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20 dezembro, 2025

Drones e defesa europeia impulsionam aposta da Embraer em Portugal

Carta de intenção assinada ontem replica modelo do KC-390 e posiciona Portugal como porta de entrada da fabricante brasileira na Europa 


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LRCA Defense Consulting - 20/12/2025

Na cerimônia de entrega das primeiras cinco aeronaves A-29N Super Tucano à Força Aérea Portuguesa, realizada em Beja, foi assinado um documento que pode mudar o panorama da indústria aeronáutica portuguesa: uma carta de intenção entre o Ministro da Defesa Nacional, Nuno Melo, e o presidente da Embraer para estabelecer uma unidade de produção ou montagem do Super Tucano em território nacional.

A iniciativa replica uma fórmula já testada e aprovada com o KC-390, aeronave de transporte militar que transformou Portugal num centro de certificação NATO e gerou lucros significativos para o Estado português através de modificações técnicas que permitem a revenda a outros países da aliança.

O modelo vencedor do KC-390
O precedente do KC-390 é fundamental para compreender a aposta da Embraer em solo português. Quando Portugal adquiriu estas aeronaves de transporte, desenvolveu modificações específicas para certificação NATO através da sua Autoridade Aeronáutica Nacional. Este trabalho técnico permitiu que cada KC-390 vendido posteriormente a outros países membros da aliança gerasse entre 10 e 11 milhões de euros de lucro para Portugal.

Os resultados não tardaram: até 2025, a aeronave já havia sido comercializada para sete países europeus, incluindo Países Baixos, Áustria e República Checa. O projeto foi considerado o primeiro de Defesa em Portugal a efetivamente criar valor, envolvendo o tecido científico nacional e a indústria local, com o investimento inicial já sendo amortizado através das vendas internacionais.

"O que fizemos com o KC-390 demonstrou que este modelo funciona", afirmou fonte próxima ao processo. "Agora queremos replicá-lo com o Super Tucano, uma aeronave com enorme potencial no mercado europeu."

Portugal como porta de entrada estratégica
A escolha de Portugal não é casual. O país torna-se o primeiro na Europa a operar o A-29N com configuração NATO, posicionando-se como centro de treinamento de pilotos e certificação segundo os padrões da aliança. Esta posição privilegiada é vista pela Embraer como a chave para abrir o exigente mercado europeu.

O General Cartaxo Alves, da Força Aérea Portuguesa, revelou que o projeto já desperta interesse em várias forças aéreas europeias. Países como Holanda, Espanha e Itália surgem como potenciais compradores, sendo que a Real Força Aérea da Holanda é citada como o próximo cliente interessado, com o objetivo de substituir seus 13 treinadores Pilatus PC-7, que operam há mais de 36 anos.

A aeronave brasileira tem argumentos sólidos para conquistar este mercado: líder global na sua categoria, o A-29 Super Tucano foi selecionado por 22 forças aéreas em todo o mundo e acumulou mais de 600 mil horas de voo. Segundo executivos da Embraer, praticamente não tem similar no mundo com a função dupla de treinamento avançado e ataque leve.

A nova ameaça dos drones
O contexto geopolítico europeu atual acrescenta urgência ao projeto. Com a Europa atravessando uma nova fase de preocupação com defesa, cresce o interesse no emprego do A-29 em missões counter-UAS, ou seja, combate a drones não tripulados — uma ameaça cada vez mais presente nos conflitos modernos.

O Super Tucano apresenta-se como solução eficaz e economicamente viável para esta missão, sendo mais barato que jatos sofisticados para operações anti-drone. O seu custo operacional reduzido, por ser turboélice, torna-o particularmente atraente para países que procuram capacidades operacionais sem comprometer os orçamentos de defesa.

"Vários países europeus necessitam de novos aviões de treinamento avançado e, simultaneamente, procuram soluções para a ameaça dos drones", explica um analista de defesa. "O A-29N responde a estas duas necessidades num só equipamento."

Investimento de 200 milhões de euros impulsiona indústria nacional
O projeto do Super Tucano insere-se num investimento mais amplo de 200 milhões de euros na modernização da Força Aérea Portuguesa, dos quais 75 milhões serão aplicados diretamente na indústria nacional. Este montante visa criar um grande cluster aeronáutico em Beja, gerando mão de obra qualificada, fixação de pessoas e oportunidades de negócio.

O presidente da Câmara de Beja considera que a fábrica será um motor de desenvolvimento para a região, servindo como empresa âncora para atrair outras empresas do setor. Os sinais já são visíveis: em 2025 nasceram 60 novas empresas nas indústrias de Defesa devido ao clima de confiança criado por estes investimentos.

