*LRCA Defense Consulting - 06/08/2025
A Embraer oferecerá conectividade da Starlink como solução de pós-venda para clientes dos Praetor 600, Praetor 500, Legacy 500 e Legacy 450, por meio de um Certificado de Tipo Suplementar (STC). A nova solução está sendo oferecida por meio de uma parceria com a Nextant Aerospace, unidade de negócios de engenharia da Flexjet. Os modelos Praetor 500 e Legacy 450 já foram certificados pela FAA. A certificação dos jatos Praetor 600 e Legacy 500 está prevista para o terceiro trimestre de 2025. A certificação da ANAC é esperada para o quarto trimestre deste ano, enquanto a da EASA tem previsão para o primeiro trimestre de 2026.
A Starlink fornece internet de alta velocidade e baixa latência por meio de uma constelação de satélites de Baixa Órbita Terrestre (LEO, na sigla em inglês), garantindo conectividade contínua em qualquer lugar do mundo, mesmo sobre localidades remotas ou oceanos. A Starlink oferece velocidades excepcionais para todos os passageiros a bordo e latência abaixo de 99 milissegundos, garantindo maior confiabilidade da conectividade em voo.
Graças a essa baixa latência, a Starlink viabiliza a execução de aplicações exigentes como chamadas de vídeo 4K, jogos online, acesso VPN e outras atividades em tempo real. A Starlink tem oferecido internet de alta velocidade e baixa latência em dezenas de milhares de voos e contando, mantendo os passageiros conectados desde o momento em que embarcam em suas aeronaves e durante viagens por todo o mundo.
“É uma satisfação poder oferecer aos nossos clientes a internet de alta velocidade e tecnologia avançada da Starlink. Essa iniciativa reforça nosso compromisso contínuo em proporcionar experiências de voo com conexões estáveis e sem interrupções, em qualquer parte do mundo” afirma Marsha Woelber, Vice-Presidente de Suporte ao Cliente e de Pós-Venda para Aviação Executiva da Embraer Serviços & Suporte.
“Com mais de um ano de experiência operacional e centenas de soluções de conectividade comercializadas para frotas de aviação executiva, a Starlink se estabeleceu de maneira sólida como a principal referência em conectividade em voo”, afirma Jay Heublein, Presidente da Divisão de Serviços Técnicos da Flexjet. “O Praetor é um dos jatos executivos mais avançados tecnologicamente em sua categoria, e a integração da Starlink garante que os passageiros terão uma experiência de conectividade fluida.”
Ambas as empresas também estão desenvolvendo o Certificado de Tipo Suplementar Starlink para os jatos Phenom 300, que devem estar disponíveis no quarto trimestre de 2025. A Flexjet, que é a maior operadora de Praetors no mundo, planeja integrar o Starlink em toda a sua frota de Praetors.
A rede de Centros de Serviços Próprios da Embraer, presente em nove locais globalmente, está pronta para apoiar os clientes que desejam ter a STC instalada. Clientes interessados em agendar instalações devem ser direcionados aos representantes de vendas de Pós-Venda da Embraer globalmente.
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07 agosto, 2025
Embraer oferecerá conectividade da Starlink como solução de pós-venda para os jatos Praetor
11 julho, 2025
Viasat fornecerá conectividade de internet avançada via satélite para a frota Embraer E190 da Aeromexico
*LRCA Defense Consulting - 11/07/2025
A Embraer, a Viasat, e a Aeromexico anunciaram a instalação de conectividade de internet avançada nos jatos E190 da Aeromexico. A instalação ampliará ainda mais a oferta de Wi-Fi rápido para os passageiros voando na frota da companhia aérea. A conectividade via satélite de alta velocidade por meio da rede global de banda Ka da Viasat permitirá que os clientes da Aeromexico assistam filmes, televisão e esportes ao vivo, acessem a internet, enviem e-mails e se conectem às suas redes sociais durante os voos.
Até o momento, seis jatos E190 da Aeromexico estão equipados com a tecnologia Wi-Fi avançada da Viasat, permitindo que os passageiros tenham acesso à conectividade rápida e confiável. A instalação da solução Wi-Fi de bordo da Viasat nas 28 aeronaves restantes está em andamento. No total, 34 E190s contarão com a conectividade ofertada pela Viasat.
