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08 novembro, 2026

A segunda vida dos E-Jets: como a Embraer está transformando sucata em ativo valioso

Vídeo viral credita ao E190F voos noturnos no Brasil e uma vitória sobre a Boeing; a apuração mostra um programa premiado e tecnicamente sólido, que estreou na Europa em 2026 e ainda busca escala



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LRCA Defense Consulting - 08/11/2026 -  18h00

Um vídeo publicado pelo canal Radar Explicado, no YouTube, sob o título “Como a Embraer Transformou Seu Jato de Passageiros em Mina de Ouro!”, vem circulando com uma narrativa sedutora: jatos pintados de amarelo, com a marca da maior plataforma de e-commerce da América Latina, pousariam de madrugada nos principais aeroportos do País operando o E190F, o cargueiro convertido da Embraer, enquanto a Boeing teria sido apanhada de surpresa num nicho que desprezou. A apuração do LRCA confirma boa parte da lógica de engenharia e de mercado apresentada, mas encontra imprecisões que mudam o retrato. Os jatos amarelos que voam no Brasil não saíram do programa de fábrica da Embraer, e o E-Freighter, embora premiado e certificado nos três principais mercados regulatórios do mundo, avança em ritmo bem mais cauteloso do que o vídeo sugere.

O vazio das 15 toneladas 
O ponto de partida do raciocínio está correto e é bem conhecido no setor. A carga típica do comércio eletrônico (caixas de calçados, roupas, eletrônicos embalados) ocupa muito espaço e pesa pouco. Nesse tipo de operação, o avião esgota o volume do porão antes de atingir o limite de peso, situação que os operadores descrevem como cube out em vez de weigh out. Um Boeing 737-800BCF, projetado para algo em torno de 23 toneladas, voa com capacidade estrutural ociosa quando lotado de pacotes leves. Na outra ponta, turboélices como o ATR 72F são econômicos, mas lentos e limitados a cerca de 8 a 9 toneladas.

Foi nesse intervalo que a Embraer posicionou o E190F e o E195F ao lançar o programa P2F (passenger to freighter), em 7 de março de 2022, em São José dos Campos (SP). Segundo a fabricante, os E-Jets convertidos oferecem mais de 40% de capacidade volumétrica e três vezes o alcance dos grandes turboélices cargueiros, com custos operacionais até 30% menores do que os de jatos de fuselagem estreita maiores. A empresa estima um mercado de cerca de 700 aeronaves dessa classe em 20 anos, sendo 250 para reposição de frotas existentes e 450 por crescimento da demanda, e identificou aproximadamente 470 E-Jets da primeira geração (380 E190 e 90 E195) disponíveis para conversão no mundo, à medida que as companhias migram para a família E2.

Uma cirurgia de fábrica 

A conversão é feita nas instalações da Embraer no Brasil e vai muito além de retirar poltronas. O pacote inclui uma porta de carga dianteira de grandes dimensões no convés principal, sistema de movimentação de carga, reforço do piso, barreira rígida de carga de 9G com porta de acesso, sistema de detecção de fumaça com extintores para compartimento classe E no convés superior, alterações no sistema de gerenciamento de ar (refrigeração e pressurização) e provisões para o transporte de materiais perigosos. O sistema de carregamento foi desenvolvido pela U.S. Cargo Systems, da Carolina do Norte, e certificado pela FAA junto com a aeronave.

O vídeo descreve com riqueza a engenharia do recorte na fuselagem pressurizada e os reforços em torno da nova porta, inclusive o uso de anéis em titânio. A lógica de redistribuição de esforços é a de qualquer conversão estrutural séria, mas a Embraer não divulga publicamente o detalhamento dos materiais empregados, e esses pormenores devem ser lidos como interpretação do canal.

Nos números, há convergência. Somando o porão inferior e o convés principal, a carga útil estrutural máxima do E190F é de 13.150 kg, segundo a Embraer (versões anteriores do material da empresa falavam em 13.500 kg). Considerando a densidade típica do e-commerce, a carga útil líquida fica em 10.700 kg para o E190F e 12.300 kg para o E195F, exatamente os valores citados pelo canal. A fabricante informa que o sistema de carregamento acomoda até nove paletes e contêineres. 


Certificação em tempo recorde 
O primeiro E190F, de propriedade da arrendadora norte-americana Regional One, voou em 5 de abril de 2024, em São José dos Campos, e foi exibido publicamente em julho daquele ano no Farnborough International Airshow, no Reino Unido. A ANAC certificou a conversão em julho de 2024; a FAA, em setembro, com anúncio em 10 de outubro; e a EASA emitiu o certificado de tipo em 7 de novembro de 2024, divulgado pela Embraer em 10 de fevereiro de 2025, o que habilitou o cargueiro para operações globais.

Ao todo, foram 29 meses de desenvolvimento. O desempenho rendeu à Embraer, em março de 2026, o Program Excellence Award da Aviation Week na categoria OEM, como o LRCA registrou à época. Para o diretor de Programas de Aviação Comercial da empresa, Marcelo Tocci, o E-Freighter abriu uma nova fronteira para a fabricante ao transformar uma plataforma consagrada num cargueiro sob medida para a logística do comércio eletrônico.

Os jatos amarelos não são E190F 
É aqui que a narrativa do vídeo tropeça. Os jatos com a pintura do Mercado Livre que operam no Brasil pertencem à Azul Linhas Aéreas Brasileiras e são E195 da primeira geração adaptados pela própria companhia, não E190F convertidos pela Embraer. Ainda em setembro de 2020, em plena pandemia, a Azul obteve autorização para operar o primeiro E195 cargueiro do mundo, com as poltronas removidas para levar pacotes na cabine, e dedicou parte dessas aeronaves a um cliente de comércio eletrônico.

Em fevereiro de 2022, a empresa apresentou o E195 F-Class, desenvolvido em parceria com a LHColus Tecnologia e certificado pela ANAC em 1º de fevereiro daquele ano. O protótipo, de matrícula PR-AXW, estreou comercialmente em 7 de fevereiro, num voo de Viracopos (Campinas) para Porto Alegre. A solução transporta cargas na cabine em contêineres resistentes ao fogo, com detecção de incêndio por câmeras térmicas, mas sem a grande porta de carga lateral que caracteriza o produto da Embraer. Em fevereiro de 2023, o E195 PR-AYJ, também convertido para carga, recebeu a pintura do Mercado Livre, tornando a Azul a terceira empresa no Brasil a voar com as cores da varejista, depois da GOL e da Sideral.

A própria Embraer, ao anunciar a estreia comercial do E-Freighter, ressaltou que as conversões anteriores da Azul envolveram modificações mais limitadas do que as do programa oficial. Em outras palavras, o pioneirismo brasileiro no uso de E-Jets como cargueiros é real, mas pertence à Azul; o E190F de fábrica ainda não opera no País.

Estreia na Europa e retomada comercial 
O primeiro voo comercial de um E190F ocorreu em 9 de março de 2026, de Colônia, na Alemanha, para Larnaca, no Chipre, levando cargas expressas sensíveis ao tempo. A operadora lançadora é a Bridges Air Cargo, com certificado de operador aéreo em Malta e clientes como FedEx, DHL e UPS, que recebeu o avião em leasing da Regional One. Um segundo E190F entrou em serviço na mesma empresa em junho. Em setembro, a BermudAir, das Bermudas, anunciou que será a segunda companhia a operar o modelo, com um avião também arrendado da Regional One, voltado a cargas expressas e e-commerce em rotas que ligam o Caribe aos Estados Unidos e ao Canadá.

O impulso mais expressivo veio no Farnborough International Airshow de 2026, em 21 de julho, quando a arrendadora Azorra fechou 20 pedidos firmes de conversão e direitos de compra para mais 10, o maior compromisso já assumido com o programa. A empresa apontou América Latina, Sudeste Asiático, Oriente Médio e África como regiões-alvo. Antes disso, a Nordic Aviation Capital havia reservado até 10 posições de conversão em 2022, e a queniana Astral Aviation firmara memorando para as duas primeiras unidades.

O quadro, porém, está longe da euforia. Segundo levantamento do portal Airway, de setembro de 2026, o programa somava apenas 25 pedidos firmes e duas aeronaves em operação mais de quatro anos após o lançamento. A Embraer suspendeu temporariamente o desenvolvimento do E195F para concentrar esforços no E190F, e o custo da conversão teria reduzido a vantagem econômica para alguns operadores. Executivos da empresa já indicaram que, no futuro, o serviço poderá ser transferido para empresas de MRO (manutenção, reparo e revisão), capazes de oferecer preços menores. Na teleconferência de resultados do primeiro trimestre de 2026, o presidente e CEO, Francisco Gomes Neto, relatou interesse crescente do mercado após a estreia europeia, sobretudo no segmento de comércio eletrônico. 


