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23 agosto, 2023

A importância da expansão da Base Industrial de Defesa no Brasil


*LinkedIn, por Leonardo de Moraes - 22/08/2023

Em um cenário global cada vez mais complexo, é fundamental que o Brasil se concentre na expansão e desenvolvimento de sua base industrial de defesa. Essa medida se torna imperativa por várias razões.

Primeiramente, a segurança nacional é uma preocupação primordial para qualquer nação. Uma base industrial de defesa forte garante que o Brasil tenha acesso a tecnologias e equipamentos de ponta necessários para proteger suas fronteiras e interesses. Reduzir a dependência de fontes estrangeiras para esses recursos críticos é vital para garantir a soberania e a capacidade de resposta em tempos de crise.

Além disso, a expansão da indústria de defesa tem o potencial de se tornar um motor de crescimento econômico. O investimento em pesquisa, desenvolvimento e produção de tecnologia militar pode criar empregos de alta qualificação, estimular a inovação e atrair investimentos. Isso não só diversifica a economia, reduzindo a dependência de setores específicos, como também contribui para a estabilidade financeira do país.

A tecnologia é um aspecto crucial da segurança nacional e da autonomia estratégica. A capacidade de desenvolver e controlar tecnologias avançadas não apenas fortalece a capacidade de defesa do Brasil, mas também permite que o país se torne um líder em inovação. Isso pode abrir oportunidades de exportação e cooperação internacional, reforçando sua posição no cenário global.

Além disso, a base industrial de defesa proporciona flexibilidade operacional. Com a capacidade de projetar e fabricar soluções sob medida para desafios específicos, o Brasil pode responder eficazmente a uma ampla gama de ameaças, desde operações de manutenção da paz até situações de conflito convencional.

Por fim, a busca da autonomia estratégica é fundamental para proteger os interesses nacionais, independentemente de pressões externas. Ao investir na expansão de sua base industrial de defesa, o Brasil pode reduzir sua vulnerabilidade a questões políticas e comerciais internacionais, garantindo sua capacidade de manter a segurança nacional.

Em resumo, o desenvolvimento da base industrial de defesa do Brasil é uma medida estratégica vital para garantir a segurança, estimular o crescimento econômico, alcançar autonomia tecnológica, promover cooperação internacional e garantir a flexibilidade operacional. É uma oportunidade de investimento que não apenas fortalece o país, mas também o coloca em uma posição de liderança no cenário mundial. Portanto, é imperativo que o Brasil priorize essa expansão.

19 agosto, 2022

Taurus recebe a Comenda Porto do Sol, mais alta distinção da Câmara de Vereadores de Porto Alegre

Sergio Fioravante, Membro do Conselho de Adm. da Taurus; Salesio Nuhs, CEO Global da Taurus; Vereadora Comandante Nádia; Sergio Sgrillo, CFO e Diretor de RI da Taurus; Leonardo Sesti, Diretor de Engenharia da Taurus; e Eduardo Minghelli, assessor especial da presidência da Taurus

*LRCA Defense Consulting - 19/08/2022

A Taurus Armas recebeu nesta quarta-feira (17), em Sessão Solene na Câmara Municipal de Porto de Alegre, a Comenda Porto do Sol. A distinção – mais alta honraria concedida pela Câmara a pessoas físicas ou jurídicas que se destacam na sociedade civil – foi proposta pela vereadora Comandante Nádia.

Nádia destacou os serviços prestados e as importantes contribuições sociais e econômicas da Taurus para a região, para o Brasil e o mundo, como a geração de riquezas, empregos e renda, o desenvolvimento de tecnologias e inovação, e produtos voltados a defesa e segurança que deixam a vida das pessoas mais segura.

