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06 julho, 2026

Plano para destravar o ATMOS une Elbit e Avibras Aeroco em Jacareí

Segundo o Estadão, o Ministro José Múcio obteve aval de Lula para acordo que tornaria o obuseiro israelense montado no Brasil; AEL Sistemas negocia com a Avibras Aeroco e o sistema PULS, da Elbit, entra no pacote; comandante do Exército visitou as 18 unidades fabris de Jacareí em 1º de julho; inauguração oficial do complexo foi adiada a pedido da Presidência 

ATMOS 2000

*LRCA Defense Consulting - 06/07/2026

A AEL Sistemas, subsidiária brasileira da israelense Elbit Systems, está negociando com a Avibras Aeroco um acordo que pode finalmente destravar a licitação bilionária por meio da qual o Exército Brasileiro pretende adquirir 36 viaturas blindadas de combate obuseiro autopropulsado de 155 mm sobre rodas (VBCOAP 155 mm SR). A informação é da coluna do jornalista Marcelo Godoy, publicada nesta segunda-feira (7) pelo jornal O Estado de S. Paulo.

Segundo a coluna, o ministro da Defesa, José Múcio Monteiro Filho, obteve do presidente Luiz Inácio Lula da Silva o sinal verde para o acordo, que tornaria o ATMOS 2000 "100% nacional", expressão que traduz o enquadramento político da solução, não uma realidade industrial estrita, já que o obuseiro em si é produto israelense. A ideia é que a Avibras Aeroco, que retomou as operações em seu complexo de Jacareí (SP) após aporte de R$ 300 milhões de um grupo de investidores que inclui os irmãos Joesley e Wesley Batista, seja responsável pela montagem e integração local do sistema.

Licitação vencida, contrato suspenso
O ATMOS 2000, montado sobre chassi Tatra T-815 6×6, venceu em abril de 2024 a licitação internacional RFP/RFT COLOG nº 01/2023, superando o Zuzana 2 (Excalibur International, Tchéquia), o CAESAR (KNDS, França) e o SH-15 (Norinco, China). O valor estimado do contrato é de cerca de US$ 210 milhões (aproximadamente R$ 1 bilhão ou 180 milhões de euros, dependendo da cotação). A escolha foi considerada tecnicamente superior em desempenho, alcance, precisão e proposta de transferência de tecnologia.

O contrato, no entanto, foi suspenso ainda em 2024. O PT e aliados entendiam que a compra poderia contribuir indiretamente para o esforço de guerra israelense na Faixa de Gaza. Apesar do aval técnico do Tribunal de Contas da União (TCU), que em dezembro de 2024 rejeitou a medida cautelar da KNDS contra o resultado, e do visto político que o próprio Lula havia dado à compra original, as negociações permaneceram paralisadas. Como escreveu Godoy, parte do governo parecia seguir o ensinamento de Hans Morgenthau: as Forças Armadas são instrumento da política externa, não o seu senhor.

A Avibras como chave política e industrial
A solução desenhada pelo ministério serve a dois objetivos simultâneos. O primeiro é político: associar uma empresa brasileira de grande porte ao projeto reduz o peso simbólico da compra israelense e oferece ao governo uma narrativa de fortalecimento da indústria nacional. O segundo é industrial: a Avibras Aeroco, dona do maior complexo fabril de defesa da América Latina, com 2,7 milhões de metros quadrados e 18 unidades fabris encravadas na Serra do Mar, perto da Rodovia dos Tamoios, já opera o chassi Tatra, o mesmo utilizado no ASTROS II e previsto para o ATMOS.

Em 1º de julho, o comandante do Exército, general Tomás Miguel Ribeiro Paiva, acompanhado do comandante do Sudeste, general Ricardo Piai Carmona, e dos generais Everton Pacheco da Silva (Escritório de Projetos do Exército), Erb Lyra Leal (Departamento de Ciência e Tecnologia), Marcelo Lorenzi Zucco (2ª Divisão de Exército) e Evandro Luís Amorim Rocha (Aviação do Exército), visitou todas as unidades fabris do complexo de Jacareí. Embora o tema do ATMOS não tenha sido tratado diretamente na visita, a coluna do Estadão informa que a alternativa de nacionalização da montagem já é objeto de "conversas iniciais" entre a Força Terrestre, a Avibras Aeroco e a Elbit/AEL. Entre os generais, a solução é vista positivamente como vetor de desenvolvimento da Base Industrial de Defesa (BID).

A empresa hoje conta com 500 funcionários, cerca de um terço do efetivo de quando operava a pleno vapor, e deve entregar os primeiros dois lotes de munições ao Exército ainda em 2026. A Avibras Aeroco trata o tema do ATMOS com cautela, tanto por razões empresariais quanto políticas, já que está em fase inicial de retomada.

Sistema PULS

O PULS e a artilharia de precisão integrada
O pacote negociado vai além do obuseiro. Segundo a coluna do Estadão, a AEL Sistemas pode oferecer à Avibras Aeroco também o sistema de lançamento múltiplo de foguetes e mísseis Precise & Universal Launching System (PULS), desenvolvido pela Elbit. O PULS é uma plataforma de alta precisão e flexibilidade, capaz de disparar diferentes tipos de munições: foguetes não guiados, foguetes guiados e mísseis balísticos de teatro (TBMs - projéteis de curto e médio alcance projetados para atingir alvos dentro de um "teatro de operações" militar específico) a partir de uma mesma unidade de lançamento.

