robusta transferência de tecnologia em engenharia naval para fabricação de navios militares e sistemas de gerenciamento de combate e plataforma, além de apoio logístico durante o ciclo de vida das embarcações.

Um navio para proteger a "Amazônia Azul"
A Fragata Tamandaré é um navio de escolta multimissão de aproximadamente 3.500 toneladas, com 107,2 metros de comprimento, 15,95 metros de boca e capacidade de atingir 25 nós (cerca de 47 km/h). Projetada para operar em todos os ambientes de guerra – superfície, aéreo e submarino – a embarcação incorpora armamentos e sensores de última geração.

Entre seus sistemas de combate, destacam-se mísseis de defesa aérea Sea Ceptor com lançamento vertical, mísseis antinavio MANSUP, torpedos antissubmarinos, canhão principal OTO Melara de 76mm e sistema de armas de proximidade (CIWS) SeaSnake de 30mm. Para detecção e rastreamento, o navio conta com radar AESA (Active Electronically Scanned Array) Hensoldt TRS-4D, sonares e sistemas eletrônicos de última geração.

A fragata possui ainda convoo e hangar para operação de helicóptero embarcado, ampliando significativamente seu raio de ação e capacidade de detecção. Sua autonomia de 5.500 milhas náuticas permite operações prolongadas sem necessidade de reabastecimento.

A missão principal das Fragatas Classe Tamandaré é proteger os 5,7 milhões de quilômetros quadrados da "Amazônia Azul", nome dado à área marítima sob jurisdição brasileira, que inclui águas territoriais, zona econômica exclusiva e plataforma continental. Além da defesa territorial, os navios realizarão operações de busca e salvamento, combate à pirataria e pesca ilegal, monitoramento de poluição e participação em missões de paz e ajuda humanitária internacionais.

Impactos econômicos e estratégicos
O PFCT foi incluído no Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC) no eixo de inovação para a indústria, e também integra a Missão nº 6 "Tecnologias de Interesse para a Soberania e Defesa Nacional" da iniciativa Nova Indústria Brasil (NIB), refletindo seu caráter estratégico para o desenvolvimento nacional.

A construção das fragatas mobiliza cerca de 2.000 profissionais diretamente nas obras, com reflexo de aproximadamente 6.000 postos de trabalho indiretos e cerca de 15.000 empregos induzidos, totalizando 23.000 oportunidades geradas. O programa envolve uma extensa cadeia de fornecedores nacionais, com aproximadamente 2.000 empresas brasileiras participando do processo produtivo, contribuindo para o fortalecimento da Base Industrial de Defesa (BID) do país.

Lançada ao mar em agosto de 2024, a Fragata Tamandaré passou por rigorosos testes de aceitação no mar ao longo de 2025. Durante as navegações pela costa catarinense, foram avaliados sistemas de propulsão, geração de energia, automação, quadros elétricos e sistemas de alarme e segurança sob diversas condições de carga, mar e vento. A tripulação de 112 militares vem sendo capacitada para operar a embarcação desde o início do programa.

 

O futuro da Esquadra Brasileira
Com a certificação da F200, o foco agora se desloca para a plena incorporação operacional da primeira unidade, com a aceitação militar completa prevista para os próximos meses, e a continuidade das obras das demais fragatas da classe:

  • Jerônimo de Albuquerque (F201): segunda fragata, lançada em agosto de 2025, já com estrutura montada e em fase de equipagem. Previsão de entrega em 2027.

  • Cunha Moreira (F202): terceira unidade, em estágio intermediário de construção.

  • Mariz e Barros (F203): quarta fragata, em fase inicial de montagem. Entrega prevista para 2029.

As entregas graduais entre 2025 e 2029 permitirão à Marinha substituir progressivamente as antigas fragatas da Classe Niterói, adquiridas do Reino Unido na década de 1970 e que já passaram por múltiplos processos de modernização, mas que estão tecnologicamente superadas e próximas ao fim de sua vida útil operacional.

Projeção internacional e soberania tecnológica
Simbolicamente, a chegada da Tamandaré ao status de navio "em operação" sinaliza ao mercado internacional e aos parceiros estratégicos que o Brasil consolidou capacidade de conceber, construir e operar escoltas de última geração, integrando tecnologia nacional em sistemas críticos de missão e combate.

Para a Embraer e a Atech, a fragata funciona como vitrine tecnológica em potenciais futuras exportações e cooperações internacionais na área naval. "Essa parceria valida os esforços para expandir nosso portfólio de defesa e segurança além do segmento aeronáutico", destacou Jackson Schneider, então CEO da Embraer Defesa & Segurança, quando da assinatura do contrato em 2020.

Para a Marinha do Brasil, a Fragata Tamandaré representa o início concreto de uma nova geração de escoltas, mais capazes, flexíveis e alinhadas às demandas de um ambiente marítimo cada vez mais complexo e contestado. Para o país, é a materialização de décadas de investimento em capacitação tecnológica e industrial, provando que o Brasil pode ser protagonista não apenas como usuário, mas como desenvolvedor e potencial exportador de tecnologias de defesa de alta complexidade.

A "Embraer naval" acaba de fazer sua estreia nos mares brasileiros. E o oceano, assim como o céu, agora tem sotaque brasileiro.