A homenagem foi recebida pelo CEO Global da Taurus, Salesio Nuhs, que agradeceu o reconhecimento
do Poder Legislativo de Porto Alegre. “Esta Comenda Porto do Sol expressa o reconhecimento público das ações e serviços prestados pela Taurus ao longo de seus 82 anos de história. É uma honra ter nosso trabalho reconhecido. E é com muita alegria que quero dividir essa honraria com todos os nossos funcionários que fazem da Taurus uma referência em seu setor, sendo considerada hoje a maior vendedora de armas leves no mundo, líder mundial na fabricação de revólveres, uma das maiores produtoras de pistolas do mundo, a marca mais importada no competitivo mercado dos Estados Unidos e o orgulho dos gaúchos e dos brasileiros”, afirmou.

A Taurus é uma Empresa Estratégica de Defesa. A empresa foi fundada na capital gaúcha em 1939 por um grupo de empresários do Rio Grande do Sul, as vésperas da Segunda Guerra Mundial. Iniciou como uma fábrica de ferramentas em Porto Alegre, porém logo entendeu sua vocação no mundo das armas e, em 1942, passou a projetar e fabricar os primeiros revólveres Taurus.

Atualmente, sediada em São Leopoldo, no Rio Grande do Sul, e com mais duas unidades produtivas, uma na Geórgia (nos EUA) e outra no estado de Haryana (na Índia), possui um completo portfólio de produtos composto por revólveres, pistolas, submetralhadoras, fuzis, carabinas, rifles e espingardas, atendendo os mercados civil, militar e policial no Brasil e em mais de 100 países.

Ao longo de sua trajetória de sucesso, a Taurus sempre priorizou investimentos nas potencialidades do Rio Grande do Sul e apostou em sua força de trabalho. A companhia emprega cerca de 3.500 pessoas e movimenta uma grande cadeia de fornecedores que geram milhares de empregos indiretos.


Pesquisa, Desenvolvimento, Inovação e Pioneirismo
A empresa investe fortemente em pesquisa e desenvolvimento, possui parcerias com renomadas instituições de ensino da região, entre elas a UFRGS, UCS, UNISINOS e a UFSC, e conta com um Centro Integrado de Tecnologia e Engenharia Brasil/Estados Unidos (CITE). Em reconhecimento pelo seu elevado padrão de qualidade e inovação, a Taurus já recebeu 36 prêmios internacionais.

O pioneirismo é destaque entre as qualidades que levaram a Taurus a ocupar um lugar destaque na indústria. A primeira arma com grafeno, a GX4 Graphene, é prova mais recente disso. A partir do seu lançamento, a Taurus iniciou a 3ª geração mundial de pistolas, uma tecnologia desenvolvida em território nacional para o resto do mundo.

A Taurus também está desenvolvendo outros projetos pioneiros, como a aplicação de nano partículas de nióbio em ligas de metais que, junto com o grafeno, completará novo ciclo tecnológico de materiais inéditos utilizados na fabricação de armamentos, e que além de agregar valor aos produtos Taurus, agregam valor ao Brasil, que possui as maiores reservas de nióbio e a segunda maior reserva de grafeno do mundo.

A empresa também está negociando um contrato inédito de nacionalização da tecnologia de aplicação de DLC (Diamond Like Carbon), tecnologia que aumenta a dureza do aço, e uma parceria de transferência de tecnologia com uma empresa norte-americana para desenvolver polímeros com fibras longas, material que proporciona maior resistência e robustez ao produto.

A inovação faz parte hoje do DNA da Taurus e os importantes investimentos da empresa em novas tecnologias geram não apenas contribuições a indústria, em produtos e processos, mas também riquezas para a economia do Rio Grande do Sul e do País e avanço tecnológico mundial.

Neste sentido, nos últimos anos, a Taurus também realizou a renovação do seu parque fabril com a aquisição de equipamentos e maquinários que contam com tecnologia de última geração e expandiu o seu complexo industrial para atuação de fornecedores estratégicos, projeto que recebeu investimentos superiores a R$ 110 milhões e que gerou centenas de empregos.