Tanto o ATMOS quanto o PULS podem ser montados sobre o chassi Tatra, o mesmo utilizado pela Avibras no ASTROS II. Segundo oficiais do Exército ouvidos pela coluna, essa compatibilidade abre caminho para uma evolução natural do ASTROS, com ganho expressivo de capacidade de fogo de precisão a longa distância. A integração simplificaria também a cadeia logística da Força Terrestre, que já opera e mantém o chassi tcheco.

É por meio do ASTROS que a Avibras Aeroco planeja lançar o Míssil Tático de Cruzeiro (MTC-300), com alcance de até 450 km e previsto para teste em novembro de 2026, e o futuro Míssil Tático Balístico (S+100), de natureza hipersônica. A eventual incorporação do PULS ao mesmo sistema de lançamento criaria uma plataforma de fogo de precisão que abrangeria desde foguetes não guiados até mísseis de teatro.

O contexto que pressiona por uma decisão
A urgência em torno do programa vai além do impasse político com Israel. O Exército Brasileiro opera hoje obuseiros com projetos de cerca de 70 anos. O general Tomás Paiva tem reiterado publicamente a necessidade de modernização da artilharia divisionária diante do novo cenário geopolítico, citando os conflitos na Ucrânia e no Oriente Médio como demonstração da centralidade do fogo de precisão, dos drones e dos mísseis no campo de batalha moderno. Na sexta-feira (4), o general reafirmou à coluna do Estadão com síntese direta: "Nós queremos drones."

No SSNTFT 2026, realizado em Brasília em 27 de maio, o mesmo general havia rompido com décadas de discurso oficial ao afirmar: "No passado, não tínhamos nenhuma ameaça na América do Sul. Hoje temos uma percepção de ameaça." Dias antes, o ministro Múcio, em encontro reservado com representantes da BID, havia sido ainda mais contundente: "A Defesa é precaríssima. A Defesa brasileira é incompatível com o tamanho e as potencialidades do Brasil. Nós não temos defesa."

É nesse ambiente que a solução Elbit/AEL/Avibras ganha tração. A perspectiva de um acordo de paz no Oriente Médio, somada à nacionalização da montagem, oferece ao governo Lula uma saída que preserva a escolha técnica do Exército sem o custo político de um contrato direto com empresa israelense em plena guerra. Para a BID brasileira, representa a possibilidade de que o maior programa de artilharia do Exército em décadas ancore capacidade produtiva real em território nacional.

Próximos passos... e um adiamento que fala por si
As conversas entre Exército, Avibras Aeroco e Elbit/AEL estão em estágio inicial. Não há anúncio oficial de contrato assinado. O desfecho depende da conclusão das negociações entre as empresas, da formalização do aval presidencial em instrumento contratual e, possivelmente, da evolução do quadro diplomático no Oriente Médio.

Nesse contexto, um detalhe da agenda chama atenção. A inauguração oficial do complexo de Jacareí, originalmente marcada para 2 de julho de 2026, foi adiada com poucos dias de antecedência a pedido formal da Presidência da República, para permitir a participação de autoridades do governo federal. 

A justificativa oficial é protocolar. Mas a coincidência com o momento em que o sinal verde presidencial para o acordo ATMOS/Avibras acaba de ser dado, segundo a coluna do Estadão, abre uma leitura alternativa, além de uma possível injeção de novos recursos e da mera capitalização política do evento: o governo pode preferir que a cerimônia ocorra já num estágio mais avançado ou formalizado das negociações, transformando a inauguração num marco político de peso, não apenas para a Avibras Aeroco, mas para o próprio governo Lula, que teria, enfim, uma narrativa de solução para um impasse que se arrasta há mais de dois anos.

09 outubro, 2025

MANSUP entra em nova fase: SIATT adapta viatura ASTROS dos Fuzileiros Navais para lançadores de mísseis


*LRCA Defense Consulting - 09/10/2025

A SIATT (Sistemas Integrados de Alto Teor Tecnológico) recebeu nesta semana a primeira viatura dos Fuzileiros Navais que passará por um extenso processo de modernização para operar os sistemas de lançamento do míssil antinavio brasileiro MANSUP (Míssil Antinavio Nacional de Superfície) e de sua variante de maior alcance, o MANSUP-ER (Extended Range).

O veículo, originalmente empregado em missões de apoio de fogo e transporte de lançadores convencionais, será adaptado para integrar plenamente as tecnologias nacionais desenvolvidas no âmbito do Programa MANSUP da Marinha do Brasil. Entre as modificações previstas estão reforços estruturais para acomodar o lançador e seus dispositivos de sustentação, instalação de sistemas de controle de tiro compatíveis com os novos armamentos, integração de comunicações seguras e modernização da arquitetura elétrica e eletrônica para suportar operações em ambientes marítimos e costeiros.