A presença da Embraer em Portugal não é nova. A fabricante brasileira detém 35% da OGMA, empresa portuguesa que já produz componentes para suas aeronaves e fornece suporte ao KC-390. Esta parceria deverá ser expandida para incluir o A-29N, aproveitando a experiência acumulada com modificações e certificações NATO.

Foto do portal Kiosque da Aviação

Infraestrutura e cronograma
Beja já possui infraestrutura aeronáutica relevante, sendo a base da Esquadra 506 que opera os KC-390. Esta vantagem logística reduz os investimentos iniciais necessários para estabelecer a nova unidade de produção ou montagem.

Embora não existam prazos oficiais divulgados, a experiência com o KC-390 e a rapidez na entrega das primeiras aeronaves A-29N - entregues um ano e um dia após a assinatura do contrato - sugerem que a Embraer e Portugal trabalham com eficiência. Especialistas estimam que a unidade de Beja poderá estar operacional entre 2,5 e 3,5 anos após a assinatura do contrato definitivo.

O modelo de produção deverá seguir a lógica já testada: componentes principais fabricados no Brasil, com montagem final e integração de sistemas NATO em Portugal, seguidos de testes e certificações finais em solo português.

Desafios e oportunidades
Apesar do cenário favorável, o projeto enfrenta desafios. A viabilidade econômica da unidade de Beja dependerá do volume de encomendas europeias, exigindo esforços comerciais sustentados. A capacitação de mão de obra especializada será outro fator crítico, assim como a necessidade de navegar pela complexidade das certificações NATO e da União Europeia.

A concorrência de fabricantes europeus tradicionais também não pode ser subestimada, embora o Super Tucano apresente vantagens competitivas claras em termos de custo-benefício e capacidades operacionais comprovadas em ambiente real de combate.

Por outro lado, as sinergias com a OGMA e o precedente bem-sucedido do KC-390 criam fundamentos sólidos para o sucesso da iniciativa. O fato de Portugal ter conseguido transformar o projeto KC-390 no primeiro de Defesa a criar valor real para o país, reforça a confiança de que o modelo pode ser replicado.

Perspectivas futuras
A carta de intenção assinada ontem representa mais do que um compromisso bilateral entre Portugal e a Embraer. Simboliza a maturidade da indústria de defesa portuguesa e a sua capacidade de se posicionar como hub estratégico na Europa.

Para a Embraer, Portugal oferece acesso privilegiado ao mercado europeu e NATO, redução de custos logísticos e um modelo de negócio que incentiva o governo local a promover ativamente as vendas internacionais, já que cada aeronave vendida gera receita para o Estado português.

Para Portugal, o projeto promete retorno financeiro direto, desenvolvimento industrial e tecnológico, posicionamento estratégico como primeiro operador europeu do A-29N NATO, e revitalização econômica de uma região tradicionalmente menos industrializada.

As próximas semanas serão cruciais para transformar a carta de intenções em compromisso definitivo. O interesse já manifestado por países como Holanda, Espanha e Itália sugere que o mercado está receptivo. Se o timing geopolítico se mantiver favorável e as negociações avançarem conforme previsto, Beja poderá em breve consolidar-se como um dos centros mais importantes da indústria aeronáutica militar europeia.

A segunda aposta da Embraer em solo português parece estar alinhada com as estrelas, ou melhor, com as necessidades operacionais e orçamentais das forças aéreas europeias. Resta agora transformar intenções em realidade concreta, tijolos, equipamentos e, principalmente, aeronaves que decolem do Alentejo rumo aos céus da Europa e além.


Ficha Técnica:

A-29N Super Tucano

  • Fabricante: Embraer (Brasil)
  • Função: Treinamento avançado e ataque leve
  • Operadores: 22 forças aéreas mundialmente
  • Horas de voo acumuladas: +600.000
  • Características: Turboélice, baixo custo operacional, capacidade counter-UAS

Contrato Portugal:

  • 12 aeronaves (5 já entregues, 7 nos próximos 2 anos)
  • Investimento total: 200 milhões de euros
  • Investimento na indústria nacional: 75 milhões de euros
  • Primeiro operador europeu com configuração NATO

21 setembro, 2025

Embraer negocia vendas do Super Tucano A-29N com países da OTAN

 


*LRCA Defense Consulting - 21/09/2025

A Embraer está em negociações promissoras com países da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) para a exportação do Super Tucano A-29N, versão do consagrado avião de ataque leve adaptada às exigências da aliança militar, segundo informação divulgada pelo boletim Relatório Reservado. O modelo foi desenvolvido para cumprir requisitos de interoperabilidade, com destaque para sistemas de comunicação compatíveis com o padrão STANAG.