Responsabilidade Social
A Taurus também possui um forte e contínuo compromisso com a responsabilidade social. Nos últimos anos realizou diversas ações de solidariedade no Rio Grande do Sul, atendendo as demandas das comunidades próximas de sua unidade fabril, e no Brasil.

Desde 2020 a Taurus realiza a campanha interna "Solidariedade em Dobro", com a doação de alimentos para instituições e projetos sociais. Ao todo, nas três edições da campanha, foram doados um total de 120 toneladas de alimentos.

Durante o período da pandemia de COVID-19, a Taurus também realizou importantes doações – que, ao todo, somaram mais de R$ 15 milhões de reais –, entre equipamentos para a Secretaria de Saúde de São Leopoldo para aumentar a capacidade dos leitos de UTI da região, 6 mil testes de diagnóstico do COVID-19 para Fundação Hospital Centenário de São Leopoldo e, em conjunto com empresas da região, a doação de um tanque de 1,5 mil metros cúbicos de oxigênio. Além disso, forneceu refeições para os integrantes do Batalhão da Polícia Militar e para a Guarda Municipal, em serviço na cidade de São Leopoldo, durante o tempo em que o comércio (restaurantes e lanchonetes) esteve fechado.

A Taurus ainda produziu e doou, em trabalho conjunto com o Exército Brasileiro e a Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 500 mil protetores faciais (Face Shield) para nove estados brasileiros, sendo 120 mil para o Estado do Rio Grande do Sul e 100 mil distribuídos para hospitais e municípios diretamente no Estado. E fez doações para o Santuário Sagrado Coração de Jesus, localizado junto ao túmulo do Padre Reus, em São Leopoldo, ajudando o padre Resende e sua comunidade a manter as despesas e as obras sociais durante o período de pandemia, assim como com equipamentos de proteção (máscaras face shield) para os trabalhadores do Santuário.

Investimento nas pessoas

A Taurus possui um grande comprometimento com seus colaboradores. A empresa investe nas pessoas e em projetos que têm como objetivo cuidar, incluir e desenvolver os profissionais. Entre eles, destaque para o programa Jovem Aprendiz, que promove a inclusão de jovens-adolescentes no mercado de trabalho, e o Programa Educacional de Excelência em Pesquisa e Inovação (PROET), destinado aos colaboradores-estudantes que, através de cursos de pós-graduação, mestrado, doutorado, desenvolvem projetos de melhoria contínua em produtos e processos nas áreas estratégicas da companhia.

Assim como o projeto Taurus do Bem, que visa incluir pessoas com deficiência no ambiente de trabalho por meio de capacitação técnica. Desde 2021, 12 alunos fazem parte desta experiência transformadora, vivenciando o dia a dia da companhia e convivendo com os colaboradores da Taurus. Este ano, a empresa realizou um vernissage beneficente, com leilão das obras de arte produzidas pelos alunos do projeto. A iniciativa arrecadou mais de R$ 40 milhões e o valor foi destinado aos alunos e à Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE) de São Leopoldo.

Por todas essas e outras ações em andamento, a companhia recebe esta justa homenagem, a Comenda Porto do Sol, que valoriza os esforços e contribuições de empresas gaúchas, como a Taurus, e que dá mais disposição para que sigam em frente promovendo contribuições a sociedade.

Comenda da Corregedoria-Geral da Brigada Militar
No dia 18 de agosto, o CEO Global da Taurus Armas S.A., Salesio Nuhs, recebeu a Comenda da Corregedoria-Geral da Brigada Militar, em virtude da comemoração do Jubileu de Prata dessa entidade e em reconhecimento aos relevantes serviços presatados a essa Organização Policial Militar.



