Pesquisar este portal

Mostrando postagens com marcador China. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador China. Mostrar todas as postagens

27 fevereiro, 2026

A órbita de Pequim: China expande rede espacial sigilosa na América Latina, alerta Congresso dos EUA

Relatório do Comitê Especial sobre a China identifica 11 instalações com potencial uso militar em Argentina, Brasil, Venezuela, Bolívia e Chile. Itamaraty ainda não respondeu sobre o caso brasileiro  


*LRCA Defense Consulting - 28/02/2026

O Comitê Especial sobre a Competição Estratégica entre os Estados Unidos e o Partido Comunista Chinês, da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, divulgou ontem (26) uma nova investigação revelando como a China estaria utilizando infraestrutura na América Latina para avançar suas capacidades espaciais e de coleta de informações. O documento, intitulado "Pulling Latin America into China's Orbit" ("Atraindo a América Latina para a Órbita da China"), é a segunda parte de uma série de investigações sobre a atuação de Pequim no Hemisfério Ocidental.

O que o relatório revela
A investigação identificou pelo menos 11 instalações espaciais chinesas em países como Argentina, Venezuela, Bolívia, Chile e Brasil. Segundo o documento, a China teria desenvolvido uma extensa rede de estações terrestres espaciais e telescópios de uso duplo na América Latina, com o objetivo de coletar informações e aumentar a capacidade bélica do Exército Popular de Libertação (PLA).

O relatório aponta que "Pequim utiliza a infraestrutura espacial da América Latina para reunir informações sobre adversários e reforçar as futuras capacidades de combate do ELP." Legisladores também levantaram preocupações sobre a supervisão dos locais, observando que, em pelo menos um caso, os direitos de inspeção do país anfitrião parecem ser limitados.

O caso mais emblemático é a Argentina. Uma estação espacial chinesa na província de Neuquén, estabelecida sob um contrato de arrendamento de 50 anos assinado em 2015, inclui uma antena de 35 metros usada para rastreamento de satélites e missões espaciais profundas. A Agência Nacional Chinesa de Lançamento, Rastreamento e Controle Geral de Satélites, uma divisão das Forças Armadas da China, se estabeleceu no local de 200 hectares, flanqueado por montanhas e distante de centros urbanos, oferecendo ponto estratégico para monitorar satélites 24 horas por dia.

O Brasil no centro das acusações
Com relação ao Brasil, o documento cita a Estação Terrestre de Tucano, uma joint venture entre a startup brasileira Alya Nanosatellites e a empresa chinesa Beijing Tianlian Space Technology, localizada em Tucano (BA), mas cuja localização exata é desconhecida. O relatório menciona também o Laboratório Conjunto de Tecnologia de Radioastronomia China-Brasil, estabelecido em 2025, após o Instituto de Pesquisa em Comunicação da Rede de Ciência e Tecnologia Elétrica da China (CESTNCRI) assinar um acordo com a Universidade Federal de Campina Grande e a Universidade Federal da Paraíba.

Em 26/08/2020, conforme publicou o Secretariado Permanente do Fórum para a Cooperação Econômica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa, a startup brasileira de observação da terra Alya Nanosatellites Constellation anunciou a assinatura de um acordo com a empresa aeroespacial chinesa Beijing Tianlian Space Technology Co. Ltd. para a criação de uma estação em Tucano, no nordeste do Brasil.

Num artigo de opinião publicado no portal noticioso SpaceWatch.Global, a Co-Fundadora e Diretora-Executiva da Alya, Aila Raquel, disse que as duas empresas vão cooperar na monitorização e telemetria de foguetões e acompanhamento de satélites e antenas. Segundo o portal noticioso, a responsável disse que a Alya e a Tianlian vão usar a estação em Tucano, no Estado da Bahia, para receber e processar informação vinda de satélites situados em localizações estratégicas na órbita terrestre. O objetivo da Alya, disse Aila Raquel, é disponibilizar imagens aéreas de alta resolução que possam ser usadas no desenvolvimento da agricultura e exploração mineira e na proteção e gestão ambientais. 

O relatório americano levanta preocupações sobre a possibilidade de que o sistema esteja equipado para interceptar comunicações militares e operações de guerra eletrônica, o que poderia ter implicações significativas para a segurança regional. A China ainda não reagiu à divulgação do relatório. A imprensa brasileira entrou em contato com o Itamaraty e aguardava retorno. 

Uso dual: ciência ou vigilância?
O ponto central da controvérsia é o chamado "uso dual" das instalações. O relatório argumenta que a proliferação de infraestrutura espacial chinesa na América Latina ilustra como sítios civis podem funcionar como instalações militares, ampliando a capacidade do ELP de rastrear e potencialmente interromper sistemas espaciais adversários em todo o globo.

Especialistas alertam que o esforço tem implicações não apenas econômicas, mas também para guerras futuras e a hegemonia global. Muitos países da região simplesmente não têm capacidade de acessar o espaço por conta própria, e a China preencheu essa lacuna de uma forma que os Estados Unidos não conseguiram.

O próprio Departamento de Defesa americano corrobora parte das conclusões. O relatório anual de 2025 do Departamento de Guerra ao Congresso sobre o desenvolvimento militar da China avalia que a expansão da presença espacial regional da China "quase certamente proporciona capacidades aprimoradas de vigilância do domínio espacial, inclusive contra recursos espaciais militares dos EUA no hemisfério".

Recomendações e contexto político
O comitê fez uma série de recomendações, entre elas que os EUA promovam novos acordos por meio da NASA com os países onde há presença chinesa, que as agências americanas reavaliem a cooperação espacial, de defesa e tecnologia avançada com esses países, e que o governo busque eliminar a influência de Pequim no hemisfério.

