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24 junho, 2026

Ministério da Defesa e Fiesp firmam acordo de cooperação para a Base Industrial de Defesa

Documento assinado em São Paulo prevê capacitação de adidos militares, promoção comercial dos produtos nacionais e intercâmbio de informações entre o governo federal e o empresariado paulista


*LRCA Defense Consulting - 24/06/2026

O Ministério da Defesa (MD) e a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) assinaram, na segunda-feira (22), na sede da Fiesp, em São Paulo, um Acordo de Cooperação voltado ao desenvolvimento da Base Industrial de Defesa (BID). O documento foi firmado pelo ministro da Defesa, José Mucio Monteiro, e pelo presidente da Fiesp, Paulo Skaf, durante reunião de diretoria da entidade.

O que prevê o acordo
Segundo o Ministério da Defesa, o acordo estabelece a execução de ações de interesse recíproco, em regime de mútua colaboração e sem transferência de recursos entre as partes. O foco está no desenvolvimento e na promoção de produtos e serviços de defesa e segurança brasileiros, além do intercâmbio de informações e da contribuição para o aperfeiçoamento de políticas públicas voltadas ao setor.

Plano de trabalho e capacitação
Na mesma ocasião, foi firmado o Plano de Trabalho vinculado ao acordo, que detalha ações de capacitação e promoção da BID. Estão previstas atividades para os alunos do Estágio para Diplomatas e Adidos Militares Estrangeiros, promovido pela Escola Superior de Defesa (ESD), e para o Curso de Gestão de Recursos de Defesa no estado de São Paulo, com apoio técnico do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai/SP).

O secretário de Produtos de Defesa do Ministério da Defesa, Heraldo Luiz Rodrigues, afirmou que o acordo deve ampliar a capacitação de adidos militares brasileiros designados para missões no exterior, de modo que conheçam melhor a indústria nacional de defesa e possam contribuir para a promoção dos seus produtos no mercado internacional. Segundo ele, a parceria também alcança adidos estrangeiros no Brasil e representa uma oportunidade de estimular as exportações do setor.

O plano também prevê capacitações destinadas às próprias empresas da BID, com foco no aprimoramento de processos, na qualificação para atuação junto à administração pública e no desenvolvimento de estratégias de negócios. Devem participar das atividades integrantes do MD, militares das Forças Armadas designados como adidos de defesa e representantes das empresas do setor.

Repercussão
Para o ministro da Defesa, a cooperação com a Fiesp amplia oportunidades para a indústria nacional e contribui para que o país avance com autonomia tecnológica, a partir de planejamento e responsabilidade. Já o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, avaliou que a parceria representa um passo importante para que o Brasil ocupe posição de protagonismo na produção de tecnologias e na geração de empregos qualificados, ampliando a competitividade do setor.

Uma cooperação de longa data
A relação entre o Ministério da Defesa e a Fiesp não é recente. Desde 2006, o Departamento da Indústria de Defesa da federação, o Comdefesa, sedia o Curso de Gestão de Recursos de Defesa (CGERD), voltado à qualificação de representantes da BID. Em 2020, as duas instituições firmaram um primeiro Acordo de Cooperação Técnica, que resultou, entre outras iniciativas, no projeto de criação de uma fintech voltada ao financiamento do setor de defesa, anunciado em reunião na sede da Fiesp.

O novo acordo, assinado nesta semana, amplia o alcance dessa parceria histórica, incorporando ações específicas de promoção internacional por meio de adidos militares e reforçando a interlocução entre o governo federal e o empresariado paulista. O movimento se soma a outras iniciativas recentes do Ministério da Defesa voltadas ao fortalecimento da BID, como a parceria firmada em outubro de 2024 com a Confederação Nacional da Indústria (CNI), por meio do Observatório Nacional da Indústria, com vigência de seis anos e foco em inteligência de dados para monitorar orçamento, financiamento e oportunidades comerciais do setor.

A Base Industrial de Defesa em números
De acordo com o Ministério da Defesa, a BID responde por cerca de 2,9 milhões de empregos diretos e indiretos no país e por aproximadamente 3,49% do Produto Interno Bruto (PIB), abrangendo a produção de aeronaves, embarcações, sistemas de comunicação segura, soluções cibernéticas, radares e satélites, entre outros segmentos. Em 2025, o setor registrou autorizações de exportação de produtos de defesa da ordem de US$ 3,4 bilhões, recorde histórico para a indústria nacional.