15 janeiro, 2022

Defesa e desenvolvimento: as faces de uma mesma moeda

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Prof. Dr. Marcos José Barbieri Ferreira


*SAAB - 17/12/2021

O brasileiro passa, em média, 10 horas e oito minutos conectado, segundo um estudo da Hootsuite em parceria com a We Are Social. É fato e de conhecimento público que a internet está incorporada ao cotidiano da sociedade. Mas, o que se sabe do nascimento desta rede que a cada dia ganha mais adeptos?

Sua origem se deu em 1969, na indústria de defesa e no mundo acadêmico. A conexão em rede, então chamada Arpanet, surgiu para transmitir dados militares sigilosos e interligar departamentos de pesquisa nos Estados Unidos. Além da internet, o desenvolvimento de outras importantes inovações a partir do setor de defesa, transbordaram para o mercado civil.

Para detalhar a temática de investimento em Defesa para o desenvolvimento de um país, conversamos com o Prof. Dr. Marcos José Barbieri Ferreira da Faculdade de Ciências Aplicadas da Universidade Estadual de Campinas (FCA/Unicamp) e coordenador do Laboratório de Estudos das Indústrias Aeroespaciais e de Defesa (LabA&D) da Unicamp. Especialista em indústrias aeroespaciais e de defesa, ele também ministrou duas aulas do módulo Economia de Defesa no curso de extensão universitária em Relações Internacionais, com foco em Defesa, promovido pela Saab em parceria com o Programa Interinstitucional (Unesp, Unicamp e PUC-SP) de Pós-Graduação em Relações Internacionais San Tiago Dantas.

1.    Qual a importância do investimento em Defesa para um país e sua população?


O investimento é essencial para fornecer meios de defesa de forma autônoma e garantir a soberania, integridade e capacidade de desenvolvimento para um país e a sociedade. O Brasil, que tem necessidades amplas e heterogêneas, precisa de equipamentos de defesa que estão na fronteira tecnológica. Assim, precisamos que os investimentos sejam ainda mais prementes. Além disso, os recursos financeiros na área de Defesa podem levar a uma capacitação direta da indústria, tanto pelo desenvolvimento e pela manutenção dos equipamentos militares, quanto pelo efeito de transbordamento para o restante da estrutura produtiva, o que chamamos de spin-offs. Como exemplo, temos os primeiros computadores do Brasil, que surgiram na década de 1970 em grande parte decorrentes dos aportes da Marinha e depois da Força Aérea, na busca pela autonomia de uso. O investimento em Defesa não se reflete necessariamente no PIB, mas as atividades de pesquisa e desenvolvimento na área de Defesa, envolvendo empresas, centros de pesquisa e universidades foram fundamentais para o desenvolvimento científico e tecnológico dos países mais avançados.

2.    Qual é a sua avaliação quanto à inovação e ao processo de transferência de tecnologia do Programa Gripen brasileiro?

Temos uma dupla vantagem em relação ao Gripen. Primeiro, ele atende as nossas necessidades de plataforma aérea de combate com excelente relação custo-benefício. Segundo, trata-se de um projeto que vem permitindo a transferência de tecnologia por meio da participação de destacadas empresas brasileiras em diversas etapas de desenvolvimento da aeronave, incluindo engenharia estrutural, sistemas de visualização de interface homem-máquina e integração de armas, graças à parceria do Brasil com a Suécia. A execução do programa tem demonstrado que foi uma escolha acertada e uma parceria benéfica para todos. O Brasil se beneficiou do projeto Gripen e da transferência de conhecimento sueca. Por outro lado, acredito que a Suécia, a Força Aérea Sueca e a Saab também foram favorecidas pela capacitação e exigências brasileiras em todo o processo.

3.    Em julho, o senhor ministrou aulas no curso de Relações Internacionais, com foco em Defesa, do Programa Interinstitucional de Pós-graduação em Relações Internacionais San Tiago Dantas, em parceria com a Saab. Qual a sua opinião sobre essa iniciativa que contemplou jornalistas da imprensa nacional?