O comitê também citou a Emenda Wolf, lei aprovada em 2011 que proíbe a NASA e a Casa Branca de usar fundos federais para cooperação bilateral direta com organizações ou cientistas da China, salvo mediante autorização especial.

Veracidade das informações
As informações centrais do relatório são verificáveis e têm base documental, com as seguintes ressalvas importantes:

- O que é factual e confirmado por fontes independentes: a existência da estação de Neuquén, Argentina, operada por uma divisão militar chinesa; a expansão global da infraestrutura espacial chinesa (corroborada pelo próprio Pentágono e por think tanks independentes como o CSIS); e a criação de parcerias acadêmicas chinesas em universidades brasileiras.

- O que é alegação, não fato provado: a afirmação de que as instalações são ativamente usadas para fins de espionagem ou combate. O relatório reconhece que se baseia em "relatórios de código aberto, imagens de satélite e documentos de planejamento", não em inteligência classificada publicada. A linha entre uso civil e militar permanece não comprovada de forma conclusiva.

- Contexto político relevante: O Comitê Especial sobre a China foi criado em 2023 num ambiente de acirrada rivalidade sino-americana, e seus relatórios refletem uma perspectiva deliberadamente crítica a Pequim. Isso não invalida os dados apresentados, mas exige leitura com senso crítico.

29 julho, 2025

China avança estrategicamente no Brasil: investimentos militares e financeiros sob escrutínio

A expansão do gigante asiático na América Latina preocupa os Estados Unidos, enquanto Pequim reforça sua presença em setores-chave como defesa e sistema bancário


*Red Pat - 28/07/2025

A influência da China no Brasil deixou de ser meramente comercial e agora se posiciona como uma estratégia geopolítica de longo prazo. Dois setores-chave — o militar e o financeiro — estão atraindo a atenção do governo de Xi Jinping, levantando suspeitas tanto no Congresso dos EUA quanto nas Forças Armadas brasileiras.

Um dos movimentos mais significativos é o interesse do conglomerado estatal chinês Norinco em estabelecer operações de defesa no estado da Bahia e adquirir uma participação na empresa brasileira de sistemas de mísseis Avibras. Durante a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à China em maio, ele se encontrou pessoalmente com o CEO da Norinco, Cheng Defang, abrindo caminho para futuras colaborações nos setores militar, de segurança pública e de produção de armamentos no Brasil.

O jornalista William Waack , em artigo no jornal O Estado de São Paulo, alertou que o objetivo da China é transformar o Brasil em um centro de operações militares para a América Latina, desafiando o domínio histórico de potências como Estados Unidos, França e Alemanha. A Norinco, sancionada pelos EUA por ligações com o programa de mísseis do Irã, também foi acusada de supostamente fornecer armas ao Hamas e de componentes encontrados em armas russas na Ucrânia.

Além do interesse na Avibras, a proposta da Norinco inclui o fornecimento do sistema de defesa aérea Sky Dragon 50, tanques VT4 e tecnologias baseadas em inteligência artificial, todos com possibilidade de fabricação local. As negociações ocorrem em meio ao aumento das tensões entre o Brasil e os EUA, em um momento em que Washington mantém cooperação ativa com as Forças Armadas brasileiras, incluindo a recente compra de mísseis Javelin e helicópteros Black Hawk .

Sistema financeiro: um novo campo de disputa
Ao mesmo tempo, o avanço da China no setor financeiro brasileiro está se acelerando. A Mastercard anunciou que será o primeiro banco latino-americano a aderir ao Sistema Interbancário Internacional da China (CIPS), uma plataforma projetada por Pequim para facilitar pagamentos internacionais em renminbi, a moeda oficial da China, contornando assim o sistema financeiro ocidental, dominado pelo dólar.

A chegada da UnionPay, a maior rede de cartões de crédito da China, também representa um marco. Sua operação no Brasil está vinculada ao sistema CIPS e é vista como parte fundamental do projeto do BRICS para desdolarizar o comércio internacional.

O economista Hugo Queiroz alertou ao veículo O Antagonista que esses avanços, embora apresentados como desdobramentos de mercado, têm um forte componente político. "Isso pode desencadear retaliações dos Estados Unidos, principalmente se for percebido como uma manobra para driblar sanções internacionais", observou.

Do ponto de vista militar, o professor Robert Evan Ellis, da Escola de Guerra do Exército dos EUA, alerta que a cooperação com a China pode permitir que o Exército de Libertação Popular (ELP) obtenha conhecimento das estruturas militares latino-americanas, uma vantagem no caso de um conflito com Washington, por exemplo, sobre Taiwan.

Uma mudança na América Latina?
A estratégia de Pequim é consistente com sua Iniciativa de Segurança Global (GSI) e com os objetivos delineados nos Livros Brancos de Defesa de 2015 e 2019. Durante a reunião China-CELAC em maio, Xi Jinping reafirmou seu compromisso com uma "zona de paz" nas Américas, mas sob uma lógica de segurança paralela à oferecida pelo Ocidente.

Enquanto isso, os Estados Unidos continuam monitorando de perto esses movimentos. A crescente proeminência da China no Brasil levanta questões sobre a soberania estratégica, o papel dos BRICS e o equilíbrio geopolítico da região. 

26 julho, 2025

Terras raras: o tesouro mineral que pode redefinir a soberania e a defesa do Brasil no Século XXI



 *LRCA Defense Consulting - 26/07/2025

Em um tabuleiro geopolítico cada vez mais complexo, onde a disputa por recursos estratégicos se acirra, o Brasil emerge como um protagonista inesperado. Detentor da segunda maior reserva mundial de terras raras — um grupo de 17 elementos químicos vitais para a tecnologia moderna e, crescentemente, para a defesa nacional —, o país se encontra no centro de uma "corrida do ouro do século XXI" e a discussão sobre o potencial e os desafios das terras raras brasileiras nunca foi tão pertinente.