Sobre o Programa Fragatas Classe Tamandaré:

  • Valor: R$ 13,8 bilhões
  • Quatro fragatas previstas (F200 a F203)
  • Construção: TKMS Estaleiro Brasil Sul, Itajaí (SC)
  • Gestão: EMGEPRON (Empresa Gerencial de Projetos Navais)
  • Execução: Consórcio Águas Azuis (TKMS + Embraer + Atech)
  • Entregas: 2025 a 2029
  • Empregos gerados: 23.000 (diretos, indiretos e induzidos)
  • Fornecedores nacionais: aproximadamente 2.000 empresas

 


03 junho, 2024

Sierra Nevada e L3Harris: parceiras da Embraer para fabricar o C-390 nos EUA?

Renderização da L3Harris com o KC-390 Millennium, da Embraer

*LRCA Defense Consulting - 03/06/2024

Recentemente, esta Consultoria transcreveu duas matérias que abordam objetivamente a possibilidade de o Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA adotar a aeronave multimissão Embraer KC-390 como seu padrão para transporte aéreo tático e reabastecimento aéreo, haja vista haver o reconhecimento de que ela tem inquestionáveis vantagens sobre o Hercules C-130J, atualmente em uso.

Na primeira delas, o autor  - um Coronel aposentado dos Fuzileiros Navais -  escreve no jornal do prestigiado US Naval Institute que, "como é improvável que o Departamento de Defesa e o Congresso aprovem isenções ao Buy American Act para comprar a aeronave, a parceira L3Harris ou outra empresa americana provavelmente teria que construir a aeronave em uma instalação nos EUA".

Com base na possibilidade de produção nos EUA, esta Consultoria estabeleceu um cenário no qual os KC-390 teriam a montagem final nas instalações da Embraer e de sua parceira americana SNC - Sierra Nevada Corporation - localizadas  na cidade de Jacksonville, na Flórida - seguida de modernização e preparação para a missão no centro de modificação da L3Harris em Waco, no Texas.

Para embasar tal cenário, vale discorrer sobre as parcerias da Embraer com a L3Harris e com a SNC - Sierra Nevada Corporation.

L3Harris Technologies

Em setembro de 2022, a Embraer S.A. e a L3Harris anunciaram uma parceria para o desenvolvimento do “Agile Tanker”, uma opção de reabastecimento aéreo tático ágil para atender às diretrizes operacionais da Força Aérea dos Estados Unidos (USAF) e aos requisitos da Força Conjunta, especialmente para ambientes sob disputa.

O acordo visa expandir as capacidades de reabastecimento do jato tático KC-390 Millennium, da Embraer. Os aprimoramentos incluem a integração de um sistema de reabastecimento conhecido como “flying boom”, além de sistemas de missão, para permitir localização distribuída e apoio a operações em áreas sob disputa, bem como comunicação resiliente atendendo aos requisitos JADC2 (comando e controle conjunto para todos os domínios).

“Os estrategistas da Força Aérea dos Estados Unidos estabeleceram que a realização da visão de emprego ágil em combate (Agile Combat Employment) exigirá plataformas de reabastecimento otimizadas para apoiar uma abordagem desagregada de domínio aéreo em ambientes sob disputa”, disse Christopher E. Kubasik, Presidente e CEO da L3Harris. “A colaboração com a Embraer para desenvolver e integrar novas capacidades à aeronave multimissão KC-390 fornece uma solução econômica e de rápida implementação, que incorpora nossa reconhecida abordagem disruptiva.”

Os aprimoramentos complementarão as atuais capacidades de reabastecimento da aeronave, que incluem o sistema do tipo “sonda e cesto” de velocidade variável, a habilidade de receber combustível em voo, além de decolagem e pouso em pistas curtas e não preparadas, permitindo uma maior cobertura da área de missão.

“Continuamos buscando parcerias significativas e estratégicas que gerem novos desenvolvimentos e ampliem o alcance de mercado do KC-390 Millennium”, disse Francisco Gomes Neto, Presidente e CEO da Embraer. “Nossa aeronave está chamando a atenção das forças aéreas em todo o mundo, e estamos particularmente entusiasmados com esta oportunidade de combinar a plataforma e os sistemas de última geração da Embraer com as soluções de missão da L3Harris para atender às diretrizes operacionais da Força Aérea dos Estados Unidos.”

As diretrizes operacionais da USAF são um mapa de referência para se desenvolver com sucesso as novas tecnologias, doutrinas e culturas que as Forças Aérea e Espacial devem possuir para deter e, se necessário, derrotar adversários atuais e futuros.

Para atender aos requisitos da legislação dos Estados Unidos (“Buy American Act”), a produção do programa “Agile Tanker” terá montagem final nos Estados Unidos, seguida de modernização e preparação para a missão no centro de modificação da L3Harris em Waco, no Texas.

No dia 06 de março, em uma aparente evolução do negócio, a L3Harris postou em uma rede social que "Somos parceiros da Embraer para desenvolver opções ágeis de tanque para atender aos futuros requisitos de reabastecimento aéreo da United States Air Force, combinando nossas décadas de experiência em missionamento de aeronaves com a plataforma KC-390 Millennium de última geração da Embraer".

Compartilhando a postagem, João Bosco Costa Junior, Presidente e CEO da Embraer Defesa e Segurança, escreveu: "Estamos orgulhosos de unir forças com a L3Harris neste empreendimento. O Agile Tanker combina os pontos fortes da Embraer e da L3Harris, para oferecer grande valor à USAF".