Esta etapa decorre diretamente da bem-sucedida prova de conceito realizada em dezembro de 2024, quando a Marinha efetuou o primeiro disparo operacional do MANSUP a partir de terra, validando a eficácia do sistema e sua integração com plataformas navais e terrestres. O MANSUP, com alcance aproximado de 70 km, e o MANSUP-ER, projetado para exceder 150 km, representam o núcleo da estratégia brasileira de autossuficiência em armamentos guiados antinavio, reduzindo dependência de fornecedores externos e garantindo maior autonomia tecnológica.

O projeto, conduzido em parceria entre a SIATT, a Marinha do Brasil e empresas do setor de defesa, faz parte de um esforço mais amplo de nacionalização de sistemas estratégicos, enquadrado no portfólio da Estratégia Nacional de Defesa. A viatura modernizada deverá servir tanto para missões de defesa costeira e proteção de infraestruturas marítimas críticas quanto para exercícios conjuntos com outras forças, ampliando consideravelmente a capacidade de dissuasão e resposta dos Fuzileiros Navais.

Além do aspecto tecnológico, a adaptação de veículos para o lançamento do MANSUP e MANSUP-ER cria novas oportunidades para a indústria nacional, que passa a dominar processos de integração complexos envolvendo sensores, controle de tiro, sistemas de navegação inercial e integração com radares de vigilância. Para a SIATT, especializada em sistemas inteligentes de missão, este marco simboliza mais um passo na consolidação do Brasil como desenvolvedor de soluções de alto desempenho no cenário internacional de defesa. 

21 março, 2025

FAB realiza transporte inédito da viatura ASTROS da Marinha acoplada ao Míssil MANSUP

 


*LRCA Defense Consulting - 21/03/2025

O Brasil avança na modernização de sua defesa com a integração entre poder aéreo e mísseis de longo alcance. Em uma operação conjunta, a Força Aérea Brasileira (FAB) e a Marinha do Brasil (MB) demonstram a capacidade do KC-390 Millennium de transportar o Sistema ASTROS II acoplada ao míssil anti-navio MANSUP (Míssil Anti-navio Nacional de Superfície).

A ação representa um salto estratégico para as Forças Armadas, que passam a contar com maior interoperabilidade, flexibilidade, pronta resposta e alcance no deslocamento de armamentos pesados, como o míssil anti-navio MANSUP. O transporte do ASTROS pelo KC-390 garante que o Brasil possa reposicionar rapidamente seu poder de fogo para qualquer região do país, reforçando a capacidade de defesa e dissuasão.

“Essa missão em conjunto com a Marinha do Brasil é fundamental tanto para a realização do exercício operacional em Fortaleza quanto para o fortalecimento dos laços entre as Forças”, destacou o Comandante da aeronave, Capitão Aviador Israel Amorim Barbosa Leal.

Mobilidade Estratégica
A Operação coordenada pelo Comando de Operações Aeroespaciais (COMAE) por meio do Primeiro Grupo de Transporte de Tropa (1º GTT) - Esquadrão Zeus - unidade da FAB responsável pela operação do KC-390, realizou, pela primeira vez, nesta sexta-feira (21/03), o transporte do sistema de artilharia ASTROS, com saída na Base Aérea do Galeão (BAGL) e destino a Fortaleza (CE), realizando uma escala técnica em Salvador (BA). O ASTROS, que pesa aproximadamente 24 toneladas, foi embarcado na aeronave e deslocado para o Nordeste em poucas horas, pousando às 16h30 em Fortaleza, demonstrando a rapidez com que as Forças Armadas podem redistribuir seus meios de combate.

Essa mobilidade estratégica permite que o Brasil projete seu poder militar com rapidez, seja para a defesa de suas fronteiras terrestres, seja para a proteção da Amazônia Azul, área marítima de 5,7 milhões de quilômetros quadrados sob jurisdição brasileira.

Operação “Jeanne d’Arc 2025”
O envio do sistema de mísseis Astros está relacionado à operação da Marinha do Brasil (MB) e da Marinha Nacional da França (MNF), que iniciaram, no dia 16/03, a Operação "Jeanne d'Arc 2025". O exercício conjunto, que ocorre até 02/04 nas proximidades de Fortaleza, tem como objetivo aprimorar a interoperabilidade entre as Forças e fortalecer a cooperação bilateral.

Interoperabilidade entre as Forças
A operação reflete um novo paradigma na defesa nacional, em que Exército, Marinha e FAB atuam de forma integrada. O ASTROS II, desenvolvido no Brasil, é um dos mais avançados sistemas de lançamento de foguetes do mundo e, agora, pode ser reposicionado rapidamente pelo KC-390 para reforçar pontos estratégicos do país.

Além disso, o sistema é capaz de disparar o míssil anti-navio MANSUP (Míssil Anti-navio Nacional de Superfície), projetado para atingir alvos a distâncias superiores a 70 quilômetros. Essa capacidade amplia a defesa do litoral brasileiro, permitindo que o Exército e a Marinha possam neutralizar ameaças navais.