Interesses na Europa
Segundo a fonte, Holanda, Espanha e Itália avaliam possíveis encomendas, com preço médio estimado em 16 milhões de euros por unidade. Em novembro de 2023, a Embraer assinou um Memorando de Entendimento com entidades holandesas, que pode evoluir para futuras aquisições.

Portugal já se tornou o primeiro operador europeu confirmado, com a compra de 12 unidades anunciada em dezembro de 2024. O contrato foi avaliado em aproximadamente 200 milhões de euros.

Capacidades da aeronave
O A-29N foi projetado para missões de treinamento avançado, apoio aéreo aproximado, vigilância e reconhecimento. A variante incorpora sistemas de comunicação criptografada compatíveis com a OTAN, datalink específico, aviônicos modernos e integração com controladores de ataque terminal conjunto (JTAC).

Robusto e versátil, o avião pode operar em pistas pouco preparadas, mantendo baixos custos de manutenção e operação — características que ampliam sua atratividade para forças aéreas que buscam eficiência orçamentária.

Reconhecimento e integração industrial
Em 2025, o Comitê de Catalogação da OTAN reconheceu oficialmente o A-29, passo que facilita a interoperabilidade logística e o acesso ao sistema de catalogação da aliança. Esse reconhecimento fortalece o potencial de exportação do modelo e posiciona a Embraer como fornecedora relevante para o mercado de defesa europeu.

A produção da versão A-29N conta ainda com integração industrial em Portugal, em parceria com empresas locais. Essa colaboração reforça a estratégia da Embraer de adaptar-se às exigências regulatórias e técnicas da Europa, ao mesmo tempo em que fortalece laços de cooperação internacional.

Consolidação na OTAN
Com a entrega das primeiras unidades a Portugal, a Embraer ganha uma vitrine tecnológica e operacional no continente. O movimento amplia as perspectivas de novas encomendas por parte de outros países da OTAN e consolida a posição da fabricante brasileira no competitivo mercado de defesa. 

18 agosto, 2024

Com 90 milhões de euros, Embraer quer triplicar receitas da OGMA; empresa terá novos e importantes contratos para revelar

Gomes Neto: "a Embraer terá novos e importantes contratos para revelar"


*Surge Radio, por Leonardo Vargas - 18/08/2024

A gigante brasileira, fabricante de aviões, Embraer vai investir 90 milhões de euros (540 milhões de reais) para expandir a OGMA, unidade que controla em Portugal. Os recursos apoiarão a montagem de aeronaves Super Tucano A-29, dentro dos parâmetros estabelecidos pela Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). A injeção de recursos permitirá à OGMA triplicar a sua receita anual nos próximos anos, até 600 milhões de euros (3,6 mil milhões de reais).

O presidente da Embraer, Francisco Gomes Neto, informou que, além da montagem do Super Tucano, a OGMA portuguesa também irá adaptar o avião militar KC-390, o maior cargueiro militar construído no hemisfério sul, para os países da OTAN. Aliás, a organização já realizou exercícios militares com o KC-390 em aeroportos da Alemanha e de outros países europeus.

O executivo não esconde o entusiasmo pelos negócios da Embraer em Portugal. Esteve em Alverca, nos arredores de Lisboa, há duas semanas, para a inauguração do projeto norte-americano Pratt & Whitney, uma unidade de manutenção e centro de serviços global na Europa. A empresa é uma das três maiores fabricantes de motores para aeronaves do mundo.

A associação da Embraer, que detém 65% do capital da OGMA, com a Pratt & Whitney é considerada fundamental para a empresa brasileira, destacou Gomes Neto. Segundo ele, a empresa vive “um momento muito especial, com perspectivas positivas para os próximos anos e crescimento sustentado em todas as linhas de negócio”. Confirmada a venda de sete aeronaves KC-390 para Áustria e Holanda e seis aeronaves A-29 Super Tucano para o Paraguai.

Embraer terá novos e importantes contratos para revelar
A imprensa especializada também noticia a aquisição pela Índia de cerca de 80 cargueiros KC-390 que poderá ser concluído no final do ano, com a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao país asiático. Sobre este tema, Gomes Neto limitou-se a dizer que a Embraer terá novos e importantes contratos para revelar. E acrescentou que Portugal tem sido um parceiro muito importante, já que “a empresa fornece peças para aeronaves como o KC-390, além de ser um grande centro de serviços para aeronaves civis e militares”.

Embraer e a OGMA: estratégicas para a OTAN
A OTAN tem em Portugal uma das referências mais importantes no fabrico de peças e conjuntos para aeronaves militares na Europa. A Embraer e a OGMA tornaram-se estratégicas para a organização. Ciente disso, o primeiro-ministro de Portugal, Luís Montenegro, anunciou que dará continuidade ao acordo assinado entre Lula e o antigo governo socialista de António Costa.

