O Estreito de Ormuz foi efetivamente fechado (ou bloqueado para passagem de navios) pelo Irã a partir de 28 de fevereiro de 2026. A agência de notícias iraniana Tasnim (ligada ao governo e à Guarda Revolucionária Islâmica - IRGC) informou que o estreito foi fechado por motivos de segurança, após intensos ataques dos Estados Unidos e Israel contra o Irã. A Guarda Revolucionária emitiu avisos por rádio (transmissões VHF) para embarcações afirmando que "nenhum navio está autorizado a passar pelo Estreito de Ormuz", declarando a rota insegura.
*Juan Agullo via LinkedIn - 01/03/2026
"Se o Irã bloquear o Estreito de Ormuz, qual será o impacto em todo o mundo? E qual país será o mais afetado?
Primeiro, vamos entender o que é realmente o Estreito de Ormuz. É uma pequena área de apenas 33 quilômetros, localizada entre o Irã, Omã e os Emirados Árabes Unidos. É uma estreita passagem marítima por onde passa quase 20% do fornecimento mundial de petróleo, cerca de 17 milhões de barris todos os dias. Esse petróleo vem de oito países localizados no Golfo Pérsico, incluindo Irã, Iraque, Kuwait, Bahrein, Qatar, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos. Para a Arábia Saudita, Kuwait e Qatar, 90% de suas exportações de petróleo passam por essa rota estreita para chegar ao resto do mundo. Se o Irã bloquear o Estreito de Ormuz, os seguintes países sofrerão os maiores danos.
Primeiro é a Índia, porque ela importa 85% de seu petróleo, e 60% disso vem de países do Oriente Médio como Iraque, Arábia Saudita, Kuwait e Emirados Árabes Unidos. Os preços de combustível na Índia disparariam, e como resultado, tudo relacionado ao petróleo e todas as indústrias enfrentariam graves interrupções. Indústrias poderiam fechar. Haveria perdas de empregos, e a economia seria severamente afetada.
O segundo país mais afetado seria a China. A China é o maior importador de petróleo do mundo, trazendo 10 milhões de barris de petróleo todos os dias. 40% das importações de petróleo da China passam por esse Estreito de Ormuz. Embora a China tenha construído oleodutos com a Rússia e a Ásia Central, eles nem atendem a 20% de suas necessidades energéticas. Então, se o Estreito de Ormuz for bloqueado, a economia chinesa poderia sofrer um golpe massivo, e se a economia da China for abalada, seus efeitos serão sentidos em todo o mundo.
O terceiro país mais afetado seria o Japão, pois ele importa 90% de seu petróleo, e 75% disso passa pelo Estreito de Ormuz.
O quarto país mais afetado seria a Arábia Saudita. De 80 a 90% do petróleo da Arábia Saudita vai para o resto do mundo através do Estreito de Ormuz, enquanto apenas 10% vai para a Europa via sua costa no Mar Vermelho. Então, se esse ponto de estrangulamento for bloqueado, a economia da Arábia Saudita será fortemente impactada. Imagine que um país de repente perde 80 a 90% de sua receita. O que aconteceria com ele? Algo semelhante poderia acontecer com a Arábia Saudita. Há também uma grande chance de que a Arábia Saudita envie seu exército para reabrir a rota, e isso poderia piorar ainda mais a situação.
Quinto é o Paquistão, que obtém cerca de 90% de seu petróleo através do Estreito de Ormuz [NR: esse é um dado discutível]. Esse petróleo atende cerca de 27% das necessidades energéticas do país. Então, se a rota for bloqueada, os preços no Paquistão poderiam subir acentuadamente. Mas há uma reviravolta interessante. Como o Paquistão faz fronteira com o Irã, vários relatórios governamentais sugerem que 35% do diesel do Paquistão vem 'não oficialmente' do Irã. Então, se o Estreito for bloqueado, o Paquistão pode recorrer ao Irã para petróleo, seja de forma discreta ou por meio de um acordo oficial.
Em seguida vem os Emirados Árabes Unidos, porque quase 72% de suas exportações de petróleo dependem desse Estreito de Ormuz. O país tem uma opção de backup, o Oleoduto Habshan-Fujairah, que permite contornar o Estreito e exportar até 60% de seu petróleo. Mas para uma economia importante como a dos Emirados Árabes Unidos, perder os restantes 40% ainda seria um golpe sério.
Em seguida vêm os países europeus como França, Alemanha e Itália, que em média obtêm 10% de seu petróleo através do Estreito de Ormuz. Um bloqueio aqui os atingiria forte também.
Globalmente, especialistas alertam que os preços do petróleo poderiam ultrapassar US$ 150 por barril, [NR: preços plausíveis em bloqueio prolongado, embora a AIE estime em ~US$130] causando inflação generalizada e possivelmente desencadeando uma grande recessão global.
Então, essa pequena área de 33 quilômetros tem poder suficiente para abalar todo o mundo."

Nenhum comentário:
Postar um comentário
Seu comentário será submetido ao Administrador. Não serão publicados comentários ofensivos ou que visem desabonar a imagem das empresas (críticas destrutivas).