Esta reportagem mergulha na importância dessas riquezas, nos dilemas enfrentados pelo Brasil e, crucialmente, na intrínseca ligação entre as terras raras e a capacidade do país de proteger sua soberania e avançar em um cenário global dinâmico.

O que são e por que valem tanto
As terras raras são um conjunto de 17 elementos químicos, como neodímio, praseodímio e disprósio, que, apesar do nome, não são tão "raros" na crosta terrestre. A raridade reside na dificuldade e nos desafios econômicos e ambientais de sua extração, separação e purificação. Suas propriedades magnéticas e condutoras únicas os tornam insubstituíveis na fabricação de alta tecnologia: de smartphones e veículos elétricos a turbinas eólicas e equipamentos médicos de ponta.

No campo da defesa, a relevância é ainda maior. Esses minerais são a espinha dorsal de sistemas de armas avançados, conferindo precisão, eficiência e capacidade de resposta que definem a superioridade militar na era moderna.

O gigantismo do Brasil em reservas
O Brasil detém aproximadamente 23% das reservas globais de terras raras, estimadas em impressionantes 21 milhões de toneladas. Este volume coloca o país em uma posição de destaque, atrás apenas da China, que concentra cerca de 49% do total mundial. Esse patrimônio mineral está distribuído em regiões estratégicas, como a Bacia do Parnaíba (Maranhão, Piauí e Ceará), Minaçu (Goiás), e áreas na Bahia, Amazonas e Minas Gerais.

Estudos do Serviço Geológico do Brasil (SGB) apontam um potencial econômico estratosférico: com a exploração, processamento e refino adequados, o país poderia agregar R$ 243 bilhões anuais ao Produto Interno Bruto (PIB) nos próximos 25 anos.

O domínio chinês e a busca por alternativas
Apesar de suas vastas reservas, o Brasil figura com uma participação modesta de apenas 1% na oferta global, produzindo cerca de 20 toneladas em 2024, um contraste gritante com as 270 mil toneladas da China. Pequim não apenas domina a produção (70% global), mas também detém o quase monopólio do processamento (92%), controlando a cadeia de valor.

Essa concentração gera uma dependência estratégica alarmante para o Ocidente, que busca desesperadamente diversificar suas fontes. Os Estados Unidos, em particular, têm direcionado seu olhar para o Brasil, sinalizando abertamente o interesse em acordos comerciais para acessar esses minerais críticos, em meio a tensões comerciais e ameaças de tarifas. A resposta brasileira (pelo menos no discurso) tem sido enfática na defesa da soberania nacional, priorizando também uma futura agregação de valor e o processamento interno.

Os desafios da exploração e o caminho brasileiro

A baixa produção brasileira não reflete apenas a falta de recursos, mas sim uma série de entraves:
- Licenciamento ambiental demorado: a burocracia para obter licenças para mineração é um gargalo significativo.

- Carência de tecnologia: o Brasil ainda carece de know-how e infraestrutura para as etapas de separação e refino, que agregam maior valor aos minerais. Especialistas apontam que a China detém essa tecnologia, o que encarece a importação de produtos já processados.

- Falta de investimentos: embora haja interesse estrangeiro, os aportes ainda não são suficientes para impulsionar a cadeia produtiva em larga escala.

- Impactos socioambientais: a mineração de terras raras é poluente e tem gerado conflitos em áreas como Minaçu (Goiás), onde processos minerários se sobrepõem a assentamentos rurais e comunidades tradicionais, exigindo regulamentação clara e atenção às populações locais.

Apesar dos desafios, há um movimento crescente para reverter esse quadro. O Ministério de Minas e Energia (MME) traçou a meta ambiciosa de posicionar o Brasil entre os cinco maiores produtores globais em poucos anos. Projetos como a Mineração Serra Verde, em Minaçu (GO), já em produção comercial, e os investimentos da australiana Meteoric Resources em Poços de Caldas (MG), demonstram o potencial. Iniciativas como a criação de um fundo de R$ 1 bilhão para pesquisa mineral, o Centro de Inovação e Tecnologia para Ímãs de Terras Raras do Senai e a aquisição de um laboratório-fábrica pela FIEMG visam desenvolver a tecnologia e a industrialização nacional.

Locais de maior incidência do extrativismo de terras raras

Terras raras e a defesa nacional: o ativo estratégico
A relação entre terras raras e defesa é um capítulo fundamental na estratégia de segurança de qualquer nação. Para o Brasil, essa conexão é duplamente importante, dado o vasto potencial do país.

As terras raras são componentes indispensáveis na fabricação de equipamentos militares avançados. A capacidade de desenvolver e manter uma indústria de defesa autônoma e moderna depende diretamente do acesso seguro a esses minerais. A dependência de fontes externas pode comprometer a capacidade operacional das Forças Armadas e a autonomia do país em decisões cruciais.

Motor da tecnologia militar
A aplicação de terras raras eleva o nível tecnológico dos sistemas de defesa. Elas são essenciais em:

- Sistemas de comunicação avançados: radares e sistemas via satélite, garantindo transmissões rápidas e seguras.

- Mísseis guiados: motores de precisão e sistemas de guiamento que tornam os mísseis mais exatos e letais.

- Tecnologias de detecção: sensores, lasers e equipamentos de visão noturna, cruciais para a vigilância e a identificação de alvos.

- Aeronaves e submarinos: componentes que contribuem para a leveza, eficiência e desempenho de motores e sistemas eletrônicos em plataformas militares complexas.