A Boeing foi mesmo surpreendida? 

A tese de que a Embraer “pegou a Boeing de surpresa” é mais retórica do que factual. As grandes fabricantes concentram seus programas de conversão em jatos maiores, como o 737-800BCF e o A321P2F, num segmento de maior porte e volume, e nunca disputaram diretamente a faixa de 10 a 15 toneladas com produto de fábrica. É verdade que não há, hoje, equivalente da Boeing ou da Airbus nessa faixa, e que a Embraer chegou primeiro com certificação tripla. Mas a lacuna identificada pela fabricante brasileira ainda não se converteu em demanda na escala projetada, e o principal concorrente do E190F continua sendo o próprio 737 convertido, abundante e barato no mercado de usados.

Outro ponto exige cautela. O vídeo afirma que o cargueiro emitiria até 25% menos dióxido de carbono por hora de voo do que os cargueiros convertidos de primeira geração. O número que a Embraer divulgou no lançamento do programa, contudo, refere-se a um custo por viagem até 25% menor em comparação com modelos como o Boeing 737-300F, e não a emissões. A empresa associa o ganho ambiental à maior eficiência de uma aeronave mais nova, sem quantificá-lo dessa forma.

O que está em jogo para o País 
Mesmo com o ritmo comercial mais lento, o E-Freighter tem valor estratégico para a Embraer e para a indústria aeronáutica nacional. Ao oferecer uma segunda vida aos E-Jets da primeira geração, o programa tende a sustentar o valor residual de uma frota de mais de mil aeronaves espalhadas pelo mundo, atrativo relevante para arrendadoras como Regional One e Azorra. Enquanto a conversão permanecer em São José dos Campos, também preserva no Brasil competências em engenharia estrutural, ensaios e certificação.

No mercado doméstico, a combinação entre o crescimento do e-commerce, a experiência pioneira da Azul com E195 cargueiros e o interesse já manifestado pelos Correios, que em abril de 2024 assinaram com a Embraer um acordo para estudar o uso do E190F, do E195F e do C-390 no transporte de cargas, indica que há espaço para o produto. Se os jatos amarelos que hoje cruzam a madrugada brasileira serão um dia E190F de fábrica, porém, é uma resposta que o mercado ainda não deu.

07 novembro, 2026

Moya Aero completa transição do MOYA 256 e revela clientes de 119 aeronaves

Em entrevista exclusiva à LRCA, Andre Stein detalha os interessados, os US$ 5,8 milhões já assegurados, as projeções de economia logística e os desafios para levar à operação os eVTOL de carga da empresa 



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LRCA Defense Consulting - 07/11/2026 -  09h25

A Moya Aero, sediada em São José dos Campos (SP), concluiu uma etapa decisiva do desenvolvimento do MOYA 256: em uma série de voos realizados em outubro, o protótipo em escala real decolou verticalmente, passou ao voo horizontal sustentado pelas asas e retornou ao voo vertical para pousar. Anunciado em 21 de outubro de 2026, o resultado demonstra a viabilidade da transição nos dois sentidos, um dos desafios centrais da arquitetura escolhida para a aeronave elétrica e autônoma de carga.

Em respostas encaminhadas por escrito à LRCA Defense Consulting, Andre Stein, diretor do Conselho e presidente para as Américas da Moya Aero, detalhou aspectos comerciais, financeiros e industriais ausentes do comunicado. Entre eles estão os clientes contemplados por cartas de intenção para 119 aeronaves, o financiamento de US$ 5,8 milhões já assegurado e uma iniciativa conjunta com a Speedbird Aero para entregas médicas e humanitárias.

Uma transição sem inclinar asas ou rotores 
A família MOYA utiliza a configuração tilt-body, na qual a própria aeronave muda de atitude entre as fases vertical e horizontal. Segundo Stein, a transição ocorre por empuxo diferencial, sem mecanismos de inclinação dos rotores ou das asas. A solução procura combinar a operação sem pistas com a eficiência aerodinâmica do cruzeiro sustentado pelas asas, ao mesmo tempo em que reduz a complexidade mecânica.

Para Alexandre Zaramela, CEO da Moya Aero, o ensaio aproxima a empresa da fase operacional. "Concluir a transição com o MOYA 256 em escala real é um marco importante rumo à implantação operacional. Um dos principais desafios é a quantidade limitada de estudos disponíveis para esse tipo de aeronave. Este é um tipo de aeronave novo e altamente inovador, e somos pioneiros em todo o mundo", afirmou no comunicado da empresa.

Em entrevista ao perfil expoevtol, no Instagram, Zaramela explicou que o MOYA 256 é um protótipo. Com 5,20 m de envergadura, a aeronave corresponde a 75% do MOYA 760, o veículo de série, que terá 7,40 m. Segundo ele, a ampliação responde à demanda do mercado por cargas de 170 a 200 kg em distâncias de 150 a 200 km. A empresa planeja um produto comercial derivado do protótipo, com entrada em serviço depois do MOYA 760, prevista na ficha técnica para 2029.

Os voos de outubro seguiram uma progressão gradual. "Fomos expandindo o envelope de voo até transicionar para voo horizontal, com sustentação nas asas", informou a empresa, por meio de sua assessoria. O envelope de voo reúne os limites de velocidade, altitude e manobra dentro dos quais a aeronave opera com segurança.

A campanha de ensaios, apoiada pela Finep, soma quase 200 voos do MOYA 256 e quase 500 considerando também aeronaves em escala reduzida e de finalidade especial. Para Stein, o resultado reduz uma incerteza técnica importante e fortalece as conversas com clientes e investidores. Não significa, contudo, que a aeronave esteja certificada ou pronta para operações comerciais regulares.

Voo de transição do MOYA 256

Duas configurações de carga 
Os valores de carga útil do comunicado, até 80 kg para o MOYA 256 e 200 kg para o MOYA 760, correspondem à configuração de carga máxima. Na ficha técnica encaminhada à LRCA, cada modelo aparece em duas configurações. Com bateria completa, o MOYA 256 transporta 30 kg a até 160 km; com carga máxima, leva 80 kg, mas o alcance cai para 70 km. No MOYA 760, a escolha é entre 80 kg a 200 km ou 200 kg a 80 km. As velocidades informadas são de 110 km/h e 135 km/h, e os pesos máximos de decolagem, de 255 kg e 600 kg, respectivamente.

Pelo regulamento anterior da ANAC, o RBAC-E nº 94, os dois modelos ficariam na Classe 1, reservada às aeronaves remotamente pilotadas com mais de 150 kg. Em junho de 2026, a agência substituiu essas regras pelo RBAC nº 100, que passou a classificar as operações pelo nível de risco (categorias aberta, específica e certificada), e não apenas pelo peso. A Moya informou que acompanha a evolução da nova regra.

Quem são os interessados nas 119 aeronaves 
Stein esclareceu uma ambiguidade do anúncio original: não são 119 cartas de intenção, mas 119 aeronaves contempladas por esses instrumentos. A distribuição informada é de 50 para a Helisul Aviação, 50 para a MineToo, dez para a Fototerra, cinco para a Fazenda Sete Reis e quatro para a canadense N2 Infrastructure Technologies. A Helisul, cuja divisão Helisul Drones é parceira da Moya, foi credenciada como Empresa Estratégica de Defesa em 2024.

As primeiras cartas, da Helisul e da N2, foram assinadas em 2023, antes do lançamento da família MOYA. Segundo a empresa, elas permitem flexibilidade na escolha entre os modelos.

A carteira abrange potenciais aplicações em logística, agronegócio, aerolevantamento e atendimento a regiões remotas, no Brasil e no Canadá. A Moya trabalha agora na definição dos requisitos operacionais e das condições comerciais com cada cliente. As cartas de intenção não equivalem a encomendas firmes, e a empresa não divulgou cronograma contratual de entregas.

Imagem compartiva entre o tamanho do eVTOL e uma pessoa de estatura média

Economia projetada em operações logísticas 
A estratégia comercial combina venda de aeronaves, manutenção, treinamento e serviços de engenharia em mobilidade aérea avançada, estes últimos já geradores de receita. Entre os segmentos prioritários estão entregas médicas e humanitárias, logística industrial, comércio eletrônico e agronegócio.