O acordo com a Fiesp se insere nesse movimento de expansão da BID, somando-se aos esforços do governo federal para ampliar a competitividade e a autonomia tecnológica do setor.

16 dezembro, 2025

Fábrica de chips da USP: um salto estratégico para a defesa nacional

PocketFab representa mais que inovação tecnológica — é questão de segurança e soberania militar do Brasil 


*LRCA Defense Consulting - 16/12/2025

Em meio à guerra tecnológica global por semicondutores, o Brasil deu um passo decisivo rumo à autonomia militar. O anúncio da PocketFab, primeira fábrica portátil de chips do mundo na Universidade de São Paulo, vai além de uma conquista acadêmica: representa uma virada estratégica para a indústria de defesa brasileira, há décadas dependente de tecnologia estrangeira para equipar suas Forças Armadas.

A iniciativa, desenvolvida pelo InovaUSP em parceria com a Fiesp e o Senai, chega em momento crítico. O Brasil importa entre 40 e 50 bilhões de dólares em tecnologia anualmente, enquanto suas exportações no setor representam apenas uma fração mínima desse montante. Para a defesa nacional, essa dependência externa é ainda mais grave: quase 100% dos sistemas militares brasileiros utilizam componentes controlados por outros países.

Vulnerabilidade militar brasileira
A dependência de semicondutores estrangeiros expõe uma fragilidade crítica nas Forças Armadas. Segundo especialistas em defesa, caso o Brasil perdesse o acesso a fornecedores norte-americanos e europeus, a capacidade operacional do país poderia entrar em colapso em apenas três anos.

Caças Gripen E, fragatas Tamandaré e submarinos Scorpène — pilares da defesa brasileira — dependem de componentes importados, desde sensores até sistemas de comunicação criptografada. Sem acesso a peças de reposição e atualizações tecnológicas, o país ficaria com sua capacidade de defesa comprometida.

A situação se agrava quando se analisa que mais de 20 mil componentes utilizados em armamentos dependem de semicondutores. Mísseis, drones, sistemas de navegação, radares, guerra eletrônica e comunicações seguras — todos exigem chips cada vez mais avançados. Na guerra moderna, semicondutores são multiplicadores de força tão essenciais quanto blindagem e munição.

Contexto geopolítico da guerra dos chips
A indústria de semicondutores nasceu no setor militar. Na década de 1950, o Exército dos EUA financiou o desenvolvimento dos primeiros chips de silício para sistemas de defesa, incluindo o programa espacial Apollo. Desde então, quem domina a fabricação de chips mantém vantagem militar decisiva.

A rivalidade entre Estados Unidos e China pela liderança tecnológica transformou semicondutores em armas geopolíticas. Washington impõe restrições à exportação de tecnologia de ponta para Pequim, enquanto a China investe dezenas de bilhões para alcançar autossuficiência. Taiwan, sede da TSMC, maior fabricante mundial de chips, tornou-se ponto crítico de tensão global, com possibilidade de conflito armado que paralisaria a economia mundial.

Para o Brasil, essa disputa representa tanto risco quanto oportunidade. O país foi colocado no centro da guerra tecnológica, com EUA e China disputando parcerias para produção de semicondutores em território nacional. A decisão brasileira de aproximação com a China para transferência de tecnologia em chips, 5G e inteligência artificial demonstra a urgência do tema.

Solução da PocketFab
Diferente das megafábricas tradicionais que custam bilhões de dólares, a PocketFab propõe modelo compacto, modular e sustentável. A tecnologia permite produção de semicondutores em menor escala, mas com aplicação estratégica para necessidades específicas da defesa nacional.

A fábrica não pretende competir com gigantes como TSMC ou Samsung na produção de chips de 3 nanômetros. O foco está em atender o mercado de semicondutores especializados — nicho que representa 46% do mercado global e inclui componentes essenciais para sistemas militares.

Essa estratégia se alinha com a realidade brasileira. O país não precisa fabricar os chips mais avançados do mercado civil, mas sim garantir fornecimento contínuo de componentes para sistemas de defesa, mesmo em cenários de restrição internacional.