O equipamento Super Tucano, homologado pela NATO, vai substituir o antigo Alpha Jet da Força Aérea Portuguesa, adquirido na década de 90, durante o governo Cavaco Silva, que deixou de voar em 2018. O Conselho de Ministros do Governo aprovou o início das negociações e a assinatura do memorando ocorreu no ano passado nas instalações da OGMA.

Ações valorizadas

Devido a todos os contratos assinados recentemente e aos que estão por vir, as ações da Embraer na Bolsa de Valores de São Paulo (B3) valorizaram mais de 44% em um ano. A empresa está avaliada em 5,5 bilhões de euros (32,8 bilhões de reais). Só no segundo trimestre deste ano, os pedidos totalizaram 21 bilhões de dólares (R$ 117,6 bilhões), o maior valor em sete anos.

As operações da Embraer em Portugal enquadram-se na estratégia de internacionalização da empresa no mercado europeu. Segundo relatórios elaborados pelos bancos BTG Pactual (brasileiro) e JP Morgan (norte-americano), “todas as divisões de negócios da empresa vivem cenários industriais favoráveis”. Portugal adquiriu cinco cargueiros militares, dois dos quais já foram entregues. A aeronave KC-390 é apresentada como uma opção ao antigo C-130 Hercules em todo o mundo.

A Embraer registrou receitas de 1,3 bilhão de euros (7,8 bilhões de reais) entre abril e junho, um aumento de 76% em relação ao trimestre anterior. As receitas da aviação comercial são 190% superiores na mesma base de comparação. Desde 1969, a empresa já entregou mais de 8 mil aeronaves.

08 julho, 2024

Real Força Aérea da Holanda poderá ser a nova operadora do Embraer A-29N Super Tucano


*LRCA Defense Consulting - 07/07/2024

Após Portugal ter confirmado que irá adquirir o Embraer A-29N Super Tucano para equipar sua Força Aérea, comenta-se nos meios especializados que a Real Força Aérea da Holanda seria o próximo cliente interessado na versão OTAN da aeronave. O objetivo seria o de substituir seus 13 treinadores Pilatus PC-7, todos com mais de 36 anos de uso. Recorde-se que, em maio do ano passado, Bosco da Costa Junior, CEO da Embraer Defesa & Segurança havia colocado Portugal e Holanda como possíveis clientes.

Essa aquisição poderia fechar um "pacote C-390 e A-29N", onde a Real Força Aérea Holandesa teria aeronaves de transporte tático e de treinamento (além de ataque leve, reconhecimento/vigilância e anti-drone)  de um mesmo fabricante, facilitando enormemente a questão logística.

A se confirmarem as aquisições de Portugal e da Holanda, o A-29N teria portas abertas para os demais membros da OTAN, especialmente aqueles que já adquiriram o C-390.

Corroborando essa possibilidade, em 30/11/2023, a Embraer e a Netherlands Industries for Defense & Security (NIDV) assinaram um Memorando de Entendimento (MoU) que passou a ser um "elemento-chave no relacionamento estratégico desenvolvido entre a Embraer e a Holanda e incluiu iniciativas já em curso, associadas ao C-390 Millennium e ao A-29 Super Tucano".

O Memorando de Entendimento com a NIDV somou-se às parcerias e aos relacionamentos estratégicos da Embraer no país. Além disso, o acordo estabeleceu uma estrutura conjunta destinada a explorar oportunidades futuras, alinhadas com as prioridades da Estratégia da Indústria de Defesa da Holanda.

Essas oportunidades poderiam incluir serviços e desenvolvimento de novas capacidades dentro dos projetos já existentes da Embraer, contribuindo ainda mais para a aplicação de conhecimento em defesa, tecnologias e capacidades industriais no país. Um dos principais objetivos foi reforçar a participação da indústria holandesa na cadeia de suprimentos do C-390.

“A colaboração com a Embraer é importante para a NIDV e seus membros. A Embraer é uma fabricante voltada para o futuro, com um forte foco em inovação e novas ideias para contribuir com a prontidão operacional de suas plataformas. Estou convencido de que a Embraer agrega valor à Base Industrial e Técnica de Defesa da Holanda”, afirmou Hans Huigen, Diretor do NIDV.

“Estamos satisfeitos em aprofundar a nossa parceria com a NIDV.  Estamos confiantes de que as estratégias de colaboração deste MoU trarão mais valor ao ecossistema holandês de defesa e segurança, incluindo institutos de pesquisa e a comunidade empresarial em diferentes setores”, declarou Bosco da Costa Junior.