Vulnerabilidade da dependência externa
O quase monopólio chinês representa um risco geopolítico imenso. Em caso de conflitos ou restrições de exportação, a interrupção no fornecimento poderia paralisar a produção e a manutenção de equipamentos vitais, afetando severamente a segurança nacional.

Políticas de segurança de suprimento

O governo brasileiro tem implementado políticas para mitigar esses riscos. A discussão sobre uma Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos é um passo importante para definir quais minérios são essenciais para a defesa. O investimento em P&D, incentivos fiscais e parcerias estratégicas (que não comprometam a soberania) buscam desenvolver uma cadeia produtiva interna robusta.

A "compra" de minas brasileiras e o que isso significa
A questão da "compra" de minas brasileiras de terras raras por entidades estrangeiras é complexa e merece atenção. Embora não haja um registro generalizado de aquisições diretas de grandes minas brasileiras de terras raras por empresas estatais chinesas, o que se observa é uma forte influência por meio de acordos estratégicos. 

O caso da Mineração Serra Verde, em Minaçu (GO), é emblemático. Apesar de ter recebido investimentos significativos de fundos americanos e ser a única produtora de terras raras pesadas em escala fora da Ásia, sua produção está, em grande parte, contratualmente comprometida com a China até pelo menos 2027. Isso ocorre porque a China detém o monopólio quase absoluto da tecnologia de processamento e separação desses elementos. Essa situação, onde a produção de uma mina estratégica é direcionada a um único país com capacidade de processamento, levanta sérias questões sobre a soberania e o controle do Brasil sobre seus próprios recursos. Mesmo que a propriedade da mina não seja chinesa, o destino de sua produção é. Isso significa que, na prática, o Brasil continua a ser um exportador de matéria-prima, sem agregar valor internamente e sem garantir o suprimento para sua própria indústria de defesa ou para aliados estratégicos.

Outro exemplo relevante é a venda da Mineração Taboca, controladora da Mina de Pitinga (AM), para uma estatal chinesa, que reacendeu discussões sobre soberania nacional. A Mina de Pitinga é rica em cassiterita, nióbio, terras raras e urânio. Especialistas alertam que a transferência de controle para empresas estrangeiras pode resultar na perda de domínio sobre recursos críticos, comprometendo a capacidade do Brasil de desenvolver sua própria indústria de alta tecnologia e defesa. 

A australiana Meteoric Resources, por exemplo, adquiriu o projeto Caldeira em Minas Gerais, um importante depósito de terras raras de argila iônica, e está buscando financiamento, inclusive do governo brasileiro, para desenvolver a cadeia de valor. 

A implicação para o Brasil é clara: a ausência de infraestrutura e know-how para o processamento de terras raras nos torna vulneráveis. A "compra" da produção, mesmo sem a aquisição da mina, é uma forma de controle que impede o País de usar seus recursos como alavanca geopolítica e de segurança nacional. Para reverter esse quadro, é imperativo que o Brasil invista massivamente em tecnologia de processamento e em toda a cadeia de valor, garantindo que a riqueza extraída do solo brasileiro beneficie primeiramente o desenvolvimento nacional e a defesa.

Espera-se que Serra Verde produza pelo menos 5.000 toneladas (t) de óxido de terras raras anualmente. Crédito: Serra Verde.

Futuro da defesa com terras raras
As perspectivas para a defesa nacional brasileira estão diretamente ligadas à capacidade do País de transformar suas reservas em produtos de alto valor agregado. A demanda por equipamentos militares mais leves, eficientes e de alto desempenho continuará a crescer. Investimentos em infraestrutura, capacitação de mão de obra e políticas públicas que conciliem desenvolvimento econômico com sustentabilidade ambiental serão fundamentais para que o Brasil não apenas utilize esses recursos para sua própria segurança, mas também se posicione como um fornecedor estratégico e confiável no cenário global.

Nióbio e grafeno: outros pilares da defesa nacional
Além das terras raras, o Brasil possui outras riquezas minerais que são igualmente estratégicas para a defesa nacional: o nióbio e o grafeno. O país detém as maiores reservas mundiais de nióbio, sendo o principal produtor global, com cerca de 98% das reservas globais. Este metal é fundamental para a produção de ligas metálicas de alta resistência e leveza, essenciais na indústria aeroespacial e de defesa. O nióbio é empregado em componentes de aeronaves, mísseis, veículos blindados e navios, onde a redução de peso e o aumento da durabilidade são cruciais para o desempenho e a segurança. Sua capacidade de formar superligas o torna indispensável para motores a jato e turbinas, que operam em condições extremas, e também é usado em supercondutores e na indústria de inteligência artificial e armamentos avançados.

Já o grafeno, derivado do grafite (mineral abundante no Brasil, que possui a segunda maior reserva mundial e é o terceiro em reservas, com cerca de 22% das reservas globais de grafite), é considerado o "material do futuro" devido às suas propriedades extraordinárias: é o material mais fino, mais forte e mais condutor de eletricidade e calor conhecido, sendo 200 vezes mais forte que o aço. Na defesa, o grafeno promete revolucionar diversas áreas: desde o desenvolvimento de armaduras mais leves e resistentes, passando por sensores ultrassensíveis para detecção de ameaças, até a criação de eletrônicos flexíveis e transparentes para equipamentos de comunicação e visão. Sua aplicação em baterias e supercapacitores pode aumentar significativamente a autonomia de drones e veículos militares. 

O domínio da cadeia de valor do nióbio e o investimento em pesquisa e desenvolvimento de grafeno são, portanto, cruciais para que o Brasil não apenas fortaleça sua indústria de defesa, mas também se posicione na vanguarda da inovação tecnológica militar global.

