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06 fevereiro, 2026

Stella Tecnologia e Força Aérea firmam parceria estratégica para desenvolver drones militares nacionais

Protocolo de Intenções estabelece cooperação de cinco anos para criar sistemas aéreos não tripulados com tecnologia 100% brasileira, incluindo drones kamikaze e plataformas de vigilância avançadas


*LRCA Defense Consulting - 06/02/2026

Em uma cerimônia realizada na nova sede do Instituto Histórico-Cultural da Aeronáutica (INCAER), a Stella Tecnologia e o Comando da Aeronáutica assinaram nesta quinta-feira (6/2) um Protocolo de Intenções que marca um novo capítulo na indústria brasileira de defesa. O acordo estabelece as bases para uma cooperação técnica de cinco anos, com foco no desenvolvimento de sistemas aéreos não tripulados de última geração com tecnologia nacional.

A parceria, assinada pelo Tenente-Brigadeiro do Ar Marcelo Kanitz Damasceno, Comandante da Aeronáutica, e por Gilberto André Buffara Junior, presidente da Stella Tecnologia, prevê o desenvolvimento de drones de vigilância, reconhecimento, busca e salvamento, além de sistemas de ataque único, os chamados drones kamikaze, com propulsão nacional.

Segunda parceria amplia escopo tecnológico
Esta é a segunda parceria firmada entre a Força Aérea Brasileira e a empresa fluminense. A primeira cooperação, estabelecida em 2023, teve como foco a definição coordenada de conceitos relacionados a sistemas e veículos aéreos não tripulados, além da condução de pesquisas técnicas sobre o tema.

O novo protocolo, com duração prevista de 60 meses e possibilidade de prorrogação, amplia significativamente o escopo da cooperação. Entre os principais eixos de atuação estão:

  • Desenvolvimento de plataformas SARP (Sistemas Aéreos Remotamente Pilotados) para Inteligência, Vigilância e Reconhecimento (IVR) com enlaces além da linha de visada e integração de sensores avançados, incluindo aplicações de inteligência artificial;
  •  Avaliação de capacidades de lançamento de cargas com controle e precisão;
  •  Desenvolvimento de sistemas aéreos remotamente pilotados de ataque único (drone kamikaze), com prioridade para soluções de propulsão nacionais e exploração de alternativas energéticas eficientes.

A cooperação será conduzida em regime de colaboração mútua, sem transferência direta de recursos financeiros entre as partes, com planejamento conjunto, acompanhamento institucional e alinhamento às diretrizes estratégicas da Aeronáutica e da política nacional de inovação.

Autonomia tecnológica como prioridade estratégica
Na avaliação do Comandante da Aeronáutica, o fortalecimento da indústria aeroespacial brasileira depende do apoio das Forças Armadas. "Nós temos tudo para criar resultados duradouros e já começamos isso. Dando continuidade, juntando as três Forças e priorizando o material nacional, vamos muito longe. Nós temos muita capacidade e as Forças têm que priorizar esse material", afirmou o Brigadeiro Damasceno durante a cerimônia.

Para Gilberto André Buffara Junior, presidente da Stella Tecnologia, a assinatura representa um passo concreto na consolidação da capacidade industrial brasileira. "Este Protocolo materializa uma relação de confiança construída com base em engenharia, execução e entrega. Nosso compromisso é transformar projetos complexos em capacidades reais, com tecnologia nacional, disciplina técnica e foco absoluto nos interesses estratégicos do Brasil", declarou.

O executivo também destacou os desafios enfrentados pelo setor no Brasil e ressaltou a importância do apoio institucional da Defesa. "Talvez, precisemos mais da Defesa, mais do que em qualquer momento da história recente. Então, acho que esse é um grande passo. Muito obrigado por apoiar a indústria nacional, a nossa iniciativa", afirmou Buffara.

Albatroz Vortex: marco da propulsão a jato nacional
O protocolo é assinado em um momento de avanços concretos da Stella Tecnologia. Recentemente, a empresa anunciou o sucesso do voo de testes do Albatroz Vortex, aeronave não tripulada de alta performance desenvolvida integralmente no Brasil, equipada com uma turbina a jato nacional desenvolvida pela AERO Concepts.

O ensaio, realizado na Base Aérea de Santa Cruz, no Rio de Janeiro, validou o funcionamento do sistema propulsivo em condições reais de voo e a integração entre a turbina e a plataforma aérea — um dos principais desafios tecnológicos dessa classe de sistemas.

O Albatroz Vortex, com peso máximo de decolagem de aproximadamente 150 kg, amplia significativamente o envelope operacional da família de drones da Stella ao incorporar propulsão a jato, permitindo maiores velocidades, operação em altitudes elevadas e novas possibilidades de aplicação.

Esse marco posiciona o Brasil entre um seleto grupo de países capazes de desenvolver e integrar motores a jato a sistemas aéreos não tripulados, fortalecendo a autonomia tecnológica nacional.

Nova sede do INCAER reúne história e futuro
A assinatura do Protocolo ocorreu na sala de reuniões da nova sede do INCAER, espaço conhecido internamente como Nacele — em referência simbólica ao núcleo estrutural que sustenta e impulsiona sistemas aeronáuticos. O ambiente integra o conjunto de áreas restauradas do Instituto e foi concebido para sediar encontros institucionais de alto nível.

Inaugurada em janeiro de 2026, a nova sede do Instituto Histórico-Cultural da Aeronáutica marca um novo capítulo na preservação da memória, da cultura e da identidade institucional da Força Aérea Brasileira. Criado em 1986 e anteriormente sediado na histórica Estação de Hidroaviões do Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, o INCAER passou a operar em Brasília em um hangar histórico restaurado.

