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09 agosto, 2025

Tecnologia espacial e soberania: uma agenda estratégica para o país

 


*Por Julio Shidara, presidente da AIAB (Associação das Indústrias Aeroespaciais do Brasil)

A possibilidade de negação de acesso ao sinal de GPS em determinadas regiões do planeta não é apenas uma hipótese teórica — é um risco real e que já aconteceu no passado. Em 1996, durante tensões no Estreito de Taiwan, e em 1999, durante o conflito de Kargil, os Estados Unidos negaram à China e à Índia, respectivamente, acesso ao sinal de GPS nas áreas dos conflitos, motivando-os a desenvolverem seus próprios sistemas de Posicionamento, Navegação e Tempo (PNT, como são conhecidos, genericamente, sistemas como o GPS): Beidou e NavIC, respectivamente.

No Brasil, setores críticos como energia elétrica, telecomunicações, agronegócio, transportes e resposta a emergências, dentre outros, dependem de sistema PNT estrangeiro. Nos EUA, estudos indicam que uma eventual interrupção de 30 dias no GPS causaria ao país perdas econômicas de US$ 30 bilhões, que poderiam chegar a US$ 45 bilhões, caso ocorresse num período crítico para a agricultura – estima-se que os impactos no Brasil também seriam vultosos.

Um sistema de PNT não se limita a posicionamento e navegação, pois é, também, uma referência de tempo precisa (relógios atômicos sincronizados entre si com elevada precisão), indispensável para o adequado funcionamento de vários serviços utilizados pelo cidadão em seu cotidiano como operações financeiras, telefonia celular, internet e energia elétrica. Em cenários de guerra, como no conflito entre Rússia e Ucrânia, interferências provocadas na recepção do sinal de GPS provocaram grandes apagões e colapsos no grid elétrico Ucraniano — um alerta contundente sobre o impacto estratégico dessa tecnologia.

Apesar da existência de alternativas globais (Galileo Europeu, Glonass Russo, Beidou Chinês) e regionais (NavIC Indiano, Michibiki Japonês) ao GPS Americano, a tendência global é a busca por sistemas autóctones. Emirados Árabes Unidos, Turquia e Coréia do Sul já anunciaram projetos próprios, evidenciando que, na atualidade, a garantia de um sistema PNT próprio representa um pilar da soberania de qualquer país.

O Brasil deu um importante passo inicial na busca por um PNT Brasileiro, com a recente criação do Grupo de Trabalho no âmbito do Comitê de Desenvolvimento do Programa Espacial Brasileiro (CDPEB), responsável por diagnosticar vulnerabilidades e propor soluções. No entanto, é essencial que esse processo tenha continuidade e que seja conduzido como programa do Estado Brasileiro, pois trata-se de um projeto complexo, de elevado custo e de longo prazo de execução em que a busca por autonomia tecnológica deve ser o principal objetivo norteador. Na sociedade moderna, a infraestrutura espacial é tão vital quanto estradas ou redes de energia elétrica.

Investir em um sistema soberano de PNT — assim como em satélites de comunicação, observação da Terra e meteorologia — não deve ser encarado como gasto, mas como uma estratégia de eficácia e efetividade comprovadas na promoção de desenvolvimento social e econômico, na medida que gera empregos altamente qualificados, reduz riscos econômicos, atende necessidades essenciais e básicas dos cidadãos, além de fortalecer a Soberania Nacional.

Diversos países já compreenderam que infraestrutura espacial é crítica, essencial e vetor de desenvolvimento social e econômico. O Brasil precisa seguir esse mesmo caminho, com visão de longo prazo, políticas públicas consistentes e o engajamento sinérgico entre governo, indústria e academia. Tratar o setor espacial como prioridade de Estado não é uma escolha política — é uma necessidade estratégica.

A AIAB reitera seu compromisso neste processo, sempre pautada pela seriedade, pela expertise técnica, pelo interesse coletivo e pelo comprometimento com o futuro do País. A AIAB possui convicção inabalável de que o Brasil tem capacidade e competência para superar a atual dependência brasileira de infraestruturas espaciais estrangeiras. Cabe a nós transformar os atuais desafios em oportunidades concretas para mudar a realidade atual.

