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05 setembro, 2026

PLOA 2027 coloca programas de mísseis 14-X e MICLA em duas frentes estratégicas da FAB

Proposta orçamentária reserva R$ 23,7 milhões para o desenvolvimento da propulsão hipersônica e para a aquisição de mísseis de longo alcance; documentos não indicam que os dois projetos sejam integrados 



*LRCA Defense Consulting - 05/09/2026

O Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2027 revela um dado que passou relativamente despercebido no detalhamento dos recursos destinados à Defesa: a Força Aérea Brasileira (FAB) terá, caso a proposta seja aprovada, duas dotações específicas para projetos de elevada complexidade tecnológica. Uma delas reserva R$ 12.694.107 ao Projeto de Propulsão Hipersônica 14-X, identificado no orçamento como PropHiper. A outra destina R$ 11 milhões à aquisição de mísseis de longo alcance no âmbito do Projeto MICLA.

Somadas, as duas dotações chegam a R$ 23.694.107. Os valores não são expressivos quando comparados aos grandes programas de reaparelhamento das Forças Armadas, mas chamam atenção pela especificidade das ações e pelo que representam em termos de soberania tecnológica. De um lado, o País mantém uma linha de desenvolvimento de propulsão hipersônica. De outro, preserva no orçamento uma iniciativa voltada à obtenção de mísseis de longo alcance.

O dado ganha ainda mais relevância porque aparece poucos dias depois da publicação, pelo LRCA Defense Consulting, de uma análise ampla do PLOA 2027, na qual foram identificados os principais projetos de Defesa contemplados na proposta. Naquela reportagem, o foco estava nos grandes volumes destinados a aeronaves, submarinos, fragatas, blindados, drones e sistemas de mísseis. A análise específica das ações da Aeronáutica permite agora identificar duas rubricas que merecem atenção especial. 

14-X recebe dotação específica para o PropHiper 
A ação 16CN do PLOA 2027 tem uma denominação inequívoca: “Desenvolvimento do Projeto de Propulsão Hipersônica 14-X (PropHiper)”. A dotação proposta é de R$ 12.694.107, com R$ 11.694.107 classificados como despesas correntes e R$ 1 milhão como investimento. O produto orçamentário é descrito como pesquisa ou projeto desenvolvida(o), com meta física de uma unidade.

A natureza da rubrica é importante. O PLOA não está propondo a compra de um sistema de armas denominado 14-X, nem sua incorporação operacional. O recurso está associado ao desenvolvimento tecnológico da propulsão hipersônica. Portanto, o valor não pode ser interpretado como o custo de uma futura arma hipersônica, mas como uma dotação para a continuidade de uma linha de pesquisa e desenvolvimento.

O 14-X é desenvolvido no âmbito do Projeto Estratégico de Propulsão Hipersônica da FAB e utiliza tecnologia de propulsão do tipo scramjet. Como esse tipo de motor necessita de velocidades muito elevadas para operar, o programa envolve um desafio adicional: levar o veículo às condições adequadas antes que sua própria propulsão hipersônica entre em funcionamento.

RATO-14X é o elo com a campanha de ensaios 
É nesse ponto que entra o RATO-14X, sistema de decolagem assistida por foguete desenvolvido para impulsionar o veículo hipersônico. Segundo informações divulgadas pela Agência Espacial Brasileira e pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, o projeto é desenvolvido pela FAB, por meio do Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA), em parceria com empresas e instituições de pesquisa.

A Mac Jee participa do desenvolvimento do RATO-14X e o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) também firmou parceria com a empresa para atividades relacionadas a aerodinâmica, aeroelasticidade e otimização de trajetória. O sistema deverá levar o 14-X a mais de 30 quilômetros de altitude e a velocidades superiores a Mach 8, criando as condições necessárias para os ensaios do veículo hipersônico.

Em julho de 2026, o LRCA Defense Consulting informou que a Revisão Preliminar de Projeto do RATO-14X havia sido concluída e que o lançamento do 14-X estava previsto para o final de 2027, no Centro Espacial de Alcântara. Na mesma ocasião, foi destacado que o DCTA havia inaugurado o Túnel de Choque Hipersônico T5, estrutura destinada a ensaios em condições superiores a Mach 5 e relacionada ao esforço tecnológico do PropHiper.