Pronta Resposta
Com o uso do KC-390, a FAB pode posicionar o ASTROS em qualquer local do território nacional em até 24 horas. Além da velocidade no deslocamento, o KC-390 tem capacidade de operar em pistas não preparadas, o que significa que pode pousar em regiões remotas e estratégicas. Isso amplia as possibilidades de emprego da artilharia de foguetes, que pode ser usada em qualquer ponto do Brasil em um curto espaço de tempo.

Capacidades Operacionais do KC-390 Millennium
O KC-390 Millennium é um cargueiro estratégico com capacidade para transportar até 26 toneladas de carga, incluindo veículos pesados, equipamentos e até mesmo cargas humanitárias, sendo capaz de realizar diversas missões, como transporte aéreo logístico, reabastecimento em voo, evacuação aeromédica, busca e salvamento, entre outras. A aeronave é reconhecida por sua alta capacidade de carga, velocidade e alcance, características que a posicionam como uma das mais avançadas de sua categoria.




*Com informações da Força Aérea Brasileira e da Marinha do Brasil

10 fevereiro, 2024

Protegendo o litoral – por que a Artilharia de Costa está de volta à agenda

Míssil antinavio ucraniano R-360 Neptune logo após o lançamento, mostrando o propulsor que cai após o motor turbojato principal ser ligado

*Shephard Media, por Christopher F Foss - 09/02/2024

Acontecimentos como o naufrágio do cruzador russo Moskva pela Ucrânia, em Abril de 2022, utilizando um sistema de mísseis Neptune, realçaram a crescente ênfase colocada na defesa costeira por vários países, especialmente na Europa.

Na maioria dos países ocidentais, a artilharia de costa desapareceu há muitos anos (na década de 1950, no Reino Unido e nos EUA), mas as nações nórdicas, como a Dinamarca, a Noruega, a Finlândia e a Suécia, mantiveram as suas defesas até ao final da Guerra Fria.

Eram uma mistura de canhões de torre estática, como o Bofors ERSTA de 120 mm implantado pela Noruega e pela Suécia, artilharia móvel e mísseis.

Mas hoje em dia, um número crescente de países procura expandir a sua capacidade de disparos costeiros de longo alcance, principalmente com mísseis superfície-superfície altamente móveis.

Dado o seu sucesso em combate, o sistema R-360 Neptune da Ucrânia pode ser visto como um exemplo desta tecnologia. O míssil, que também pode ser lançado do ar, foi desenvolvido pelo departamento de design Luch.

De acordo com o contratante principal, uma bateria típica de defesa costeira de Neptuno consistiria num posto de comando móvel, 48 mísseis, quatro lançadores autopropulsados ​​cada um com quatro munições, quatro veículos de carregamento, quatro veículos de transporte e um conjunto de equipamento de apoio terrestre.

Todas as unidades são baseadas em uma plataforma com rodas 8x8 ou 6x6 para mobilidade estratégica, com velocidades máximas declaradas de 70 km/h.

O míssil de propulsor sólido de 420 mm de diâmetro tem um alcance máximo de disparo de 300 km e usa um buscador de radar ativo montado no nariz, com até oito pontos de referência para dificultar a detecção.

Logo após o míssil deixar o lançador, o propulsor cai e o motor principal é ligado; na fase terminal o míssil está apenas três a dez metros acima das ondas.

Os lançadores podem estar localizados a até 25 km da costa com alvos detectados por via aérea (incluindo UAVs), satélites e radares terrestres ou marítimos.

O número de mísseis lançados depende do alvo, como os dois que atingiram o Moskva (nau capitânia da frota russa no Mar Negro) , infligindo pesados ​​danos que mais tarde o afundaram enquanto estava sendo rebocado.

Os quatro lançadores podem disparar uma salva de 16 mísseis ao mesmo tempo contra alvos bem defendidos para superar as contramedidas do navio, sendo o intervalo entre as salvas de três a cinco segundos.

Assim que a missão de fogo for concluída, os lançadores e veículos associados se moverão para serem recarregados e evitar a detecção.

Além desta capacidade interna, os EUA também concordaram recentemente em fornecer à Ucrânia duas baterias de mísseis Boeing Harpoon para a função de defesa costeira.

Este sistema dos EUA também é favorecido noutro potencial ponto de conflito, Taiwan, com os EUA a aprovarem a venda a Taipei de um sistema de defesa costeira baseado no mais recente modelo Harpoon, que inclui 100 lançadores, 400 mísseis Block II e equipamento de treino.

Na Turquia, a Roketsan desenvolveu o míssil antinavio Atmaca como substituto dos Harpoons fornecidos pelos EUA e está a ser comercializado um modelo de veículo de defesa costeira. O Atmaca tem um alcance de pelo menos 220 km com uma ogiva de 220 kg.

Enquanto isso, a China desenvolveu uma tecnologia baseada em armas para esta função, com a NORINCO comercializando um 'Sistema de Armas de Defesa Costeira de 155 mm' normalmente consistindo de três baterias, cada uma com seis obuseiros rebocados de 45 ou 52 cal e radar de apoio, postos de comando e observação.

