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05 novembro, 2026

Taurus e Fuzileiros Navais formalizam acordo para pesquisar armamentos e sistemas não tripulados

Acordo de Cooperação Técnica sucede o protocolo de fevereiro e aproxima a fabricante de uma Força que já desenvolve drones próprios e busca soluções no mercado 
 
 


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LRCA Defense Consulting - 05/11/2026 -  23h00

A Taurus Armas S.A. e a Marinha do Brasil, por intermédio do Corpo de Fuzileiros Navais (CFN), assinaram um Acordo de Cooperação Técnica (ACT) para pesquisa, desenvolvimento e inovação em tecnologias de defesa, segundo comunicado divulgado pela fabricante. O instrumento dá sequência ao Protocolo de Intenções firmado em 10 de fevereiro de 2026, na Fortaleza de São José, no Rio de Janeiro, e abrange armamentos, sistemas de defesa e plataformas aéreas e terrestres não tripuladas.

A troca de instrumento tem peso próprio. Um protocolo de intenções registra a disposição das partes em cooperar. Um acordo de cooperação técnica, em regra, organiza essa cooperação em torno de um plano de trabalho, com atribuições definidas para cada signatário. De acordo com a Taurus, o ACT servirá de base para o intercâmbio de conhecimentos, a identificação de necessidades operacionais, a realização de estudos técnicos e a avaliação de oportunidades de desenvolvimento conjunto de sistemas e equipamentos. 


Do protocolo ao acordo 
Conforme noticiou a LRCA Defense Consulting em fevereiro, o protocolo previa estudos sobre armas leves e coletivas, inclusive nos calibres 5,56 mm, 7,62 mm e .50, e drones armados voltados às necessidades do CFN. O documento tinha vigência de dois anos, estabelecia reuniões técnicas periódicas entre as equipes e não envolvia transferência de recursos financeiros. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) ofereceu apoio institucional à iniciativa, que associou ao programa Nova Indústria Brasil.

A redação do novo comunicado é mais ampla. Em lugar de drones armados, o texto menciona sistemas aéreos e terrestres não tripulados, com potencial de emprego em reconhecimento, missões operacionais e apoio às forças militares e de segurança pública. A referência à segurança pública alcança um mercado em que a Taurus já atua como fornecedora tradicional de armas leves.

Contato com a tropa nos exercícios do CFN 
Segundo a empresa, a aproximação com os Fuzileiros Navais já incluía a participação em exercícios realizados em Furnas, Minas Gerais, e em Formosa, Goiás, ao longo de 2026. Ambos são conduzidos pelo próprio CFN. A Operação Furnas 2026 reuniu cerca de 2 mil militares no entorno do Lago de Furnas, em São José da Barra, com blindados, viaturas anfíbias, embarcações, robôs e drones empregados em operações ribeirinhas.

A Operação Formosa, encerrada em 24 de setembro no Campo de Instrução de Formosa, mobilizou cerca de 2.900 militares brasileiros das três Forças, além de 33 blindados, oito aeronaves e 18 drones, segundo o Ministério da Defesa. O exercício abrigou ainda a Exposição de Defesa Expedicionária, espaço em que empresas da Base Industrial de Defesa (BID) apresentam seus sistemas às Forças Armadas.

Esse histórico traduz a lógica do acordo: orientar o projeto dos materiais a partir das exigências de quem os emprega. Na assinatura do protocolo, o Comandante-Geral do CFN, Almirante de Esquadra (FN) Carlos Chagas Vianna Braga, ressaltou que a confiabilidade do armamento é condição essencial para a segurança do pessoal militar.

“Essa cooperação aproxima a capacidade de engenharia, pesquisa e desenvolvimento da Taurus das necessidades operacionais do Corpo de Fuzileiros Navais. É uma oportunidade de orientar o desenvolvimento de soluções tecnológicas a partir de demandas concretas, valorizando o conhecimento nacional e contribuindo para ampliar a autonomia tecnológica do Brasil”, afirmou Salesio Nuhs, CEO Global da Taurus. 


Uma Força com iniciativas próprias 
A Taurus encontra no CFN uma organização que já investe em sistemas não tripulados. O Almirante Chagas declarou, em simpósio promovido pela Força, que a Marinha desenvolve drones de ataque do tipo kamikaze, mísseis expedicionários e robôs autônomos, em projetos financiados pelo Instituto de Tecnologia e Inovação do Corpo de Fuzileiros Navais. O CFN também ativou seu primeiro esquadrão de drones táticos de reconhecimento e ataque.