“Estamos atualizando nossa frota Aeromexico Connect E190 para oferecer uma experiência excepcional aos passageiros em nossas rotas de curta distância. Com o Wi-Fi disponível em todas as nossas aeronaves E190 até 2027, a Aeromexico será a primeira e única companhia aérea na América Latina a oferecer comunicação gratuita com suporte de anúncios em toda a nossa malha aérea. Isso significa que nossos passageiros poderão permanecer conectados para onde quer que voem, com a opção de adquirir pacotes de internet para conectividade aprimorada," afirma Andres Castañeda, Diretor Digital e de Experiência do Cliente & Vice-Presidente Executivo da Aeromexico.
"À medida que a demanda global por conectividade a bordo dispara – com os passageiros demandando assistir mais filmes e programas durante o voo da mesma forma que fazem em casa – estamos entusiasmados em colaborar com a Aeromexico e a Embraer. Ambas as empresas valorizam um serviço de Wi- rápido, confiável e de alta qualidade, que contribuirão para uma experiência excepcional para os passageiros", afirma Don Buchman, Vice-Presidente Sênior e Gerente Geral de Aviação Comercial da Viasat.
"A Embraer está trabalhando constantemente para aprimorar a experiência dos passageiros em todas as suas aeronaves. Oferecer serviços de conectividade na frota de E-Jets da Aeromexico é um passo importante para proporcionar ainda mais conforto aos clientes da companhia aérea", diz Carlos Naufel, Presidente e CEO da Embraer Serviços & Suporte.
A Viasat Amara, a solução de conectividade de bordo de próxima geração selecionada pela Aeromexico, está disponível para todos os operadores de E-Jets globalmente. A Embraer também oferece um amplo leque de soluções projetadas para cada cliente, que apoiam a frota crescente de E-Jets em todo o mundo e oferecem a melhor experiência pós-venda na indústria aeroespacial global.
05 junho, 2025
Embraer passa a oferecer conectividade Gogo Galileo HDX como solução de pós-venda para jatos Phenom 300
*LRCA Defense Consulting - 05/06/2025
A Embraer passará a oferecer a solução de conectividade Gogo Galileo HDX aos clientes do Phenom 300 no pós-venda, por meio de um Certificado de Tipo Suplementar (STC, na sigla em inglês) desenvolvido em parceria com a Gogo. A instalação da antena compacta half-duplex e de uma Unidade Substituível em Linha permitirá que os proprietários de jatos executivos da fabricante se beneficiem de conectividade em voo, com desempenho comparável às melhores soluções em solo.
Passageiros que utilizam a conectividade da Gogo durante o voo podem ter acesso a um desempenho do mesmo nível que têm em casa ou no escritório, além de transmissão de vídeos em 4K, chamadas de vídeo em alta definição, jogos online e transferência de arquivos grandes. Por meio da rede de satélites de órbita baixa (LEO) da Eutelsat OneWeb, o sistema Gogo Galileo HDX oferece uma solução de conectividade única, confiável e rápida.
“Estamos satisfeitos com a parceria com a Gogo, que proporcionará conectividade de internet de última geração e de alta velocidade aos nossos clientes. Nosso objetivo é continuar aprimorando a experiência de voo com os melhores recursos da indústria”, diz Marsha Woelber, Vice-Presidente Global de Suporte ao Cliente e Pós-Venda para Aviação Executiva da Embraer Serviços & Suporte.
“Admiramos a Embraer por seu foco em tecnologia e estamos satisfeitos em oferecer suporte com a Gogo Galileo, que abarca nossas soluções de conectividade avançada. A antena HDX foi construída especificamente para uso na aviação executiva e está inaugurando uma nova era de conectividade. Estamos satisfeitos em trabalhar junto com a Embraer para fornecer conectividade de alta velocidade a uma das plataformas de aeronaves de maior sucesso do mundo”, afirma Michael Skou-Christensen, CCO da Gogo.