Terras Raras e soberania tecnológica
A PocketFab ganha ainda mais relevância quando combinada à recente inauguração da planta piloto de terras raras do Instituto de Pesquisas Tecnológicas. O Brasil possui a segunda maior reserva mundial de terras raras — elementos essenciais para produção de semicondutores, ímãs permanentes, baterias e sistemas de propulsão.

Essa combinação de capacidade de refino de matéria-prima crítica com fabricação de chips cria sinergia estratégica. O país pode controlar desde a extração mineral até o produto final, reduzindo vulnerabilidades na cadeia de suprimento.

Atualmente, a China domina 85% da produção global de terras raras refinadas. A capacidade brasileira de processar esses materiais localmente representa autonomia em momento de crescente fragmentação das cadeias produtivas globais.

Impacto na Base Industrial de Defesa
A Base Industrial de Defesa brasileira representa 3,58% do PIB e emprega 2,9 milhões de pessoas. Apesar do crescimento recente das exportações — que atingiram US$ 1,3 bilhão no primeiro semestre de 2024 —, o índice de autonomia tecnológica nas Forças Armadas é de apenas 42%.

A meta do governo federal é alcançar 55% até 2026 e 75% até 2033. Para isso, o Programa Nova Indústria Brasil prevê investimentos de R$ 112,9 bilhões no setor de defesa, com foco em radares, satélites, foguetes e sistemas autônomos.

A capacidade de fabricar semicondutores nacionalmente é peça-chave desse quebra-cabeça. Sem domínio sobre chips, o Brasil continuará dependente de fornecedores externos para equipar suas Forças Armadas, limitando a efetividade dos demais investimentos em defesa.

Estudo recente da Confederação Nacional da Indústria aponta que a nacionalização de apenas 30% dos produtos de defesa importados poderia gerar 226 mil empregos e arrecadação tributária de R$ 9,9 bilhões anuais.

Desafios e perspectivas
O Brasil enfrenta obstáculos significativos para consolidar indústria de semicondutores. A produção exige investimentos bilionários, mão de obra altamente qualificada, estabilidade regulatória e incentivos fiscais de longo prazo.

A Ceitec, empresa estatal de semicondutores, entrou em processo de liquidação em 2021 por falta de recursos, sendo revertido em 2023. Especialistas estimam que renovar a Ceitec custaria entre US$ 200 milhões e US$ 400 milhões — valores modestos comparados aos bilhões investidos por EUA, China e Europa.

O governo sancionou em setembro de 2024 o Programa Brasil Semicondutores, aperfeiçoando incentivos fiscais para o setor. Agora é necessário garantir continuidade orçamentária e previsibilidade de compras governamentais para viabilizar investimentos privados.

A integração da PocketFab com o ecossistema da Cidade Universitária da USP - onde pesquisa, formação de talentos e inovação convergem - cria ambiente propício para desenvolvimento de soluções nacionais. O programa de pós-graduação da Engenharia Elétrica da USP formou 3.500 mestres e doutores nos últimos anos, demonstrando capacidade técnica brasileira.

Uma questão de soberania
Em um mundo onde semicondutores definem estratégias militares e controlam a inovação tecnológica, o Brasil não pode permanecer dependente de importações. A PocketFab representa início concreto de caminho rumo à autonomia, conectando universidades, institutos de pesquisa e o setor produtivo.

O projeto vai além de substituir importações. Trata-se de garantir que as Forças Armadas brasileiras mantenham capacidade operacional independente de restrições geopolíticas, proteção de infraestruturas críticas e desenvolvimento de tecnologias de uso dual que impulsionem toda a economia.

Como destacou o Diretor do InovaUSP, o Brasil importa dezenas de bilhões em tecnologia enquanto exporta apenas fração mínima. A mudança desse quadro exige projetos estruturantes como a fábrica de chips da USP — ambiciosos, de longo prazo e com impacto real na competitividade e segurança nacional.

É assim que países avançam. É assim que se constrói soberania tecnológica e militar.