A encruzilhada geopolítica: China, EUA e Brasil
O Brasil se encontra em uma posição delicada, mas também privilegiada. O interesse dos EUA pode abrir portas para investimentos e mercados, aliviando pressões comerciais. Contudo, a China permanece o principal destino das exportações minerais brasileiras, e manter boas relações com Pequim é crucial para a balança comercial. A decisão do governo brasileiro exigirá habilidade diplomática para negociar com ambas as potências, sem comprometer a soberania nacional ou os laços comerciais já estabelecidos.

Oportunidade histórica

As terras raras, o nióbio e o grafeno representam uma oportunidade histórica para o Brasil. A transição de um mero detentor de reservas para um ator relevante na cadeia de valor global desses minerais é um caminho complexo, mas imperativo. Superar os desafios técnicos, ambientais e sociais, e investir maciçamente em pesquisa, desenvolvimento e industrialização, permitirá ao país não apenas impulsionar sua economia, mas também fortalecer sua capacidade de defesa e consolidar sua posição como uma potência emergente no cenário geopolítico mundial. 

A "corrida do ouro do século XXI" está em seu auge, e o Brasil tem em mãos um dos maiores tesouros para moldar seu próprio destino.

11 maio, 2025

Em momento histórico para o Embraer E2, Hunnu Air celebra o lançamento de rota entre a Mongólia e a China

 


*LRCA Defense Consulting - 11/05/2025

A Hunnu Air lançou rotas regulares com o jato E195-E2 da Embraer na Mongólia. O voo inaugural de Ulan Bator para o Aeroporto Internacional de Daxing, em Pequim, também marcou a primeira vez que o E2 operou em uma rota regular para a China.

A Hunnu Air, a Embraer e o Aeroporto de Daxing realizaram hoje uma cerimônia conjunta para marcar a inauguração bem-sucedida da rota, fortalecendo a conectividade entre os hubs da Mongólia e da China e fortalecendo os laços econômicos e culturais entre os dois países. 

O voo foi operado pelo primeiro dos dois novos jatos E195-E2 entregues à Hunnu Air em abril. A companhia aérea planeja utilizar o E2 para aumentar a capacidade nas rotas para Haikou (China), Sanya (China) e Phu Quoc (Vietnã). Além disso, os jatos possibilitarão a expansão de rotas da companhia para mais destinos no Japão, China, Vietnã, Índia, Coreia do Sul e também para inaugurar uma rota para Tashkent, capital do Uzbequistão.

O E195-E2 da Hunnu Air está configurado em um layout confortável de duas classes com 136 assentos na configuração 2x2, sem os assentos do meio - uma marca registrada da Embraer. 

“O lançamento desta rota com nossa nova aeronave E195-E2 reflete a determinação da Hunnu Air em expandir sua rede internacional e simboliza o aprofundamento da amizade e colaboração entre a Mongólia e a China nesta nova era”, afirma Munkhjargal Purevjal, CEO da Hunnu Air. “Desde 2019, operamos jatos E190 de primeira geração, e a introdução do E195-E2 oferece a atualização perfeita para atender às demandas crescentes para viagens domésticas e internacionais. Esperamos que o E2 se torne a base de nosso crescimento de longo prazo, permitindo-nos oferecer conectividade incomparável em toda a região.” 

“Hoje, temos muito orgulho em lançar esta rota com o novo E195-E2 da Hunnu Air, o primeiro jato E2 a operar na China. A escolha do E195-E2 para esta rota fundamental ressalta a profundidade de nossa parceria com a Hunnu Air e nossa responsabilidade compartilhada de garantir operações seguras, eficientes e sustentáveis. Temos uma parceria sólida com a Hunnu Air para apoiar o sucesso desta rota muito importante. O E2 tem o porte adequado e permitirá que a Hunnu Air cresça de forma lucrativa, desbloqueando o grande potencial da Mongólia e fortalecendo a crescente malha aérea da Ásia asiática”, afirma Martyn Holmes, Diretor Comercial da Embraer Aviação Comercial. 

A Embraer está comprometida com o mercado de aviação da Mongólia, e estabeleceu parcerias de longa data com as companhias aéreas locais ao longo dos últimos anos, contribuindo com o avanço das capacidades de aviação do país. A primeira aeronave Embraer a operar na Mongólia – um ERJ 145 – entrou em serviço em 2018. 

O programa E-Jets da Embraer é um dos programas de aviação comercial de maior sucesso na indústria. Juntos, os E-Jets e E-Jets E2 são operados por mais de 80 companhias aéreas em 50 países, com mais de 1.800 unidades entregues.

 

11 abril, 2025

Embraer nomeia Patrick Peng como Diretor-Geral e VP Sênior de Vendas e Marketing da Aviação Comercial na China

 


*LRCA Defense Consulting - 11/04/2026

A Embraer nomeou Patrick Peng para o cargo de Diretor-Geral e Vice-Presidente Sênior de Vendas e Marketing da Embraer Aviação Comercial na China, com início a partir de 31 de março de 2025. Peng irá liderar as atividades da Embraer no país e se reportar a Martyn Holmes, Diretor Comercial da Embraer Aviação Comercial. 

Com mais de 20 anos de experiência no setor de aviação, o executivo tem uma carreira de destaque em líderes globais da aviação, como Airbus, GE Aviation/CFM, Thales e Safran. Seu histórico comprovado inclui liderança estratégica de vendas, negociações de contratos de serviços de pós-venda de bilhões de dólares e a formação de parcerias de longo prazo com companhias aéreas, fabricantes de equipamento original (OEMs, na sigla em inglês) e stakeholders regulatórios na China. 