A Embraer fornecerá a solução para o Phenom 300, antes dos demais modelos do jato. A disponibilidade da nova solução de conectividade irá variar dependendo da região. A certificação da FAA é esperada pela companhia no terceiro trimestre de 2025; da ANAC, no quarto trimestre de 2025; e da EASA, no primeiro trimestre de 2026. A disponibilidade para os modelos Phenom 300E será anunciada no futuro acompanhada das datas previstas. A Rede de Centros de Serviços Próprios e a Rede de Serviços Autorizados da Embraer estarão disponíveis e preparadas para apoiar os clientes que desejam instalar o STC. As solicitações dos clientes devem ser direcionadas aos Representantes de Pós-Venda da Embraer.
Sobre a Gogo
A Gogo é a única provedora de conectividade em voo multiórbita e multibanda, que oferece tecnologia de conectividade construída com focos em aviação executiva e militar/governamental. Seu portfólio de produtos líder no setor oferece as melhores soluções para todos os tipos de aeronaves, de jatos pequenos aos de maior porte.
A oferta da Gogo incorpora exclusivamente sistemas aéreos e terrestres, com acesso a múltiplas redes de satélite de alta velocidade. As múltiplas redes fornecem conectividade global consistente de ponta a ponta por meio de um conjunto sofisticado de software, hardware e infraestrutura avançada, apoiado por uma equipe de suporte ao cliente presencial 24 horas por dia, 7 dias por semana, 365 dias por ano.
A Gogo se empenha consistentemente para estabelecer novos padrões de confiabilidade, segurança e inovação e está moldando o futuro da aviação em voo para facilitar a conexão de cada cliente para além de todas as expectativas.
12 fevereiro, 2024
Os Houthis poderiam sabotar os cabos internacionais de Internet no Mar Vermelho?
Empresas de telecomunicações iemenitas alertaram que os Houthis planejam atacar os cabos de Internet do Mar Vermelho, por onde passa cerca de 17% do tráfego mundial da Internet
*Army Technology, por Alex Blair - 05/02/2024
As preocupações aumentam com as ameaças Houthi ao tráfego internacional da Internet e à transmissão de dados financeiros, tendo as empresas de telecomunicações iemenitas soado o alarme sobre os planos do grupo militante para sabotar cabos submarinos no Mar Vermelho.
A Companhia Geral de Telecomunicações do Iêmen, que está ligada ao governo reconhecido pela ONU, divulgou ontem (4 de fevereiro) um comunicado condenando as “ameaças de atingir cabos marítimos internacionais ” dos Houthis.
Aproximadamente 17% do tráfego mundial da Internet é transportado por tubos de fibra no Mar Vermelho.
Em 24 de Dezembro, um canal Telegram ligado aos Houthi publicou um mapa mostrando a convergência dos cabos de comunicações no Mar Vermelho, Mar Mediterrâneo, Mar Arábico e Golfo Pérsico, acompanhado por uma mensagem sinistra sobre a “localização estratégica” do Iêmen.
“O Iêmen está perto de um número desproporcional de cabos submarinos internacionais de Internet, especialmente ao longo da sua costa ocidental, onde os Houthis têm o maior apoio”, explica Wilson Jones, analista de defesa da GlobalData.
Tem havido uma guerra civil generalizada entre as forças militares controladas pelo governo e os Houthis desde que o grupo militante assumiu pela primeira vez o controlo da capital Sana'a em 2014.
“Seria muito difícil deter os Houthis se eles fizessem um esforço determinado para atingir esses cabos”, diz Jones. “Um corte em um cabo em qualquer lugar interrompe o fluxo de dados em todos os lugares. Como estes cabos são essenciais para a Internet moderna e para as transações financeiras digitais, a perturbação pode ser enorme.”
Como os Houthis sabotariam os cabos submarinos da Internet?
Com base nos frequentes ataques a navios dos Houthis no Mar Vermelho, a motivação do grupo militante para atacar as redes de Internet é evidente.
Mais de 100 drones e mísseis foram lançados contra navios que passavam pelo Estreito de Bab al-Mandab desde o primeiro sequestro dos Houthis, em 21 de Novembro. Os Houthis dizem que os ataques são em solidariedade com a Palestina no meio da ofensiva contínua de Israel.
