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25 maio, 2026

Brasil e EUA concluem primeiro teste balístico de munição de morteiro 120 mm de alcance estendido no Arizona

Parceria bilateral prevista no acordo PA-A-23-0001 avança com cerca de 40 disparos de protótipos no Campo de Provas de Yuma; segunda fase ocorrerá no Brasil até 2027, com foco na capacitação produtiva da IMBEL
 

 
*LRCA Defense Consulting - 25/05/2026

Uma comitiva do Sistema de Ciência, Tecnologia & Inovação do Exército Brasileiro (SCTIEx) realizou, no Campo de Provas de Yuma (Yuma Proving Ground, YPG), no estado do Arizona (EUA), o denominado "Teste Balístico #1" de uma munição de morteiro 120 mm de alcance estendido. A atividade é parte do Acordo de Projeto Bilateral PA-A-23-0001, identificado como 120mm Extended Range Mortar Ammunition (ERMA), firmado em 25 de setembro de 2023 durante o III Seminário do instrumento bilateral Brasil-EUA de Pesquisa, Desenvolvimento, Teste e Avaliação (RDT&E), realizado na sede do US Southern Command (SOUTHCOM), em Miami.
 
O objetivo do ERMA é desenvolver tecnologias que viabilizem a produção de munições de morteiro 120 mm capazes de alcançar alvos a mais de 15 quilômetros de distância, com plena interoperabilidade entre os sistemas de armas das duas nações. O acordo foi firmado pelo General de Divisão Armando Morado Ferreira, pelo Departamento de Ciência e Tecnologia do Exército Brasileiro, e pela representante norte-americana Sandra Long, do escritório de contratos DASA DE&C.
 
Teste Balístico #1: propulsão e estabilização sob avaliação
Na primeira fase das avaliações, conduzidas no YPG, as equipes concentraram esforços na validação do sistema de propulsão principal da munição, examinando três dimensões técnicas: a ignição do cartucho propelente, a queima das cargas de propulsão e os mecanismos mecânicos de obturação e estabilização da granada durante a trajetória. Ao longo das campanhas de tiro, foram executados cerca de 40 disparos com unidades prototipais, equipadas com instrumentação para medir com precisão a pressão interna da câmara e a velocidade de boca (muzzle velocity).
 
Os dados obtidos em campo confirmaram os conceitos de projeto elaborados previamente em laboratório e fornecerão base técnica para os ajustes de engenharia nas etapas subsequentes do programa. A escolha do YPG como cenário para os testes não é circunstancial: trata-se do principal campo de provas do Exército norte-americano, referência mundial em avaliações de munições e sistemas de armas de médio e grande calibre, com infraestrutura dedicada à instrumentação balística de alta precisão.
 
Missão interagências: CTEx, CAEx e IMBEL ao lado do DEVCOM-AC
A delegação brasileira foi liderada pelo Chefe do Centro de Avaliações do Exército (CAEx) e integrou engenheiros e técnicos do Centro Tecnológico do Exército (CTEx) e da Indústria de Material Bélico do Brasil (IMBEL). A contrapartida norte-americana foi coordenada pelo DEVCOM Armaments Center (DEVCOM-AC), sediado no Picatinny Arsenal, em New Jersey, principal centro de pesquisa e desenvolvimento de armamentos e munições do Exército dos EUA, e pelas equipes operacionais do próprio YPG.
 
A participação da IMBEL, estatal vinculada ao Ministério da Defesa, é estratégica para o projeto. Além de contribuir com expertise técnica nos testes, a empresa é a instituição designada para replicar, em território nacional, as capacidades produtivas que o programa pretende consolidar. O projeto envolve ainda o Instituto Militar de Engenharia (IME), a Diretoria de Fabricação (DF) e o Arsenal de Guerra do Rio de Janeiro (AGR), além do Departamento de Ciência e Tecnologia (DCT) como órgão supervisor.

 
Próximos passos: Teste Balístico #2 em solo brasileiro
O segundo grupo de atividades, denominado "Teste Balístico #2", está previsto para ocorrer em território nacional até o ano de 2027. Coordenado pelo CTEx e pelo CAEx, esse ciclo de avaliações terá como foco central a replicação das capacidades produtivas pela IMBEL, pavimentando o caminho para que o Brasil passe da fase de desenvolvimento para a de industrialização da munição ERMA.
 
O programa ERMA se insere em um contexto mais amplo de modernização do poder de fogo das forças terrestres brasileiras. O Morteiro Pesado 120 mm Raiado é um armamento já dotado nos Batalhões de Infantaria Blindados (BIB), nos Regimentos de Carros de Combate (RCC) e nas unidades de Cavalaria Blindada e Mecanizada. O alcance atual das munições convencionais para esse sistema fica aquém das capacidades buscadas por exércitos modernos para o fogo indireto em nível de batalhão; a munição de alcance estendido, com cobertura acima de 15 km, ampliaria significativamente o raio de ação tático dessas unidades.
 
O avanço registrado em Yuma representa mais um passo concreto na consolidação da parceria bilateral de pesquisa e desenvolvimento entre o Brasil e os Estados Unidos, formalizada no âmbito do instrumento RDT&E, e sinaliza o amadurecimento do SCTIEx como ator capaz de conduzir projetos de desenvolvimento de munições em cooperação com potências tecnológicas de primeira linha.
 

Acordo ERMA — dados principais

Acordo

PA-A-23-0001 (ERMA) — 25 set. 2023

Objetivo

Munição de morteiro 120 mm com alcance superior a 15 km

Teste Balístico #1

Campo de Provas de Yuma (YPG), Arizona — EUA

Disparos realizados

Cerca de 40 (unidades prototipais)

Parâmetros medidos

Pressão interna e velocidade de boca

Brasil (participantes)

CTEx, CAEx, IMBEL, IME, DF, AGR, DCT

EUA (participantes)

DEVCOM-AC (Picatinny Arsenal) e YPG

Teste Balístico #2

Território nacional — previsão até 2027

Foco da fase 2

Replicação das capacidades produtivas pela IMBEL

 

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