As contribuições da NIDV aprofundaram a colaboração da Embraer com a base técnica e industrial de defesa da Holanda, que por sua vez estão alinhadas com as diretrizes do Ministério da Economia e Política Climática do país. A parceria foca no desenvolvimento de soluções inovadoras em defesa e no apoio à plataforma multimissão C-390 Millennium. Este acordo está alinhado com vários outros Memorandos de Entendimento em vigor, envolvendo parceiros tecnológicos e industriais como Fokker Services Group e MultiSIM, e institutos de pesquisa como o Royal Dutch Aerospace Centre (Royal NLR) e a Netherlands Organization for Applied Scientific Research (TNO).

Desde 2005, a Embraer está inserida em diversos projetos de pesquisa e desenvolvimento na Europa, reunindo universidades e indústrias para desenvolver soluções tecnológicas e contribuir para acelerar a inovação na indústria aeroespacial. Para promover ainda mais essa missão, a Embraer-X, subsidiária de inovação disruptiva da Embraer, fortaleceu essa jornada colaborativa ao abrir um escritório no Aerospace Innovation Hub@TUD, no TU Delft Campus.

01 julho, 2024

A-29 Super Tucano: um super caçador de drones?

Super Tucano A-29B da Força Aérea Filipina

*LRCA Defense Consulting - 30/06/2024

O combate a drones russos, ucranianos, turcos, israelenses e iranianos é uma dor de cabeça constante, tanto na Ucrânia, como na Rússia e em Israel, assim como já o foi na Armênia e ainda é na Síria. E não se está tratando de minúsculos drones do tipo FPV usado por combatentes na frente de batalha, mas sim de artefatos não tripulados que são capazes de percorrer distâncias razoáveis e ir designar alvos, atacar, reconhecer e/ou vigiar instalações militares, comboios de suprimento, tanques, radares, sistemas de mísseis e outros alvos compensadores em território inimigo, como o turco Bayraktar TB2, o iraniano Shahed-136 e os russos Lancet, Eleron, Kub-BLA e Orlan-10, apenas para citar alguns mais conhecidos.

Para combatê-los, é usado um arsenal variado de armas terrestres, navais e aéreas, incluindo metralhadoras de vários calibres e sistemas, canhões do tipo Buschmaster, mísseis de diversos tipos, armas de interferência no espectro de frequências e, mais modernamente, canhões laser e canhões de pulso, cada uma com maior ou menor êxito conforme a situação.

No ataque iraniano a Israel, as centenas de drones lançados na sortida foram destruídas pelo eficiente sistema de defesa integrado dos aviões, navios e baterias antiaéreas terrestres de Israel e dos seus aliados na região, principalmente dos EUA, mas a um custo financeiro altíssimo e desproporcional ao custo da ameaça.

Vídeos mais recentes mostram o esforço de velozes e potentes caças F-16 israelenses tentando abater alguns lentos drones Shahed lançados sobre Israel. Os pré-programados Shahed não são manobráveis, mas podem voar baixo. Já um drone Lancet-3, por exemplo, é pilotado remotamente, o que torna sua caça bem mais difícil.

Fotografado por um drone russo Zala Lancet, um Yak-52 ucraniano mostra um tripulante armado

Uma criativa solução ucraniana
Para suprir a falta de uma defesa antiaérea mais eficiente e compatível com as ameaças dos drones russos, a Ucrânia improvisou uma aeronave de treinamento Yak-52 da era soviética para operações anti-drones. Este uso criativo do Yak-52 apresenta uma estratégia de defesa aérea flexível e responsiva, adaptada aos desafios modernos do conflito, principalmente no sul da Ucrânia, longe da frente ativa.

Os drones Lancet e Orlan, utilizados pela Rússia para vigilância e seleção de alvos, estão equipados com sensores eletro-ópticos e designadores de laser. A sua utilização extensiva na Ucrânia levou os ucranianos a procurar soluções eficazes e de baixo custo, como o Yak-52, para combater esta ameaça.

Esses Yak-52 modificados são operados pela Patrulha Aérea Civil da Ucrânia, um grupo composto principalmente por amadores e proprietários de aeronaves privadas. Enfrentando a crescente ameaça dos drones, esta unidade formou um Grupo de Aviação Tática destinado a neutralizar os UAV inimigos, demonstrando o uso inovador dos recursos disponíveis.

O Yak-52, embora não convencional, desempenha agora um papel crucial na rede de defesa aérea do país, destacando a adaptabilidade e resiliência das forças armadas ucranianas neste conflito prolongado.

Estes esforços são complementados por uma série de sistemas de defesa aérea, desde equipes móveis armadas com metralhadoras até sistemas de mísseis, ilustrando a resposta multifacetada da Ucrânia à ameaça contínua dos drones.