O que está a ser exagerado é a capacidade dos Houthis de aceder e danificar cabos de Internet de alto mar, segundo Carolina Pinto, analista temática da GlobalData.
“Embora os Houthis tenham acesso a drones e mísseis avançados, provavelmente não têm as capacidades tecnológicas para alcançar cabos que estão centenas, senão milhares, de metros debaixo de água”, disse Pinto ao Army Technology. “Eles poderiam talvez atingir um ou dois dos cabos mais rasos.”
O Mar Vermelho tem uma profundidade média de 490m, com alguns cabos situados a apenas 100m.
“Os Houthis certamente não têm submarinos”, reconhece Jones. “Mas eles poderiam usar algum tipo de carga de profundidade, mina subaquática explosiva ou controlada remotamente, ou enviar alguém com equipamento de mergulho com alicate.” Existe infraestrutura para o método de mergulho autônomo na região.
Em 2013, logo ao norte do porto de Alexandria, três mergulhadores cortaram um cabo submarino que fornece conectividade à Internet entre o Egito e a Europa. A sabotagem fez com que o tráfego caísse 60%.
É improvável que os mergulhadores Houthi causem danos em massa em toda a rede de cabos, mas os seus ataques seriam quase impossíveis de serem evitados pela força-tarefa naval internacional liderada pelos EUA no Mar Vermelho.
“Não está claro se os Houthis têm drones subaquáticos”, disse Jones à Army Technology. “Mas dado o que eles demonstraram até agora por via aérea, é bastante razoável que eles possam construir os seus próprios, comprar alguns ou fazer com que sejam doados por seus financiadores.”
Como um ataque Houthi a um ou mais cabos afetaria o tráfego internacional da Internet?
O impacto dos Houthis nas rotas marítimas e no comércio globais já foi enorme. O número de navios que atravessam o Estreito diminuiu 70%, enquanto a Maersk, Hapag-Lloyd e COSCO estão entre as empresas que suspenderam as rotas do Mar Vermelho.
Assim como o Estreito de Bab al-Mandab serve um ponto de estrangulamento geográfico no tráfego marítimo global acima das ondas, o mesmo se aplica abaixo, com a região do Mar Vermelho servindo um dos três principais pontos de estrangulamento de cabos de Internet do mundo.
Dezesseis grandes cabos submarinos passam 2.900 km através do Mar Vermelho antes de cruzar por terra através do Egito até o Mar Mediterrâneo, conectando efetivamente a Europa à Ásia.
Esses cabos geralmente não são mais grossos que uma mangueira e são suscetíveis a danos causados por âncoras de navios e terremotos. Um dos mais importantes estrategicamente é o AE-1 Ásia-África-Europa, com 25.000 km, que vai do Sudeste Asiático à Europa através do Mar Vermelho.
“Os danos nos cabos são bastante comuns, mas raramente resultam em perturbações significativas”, afirma Pinto. “Se os Houthis tivessem sucesso, o tráfego da Internet poderia ser rapidamente redirecionado até que um navio de reparos pudesse ser enviado para reparar os danos.”
Notavelmente, no entanto, o Fórum Internacional do Golfo afirmou num relatório divulgado na semana passada que “danificar estes cabos poderia cortar as comunicações militares ou governamentais”.
Acrescentou: “Os cabos são o único hardware com largura de banda suficiente para acomodar os terabytes de dados de sensores militares que informam as operações em andamento”.
A atenção internacional está agora fixada em saber se os Houthis irão escalar a sua atividade militarizada no Mar Vermelho para uma sabotagem tecnológica em grande escala.
14 dezembro, 2021
Internet: o Brasil continuará funcionando em caso de um conflito global?
*LRCA Defense Consulting - 14/12/2021
Como o Brasil continuará funcionando em caso de um conflito global ou envolvendo as grandes potências?
A maioria dos nossos servidores também está localizada no exterior e poderá ser desligada ou ter seu trabalho afetado, prejudicando ou tornando inoperantes os nossos sistemas eletrônicos de defesa, administração pública, infraestrutura de suporte à vida, finanças e outros fundamentais ao dia a dia dos brasileiros.
