Presidente Asfura e alto comando das Forças Armadas receberam demonstração da aeronave brasileira em Tegucigalpa; nenhum contrato foi anunciado, mas visita ocorre em paralelo à repotenciação dos T-27 já em serviço
*LRCA Defense Consulting - 04/06/2026
O aeródromo da Base Aérea Coronel Hernán Acosta Mejía, em Tegucigalpa, recebeu na última semana o avião demonstrador do A-29 Super Tucano, turboélice de ataque leve da Embraer. A visita reuniu o presidente constitucional e comandante-geral das Forças Armadas de Honduras, Nasry Juan Asfura Zablah, o secretário de Defesa, Enrique Rodríguez Burchard, o chefe do Estado-Maior Conjunto, general Héctor Benjamín Valerio Ardón, e o comandante da Fuerza Aérea Hondureña (FAH), general Walter Yanuario Paz López. A embaixadora brasileira em Honduras, Andrea Watson, e representantes da Embraer completaram a delegação.
Durante o evento, o diretor de Desenvolvimento de Negócios da Embraer, Alfredo Roberto, apresentou as capacidades da aeronave em missões de vigilância aérea, patrulha de fronteiras, reconhecimento armado, treinamento avançado e defesa do espaço aéreo. Nenhum contrato ou carta de intenções foi anunciado publicamente.
Frota envelhecida
e duas frentes de modernização
A avaliação do A-29
ocorre em contexto de renovação parcial da aviação de ataque hondurenha. A FAH
opera há décadas aeronaves com limitações crescentes de manutenção: os caças Northrop
F-5E/F Tiger II, recebidos a partir de 1987, enfrentam décadas de restrição
no fornecimento de peças de reposição pelos Estados Unidos, e os Cessna
A-37B Dragonfly acumulam velhice similar.
Em paralelo à demonstração do A-29, as Forças Armadas apresentaram ao presidente Asfura os resultados de um programa interno de modernização e repotenciação da frota de Embraer T-27 Tucano já em serviço. Um dos aviões realizou seu primeiro voo de retorno ao serviço ativo em 23 de maio de 2026, após 13 anos imobilizado. A aeronave será empregada em missões contra o narcotráfico e na vigilância do espaço aéreo, segundo as Forças Armadas.
A presença da embaixadora brasileira nas duas ocasiões, tanto na cerimônia do T-27 quanto na demonstração do A-29, reforça o papel diplomático do Brasil no processo. O governo hondurenho não divulgou estimativa de custo nem cronograma para eventual aquisição.
Embraer amplia
penetração na América Central e no Caribe
Caso Honduras
confirme a compra, será o terceiro país da América Central e do Caribe insular
a operar o Super Tucano. A República Dominicana adquiriu a aeronave há
mais de 15 anos, e o Panamá assinou contrato recente para equipar seu Serviço
Nacional Aeronaval (Senan) com o modelo. A aeronave também foi adquirida
recentemente pelo Uruguai (primeiras duas unidades entregues em fevereiro de
2026) e pelo Paraguai.
Com mais de 290 pedidos registrados e presença em 22 forças aéreas ao redor do mundo, o A-29 acumula mais de 570 mil horas de voo, sendo ao menos 60 mil em combate. A Embraer anunciou ainda que capacidades contra sistemas não tripulados (C-UAS) serão incorporadas ao modelo a partir do segundo semestre de 2026, ampliando seu portfólio operacional. A variante A-29N, alinhada com requisitos da OTAN, foi selecionada por Portugal.
Perspectiva
industrial
Para a Embraer,
Honduras representa uma oportunidade de expansão em um mercado onde a empresa
já detém laços históricos: os T-27 Tucano da FAH são de fabricação
brasileira, e a empresa brasileira conduz o programa de repotenciação em
andamento. Analistas do setor apontam que a visita presidencial ao demonstrador
é um indicativo relevante de que a aeronave está entre as principais candidatas
para os planos de modernização de médio prazo da força aérea hondurenha, embora
Honduras ainda não tenha formalizado nenhum programa de aquisição.

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