Pesquisar este portal

Mostrando postagens com marcador COP 30. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador COP 30. Mostrar todas as postagens

24 novembro, 2025

COP30: quando o Brasil tropeça no palco que deveria liderar

 


*Luiz Alberto Cureau Jr., via LinkedIn - 23/06/2025

A COP30 era a oportunidade perfeita para o Brasil assumir, sem hesitação, o centro do tabuleiro climático combinando soft power de país florestal com hard power de potência energética e militar. Mas, em vez disso, entregamos ao mundo um espetáculo de improviso, vaidade política e perda estratégica.

Enquanto países desenvolvidos analisavam a conferência como um teste de maturidade institucional do Brasil, o que viram foi desorganização, infraestrutura precária, fiascos operacionais e um governo mais preocupado em capitalizar politicamente o evento do que em transformar a COP em agenda real de Estado. O incêndio na blue zone, as falhas de segurança, credenciais atrasadas e não entregues, as delegações reduzidas e o afastamento da própria ONU da gestão do espaço tornaram-se símbolos de um anfitrião que não se preparou para o próprio discurso.

Perdemos a chance de discutir geopoliticamente o que realmente interessa: segurança climática, defesa da Amazônia como ativo estratégico, uso regulado da nossa ZEE, também conhecida por nós militares por Amazônia azul, corredores verdes, cadeias logísticas resilientes e o papel do Brasil na arquitetura global de carbono. 

Ninguém viu o país posicionar suas Forças Armadas como guardiãs ambientais do século XXI, com investimentos e planejamento, nem apresentar um plano robusto para liderar mercados verdes, integridade climática ou instrumentos financeiros de transição. Faltou estratégia. Faltou Estado. Faltou ambição. 

Lá fora, a percepção dominante foi clara: o Brasil fala como líder, mas age como amador. E liderança climática não se improvisa, se constrói com governança, previsibilidade, segurança jurídica e capacidade institucional. A COP30 poderia ter sido a coroação do Brasil no debate climático global e também a afirmação da quarta safra brasileira, a safra do carbono. Terminou como um alerta incômodo de que ainda estamos longe de ocupar o lugar que insistimos em reivindicar. Como mudar isso? É fácil, com governança de verdade. 

*Luiz Alberto Cureau Jr. é General de Brigada R/1 do Exército Brasileiro, Bacharel em Educação Física pela Escola de Educação Física do Exército, foi comandante do Centro de Capacitação Física do Exército e, atualmente, é consultor em meio ambiente e projetos de crédito de carbono no Instituto Climático VBH em Brasília.  

04 novembro, 2025

COP 30 e Defesa: o Brasil entre a sustentabilidade e a soberania

 


*Luiz Alberto Cureau Jr., via LinkedIn - 03/11/2025

A realização da COP30 no Brasil representa uma encruzilhada estratégica que une sustentabilidade, soberania nacional e segurança. Enquanto o país se posiciona como anfitrião desse importante encontro climático em Belém, no estado do Pará, torna-se imperativo articular uma visão integrada entre a agenda ambiental e as dimensões de defesa nacional. Ao mesmo tempo em que o país busca mostrar ao mundo suas credenciais em agricultura tropical sustentável e preservação da Amazônia, ele está inserido em um tabuleiro geopolítico complexo, onde fatores como recursos naturais estratégicos, rotas comerciais e interesses externos influenciam a segurança regional.

No Brasil, essa interseção entre sustentabilidade e defesa se torna mais evidente: a proteção de biomas como a Amazônia, terras raras, água doce e solo fértil é tanto um imperativo ambiental quanto estratégico. O desafio é que os vetores de ameaça se ampliam e passam a incluir não só a degradação ambiental e o desmatamento, mas também a vulnerabilidade de infraestruturas críticas, a presença de atores externos, e a necessidade de controle territorial. Nesse sentido, modernizar as Forças Armadas brasileiras deixa de ser uma opção para tornar-se uma necessidade.

Dentro desse cenário, a COP30 pode servir como catalisador: o Brasil pode usar sua posição de anfitrião para vincular convenções de mitigação e adaptação às agendas de segurança e defesa. Sistemas de monitoramento avançado da Amazônia, como o SIPAM, vigilância de fronteiras verdes, como o SISFRON e inteligência integrada entre órgãos ambientais e militares podem formar uma nova matriz de segurança sustentável.

O futuro dessa área no Brasil exige uma abordagem híbrida: políticas que contemplem as metas ambientais da COP30, transição para uma economia de baixo carbono, adaptação e conservação dos biomas, mas que também incorporem a dimensão da defesa, garantindo que a soberania nacional, o controle sobre recursos estratégicos e a estabilidade regional sejam protegidos.

Em suma: num mundo em que a geopolítica climática se entrelaça com a geopolítica da defesa, o Brasil tem na COP30 uma oportunidade singular de afirmar-se como potência verde e guardião de seu próprio futuro. 

O governo federal chamou a Defesa para iniciar esse diálogo na COP? A Defesa está se movimentando nessa direção? Ou vamos esperar mais essa oportunidade passar?

*Luiz Alberto Cureau Jr. é General de Brigada R/1 do Exército Brasileiro, Bacharel em Educação Física pela Escola de Educação Física do Exército, foi comandante do Centro de Capacitação Física do Exército e, atualmente, é consultor em meio ambiente e projetos de crédito de carbono no Instituto Climático VBH em Brasília.  

 

14 outubro, 2025

COP30: Defesa, ajuste de correspondente e o futuro dos créditos de carbono



*Luiz Alberto Cureau Jr., via LinkedIn - 14/10/2025

A COP30, em Belém, abre uma janela inédita para que o Brasil alinhe sustentabilidade, segurança e desenvolvimento estratégico. Se para o setor privado as oportunidades estão no financiamento verde, na bioeconomia e na transição energética, para o setor de Defesa a conferência representa muito mais: a chance de se posicionar como protagonista da logística e da resiliência climática.