Uma das funções básicas da universidade é informar à sociedade. Particularmente na área de Defesa, em que o acesso a informações é muito restrito a determinados grupos. Então, a aproximação com jornalistas é essencial para que possamos promover o conhecimento nesta área. Ao mesmo tempo, tivemos a oportunidade de aprender com eles, ouvir suas demandas e compreendendo melhor o tipo de informação que a sociedade necessita. Além de formar profissionais de comunicação, contribuímos para que eles, por meio de seu trabalho, levem informações de alto nível sobre o setor de Defesa à sociedade. Espero que iniciativas como essa também sejam feitas em outras áreas.

4.    Ainda sobre o curso de Relações Internacionais para jornalistas, qual a sua avaliação sobre a aula e a participação dos alunos?

Espero que todos tenham gostado e aproveitado tanto quanto eu. Foi uma excelente oportunidade para troca de ideias, com jornalistas especializados no setor contribuindo para o debate com perguntas técnicas, e os da imprensa tradicional trazendo questões-chave relacionadas ao contexto macro da Defesa. Foi muito proveitoso participar de uma iniciativa de fomento do conhecimento para imprensa e, consequentemente, para o país. O desenvolvimento da indústria da Defesa gera demanda, conhecimento, emprego e renda para toda sociedade. Por isso, terminei minha aula com a reflexão sobre o binômio “defesa e desenvolvimento são duas fases da mesma moeda”. Nenhum país do mundo conseguiu ter um, sem o outro. Por isso, espero que essa iniciativa contribua para que a sociedade brasileira veja a importância do setor da Defesa.

5.    A Suécia é reconhecida mundialmente pelo sucesso da execução do modelo tripla-hélice de inovação. Na sua opinião, como o Brasil poderia intensificar a conexão entre academia, indústria e governo?

Em uma ponta, temos que ter um setor público com efetivo poder de compra, isto é, com recursos e capacidade de demandar adequadamente. Isso significa ter uma estrutura de análise para definir o produto de acordo com a real necessidade do país. A indústria aeronáutica é um exemplo bem-sucedido desta prática. Em outra ponta do tripé, temos as empresas que precisam ser tecnologicamente desenvolvidas. No Brasil, há poucas. Um exemplo é a Embraer, única grande empresa nacional do segmento de alta intensidade tecnológica. Precisamos ter empresas desenvolvidas no país, como ocorre na Suécia. Não adianta ter capacidade de engenharia e de conhecimento se não há mercado para os profissionais trabalharem ou aplicarem as tecnologias desenvolvidas. As universidades e centros de pesquisa, por sua vez, precisam de recursos quando surge uma demanda do governo e do setor privado. No Brasil a Academia tem grande capacidade de formar recursos humanos, além realizar pesquisas básicas e, mesmo, aplicadas. Mas quando pensamos em inovação, não será a Academia a aplicá-la. São as empresas que ficam com esse papel, como vemos na aeronáutica. Neste segmento, temos uma grande empresa brasileira, em parceria com uma companhia estrangeira bem estabelecida. O Estado e a Força Aérea têm atuado de forma exemplar por meio da COPAC (Comissão Coordenadora do Programa Aeronave de Combate) e do IFI (Instituto de Fomento e Coordenação Industrial). Por fim a Academia, que participa ativamente deste processo.