Em setembro de 2026, o Comando-Geral do CFN abriu chamamento público para uma Encomenda Tecnológica (ETEC) destinada ao desenvolvimento de um Sistema de Drones de Reconhecimento e Ataque Expedicionário. Nesse cenário, o ACT situa a Taurus como parceira de pesquisa em um segmento no qual a Marinha combina desenvolvimento interno e busca de soluções no mercado, e não como fornecedora já escolhida.

Diversificação além das armas leves 
A ampliação do entendimento acompanha a mudança de posicionamento da Taurus em 2026. Em entrevista à LRCA Defense Consulting, posteriormente reproduzida no portal da fabricante, Nuhs detalhou a estratégia de incorporar sistemas aéreos e terrestres não tripulados à atuação tradicional em armas leves, com propostas para reconhecimento, logística, ataque e outras tarefas, em diferentes estágios de desenvolvimento.

A empresa também informou ter firmado, em agosto de 2026, um Memorando de Entendimento com o Exército Brasileiro, acompanhado do fornecimento de 55 armamentos para experimentações e avaliações técnicas e operacionais. As iniciativas são distintas, mas revelam o mesmo método: aproximar-se do usuário militar desde as fases de avaliação e desenvolvimento.

Perspectivas para a Base Industrial de Defesa 

A Taurus apresenta a cooperação como alinhada à Estratégia Nacional de Defesa (END) e ao fortalecimento da BID. O potencial do acordo está em converter demandas operacionais em projetos nacionais, preservar conhecimentos de engenharia no País e reduzir a dependência de soluções estrangeiras em áreas sensíveis, além de estimular a pesquisa aplicada, a formação de especialistas e futuras exportações.

A concretização desses resultados dependerá das próximas etapas: definição de projetos prioritários, requisitos mensuráveis, ensaios, eventuais certificações e instrumentos específicos de contratação. Por ora, o avanço é institucional: a Marinha e a Taurus passaram da intenção a uma estrutura formal de cooperação técnica.

09 setembro, 2025

Akaer e ASELSAN firmam acordo para desenvolvimento conjunto em defesa e aeroespacial

 


*LRCA Defense Consulting - 09/09/2025

A Akaer, empresa brasileira de engenharia avançada para os setores de defesa e aeroespacial, e a turca ASELSAN, referência global em sistemas de alta tecnologia, assinaram um Memorando de Entendimento (MoU) para o desenvolvimento conjunto de soluções em defesa.

O acordo foi assinado entre Cesar Silva, CEO da Akaer  e Ahmet Akyol, CEO da Aselsan, nesta terça-feira (9) durante a DSEI (Defense and Security Equipment International), uma das principais feiras de defesa e segurança do mundo, realizada em Londres, no Reino Unido.

A parceria combina a experiência da Akaer em integração de sistemas complexos e atuação consolidada no Brasil com a expertise da ASELSAN em sistemas de defesa de última geração, fortalecendo a presença das duas empresas nos mercados latino-americano e internacional.

“Este acordo reforça a estratégia da Akaer de ampliar parcerias internacionais e oferecer soluções de ponta para o Brasil e para o mundo, consolidando nosso papel como integradores de tecnologia e inovação”, afirma o CEO da Akaer.

Acordo
O objetivo do Memorando é viabilizar a transferência de tecnologia, prospectar oportunidades e oferecer soluções integradas em áreas como aviônica, eletro-ótica, cargas úteis para missões especiais, modernização de veículos blindados, sistemas navais e terrestres, visão noturna e tecnologias autônomas, entre outras.

Com portfólios complementares, as empresas pretendem desenvolver inovações alinhadas às necessidades do setor de defesa, com potencial para ampliar mercados estratégicos no Brasil e no exterior.

A união estabelece uma frente conjunta voltada à industrialização de tecnologias de ponta, fortalecendo a Base Industrial de Defesa, ampliando a capacidade tecnológica nacional e apoiando a expansão global das duas empresas.

Sobre a Akaer

Com mais de 33 anos de experiência, a Akaer acumula um portfólio de mais de 10 milhões de horas de engenharia, com participação em mais de 50 programas aeroespaciais globais. A empresa teve papel fundamental no desenvolvimento da aeronave de transporte militar C-390 Millennium da Embraer, do caça Gripen E em parceria com a Saab, e do jato supersônico Hürjet, da Turkish Aerospace Industries.
Em 2024, a Akaer tornou-se a primeira empresa brasileira a ser reconhecida como Fornecedora Global de Nível 1 no setor aeroespacial, ao assinar contrato com a Deutsche Aircraft para o fornecimento da fuselagem dianteira do D328eco.