MICLA aparece nominalmente no orçamento 
A segunda descoberta é igualmente relevante. A ação 16CQ do PLOA 2027 é denominada “Aquisição de Mísseis de Longo Alcance, Projeto MICLA” e recebe R$ 11 milhões. Aqui, a linguagem orçamentária é diferente da empregada no 14-X: não se trata de desenvolvimento de um projeto, mas de aquisição de armamento.

A proposta, entretanto, não informa quantos mísseis serão adquiridos, qual configuração será contemplada, quem será o fornecedor, qual será o cronograma de entrega ou qual parcela da dotação corresponde a eventual produção nacional. Também não é possível concluir, apenas a partir do PLOA, que os R$ 11 milhões resultarão em um lote operacional de MICLA-BR.

Ainda assim, a identificação nominal do Projeto MICLA é significativa. O projeto não é uma referência genérica a qualquer míssil de longo alcance. O orçamento vincula expressamente a ação 16CQ ao MICLA, mantendo a iniciativa dentro do planejamento da Aeronáutica para 2027.

Um projeto com história ligada à Avibras 
O MICLA-BR possui uma trajetória anterior à atual proposta orçamentária. O projeto foi desenvolvido pela FAB em parceria com a Avibras e está associado à busca brasileira por um míssil de cruzeiro de longo alcance. Em 2019, um F-5EM foi utilizado como plataforma de ensaios do sistema, em uma das evidências públicas mais importantes de que o projeto havia avançado para a fase de testes em voo.

O MICLA-BR foi descrito em fontes técnicas e documentos de planejamento como um míssil de cruzeiro destinado a lançamento a partir de plataformas aéreas, com alcance previsto na faixa de 300 quilômetros. O projeto também foi relacionado ao desenvolvimento de uma capacidade nacional de ataque de precisão de longo alcance e, historicamente, à futura integração com a família de caças Gripen.

A relação histórica com a Avibras torna a nova dotação especialmente interessante, mas exige cautela. O PLOA não identifica a empresa como destinatária dos R$ 11 milhões. Assim, não é possível afirmar que a previsão orçamentária represente uma nova encomenda à Avibras Aeroco ou mesmo que o eventual fornecimento será realizado pela empresa. O que o documento permite afirmar é que o Projeto MICLA continua nominalmente presente no planejamento orçamentário da FAB.

14-X e MICLA não são dois componentes do mesmo sistema 
A presença das duas ações no mesmo orçamento pode induzir a uma interpretação equivocada. Não há, no PLOA 2027, qualquer indicação de que o MICLA seja o sistema de lançamento do 14-X ou que os R$ 11 milhões destinados ao projeto de mísseis tenham relação direta com a campanha de ensaios hipersônicos.

O sistema associado ao lançamento experimental do 14-X é o RATO-14X. Seu objetivo é acelerar o veículo hipersônico até as condições de velocidade e altitude necessárias para o funcionamento do scramjet. O MICLA, por sua vez, é um projeto de míssil de cruzeiro de longo alcance, com finalidade militar distinta.

A relação entre os dois programas é, portanto, estratégica e não física. O 14-X representa a busca por domínio de tecnologias de propulsão e voo hipersônico. O MICLA representa a busca por uma capacidade nacional de ataque de precisão a longa distância. São iniciativas diferentes, mas ambas inseridas no esforço de ampliar o domínio tecnológico e as capacidades estratégicas da FAB. 

A grande pergunta agora é o que será comprado no âmbito do Projeto MICLA 
O aspecto mais intrigante da ação 16CQ é a palavra “aquisição”. Se o PLOA fosse destinado apenas a financiar pesquisa, desenvolvimento ou estudos, seria natural esperar uma formulação semelhante à utilizada na ação do PropHiper. A escolha do termo indica que a Aeronáutica pretende utilizar a dotação de 2027 para obter algum tipo de material relacionado ao Projeto MICLA.