Segundo estimativas apresentadas por Stein, missões industriais, especialmente offshore, poderiam reduzir custos em mais de 90% em comparação com helicópteros biturbina empregados no transporte de pequenas cargas críticas. Em rotas de comércio eletrônico analisadas pela empresa, o transporte aéreo entre centros de distribuição poderia reduzir custos em mais de 50% frente a vans e diminuir em cerca de dois terços o tempo total de entrega. São projeções para perfis específicos de missão, não resultados de operações comerciais regulares já demonstradas.

Stein também mencionou que o custo de helicópteros em determinadas missões médicas pode chegar a R$ 15 mil por hora. A vantagem potencial dos drones depende, entretanto, de fatores como carga efetiva, distância, disponibilidade, infraestrutura, custos de manutenção e autorização para voos além da linha de visada (BVLOS, na sigla em inglês para beyond visual line of sight).

Speedbird e uma proposta para logística médica 

A parceria com a Speedbird Aero avançou além do memorando de entendimento não vinculante assinado em abril de 2026. Segundo Stein, que ocupa o mesmo cargo de diretor do Conselho e presidente para as Américas também na Speedbird, as duas empresas apresentaram uma aplicação conjunta à Finep para desenvolver uma solução de entregas médicas e humanitárias, conectando centros de referência a municípios remotos. A proposta reúne as aeronaves de maior capacidade da Moya e a experiência da Speedbird com sistemas, software e operações BVLOS certificadas.

Há possibilidade de a Speedbird operar aeronaves da Moya em uma solução integrada, mas Stein ressalva que não existe compromisso vinculante de operação. Tampouco foi informado resultado da aplicação conjunta submetida à Finep.


US$ 5,8 milhões e a passagem à escala industrial 
A empresa informa ter assegurado US$ 5,8 milhões, aproximadamente R$ 30 milhões segundo a equivalência fornecida por Stein, para o desenvolvimento inicial. Os recursos são provenientes de subvenção da Finep (incluídos os R$ 10,3 milhões já registrados pela LRCA), de receitas de engenharia e de investimentos de Seed4Science, MOA Ventures e Techstars. Conforme o executivo, eles permitirão concluir a campanha de ensaios em voo com o protótipo do MOYA 760, desenvolvido segundo padrões de produção.

A industrialização em maior escala ainda exigirá capital adicional. A Moya prevê novas rodadas de investimento para amadurecer o projeto, validar sistemas, preparar a documentação de certificação, atender requisitos regulatórios e ampliar sua equipe. A empresa informa dispor, em São José dos Campos, de 1.500 m² para engenharia e fabricação, além de uma estrutura de ensaios com 500 m² de área construída.

Nos Estados Unidos e no Canadá, a companhia mantém discussões com potenciais parceiros. Stein afirma que a proposta regulatória Part 108 da Federal Aviation Administration (FAA), voltada a operações BVLOS, já influenciou decisões de projeto, incluindo a otimização do peso máximo de decolagem do MOYA 760. Com 600 kg, o modelo fica exatamente no limite previsto na proposta. Trata-se, porém, de regra ainda não publicada: o texto final está em revisão na Casa Branca desde julho de 2026.

Espaço para exportação 

O voo de transição coloca a Moya em um mercado que começa a se formar, mas que ainda tem poucos produtos em operação. Na logística civil, a empresa já mira o exterior: a canadense N2 está entre as interessadas, e Stein aponta a América Latina e os Estados Unidos como próximas frentes, com o MOYA 760 ajustado aos parâmetros da proposta Part 108. Entre os projetos de porte semelhante, vários ainda estão em desenvolvimento, como o Nuuva V300, da eslovena Pipistrel, híbrido com capacidade típica de 300 kg.

No campo militar, a demanda é mais concreta. Forças armadas buscam drones de carga para reabastecer tropas em posições avançadas sem expor helicópteros e tripulações. Nos Estados Unidos, o Exército contratou a Elroy Air por US$ 46 milhões, em agosto de 2026, para desenvolver o Chaparral, híbrido com mais de 220 kg de carga, e a Força Aérea encomendou à Skyways a produção de seu drone de carga. O multirrotor T-150, da Malloy Aeronautics, hoje parte da BAE Systems, foi adquirido pelos Fuzileiros Navais dos EUA e pelos Royal Marines britânicos e enviado à Ucrânia como ajuda militar.

Nesse cenário, a combinação proposta pela Moya, com decolagem vertical, cruzeiro sustentado por asas e propulsão totalmente elétrica na faixa de até 200 kg, ainda tem poucos equivalentes. A escolha tem custo: os concorrentes híbridos alcançam distâncias bem maiores. Em compensação, o alcance de até 200 km deixa os modelos abaixo do limite de 300 km a partir do qual aeronaves não tripuladas entram nos controles do Regime de Controle de Tecnologia de Mísseis (MTCR), do qual o Brasil faz parte, o que tende a simplificar as licenças de exportação.

Em dezembro de 2025, a LRCA já havia apontado o potencial da Moya para oferecer às Forças Armadas brasileiras um drone de carga militar de tecnologia nacional, alternativa a sistemas israelenses e chineses. A origem nacional pode pesar a favor em mercados que buscam fornecedores fora das grandes potências. Procurada, a empresa não informou, até o fechamento desta reportagem, se mantém conversas com forças armadas, no Brasil ou no exterior. 

Renderização por IA de uma possível aplicação militar do eVTOL. Imagem meramente ilustrativa criada pela LRCA Defense Consulting

Engenharia brasileira com ambição internacional
A Moya Aero foi fundada em 2020 por Alexandre Zaramela e Renata Paolillo, como spin-off da ACS Aviation, empresa de engenharia aeronáutica com duas décadas de atuação, que participou do desenvolvimento inicial do eVTOL da Eve. Stein defende que a expansão internacional fortaleça essa base brasileira de engenharia e fabricação. Além da família MOYA, a empresa relata participação em serviços de desenvolvimento, entre eles um conceito híbrido-elétrico para a Heart Aerospace, uma prova de conceito de eVTOL e bancadas de testes para a Eve/Embraer, além de trabalhos em propulsão elétrica distribuída para a Embraer.

A meta da empresa é colocar o MOYA 760 em serviço no fim de 2027. Na entrevista ao expoevtol, Zaramela situou nesse prazo a conclusão da campanha de certificação: "A ideia nossa é, ao final de 2027, terminar essa campanha de certificação e estar operando em 2028", inicialmente em áreas remotas e em operações específicas, com ampliação gradual do envelope. Em 2023, a meta era colocar a primeira aeronave em serviço até o fim de 2025. O próprio CEO reconhece os obstáculos: "A gente esbarra em dois pontos: um é o tecnológico, tem coisa para a gente desenvolver ainda, para provar, para considerar segura; e tem a questão certificatória".

Até a entrada comercial, portanto, permanecem desafios relevantes: ampliar o envelope de voo, confirmar o desempenho com cargas representativas, avançar na conformidade regulatória e converter manifestações de interesse em contratos.

Os voos de transição são mais do que uma demonstração visual: constituem um marco de engenharia. O próximo teste será econômico e regulatório: transformar a tecnologia validada em aeronaves produzidas, autorizadas a operar e capazes de cumprir, em serviço, as vantagens logísticas projetadas.

A origem do nome 
Foi Stein quem sugeriu o nome, segundo a empresa, inspirado na série de ficção científica Farscape, em que Moya é uma nave viva, um organismo biomecânico que serve de abrigo e companheira à sua tripulação. A referência evoca mobilidade, autonomia e integração entre natureza e tecnologia. Embora não seja uma sigla, MOYA também remete a Mobility Advanced, a mobilidade avançada que está na origem da empresa. É, além disso, um nome feminino, simples e fácil de pronunciar em diferentes idiomas.

04 junho, 2025

Moya Aero confirmou a Embention como fornecedora oficial de piloto automático para seu eVTOL

 


*LRCA Defense Consulting - 04/06/2025
 
A empresa aeroespacial brasileira Moya Aero, focada no desenvolvimento de aeronaves elétricas de decolagem e pouso vertical (eVTOL) para entrega de cargas, confirmou oficialmente a Embention como sua primeira fornecedora de tecnologia. A empresa espanhola fornecerá o sistema de controle de voo autônomo para a plataforma inovadora da Moya.

O veículo integra o sistema Veronte Autopilots, desenvolvido pela Embention, uma solução projetada para permitir capacidades avançadas de voo autônomo. A escolha deste sistema reforça o compromisso da Moya Aero em incorporar tecnologias essenciais à segurança em suas aeronaves.