Sob a direção do Tenente-Brigadeiro do Ar Vincent Dang, o Instituto ampliou sua integração ao Comando da Aeronáutica e o alcance de suas atividades culturais, acadêmicas e institucionais. O novo espaço preserva elementos originais da estrutura e, ao mesmo tempo, incorpora soluções modernas para abrigar o acervo documental, exposições, áreas de pesquisa e ambientes destinados a atividades educativas e culturais.

Para Buffara, o local da cerimônia reforça o significado estratégico do momento. "Assinar este Protocolo em um ambiente que preserva a memória da Força Aérea Brasileira e, ao mesmo tempo, está voltado à reflexão estratégica e à inovação tecnológica dá ainda mais sentido ao compromisso que estamos assumindo com o país", afirmou.

Brasil na corrida tecnológica dos drones militares
A assinatura do protocolo ocorre em um contexto de crescente investimento das Forças Armadas brasileiras em tecnologia de drones. A Marinha do Brasil, por exemplo, ativou em dezembro de 2025 o Esquadrão de Drones Táticos de Esclarecimento e Ataque, marcando um salto conceitual e tecnológico com foco na prontidão operativa e no preparo para o enfrentamento de novas ameaças.

Em novembro de 2025, a Marinha finalizou testes pioneiros com drones táticos de ataque durante a Operação Furnas 2025. O protótipo, desenvolvido por militares do Batalhão de Combate Aéreo, possui 1,64 metro de envergadura, autonomia de até 25 minutos e é equipado com carga explosiva capaz de neutralizar veículos e aeronaves.

O Exército Brasileiro também tem acelerado a criação de novas unidades de drones, inspirado nas lições do conflito na Ucrânia. Segundo instrutores ucranianos que participaram de missões técnicas na Europa, a adaptação rápida às novas tecnologias se tornou uma questão de sobrevivência no campo de batalha moderno.

O Exército já opera o Nauru 1000, drone nacional com capacidade de decolagem de 180 quilos, autonomia de voo de até oito horas e velocidade de 110 km/h. O modelo combina sensores de alta resolução com oito motores independentes que garantem pousos e decolagens verticais autônomos.

Sobre a Stella Tecnologia
Fundada em 2015, a Stella Tecnologia é uma Empresa Estratégica de Defesa (EED) e referência no desenvolvimento, fabricação e operação de Sistemas Aéreos Não Tripulados (SANT) de última geração no Brasil.

Com sede em Duque de Caxias, no Rio de Janeiro, a empresa desenvolveu o Atobá, o maior VANT de classe MALE (Medium-Altitude Long-Endurance) já desenvolvido no país, com 8 metros de comprimento, 11 metros de envergadura e 500 kg de peso máximo de decolagem.

O primeiro voo do Atobá ocorreu em 20 de julho de 2020, data do aniversário de Alberto Santos Dumont. A aeronave possui autonomia de 28 horas, velocidade máxima de 180 km/h e capacidade de transportar 70 kg de carga útil, incluindo sensores avançados como câmeras Argos 8 da Hensoldt e radar de abertura sintética.

A empresa também desenvolveu o Albatroz, drone projetado especificamente para operações embarcadas no Navio-Aeródromo Multipropósito Atlântico da Marinha do Brasil, com capacidade de decolar em apenas 95 metros de pista.

Em abril de 2025, a Stella firmou parceria estratégica com o Grupo Thales, uma das maiores corporações globais em defesa e aeroespacial, para o desenvolvimento conjunto de sistemas embarcados de vigilância e defesa aplicáveis a veículos aéreos não tripulados.

Presenças ilustres na cerimônia
Prestigiaram a cerimônia de assinatura os Brigadeiros Vincent Dang, Diretor do INCAER; Ary Soares Mesquita, chefe do Gabinete do Comandante da Aeronáutica; Walcyr Josué de Castilho Araújo, chefe do Estado-Maior da Aeronáutica; Sérgio Rodrigues Pereira Bastos Júnior, Comandante-Geral do Pessoal; e Fábio Luís Morau, chefe da Sexta Subchefia do Estado-Maior da Aeronáutica.

Contexto internacional
A importância estratégica dos drones militares foi evidenciada nos conflitos recentes, particularmente na guerra entre Ucrânia e Rússia, onde sistemas não tripulados de diversos portes — desde pequenos drones comerciais adaptados até plataformas avançadas de ataque — transformaram as táticas de combate moderno.

Segundo levantamento da Business Research Insights de fevereiro de 2025, o mercado global de UAVs está em forte expansão, com previsão de crescimento anual entre 15% e 20%, impulsionado por inovações tecnológicas, maior aceitação regulatória e aumento de aplicações comerciais e de defesa.

Países como Estados Unidos, China, Israel, Turquia e Irã já consolidaram suas indústrias de drones militares. O Brasil, com a parceria entre Stella Tecnologia e a FAB, busca posicionar-se neste seleto grupo de nações com autonomia tecnológica no setor.

A parceria entre Stella Tecnologia e Força Aérea Brasileira reforça a estratégia de fortalecimento da base industrial e tecnológica de defesa do país, reduzindo dependências externas, estimulando o desenvolvimento nacional de tecnologias críticas e consolidando o Brasil como um dos protagonistas na América Latina no desenvolvimento de plataformas aéreas não tripuladas de alto desempenho. 

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