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A Marinha do Brasil e a Águas Azuis Construções Navais SPE – Sociedade de Propósito Específico (SPE) composta pelas empresas Embraer, TKMS -thyssenkrupp Marine Systems, e Atech – Negócios em Tecnologias S/A, celebraram o batimento de quilha da terceira Fragata Classe Tamandaré, nomeada Fragata Cunha Moreira (F202), hoje, em Itajaí, Santa Catarina.
O "batimento de quilha" de um navio é uma cerimônia tradicional e simbólica que marca o início oficial da construção de um navio. O termo vem da peça estrutural chamada quilha, que é a principal peça longitudinal na base do casco, funcionando como a espinha dorsal da embarcação. O ato de "bater a quilha" simboliza a colocação da primeira peça estrutural do navio no estaleiro.
Hoje, com técnicas modernas de construção naval — como a fabricação modular — a quilha nem sempre é literalmente a primeira peça construída. Mesmo assim, a cerimônia permanece como uma tradição naval, mantendo seu valor simbólico e histórico.
Pela primeira vez, três fragatas estão sendo construídas simultaneamente no Brasil, consolidando a expertise nacional em tecnologia de defesa naval.
Batimento de quilha da terceira Fragata Classe Tamandaré - Fragata Cunha Moreira (F202)
O Programa Fragatas Classe Tamandaré (PFCT) prevê a construção de quatro
navios de alta complexidade tecnológica, posicionando o Brasil como um
polo de excelência em defesa naval sustentável.
A Águas Azuis é uma sociedade estabelecida entre a Embraer Defesa & Segurança, a Atech, subsidiária da Embraer, e a thyssenkrupp Marine Systems, para a construção das quatro fragatas Classe Tamandaré, a fim de ampliar e modernizar a esquadra da Marinha do Brasil.
A Embraer é responsável pela integração de sistemas, incorporando ao programa seus mais de 55 anos de experiência em soluções tecnológicas de sistemas embarcados e suporte em serviço, enquanto a Atech atua na área de sistemas de combate, gerenciamento tático e transferência de tecnologia.
O consórcio Águas Azuis (uma Sociedade de Propósito Específico - SPE), responsável pelo projeto, é formado pela
Embraer, por sua subsidiária Atech, e pela a multinacional alemã Thyssenkrupp, sob gerenciamento da Empresa Gerencial de Projetos Navais - EMGEPRON. O
projeto da fragata é baseado no modelo alemão MEKO, desenvolvido pela
Thyssenkrupp Marine Systems, que lidera o desenvolvimento técnico.
Mas, afinal, o que tem a ver a gigante brasileira do setor aeroespacial com a construção de um navio de guerra?
Na verdade, a Embraer S.A. é um conglomerado transnacional brasileiro que produz aviões comerciais, aviões executivos, aviões agrícolas e aviões militares, além de peças aeroespaciais, prestando ainda serviços e suporte na área. Suas principais divisões são: Aviação Comercial, Aviação Executiva, Defesa & Segurança, e Serviços e Suporte. Além destas há ainda a Aviação Agrícola, a ELEB - Divisão de Equipamentos e a Embraer-X. A Embraer possui também empresas subsidiárias e outras onde tem participação majoritária ou não, em um universo diversificado de mais de 30 empresas, como Atech, OGMA, Eve, Tempest, Kryptus, XMobots, Visiona, SAVIS, Bradar etc.
As fragatas tem a participação de uma das grandes divisões da empresa, a Embraer Defesa & Segurança, que, por sua vez, possui cinco divisões próprias: Aérea, Marítima, Terrestre, Aeroespacial e Cibernético.
Em sua Divisão Marítima, a Embraer Defesa & Segurança desenvolve um conjunto abrangente de produtos especializados para soluções integradas, possibilitando diferentes missões táticas marítimas por meio da integração total dos sistemas de embarcações, sensores e aeronaves, proporcionando ampla consciência situacional do cenário tático e uma tomada de decisão mais ágil, oportuna e eficaz.
As soluções permitem que a Marinha (bem como o Exército e a Força Aérea) evoluam sua infraestrutura física e lógica, agregando novos elementos como radares, câmeras e sistemas legados. Além disso, permitem o processamento eficiente e pontual de um grande volume de dados com o mais alto nível de segurança cibernética.