Sobre a ASELSAN
Com quase 50 anos de atuação, a ASELSAN é uma das líderes globais em eletrônica de defesa, desenvolvendo soluções que abrangem desde sistemas submarinos até aplicações espaciais.

O portfólio inclui tecnologias em defesa aérea, radares, guerra eletrônica, eletro-óptica, aviônicos, guiagem, sistemas terrestres e navais, comunicações, satélites e comando e controle militar.

No setor civil, a ASELSAN também oferece soluções para transporte, segurança, energia e saúde, consolidando-se como referência em inovação tecnológica.
 

30 outubro, 2024

Fabricante brasileira de aviões Embraer investe em ecossistema aeronáutico em Marrocos (visão marroquina)

Imagem introduzida pela LRCA, com fonte na Embraer


*le Desk, por Issam El Yadari - 30/10/2024

Primeiro grande anúncio no Marrakech Air Show 2024: a fabricante brasileira de aeronaves Embraer anunciou um investimento no Marrocos com impacto econômico potencial de 1 bilhão de dólares (MM$) até 2035, com a criação de mil empregos como parte do desenvolvimento de um ecossistema dedicado ao MRO, fornecimento e treinamento.

Os detalhes
O governo marroquino assinou um memorando de entendimento com a Embraer para lançar projetos conjuntos na indústria aeronáutica marroquina, abrangendo as áreas de aviação comercial, defesa e mobilidade aérea urbana. O memorando de entendimento também destaca o desejo mútuo de fortalecer e expandir a cooperação e os investimentos entre a República Federativa do Brasil e o Reino do Marrocos, com vista ao reforço da cooperação atlântica entre duas referências no Sul Global, anuncia neste contexto o Ministério da Indústria e Comércio.

O acordo entre o governo marroquino e a Embraer foi assinado pelo Ministro da Indústria e Comércio, Ryad Mezzour, pelo Ministro Delegado do Chefe do Governo, responsável pelo Investimento, Convergência e Avaliação de Políticas Públicas, Karim Zidane, diretor-geral da Agência Marroquina Agência do Desenvolvimento de Investimentos e Exportações, Ali Seddiki, e do Presidente e CEO da Embraer Aviação Comercial, Arjan Meijer.

Aviação comercial, defesa e mobilidade aérea urbana
As partes identificaram oportunidades comerciais, com excelente potencial para trazer benefícios mútuos no curto e longo prazo para a Embraer e o Marrocos. O acordo abrange oportunidades nas áreas da aviação comercial, defesa e mobilidade aérea urbana, proporcionando um quadro para construir um ecossistema de abastecimento integrado no Marrocos, promovendo a inovação e o crescimento econômico e contribuindo para a criação de emprego, bem como para o desenvolvimento de competências locais, acrescenta a mesma fonte.

Este projeto de cooperação terá também em conta um vasto conjunto de áreas a desenvolver em fases progressivas, incluindo formação e MRO (Manutenção, Reparação e Revisão). Outras áreas serão exploradas para potenciais colaborações, nomeadamente a área da Investigação e Tecnologia, em particular na descarbonização, na mobilidade limpa, na aviação sustentável e nos combustíveis sustentáveis de aviação.

O impacto econômico potencial estimado de todos os projetos, uma vez concluídos, incluindo manutenção, reparação e revisão, formação, desenvolvimento de ecossistemas e outras áreas, atingirá 300 milhões de dólares (M$), com a criação de 300 empregos até 2030, e até um bilhão de dólares. (MM$) e a criação de 1.000 empregos até 2035.

“Hoje, assinamos um acordo de parceria histórico com a Embraer durante este prestigiado evento – Marrakech Airshow”, disse Ryad Mezzour, “Esta colaboração não apenas destaca a força do nosso ecossistema marroquino, mas também nos posiciona como um ator-chave para a indústria aeronáutica global. Marca um momento decisivo na evolução da nossa indústria da aviação, reforçando o nosso compromisso com a excelência e atraindo investimentos estratégicos de líderes globais da indústria. Este acordo irá catalisar uma sinergia mais profunda entre o Marrocos e a Embraer, grande líder da indústria, acelerando as nossas ambições partilhadas e libertando o potencial para conquistas revolucionárias na aeronáutica."

“Esta é uma oportunidade única para a Embraer desenvolver um relacionamento de longo prazo com a forte e dinâmica indústria aeronáutica marroquina”, disse Arjan Meijer, Presidente e CEO da Embraer Aviação Comercial. “É particularmente gratificante ver que nossos novos parceiros em Rabat dão às competências e ao treinamento a mesma importância que damos na Embraer. A educação, as competências e o desenvolvimento dos jovens são a base de qualquer indústria forte e um valor partilhado por todas as partes. Esperamos fazer a diferença juntos, expandindo a indústria e maximizando os benefícios para todos."