"Estamos satisfeitos em dar as boas-vindas ao Patrick na companhia para liderar as operações da Embraer na China", afirma Martyn Holmes, Diretor Comercial da Embraer Aviação Comercial. "Seu profundo conhecimento da indústria e o sucesso demonstrado na construção de confiança com parceiros de aviação chineses o tornam o executivo ideal para liderar a Embraer no país. Estamos confiantes que sua liderança trará novas perspectivas e oportunidades de mercado para o E2, em um mercado de aviação em evolução como é o da China." 

Peng possui um MBA pela Universidade de Tsinghua, Mestrado em Engenharia Eletrônica pela Universidade de Aeronáutica e Astronáutica de Pequim, e é Bacharel em Engenharia da Informação pela Universidade de Correios e Telecomunicações de Pequim.

20 novembro, 2024

WEG anuncia plano de investimentos para expansão da capacidade produtiva na China


*LRCA Defense Consulting - 20/11/2024

A WEG S.A. anunciou um plano de investimentos de aproximadamente US$ 62 milhões para a expansão da capacidade produtiva em seu parque fabril localizado em Rugao, na China. Este plano visa atender à crescente demanda do mercado e aumentar a presença da empresa na região.

O investimento será realizado nos próximos anos e envolve o aumento da capacidade de fabricação de componentes e montagem local. O plano inclui também a construção de um prédio de 30.000 m² com capacidade para fabricação de motores de alta tensão, com a conclusão desta etapa prevista para 2026.

Segundo João Paulo Gualberto da Silva, Diretor Superintendente da Unidade Energia da WEG, esses investimentos reforçam a estratégia e o compromisso da companhia com o desenvolvimento sustentável de seus negócios. "Estamos otimistas com as perspectivas de crescimento do mercado de motores industriais de alta tensão na China e queremos estar prontos para atender nossos clientes com excelência, rapidez e inovação", declara o executivo.

A WEG iniciou suas atividades na China em 2004 com a aquisição da unidade fabril de Nantong, produtora de motores elétricos industriais de baixa e alta tensão. Em 2014, expandiu sua presença com aquisições de fabricantes de motores elétricos para lavadoras e secadoras de roupa, localizados em Changzhou. Em 2015, ampliou sua presença no país com a construção do parque fabril em Rugao, para motores industriais de baixa tensão. Em 2019, inaugurou a fábrica de Drives e Controls em Changzhou e, em 2024, adicionou as operações de motores e geradores da Marathon no país. Atualmente, a companhia possui seis fábricas na China e emprega cerca de 3.000 colaboradores.

09 novembro, 2024

Brasil procura novo fornecedor de satélites para substituir a Starlink

Reunião com chineses (Foto: Shizuo Alves)

*LRCA Defense Consulting - 09/11/2024

A Sputnik Brasil divulgou ontem (08) pelo X que as autoridades brasileiras estão procurando um substituto para o sistema de satélites Starlink do empresário americano Elon Musk, negociando a cooperação com fornecedores de satélites chineses, conforme informou a Bloomberg no mesmo dia.

De acordo com a agência, o Ministério das Comunicações quer aumentar a competitividade no mercado local de satélites de órbita baixa para conectar mais pessoas em áreas remotas do país à Internet.

Na quinta-feira (07), o Ministério das Comunicações recebeu uma delegação da Administração Nacional de Dados da China para discutir o compartilhamento de experiências na área de infraestrutura e experiência digital.  

No mês passado, o ministro das Comunicações, Juscelino Filho, reuniu-se com representantes do governo e de várias empresas de tecnologia chinesas em busca de oportunidades de investimento para empresas chinesas no Brasil. 

Starlink no Brasil
A Starlink tem mostrado um crescimento expressivo no Brasil, registrando um salto no número de acessos de banda larga fixa de 66 mil em 2023 para mais de 215 mil em junho de 2024, desempenhando assim um papel crucial na infraestrutura digital do país. A empresa passou a ser fornecedora de importantes órgãos públicos do governo federal como o Exército, a Marinha, os ministérios da Saúde e Educação, além da gigante Petrobras.

Seus serviços, disponíveis nos mais distantes e isolados locais da Amazônia, do Pantanal e do Nordeste, não apenas conectam escolas e órgãos públicos em todas as esferas, comunidades isoladas e unidades militares, como também são fundamentais para a comunicação de operações estratégicas, como o Navio-Aeródromo Multipropósito Atlântico, o maior navio de guerra da frota nacional (embora a Marinha tenha afirmado que só comunicações ostensivas transitam por essa rede).

Com relação à Petrobras, de acordo com os documentos obtidos pela BBC News Brasil, o contrato para uso da tecnologia da empresa de Musk prevê a instalação de equipamentos para conexão de internet em pelo menos 70 bases, plataformas e navios da petroleira brasileira. Entre elas estão as bases de exploração de petróleo e gás de região de Urucu, no interior do Amazonas, plataformas de exploração de petróleo que atuam na Bacia de Campos, entre outras.

Os contratos militares são vitais, especialmente na região Norte do país, onde o Exército depende da Starlink para garantir a conectividade em áreas de difícil acesso. 

Em maio deste ano, o Comando do Exército disponibilizou 100 pontos de internet da Starlink para comunidades localizadas no Rio Grande do Sul durante as enchentes que mataram mais de 170 pessoas no Estado.

No outro extremo do Brasil, na Amazônia, o Exército também passou a adotar a tecnologia da empresa de Elon Musk. Em agosto deste ano, o Comando Militar da Amazônia (CMA) contratou uma empresa para fornecer o serviço de internet da Starlink a unidades militares da região amazônica. O CMA é um dos principais e mais estratégicos comandos das Forças Armadas do país e atende aos Estados do Amazonas, Rondônia, Roraima e Acre. Entre suas diversas unidades estão 27 pelotões especiais de fronteira (são 21, segundo o organograma do CMA), normalmente situados em locais de difícil acesso e sem conexão por fibra ótica.