O alcance máximo depende do projétil e da carga, mas disparar um projétil assistido por foguete de alcance total e de alcance estendido (ERFB-BB) a partir de um sistema 52cal é eficaz em até 51 km. Além disso, projéteis de artilharia guiados por laser podem ser usados ​​para efeito de precisão.

De volta à Europa, a Espanha oferece um equivalente com uma versão do obus SBT General Dynamics European Land Systems-Santa Barbara Sistemas 155mm 155/52 APU otimizado para a missão de defesa costeira e acoplado a um posto de comando e radar associado.

Ao disparar um projétil M107 HE padrão, o alcance máximo é de 18 km, mas pode ser estendido para 41 km usando um projétil ERFB BB.

O equivalente da Marinha Russa é o sistema de artilharia costeira móvel A-222 Bereg 130 mm, oferecido para exportação como Bereg-E.

Os três elementos principais do sistema de artilharia costeira russo A-22 2 Bereg 130 mm são vistos aqui: o veículo de apoio ao combate MOBD, o posto CPU C2 e a unidade de fogo SAU. (Foto: Rosoboronexport)

Todos os elementos são baseados no chassi do caminhão MAZ-543M 8x8, que possui um alto nível de mobilidade cross-country. Como estes não são mais construídos, seria necessária uma nova plataforma para qualquer produção futura. Um sistema Bereg completo normalmente consistiria em um veículo C2 (CPU), um veículo de apoio ao combate (MOBD) e até seis unidades de fogo (SAU).

Os SAUs são equipados com um canhão de 130 mm montado na torre, que também é encontrado a bordo de alguns navios da marinha russa e dispara os mesmos tipos de munição a um alcance máximo de 22 km, com uma cadência máxima de tiro de 12 tiros por minuto.

Embora a Suécia tenha dissolvido o seu braço de artilharia costeira há anos, manteve alguns mísseis Saab RBS 15 instalados em caminhões Scania 6x6, bem como lançadores para o Hellfire dos EUA otimizados para a missão de defesa costeira. Esses Hellfires guiados por laser têm a designação sueca RBS 17 e são equipados com uma ogiva de fragmentação de explosão projetada localmente.

Além da Suécia, a Croácia e a Finlândia também utilizam o RBS 15 para a defesa costeira. A plataforma do caminhão 6x6 normalmente possui quatro mísseis em recipientes que são elevados antes do lançamento.

De acordo com a Saab, o sistema foi projetado para fornecer um alto grau de semelhança entre instalações em navios e em terra, o que significa que mísseis e outros equipamentos podem ser compartilhados e usados ​​em diferentes plataformas.

O míssil de produção atual é o RBS 15 Mk 3, disponível no mercado com alcance máximo de cerca de 200 km. Uma característica fundamental do sistema RBS 15 mais amplo é que ele é modular e extensível, permitindo ao cliente dimensionar e adaptar a cobertura de lançadores, radares e postos de comando para corresponder a novos perfis de ameaça.

O desenvolvimento da próxima geração do RBS 15, o Mk 4 Gungnir, está em andamento, com o compromisso de compatibilidade, permitindo uma transmissão suave para os operadores do Mk 3.

O Míssil de Ataque Naval (NSM) de Kongsberg, normalmente lançado em navios, também constitui a base do Sistema de Defesa Costeira (CDS) comercializado pela empresa norueguesa. Isto já foi exportado, primeiro para a Polônia e, mais recentemente, para a Romênia e a Letônia através do sistema FMS dos EUA.

O núcleo do NSM CDS é o Fire Control Center (FCC), que também fornece gerenciamento de batalha C4I. Isto aproveita o Centro de Direção de Fogo usado no sistema de mísseis de defesa aérea NASAMS de Kongsberg, com mais de 120 unidades já entregues.

O lançador do CDS normalmente fica em um caminhão 8x8 ou 6x6, que pode ter cabine protegida, com quatro NSMs implantados em vasilhames na traseira do veículo. O elemento final é um radar de vigilância e rastreamento marítimo que normalmente seria selecionado pelo cliente.

Lançador do Sistema de Defesa Costeira Polonês Kongsberg NSM baseado em um chassi Jelcz 6x6 com cabine protegida dispara um de seus mísseis de ataque naval. (Foto: Kongsberg)

O NSM CDS foi implantado pela Marinha Polaca na sequência de contratos assinados em 2008 e 2011 abrangendo 50 mísseis. Este sistema está operacional há mais de 12 anos e seus lançadores são baseados no caminhão local Jelcz 6x6, juntamente com radares TRS-15C, veículos de controle e comando de fogo. Um segundo lote de mísseis e lançadores foi encomendado.

Mais recentemente, o NSM foi selecionado pelo USMC como parte do Sistema de Interdição de Navios Expedicionários da Marinha (NMESIS). O lançador para esta aplicação é um veículo tático leve conjunto Oshkosh controlado remotamente que transporta dois mísseis.

Em busca de novas oportunidades, Kongsberg se uniu à Thales Australia para oferecer o conceito de equipe de fogo StrikeMaster para atender aos requisitos do sistema antinavio terrestre Land 4100 Fase 2 de Canberra.