Pilotos automáticos Veronte permitem operações de voo seguras e autônomas
O Veronte Autopilots é um sistema de controle de voo abrangente que oferece total autonomia, desde a decolagem e pouso vertical até a navegação e os protocolos de emergência. Sua inclusão na plataforma Moya reflete o foco em robustez, confiabilidade e conformidade com os padrões globais de certificação para sistemas avançados de mobilidade aérea.

A integração dessa tecnologia é um passo fundamental no desenvolvimento e validação contínuos do Moya eVTOL, contribuindo para o desempenho da aeronave, a segurança operacional e preparando-a para os processos de aprovação regulatória.

Marco fundamental para atingir o status operacional
A confirmação da Embention como a primeira fornecedora oficial representa um marco significativo no roteiro de desenvolvimento da Moya Aero. A colaboração reúne a expertise de ambas as empresas para apoiar a concretização de uma solução de entrega de carga sustentável, eficiente e autônoma.

Ambas as organizações compartilham a visão de promover a logística urbana e regional por meio da inovação em mobilidade aérea. Esta parceria faz parte da estratégia mais ampla da Moya Aero de se envolver com fornecedores de tecnologia que atendem aos mais altos padrões de segurança e desempenho da indústria aeroespacial.

Sobre a Embention 
A Embention é uma empresa espanhola sediada em Alicante, especializada no desenvolvimento de pilotos automáticos e componentes críticos para veículos aéreos não tripulados (UAVs), aeronaves de decolagem e pouso vertical elétrico (eVTOLs) e outras plataformas autônomas. Fundada em 2007 por David Benavente, a empresa tornou-se referência global no setor de aviação autônoma, com presença em mais de 70 países e uma carteira de mais de 600 clientes, incluindo gigantes como Amazon, Airbus, Honda, Toyota e BAE System.

O principal produto da Embention é o Veronte Autopilot, uma família de sistemas de controle de voo projetados para aplicações críticas em UAVs e eVTOLs. O Veronte Autopilot é totalmente programável e oferece funcionalidades avançadas como redundância de sistemas, integração com sensores, geofencing, comunicação via satélite, identificação remota (Remote ID) e suporte a ADS-B.

A Embention também desenvolve estações de controle terrestre robustas, antenas de rastreamento de longo alcance e simuladores de hardware e software para testes e desenvolvimento de sistemas autônomos.
 

10 março, 2025

Embraer expande Equipe Global de Leasing e Cargueiros na Aviação Comercial


*LRCA Defense Consulting - 10/03/2025

A Embraer formou uma equipe global dedicada a Leasing e Cargueiros na unidade de negócios da Aviação Comercial, continuando a fortalecer sua posição estratégica nesses mercados. A nova equipe está baseada em Amsterdã, um importante centro para a aviação global, unificando em uma mesma estrutura a expertise em conversões de E-Jets de passageiros para cargueiros e de leasing de aviação comercial. 

Oliver Gerg irá liderar a equipe e foi nomeado Vice-Presidente Sênior Global de Leasing e Cargueiros. O executivo traz uma ampla experiência para esta posição, por meio de sua liderança na Equipe Global de Leasing e por ter desempenhado um papel fundamental no lançamento do E-Freighter em 2022. Oliver reportará diretamente a Martyn Holmes, Diretor Comercial da Embraer Aviação Comercial. 

"A criação da Equipe Global de Leasing e Cargueiros é um passo fundamental em nossa estratégia para aproveitar as oportunidades nos mercados em expansão de carga e leasing. Oliver é o executivo ideal para direcionar esta iniciativa por sua liderança, experiência e profundo conhecimento de nossos negócios. Com a sua orientação, estamos confiantes de que esta equipe entregará um valor excepcional aos nossos clientes e stakeholders," afirma Martyn Holmes, Diretor Comercial da Embraer Aviação Comercial. 

Este realinhamento estratégico ressalta o compromisso da Embraer com a inovação e o foco no cliente, posicionando a empresa para atender às demandas em evolução do mercado global de aviação.

10 fevereiro, 2025

E-Freighter, o cargueiro da Embraer, recebe tripla certificação: Estados Unidos, Europa e Brasil


*LRCA Defense Consulting - 10/02/2025

O E-Freighter E190F, jato cargueiro da Embraer, está totalmente certificado pela Agência Europeia para a Segurança da Aviação (EASA) e, portanto, certificado para operações globais. As certificações completas da Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos (FAA, na sigla em inglês) e da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) foram obtidas em 2024. 

O programa E190F foi lançado em maio de 2022 e projetado para atender às operações e demandas dinâmicas do e-commerce, que exigem entregas mais ágeis e descentralizadas. O E-Freighter realizou o seu voo inaugural em abril de 2024 e sua primeira exibição pública ocorreu em julho de 2024, durante o Farnborough Airshow, no Reino Unido. 

“A certificação da EASA é um marco importante em nosso programa de conversão de jatos de passageiros para cargueiros e estamos entusiasmados com este mercado. Desenvolvemos a aeronave perfeita para preencher as demandas de mercado, atendendo à necessidade global por entregas mais rápidas, não apenas para áreas metropolitanas, mas para todas as regiões. Os E-Jets são um sucesso global com grande presença em todo o mundo. Estamos prontos para oferecer uma solução de excelência para os nossos clientes em todo o mundo”, afirma Martyn Holmes, Diretor Comercial da Embraer Aviação Comercial. 

Os E-Jets cargueiros terão capacidade 40% maior de volume e três vezes mais alcance quando comparados a turboélices de carga de maior porte, além de custos operacionais até 30% menores do que aeronaves narrowbodies. Combinando os compartimentos de carga inferior e superior, a carga útil estrutural máxima do E190F é de 13.150 kg.

14 novembro, 2024

Americana Altair Engineering colabora com a brasileira Moya Aero

 

*citybiz - 14/11/2024

— A Altair, líder global em inteligência computacional, assinou um acordo de colaboração com a startup aeroespacial Moya Aero como parte do Programa de Aceleração de Startups Aeroespaciais da Altair. Dentro do acordo, a Moya Aero alavancará uma série de soluções na plataforma de design e simulação Altair HyperWorks e as organizações colaborarão no desenvolvimento de eVTOL e veículos aéreos não tripulados.

“O programa ASAP visa impulsionar o desenvolvimento de startups no setor aeroespacial e de defesa e dá às empresas acesso às nossas poderosas soluções tecnológicas e suporte técnico especializado e expertise”, disse Pietro Cervellera, vice-presidente sênior de aeroespacial e defesa da Altair. “Nosso objetivo é expandir a presença da Altair no Brasil e capacitar startups com tecnologia líder do setor.”

“A Moya Aero está focada em fornecer uma aeronave autônoma para transporte de carga sustentável e eficiente”, disse Alexandre Zaramela, diretor executivo e diretor técnico da Moya Aero. “Nosso objetivo é ser líder de mercado em veículos aéreos não tripulados de alta capacidade e impulsionar esse tipo de entrega em mercados inexplorados. A tecnologia da Altair ajudará nossa equipe a criar designs mais seguros, confiáveis ​​e eficientes que aumentem a competitividade de mercado de nossos produtos.”

A Moya Aero utilizará a plataforma de design e simulação Altair® HyperWorks® para permitir melhorias de engenharia ao longo do ciclo de vida do design. Essas ferramentas ajudarão a empresa a reduzir o tempo de desenvolvimento do produto, cortar custos de prototipagem e teste e aumentar a eficiência do processo de design e análise do sistema da equipe.

A Moya Aero é uma startup aeroespacial fundada em 2020 como um spin-off da ACS-Aviation, e está sediada em São José dos Campos, Brasil. O objetivo da empresa é complementar os canais de entrega de carga existentes com veículos que sejam mais acessíveis, baratos, eficientes e sustentáveis. De forma mais ampla, a empresa busca abrir novas oportunidades no mundo da logística e desenvolver produtos inovadores, não tripulados e totalmente elétricos.

Para saber mais sobre o programa ASAP, visite https://altair.com/aerospace-startup-acceleration-program . Para saber mais sobre a Moya Aero, visite https://moyaaero.com/ . Para saber mais sobre os recursos aeroespaciais da Altair, visite https://altair.com/aerospace .

Sobre a Altair
A Altair é líder global em inteligência computacional que fornece soluções de software e nuvem em simulação, computação de alto desempenho (HPC), análise de dados e IA. A Altair permite que organizações em todos os setores compitam de forma mais eficaz e tomem decisões mais inteligentes em um mundo cada vez mais conectado – tudo isso enquanto cria um futuro mais verde e sustentável. 