Assim, a Embraer Defesa & Segurança é responsável pela integração
dos sensores e armamentos ao sistema de combate da embarcação, enquanto a Atech, subsidiária da Embraer, é encarregada do fornecimento dos
sistemas CMS (Combat Management System) e IPMS (Integrated Platform
Management System), recebendo transferência de tecnologia em cooperação
com a ATLAS ELEKTRONIK, também subsidiária da Thyssenkrupp, e com a L3
MAPPS.
Na reportagem, entrevista de Rodrigo Persico, CEO da Atech
No dia 9 de agosto, a Marinha do Brasil, a EMGEPRON e a Sociedade de Propósito Específico (SPE) Águas Azuis - fundada pelas empresas thyssenkrupp, Embraer Defesa & Segurança e Atech - celebraram em conjunto a nomeação da primeira de quatro fragatas, que ocorreu no estaleiro thyssenkrupp Estaleiro Brasil Sul, em Itajaí, Santa Catarina.
Os 550 convidados incluíram o Presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, bem como o Ministro da Defesa do Brasil, José Múcio Monteiro, o Comandante da Marinha do Brasil, Almirante de Esquadra Marcos Sampaio Olsen, e outros representantes de alto escalão da Alemanha e do Brasil, além de dirigentes das empresas envolvidas. A madrinha do navio 'Tamandaré' foi Vera Brennand, esposa do Ministro da Defesa do Brasil.
Itajaí é o centro da América do Sul com uma área de produção de 310.000 metros quadrados. Essas condições estruturais dão suporte à thyssenkrupp Marine Systems para atender seus clientes ainda mais rápido e combinar a produção de produtos altamente inovadores em toda a região. O estaleiro é caracterizado por instalações de plantas altamente especializadas, capacidade de produção suficiente e boa infraestrutura, por exemplo, um cais flutuante de última geração com capacidade de 7.000 toneladas. Isso define um curso promissor para a Marine Systems que oferece a perspectiva de assumir pedidos subsequentes e favorece o fortalecimento das estruturas regionais de criação de valor.
Oliver Burkhard, CEO da thyssenkrupp Marine Systems: “Como 'Maritime Powerhouse', combinamos todas as soluções técnicas sob o mesmo teto, comandamos capacidades de produção globais e fornecemos aos nossos clientes soluções personalizadas. O Brasil é nosso hub para a América do Sul, o que destaca nossa estreita parceria com a Marinha do Brasil em particular. Os navios da classe Tamandaré têm os mais recentes padrões tecnológicos e também garantem alto valor agregado local. Nossa parceria é uma vitória para o Brasil, bem como para a thyssenkrupp Marine Systems. Meus sinceros agradecimentos, portanto, vão para todos os envolvidos - Presidente Lula da Silva, a Marinha do Brasil, Águas Azuis e nossos aproximadamente 900 funcionários.”
Foto: Roberto Caiafa
Para fortalecer ainda mais sua competitividade e flexibilidade para atender às necessidades dos clientes, não apenas no fornecimento de embarcações de alta classe, mas também em serviços de pós-venda, a thyssenkrupp Marine Systems investiu recentemente significativamente em seu estaleiro brasileiro ao comprar um swim dock para o lançamento e re-docagem de embarcações. Isso deve ser visto como um claro compromisso da thyssenkrupp Marine Systems para seu envolvimento de longo prazo na região.
O batismo (nomeação) da fragata com o número de construção F200 marca outro marco no setor de embarcações de superfície da thyssenkrupp Marine Systems. Com um comprimento de 107 metros, um deslocamento de 3.500 toneladas e uma velocidade máxima de 25 nós, a fragata brasileira oferece valores impressionantes.
O navio foi batizado de Tamandaré, mesmo nome que se aplica à classe, por ser o primeiro navio do conjunto. Ele deve ser incorporado à Marinha em 2025. As demais embarcações estão previstas para entrega gradual nos próximos quatro anos: a Jerônimo Albuquerque em 2026, a Cunha Moreira em 2027 e a Mariz e Barros em 2028.