Após ler o artigo abaixo, não parece haver dúvidas de que precisamos ter um plano B para garantir o funcionamento confiável da internet - e do País - em caso de um conflito envolvendo as grandes potências.
Atualização das 15h41: "Além da Saúde, CGU, PRF e IFPR também confirmaram invasão por grupo hacker" | Tecnologia | G1 https://glo.bo/3dR0oNJ
Rússia testa internet soberana, desconectada da rede global. Por quê?
*Russia Beyond - 13/12/2021
Entre 15 de junho e 15 de julho de 2021, a Rússia realizou novos testes da operação segura da Runet – nome dado pelos falantes do idioma russo para o conjunto de sites em sua língua –, segundo a organização autônoma sem fins lucrativos Economia Digital.
Os testes de desconexão contaram com a participação das principais operadoras de telecomunicações russas: MTS, Tele2, Beeline, Megafon, Rostelecom, Transtelecom e ER-Telecom Holding. Segundo fontes do jornal econômico russo RBC, o objetivo dos testes é verificar se a Runet poderia funcionar no caso de ataques e bloqueios por outros países.
Os primeiros testes da internet soberana foram realizados em dezembro de 2019, em Moscou, Rostov, Vladímir e várias outras cidades da Rússia. As operadoras e agências governamentais verificaram a proteção dos dados pessoais dos usuários russos de ameaças externas, a possibilidade de interceptar o tráfego e mensagens SMS, descobrir a localização do usuário e buscavam avaliar o nível de proteção das grandes empresas petrolíferas e financeiras contra ataques de hackers.
"Os testes mostraram que, em geral, tanto as autoridades públicas, quanto as operadoras de telecomunicações estão prontas para responder efetivamente a possíveis riscos e ameaças e para garantir o funcionamento estável da internet e das redes de telecomunicações na Rússia", disse o então vice-ministro do Desenvolvimento Digital e Comunicações, Aleksêi Sokolov.
Os testes também deveriam ocorrer em 2020, mas foram adiados devido à pandemia do coronavírus.
Por que desconectar a Rússia da internet global?
Em outubro de 2017, após três ataques de hackers que afetaram a Rússia e vários outros países, o presidente russo Vladimir Putin demandou melhorias na segurança da Runet.
“A invasão externa em sistemas eletrônicos da defesa, administração pública, infraestrutura de suporte à vida e finanças, bem como o vazamento de documentos eletrônicos, podem ter consequências terríveis [...] É preciso melhorar a segurança e a estabilidade da infraestrutura do segmento russo da internet", disse então o presidente russo.
Um ano depois, em dezembro de 2018, um grupo de senadores do Conselho da Federação e de deputados da câmara baixa do parlamento russo apresentaram um projeto de lei sobre o funcionamento autônomo da Runet, chamado de "lei de proteção da Runet" ou de "isolamento da Runet". Esse projeto de lei foi elaborado levando em consideração as acusações da Rússia de ataques de hackers e levando em consideração a Estratégia Nacional de Segurança Cibernética dos Estados Unidos adotada em setembro de 2018, que, segundo senadores russos, declarou o princípio de “preservação da paz pela força”.
Segundo a lei, a Rússia deve criar sua própria infraestrutura, que permitirá que o segmento russo da internet continue funcionando mesmo que a Rússia esteja desconectada dos servidores globais.
Além disso, de acordo com a lei, o Serviço Federal para Supervisão de Comunicações, Tecnologia da Informação e Mídia de Massa (Roskomnadzor), órgão responsável por monitorar a obediência às leis na internet russa, poderá controlar o tráfego de dados dos usuários russos e, se necessário, desligar o acesso em caso de tentativa de entrar em sites com informações proibidas.
O projeto de lei foi criticado inúmeras vezes, principalmente por operadoras e grandes empresas de TI. Segundo seus representantes, o cumprimento dos requisitos pode levar a falhas no funcionamento do setor de comunicação e na internet. O projeto também foi criticado pela organização internacional Repórteres Sem Fronteiras. Seus representantes afirmaram que a lei permitiria bloquear a transmissão de quaisquer informações digitais a pedido do governo russo.