Em seu site, a L3Harris passou a divulgar a iniciativa afirmando que "A L3Harris e a Embraer estão investindo no futuro da Força Aérea dos Estados Unidos – desenvolvendo soluções de tanques aerotransportados otimizadas para operações Agile Combat Employment e Joint All-Domain Command and Control em apoio a frotas aéreas críticas em todo o mundo."

Prossegue afirmando que "O avião-tanque tático KC-390 Millennium da Embraer, emparelhado com os avançados sistemas de missão L3Harris e décadas de experiência em missões de aeronaves, proporcionará operações de reabastecimento econômicas, suporte multimissão e opções de bases ágeis para maior cobertura da área de missão."

Sobre a colaboração entre as duas empresas, a L3Harris escreve que possibilitará:
- Desenvolver uma solução de reabastecimento ágil focada em logística contestada e emprego de combate ágil.
- Adicionar operações de lança ao KC-390 Millennium da Embraer para maior flexibilidade de missão.
- Complementar as capacidades de tanques estratégicos existentes com uma solução de tanques táticos e ágeis que opera a partir de pistas austeras – colocando mais booms mais perto da luta.
- Adicionar comunicações resilientes que suportam requisitos JADC2 em evolução, autonomia e necessidades de Inteligência Artificial.

Sierra Nevada Corporation
Como foi feito para o Super Tucano atender as normas comerciais americanas, poderia também a Embraer firmar uma nova parceria com a SNC - Sierra Nevada Corporation, uma grande, conceituada e experiente empresa do setor aeroespacial do EUA, para fabricar o KC-390 nos Estados Unidos.

Afinal, além de colaborar na fabricação dos Super Tucano e já possuir um parque fabril nos EUA, a SNC irá agora transformar jatos comerciais de passageiros em Centros de Operações Aerotransportados de Sobrevivência (Survivable Airborne Operations Center, ou SAOC), também conhecidos como "aviões do dia do juízo final” da Força Aérea dos EUA (veja matéria mais abaixo).

Com base nesse possível cenário, segue-se uma breve explicação sobre a SNC e sua parceria com a Embraer no Super Tucano, bem como uma transcrição de matéria sobre a construção do novo SAOC, a fim de que seja possível aquilatar as potencialidades da parceira da Embraer nos Estados Unidos.


Em fevereiro de 2013, a USAF concedeu o contrato do programa LAS à SNC e à sua parceira, a Embraer Defence & Security, para fornecer 20 aeronaves A-29 Super Tucano da Embraer, bem como equipamentos para treinamento em solo, treinamento de pilotos e mecânicos e suporte logístico, com o objetivo de utilizar as aeronaves para desempenhar missões de apoio aéreo tático, reconhecimento e treinamento para as forças militares do Afeganistão. Em março de 2013, a Embraer oficialmente inaugurou instalações com 3.716 metros quadrados na cidade de Jacksonville, na Flórida, para produzir as aeronaves do programa LAS. As instalações em Jacksonville realizam as etapas de pré-equipagem, montagem mecânica e estrutural, instalação e teste de sistemas e testes em voo das aeronaves A-29. Posteriormente, os A-29 foram também vendidos para diversos países.

Como principal contratante da Força Aérea dos EUA para todas as vendas de A-29 para clientes militares nacionais e estrangeiros, a SNC traz um nível de experiência no fornecimento de aeronaves, sistemas de missão e soluções completas de treinamento e sustentação que poucos conseguem igualar.

A integração de sistemas de aeronaves tem estado entre as principais áreas da empresa durante a maior parte dos seus quase 60 anos de história. Na verdade, a SNC tem uma vasta experiência em modernização, design, integração, modificação, teste e certificação em plataformas que vão desde o C-130 ao Pilatus PC-12 e ao Dornier 328.

A SNC gerencia os diversos requisitos de configuração para cada frota de clientes A-29 – que inclui Forças Aéreas em quase todos os continentes – por meio de produção, treinamento, entrega e sustentação do ciclo de vida com o que chama de Abordagem de Pacote Total. Isso inclui suporte logístico de empreiteiro (CLS) presencial e virtual, engenharia de sustentação, treinamento de piloto e manutenção e atualizações e aprimoramentos pós-entrega ao longo da vida do programa. A SNC também trabalha diretamente com a USAF para gerenciar a configuração e aeronavegabilidade da aeronave.

Maior salto da Embraer na área de Defesa e Segurança
O KC-390 Millennium é veloz, versátil e pode ser rapidamente reconfigurado para executar uma série de missões com alto índice de confiabilidade.

Ao combinar a avançada plataforma Embraer KC-390 Millennium com a montagem final pela SNC e a experiência da L3Harris em integrar sistemas de missão, as empresas envolvidas estarão preparadas para o que poderá representar o maior salto na área de Defesa e Segurança da gigante aeroespacial brasileira, ou seja, fornecer a próxima geração de aeronaves de reabastecimento tático ágil ao Departamento de Defesa dos Estados Unidos, à USAF e ao Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA, bem como às forças aéreas de países aliados.

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Renderização da Sierra Nevada Corp. de seu Centro de Operações Aerotransportadas de Sobrevivência

Como a Sierra Nevada Corp. está começando a construir a frota do próximo dia do juízo final

*Aviation Week, por Brian Everstine - 22/05/2024

Menos de um mês depois de ganhar seu maior contrato, a Sierra Nevada Corp. entregou a primeira rodada de projetos necessários e está se preparando para a chegada de seu primeiro 747-8i a ser modificado como parte do programa Survivable Airborne Operations Center da Força Aérea dos EUA.