Programa Fragatas Classe Tamandaré A Marinha do Brasil conduz o Programa Fragatas Classe Tamandaré desde 2017, com o objetivo de promover a renovação da Esquadra com quatro navios modernos, de alta complexidade tecnológica, construídos no País. Os navios têm deslocamento aproximado de 3.500 toneladas e são dotados de convoo, hangar para helicóptero, radares, sensores e armamentos de última geração.
As Fragatas chegarão com a importante missão de marcar a presença da Marinha do Brasil na Amazônia Azul, contribuindo para o controle de área marítima, para a Defesa das ilhas oceânicas, para a proteção das infraestruturas críticas marítimas e para a proteção das linhas de comunicações marítimas, destacando que mais de 90% do comércio exterior brasileiro é realizado pelo mar.
São navios escolta, dotados de importante e considerável capacidade de combate, atuando em todos os ambientes de guerra, quais sejam: superfície, aéreo e submarino. Têm como uma de suas principais tarefas a proteção de unidades de maior valor, quando operando em um grupo-tarefa, com navios de diferentes características, a exemplo do Navio-Aeródromo Multipropósito “Atlântico”.
Hoje, 24 de março, a Marinha do Brasil e a Águas Azuis – Sociedade de Propósito Específico (SPE) composta pelas empresas Embraer, Thyssenkrupp Marine Systems e Atech – Negócios em Tecnologias S/A – celebraram mais um marco na construção da Fragata Tamandaré, o batimento de quilha do navio. A cerimônia, que ocorreu na Thyssenkrupp Estaleiro Brasil Sul, em Itajaí (SC), contou com a presença de autoridades civis e militares.
Tradicionalmente presente na construção naval, o batimento ocorre quando a quilha, a “espinha dorsal” da embarcação, é concluída, possibilitando a estruturação das demais partes. Atualmente, com a evolução da engenharia e os modernos processos de produção adotados na Construção Naval, é possível que os navios sejam edificados em blocos. No caso da Fragata Tamandaré – a primeira das quatro previstas no Programa Fragatas Classe Tamandaré (PFCT), o batimento de quilha foi caracterizado pelo posicionamento, no seu local de edificação, de um importante bloco estrutural, que corresponde à praça de máquinas da parte da frente da embarcação.
"Testemunhamos hoje mais um momento memorável na rica história da Marinha do Brasil e a Embraer tem muito orgulho de ser parte integrante do programa das Fragatas Classe Tamandaré, um marco na atividade naval no país. Como parceiro estratégico do Estado Brasileiro, a missão da Embraer é contribuir para o desenvolvimento de tecnologias nacionais, fomentando parcerias inovadoras que levam à modernização e ao fortalecimento da Base Industrial de Defesa no país", comentou João Bosco Costa Junior, Presidente e CEO da Embraer Defesa e Segurança.
O início do processo de construção de quatro navios de guerra, que farão parte da Esquadra da Marinha do Brasil – Fragatas “Classe Tamandaré” – foi marcado por uma cerimônia realizada no dia 21 de junho, na thyssenkrupp Estaleiro Brasil Sul, em Itajaí (SC). No local, foi apresentado o mockup do navio, que é um compartimento da Fragata “Classe Tamandaré”. Trata-se de uma reprodução em dimensões reais da seção de uma das praças de máquinas do navio.
O evento contou com a presença do Comandante da Marinha, Almirante de Esquadra Almir Garnier Santos, o Senador Espiridião Amin, e os Deputados Federais Carlos Chiodini, Coronel Armando e Caroline de Toni, membros do Almirantado e diretores da Sociedade de Propósito Específico Águas Azuis. A cerimônia também foi prestigiada por membros da Sociedade Amigos da Marinha (SOAMAR) do Estado de Santa Catarina.
O mockup ou Seção de Qualificação atesta a qualidade de produção do Estaleiro em relação à fabricação, à transferência dos documentos de construção, às interfaces de Tecnologia da Informação aplicadas à produção, aos procedimentos de soldagem, aos processos de controle dimensional da estrutura e à provisão e manuseio de materiais destinados à fabricação das Fragatas.