Todos os elementos do veículo seriam baseados no Thales Australia Bushmaster 4x4, que já está em serviço na Austrália e em outras operadoras. A FCC proposta é semelhante àquela usada com NASAMS pelo Exército Australiano.

Um ponto a favor desta candidatura é que o NSM já foi escolhido para navios da Marinha Real Australiana. De acordo com Kongsberg, “o sistema NSM é insuperável no esperado ambiente negado do futuro e pode ser transferido entre caminhões e navios, se necessário”.

Também competindo neste espaço está o MBDA com o Sistema de Defesa Costeira de Marte (MCDS), que utiliza os mísseis Marte Mk 2/N ou Marte Extended Range (ER).

Normalmente haveria quatro caminhões lançadores com quatro mísseis cada (ou os mísseis podem ser disparados de um palete sobre macacos), além de um centro C2 em contêiner e um módulo logístico.

O atual Marte Mk 2/N é supersônico e possui uma ogiva HE semiperfurante equipada com fusíveis de impacto e proximidade com um alcance máximo de cerca de 30 km. O ER mais recente tem um alcance máximo de mais de 100 km e é guiado usando navegação inercial no meio do curso através de waypoints e uma fase terminal de radar ativo.

O primeiro cliente do MCSD é o Qatar, que também encomendou o mais recente Exocet MM40 Block III.

Outro concorrente para contratos de defesa costeira é o míssil Blue Spear desenvolvido pela Proteus Advanced Systems, uma JV entre a IAI de Israel e a ST Engineering para atender aos requisitos da Marinha da República de Singapura.

Foi desenvolvida uma versão terrestre e, em outubro de 2021, o Centro Estônio para Investimento em Defesa assinou um contrato com a Proteus para fornecer a Blue Spear para a função de defesa costeira.

O Blue Spear tem um alcance de pelo menos 290 km a uma velocidade subsônica de Mach 0,85. Ele possui modos de operação disparar e esquecer e disparar e atualizar, com capacidade de navegação no mar em baixo nível.

A Rússia também utiliza mísseis para missões de defesa costeira há muitos anos, sendo alguns deles exportados.

Os antigos mísseis antinavio terrestres 4K51 Rubezh (alcance máximo de 80 km) e P-35B Redut (270 km) foram substituídos na Marinha Russa pelos mais capazes K-300P Bastion P e 3K60 Bal.

O Bastion-P é transportado e lançado a partir de uma plataforma 8x8 e lança verticalmente dois mísseis P-800 Oniks que possuem um motor propelente sólido e um ramjet para capacidade supersônica.

O alcance máximo é estimado em 300 km e o Oniks usa um buscador de radar ativo, um buscador de imagens IR e uma ogiva de 200/250 kg. Além disso, existe uma versão estática chamada Bastion-S.

O 3K60 Bal também é baseado em uma plataforma MZKT-7930 8x8 e carrega oito mísseis subsônicos 3M-24 em duas camadas de quatro. Estes têm um alcance máximo de até 120 km com uma ogiva semiperfurante. Mais recentemente, uma versão melhorada foi lançada com maior alcance e é usada em conjunto com orientação por satélite.

Uma bateria típica compreenderia um veículo de comando, dois veículos lançadores e dois veículos de reabastecimento. Estes sistemas russos têm os seus próprios elementos C2 e radares, mas normalmente estariam ligados a uma rede global mais ampla com outros recursos.

Além de armas e mísseis, sistemas de foguetes de artilharia também são implantados por alguns países na função de defesa costeira.

A Avibras do Brasil desenvolveu uma versão específica para a missão do lançador múltiplo de foguetes Astros II, enquanto os Emirados Árabes Unidos implantam o lançador de berço múltiplo de 122 mm da Jobaria Defense Systems na função antianfíbio. Isto pode ser equipado com cápsulas de foguetes não guiados Roketsan de 122 mm ou 300 mm que seriam disparados contra embarcações de desembarque que se aproximassem.

O Avibras Astros II é um dentre um número relativamente pequeno de sistemas de foguetes de artilharia oferecidos especificamente para a função de defesa costeira. (Foto: Avibras)

É então evidente que, em pontos de conflito atuais e potenciais em todo o mundo, desde o Báltico ao Mar Vermelho e ao Estreito de Taiwan, um número crescente de tecnologias de mísseis, obuseiros e foguetes estão sendo adaptados e implantados para dissuadir e derrotar ameaças navais. Se isto representa uma reposição ou adição de defesas que ocorre uma vez numa geração, ou se este foco continuará a longo prazo, dependerá em grande parte das mudanças geopolíticas e do curso dos conflitos.
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Mísseis antinavio MANSUP
A LRCA Defense Consulting lembra que a brasileira SIATT, em parceria com o Grupo EDGE, está desenvolvendo os mísseis antinavio MANSUP e MANSUP-ER que equiparão as novas fragatas da classe Tamandaré da Marinha do Brasil e que também poderão receber a configuração terrestre para atuar como Artilharia de Costa.

As soluções MANSUP estão passando por testes intensivos pela frota naval do Brasil e, eventualmente, também serão adaptadas para integração em sistemas aéreos e terrestres selecionados.