A SNC recebeu no final de abril um contrato de desenvolvimento de engenharia e fabricação no valor de até US$ 13 bilhões para substituir a antiga frota E-4B Nightwatch do serviço. A SNC comprou cinco 747-8is da Korean Air Lines para começar a construir a frota, e o primeiro deverá chegar em Dayton, Ohio, dentro de semanas.

O prêmio foi de grande importância para a empresa sediada em Sparks, Nevada, que durante décadas se concentrou em programas menores de modificação de aeronaves derivadas comerciais. A empresa venceu a OEM, Boeing, pela SAOC em uma proposta que a empresa diz ser indicativa de uma mudança na forma como os programas de derivativos serão abordados.

“A parte mais importante do SAOC não é o que você vê, é mais do que apenas um E-4B rehospedado, mais do que apenas ferro novo”, diz Brady Hauboldt, vice-presidente de planos e programas estratégicos de aviação da empresa. “Nossa arquitetura modular de sistema aberto traz uma nova abordagem para modificação de aeronaves derivadas comerciais. Fundamentalmente, isso mudará a forma como o DOD vê as modificações de aeronaves comerciais, não mais vinculadas ao OEM.”

A SNC anunciou em 22 de maio que está se unindo à Collins Aerospace, FSI Defense, GE Aerospace, Greenpoint Technologies, Lockheed Martin Skunk Works e Rolls-Royce para o SAOC. A equipe inclui alguns que já fazem parte do programa E-4B e outros programas semelhantes, diz Hauboldt.

“Eles trazem o conhecimento de domínio que forneceram não apenas para a comunidade [E-4B], mas para outras plataformas e sistemas de missão”, disse Hauboldt ao Aerospace DAILY na primeira entrevista da empresa desde que venceu o SAOC. “Então nós os aproveitamos os melhores da raça, por assim dizer. É um termo usado demais, mas realmente tentamos encontrar aqueles que trazem a melhor experiência, conhecimento e capacidade para o SAOC.”

A Korean Airlines anunciou, em um documento no início deste mês, que estava vendendo cinco 747-8is para Sierra Nevada a um custo de US$ 675 milhões. Hauboldt diz que esta venda estava em andamento há muito tempo, começando quando a empresa analisou os requisitos da Força Aérea e determinou que os 747-8is eram a melhor escolha.

“Avaliamos todos os proprietários-operadores, as frotas que existem e fizemos uma seleção com base na disponibilidade e nos altíssimos padrões de manutenção do atual operador de frota”, afirma. “Estamos em negociações há muito tempo para encomendar essas aeronaves e não foi nenhuma surpresa para mim que conseguimos executar tão rapidamente depois que o contratante principal foi adjudicado.”

O tamanho final da frota não está definido, embora as indicações sejam de 8 a dez aeronaves. A SNC está “preparada para apoiar o tamanho objetivo da frota quando estiver pronta”, diz ele.

A maior parte do trabalho ocorrerá no novo complexo da empresa em Dayton, Ohio. A SNC planeja expandir o local para incluir quatro instalações de MRO e o maior complexo de tintas livres de emissões do país. Além disso, a empresa realizará trabalhos de SAOC nas áreas de Dallas-Fort Worth e Denver. Há eventos de contratação planejados para os três nas próximas semanas, como parte dos planos de crescimento da empresa.

A concessão SAOC foi ligeiramente adiada por alguns meses, permitindo à empresa preparar um plano de comunicação juntamente com planos de contratação e crescimento de instalações. Embora houvesse relatos de que a Boeing havia desistido da competição meses antes da premiação, Hauboldt diz que ela era competitiva até a premiação.

Ao contrário dos programas anteriores de derivativos comerciais de preço fixo, como o avião-tanque KC-46 e a substituição da aeronave presidencial VC-25B, o prêmio SAOC foi acrescido de custo. A abordagem de preço fixo causou atrasos e grandes excedentes para o OEM. Além disso, com o plano amadurecido para SAOC, o programa começará mais tarde no ciclo de desenvolvimento, em comparação com um novo início.

“Sinceramente, acho que a estrutura do contrato é apropriada para o nível de risco deste programa, a entrada no desenvolvimento de engenharia e produção é apropriada para este tipo de programa”, diz Hauboldt. “Mas ficou bastante claro na nossa discussão inicial com a Força Aérea dos EUA que ambos concordamos que comunicações abertas e transparentes são essenciais. Ambos estamos nos concentrando na mitigação precoce de riscos e no gerenciamento de oportunidades, e é isso que contribui para um programa saudável no longo prazo, porque haverá desafios pela frente.”

Outro ponto crítico na competição foram os direitos de dados, já que a Boeing é o OEM do 747, enquanto o plano da SNC é fornecer o máximo de dados possível à Força Aérea. O plano de modificações da empresa forneceria um “amortecedor, por assim dizer, entre o que deve permanecer proprietário e o que poderiam ser direitos de dados de propriedade do governo”.

“Todo o trabalho que a SNC realiza sob contrato financiado pelo governo pertence ao governo, de acordo com [o Regulamento de Aquisição Federal], que é como deveria ser”, afirma.

Como a Boeing é o OEM, a FAA exige que os manuais de voo e as instruções para aeronavegabilidade contínua sejam mantidos no certificado de tipo. Além disso, o SNC é flexível quanto aos direitos para todas as outras modificações.