Diversos deputados russos também foram contra o projeto da lei. Segundo eles, os perigos descritos no documento não representam uma ameaça real. No entanto, já em maio de 2019, Vladimir Putin ratificou a lei aprovada, que entrou em vigor em 1º de novembro de 2019.
“A maioria dos servidores está localizada no exterior [...] Se assumirmos, teoricamente, que esses servidores serão desligados ou seu trabalho será afetado, precisamos garantir o funcionamento confiável da Runet, o segmento russo da internet. Este é, realmente, o único objetivo da lei. Só isso. Não estão previstas restrições aqui", respondeu Putin às críticas em junho de 2019.
Como funcionará a Runet soberana?
De acordo com a lei, todas as operadoras serão obrigadas a instalar equipamentos especiais que garantirão o intercâmbio de tráfego sem interrupções na Rússia, caso seja necessário desconectar os usuários da internet global.
A agência Roskomnadzor, por sua vez, deverá criar um centro de monitoramento e controle, onde poderá monitorar a qualidade desses equipamentos e a possibilidade de ameaças externas.
No caso de ataques cibernéticos ou tentativas de desconectar a Rússia dos servidores estrangeiros, o Roskomnadzor passará a gerenciar o tráfego interno.
O tráfego será controlado em "locais de troca de tráfego" especiais, que são instalações físicas onde as redes das principais empresas e operadoras estarão interconectadas.
Além disso, o regulador poderá bloquear de forma independente sites proibidos na Rússia, sem entrar em contato com operadoras e provedores (hoje, eles realizam essa tarefa a pedido do Roskomnadzor).
Segundo informações publicadas no site da Duma do Estado (câmara baixa do parlamento russo), a lei não foi criada para bloquear as redes sociais e sites de hospedagem de vídeos, como Twitter, YouTube e Facebook. O órgão não explica, porém, como é possível manter o funcionamento de sites sem a conexão à internet global.
A Rússia já está tecnicamente pronta para se desconectar da rede global, declarou, em fevereiro de 2021, o ex-premiê e atual vice-presidente do Conselho de Segurança da Rússia, Dmítri Medvedev.
No entanto, as operadoras afirmam que os equipamentos especiais já começaram a causar falhas no sistema e precisam ser temporariamente desligados para garantir o funcionamento da rede interna. Além disso, o Ministério das Comunicações atualiza os requisitos para a modernização dos equipamentos, o que levará à queda da qualidade da comunicação, segundo a operadora MTS.
Ao mesmo tempo, as operadoras não podem ignorar esses requisitos. Caso contrário, terão que pagar multas de até 1 milhão de rublos (US$ 13,6 mil) pela primeira violação e até três milhões de rublos (US$ 40 mil) pela reincidência.
Internet russa será fechada como na China?
A principal diferença entre a Runet soberana e o firewall chinês está em sua arquitetura, segundo o diretor da organização sem fins lucrativos Internet Protection Society, Mikhail Klímarev.
Na Rússia, os sistemas de filtragem e gerenciamento de tráfego são instalados pelas operadoras de telecomunicações, enquanto na China eles estão localizados na fronteira. O Facebook e outras redes sociais populares não funcionam na China, mas mesmo que seus sistemas de filtragem quebrem, a internet continuará a funcionar. A Rússia, neste caso, enfrentará falhas inesperadas em todas as cidades do país.
“O fechamento do Google vai matar 30% de todos os sites russos. Será um golpe duro e inesperado na economia. Qualquer coisa poderá dar pau: um sistema médico ou um sistema de controle de gasoduto... É impossível prever”, explica Klímarev ao site Znak.com.
O vice-presidente do Conselho de Segurança da Rússia, Dmítri Medvedev, concorda que a internet autônoma poderá criar grandes problemas.
"Vai levar algum tempo para reconfigurá-la. Mas, em princípio, o funcionamento autônomo do segmento russo da rede poderia ser restaurado", disse Medvedev. "É uma tarefa complicada, e espero que não tenhamos a necessidade de implementá-la", disse Medvedev.