A empresa possui mais de 3.000 engenheiros, cientistas e pensadores criativos em todo o mundo que fornecem soluções inovadoras para seus clientes. A Altair Engineering tem sede em Troy, Michigan, EUA, e tem escritórios em 29 países.

13 maio, 2024

Taurus repudia informações inverídicas sobre carga de armas no Aeroporto Salgado Filho


*LRCA Defense Consulting - 13/05/2024

A Taurus, sempre pautada pelo compromisso com a verdade e para evitar problemas legais com os órgãos oficiais, vem por meio desta Carta Aberta esclarecer os fatos sobre notícia publicada no portal UOL na sexta-feira (10.mai.2024) com o título “PF retira 2.000 armas de aeroporto no RS para evitar investida de facções”. 

A empresa repudia a publicação de notícias com informações inverídicas sobre carga de armas no Aeroporto Internacional Salgado Filho, de Porto Alegre (RS), que deturpa a realidade dos fatos nesse momento de calamidade pública no estado do Rio Grande do Sul. 

A Taurus esclarece que não é verdadeira a informação de que existiam armas longas nesta carga. Também não é verdade que a carga estava prestes a ser exportada para os Estados Unidos. 

Conforme resposta enviada no dia 10 de maio de 2024 aos questionamentos do UOL, não existe e nunca existiu problema algum com a carga que estava no aeroporto. A Taurus junto com os órgãos de segurança sempre garantiu a total segurança da carga. 

A Taurus não entende como em um momento tão crítico pelo qual o estado do Rio Grande do Sul está passando, incluindo a empresa e seus colaboradores, profissional da imprensa está focado em problemas inexistentes e que não apresentaram qualquer risco para a população. O Rio Grande do Sul, assim como as pessoas, está vivendo a pior crise causada por uma calamidade e, por isso, a pior crise de segurança, isso deveria ser abordado e não questões com viés ideológico que proporcionem ainda maior insegurança a população. 

Qualquer informação diferente destas é inverídica. 

A Taurus solicitou ao UOL a publicação de sua resposta acima na íntegra, porém o portal de notícias incluiu apenas alguns trechos. 

A Companhia repudia as afirmações falsas contida na notícia, se fazendo necessária esta Carta Aberta para restabelecer a verdade dos fatos na sociedade. 

A Taurus aproveita para agradecer a solidariedade de cada brasileiro que está enviando para o Rio Grande do Sul ajuda humanitária, isso sim é importante nesse momento.

15 abril, 2024

Protótipo do drone de carga Moya eVTOL completou 87 voos bem-sucedidos


*LRCA Defense Consulting - 16/04/2024

O projeto Moya eVTOL está avançando em direção a um novo horizonte da aviação, com um novo conceito visando otimizar a logística aérea. A equipe vem realizando uma série de testes para validar e certificar a aeronave e informa que ela já completou 87 voos com sucesso.

A campanha de testes tem sete fases, desde testes em solo até voos em modo automático. Atualmente, está no final da Fase 4, onde está fazendo os ajustes finais nas capacidades de voo vertical da aeronave. O piloto controla a velocidade frontal e lateral, e a sintonia nesta fase corresponde ao loop externo. Ao final da Fase 4, que corresponde ao momento atual, a aeronave voa em modo de posição, com velocidade como entrada. A decolagem, a missão e o pouso automático são possíveis nesta fase.

A empresa está empenhada em continuar os testes em 2024 para concluir as fases subsequentes. A Fase 5 envolverá a missão em modo vertical, incluindo decolagem, voo para pontos pré-definidos, retorno à casa e pouso automático. Na Fase 6, será feita a transição para voo horizontal e serão repetido os ajustes da fase vertical, mas agora isso será feito em voo horizontal. Finalmente, a Fase 7 marcará a conclusão da missão, incluindo decolagem vertical, transição para voo horizontal, voo vertical e pouso.

Na Moya, a equipe está entusiasmada com o futuro das viagens aéreas e com as possibilidades da tecnologia eVTOL para atender o mercado de logística. Com mais de 87 voos bem-sucedidos realizados e mais por vir, a Moya está confiante de que suas aeronaves revolucionarão a indústria e fornecerão um meio de transporte seguro, eficiente e sustentável para todos.




Sobre a Moya Aero

A Moya Aero, fundada em 2020, é uma spin-off da ACS Aviation, empresa brasileira de engenharia aeronáutica, pesquisa e desenvolvimento de aeronaves localizada em São José dos Campos. A experiência de mais de 20 anos no mercado de aviação está por trás do Moya eVTOL, o primeiro veículo autônomo de alta capacidade construído na América Latina.

A experiência da equipe Moya abrange um amplo espectro da indústria aeroespacial. Este conhecimento é usado para capitalizar oportunidades de mercado com conceitos de veículos aéreos que abordam muitos problemas logísticos de longa data, como a redução das emissões de CO₂, a ligação de regiões remotas com abastecimentos vitais, a melhoria da eficiência, a produtividade e o custo da gestão das culturas e a ligação de empresas com os clientes de forma mais rápida, barata e direta.

Seed4Science, Hards e Techstars investiram na Moya, que também conta com o apoio da FINEP no desenvolvimento do protótipo. Helisul Drones, ProAero e Certifica Drones são parceiros.

09 abril, 2024

Embraer e Correios assinam MoU para estudos de otimização no transporte aéreo de cargas

O C-390 Millennium poderá também ser utilizado para o transporte de carga pelos Correios


*LRCA Defense Consulting - 09/04/2024

A Embraer e os Correios, empresa postal controlada pelo Estado brasileiro, assinaram hoje um Memorando de Entendimento (MoU) focado no transporte aéreo de carga. Ambas as empresas realizarão estudos conjuntos para avançar na otimização e expansão das redes aéreas brasileiras e internacionais de grandes cargas e mercadorias.

A parceria estratégica entre as empresas buscará aumentar a eficiência dos Correios no transporte aéreo e reduzir custos de operação em comparação com outros modais. Também avaliará desafios e oportunidades para novos modelos de negócios envolvidos nas plataformas da Embraer, como o E-190F, E-195F e C-390 Millennium.

“Com essa parceria poderemos trazer mais eficiência à nossa malha logística e assim beneficiar a população brasileira, que é a nossa maior missão como empresa pública e representante do governo federal; nenhuma outra empresa de logística tem metade das companhias aéreas e das cargas movimentadas pelos Correios", afirma Fabiano Silva dos Santos, presidente dos Correios. O executivo destaca ainda que a remodelação da malha aérea da estatal faz parte do projeto de modernização da empresa, os Correios do Futuro.

“Temos muita satisfação em colaborar com os Correios no estudo de uma rede logística mais eficiente para o transporte de mercadorias, tanto no Brasil quanto internacionalmente. A Embraer possui um portfólio consolidado de aeronaves e as soluções a serem estudadas em conjunto permitirão aos Correios ampliar a oferta de serviços aos seus clientes com alta confiabilidade e eficiência”, disse Bosco da Costa Junior, Presidente e CEO da Embraer Defesa & Segurança.

Contratos para conversão de até 20 E-Jets em cargueiros

A Embraer está dentro do cronograma para concluir sua primeira conversão do E-Jet para uma versão cargueira da aeronave, já tendo concluído com sucesso o primeiro teste de voo. A Embraer possui atualmente dois contratos para conversão de até 20 E-Jets em cargueiros.

O C-390 Millennium poderá ser utilizado para o transporte de carga pelos Correios

Fato inusitado: "C-390 Correios". Novo nicho de mercado?
Esta Consultoria ressalta o fato de o documento ter sido firmado pelo Presidente & CEO da Embraer Defesa & Segurança e, também de uma possível utilização da aeronave multimissão C-390 Millennium, o que é bastante inusitado, haja vista que o MoU é focado no transporte aéreo de carga civil realizado pelos Correios. No entanto, a própria imagem acima, divulgada pela Embraer, mostra um C-390 com as cores e o logo dos Correios, o que comprova a possibilidade.

Registra-se que o negócio de E-Freighter da Embraer não está nas atribuições de nehum dos diretores da empresa, pelo menos conforme a Estrutura Organizacional descrita na página do RI. Salvo se esteja também na alçada de Bosco da Costa Junior, é possível que a explicação possa ser encontrada na frase: "avaliará desafios e oportunidades para novos modelos de negócios envolvidos nas plataformas da Embraer, como o E-190F, E-195F e C-390 Millennium".