27 julho, 2023

Fórum de Investimentos Brasil – Arábia Saudita: oportunidade para a Indústria de Defesa


*LRCA Defense Consulting - 27/07/2023

A Federação das Indústrias de São Paulo (FIESP) está promovendo o Fórum de Investimentos Brasil – Arábia Saudita, a acontecer entre os dias 31 de julho e 02 de agosto na sede da entidade. O convite foi enviado às entidades associadas e aos possíveis interessados.

O evento faz parte dos esforços da Arábia Saudita para estabelecer parcerias de investimentos com o setor privado de países de todo o mundo, diversificar sua economia e fortalecer sua posição como um centro de comércio internacional. No Brasil, serão discutidos os interesses dos sauditas nos produtos e serviços brasileiros, bem como as possibilidades de investimentos em alguns setores do país.

A importância do Fórum pode ser aquilatada pela participação do ministro de Investimentos do Reino da Arábia Saudita, Khalid Al Falih (foto), liderando a maior delegação saudita que o Brasil já recebeu, bem como pelas presenças do vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, e do prefeito da cidade de São Paulo, Ricardo Nunes, além de outras autoridades governamentais e empresários de importantes companhias brasileiras.

Segunda a Câmara de Comércio Árabe-Brasileira, o evento é uma oportunidade única para promover investimentos e explorar potenciais parcerias em diversos setores.

Em março, uma delegação saudita também de alto nível visitou a Alemanha, quando os dois países lançaram em Berlim o Fórum de Investimentos Arábia Saudita - Alemanha, com a participação de governantes e empresas privadas, registrando a assinatura de vários acordos de investimento.

A transmissão do congresso será feita através do canal do YouTube da Federação das Indústrias de São Paulo.

 

A Indústria Brasileira de Defesa e a Arábia Saudita
A Indústria Brasileira de Defesa tem grandes interesses no Reino da Arábia Saudita e, nos dois últimos anos, já foram fechadas diversas parcerias com empresas desse país. De forma similar, a Arábia Saudita tem demonstrado forte interesse por produtos e serviços brasileiro desse setor.

De acordo com o portal Tactical Report, especializado em relatórios de defesa com ênfase em países árabes, em edição publicada no final de abril, espera-se que o Ministério da Defesa saudita inicie negociações com várias empresas brasileiras de defesa para diversificar o fornecimento de armas do Reino da Arábia Saudita. Além disso, segundo a fonte, o Reino considera prioritária a cooperação militar-industrial com o Brasil.

Em virtude desses fatos e da grande importância que a FIESP e a Câmara de Comércio Árabe-Brasileira estão atribuindo ao  Fórum de Investimentos Brasil - Arábia Saudita, é possível esperar que outras parcerias possam ser anunciadas, à semelhança do que ocorreu na Alemanha em março.

Veja abaixo uma síntese das principais empresas brasileiras de Defesa presentes ou com interesses na Arábia Saudita.

Akaer
Na LAAD 2023, a Akaer, empresa brasileira com mais de 30 anos de atuação no desenvolvimento de tecnologias de ponta para os setores de Defesa e Aeroespacial, além de uma parceria com o Grupo Edge, promoveu uma outra com a empresa saudita Intra Defense Technologies para o desenvolvimento de drones naquele país.  As duas companhias estabeleceram um contrato para o desenvolvimento de veículos aéreos não tripulados (UAVs, na sigla em inglês) de grande porte para, inicialmente, atender as necessidades da Arábia Saudita. O projeto, no entanto, poderá se estender para outros países e regiões. Atualmente, a Intra opera UAVs na Arábia Saudita com grande sucesso, acumulando mais de 4 mil horas de voo em diferentes missões. A empresa parceira desenvolveu dois UAVs VTOL (que realizam pouso e decolagem /verticais), um dos quais foi exposto na LAAD Defense & Security.

Akaer estabelece parceria com empresa da Arábia Saudita para desenvolvimento de drones

Avibras
A Avibras exportou o Sistema Astros II para a Arábia Saudita em meados dos anos 80. Em novembro de 1985, a empresa fechou contrato para o fornecimento de dez baterias Astros II em um negócio de US$ 389 milhões, e esse país chegou a utilizá-lo na 1ª Guerra do Golfo contra as forças iraquianas, sob comando da coalizão liderada pelos Estados Unidos, com grande sucesso.