 

09 fevereiro, 2025

Visiona, braço espacial da Embraer, prepara o mais disruptivo dos satélites brasileiros

“O SatVHR tem o potencial de desempenhar, para a indústria espacial brasileira, o mesmo papel que o avião Bandeirante desempenhou para a indústria aeronáutica brasileira 50 anos atrás”

SatVHR: satélite óptico de altíssima resolução

*LRCA Defense Consulting - 09/02/2025

A Visiona Tecnologia Espacial S.A., uma joint venture entre a Embraer Defesa & Segurança (51%) e a Telebras (49%), caminha a passos largos para se tornar a grande empresa espacial do Brasil, liderando o esforço do País neste setor e vindo a ter uma proeminência similar a que a Embraer tem no setor aeronáutico.

O VCUB1, o primeiro satélite de observação da Terra projetado localmente pela empresa, já transmitiu imagens com sucesso, coincidindo com a proposta do governo de criar a Alada, uma empresa aeroespacial estatal. A Visiona lidera a investida, com base em seu papel de protagonismo no programa de Satélite de Defesa Geoestacionário e Comunicações Estratégicas (SGDC) de US$ 500 milhões.

O sucesso do VCUB1 abre caminho para o promissor futuro da Visiona, incluindo o ambicioso SatVHR, um satélite de observação da terra de altíssima resolução, apoiado pela FINEP e com ampla participação de empresas e ICTs brasileiras. ICT é a sigla para Instituto de Ciência e Tecnologia, tratando-se de entidade que realiza pesquisas científicas e tecnológicas com o objetivo de criar soluções inovadoras. Os ICTs podem ser públicos ou privados, e não têm fins lucrativos. Eles atuam em parceria com empresas, startups, empreendedores e o governo para desenvolver soluções que atendam às necessidades da sociedade.

O contrato do SatVHR foi assinado em maio de 2023 pela FINEP, durante a comemoração dos 30 anos da AIAB, e prevê um investimento total de R$ 231 milhões até 2026 (sendo R$ 220 milhões da FINEP e o restante, contrapartidas das empresas do arranjo industrial). Trata-se do maior projeto de subvenção econômica já concedido pela entidade de fomento.

O SatVHR, com imagens de altíssima resolução (sub-métrica, 0,75) e criptografia avançada, destinado à observação da Terra, garantirá que os dados brasileiros sejam protegidos e acessíveis apenas a quem realmente deve ter acesso. A tecnologia poderá ser usada para o monitoramento e vigilância de florestas, rios e mares, proteção de terras indígenas, defesa e segurança pública, além de outras finalidades.

O SatVHR estará finalizado até 2026.

A Visiona avança firmemente em seus negócios de satélites em um momento em que o Brasil indica que está buscando expandir sua presença no setor. A empresa também tem um lucrativo braço de serviços baseados em satélite que atende aos setores público e privado com projetos em áreas como agricultura, petróleo e gás, serviços públicos e serviços financeiros.

A AIAB (Associação das Indústrias Aeroespaciais do Brasil), representada por seu presidente, Julio Shidara, participou de um dos painéis do 5º SELM (Space Economy Leaders Meeting), realizado em Foz do Iguaçu entre os dias 11 e 13 de setembro de 2024.

Julio Shidara, destacou a oportunidade inédita que a indústria espacial brasileira vem recebendo do Governo Federal, de liderar o desenvolvimento de um satélite ótico de alta resolução (SatVHR), sob coordenação da Visiona. Propondo o estabelecimento de uma constelação de satélites SatVHR, afirmou que isso não só seria capaz de atender a demandas nacionais, mas também poderia contribuir para mitigar os efeitos das mudanças climáticas.

Shidara defendeu que, caso a indústria venha a ter êxito no desenvolvimento do satélite ótico de alta resolução para observação da terra, este venha a ser adotado para atender a necessidades do PESE (Programa Estratégico de Sistemas Espaciais), fato que traria previsibilidade de investimentos e criaria um potencial cenário favorável ao crescimento e ao fortalecimento da indústria espacial brasileira.