“Minha contribuição para a Força Aérea, o DOD, sempre foi permitir que os OEMs fizessem o que fazem de melhor, que é construir grandes aeronaves, mas deixar o melhor da inovação na indústria competir por essas modificações de aeronaves comerciais derivadas”, diz ele. . “Foi assim que a SNC investiu e se expandiu nas últimas duas décadas, para estar em posição de fazer algo assim em praticamente qualquer aeronave, seja um 747 ou algo muito menor.”

01 junho, 2024

KC-390: a nova aeronave que o Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA precisa para reabastecimento aéreo e transporte tático

C-390 no exercício Storm Flag 2024 (USA)

*US Naval Institute, por Coronel Retd. Albert Carpenter, Reserva do Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA - Maio de 2024

As (normas para) Instalações e Logística 2030 do Corpo de Fuzileiros Navais fornecem diretrizes para “as organizações que apoiam a geração de força, projeção de poder, emprego e sustentação de Forças de Fuzileiros Navais prontas”. Elas reiteram que “entre as sete funções de combate, a logística é a que mais determina o ritmo das operações e o alcance operacional de uma unidade. Nenhuma outra função de combate afeta mais profundamente a nossa capacidade de persistir em espaços contestados.”

A aeronave de transporte de asa fixa preferida do Corpo de Fuzileiros Navais é o Lockheed KC-130J Hercules, a versão mais recente de uma aeronave que voou pela primeira vez em 1954. Sua linha de produção é a mais antiga para uma aeronave militar em qualquer lugar do mundo, e todas as versões juntas representam cerca de 21% dos transportes militares em operação em todo o mundo. A Lockheed extraiu quase tudo o que pode deste projeto turboélice de quatro motores.

Ao longo da última década, evoluíram tecnologias que agora oferecem projetos com custos de aquisição mais baixos, limites de velocidade e altitude mais elevados e custos de ciclo de vida projetados mais baixos.

O Corpo de Fuzileiros Navais tem uma reserva e quatro esquadrões Hércules ativos, cujas missões incluem reabastecimento aéreo e terrestre rápido, transporte de pessoal e carga, evacuações médicas, inserções de paraquedas e reabastecimento de emergência em zonas de pouso não melhoradas. Eles podem reabastecer helicópteros e aeronaves tiltrotor e de asa fixa em apoio a missões táticas, operações de treinamento ou voos de balsa.  Três esquadrões atingiram o seu nível de força de 17 aeronaves, com mais um a atingi-lo no ano fiscal (AF) de 2026 e o ​​outro no AF27. Mas comparado com outras aeronaves de transporte e reabastecimento tático, o Super Hercules é lento, de "pernas curtas" e tem capacidades de carga demasiado pequenas para os desafios que o Corpo de Fuzileiros Navais espera enfrentar no futuro.

À medida que o Corpo de Fuzileiros Navais evolui, os desafios de conduzir operações distribuídas em ambientes logísticos contestados aumentam significativamente. A Tabela 1 mostra como o C-130J Hercules se compara a possíveis alternativas.

Embraer KC-390 Millennium - a melhor opção
Entre as aeronaves atualmente operacionais na categoria de transporte tático médio, o C-27J e o C-295 são muito pequenos, muito lentos, muito limitados em capacidade e/ou muito limitados em alcance. Outras opções, como o Airbus A400 ou o Kawasaki C-2, não desempenham exatamente as mesmas funções. A Airbus considera o A400 um avião de transporte estratégico, e a aeronave da Kawasaki é muito mais pesada, tornando-a menos adequada para instalações não melhoradas. Ambas as aeronaves também são consideravelmente mais caras que o KC-130J ou o KC-390. Apenas uma aeronave oferece melhorias significativas ao Corpo de Fuzileiros Navais em todas as missões.

O Embraer KC-390 Millennium entrou em serviço na Força Aérea Brasileira em 2019. Portugal começou a utilizá-lo em 2023 e foi selecionado pela República Checa, Hungria, Áustria e Coreia do Sul. A Holanda fez um pedido e a Embraer tem interesse de vários outros membros da OTAN, bem como de países da África e da região Indo-Pacífico. A aeronave será integrada no Comando Europeu de Transporte Aéreo, o centro de comando que exerce o controle operacional da maioria das frotas de reabastecimento aéreo e transporte militar de sete estados membros da União Europeia.

Com o KC-390, a Embraer se afastou do projeto típico de turboélice. Embora seja aproximadamente do tamanho de um Hercules, ele tem asa alta e curvada, configuração de cauda em T e dois motores turbofan IAE V2500-E5. Com este projeto, ele pode navegar a cerca de 470 nós (540 mph) a um teto operacional de cerca de 36.000 pés. A Embraer afirma que a aeronave também terá o menor custo de ciclo de vida do mercado de transporte aéreo médio. Grande parte da tecnologia vem de sistemas e conhecimentos de engenharia do negócio de companhias aéreas comerciais da empresa, que constrói os populares aviões E-Jet de curto e médio alcance, com mais de 1.600 construídos até o momento.

Com seus ágeis sistemas fly-by-wire com circuito fechado e alavancas laterais ativas e superfícies de controle como spoilers, o KC-390 é bastante ágil em baixas velocidades. Com motores montados no alto de suas asas, a aeronave não deverá ter problemas com pistas de pouso degradadas ou com os problemas e despesas causados ​​por danos às hélices compostas de seis pás do Hercules.