“Marrocos está destinado a ser um grande parceiro da Embraer Defesa e Segurança, e estamos empenhados em trabalhar em estreita colaboração com as Forças. A Real Força Aérea Marroquina posicionará o C-390 como a escolha de referência para suas futuras capacidades de transporte aéreo tático. Nosso apoio incluiria treinamento abrangente, manutenção e logística para sua frota”, disse Bosco da Costa Junior, Presidente e CEO da Embraer Defesa e Segurança. “Com um número crescente de países escolhendo o C-390 por seu desempenho excepcional e alta disponibilidade, hoje é o momento ideal para a Força Aérea Real Marroquina considerar ingressar nesta comunidade forte."

Fonte: Moroccan Military Forum (imagem introduzida pela LRCA)

Acordos estratégicos em montante
A cooperação do Marrocos com os seus parceiros de língua portuguesa ultrapassa assim o simples quadro da aquisição pela Royal Air Force (FRA) do avião de transporte militar KC-390. As negociações, conforme relatado anteriormente por Le Desk em março passado, abrangem uma colaboração mais ampla incentivada pela atração do ecossistema aeronáutico nacional em pleno crescimento e pelo desejo de Rabat de, em última análise, construir um complexo militar-industrial.

Há dez anos, o fabricante de aviões brasileiro, que forneceu aviões de médio curso ERJ 190 à Royal Air Maroc, selecionou 25 subcontratantes aeronáuticos marroquinos com vista à integração das suas peças nos seus aviões, nomeadamente nas suas unidades industriais portuguesas em Évora. Em 2016, também planejou formar engenheiros aeronáuticos no reino com o objetivo de desenvolver engenharia local, aproveitando a experiência internacional da Embraer.

Enquanto as unidades industriais da Embraer Metálicas e da Embraer Composites localizadas no parque industrial aeronáutico de Évora registram atualmente uma elevada procura de mão de obra qualificada destinada a responder ao aumento da capacidade produtiva dos centros de excelência localizada na cidade do Alentejo, cuja operação é de importância estratégica para a Embraer, a fabricante pretende alargar o seu fornecimento de peças metálicas e compósitas ao Marrocos, contando nomeadamente com o acordo-quadro de cooperação em defesa com o Marrocos assinado em Brasília em junho 2019 e ratificado pela Comissão de Relações Exteriores do Senado brasileiro no final de abril de 2023.

O acordo prevê, além da entrega de equipamento militar e de exercícios conjuntos, a implementação e desenvolvimento de programas de transferência de tecnologia de defesa, tendo em conta a partilha industrial e de conhecimento entre os dois países.

Com mais de 147 empresas operando no setor, o Marrocos desenvolveu uma cadeia de abastecimento integrada e competitiva, atingindo uma taxa de integração local de 40%. O setor gera cerca de 2 bilhões de dólares em exportações anuais e continua a crescer com o apoio do governo e de zonas industriais, como Midparc em Casablanca.

24 março, 2022

Acordo entre Brasil e Angola na área de Defesa passa na CRE


*Agência Senado - 24/03/2022

A Comissão de Relações Exteriores (CRE) aprovou nesta quinta-feira (24) relatório do senador Chico Rodrigues (DEM-RR) favorável ao acordo de cooperação entre Brasil e Angola na área da Defesa (PDL 86/2020). O acordo passa a disciplinar essa cooperação nas áreas de inteligência militar, equipamentos e sistemas militares, ciência e tecnologia de interesse militar, apoio logístico e aquisição de produtos e serviços de Defesa.

Na prática, o acordo ainda disciplina as visitas mútuas de delegações de alto nível a entidades civis e militares; formação de quadros e pessoal técnico-militar; intercâmbio de instrutores e estudantes; promoção de ações conjuntas de treino e instrução militar e exercícios militares conjuntos. Chico Rodrigues detalhou outros pontos do acordo, assinado em 2010.

— Trata ainda de consultorias no domínio de armamentos e técnica militar; implementação e desenvolvimento de programas e projetos de aplicação de tecnologia de Defesa, com a possibilidade da participação de entidades militares de nível estratégico. E o fornecimento, reparação e modernização de armamentos e técnica militar, além de visitas a navios de guerra e aeronaves militares. É um acordo que se inscreve no marco da prioridade africana da política externa brasileira — explicou o senador.

O acordo entre Brasil e Angola segue agora para análise do Plenário do Senado.

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