Aviões a hélice simples com metralhadoras se mostraram realmente eficazes para abater drones russos


Na pintura, os drones russos abatidos

O Yak-52 é uma aeronave de treinamento militar projetada pelo Yakovlev Design Bureau e introduzida pela primeira vez em 1979. É um monoplano de asa baixa com assentos tandem, movido por um motor radial Vedeneyev M14P de 360 ​​cavalos (268 kW). Com peso vazio de 1.015 kg e peso máximo de decolagem de 1.305 kg, combina robustez e agilidade para treinamentos e competições acrobáticas.

Com uma envergadura de 9,3 metros, comprimento de 7,7 metros e altura de 2,7 metros, o Yak-52 pode atingir uma velocidade máxima de 285 km/h ao nível do mar e uma velocidade de cruzeiro de 190 km/h a 1.000 metros. Sua capacidade de realizar manobras em baixa velocidade, com velocidade de estol de 85 a 90 km/h, o torna particularmente adequado para operações como perseguição de drones em baixa altitude. Com teto de serviço de 4.000 metros e taxa de subida de 7 m/s, oferece sólido desempenho para aeronave de treinamento e patrulha leve.

Atualmente, não se sabe explicitamente como os aviões Yak-52 conseguem destruir drones. No entanto, diversas modificações teóricas poderiam ser consideradas para adaptar estas aeronaves para missões anti-drones. Primeiro, o Yak-52 poderia ser equipado com sistemas eletrônicos simples para bloquear ou interceptar comunicações entre os drones e seus operadores. Outra modificação potencial inclui a adição de pequenos armamentos, como metralhadoras leves ou lançadores de projéteis não guiados, que poderiam ser usados ​​para abater fisicamente os drones de perto. Além disso, o Yak-52 poderia ser usado como isca para distrair drones de alvos mais significativos, permitindo assim que sistemas de defesa terrestre mais capazes engajassem os drones de forma mais eficaz.

Super Tucano: um super caçador de drones?
Nos meios militares de vários países já se comenta que um moderno e versátil avião a hélice de ataque leve, o Embraer A-29 Super Tucano, seria uma solução ideal para operações anti-drones, pois é extremamente manobrável, rápido, versátil e muito bem equipado com aviônicos avançados, sensores eletro-ópticos e infravermelhos, sendo capaz de transportar uma grande variedade de armas, incluindo metralhadoras, foguetes e munições guiadas com precisão. Seu design é extremamente resistente, permitindo operar de qualquer lugar. Além disso, é reconhecidamente experimentado em combate, e com muito sucesso.

Dificilmente a aeronave da Embraer poderia ser exportada para países que estejam atualmente em conflito. No entanto, a nova potencialidade do Super Tucano poderia torná-lo um alvo preferencial para forças aéreas de países da OTAN (na versão A-29N) que acompanham com preocupação a evolução do conflito Rússia x Ucrânia e querem se preparar para um possível embate com os russos em qualquer situação. 

Na África, onde a aeronave já é utilizada por várias forças aéreas, tal potencialidade também deve chamar a atenção, especialmente em sua versão padrão, haja vista que, além das missões de ataque leve, reconhecimento e contrainsurgência, poderia ser a resposta adequada às recentes aquisições de drones efetuadas por muitos países. Aliás, esse continente já está sendo conhecido como "o novo playground para exportadores de drones", com destaque para os artefatos chineses, turcos e israelenses. Angola, Nigéria, Togo, Níger, Burkina Faso, Mali, Senegal, Etiópia, Líbia, República Democrática do Congo, Chade, Marrocos e Sudão são alguns exemplos.

Super Tucano versão A-29N
A versão A-29N do Super Tucano está especialmente configurada para atender às exigências dos países da NATO (OTAN), tornando-o particularmente adequado às necessidades da Força Aérea Portuguesa (FAP), por exemplo. A versão NATO inclui equipamentos e funcionalidades, tais como um novo datalink, single-pilot operation, entre outras modificações. Tais funcionalidades aumentam ainda mais as possibilidades de emprego da aeronave, permitindo, por exemplo, sua utilização em missões de treinamento JTAC  (Joint Terminal Attack Controller). Os dispositivos de treinamento foram igualmente atualizados para os padrões mundiais mais exigentes, incluindo realidade virtual, aumentada e mista, oferecendo uma plataforma versátil para treinamento de pilotos de caça.

O Super Tucano é uma aeronave projetada para realizar diversas missões, incluindo ataque leve, reconhecimento armado e treinamento tático. Destaca-se pelo seu design robusto, capaz de resistir aos ambientes mais hostis e, ao mesmo tempo, minimizar as necessidades de manutenção. Graças a uma plataforma extremamente durável, ele pode operar em pistas despreparadas e oferece alta capacidade de sobrevivência com recursos de proteção ativa e passiva.