6.    Quais são as principais necessidades da indústria de Defesa do Brasil?

As necessidades são amplas e heterogêneas. Temos de ter condições de operar na Amazônia, que é totalmente diferente de atuar na Caatinga, na área urbana do Sudeste ou no Sul. O Brasil é um país continental que tem uma população relativamente grande, com recursos naturais e estrutura produtiva complexa. Ademais, faz fronteira com dez países da América do Sul e possui uma costa marítima imensa. Essas características fazem com que tenhamos uma grande importância do ponto de vista geopolítico, particularmente no Atlântico Sul. Para que o Brasil possa se desenvolver, é preciso ter uma estrutura de defesa que dê retaguarda para que se faça de maneira autônoma. Por isso, precisamos de equipamentos e de meios de defesa sofisticados, que estão na fronteira tecnológica, como meio de fortalecer as Forças Armadas em todas as áreas. Entretanto, quanto mais estratégico for o produto, maior a dificuldade para adquiri-lo no exterior. Nós podemos, no limite, até importar coturnos ou munições, mas não devemos importar equipamentos estratégicos como aviões de caça, submarinos e sistemas de comando e controle. Entendo que devemos desenvolver e produzir esses equipamentos estratégicos no Brasil e, quando não tivermos condições nesse sentido, possamos firmar parceria com países aliados e importantes estrategicamente para a nação, como dispõe a Estratégia Nacional de Defesa de 2008.

7.    Qual a relevância da indústria de Defesa para as inovações do mundo?


Existem dois tipos de inovação: a disruptiva, que rompe com o que existe, que cria o novo, e a complementar, também importante. Primeiro temos uma ruptura e depois de estabelecido o novo modelo, temos as inovações complementares ao longo do tempo, como vemos com no contínuo aprimoramento dos celulares e automóveis. A inovação disruptiva tem um grau de incerteza extremamente elevado. Por isso, quem promove essas inovações é o Estado, em grande parte através das aquisições militares. A necessidade de ser superior ao oponente – que pode ser real, mas em geral é potencial – fica à frente do risco econômico. Uma parcela significativa de inovações disruptivas provém da Defesa. Por exemplo, 10 entre 13 das tecnologias disruptivas integradas nos IPhones tiveram origem neste setor. É um pouco como funciona a indústria farmacêutica. Bilhões e bilhões de dólares foram investidos por governos ao redor do mundo para financiar universidades e empresas no desenvolvimento de vacinas contra a Covid-19. Não por acaso, as indústrias da Defesa e Farmacêutica são de altíssima intensidade tecnológica e estão entre as que mais promovem as inovações disruptivas.

8.    Nos últimos anos, tivemos uma redução em inovações advindas do setor de Defesa. Qual sua avaliação sobre esse cenário? Pode exemplificar soluções desenvolvidas com foco na indústria de Defesa Naval e que, a partir do transbordamento de tecnologia, foram incorporadas ao cotidiano da sociedade? (Exemplos de spillovers).

Estamos em um processo de transformação e grande parte das inovações disruptivas ao longo da história surgiu da área de Defesa. No século XV, Henrique VII, investiu na produção de canhões dentro do processo de centralização do Estado, alavancando a indústria de ferro da Inglaterra para o que seria a base para a Revolução Industrial. No século XIX, a necessidade do exército estadunidense de ter rifles com componentes padronizados que pudessem ser intercambiados foi a base da produção em massa da Segunda Revolução Industrial. E a própria internet nasceu no final da década de 1960, quando a Advanced Research Projects Agency (ARPA) do Departamento de Defesa dos EUA desenvolveu uma rede descentralizada de computadores para conter situações de ataque a uma central. Essas inovações tiveram papel-chave e decisivo no processo de evolução da estrutura produtiva.

9.    Comumente, as inovações surgem do setor de Defesa para o ambiente civil. Mas, há exemplos de situação inversa?

Geralmente, o fluxo maior da inovação disruptiva é do militar para o civil. O inverso, ou seja, civil para militar ocorre quando precisamos de produção em maior escala e custos menores. Parte considerável do desenvolvimento de componentes microeletrônicos teve significativo avanço com a expansão dos bens de consumo. A Defesa, por exemplo, realizou altos investimentos que permitiram criar os primeiros componentes microeletrônicos, utilizados inicialmente nos sistemas de guiagem de mísseis. Posteriormente, os componentes microeletrônicos passaram a ser utilizados em celulares, computadores e diversos outros bens de consumo, sendo produzidos em alta escala. Então, dependendo do equipamento de defesa, fica muito mais barato utilizar componentes civis quando possível.