Enfrentando agora uma delicada situação financeira, um pesado investimento saudita poderia ser muito bem-vindo para a Avibras.

Militares brasileiros integrantes do Projeto Estratégico ASTROS 2020 em um intercâmbio com o Exército Saudita em 2014

Avionics Services
Durante a IDEX 2023 em Abu Dhabi, a empresa brasileira Avionics Services e a Arab Organization for Industrialization (AOI) firmaram um MoU (Memorando de Entendimento).

“O MoU que assinamos com a Organização Árabe para a Industrialização prevê o fechamento de contrato para prover serviços de manutenção especializada em helicópteros, bem como integração de sistemas embarcados, entre outros”, explicou João Vernini, Diretor Presidente da Avionics Services.

Atuando pelo desenvolvimento da indústria de defesa árabe no Egito, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Qatar, a AOI busca  intensificar a cooperação e ampliar as parcerias com instituições e empresas internacionais na área de defesa.

Avionics Services firma Memorando de Entendimento com a árabe AOI na IDEX 2023

Embraer
Em entrevista ao portal Defense Here, em 26/04/2023, o CEO da Embraer Defesa e Segurança, Bosco da Costa Junior, falou sobre os mercados de interesse da Embraer onde destacou a região do Oriente Médio, dizendo “Temos nosso escritório em Dubai desde 2009. Então vemos esta região, a região do Oriente Médio, como uma região muito importante e muito estratégica para a Embraer”. Ele também afirmou que a Embraer está buscando fortalecer suas parcerias com os países da região e ajudá-los a localizar tecnologias, acrescentando que “estamos buscando oferecer nossas soluções para a Arábia Saudita e também para os Emirados”.

Em julho de 2022, a Embraer Defesa & Segurança celebrou acordos de cooperação com a BAE Systems por meio de dois memorandos de entendimento (MoUs, na sigla em inglês) que visam ampliar a atuação das empresas no mercado global de defesa. O primeiro é voltado para promover o C-390 nos mercados do Oriente Médio (inicialmente no Reino da Arábia Saudita) e o outro confirma uma intenção de criar uma joint venture para desenvolver uma variante de defesa do veículo elétrico de decolagem e aterrissagem vertical (eVTOL) da Eve.

Embraer C-390 pousando em pista não preparada, similar a de um deserto

IMBEL
A Indústria de Material Bélico do Brasil - IMBEL, participou da World Defense Show (WDS), uma das maiores feiras globais do setor, inaugurada no dia 6 de março em Riad, na Arábia Saudita. A participação da IMBEL decorreu do convite formulado pela empresa saudita Life Shield para, juntamente com a empresa brasileira NRS Defence Solutions Ltda., expor seu portfólio de produtos na feira, especialmente munições pesadas (mock-up) e materiais de comunicações e eletrônica.

Imbel e NRS Defence Solutions participam na World Defense Show na Arábia Saudita

Mac Jee
O Grupo Mac Jee instalou na Arábia Saudita uma moderna planta de material energético com capacidade de produção de 2 mil toneladas de TNT e 120 toneladas de RDX, onde tem tecnologia para adaptar a capacidade de fabricação de acordo com a necessidade de cada cliente. A estrutura montada na Arábia Saudita possui aproximadamente 500 mil metros quadrados e está localizada dentro da Saudi Chemical Company Limited (SCCL), a maior empresa de produção de energia civil e militar do país.

No início de 2022, um dos protótipos do Armadillo foi avaliado na Arábia Saudita. Trata-se de um dos lançadores de foguetes mais leves, compactos e rápidos do mercado global, projetado e desenvolvido para condições extremas de operação.

Durante a participação na World Defense Show, em março de 2022,  a Mac Jee anunciou a assinatura de um acordo de parceria com o Ministério de Investimento da Arabia Saudita, passando a integrar um seleto grupo de empresas brasileiras aptas a cooperar no fomento das tecnologias de fabricação e desenvolvimento de sistemas, transferência de tecnologia, entre outras colaborações importantes para indústria de defesa.