O orçamento, porém, não permite saber se a aquisição será de protótipos, componentes, subsistemas, unidades para ensaios, itens destinados à integração com plataformas ou efetivamente mísseis completos. Essa informação será decisiva para avaliar o estágio real do programa e deverá ser buscada junto ao Comando da Aeronáutica, ao Ministério da Defesa e às empresas envolvidas.

Também será importante acompanhar a tramitação do PLOA no Congresso Nacional. A proposta ainda poderá sofrer alterações durante a discussão orçamentária e, depois de transformada em Lei Orçamentária Anual, a execução dependerá da programação financeira do Governo Federal.

Duas linhas de alta tecnologia no mesmo orçamento 
O dado mais relevante do PLOA 2027 não está apenas nos R$ 23,7 milhões somados. Está na decisão de manter, lado a lado, duas linhas tecnológicas que podem ter impacto significativo no futuro da Força Aérea.

No campo hipersônico, o Brasil procura dominar tecnologias de propulsão, materiais, aerodinâmica, controle e ensaios em velocidades superiores a Mach 5. No campo dos mísseis de longo alcance, busca preservar e transformar em capacidade militar um conhecimento acumulado ao longo de anos, incluindo a experiência do MICLA-BR e sua relação histórica com a indústria nacional.

O orçamento de 2027, portanto, não permite concluir que o Brasil esteja prestes a colocar em serviço uma arma hipersônica ou um novo míssil de cruzeiro. Permite, entretanto, afirmar algo mais preciso: a FAB reservou espaço orçamentário específico para continuar o desenvolvimento do 14-X e, simultaneamente, para adquirir material no âmbito do Projeto MICLA.

É uma combinação que merece acompanhamento. No caso do 14-X, porque 2027 pode ser o ano de uma campanha de ensaio em voo que representará um dos mais ambiciosos testes tecnológicos da história aeroespacial brasileira. No caso do MICLA, porque a palavra “aquisição” pode indicar uma mudança de estágio do programa, cuja natureza somente poderá ser esclarecida quando forem conhecidos os contratos, objetos de compra e fornecedores.

A partir desses dois movimentos, o PLOA 2027 passa a oferecer uma leitura adicional do esforço de modernização da FAB: além dos grandes programas já conhecidos, como Gripen e KC-390, existe uma agenda de tecnologias de alto risco e alto impacto potencial que continua recebendo recursos específicos.

02 setembro, 2026

PLOA 2027 movimenta bilhões entre fabricantes de aviões, mísseis, blindados, drones, fragatas e submarinos

Proposta orçamentária do Governo Federal destina R$ 20,4 bilhões ao programa Defesa Nacional; Embraer e os estaleiros do programa de submarinos e das fragatas Tamandaré concentram os maiores contratos já confirmados com a indústria privada, mas peça ainda depende da aprovação do Congresso Nacional



*LRCA Defense Consulting - 02/09/2026

O Governo Federal encaminhou ao Congresso Nacional, em 31 de agosto, o Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2027, com previsão de R$ 147,68 bilhões para o Ministério da Defesa. Desse total, R$ 20,43 bilhões estão classificados no programa orçamentário Defesa Nacional, no qual estão concentradas diversas ações de reaparelhamento, manutenção operacional e desenvolvimento tecnológico das Forças Armadas. Um levantamento produzido a partir do Volume IV do PLOA mostra que parcela relevante desses recursos está concentrada em poucas ações orçamentárias relacionadas a grandes programas de reaparelhamento, alguns deles com contratos já firmados com empresas da Base Industrial de Defesa (BID).. Por se tratar de uma proposta, o texto ainda será analisado pela Comissão Mista de Orçamento, poderá receber emendas parlamentares e só terá redação final depois da votação no Congresso, prevista para o fim do ano.

