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23 agosto, 2026

Avibras Aeroco: o comprador tem nome, sobrenome e não é nem JBS nem J&F

Family office pessoal de Joesley e Wesley Batista afirma ao órgão antitruste e em comunicado próprio que a estrutura usada na compra está fora do conglomerado J&F; a JBS não tem qualquer participação na operação



*LRCA Defense Consulting - 23/08/2026

A compra da totalidade da Nova AVB S.A., controladora da Avibras Aeroco, está sendo feita pela Globe Investimentos S.A., family office pessoal dos irmãos Joesley e Wesley Batista, e não pela J&F Investimentos S.A., a holding empresarial da família, nem pela JBS, a companhia de alimentos controlada por ela. A distinção consta tanto do pedido de aprovação submetido ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) quanto de comunicado divulgado pela própria Globe, segundo reportagem da Folhapress publicada pelo Jornal de Brasília em 22 de agosto. O esclarecimento contrasta com boa parte da cobertura sobre o negócio, que vem descrevendo a operação genericamente como uma compra pela "J&F" ou pelo "Grupo J&F".

O que os Batista disseram ao Cade 
No pedido submetido ao Cade, os advogados do grupo e da Avibras solicitaram que a análise da operação ocorresse pelo rito sumário, reservado a negócios considerados de baixo risco concorrencial. Segundo o requerimento, a operação não seria capaz de gerar efeitos concorrenciais relevantes, dada a ausência de sobreposição entre as atividades das partes nos mercados envolvidos. Os advogados afirmaram ainda que nenhuma empresa da J&F detém participação igual ou superior a 10% no capital social de qualquer outra companhia brasileira ligada ao mercado aeroespacial ou de defesa. O texto do pedido também descreve o interesse dos Batista na aquisição: soluções de defesa como o sistema de artilharia Astros, mísseis, foguetes, veículos espaciais e produtos para o setor espacial civil, como propulsores e foguetes de treinamento.

Globe, J&F e JBS: estruturas distintas 
A reportagem é direta ao afirmar que a compra da Avibras será feita por meio da Globe Investimentos, family office dos irmãos Batista que não integra o conglomerado J&F, do qual fazem parte empresas como a JBS, a Âmbar Energia, a Eldorado Papel e Celulose e o banco Original. Em comunicado próprio, citado por outro veículo que também apurou o caso, a Globe afirmou que o investimento seria realizado por meio do patrimônio de investimentos pessoais da família Batista, sem integrar a estrutura da J&F S.A. A JBS, companhia de alimentos com ações negociadas em bolsa, não é mencionada em nenhuma das fontes consultadas como parte da operação.

Ainda assim, a J&F aparece no processo submetido ao Cade, já que o pedido cita todos os atos de concentração notificados pela holding ao órgão nos últimos cinco anos, além de suas demonstrações financeiras mais recentes. A menção decorre de exigências regulatórias sobre a composição do grupo econômico dos compradores, e não de uma participação direta da J&F no negócio.

A ponte entre as duas estruturas 
A confusão entre Globe e J&F tem uma explicação prática: as duas estruturas compartilham quadros de gestão. A presidência da Globe é ocupada por Aguinaldo Gomes Ramos Filho, sobrinho de Joesley e Wesley Batista, que também ocupou a presidência da própria holding J&F Investimentos a partir de 2021 e exerceu outros cargos executivos no grupo, como a administração da LHG Mining. Foi esse mesmo padrão que se repetiu na compra de 4,99% do capital da Usiminas junto à CSN, em julho de 2025: a operação também foi conduzida pela Globe Investimentos, e reportagens da época já registravam que o veículo pertence diretamente à família Batista, sem integrar formalmente a holding J&F.

O contexto da Avibras
A Avibras Indústria Aeroespacial entrou em recuperação judicial em março de 2022 e permaneceu cerca de três anos com a produção parada, após uma greve de funcionários por falta de pagamento. A Avibras Aeroco, criada em outubro de 2025 para receber os ativos estratégicos e o portfólio tecnológico da companhia antiga, não teve faturamento naquele ano e só voltou a operar em maio de 2026, depois de uma captação de R$ 300 milhões junto a investidores brasileiros, entre eles Joesley Batista. Historicamente, a Avibras teve como clientes países como Arábia Saudita, Catar, Indonésia e Malásia, e forneceu equipamentos usados nas guerras Irã-Iraque e do Golfo, nas décadas de 1980 e 1990. Em julho, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva visitou a fábrica da empresa em Jacareí e defendeu mais investimentos nas Forças Armadas brasileiras.

O que ainda depende de aprovação 
Apesar da assinatura do contrato entre as partes, a operação ainda não foi concluída e depende do aval do Cade. A Avibras Aeroco confirmou, em comunicado ao mercado de 21 de agosto, que a transação foi submetida à análise do órgão antitruste e que o negócio só se concretiza caso seja aprovado e desde que sejam finalizados os trâmites de fechamento.

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