O presidente da AIAB, manifestado seu grande entusiasmo com o projeto, afirmou que “O SatVHR tem o potencial de desempenhar, para a indústria espacial brasileira, o mesmo papel que o avião Bandeirante desempenhou para a indústria aeronáutica brasileira 50 anos atrás”.

Visiona & Embraer: uma parceria com benefícios estratégicos
A Visiona Tecnologia Espacial tem potencial para trazer diversos benefícios estratégicos à Embraer, especialmente na área de tecnologia espacial, tais como:

Expansão do portfólio tecnológico
A Visiona permite que a Embraer amplie sua atuação para além da aviação e defesa, ingressando no setor aeroespacial, especialmente no desenvolvimento de satélites e tecnologias de comunicação via satélite.

Fortalecimento da soberania e da defesa nacional
Ao participar de projetos estratégicos, como o SGDC (Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações), o VCUB1 e o SatVHR, a Embraer, por meio da Visiona, contribui para o desenvolvimento de capacidades tecnológicas nacionais, reduzindo a dependência de fornecedores estrangeiros.

A Visiona também contribui para o fortalecimento da defesa nacional, fornecendo tecnologias e serviços estratégicos para o governo brasileiro.

Novas oportunidades de negócios e parcerias
A expertise da Visiona em satélites de observação e comunicações pode abrir portas para novos contratos com governos e empresas privadas, fortalecendo a posição da Embraer no mercado de defesa e segurança.

Sinergia com outras áreas da Embraer
O conhecimento adquirido em sistemas embarcados, sensoriamento remoto e telecomunicações pode ser aplicado em produtos da Embraer, como aeronaves militares (ex: C-390 e Super Tucano) e sistemas de controle para aviação comercial.

Maior competitividade internacional
Com o avanço em tecnologias espaciais, a Embraer se posiciona como um player global não apenas na aviação, mas também no setor de defesa e aeroespacial, competindo com empresas internacionais em mercados de alto valor agregado.

Potencial para inovação e desenvolvimento de novas tecnologias
A atuação em projetos espaciais pode acelerar a inovação em inteligência artificial, análise de imagens de satélite, telecomunicações seguras e aplicações para agricultura, monitoramento ambiental e segurança nacional.

Em resumo, a parceria com a Visiona reforça a Embraer como uma empresa de alta tecnologia, diversificando sua atuação e agregando valor a seus produtos e serviços.

Sobre a Visiona
Criada em 2012, a Visiona Tecnologia Espacial é uma joint-venture entre a Embraer Defesa & Segurança e a Telebras. Voltada para a integração de sistemas espaciais e à prestação de serviços baseados em satélites, a companhia atende aos objetivos do Programa Espacial Brasileiro e a demandas de mercado.

A Visiona foi a responsável pelo Programa do Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas, o SGDC1, lançado em 2017. Em 2023, a empresa lançou o VCUB1, o primeiro nanossatélite de observação da terra e coleta de dados projetado por uma empresa no Brasil. Atualmente a Visiona lidera o projeto do satélite de observação da terra de altíssima resolução (SatVHR), com ampla participação de empresas e ICTs brasileiras.

A Visiona também fornece produtos e serviços de Sensoriamento Remoto e Telecomunicações por satélite, bem como Aerolevantamento SAR nas Bandas X e P, sempre buscando a vanguarda tecnológica. Nesse mercado, a Visiona já realizou mais de 100 projetos em diversos setores como o de agricultura, óleo e gás, serviços financeiros, utilidades, meio ambiente e defesa.

Parcerias tecnológicas
Os projetos de satélites da Visiona contam com uma extensa rede de parceiros institucionais e tecnológicos na construção do satélite e no desenvolvimento das aplicações, bem como de várias empresas da base industrial brasileira como: OPTO, AMS Kepler, Metalcard, Orbital Engenharia e SENAI-SC, entre outros, além do apoio financeiro da Embrapii (Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial) e do Instituto Senai de Inovação. 