Forças Armadas que incorporam tecnologias limpas, autonomia energética e proteção da Amazônia terrestre e Azul tornam-se não apenas garantidoras da soberania, mas também parceiras essenciais na construção de cadeias de valor sustentáveis.

Entretanto, a consolidação dessa liderança depende de ajustes urgentes. O chamado “ajuste de correspondente” permanece como um gargalo regulatório: milhões de dólares em potenciais negócios já foram desperdiçados por falta de clareza normativa e alinhamento com padrões internacionais. Enquanto investidores globais exigem segurança jurídica e previsibilidade, o Brasil ainda patina em transformar promessas em ativos reconhecidos.

Outro ponto central é o destino dos créditos de Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL). Embora vinculados ao Protocolo de Kyoto, muitos desses créditos permanecem em estoque e, se corretamente valorizados, ainda podem ser utilizados em negociações internacionais ou convertidos em instrumentos de transição para o mercado regulado do Artigo 6 do Acordo de Paris. Ignorar essa oportunidade significaria deixar escapar bilhões em ativos que poderiam financiar adaptação climática, inovação em defesa e projetos de baixo carbono.

 

O futuro exige pragmatismo. O Brasil precisa agir em três frentes: 
a. acelerar a regulamentação do ajuste de correspondente para não perder competitividade; 

b. oferecer ao setor de Defesa um papel claro na COP30, integrando segurança climática e operacional; 

c. valorizar o estoque de MDL como ativo de transição, em vez de permitir sua obsolescência.

Se conseguir alinhar regulação, defesa e finanças verdes, o país não apenas liderará a COP30, mas consolidará uma posição estratégica na geopolítica climática: soberania com sustentabilidade e negócios com escala global.

*Luiz Alberto Cureau Jr. é General de Brigada R/1 do Exército Brasileiro e Consultor em meio ambiente e projetos de crédito de carbono no Instituto Climático VBH em Brasília. 

13 outubro, 2025

Forças Armadas e polícias ampliam uso de drones em Defesa e Segurança Pública na Amazônia

 


*LRCA Defense Consulting - 13/10/2025

Militares do Comando Militar do Norte, policiais militares e agentes da Polícia Rodoviária Federal (PRF) participaram de um curso intensivo de operador de drones, promovido pelo Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam) em Belém (PA). A iniciativa marca uma nova era na integração entre tecnologia e segurança pública, especialmente nos preparativos para a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, a COP 30, que ocorrerá em novembro de 2025 na capital paraense.​​

Drones: novas ferramentas na Segurança e na Defesa
O treinamento oferecido pelo Censipam abordou técnicas avançadas de pilotagem, coleta de imagens estratégicas e vigilância aérea, ampliando significativamente a capacidade de resposta das forças de segurança em situações críticas e durante grandes operações. Os participantes realizaram práticas de sobrevoo, reconhecimento de áreas, simulações de abordagem de drones irregulares e aprenderam normas legais para atuação em eventos de grande escala.​

Instrutores destacaram que as imagens e dados obtidos pelos drones permitem uma visão ampla e detalhada do terreno, facilitando a tomada de decisões, a prevenção de incidentes e a identificação de riscos. “O uso de drones representa um avanço estratégico para a proteção da população e o sucesso das missões durante eventos como a COP 30”, explica João Bosco, instrutor do Censipam.​

Além disso, o treinamento de militares das Forças Armadas visa preparar esses profissionais para a utilização eficiente dos drones no contexto da guerra moderna, onde esses equipamentos desempenham papel fundamental em operações de reconhecimento, vigilância, e ataques de precisão. A evolução tecnológica dos drones tem transformado o campo de batalha, permitindo maior alcance, menor risco para os combatentes e ações rápidas e decisivas. O domínio dessas tecnologias é crucial para a manutenção da superioridade estratégica das Forças Armadas brasileiras em um cenário global cada vez mais tecnológico.​​

Preparativos para a COP 30
Os profissionais capacitados atuarão diretamente nas ações de vigilância e monitoramento aéreo durante a COP 30, fortalecendo o aparato de segurança destinado a milhares de delegações e visitantes esperados em Belém. As operações contemplam desde o mapeamento de áreas restritas até o bloqueio de uso irregular de drones, evitando riscos à aviação civil e à integridade dos participantes.​

A Polícia Federal, por exemplo, está preparando operações específicas para evitar o uso não autorizado de drones nos arredores do Aeroporto Internacional de Belém e nos locais dos eventos – áreas mapeadas e sob fiscalização intensa. A atuação será integrada entre forças federais, estaduais e municipais, aplicando protocolos de grandes eventos e avançada tecnologia.​


Segurança Pública e legado tecnológico
Além do foco na COP 30, o curso faz parte de uma política mais ampla de modernização da segurança pública na Amazônia. O uso de drones deve se consolidar como ferramenta essencial em fiscalizações, patrulhamento e operações de inteligência, até mesmo após a conferência internacional, criando novas possibilidades para reduzir a criminalidade e aumentar a eficiência das forças de segurança no Brasil.​​

Diversas instituições e estados investem na capacitação de agentes e na aquisição de equipamentos de ponta, fortalecendo o enfrentamento ao crime, à proteção ambiental e à resposta rápida em emergências – num momento em que eventos globais como a COP 30 demandam máxima preparação e uso inteligente de tecnologia.​

O legado da iniciativa impulsionada pelo Censipam é a formação de equipes qualificadas para operar drones com excelência, garantindo segurança, precisão e agilidade nas missões que envolvem a proteção da Amazônia e da população brasileira.

Postagem em destaque