Quem também utiliza a tecnologia da Starlink é a Marinha. À BBC News Brasil, a corporação informou que utiliza a Starlink em três embarcações: Navio-Veleiro Cisne Branco; Fragata Liberal e Navio-Patrulha Babitonga. Duas unidades da Marinha também mantém contratos de internet com a Starlink: o Comando do Grupamento de Patrulha Naval do Sul-Sudeste (em Santos) e o Comando do Grupamento de Patrulha Naval do Norte (em Belém). 

No entanto, em dezembro de 2023, após contratar o serviço, a Marinha informou que "A tecnologia será usada para internet com fins ostensivos, sendo completamente segregada das redes de bordo e demais redes de dados. Informações tipicamente militares não serão transmitidas ou recebidas pelos satélites da Starlink". Conforme a mesma fonte, os kits da Starlink foram adquiridos para o Navio Aeródromo Multipropósito Atlântico, a maior embarcação do País; para o Navio de Apoio Oceanográfico Ary Rongel, do Programa Antártico Brasileiro; e para o Navio-Patrulha (NPa) Maracanã, principal embarcação da Marinha para o patrulhamento na faixa compreendida entre os estados de São Paulo e Paraná.

Apesar de tais cuidados tomados pela Marinha, a guerra Rússia X Ucrânia, especialmente em seus primeiros meses, evidenciou o perigo da interceptação de comunicações particulares via smartphones entre os militares desses países ou entre eles e seus familiares, já que os Serviços de Inteligência de ambos os contendores as aproveitavam para localizar posições inimigas e até mesmo descobrir segredos militares cuidadosamente guardados.

Qual a diferença da Starlink?
Conforme matéria da BBC News Brasil, a Starlink é um braço da SpaceX, a companhia de exploração espacial de Elon Musk. A empresa fornece serviços de internet por meio de uma enorme rede de satélites. Ela é voltada para pessoas que vivem em áreas remotas, onde não há infraestrutura local como cabos e postes — caso de boa parte da Amazônia.

Estima-se que mais de 6 mil satélites Starlink já foram lançados no espaço, segundo especialistas que monitoram esses equipamentos. Segundo a própria empresa, trata-se da maior constelação de satélites do mundo, com uma base de usuários em 37 países.

Rodrigo Hendges, gerente de segurança ofensiva da empresa de segurança de dados Max Protection, explica que a chave do sucesso da empresa é o fato de ela usar, como nenhuma outra até então, um sistema uma rede de satélites de órbita baixa capaz de fornecer uma conexão de baixa latência. Latência é o tempo que leva para um dado (como uma mensagem ou um comando) viajar de um ponto a outro na rede via satélite, ser processado e retornar ao usuário.

Hendges explicou que a transmissão de sinais de internet via satélite não é uma tecnologia nova no mundo. A diferença introduzida pela Starlink, segundo ele, é que enquanto a maior parte dos sistemas disponíveis no mercado usa satélites localizados a pelo menos 30 mil quilômetros de altitude, os da empresa de Musk estão a 500 quilômetros. Com satélites muito mais perto da superfície terrestre que seus concorrentes, o tempo de latência é menor. Na prática, isso resulta em uma conexão mais estável e muito mais rápida.

Hendges ressalta ainda outra característica da Starlink que a diferencia das demais competidoras: a rede de satélites da Starlink é composta por milhares de satélites interconectados, criando uma constelação que cobre grandes áreas. "A grande quantidade de satélites e a baixa altitude são fatores-chave", explica Hendges.

O diretor de tecnologia da Sage Networks, Thiago Ayub, disse à BBC News Brasil que essa conjunção de fatores coloca a empresa de Musk à frente de muitos competidores. “Esses satélites foram projetados para estar muito mais próximos das antenas dos assinantes, o que garante um tempo de resposta menor e uma qualidade de internet que se assemelha à fibra ótica. Isso torna a Starlink uma solução única para regiões onde a infraestrutura de fibra ótica não está disponível", completou.

Principais redes chinesas de satélites
Segundo informa a Forbes, desde 2022, quando a guerra da Ucrânia demonstrou a importância da Starlink para as comunicações no campo de batalha, a imprensa chinesa publicou vários editoriais sobre a ameaça que a Starlink representa para os interesses chineses. Esses editoriais descreveram a Starlink e a SpaceX como parte da “hegemonia espacial” que os Estados Unidos estão tentando criar no espaço, dando a eles uma “vantagem militar espacial unilateral”.

Em consequência, a China passou a implementar o projeto “Constelação de Mil Velas”, que prevê o lançamento de satélites LEO para fornecer transmissões mais eficientes. Os satélites LEO são menores e ficam mais próximos da Terra do que os satélites convencionais, o que permite uma internet mais rápida e confiável.

O projeto, apoiado pelo Estado Chinês, é uma das respostas do país à Starlink e sua crescente constelação de banda larga comercial que tem perto ou até mais de seis mil satélites LEO no espaço para fornecer internet quase global a consumidores, empresas e agências governamentais.

Conforme matérias da BBC News Brasil e da Forbes, as principais redes chinesas de satélites são:

SpaceSail
Uma empresa privada de Xangai que pretende lançar até 15 mil satélites até 2030, embora, até agosto deste ano, tivesse apenas 18 satélites em órbita.

Shanghai Spacecom Satellite Technology (SSST)

Uma empresa estatal que lançou 18 satélites em órbita terrestre baixa (LEO) em agosto de 2024. A SSST planeja reduzir a altitude dos satélites para entre 300 e 500 km, permitindo a conexão direta com telefones celulares.
 