Os dois motores turbofan de dois eixos e alto desvio da International Aero Engines (IAE) (em comparação com quatro turboélices no Super Hercules) oferecem desempenho significativo e benefícios econômicos, incluindo requisitos reduzidos de combustível e manutenção. Os motores da série IAE 2500 com reversores em seu projeto são instalados nas famílias de aeronaves Embraer 190 e Airbus A320, bem como no McDonnell Douglas MD-90. O Sistema de Manutenção a Bordo integrado da aeronave mantém o controle da aeronave. E o sistema de controle fly-by-wire reduz significativamente a carga de trabalho da tripulação.

Aviônicos avançados e característica de multimissão
Para entrega aérea, seus aviônicos avançados permitem que a tripulação calcule um ponto de liberação de ar com excelente precisão, enquanto o moderno sistema de manuseio de carga e entrega aérea (CHADS) oferece liberação remota e automática de carga em voo, tanto em altas como em baixas altitudes. Tanto a configuração interna quanto a externa da aeronave podem ser alteradas de forma rápida e fácil para facilitar diversas missões. É notável que, ao procurar um sucessor para os seus antigos C-130, o Ministério da Defesa holandês descobriu que o KC-390 era uma escolha melhor do que o C-130J.

Parceria com a L3Harris
Em setembro de 2022, a L3Harris Technologies firmou parceria com a Embraer para converter o KC-390 em um “avião-tanque ágil” que pode voar mais perto das linhas de frente em conflitos e reabastecer todos os tipos de aeronaves militares dos EUA e aliadas. Nos termos do acordo, a L3Harris planeja desenvolver um boom de reabastecimento – para complementar o seu sistema existente de buddy stores – e equipamento especial de comunicação militar nos aviões. A aeronave também poderia substituir os C-130 do Comando de Operações Especiais da Força Aérea, das unidades da Guarda Nacional e dos aliados.

Como é improvável que o Departamento de Defesa e o Congresso aprovem isenções ao Buy American Act para comprar a aeronave, a L3Harris ou outra empresa americana provavelmente teria que construir a aeronave em uma instalação nos EUA (tal como foi feito para o Super Tucano, por meio da parceria com a SNC - Sierra Nevada Corporation).

Multiplicador de forças disponível em 2027
A transição para o KC-390, com sua capacidade de reconfiguração rápida para outra missão, poderia ser um multiplicador de força para o Corpo de Fuzileiros Navais. Ele voa mais rápido, transporta mais carga por distâncias maiores com menores custos de manutenção e combustível e custa menos que o KC-130J. E com a sua capacidade de reabastecimento em voo, oferece aos comandantes combatentes a capacidade de apoiar operações dispersas ao longo das vastas distâncias do Indo-Pacífico ou do Extremo Norte.

Como todo o desenvolvimento e testes foram concluídos e com a escala que um fabricante norte-americano traz, ele poderá entrar em produção e estar disponível para o Corpo de Fuzileiros Navais já no ano fiscal de 27.
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Embraer C-390
 

O KC-390 realmente substituirá o C-130?

*Platoon (Coreia do Sul) - 30/05/2024

Recentemente, o argumento de que o Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA deveria comprar o KC-390 do Brasil como sucessor do KC-130J nos EUA foi levantado por alguns meios de comunicação autorizados, atraindo a atenção. A afirmação foi feita pelo Instituto Naval dos EUA (USNI), uma organização acadêmica de defesa americana. Embora seja uma organização privada na qual a Marinha e o governo dos EUA não estão diretamente envolvidos, a grande maioria dos seus 50.000 membros são oficiais da ativa ou da reserva/aposentados da Marinha e do Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA, e as opiniões expressas na mídia online e offline (como no jornal Proceedings) por ela publicados têm um peso que não pode ser facilmente ignorado.

Deficiências do Hercules C-130J

O artigo no site da USNI foi escrito por um coronel aposentado do Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA. De acordo com sua afirmação, o KC-130J, a principal aeronave de transporte tático e avião-tanque de reabastecimento aéreo do atual Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA, é uma aeronave desenvolvida na década de 1950 e não importa quão avançada a tecnologia tenha sido atualizada. Como é a base, diz-se que o desempenho real foi “espremido ao seu limite”, e isso não é particularmente errado. Além disso, por se tratar de uma aeronave de transporte turboélice, é verdade que apresenta algumas deficiências em termos de alcance, carga útil e velocidade para os padrões modernos.

Em particular, problemas com carga útil e alcance são limitações eternas da série C-130. Quando foi desenvolvido na década de 1950, a carga útil de 19 toneladas e o espaço de carga do C-130 eram muito respeitáveis, mas agora, 70 anos depois, está agindo como uma limitação significativa. Na verdade, no caso do veículo blindado Stryker, existem algumas limitações criadas pela solicitação para permitir o transporte do C-130, e não é exagero dizer que o tipo MGS, que é a versão de canhão móvel do Stryker, foi na verdade um caso de fracasso ao tentar fazer algo dentro dessas limitações.

Hercules KC-130J

Única alternativa neste momento é o KC-390
Em suma, precisamos de uma plataforma que seja mais rápida, carregue mais e viaje mais longe do que o atual KC-130J, ao mesmo tempo que oferece um preço e custo de manutenção razoáveis. Em última análise, o autor argumenta que a única alternativa neste momento é o KC-390. E esta é uma história com alguma validade. Na verdade, é mais rápido, transporta mais e viaja mais longe, e uma função de reabastecimento aéreo pode ser adicionada. O preço e o custo de manutenção são suficientemente comparáveis ​​aos do KC-130J, e também possui as capacidades de operação de campo necessárias para uma aeronave de transporte tático.