Outro destaque a lembrar é a crescente capacidade da Índia em produzir mísseis de todos os tipos, como o míssil supersônico de cruzeiro BrahMos para a defesa costeira, que já foi exportado para as Filipinas.

01 novembro, 2023

A principal artilharia de foguetes do exército brasileiro (visão da mídia oficial do exército vietnamita)

O Jornal do Exército Popular do Vietnã (Quân dôi nhân dân) trouxe hoje sua visão sobre o Sistema Astros II.

Lançador de foguetes Astros II. Foto de: Portaldefesa
 

*Quân dôi nhân dân - 01/11/2023

Astros II é um sistema de foguetes de lançamento múltiplo projetado, desenvolvido e fornecido pela empresa de defesa brasileira Avibras para as forças armadas do país, bem como para exportação.

Baseado no chassi do veículo blindado com rodas 6x6 Tectran VBT-2028, todo o sistema Astros II tem peso de 24 toneladas, comprimento de 9,9m, largura de 2,8m e altura de 3,2m, com tripulação de 4 pessoas. Dependendo do tamanho da bala, os contêineres contêm 32, 8 ou 4 foguetes.

Se comparado com outros modelos do mesmo segmento, como o BM-21 Grad da Rússia ou o M142 HIMARS da América, o Astros II não é muito notável. No entanto, possui uma vantagem significativa que outras linhas de artilharia de foguetes não possuem, que é a capacidade de implantar muitos tipos diferentes de foguetes para cada tipo específico de missão.

Assim, o Astros II pode disparar 4 tipos de foguete: SS-30 127mm (alcance 30km), SS-40 180mm (35km), SS-60 300mm (60km) e SS-80 300mm (85-90km).

Por outro lado, um sistema Astros II  pode lançar muitos tipos diferentes de munição simultaneamente quando seu lançador móvel é projetado aberto com compartimentos de munição separados.

Além disso, os componentes do sistema Astros II  MLRS também incluem um veículo de reconhecimento e um veículo de comando por radar que permitem que as unidades se coordenem entre si de forma mais eficaz, especialmente quando esta arma está equipada com foguete guiados.

Com base em alguns dos parâmetros básicos mencionados acima, podemos concluir temporariamente que o Astros II possui capacidades de combate abrangentes para um modelo moderno de artilharia de foguetes de lançamento múltiplo, adequado para todas as forças de artilharia.

11 maio, 2023

Avibras apresenta o ASTROS III, novo sistema de lançamento de mísseis e foguetes

A Avibras projetou o lançador de mísseis e foguetes ASTROS III AV-LMU para oferecer significativo poder de fogo de saturação de artilharia. (Avibras)

*Janes, por Victor Barreira - 11/05/2023

A Avibras Indústria Aeroespacial está considerando a construção de um protótipo de seu recém-projetado Sistema de Foguete de Saturação de Artilharia (ASTROS) III autopropelido e sistema de lançamento de foguetes.

O desenvolvimento do ASTROS III foi impulsionado pelas lições aprendidas com o conflito militar na Ucrânia, onde os sistemas de saturação de artilharia têm sido procurados e eficazes, disse João Brasil Carvalho Leite, presidente da empresa, a Janes .

A unidade ASTROS III Avibras Universal Multiple Rocket Launchers (AV-LMU) é baseada em um chassi pesado de alta mobilidade T 815 - 7T3B41 8×8 da Tatra Truck e oferecerá maior poder de fogo em comparação com a geração 6×6 ASTROS II Mk6 fornecida para o Brasil e Indonésia, acrescentou Leite.

A Avibras poderia usar um chassi T 815 - 7T3B41 8 × 8 que possui em seu estoque para potencialmente produzir a unidade de lançamento 8 × 8 ASTROS III AV-LMU, disse Leite.

O ASTROS III também estará disponível na configuração do veículo de reabastecimento de munição, AV-RMD, disse Leite.

Maior poder de fogo
A unidade de lançamento ASTROS III vem com uma plataforma de lançamento múltiplo multicalibre AV-PLM para quatro mísseis de cruzeiro tático AV-MTC por lançador (dois para o ASTROS II), 72 foguetes AV-SS 30 por lançador (32 para o ASTROS II), 40 Foguetes AV-SS 40 de 180 mm por lançador (16 para o ASTROS II), 12 foguetes AV-SS 60 por lançador (quatro para o ASTROS II), 12 foguetes AV-SS 80 por lançador (quatro para o ASTROS II) e 12 foguetes AV-SS 150 por lançador (dois para o ASTROS II).

A matéria completa da Janes está no link acima.

*Nota da LRCA Defense Consulting
Já que o desenvolvimento do ASTROS III foi impulsionado pelas lições aprendidas com o conflito militar na Ucrânia, esta Consultoria acredita que o ASTROS III, além de acumular todo o legado tecnológico do ASTROS MK6, já venha configurado da mesma maneira que o novo ASTROS II AFC, ao qual a Avibras integrou seu próprio sistema automatizado de controle de tiro, possibilitando que cada lançador seja usado também de forma autônoma, de maneira similar ao M142 HIMARS.