Aeronáutica concentra grandes projetos, com Gripen, KC-390, helicópteros e A-29 
O maior item individual do orçamento de Defesa é o Sistema de Controle do Espaço Aéreo Brasileiro (SISCEAB), com R$ 3,31 bilhões, dos quais R$ 1,80 bilhão classificado como investimento. Logo atrás vem o projeto FX-2, responsável pela aquisição dos caças F-39 Gripen, com R$ 2,89 bilhões, praticamente todo (97%) em investimento. O caça é fabricado pela sueca Saab em parceria com a Embraer, que monta as aeronaves em Gavião Peixoto (SP) e entregou em março o primeiro exemplar produzido em solo brasileiro, um marco que coloca o País entre o pequeno grupo de nações capazes de montar aeronaves de combate supersônicas. O contrato atual prevê 36 unidades, das quais 15 devem sair da linha brasileira. Em julho, as duas empresas assinaram, em Farnborough, um acordo preliminar para viabilizar a produção, em Gavião Peixoto, de outros 20 caças Gripen. O acordo, porém, não representa uma encomenda adicional da FAB e, portanto, não permite afirmar que a frota brasileira chegará a 56 aeronaves.

A Aeronáutica também aparece no PLOA com R$ 571,8 milhões para a aquisição do cargueiro KC-390 (Embraer), R$ 413 milhões para os helicópteros leves H125 Esquilo (fabricados pela Helibras, subsidiária da Airbus Helicopters, em Itajubá, MG) e R$ 337,6 milhões para a disponibilização dos A-29 Super Tucano (também Embraer) no âmbito do programa Sisdabra.

Marinha reforça os programas de submarinos e frasgatas
O PLOA reserva R$ 1,43 bilhão para o "Desenvolvimento de Sistemas de Tecnologia Nuclear da Marinha", quase integralmente (98%) classificado como investimento. O valor está associado ao programa nuclear da Marinha e constitui um dos principais componentes tecnológicos necessários ao futuro submarino de propulsão nuclear Álvaro Alberto, desenvolvido no âmbito do Prosub, que reúne a Marinha do Brasil, a francesa Naval Group e o estaleiro Itaguaí Construções Navais (ICN). A dotação chega depois de um período de turbulência financeira: em março, a própria Marinha alertou sobre risco de paralisação parcial do Complexo Naval de Itaguaí sem um aporte extra de cerca de R$ 1 bilhão, e em julho o cronograma de lançamento do submarino foi adiado para 2038, atraso atribuído pela Marinha à falta de previsibilidade orçamentária dos anos anteriores.

O Prosub soma ainda R$ 388,8 milhões para a construção do próprio submarino nuclear, R$ 248,0 milhões para os submarinos convencionais da classe Riachuelo e R$ 215,75 milhões para a infraestrutura do estaleiro, os três praticamente 100% classificados como investimento.

Outro contrato relevante da Marinha é o das fragatas da classe Tamandaré, com R$ 900 milhões previstos para 2027. A dotação está vinculada à disponibilização de uma fragata do programa, cuja construção é realizada pela SPE Águas Azuis, formado pela alemã ThyssenKrupp Marine Systems (TKMS), pela Embraer Defesa & Segurança e pela Atech, que constroem as embarcações no estaleiro de Itajaí (SC) sob gestão da EMGEPRON.

Exército distribui recursos entre blindados, mísseis, drones e SISFRON
No Exército, o maior projeto individual é a Implantação do Projeto Forças Blindadas, com R$ 1,02 bilhão (93% investimento) e produto declarado de 126 blindados adquiridos; o PLOA não identifica fabricante nem modelo. O dado chama atenção porque a Força assinou, em 31 de agosto, um dia antes do envio do PLOA ao Congresso, o contrato do VBC Centauro II BR, dentro de um programa que prevê até 221 viaturas ao longo do tempo. Não é possível confirmar, a partir do texto orçamentário, se a dotação de 126 unidades corresponde a esse mesmo contrato.

Em seguida vem o sistema ASTROS-FOGOS, com R$ 671,4 milhões (96% investimento); a Implantação do Sistema de Aviação do Exército e Drones, com R$ 520 milhões; e o SISFRON, com R$ 467 milhões voltados a sensores, radares e integração de sistemas de monitoramento de fronteira. O PLOA não identifica fabricantes em nenhum item de aquisição do documento; o ASTROS-FOGOS, porém, é historicamente produzido pela Avibras Aeroco, única fornecedora do sistema no País.