A cabine do A-29N foi projetada para reduzir a carga de trabalho do piloto e maximizar a consciência situacional, com uma interface homem-máquina avançada, ergonomia superior e acessibilidade ideal. Os controles intuitivos permitem que o piloto se concentre nos resultados da missão enquanto se beneficia de proteção aprimorada com blindagem na cabine e no compartimento do motor (opcional). Os sistemas a bordo incluem sensores eletro-ópticos/infravermelhos de última geração, um designador de laser integrado para ataques precisos e sistemas seguros de comunicação tática e navegação.

Em termos de desempenho, o Super Tucano A-29N tem uma autonomia de 3,4 horas com combustível interno, estendendo-se para 5,2 horas com tanques externos e sensores EO/IR. Ele pode subir a uma velocidade de 3.240 pés por minuto, com teto de serviço de 35.000 pés. Sua capacidade de decolar e pousar em distâncias curtas (900 metros para decolagem e 860 metros para pouso) o torna um grande trunfo para operações a partir de bases avançadas. 

A aeronave possui velocidade máxima de 520 km/h, rápida o suficiente para oferecer uma pronta resposta a alvos aéreos detectados pelos radares terrestres, como helicópteros, pequenos aviões e drones. Sua velocidade de estol é de 148 km/h, permitindo-lhe manobrar e combater drones que naveguem próximo desta velocidade, mesmo em baixas altitudes, como a maioria dos citados nesta matéria.

O sistema de gerenciamento de segurança (SMS) do A-29N é totalmente integrado, gerenciando cinco estações padrão da OTAN e duas metralhadoras internas calibre .50. Esta configuração permite grande flexibilidade no armamento, oferecendo mais de 160 possibilidades de configuração para atender às necessidades específicas da missão. O Super Tucano também é equipado com um sofisticado sistema de proteção eletrônica, incluindo contramedidas automatizadas e sistemas de alerta de radar e mísseis, além de assentos ejetáveis ​​zero-zero para segurança da tripulação em emergências.

O A-29N também é reconhecido por sua solução logística integrada, proporcionando amplo suporte da Embraer. Isto inclui serviços de manutenção, gestão de peças sobressalentes e um centro de contacto com o cliente 24 horas por dia, 7 dias por semana, para garantir a máxima disponibilidade operacional da frota. A Embraer também oferece uma linha completa de dispositivos e estações de treinamento em solo, reduzindo as horas de voo necessárias para treinamento de pilotos, acelerando o processo de aprendizagem e otimizando custos operacionais.

Portugal será o cliente lançador da versão A-29N do Super Tucano
Portugal será o cliente lançador da versão A-29N do Super Tucano, que a Embraer lançou em 2023 como uma versão do turboélice de ataque leve em conformidade com a OTAN. Este fato foi revelado pelo Ministro da Defesa Nacional português, João Nuno Lacerda Teixeira de Melo.

A Força Aérea Portuguesa está de olho em uma aeronave com capacidade para realizar missões de apoio aéreo aproximado (CAS) e de inteligência, vigilância e reconhecimento (ISR) em teatros de operações com infraestrutura limitada, bem como treinamento avançado de pilotos. Portugal procura entre oito e 12 aeronaves, disse o Diretor da Direção de Engenharia e Programas da Força Aérea Portuguesa, Brigadeiro-General João Rui Ramos Nogueira, a Janes em novembro de 2023.

A aquisição destas aeronaves não só fortalecerá as capacidades de defesa de Portugal, mas também apoiará as suas missões de manutenção da paz, particularmente na África, onde o país está ativamente envolvido. Além disso, a FAP já planejava implantar os Super Tucanos no 103º Esquadrão “Caracóis”, retomando assim as operações de treinamento de pilotos que haviam sido suspensas após a retirada do Alpha Jet em 2018.

A nova potencialidade de emprego anti-drones, tanto para operações no teatro europeu, como para as missões de manutenção da paz na África, dá ao A-29N Super Tucano um trunfo extra para ser adquirido, não só por Portugal, como também por outros países da OTAN.

*Por "drones" entenda-se qualquer UAV ou VANT (veículo aéreo não tripulado), incluindo munições vagantes (loitering munition).

*Com informações adicionais de Army Recognition e Janes:
- Ukraine Uses Soviet-era Yak-52 Training Aircraft for Counter-UAS Operations Against Russia
- Portugal Announces Upcoming Acquisition of Super Tucano A-29N Aircraft
- Portugal selects Super Tucano light attack aircraft


12 novembro, 2023

Novo escritório em Dubai apoia as ambições de defesa da Embraer no Oriente Médio

A Embraer exibe um Super Tucano e seu transporte tático multifuncional C-390 no Dubai Airshow. (Foto: David McIntosh)

*AIN, por Charles Alcock - 12/11/2023

A Embraer Defesa & Segurança reforçou sua perspectiva otimista para o mercado do Oriente Médio investindo em um novo escritório de vendas em Dubai. A equipe do fabricante brasileiro nos Emirados Árabes Unidos está buscando ativamente múltiplas perspectivas de vendas na região, bem como na Ásia Central e do Sul, segundo o presidente e CEO da divisão, Bosco da Costa Junior.