14 julho, 2021

Live - Raio X da Indústria Espacial Brasileira


*LRCA Defense Consulting - 14/07/2021

No dia 16 de julho, às 14 horas, acontece a Live - Raio X da Indústria Espacial Brasileira. Organizada pela MundoGEO, a Live tem por objetivo apresentar toda a cadeia produtiva do setor, formada por veículos lançadores, centros de lançamento, satélites, sistemas e estações de recepção no solo na visão da Agência Espacial Brasileira, INPE, AIAB - Associação da Indústria Aeroespacial Brasileira e Visiona.

Esta cadeia envolve muitas empresas nacionais e internacionais, gerando receitas, investimentos em P&D e altos índices de empregabilidade de profissionais especializados. A partir de mais investimentos governamentais neste setor, as empresas nacionais poderão cada vez mais oferecer soluções de melhor qualidade e até buscar também mercados internacionais.

Com moderação de Emerson Granemann, CEO da MundoGEO, a Live vai contar com os convidados especiais:
- Adenilson Roberto da Silva (INPE)
- Henrique Fernandes Nascimento (AEB)
- Jadir Nogueira Gonçalves (Fibraforte/AIAB)
- João Paulo Campos (Visiona)

A Live faz parte das ações preparatórias para o evento SpaceBR Show, que acontece de 9 a 12 de novembro. O propósito do Fórum SpaceBR Show é o de integrar os diversos atores da comunidade do setor, formada pelas indústrias, instituições de ensino e pesquisa, usuários públicos e privados, além de divulgar para a sociedade os avanços espaciais, atraindo investidores e jovens para conhecer estas oportunidades. O SpaceBR Show busca se alinhar às recentes mudanças dos programas espaciais ao redor do mundo, e que também afetam o Programa Espacial Brasileiro: ampliando a participação privada nos programas governamentais.

Faça a sua inscrição sem custos clicando aqui.

Em 20 de maio aconteceu a Live sobre os benefícios do Programa Espacial Brasileiro. Veja aqui o replay na íntegra.

14 outubro, 2020

Fórum online “O futuro da Base Industrial Aeroespacial e de Defesa”

*LRCA Defense Consulting - 14/10/2020

O e-IMI (Information Management Institute), a Aerospace BR e a Sociedade Brasileira de Mentoria Sistêmica realizam o fórum online “O futuro da Base Industrial Aeroespacial e de Defesa”. O evento acontece de 13 a 16 de outubro e, segundo os organizadores, “será uma oportunidade de reunir executivos e gestores; empresas e empresários; profissionais e escolas e também associações e entidades governamentais e privadas”. O objetivo é pensar estes quatro vetores no pós-pandemia. Os quatro painéis temáticos de discussão serão transmitidos através do canal do YouTube da Aerospace BR (clique aqui).

“Lançamos a iniciativa em março e temos promovido uma série de debates e treinamentos nesses seis meses”, afirma o CEO da Aerospace BR e co-realizador do Forum, Fulvio Delicato. Segundo o empresário, desde agosto eles têm discutido possíveis soluções que contam com o envolvimento da Base Industrial Aeroespacial e de Defesa. A meta é favorecer a retomada das atividades, considerando o contexto da Covid-19. O setor busca alternativas sustentáveis para a adaptação nesse novo cenário, entendendo a necessidade de flexibilidade e adaptabilidade de todos os envolvidos.

“Em um momento em que toda a humanidade é desafiada a novos aprendizados e novos hábitos para ser e estar na vida, no mundo e no trabalho, vimos aqui compartilhar o que temos aprendido nesse período de pandemia. Isto para criarmos, em conjunto, um novo normal, que seja efetivo, saudável, próspero e sustentável para todos nós”, comenta Kleber Grasso, consultor associado da Aerospace BR e diretor de empreendedorismo do INVOZ, que apoia o evento.


Painéis

Serão quatro painéis reunindo de dois a quatro convidados, sempre das 18h30 às 20h00. Cada um representa um olhar da indústria aeroespacial e de defesa, consolidados em uma matriz sistêmica do setor. No total, os painelistas discutirão com o público por seis horas o futuro da base industrial. O perfil dos convidados pode ser conferido aqui neste link. Além do INVOZ,  o evento online conta com o apoio da Associação das Indústrias Aeroespaciais do Brasil (AIAB).

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