Plataforma robótica nacional, fabricada por empresa recém-credenciada como Empresa Estratégica de Defesa (EED), foi avaliada em cenários de alto risco durante a Operação Furnas 2026, em Minas Gerais
*LRCA Defense Consulting - 08/07/2026
O robô terrestre T-BOT, desenvolvido pela empresa mineira Treffer e recentemente incorporado pela Marinha do Brasil, participou de testes operacionais realizados durante a Operação Furnas 2026, no Lago de Furnas (MG). A informação foi divulgada pela própria fabricante em 7 de julho, em matéria publicada no site institucional da empresa. Segundo a Treffer, a plataforma foi empregada na validação de suas capacidades em cenários de alto risco, apoiando missões de reconhecimento remoto, inspeção de áreas de difícil acesso e apoio a operações de identificação e neutralização de artefatos explosivos.
De acordo com a empresa, o emprego do T-BOT integra a estratégia da Marinha de incorporar tecnologias capazes de ampliar a segurança das equipes e a eficiência das operações, permitindo que atividades potencialmente perigosas sejam executadas remotamente e reduzindo a exposição de militares a situações de risco.
Como foram os testes
Os exercícios em
Furnas submeteram o T-BOT a diferentes desafios de mobilidade, buscando
reproduzir condições próximas às de missões reais, segundo relato da Treffer.
Entre os testes estiveram deslocamentos em terrenos irregulares, rampas,
trechos de lama e vegetação, além de obstáculos naturais e artificiais. Além da
avaliação de mobilidade, o equipamento foi empregado em atividades de
aproximação segura, reconhecimento remoto e apoio a equipes especializadas na
neutralização de artefatos explosivos, funções conhecidas no jargão militar
pela sigla em inglês EOD (explosive ordnance disposal).
O que é o T-BOT
Desenvolvido no
Brasil, o T-BOT é uma plataforma robótica modular projetada para aplicações em
defesa, segurança pública, mineração, óleo e gás e outros ambientes de alto
risco. Sua arquitetura permite operação sobre rodas ou esteiras, o que
possibilita adaptar o equipamento às características de cada missão e às
diferentes condições de terreno.
Entre as
características do robô estão a operação remota, com possibilidade de evolução
para funções autônomas supervisionadas, mobilidade em diferentes tipos de
terreno, autonomia de até oito horas e capacidade para transportar cargas
superiores a 100 kg. A plataforma também conta com integração a câmeras HD,
sensores embarcados e braço robótico para manipulação remota de objetos,
segundo especificações divulgadas pela fabricante.
Uma fabricante recém-chegada ao grupo das EED
A Treffer,
sediada em Belo Horizonte, atua na importação e distribuição de equipamentos de
automação, robótica e mineração, além de fabricar robôs autônomos próprios,
caso do T-BOT. Em janeiro deste ano, a empresa obteve do Ministério da Defesa a
certificação de Empresa Estratégica de Defesa (EED), condição prevista na Lei
nº 12.598/2012 para pessoas jurídicas sediadas no país que desenvolvam produtos
de defesa com tecnologia própria ou em parceria com instituições científicas
nacionais.
A certificação como EED abre à empresa a possibilidade de participar de licitações restritas a fornecedores credenciados, acesso a regimes tributários especiais e a linhas de financiamento voltadas a projetos de defesa, além de cobertura de crédito à exportação por meio do Fundo de Garantia à Exportação (FGE). Para o setor, a Treffer soma-se ao grupo ainda reduzido de empresas nacionais dedicadas a plataformas robóticas terrestres com essa credencial.
A Operação Furnas 2026
A participação do
T-BOT ocorreu no âmbito da Operação Furnas 2026, exercício conduzido pelo Corpo
de Fuzileiros Navais na região do Lago de Furnas, em Minas Gerais, iniciado em
22 de junho e que mobiliza cerca de 2 mil militares, veículos blindados, aeronaves
e observadores de países parceiros. O exercício reúne treinamento de operações
ribeirinhas, missões de paz e apoio à defesa civil, e vem sendo utilizado pela
Marinha como ambiente de validação prática de sistemas desenvolvidos por
empresas da Base Industrial de Defesa (BID), tendência que já havia colocado em
teste, na mesma edição, o simulador de tiro do míssil MAX 1.2 AC, da SIATT.
Em edição anterior do mesmo exercício, a Operação Furnas 2025, a Marinha já havia utilizado o ambiente para finalizar os testes de lançamento de seu primeiro drone tático de ataque, desenvolvido internamente pelo Batalhão de Combate Aéreo do Corpo de Fuzileiros Navais. A recorrência do uso de Furnas para validação de novos equipamentos reforça o papel do exercício como laboratório de inovação da Força.
Não é o primeiro contato do T-BOT com a Marinha
O emprego em
Furnas não é a primeira aparição do T-BOT junto à Força. Em junho deste ano, o
robô já havia sido utilizado por Fuzileiros Navais em treinamento realizado no
Rio de Janeiro e em São Gonçalo, no âmbito da preparação de tropas para
certificação da Organização das Nações Unidas (ONU) em missões de paz, segundo
divulgação anterior da própria Treffer.
O que ainda não foi confirmado
Nem a Treffer nem
a Marinha do Brasil divulgaram, até a publicação desta matéria, valores ou
quantidade de unidades envolvidas na incorporação do T-BOT pela Força, tampouco
a modalidade contratual da aquisição. As informações sobre os testes em Furnas
têm como fonte exclusiva o material divulgado pela fabricante; a reportagem não
localizou, até o momento, nota oficial da Marinha sobre o episódio específico.



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