Geespace
Uma empresa privada que lançou 10 satélites em órbita baixa da Terra, e pretende lançar mais 72 para formar uma constelação com 6 mil unidades. Em comunicado relevante em setembro de 2024, a Geespace, empresa que pertence ao grupo da montadora Geely, confirmou que lançou um terceiro lote de satélites como parte do seu plano de oferecer internet estável em todo o mundo. Ao todo, a Geespace agora tem 30 satélites que podem cobrir 90% do planeta com serviços de comunicação 24 horas.
 
Trocar a Starlink pelos chineses seria a melhor decisão?

Como o Brasil não possui uma rede de satélites de comunicação e precisa conectar entidades públicas civis, escolas e organizações militares situadas em locais remotos, não há dúvida sobre a necessidade de escolher a melhor e mais eficaz rede internacional que disponibilize esse serviço. 

As informações públicas conhecidas até o momento indicam que a rede mais extensa, de maior alcance e com menor latência é a da Starlink, embora pouco se conheça sobre as redes chinesas, exceto o fato de que são bem menores e controladas, direta ou indiretamente, pelo governo deste país, mesmo as "privadas".

Além do custo para a troca do provedor, relativo a novos equipamentos e ao tempo para aquisição/instalação, e de uma possível perda de qualidade/alcance nas comunicações via Internet, subsiste a possibilidade de o Brasil vir a comprar uma briga comercial e política desnecessária com o empresário mais poderoso do futuro governo dos EUA e até mesmo com este governo. 

Por outro lado, o eventual trânsito de informações militares (ou provindas de militares, mesmo que teoricamente ostensivas) por uma rede de satélites chineses pode expor o Brasil a uma vulnerabilidade significativa em suas operações estratégicas e gerar uma crise de confiança com países não alinhados com a China.

Assim, cabe perguntar quais benefícios essa troca traria para o Brasil e se ela seria mesmo a melhor opção para o nosso País...

03 julho, 2024

Veículo blindado de fabricação chinesa falha durante tentativa de golpe na Bolívia


*Defence Blog, por Dylan Malyasov - 27/06/2024

Uma recente tentativa de golpe na Bolívia destacou o uso de equipamento militar fabricado na China, especificamente o veículo blindado PRC Tiger 4×4.

O incidente chamou a atenção para as vulnerabilidades do veículo quando o tirante da direção quebrou após bater no meio-fio, deixando os soldados lutando para consertá-lo chutando a roda danificada.

O Tiger 4×4, produzido pela Baoji Special Vehicles Manufacturing na província de Shaanxi, China, foi projetado para transportar infantaria com proteção blindada aprimorada. Ele pode ser adaptado para várias funções, incluindo posto de comando, aplicação da lei, controle de distúrbios e ambulância.

O veículo tem uma tripulação de duas pessoas e pode transportar nove soldados de infantaria totalmente equipados.

A Bolívia recebeu estes veículos pela primeira vez em 2016. Apesar de ter sido submetido a extensos testes off-road que demonstraram a sua mobilidade em vários terrenos e condições meteorológicas, o recente mau funcionamento levanta questões sobre a fiabilidade destes veículos blindados de transporte de pessoal em cenários reais de combate.

14 junho, 2024

Mídia da China repercute o avanço do fuzil JD Taurus T4 na Índia


*LRCA Defense Consulting - 14/06/2024

Em matéria intitulada "O novo fuzil de assalto doméstico T4 da Índia", o grupo chinês "Amantes da Militaria" divulga o avanço do fuzil JD Taurus T4 na megalicitação indiana para a aquisição de 425 mil fuzis CQB para as Forças Armadas do país.

"Amantes da Militaria" é um grupo especializado em notícias sobre assuntos militares de todo o tipo, com ênfase, evidentemente, nos relacionados às forças armadas chinesas. O grupo está abrigado no portal "NetEase", um portal de notícias chinês de amplo espectro sediado em Guangdong e patrocinado pela empresa Guangzhou NetEase Computer Systems Co., Ltd.. Como tudo o que é divulgado pela mídia na China, a publicação deve estar de acordo com as diretrizes e a ideologia do Partido Comunista Chinês.

Abaixo, alguns trechos da matéria:

"Um rifle desenvolvido em conjunto pela Jindal Defense da Índia e pela Taurus Armas do Brasil passou por uma série de testes do Exército Indiano, informou o portal online Defense Research. Jindal Defense India é uma empresa privada.

Jindal Defense e Taurus Armas formaram uma joint venture, JD Taurus, em 2020. A parceria está em conformidade com os regulamentos de investimento estrangeiro direto da Índia e tem um índice de participação acionária de 51:49. A JD Taurus está ativamente em busca de grandes licitações, incluindo o processo de aquisição em andamento de 425.000 carabinas (fuzis CQB), sinalizando sua ambição de se tornar um player importante no mercado de defesa indiano.

O portal Defense Research disse que a aprovação aproxima o rifle T4 de garantir um contrato para fornecer 425.000 rifles ao exército indiano. Afetado por isso, o preço das ações da Jindal Stainless Steel subiu 2,5%, para 814,8 rúpias, na Bolsa de Valores de Bombaim em 10 de junho. O rifle teria passado por vários testes para verificar sua confiabilidade, durabilidade e desempenho."

A matéria do 'Amantes da Militaria' prossegue explicado que o T4 é um fuzil com estrutura AR, "igual" ao M4 e que tem muitos clientes em todo o mundo, afirmando ainda que a Taurus, apesar dos problemas mais antigos, hoje é um "fabricante de armas leves de classe mundial".

No final, refletindo a indisfarçável beligerância com o país vizinho que está se tornando uma grande potência militar e econômica mundial, o portal chinês faz algumas considerações desairosas, afirmando que "o nível de produção de armas leves na Índia não é tão bom como o de Myanmar".

Postagem em destaque