Outros concorrentes não se qualificam

É particularmente importante para o autor que não exista praticamente nenhuma aeronave que possa ser comparada como concorrente. A maioria das outras aeronaves de transporte tático (especialmente o C-295, que vendeu bem em todo o mundo) são menores que o C-130 e não se qualificam, e o A400M está mais próximo em peso de uma aeronave de transporte estratégico do que de uma aeronave de transporte tático e é muito caro. O Kawasaki C-2 do Japão também tem tamanho próximo ao A400M, por isso não é comparável à aeronave da série C-130.

Interoperabilidade multinacional na OTAN
Até o número de estações operacionais está aumentando constantemente. Seis países, incluindo a Coreia, já a introduziram ou decidiram introduzi-la, e espera-se que o número aumente de forma constante. Dado que quatro países da OTAN já o introduziram ou decidiram introduzir, torna-se cada vez mais vantajoso em termos de interoperabilidade multinacional.

Kawasaki C-2

Produção nos EUA
O problema restante é como produzir isso nos Estados Unidos. Isso ocorre porque os Estados Unidos licenciam e fabricam internamente a maior parte de seus equipamentos estrangeiros. Porém, a fabricante Embraer já firmou parceria com a L3Harris dos Estados Unidos, e se houver um movimento específico para introduzi-lo nos Estados Unidos, não será um grande problema dar as mãos à L3 ou outra parceiro para prosseguir com a produção nos Estados Unidos.

O peso de um artigo oficial do Instituto Naval dos EUA
É claro que só porque um coronel aposentado do Corpo de Fuzileiros Navais diz algo não precisa necessariamente ser levado a sério, mas se vier de um artigo oficial do USNI e não de outro lugar, nunca poderá ser ignorado. Na verdade, a consciência das limitações da série C-130 está claramente a ser discutida mesmo dentro das forças armadas dos EUA no século XXI, e é claro que a série KC-390 está a ser discutida como a alternativa mais provável neste momento. Resta saber se os militares dos EUA substituirão seriamente o C-130 por um novo modelo do Brasil, mas dado que a substituição do C-130, que há muito tempo é considerada sacrossanta, tornou-se agora um tema de discussão pública, pode haver uma mudança surpreendentemente rápida, não sei.


20 março, 2024

Embraer C-390 poderá ser produzido também nos Estados Unidos?

Bosco da Costa Junior, Presidente e CEO da Embraer Defesa & Segurança: "...vemos grandes oportunidades para ambas as aeronaves no mercado, talvez com potencial para trazer o C-390 para cá também”.


*LRCA Defense Consulting - 20/03/2024

Em evento acontecido na sede da Embraer Executive Jets, perto do Aeroporto Internacional de Melbourne, Orlando, a Embraer recebeu os C-390 Millennium e A-29 Super Tucano da Força Aérea Brasileira (FAB) nos dias 18 e 19 de março, marcando um evento significativo para ambas as aeronaves em sua visita inaugural à área e contando com uma lista diversificada de convidados entre autoridades governamentais, militares, potenciais clientes e parceiros.

Além das aeronaves de defesa, a Embraer também apresentou o Praetor 600, o jato executivo médio mais tecnologicamente avançado do mundo, e o Phenom 300E, o jato executivo leve mais vendido por 12 anos consecutivos. O evento de dois dias permitiu aos participantes conhecer de perto essas avançadas aeronaves e suas capacidades. 

“Estamos orgulhosos de receber o C-390 Millenium e o A-29 Super Tucano em nossas instalações em Melbourne. Pudemos interagir com um público importante e diversificado, além de apresentar uma aeronave construída em Jacksonville, a poucas horas de distância”, afirma Bosco da Costa Junior, Presidente & CEO da Embraer Defesa & Segurança. “O A-29 Super Tucano tem sido uma parte importante da nossa presença industrial na Flórida, há mais de 10 anos, e vemos grandes oportunidades para ambas as aeronaves no mercado, incluindo a possibilidade de trazer o C-390 para cá também”. 

Possibilidade de fabricação do C-390 nos Estados Unidos
No entender desta Consultoria, a possibilidade de fabricação do C-390 nos EUA aventada pelo CEO de Defesa e Segurança da empresa tem ligação direta com a parceria assinada em setembro de 2022, entre a Embraer e a L3Harris Technologies, para o desenvolvimento do “Agile Tanker”, uma opção de reabastecimento aéreo tático ágil para atender às diretrizes operacionais da Força Aérea dos Estados Unidos (USAF) e aos requisitos da Força Conjunta, especialmente para ambientes sob disputa.

O acordo visa expandir as capacidades de reabastecimento do jato tático KC-390 Millennium, da Embraer. Os aprimoramentos incluem a integração de um sistema de reabastecimento conhecido como “flying boom”, além de sistemas de missão, para permitir localização distribuída e apoio a operações em áreas sob disputa, bem como comunicação resiliente atendendo aos requisitos JADC2 (comando e controle conjunto para todos os domínios).

“Os estrategistas da Força Aérea dos Estados Unidos estabeleceram que a realização da visão de emprego ágil em combate (Agile Combat Employment) exigirá plataformas de reabastecimento otimizadas para apoiar uma abordagem desagregada de domínio aéreo em ambientes sob disputa”, disse Christopher E. Kubasik, Presidente e CEO da L3Harris. “A colaboração com a Embraer para desenvolver e integrar novas capacidades à aeronave multimissão KC-390 fornece uma solução econômica e de rápida implementação, que incorpora nossa reconhecida abordagem disruptiva.”