10. Quais são as suas expectativas para o setor de Defesa e/ou de Aeronáutica para os próximos anos?

Depende fundamentalmente de como a economia brasileira vai reagir a profunda estagnação econômica pela qual passa desde 2015. A pandemia da Covid-19 agravou ainda mais a crise econômica, o que vem sendo prejudicial, principalmente, para os projetos na área de Defesa. É fundamental ao país recuperar a capacidade de crescimento e, mais do que isso, que se tenha um projeto nacional de desenvolvimento. Isso porque, como já foi dito, defesa e desenvolvimento são faces de uma mesma moeda. Como é que se justifica gastos crescentes em defesa, se não há recursos para isso. Nós temos potencial e essa é a palavra-chave neste processo. Temos potencial para fazer o país voltar a crescer e se desenvolver. E não só potencial por ser um país grande, com recursos naturais, mas o potencial da capacidade de criação, de inovação, de empreendedorismo, de conhecimento. Na Academia, batalhamos para que esse potencial torne algo efetivo.

19 outubro, 2021

Embraer firma MoU com Fokker Techniek e Fokker Services visando oportunidades em Defesa, Desenvolvimento e Suporte

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*LRCA Defense Consulting - 18/10/2021

A Embraer assinou hoje (18) um Memorando de Entendimento com a Fokker Techniek e a Fokker Services. O memorando abre oportunidades para explorar conjuntamente uma ampla gama de atividades nos mercados de Defesa, Aviação Comercial, além de Serviços e Suporte.

“A Embraer é a parceira ideal para esta colaboração. Nossa história e profundo conhecimento de produtos e soluções para aeronaves nos permitirá trazer uma perspectiva única nas as diversas áreas de desenvolvimento nas quais Embraer está pesquisando”, disse Roland van Dijk, CEO da Fokker Techniek.

“A Fokker Techniek e a Fokker Services são empresas aeroespaciais conhecidas e respeitáveis, com raízes na construção aviões e no suporte de frotas em todo o mundo. Sua rede, experiência e tradição em aviação mundialmente reconhecidas, serão uma combinação perfeita com os Serviços e Suporte da Embraer. Acreditamos que, juntos, podemos atender melhor nossos clientes com soluções feitas sob medida,” disse Johann Bordais, Presidente e CEO da Embraer Services & Suporte.

Nos próximos meses, Embraer, Fokker Services e Fokker Techniek discutirão uma variedade de oportunidades e buscarão utilizar suas respectivos conhecimentos e capacidades em novos projetos. Para Defesa, isso inclui a aeronave de transporte C-390 Millennium e possíveis especificações do usuário final, bem como futuro suporte à frota.

“Seja o mercado de Defesa com nosso suporte para a aeronave de transporte C-390 Millennium ou qualquer tipo de suporte ou desenvolvimento no mercado aviação Comercial, estamos confiantes de que muitos projetos interessantes surgirão nos próximos anos”, disse Menzo van der Beek, CEO da Fokker Services.

“Há um enorme potencial para as duas empresas no desenvolvimento conjunto de oportunidades Este é um passo muito importante na estratégia da Embraer de estabelecer parcerias significativas e estratégicas em todo o mundo”, disse Jackson Schneider, Presidente e CEO da Embraer Defesa & Segurança.

Outras oportunidades de Defesa estão em discussão, como a conversão e acabamento de aeronaves de missão e transporte especial. No mercado de aviação Comercial, o suporte de engenharia e logística serão os principais elementos a serem explorados, além do desenvolvimento de aeronaves movidas a hidrogênio. Por fim, também serão analisados os tópicos relacionados com suporte de pós-venda, como suporte a programas, logística, serviços de reparo e muitas outras oportunidades.

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