A utilização do C-390 pelos Correios poderia estar abrindo um novo nicho para esta aeronave, já que ela tem grande capacidade de carga (2,4 vezes a do E-190F e 2,11 vezes a do E-195F), boa velocidade (similar aos E-190/195F) e facilidade para pousar em pistas mais curtas (1.630 metros para logística) e não pavimentadas.

Para um país de dimensões continentais como o nosso e com um interior carente de pistas para aeronaves civis de maior porte, o "C-390 Correios" poderia estar presente em locais que hoje não estão ao alcance de tais aeronaves, ofertando uma grande capacidade de carga.

15 fevereiro, 2024

Fabricante brasileira de drones de carga de olho no mercado da Turquia


*Defensehere - 14/02/2024

A TUPAN, fabricante brasileira de motores e aeronaves, afirma que a aplicação mais importante de seus drones é o transporte de carga.

A Tupan é uma empresa aeronáutica especializada em aeronaves HSVSTOL (High Speed, Vertical and Short Take Off and Landing). A Tupan trabalha com outra empresa brasileira, a Turbomachine, que fornece os motores para os seus UAVs.

Paulo Cesar Olenscki, Diretor de Tecnologia da TUPAN, disse à Defensehere que vários países demonstraram interesse em sua série de drones de carga. 

Ele disse: "Seria muito interessante ter investidores na Turquia. Esperamos fabricar esta aeronave para transferir tecnologia para a Turquia. Isso é muito bem-vindo. E acho que o Brasil e a Turquia têm um relacionamento muito bom, e seria fácil para ter essa transferência e parceria de tecnologia. E também estamos abertos à transferência de tecnologia na fabricação de motores porque essas são empresas parceiras."

"Fabricamos os motores para nós mesmos, para que possamos projetar uma aeronave, um drone usando nosso próprio motor, e possamos projetar o motor da aeronave em vez do oposto. Nós podemos projetar e customizar o motor para as diferentes versões da aeronave que produzimos.

“Para o mercado civil existem diversas aplicações. A aplicação mais importante é o transporte de cargas. Temos diferentes versões para esta aeronave. Temos o TUPAN 1000, que pode transportar cerca de 125 KG da nossa carga útil. E então temos o [TUPAN] 2000 que tem peso máximo de decolagem de 2.000 libras e carga útil de 220 quilos e o TUPAN 3000 que tem carga útil de 400 quilos e peso máximo de decolagem é de 3.000 libras."

"Então, para o transporte de carga, o mercado civil é muito importante. Também pode ser para fazer a ligação entre as plataformas offshore e a terra. Prevemos também um mercado no combate a incêndios usando bolas extintoras que podemos ou poderemos ter. Vários drones voam ao mesmo tempo para combater o fogo em determinada área sem arriscar a vida das pessoas no combate ao incêndio."


20 outubro, 2023

Moya Aero e N2 Infrastructure Technologies assinam Carta de Intenções para aquisição de 4 Moya eVTOL


*LRCA Defense Consulting - 20/10/2023

A fabricante Moya Aero eVTOL e a N2 Infrastructure Technologies anunciaram uma parceria estratégica para desenvolver operações logísticas com RPAS (aeronaves remotamente pilotadas) de alta capacidade. As empresas assinaram uma Carta de Intenções (LOI) para a aquisição de quatro unidades do Moya eVTOL na oportunidade.

O Moya eVTOL é um drone de carga autônomo, totalmente elétrico, com capacidade de carga útil de 200 kg e alcance de 110 quilômetros. Ser elétrico permite que o drone de carga opere com zero emissões. Além disso, o design da Moya traz ganhos de eficiência.

As parcerias são uma opção natural quando duas empresas têm o mesmo objetivo. Com a Moya Aero e a N2 Infrastructure Technologies não foi diferente.

Com sede no Canadá, a N2 Infrastructure é uma nova start-up que atua no setor de carga aérea como empresa de logística e transporte. Sua missão é revolucionar o sistema de transporte e logística utilizando drones eVTOL. Fornecer EMS (serviços médicos de emergência) é crucial para sua missão. “O Moya eVTOL provou ser a especificação ideal para nossa missão em regiões remotas”, disse Raheel Kamal, cofundador da N2.

Renata Paolillo, cofundadora da Moya, disse: "Vemos uma grande sinergia entre a Moya Aero e a N2. Ambos estamos trabalhando para tornar a logística mais simples e sustentável".

O Moya eVTOL entrará em serviço em 2026.

Sobre Moya Aero
A Moya Aero, fundada em 2020 por Alexandre Zaramela e Renata Paolillo, é uma spin-off da ACS Aviation, principal entidade brasileira de engenharia aeronáutica, pesquisa e desenvolvimento de aeronaves no coração do corredor industrial da América Latina, São José dos Campos. Essa experiência extraordinária está por trás do Moya eVTOL, o primeiro veículo de alta capacidade, totalmente elétrico e autônomo construído no Hemisfério Sul.

A experiência coletiva abrange um amplo espectro da indústria aeroespacial. A Moya Aero aproveitou esse conhecimento para capitalizar oportunidades de mercado com conceitos de veículos aéreos que abordam muitos problemas logísticos antigos, como reduzir as emissões de CO₂ a ZERO, conectar regiões remotas com suprimentos vitais, melhorar a eficiência, a produtividade e o custo do manejo das colheitas, e conectando negócios com clientes de forma mais rápida, barata e simples.

11 setembro, 2023

Moya Aero é selecionada pela Techstars Los Angeles, investidor inicial mais ativo do mundo

*LRCA Defense Consulting - 11/09/2023

A Moya Aero participará do Techstars Los Angeles Accelerator desenvolvido pelo JP Morgan, reunindo empresas promissoras em estágio inicial. 

A Techstars é o investidor inicial mais ativo do mundo, com um portfólio de mais de 3.400 empresas, incluindo mais de 25 unicórnios, e um valor de mercado de mais de US$ 70 bilhões. A Techstars executa mais de 50 programas em todo o mundo, alguns generalistas, outros específicos do setor. Cada programa é altamente individualista, com 12 empresas selecionadas por programa.

Moya foi selecionada entre milhares de startups valiosas
O programa de mentoria de três meses reúne fundadores de todo o mundo em Los Angeles. O objetivo é trazer produtos e soluções inovadoras que contribuam para o desenvolvimento do ambiente tecnológico e de negócios nos próximos anos, e a Moya foi selecionada entre milhares de startups valiosas.

A Techstars escolheu a Moya Aero para sua rede global porque "nossa missão é impulsionar o crescimento dos negócios e o sucesso na arrecadação de fundos para nossos grupos. Vemos um enorme potencial na Moya Aero, em seu Moya eVTOL e em sua liderança. Eles vislumbram grandes oportunidades para transformar a logística além da América Latina fronteiras", disse Matt Kozlov, Diretor Geral.

O Moya eVTOL é o primeiro drone de alta capacidade construído no hemisfério sul, 100% elétrico, automático e para aplicação em logística e agricultura.

Esta abordagem inovadora ao transporte é apoiada pela ampla experiência do fundador e CEO, Alexandre Zaramela, que trabalha com eletrificação de veículos aéreos há mais de dez anos. “Esta é uma oportunidade única de mergulhar não só nos aspectos tecnológicos, mas também nos negócios. O Brasil tem uma tremenda tradição aeronáutica, que está engajado em novas alternativas de propulsão. Essa experiência está presente nas discussões ao redor do mundo sobre o futuro dos aviões ."

Ideias inovadoras precisam encontrar uma maneira de serem ouvidas. A fundadora e COO da Moya, Renata Paolillo, disse: "Este ambiente de negócios é muito dinâmico. Estar nesta classe irá acelerar nossa colocação no cenário global."

O Demo Day ocorrerá na primeira semana de dezembro, quando os fundadores de 12 startups apresentarão seus negócios a uma comunidade de investidores e mentores. 

Sobre a Moya Aero
A Moya Aero, fundada em 2020 por Alexandre Zaramela (CEO) e Renata Marins Paolillo (COO), é uma spin-off (empresa criada a partir de outra) da ACS Aviação, a principal entidade de engenharia, pesquisa e desenvolvimento aeronáutico do Brasil, localizada no coração do corredor da indústria aeroespacial da América Latina, São José dos Campos.

