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28 junho, 2026

Dobslit é credenciada como Empresa Estratégica de Defesa pelo Ministério da Defesa

 

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LRCA Defense Consulting - 28/06/2026

A Dobslit Serviços e Tecnologias Quânticas anunciou ter recebido do Ministério da Defesa o credenciamento de Empresa Estratégica de Defesa (EED), distinção concedida a organizações consideradas essenciais para o desenvolvimento de competências tecnológicas de interesse nacional. Segundo a empresa, o reconhecimento consolida as tecnologias quânticas, computação quântica, comunicação quântica e sensoriamento quântico, como tema estratégico para a defesa, a segurança cibernética e a soberania tecnológica do Brasil.

O que é uma Empresa Estratégica de Defesa
A classificação de Empresa Estratégica de Defesa foi instituída pela Lei nº 12.598, de 2012, e teve seus critérios de credenciamento e descredenciamento atualizados pela Lei nº 14.459, de 2022, originada da Medida Provisória nº 1.123. De acordo com a norma, as EEDs são consideradas essenciais para a promoção do desenvolvimento científico e tecnológico brasileiro e fundamentais para a preservação da segurança e da defesa nacional contra ameaças externas. 

Para obter o credenciamento, a empresa precisa ter sede, administração e estabelecimento industrial no país, comprovar conhecimento científico ou tecnológico relevante e assegurar o controle acionário por brasileiros, admitida a participação estrangeira no capital. O processo é avaliado pela Comissão Mista da Indústria de Defesa (CMID), órgão assessor do Ministério da Defesa, após pré-cadastro da empresa no Sistema de Cadastramento de Produtos e Empresas de Defesa (SisCaPED). Até maio de 2024, segundo levantamento da Federação das Indústrias de Santa Catarina (FIESC), o ministério havia credenciado 235 empresas entre EEDs e Empresas de Defesa (ED), a maioria delas voltada a segmentos tradicionais da base industrial de defesa, como armamentos, blindados e sistemas navais e aeroespaciais.

A trajetória da Dobslit
Fundada em 2021 em São Carlos, no interior de São Paulo, a Dobslit se apresenta como pioneira no país em tecnologias quânticas de segunda geração. A empresa nasceu da parceria entre o engenheiro Carlos Speglich e o pesquisador Rogerio Ruivo, com a colaboração do professor Celso J. Villas-Bôas, do Departamento de Física da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), referência em óptica e informação quântica. 

Sediada no Supera Parque de Inovação e Tecnologia de Ribeirão Preto, a Dobslit chegou a inaugurar, em parceria com a francesa Atos, o que descreveu como o primeiro simulador de computador quântico da América Latina, e levou ao SENAI de São Caetano do Sul, em 2023, o primeiro computador quântico de uso educacional instalado no Brasil, um equipamento de mesa baseado em ressonância magnética nuclear fabricado pela chinesa SpinQ. Entre seus clientes e parceiros declarados estão o Centro de Inovação QuIIN, da Embraer, com quem desenvolve algoritmos quânticos aplicados à manutenção preditiva de aeronaves, além de projetos de simulação com a Embrapii.

O Kuapoã e a aposta em segurança quântica
Entre os produtos mais recentes da empresa está o Kuapoã, um gerador de números aleatórios quanticamente seguros (QRNG, na sigla em inglês) apresentado pela Dobslit como projetado e fabricado no Brasil. O equipamento, em formato de rack de 2U, utiliza a aleatoriedade intrínseca de processos fotônicos para gerar números que a empresa classifica como imprevisíveis e não replicáveis por sistemas clássicos, com aplicação na geração de chaves criptográficas, no fortalecimento de protocolos como VPN, TLS e PKI, e na proteção de sistemas governamentais e militares. Segundo o comunicado que anuncia o credenciamento como EED, a participação da Dobslit no desenvolvimento do Kuapoã é citada como uma das iniciativas que reforçam o compromisso da empresa com a soberania tecnológica nacional no campo quântico.

O interesse das Forças Armadas em criptografia pós-quântica
O comunicado da Dobslit agradece nominalmente ao Centro de Análises de Sistemas Navais (CASNAV), da Marinha do Brasil, por seu apoio às tecnologias emergentes do setor. O órgão, criado em 1975 e hoje com cerca de 250 profissionais dedicados a pesquisa operacional, computação, criptologia e segurança de sistemas digitais, tem ampliado nos últimos meses sua atuação em criptografia pós-quântica. Em 27 de maio, a Marinha realizou no Centro Tecnológico da Marinha no Rio de Janeiro (CTMRJ) o primeiro Simpósio de Criptografia Pós-Quântica de Defesa, reunindo pesquisadores, universidades e empresas para discutir os riscos que futuros computadores quânticos representam para os métodos de criptografia hoje empregados na proteção de comunicações estratégicas. 

Para o diretor do CASNAV, capitão de mar e guerra Hugo Leonardo Fernandes da Costa, o avanço da computação quântica representa um dos grandes desafios da atualidade para a proteção da informação, especialmente no contexto da defesa, em que a segurança das comunicações e a preservação da soberania nacional possuem caráter estratégico.

Contexto internacional
O credenciamento da Dobslit ocorre em um momento de crescente atenção global às tecnologias quânticas de defesa. Segundo o próprio comunicado da empresa, diversos países têm realizado investimentos bilionários no setor, reconhecendo seu potencial para alterar o equilíbrio tecnológico, econômico e geopolítico nas próximas décadas. No Brasil, o tema ainda carece de uma política nacional consolidada, embora instituições de pesquisa e financiamento, como o Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF) e a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), já tenham direcionado recursos à área; o CBPF inaugurou em junho deste ano um laboratório de tecnologias quânticas no Rio de Janeiro, fruto de um aporte de R$ 30 milhões com participação de MCTI, CNPq, Finep, Faperj, Fapesp e Petrobras. 

Com o credenciamento como EED, a Dobslit passa a integrar oficialmente a base industrial de defesa brasileira como representante das tecnologias quânticas, segmento até então pouco presente entre as empresas credenciadas pelo Ministério da Defesa, tradicionalmente concentradas em armamentos, plataformas e sistemas convencionais.

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