A presença no Dubai Airshow do transporte tático multifuncional C-390 Millennium da Embraer e do A-29 Super Tucano – que é considerado uma plataforma versátil para treinamento, interceptação aérea e funções de vigilância – reflete a nova vitrine da Embraer em Dubai. “Os clientes [no Médio Oriente] estão a considerar várias missões possíveis para o C-390, incluindo busca e salvamento e reabastecimento a bordo”, disse da Costa à AIN numa entrevista pré-show. “É um trunfo para diversas missões e é por isso que algumas pessoas o chamam de canivete suíço.”

O C-390 entrou agora  em serviço nas forças aéreas do Brasil e de Portugal, e a Embraer também registrou vendas firmes de exportação para a Hungria. Continuam pendentes acordos de aquisição adicionais com a República Checa, a Áustria e os Países Baixos. Segundo da Costa, o governo austríaco declarou recentemente que gostaria de garantir um contrato conjunto com as autoridades holandesas, por isso a Embraer levou em consideração a mudança nas negociações finais do contrato com vista à conclusão de um acordo no primeiro trimestre de 2024. Ele informou que a frota em serviço de C-390 regista agora taxas de disponibilidade de 80 por cento, com Portugal a implantar as suas aeronaves há apenas algumas semanas.

Entretanto, a Índia declarou a sua intenção de adquirir uma frota multifuncional, o que levou a Embraer a procurar um parceiro local, que espera anunciar até ao final do ano. A Embraer também participa de outro concurso de compras na Coreia do Sul, que já está em fase final.

Está bem estabelecido que os compradores militares do Oriente Médio querem servir mais do que clientes; os seus governos procuram parcerias para aumentar a capacidade técnica local e o emprego. Segundo da Costa, a Embraer está pronta para adotar essa abordagem e está aberta a acordos que envolvam transferência de tecnologia e fornecimento de capacidades adicionais, como treinamento.

No atual clima de crescentes tensões geopolíticas e preocupações sobre o conflito de Israel com o Hamas, desencadeando conflitos regionais no Golfo, a Embraer não ignora a posição do Brasil como uma nação neutra, não diretamente alinhada com os blocos de protagonistas ocidentais e orientais. “Como um país neutro, temos flexibilidade para agregar valor a muitos países ao redor do mundo”, comentou da Costa com tato, ao mesmo tempo em que destacou que o C-390 é adequado para funções humanitárias, bem como para apoio a conflitos.

Em abril, a Embraer lançou a versão NATO do Super Tucano, e da Costa disse que espera um primeiro cliente de lançamento nos próximos meses. Ele disse que as investigações incluem vários países do Oriente Médio.

08 julho, 2023

Portugal pode estar próxima de adquirir aeronaves Embraer Super Tucano


*Expresso 50, por Vitor Matos - 08/07/2023

Tudo encaixa nos Super Tucano da brasileira Embraer, que assim encaixa mil milhões de euros desde 2019 em Portugal. Mas há dúvidas entre os militares sobre se aviões de ataque ao solo devem ser uma prioridade. O segredo está nos negócios: Portugal vai co-produzir estas aeronaves e abrir a porta do mercado da NATO ao Brasil.

O Ministério da Defesa já tinha a decisão tomada quando, no passado dia 24 de abril, em Alverca, nas instalações da OGMA, António Costa e o Presidente brasileiro Lula da Silva assinaram um memorando de entendimento para “o desenvolvimento de tecnologias relacionadas com o avião A-29 Super Tucano, na sua recém-lançada versão A-29N voltada para responder às necessidades dos países da NATO” — segundo a descrição oficial no site do Governo. Nesse momento, a proposta de Lei de Programação Militar (LPM), ainda em elaboração, já previa a compra de uma “aeronave de apoio aéreo próximo”, de asa fixa (como os Super Tucano) para suporte de forças terrestres, como os comandos e os paraquedistas na missão da ONU na República Centro-Africana.

Segundo um documento anexo à proposta de revisão da LPM, da autoria do gabinete de Helena Carreiras, ministra da Defesa, a proposta de revisão da lei prevê €206,04 milhões para estas aeronaves “aptas a operar em ambientes instáveis, mas também em muitas regiões de África”, pois “proporcionam uma proteção armada ao movimento de forças terrestres, que efetuem ações de reconhecimento e de vigilância, com rapidez e em profundidade.

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