Defesa antiaérea de média altura ainda não tem rubrica própria
Um programa que não aparece no PLOA 2027 é o de defesa antiaérea de média altura. Por diretriz aprovada pelo Exército em dezembro de 2025 e divulgada em janeiro de 2026, o Exército definiu o sistema EMADS, da europeia MBDA, equipado com o míssil CAMM-ER (o mesmo das fragatas Tamandaré), para suprir uma lacuna histórica: hoje a Força só dispõe de meios de baixa altura, como o RBS-70 NG e o blindado Gepard. Até a elaboração do PLOA, no entanto, o contrato ainda não tinha data nem valor definidos, e nenhuma rubrica do orçamento de 2027 faz referência ao sistema ou à MBDA; os itens de artilharia antiaérea do Exército somam, ao todo, pouco mais de R$ 39 milhões, valor incompatível com uma aquisição desse porte. É um programa a acompanhar nos próximos créditos suplementares ou na LOA definitiva.

Dotações das estatais são majoritariamente destinadas a pessoal e custeio 

Entre as empresas estatais vinculadas ao Ministério da Defesa, a AMAZUL recebe a maior dotação (R$ 664,9 milhões) e a IMBEL, a segunda maior (R$ 543,2 milhões), mas a composição de ambas é dominada por pessoal e custeio administrativo; a AMAZUL destina apenas R$ 275 mil a investimento, e a IMBEL, R$ 67,5 milhões. Isso indica que, apesar dos valores absolutos, o potencial de movimentação da cadeia produtiva privada por meio dessas duas estatais é limitado em comparação aos grandes projetos de aquisição das Forças. Assim, os valores totais destinados às duas empresas não podem ser interpretados, isoladamente, como volume de novos contratos de fornecimento à indústria.

O quadro traçado pelo PLOA 2027 confirma uma tendência observada em orçamentos recentes: aeronaves de combate e tecnologia naval de propulsão nuclear concentram os maiores volumes de recursos, à frente de programas terrestres como o ASTROS-FOGOS e o SISFRON. Como projeto de lei, porém, o texto está sujeito a emendas parlamentares e alterações durante a tramitação no Congresso. Depois de aprovado e sancionado, a execução dos valores dependerá ainda da programação financeira e da eventual ocorrência de bloqueios ou contingenciamentos.

16 setembro, 2025

Suécia confirma orçamento para comprar quatro Embraer C-390 Millennium e modernizar transporte aéreo tático

 

*LRCA Defense Consulting - 16/09/2025

Em um passo decisivo para aprimorar sua capacidade de transporte aéreo militar, a Suécia confirmou oficialmente, em 15 de setembro de 2025, a alocação orçamentária destinada à compra de quatro aeronaves táticas Embraer C-390 Millennium, num valor previsto em bilhões de coroas suecas. A decisão, divulgada em coletiva de imprensa do governo sueco, representa o início prático para substituir a atual frota de transporte Lockheed Martin C-130 Hercules, utilizada pela Força Aérea sueca (Flygvapnet) desde os anos 1960.

A inclusão da categoria "taktiskt transportflyg" (aeronave de transporte tático) no orçamento 2026 reforça a prioridade do programa, que envolve um acordo multinacional com Áustria e Países Baixos, países também compradores da mesma aeronave, com o objetivo de compartilhar custos, acelerar entregas e garantir interoperabilidade em missões conjuntas da OTAN e da União Europeia.

O Embraer C-390 Millennium, modelo multimissão desenvolvido pela Embraer Defesa & Segurança, tem capacidade para transportar até 26 toneladas de carga, voando em velocidades de até 470 nós e com alcance e performance superiores aos antigos Hercules. Projetado para operar em pistas não preparadas, o C-390 executa transporte tático de tropas, cargas, reabastecimento em voo e no solo, evacuações médicas, combate a incêndios e missões humanitárias.