Os aprimoramentos complementarão as atuais capacidades de reabastecimento da aeronave, que incluem o sistema do tipo “sonda e cesto” de velocidade variável, a habilidade de receber combustível em voo, além de decolagem e pouso em pistas curtas e não-preparadas, permitindo uma maior cobertura da área de missão.

“Continuamos buscando parcerias significativas e estratégicas que gerem novos desenvolvimentos e ampliem o alcance de mercado do KC-390 Millennium”, disse Francisco Gomes Neto, Presidente e CEO da Embraer. “Nossa aeronave está chamando a atenção das forças aéreas em todo o mundo, e estamos particularmente entusiasmados com esta oportunidade de combinar a plataforma e os sistemas de última geração da Embraer com as soluções de missão da L3Harris para atender às diretrizes operacionais da Força Aérea dos Estados Unidos.”

As diretrizes operacionais da USAF são um mapa de referência para se desenvolver com sucesso as novas tecnologias, doutrinas e culturas que as Forças Aérea e Espacial devem possuir para deter e, se necessário, derrotar adversários atuais e futuros.

Em seu site, a L3Harris divulga a iniciativa afirmando que "A L3Harris e a Embraer estão investindo no futuro da Força Aérea dos Estados Unidos – desenvolvendo soluções de tanques aerotransportados otimizadas para operações Agile Combat Employment e Joint All-Domain Command and Control em apoio a frotas aéreas críticas em todo o mundo."

Prossegue afirmando que "O avião-tanque tático KC-390 Millennium da Embraer, emparelhado com os avançados sistemas de missão L3Harris e décadas de experiência em missões de aeronaves, proporcionará operações de reabastecimento econômicas, suporte multimissão e opções de bases ágeis para maior cobertura da área de missão."

Sobre a colaboração entre as duas empresas, a L3Harris, escreve que possibilitará:
- Desenvolver uma solução de reabastecimento ágil focada em logística contestada e emprego de combate ágil.
- Adicionar operações de lança ao KC-390 Millennium da Embraer para maior flexibilidade de missão.
- Complementar as capacidades de tanques estratégicos existentes com uma solução de tanques táticos e ágeis que opera a partir de pistas austeras – colocando mais booms mais perto da luta.
- Adicionar comunicações resilientes que suportam requisitos JADC2 em evolução, autonomia e necessidades de Inteligência Artificial.

O KC-390 Millennium é veloz, versátil e pode ser rapidamente reconfigurado para executar uma série de missões com alto índice de confiabilidade. 

Ao combinar a experiência da L3Harris em integrar sistemas de missão com a avançada plataforma Embraer KC-390 Millennium, ambas as empresas estão preparadas para o que poderá representar o maior salto na área de Defesa e Segurança da gigante aérea brasileira, ou seja, fornecer a próxima geração de aeronaves de reabastecimento tático ágil ao Departamento de Defesa dos Estados Unidos e à USAF, bem como às forças aéreas de países aliados.

“As coisas estão indo bem e temos o parceiro certo”, disse o presidente-executivo da Embraer, Francisco Gomes Neto, ao FlightGlobal no início de 2023. “Se conseguirmos vender um volume razoável para a USAF, consideraremos fazer alguma montagem e produção nos EUA, juntamente com a L3.”


C-390 Millennium
O C-390 é uma plataforma versátil com uma combinação imbatível de tecnologias comprovadas e inovadoras, com baixos custos operacionais, facilidade de manutenção e máxima prontidão operacional, permitindo a interoperabilidade e a conectividade em ambientes de rede e múltiplos domínios. 

Assim, a aeronave oferece às forças aéreas de todo o mundo um desempenho excepcional da frota, máxima eficiência de custos e elevada disponibilidade. Um avião moderno, que não deixa nada a desejar. O C-390 pode transportar mais carga útil (26 toneladas) em comparação com outras aeronaves de transporte militar de médio porte e voa mais rápido (470 nós) e mais longe, sendo capaz de realizar uma ampla gama de missões, como transporte e lançamento de cargas e tropas, evacuação aeromédica, busca e salvamento, combate a incêndios e missões humanitárias, operando inclusive em pistas não pavimentadas, em superfícies como terra compactada e cascalho. A aeronave foi selecionada pela Coreia do Sul, República Tcheca, Áustria, Holanda, Portugal e Brasil. 

A atual frota de aeronaves em operação acumulou mais de 11.500 horas de voo, com uma disponibilidade operacional de cerca de 80% e taxas de conclusão de missão superiores a 99%, demonstrando uma produtividade excepcional na categoria.


Aterrisagem difícil com ventos cruzados na Ilha Terceira (Açores) mostrou a habilidade do piloto da Força Aérea Portuguesa, a manobrabilidade da aeronave e a resistência do trem de pouso do Embraer KC-390


A-29 Super Tucano
O A-29 Super Tucano é um avião turboélice de ataque leve utilizado por 16 forças aéreas em todo o mundo e já ultrapassou as 500.000 horas de voo em todo o mundo, com 60.000 horas em combate. A aeronave pode desempenhar várias funções, desde o apoio aéreo aproximado à interdição aérea, juntamente com uma gama diversificada de armamentos, dependendo do ambiente.




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