Esses navios, com previsão de entrega entre 2025 e 2029, terão alto poder de combate e serão capazes de proteger a extensa área marítima brasileira, com mais de 5,7 mil km², denominada “Amazônia Azul”, realizar operações de busca e salvamento e atender compromissos internacionais, por exemplo. “Serão escoltas versáteis e de significativo poder combatente, capazes de se contraporem a múltiplas ameaças e destinadas à proteção do tráfego marítimo, podendo realizar missões de defesa, aproximada ou afastada, do litoral brasileiro”, afirmou o Diretor-Geral do Material da Marinha, Almirante de Esquadra José Augusto Vieira da Cunha de Menezes, um dos membros do Almirantado.
As fragatas poderão ser empregadas na proteção às unidades componentes do Corpo Principal de Forças Navais, e também em áreas afastadas, compondo Grupos de Ação de Superfície ou como Unidades de Busca e Ataque a Submarinos. Os navios serão empregados na patrulha das Águas Jurisdicionais Brasileiras, com ênfase na fiscalização e proteção das atividades econômicas, principalmente a petrolífera e a pesqueira. “O Programa Fragatas ‘Classe Tamandaré’ se reveste de particular importância no cenário nacional em razão de sua relevância para a geração de empregos e para o desenvolvimento da Base Industrial de Defesa no País”, destacou o Almirante Cunha.
Dois mil empregos diretos e 6 mil indiretos devem ser gerados no auge da produção dos navios. Sobre isso, o Comandante da Marinha reforçou, durante a cerimônia, que “a Indústria de defesa, por ser de alta tecnologia traz não só empregos, mas empregos de qualidade, paga mais impostos, pessoal mais qualificado e isso é muito bom não só para a Marinha mas para o Brasil todo”.
A produção será feita com, pelo menos, 30% de conteúdo local no primeiro navio, e 40% a partir do segundo, o que proporciona uma transferência gradual de tecnologia em engenharia naval para a fabricação de navios militares e sistemas de gerenciamento de combate e de plataforma em solo brasileiro. As fragatas serão baseadas no projeto alemão MEKO, já utilizado em 82 embarcações em operação em marinhas de 15 países.
De acordo com o CEO da Sociedade de Propósito Específico Águas Azuis, Fernando Queiroz, a transferência de tecnologia e produção dos navios com conteúdo local são pilares importantes dessa construção. “Estamos habilitando esse estaleiro pra poder trabalhar com requisitos de um navio de defesa, e também com a transferência de conhecimento para gestão de software, sistema de controle de combate e sistema de controle da plataforma, dando independência ao Brasil para gerar suas atualizações de software”, disse.
Programa Fragatas “Classe Tamandaré” A Marinha do Brasil conduz o Programa Fragatas “Classe Tamandaré” desde 2017, com o objetivo de promover a renovação da Esquadra com quatro navios modernos, de alta complexidade tecnológica, construídos no País. O Programa é um elemento fundamental e um meio indispensável tanto para o controle de áreas marítimas de interesse, evitando o acesso de meios não desejáveis pelo mar, como também para que o País atue sob a égide de organismos internacionais e em apoio à política externa, de forma compatível com a inserção do Brasil no cenário internacional.
“Com a construção desses navios em estaleiro nacional, com altos índices de conteúdo local, e transferência de tecnologia, haverá incremento na geração de empregos e fortalecimento da Base Industrial de Defesa do País”, complementou o Diretor-Geral do Material da Marinha.
Histórico No dia 27 de março de 2019, foi anunciada a Sociedade de Propósito Específico (SPE) “Águas Azuis” como a melhor oferta para o Programa. A “Águas Azuis” é formada pelas empresas Thyssenkrupp Marine Systems, Atech e Embraer Defesa e Segurança. Em 5 de março de 2020, a Empresa Gerencial de Projetos Navais (EMGEPRON) e a SPE “Águas Azuis” assinaram os contratos para a construção da Classe “Tamandaré”, em cerimônia presidida pelo Ministro da Defesa.
Naquele momento, foram assinados o contrato principal para aquisição, por construção no País, de quatro Fragatas, e o contrato coligado, que trata do Acordo de Compensação. Este último tem como objetos as Transferências de Conhecimento e de Tecnologia referentes ao Sistema de Gerenciamento de Combate e ao Sistema Integrado de Gerenciamento da Plataforma, bem como cursos de operação e manutenção das futuras Fragatas.
Estaleiro da thyssenkrupp em que as fragatas estão sendo construídas