A Moya Aero projeta, fabrica e opera drones aéreos elétricos inovadores de decolagem e pouso vertical (eVTOL) para entrega de carga e logística de precisão. A ACS Aviation tem cerca de 15 anos de experiência no desenvolvimento de aeronaves com vários parceiros. Isso inclui a Embraer, fabricante brasileira, que é sua vizinha em São José dos Campos e para a qual contribuiu com os primeiros trabalhos de desenvolvimento da aeronave Eve eVTOL. A ACS também desenvolveu o SORA-e, que Zaramela disse ser a primeira aeronave elétrica criada no hemisfério sul, além de uma aeronave esportiva leve com um parceiro chinês e um drone Classe 2 (até 150 quilos).

Essa experiência extraordinária está por trás do Moya eVTOL, o primeiro veículo autônomo, de alta capacidade e totalmente elétrico que está sendo construído no Hemisfério Sul. 

Saiba mais:

- Protótipo do inovador drone de carga Moya eVTOL está cada vez mais próximo da pista 

- Helisul Aviação comprará 50 drones de carga Moya eVTOL

- Moya Aero tem aporte de US$ 2 milhões da Finep para desenvolver primeiro eVTOL brasileiro de carga

13 junho, 2023

Embraer realiza movimentações estratégicas com dois de seus principais executivos


*LRCA Defense Consulting - 13/06/2023

A Embraer Aviação Comercial anunciou Nigel Patterson como novo vice-presidente comercial e de marketing. Patterson também será o principal executivo da unidade de negócios na América do Norte e se reportará para Martyn Holmes, Chief Commercial Officer (CCO) da Embraer Aviação Comercial.

Com mais de 20 anos de experiência em liderança comercial na América do Norte, atuando na Airbus e na Certified Aviation Services, Patterson é muito respeitado na indústria da aviação. Sua experiência em vendas inclui acordos bem-sucedidos com grandes companhias aéreas dos Estados Unidos, como Delta Air Lines, Spirit Airlines, Virgin America, Hawaiian Airlines e Allegiant Air.

“A América do Norte é um mercado de grande importância para a Embraer. O jato E175 é a espinha dorsal da malha regional local, com 86% de market share e mais de 620 aeronaves vendidas. Os aviões da Embraer entregam uma conectividade essencial para 206 aeroportos nos Estados Unidos”, afirma Martyn Holmes, CCO da Embraer Aviação Comercial.

“Estamos em ótimo momento na região. O E175 é líder em seu segmento, e o E2 está provando ser um grande sucesso na Porter Airlines, o cliente de lançamento na América do Norte, com 50 E2 próximos de serem integrados à sua frota. Nigel tem um histórico de sucesso e conhecimento local. É um profissional inestimável para o nosso time e, com sua liderança de destaque, estamos reforçando nosso compromisso em entregar excelência e valor para os nossos clientes na América do Norte”, completa Holmes.

Patterson assume a vice-presidência comercial e de marketing da América do Norte no lugar de Mark Neely, indicado para vice-presidente de Freighter global na Embraer Aviação Comercial, que assumirá o cargo a partir de 1º de junho de 2023. Na posição de liderança global, Neely também se reportará a Martyn Holmes, Chief Commercial Officer (CCO) da Aviação Comercial da Embraer.

Neely possui uma ampla experiência tanto nos mercados de passageiros quanto em aeronaves de carga e irá liderar o foco crescente da empresa no desenvolvimento do mercado e em oportunidades para conversões Passenger to Freighter (P2F). O executivo atuou anteriormente como vice-presidente Comercial e de Marketing para a América do Norte, gerenciando alguns dos maiores clientes da Embraer.

“A nomeação de Mark para essa nova função é um movimento estratégico, alinhado com nosso foco em desenvolver nosso nascente negócio de conversões Passenger to Freighter (P2F)”, afirma Martyn Holmes, CCO da Aviação Comercial da Embraer. “Estou muito satisfeito com a liderança de Mark em um período empolgante de crescimento no segmento. Sua ampla experiência, visão e dedicação trarão um impacto significativo.”

18 abril, 2023

Honeywell certificará alterações em aviônicos para conversões de cargueiros E-Jets da Embraer


*Aviationline, por Pablo Diaz - 17/04/2023

Com o lançamento da nova versão cargueira dos E-Jets da Embraer, a Honeywell terá que adaptar e modificar o sistema aviônico para suportar a operação cargueira da nova aeronave. “O sistema de cabine de pilotagem da aeronave já é da Honeywell, mas teremos que reconfigurá-lo para voar operações de carga, pois o perfil de uso e operação de uma aeronave de carga é diferente de uma aeronave de passageiros”, explica Rogério Botelho, Diretor de Desenvolvimento de Programas na Honeywell Aerospace.

A Honeywell, aliada de longa data da Embraer, está envolvida em diversos projetos com a gigante brasileira da aviação. A assinatura deste novo contrato representa não apenas a ampliação da colaboração entre as duas empresas, mas também o desenvolvimento de um novo cenário no mercado de aviação latino-americano. “Este novo acordo é outro exemplo da força da nossa colaboração. É também uma prova da força do setor de aviação de carga, que cresceu significativamente durante a pandemia e manteve o ritmo no último ano. A Embraer percebeu esse movimento no mercado e lançou o projeto de conversão”, explica Botelho.

O E-Freighter, uma oportunidade para Embraer e Honeywell
Para Botelho, as empresas de leasing de aeronaves também podem ser potenciais clientes desse processo de conversão. “Nossa expectativa é que essas empresas se beneficiem da crescente demanda por aeronaves cargueiras, aliada à recuperação do mercado de passageiros. Como os E-Jets de primeira geração estão no mercado desde o início dos anos 2000, muitas empresas de leasing confiam nessa aeronave, que pode atender às necessidades de carga ao se tornar parte da frota”, acrescentou.

A conversão de carga total está disponível para todas as aeronaves E190 e E195, que devem entrar em serviço em 2024. A Embraer estima um mercado para aeronaves desse porte de aproximadamente 700 aviões nos próximos 20 anos. “Temos uma equipe na sede da Embraer em São José dos Campos totalmente focada neste projeto. A Embraer está fazendo as mudanças necessárias na estrutura da aeronave e outros sistemas, enquanto na Honeywell estamos trabalhando no sistema aviônico. É um momento de crescimento orgânico muito importante para nossa colaboração e negócios na América Latina”, conclui Rogério Botelho.

Em resumo, a Honeywell e a Embraer assinaram um novo contrato para a Honeywell configurar e certificar alterações no sistema aviônico dos E-Jets de primeira geração da Embraer para dar suporte às operações de carga. Este acordo marca a expansão da colaboração entre as duas empresas e destaca o crescimento do setor de aviação de carga. Espera-se também que o processo de conversão atraia potenciais clientes, incluindo empresas de leasing de aeronaves. O projeto está em andamento e a conversão de carga completa estará disponível para todas as aeronaves E190 e E195 programadas para entrar em serviço em 2024.

05 fevereiro, 2023

Moya Aero tem aporte de US$ 2 milhões da Finep para desenvolver primeiro eVTOL brasileiro de carga


*LRCA Defense Consulting - 05/02/2023

A Moya Aero recebeu um aporte de US$ 2 milhões da Finep, uma organização do governo brasileiro que promove a ciência, a tecnologia e a inovação. Os fundos serão usados para continuar o trabalho no desenvolvimento de seu Moya eVTOL, primeiro drone de carga Classe 1 (peso máximo de decolagem maior que 150 kg) do Brasil, entre os maiores do mundo.

Em parceria com Helisul Drones, Albatroz Indústria Aeronáutica e Certifica Drone, a Moya Aero foi uma das duas empresas premiadas entre as 15 finalistas. A subvenção apoiará as próximas etapas do primeiro eVTOL para cargas dedicadas a aplicações logísticas e destinadas a uma maior produtividade e eficiência.

Além da Finep, a empresa - startup investida pela HARDS - também recebeu um investimento do fundo de Venture Capital em deeptechs Seed4Science da Fundepar - Fundep Participações S.A.

Moya Aero
A Moya Aero, fundada em 2020 por Alexandre Zaramela (CEO) e Renata Marins Paolillo (COO), é uma spin-off (empresa criada a partir de outra) da ACS Aviaçao, a principal entidade de engenharia, pesquisa e desenvolvimento aeronáutico do Brasil, localizada no coração do corredor da indústria aeroespacial da América Latina, São José dos Campos. A Moya Aero projeta, fabrica e opera drones aéreos elétricos inovadores de decolagem e pouso vertical (eVTOL) para entrega de carga e logística de precisão. 