O Ministério da Defesa sueco, representado pelo secretário de Estado Peter Sandwall durante o anúncio, destacou que o C-390 é "um ativo crítico para a estratégia de defesa da Suécia, garantindo operações eficazes em ambientes desafiadores pelas próximas décadas". Já a Embraer considera que a encomenda sueca marca um avanço significativo nas capacidades operacionais do Flygvapnet diante dos desafios contemporâneos de segurança e mobilidade.

O programa conjunto, conduzido pelos Países Baixos como agente representante, prevê a entrega das 13 unidades para os três países (5 para os Países Baixos, 4 para a Áustria e 4 para a Suécia). A frota sueca que opera o veterano C-130 verá assim uma modernização tecnológica relevante, com o C-390 agregando maior flexibilidade, rapidez e capacidade logística.

A substituição do C-130 Hercules pelo C-390 Millennium reafirma a estratégia sueca de modernização militar, alinhando-se aos avanços tecnológicos globalmente e garantindo uma capacidade sustentada e versátil para missões nacionais, aliadas e internacionais.

Este investimento significativo do governo sueco demonstra um compromisso firme com a atualização das forças armadas, preparadas para os cenários de segurança cada vez mais complexos na região europeia e mundial, consolidando a parceria estratégica com o Brasil no setor aeroespacial. 

23 julho, 2024

Índia passa de 2ª maior importador para exportador de produtos de defesa


*LRCA Defense Consulting - 23/07/2024

A produção de defesa da Índia cresceu substancialmente de ₹ 74.054 milhões de milhões no EF17 (ano fiscal de 2017) para ₹ 108.684 milhões de milhões no EF23, aumentando significativamente no período.

Entre 2015 e 2019, a Índia era o segundo maior importador de armas do mundo. A narrativa, no entanto, mudou. A Índia deixou de ser importadora de armas e encontrou um lugar na lista dos 25 principais países exportadores de armas.

A indústria de defesa, incluindo o setor privado e as Empresas do Setor Público de Defesa (DPSU), tem feito enormes esforços para alcançar recordes nas exportações de defesa. Além disso, foi registrado um aumento no número de autorizações de exportação emitidas aos exportadores de defesa. De 1.414 autorizações de exportação no EF23, o número aumentou para 1.507 no EF24.

Cerca de 100 empresas nacionais estão exportando uma ampla gama de produtos e equipamentos de defesa, como aeronaves como Dornier-228, obuses de artilharia, mísseis Brahmos, foguetes e lançadores PINAKA, radares, simuladores e veículos blindados.

Defesa terá 12,9% do Orçamento 2024/2025
No Orçamento Regular da União do Ano Financeiro (AF) 2024-25, o Ministério da Defesa (MoD) recebeu Rs 6.21.940,85 crore (aproximadamente US$ 75 bilhões), o maior entre os Ministérios. Ao manter a alocação feita ao MoD durante o orçamento provisório, o Governo fez uma alocação adicional no valor de Rs 400 crore em inovação em defesa por meio do esquema Acing Development of Innovative Technologies with iDEX (ADITI).

Por meio deste esquema, o MoD está se envolvendo com start-ups/MSMEs e inovadores para desenvolver soluções Def-Tech e fornecer aos militares indianos soluções tecnológicas inovadoras e nacionais. Uma bolsa de até 50% do Orçamento de Desenvolvimento de Produto com limite aprimorado (Máx.) de Rs 25 crore por candidato será concedida conforme as diretrizes existentes do iDEX.

A alocação para o MoD para o AF 2024-25 é maior em aproximadamente Rs um lakh crore (18,43%) sobre a alocação para o AF 2022-23 e 4,79% a mais do que a alocação do AF 2023-24. Desse total, uma parcela de 27,66% vai para capital; 14,82% para despesas de receita em sustento e preparação operacional; 30,66% para Salários e Subsídios; 22,70% para Pensões de Defesa e 4,17% para organizações civis sob o MoD. A alocação total sai como aproximadamente 12,90% da Estimativa Orçamentária da União da Índia.

A verba visa promover a 'Aatmanirbharta' (Índia Autossuficiente) em tecnologia e fabricação de defesa e equipar as Forças Armadas com armas/plataformas modernas, além da criação de oportunidades de emprego para os jovens.

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