Saiba mais:
- Avibras traz grandes novidades para a LAAD Defence & Security 2023

07 setembro, 2021

Avibras poderá receber encomendas superiores a um bilhão de dólares

 

O Sistema de Foguetes de Artilharia para Saturação de Área da Avibras, Empresa Estratégica de Defesa sediada em São José dos Campos (SP), é referência mundial em sua classe, sendo que o sistema de foguetes terra-terra destaca-se por sua grande mobilidade e capacidade de lançar foguetes e mísseis de vários calibres a distâncias entre 9 e 300 km. Com eficácia comprovada em combate, em três importantes conflitos, o sistema é versátil e pode ser utilizado para artilharia de campanha e/ou operação no litoral.

O lançador de mísseis de cruzeiro e foguetes guiados Astros II é a versão mais moderna desse Sistema, encontrando-se em uso no Brasil e em vários outros países.

Para completar a 3ª Bateria de Mísseis e Foguetes do 16º Grupo de Mísseis e Foguetes (16º GMF), o Centro de Logística de Mísseis e Foguetes realizará a aquisição de três Viaturas Astros MK-6 no valor global de R$ 26.241.329,31, do qual R$ 6.560.332,33, representando 25% da proposta comercial, serão antecipados à empresa Avibras, haja vista que a "antecipação de pagamento representará condição indispensável para obtenção do bem". A autorização oficial para a aquisição e seus termos se encontra no Despacho Decisório - C Ex nº 384, de 19/08/2021, publicada no Boletim do Exército nº 34, de 27/08/2021.  

Em entrevista ao jornal Valor, publicada em 06/09/2021, o Secretário de Produtos de Defesa do Ministério da Defesa, Marcos Degaut, referindo-se às vendas mundiais da Avibras, declarou que "Já temos engatilhadas vendas superiores a US$ 1 bilhão, para alguns parceiros que eu não posso mencionar agora. Mas é questão de detalhes".


17 setembro, 2020

Pela primeira vez, Artilharia do Exército dispara com o Sistema ASTROS em ambiente operacional amazônico


*Noticiário do Exército - 17/09/2020

No dia 15 de setembro, o 6º Grupo de Mísseis e Foguetes (6º GMF), sediado em Formosa (GO), realizou duas missões de tiro real, com o objetivo de neutralizar uma base do exército oponente. Foi o primeiro tiro com o sistema de lançadores múltiplos ASTROS em ambiente amazônico. O exercício militar é parte da Operação Amazônia, uma simulação de guerra em ambiente de selva. Além do ASTROS, a missão de tiro real envolveu disparos dos mísseis antiaéreos RBS-70 e IGLA-S.

Considerado o maior exercício de adestramento militar realizado na região, a operação reúne 3.600 integrantes de seis Comandos Militares de Área. O disparo do ASTROS ocorreu numa base do Centro de Instrução de Guerra na Selva (CIGS), no quilômetro 61, às margens da AM-010, que liga Manaus ao município de Rio Preto da Eva (AM).

O desafio das missões de tiro começou antes mesmo da própria execução. De Goiás a Belém, de Belém a Manaus, percorrendo mais de 3.600 quilômetros, o 6º GMF deslocou o efetivo por uma distância quase como de Paris (França) a Moscou (Rússia). "Fazer o deslocamento estratégico, fazer essa concentração aqui é muito importante para  dominarmos certos dados médios de planejamento, para  fazermos a coisa certa quando preciso for", disse o General de Brigada Valério Luiz Lange, Comandante da Artilharia do Exército Brasileiro.

Acompanharam o exercício militar o Ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva; o Comandante do Exército, General de Exército Edson Leal Pujol; e o Comandante Militar da Amazônia, General de Exército Estevam Cals Theophilo Gaspar de Oliveira. "Realmente, fiquei impressionado com a concentração estratégica dos meios, particularmente do Exército Brasileiro, que cerraram para a Amazônia para essa operação, o que já é um exercício muito bom", ressaltou o Ministro da Defesa.

"A presença do ASTROS aqui na Amazônia simboliza que as Forças Armadas e que o Exército Brasileiro são capazes de estar presentes em todo o território nacional e em condições de defender a nossa democracia, a nossa soberania e as nossas fronteiras", destacou o Comandante do Exército.

Potencial de fogo


O Astros 2020 é um sistema para a saturação de área, com o objetivo de lançar grande quantidade de fogos em um curto espaço de tempo. Os foguetes são de grande profundidade, com um tiro de rigoroso controle de precisão e inteligência. É uma arma eficiente e precisa, com munição de altíssima capacidade de destruição.

Os foguetes têm a capacidade de destruir uma área de 16 km² e o seu alcance varia entre 30 e 80 km. A tecnologia do ASTROS é toda de fabricação nacional. A empresa Avibras desenvolve esse sistema desde a década de 1980 e já trabalha num foguete com alcance de 300 km.

Os mísseis IGLA-S são considerados de curto alcance. Podem ser operados por um único homem e possuem alcance de seis quilômetros e altitude máxima de 3.500 metros.

Já o RBS-70 é um míssil de superfície, portátil, que pesa 15 quilogramas e que tem a finalidade de suprir as necessidades de defesa antiaérea à baixa altitude.


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