Mac Jee firma parceria com o Ministério de Investimento da Arábia Saudita

Ocellott
A Ocellott assinou, em outubro de 2022, um MoU (Memorandum of Understanding) com a MISA (Ministério do Investimento da Arábia Saudita). O objetivo do acordo é a aplicação de investimentos no desenvolvimento de baterias de propulsão para aeronaves elétricas, os eVTOLs (Electric vertical take-off and landing). Essa iniciativa está alinhada com o foco de investimentos da Arábia Saudita em aviação e eletrificação, assim como no desenvolvimento de uma cadeia de suprimentos de altíssimo padrão para o país.

Sobre a assinatura do acordo, o CEO Ocellott, Henrique Lemos, comentou: “A assinatura desse acordo é um passo importante na relação entre Ocellott e a Arábia Saudita, mas também um estreitamento da relação entre a Arábia Saudita e o Brasil, principal país da América Latina. Oferecemos uma colaboração tecnológica robusta e tecnologia aeroespacial de ponta que está alinhada a visão da Invest Saudi em desenvolver uma cadeia de suprimentos de altíssimo padrão no Reino da Arábia Saudita.”

Ocellott assina acordo com o Ministério do Investimento da Arábia Saudita

Taurus Armas e CBC
Em 30 de dezembro de 2021, a Taurus Armas S.A. celebrou um contrato para constituição de joint venture com sua coligada Companhia Brasileira de Cartuchos (CBC), como parte das estratégias de internacionalização de suas operações visando fomentar negócios e oportunidades na Arábia Saudita. Com o nome de Companhia Brasileira de Cartuchos Taurus Arabia Holding, LLC., a  joint venture tem como principal objetivo possibilitar a busca e antevisão mais eficiente de oportunidades de negócios neste mercado relevante, especialmente considerando os planos do governo do país para estabelecer uma base industrial de defesa local, no âmbito da estratégia denominada “Visão 2030”.

Após a abertura de um escritório regional da empresa na Arábia Saudita em 2022, a Taurus Armas S.A. deu mais um importante passo no país, assinando um contrato com a empresa SEPHA Military Industries Company no dia 04 de julho. O contrato prevê a distribuição e o agenciamento das armas leves da Taurus para os mercados Militar e Policial no território da Arábia Saudita. 

A SEPHA Industries Co. LLC é uma proeminente empresa de defesa no Reino da Arábia Saudita que contribui diretamente para o plano estratégico Vision 2030 criando indústrias militares orgânicas, modernizando as Forças Armadas Sauditas e alcançando a defesa global e o mercado de segurança em parceria com empresas líderes mundiais.

A SEPHA é controlada pelo poderoso grupo Ajlan & Bros. Holding, fundado em 1979 (como holding, em 2017), que  detém participação em mais de 75 empresas que empregam cerca de 15.000 colaboradores em mais de 25 países e possui ativos que ultrapassam 15 bilhões de dólares, sendo um conglomerado atuante em diversos setores estratégicos, além de ter parcerias com mais de 100 empresas ao redor do mundo.

O estabelecimento de uma subsidiária na Arábia Saudita e o interesse da Taurus e da CBC na região estão em consonância com os planejamentos estratégicos das duas empresas, haja vista que o mais rico, poderoso e estratégico país do Oriente Médio passou a desenvolver uma política industrial de defesa bastante similar à da Índia, onde ambas já possuem fábricas.

HE Khalid A. Al-Falih, Ministro do Investimento da Arábia Saudita, visita o estande da CBC e Taurus durante o World Defense Show, na Arábia Saudita

WEG
Foi inaugurado no dia 31 de março de 2022, na Arábia Saudita, a maior planta de dessalinização de água marinha do mundo, a Rabigh 3, da qual a WEG participou como fornecedora de motores e inversores de frequência. O êxito do projeto foi homenageado e reconhecido pelo Guinness World Records como “maior instalação de dessalinização por osmose reversa do mundo”.

Tida como um dos subsegmentos em crescimento dentro da plataforma de Alimentos e Bebidas, a aquicultura dá à WEG a possibilidade de utilizar seus produtos nas mais diversas aplicações. Prova disso é o fornecimento feito pela Operação Comercial da WEG no Equador, em parceria com a fabricante equatoriana de bombas Delta Delfini, para um projeto de fazenda de camarão na Arábia Saudita.

WEG participou como fornecedora da maior planta de dessalinização do mundo na Arábia Saudita

Saiba mais:
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