A ACS Aviation tem cerca de 15 anos de experiência no desenvolvimento de aeronaves com vários parceiros. Isso inclui a Embraer, fabricante brasileira, que é sua vizinha em São José dos Campos e para a qual contribuiu com os primeiros trabalhos de desenvolvimento da aeronave Eve eVTOL. A ACS também desenvolveu o SORA-e, que Zaramela disse ser a primeira aeronave elétrica criada no hemisfério sul, além de uma aeronave esportiva leve com um parceiro chinês e um drone Classe 2 (até 150 quilos).

Essa experiência extraordinária está por trás do Moya eVTOL, o primeiro veículo autônomo, de alta capacidade e totalmente elétrico que está sendo construído no Hemisfério Sul.

Sobre o aporte recebido da Finep, o CEO da empresa afirmou que: "Estamos honrados em receber esse apoio da Finep, que vemos como uma prova da importância do desenvolvimento de veículos de emissões zero. Nossa missão é construir um drone de carga que preencha uma lacuna no mercado para atender áreas remotas e não assistidas pelo transporte convencional".

Objetivos da Moya Aero:
- Não ter emissões de CO₂ com a logística aérea;
- Conectar regiões remotas com suprimentos vitais;
- Oferecer às comunidades infraestrutura precária ou inexistente para acesso à carga aérea;
- Melhorar a eficiência, a produtividade e o custo do gerenciamento de culturas;
- Tornar os voos perigosos mais seguros;
- Ajudar as empresas a se conectarem com seus clientes de maneira mais rápida, econômica e simples.

Moya eVTOL
O Moya eVTOL é um drone autônomo eVTOL de cargas pesadas com alcance de 110 km, carga útil máxima de 200 kg (441 lb) e tempo de voo de 42 minutos. A aeronave tem quatro hélices, quatro motores elétricos, tem asas inclináveis ​​em tandem, sua estrutura é composta de fibra de carbono e trem de pouso com rodas triciclo. A aeronave decola e pousa com a fuselagem paralela ao solo. Uma vez que a aeronave está em voo, as asas se inclinam e a aeronave voa com sua fuselagem em uma posição quase vertical.

A empresa planeja iniciar os testes de voo de um demonstrador de subescala em 2023 e, no futuro, fazer um protótipo em escala real que será usado para um modelo de produção. Se os resultados do demonstrador de subescala forem muito bem-sucedidos, a empresa poderá usar a versão de subescala para um modelo de produção menor.

A aeronave está planejada para ser usada para carga aérea, como suprimentos médicos, equipamentos de comunicação, alimentos, mercadorias e outros itens necessários para comunidades remotas, podendo ser equipada com equipamentos para pulverização de culturas ou plantio de sementes.

Especificações:
- Tipo de aeronave: aeronave de carga pesada eVTOL;
- Pilotagem: Autônoma;
- Capacidade: Somente Carga;
- Alcance: 110 km (68 milhas);
- Tempo de voo: 42 minutos;
- Carga útil máxima: 200 kg (441 lb);
- Hélices: 4 hélices;
- Motores elétricos: 4 motores elétricos;
- Fonte de alimentação: Baterias;
- Fuselagem: composto de fibra de carbono;
- Asas: asas tandem com winglets na asa traseira;
- Trem de pouso: Trem de pouso com rodas triciclo.


Mercado
O Moya eVTOL foi desenvolvido para solucionar os desafios da logística e do agronegócio, sendo projetado para melhorar a movimentação de cargas na logística geral e para pulverização de culturas agrícolas em áreas extensas, transportando grandes volumes e mercadorias pesadas, aplicando defensivos com mais precisão e eficiência e reduzindo os custos operacionais.

De acordo com a cofundadora e diretora de operações da empresa, Renata Paolillo, as aplicações agrícolas para aeronaves autônomas podem estar entre os primeiros usos, em parte porque as operações evitariam áreas urbanas lotadas e, ao mesmo tempo, poupariam pilotos humanos de tarefas relativamente perigosas, como pulverização de plantações. Com uma autonomia de voo de 42 minutos, a aeronave seria capaz de pulverizar cerca de 105 hectares, o que, segundo ela, representaria níveis de produtividade mais altos do que os maiores drones fabricados na China oferecem agora.

A Moya vê uma lacuna no mercado de drones maiores que poderiam preencher funções atualmente ocupadas de forma ineficiente por aeronaves leves de asa fixa e helicópteros. Segundo a COO, seu veículo eVTOL proporcionará uma redução de 50% nos custos operacionais em comparação com os equipamentos atuais, além de ser seis vezes mais produtivo em exercícios de pulverização de culturas do que pequenos drones e com 10 vezes a carga útil de frete.


*Fontes: Moya Aero, Future Flight, Mundo Geo.

08 março, 2022

Embraer mira mercado de carga aérea e apresenta as conversões dos E-Jets para transporte de carga: E190F e E195F


*LRCA Defense Consulting - 08/03/2022

A Embraer entra hoje no mercado de transporte de carga aérea com o lançamento das conversões de passageiros para cargueiros dos jatos E190F e E195F (P2F). Os E-Jets cargueiros são projetados para atender às demandas geradas pelo e-commerce e por novas operações de comércio, que exigem entregas muito ágeis e descentralizadas. Assim, a Embraer está oferecendo um desempenho operacional imbatível no transporte de carga e a flexibilidade que os jatos de tamanho adequado oferecem.

“Perfeitamente posicionados para preencher a lacuna no mercado entre cargueiros turboélices e jatos narrowbodies maiores, a nossa conversão de E-Jets P2F chega ao mercado em um momento em que a procura de frete aéreo para carga continua a decolar, e à medida que o comércio eletrônico e o comércio em geral passam por uma transformação global”, afirma Arjan Meijer, Presidente e CEO da Embraer Aviação Comercial.

A conversão completa para cargueiro está disponível para todas as aeronaves E190 e E195, com entrada em serviço prevista para o início de 2024. A Embraer enxerga um mercado para aeronaves desta dimensão de aproximadamente 700 aviões ao longo de 20 anos.

Essa iniciativa acontece quando a Embraer vislumbra três grandes oportunidades:
 
•    As atuais aeronaves de carga de fuselagem estreita são antigas, ineficientes, altamente poluentes e estão dentro da  janela de reforma ou aposentadoria;
•    A transformação contínua da intersecção entre comércio, negócios e logística levou a uma demanda generalizada e sem precedentes por frete aéreo, sobretudo por entregas no mesmo dia e operações descentralizadas; a missão perfeita para cargueiros do tamanho dos E-Jets;
•    Os primeiros E-Jets que entraram em serviço há cerca de 10 ou 15 anos estão saindo de arrendamentos de longo prazo e iniciando seu ciclo de substituição durante a próxima década. A conversão completa para carga prolongará a vida útil dos E-Jets mais maduros por mais 10 a 15 anos, e incentivará a substituição por aeronaves mais eficientes, mais sustentáveis e mais silenciosas.

As conversões de E-Jets P2F da Embraer proporcionarão desempenho e economia sem igual. Os E-Jets de carga terão 50% a mais de capacidade de volume e três vezes mais autonomia do que os grandes turboélices de carga e custos de operação até 30% do que os jatos narrowbodies.

“Os E-Jets cargueiros prestarão um serviço rápido, confiável e rentável aos transportadores, prolongarão a vida útil dos E-Jets por mais 10 a 15 anos, e mantendo o valor residual dos E-Jets, criando assim um forte argumento comercial que encoraja a substituição de aviões mais antigos por aviões de passageiros modernos, mais eficientes e menos poluentes”, disse Johann Bordais, Presidente & CEO, Serviços e Suporte da Embraer. “Com mais de 1.600 E-Jets entregues em todo o mundo, os clientes deste novo segmento de cargueiro se beneficiarão de uma rede de serviços global, madura e bem estabelecida, além de contar com um abrangente portfólio de produtos prontos para apoiar suas operações desde o primeiro dia.”    

A conversão para cargueiro será realizada nas instalações da Embraer no Brasil  e inclui: porta de carga do convés principal; sistema de movimentação de carga; reforço do piso; barreira de carga rígida (RCB) - Barreira 9G com porta de acesso; sistema de detecção de fumaça no cargueiro, incluindo extintores de classe "E" no compartimento de carga superior; alterações no sistema de gestão do ar (arrefecimento, pressurização, etc.); remoção interior e provisões para transporte de materiais perigosos. O E190F pode transportar uma carga útil de 23,600 libras (10,700 quilos) enquanto o E195F pode transportar uma carga útil de 27,100 libras (12,300 quilos).

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