Unidade realizou o primeiro lote de granadas AE M107 com TNT na Nova Planta de Carregamento, etapa que marca a validação operacional da estrutura inaugurada em 2025
*LRCA Defense Consulting - 01/08/2026
Nesta quinta-feira (30), a IMBEL realizou, na Fábrica de Juiz de Fora (FJF), em Minas Gerais, o primeiro carregamento de um lote de granadas AE M107 de 155 mm com TNT na Nova Planta de Carregamento (NPC) da unidade. A operação marca o início de uma sequência de atividades voltadas ao refinamento contínuo dos processos operacionais da planta, com foco na validação de equipamentos e sistemas, no aperfeiçoamento dos procedimentos produtivos e na garantia de conformidade com os requisitos normativos de qualidade e segurança.
O processo teve início com a entrada, pelo túnel de pré-aquecimento, do carro de transporte de granadas, movimentado pelo sistema indexador até a Estação de Carregamento. Ali ocorreu o preenchimento das granadas com explosivo fundido, previamente preparado nas Cubas de Fusão e transferido por meio da Cuba de Vazamento. Cada granada foi carregada até o massalote, concluindo o processo de enchimento e liberando o conjunto para a etapa seguinte.
Na etapa de resfriamento, o carro foi direcionado a uma cabine específica, onde ferramentas de aquecimento, previamente ajustadas, promoveram uma solidificação controlada do explosivo. O procedimento assegura uma carga isenta de defeitos internos, contribuindo para a qualidade, a confiabilidade e a segurança do produto final.
Segundo a IMBEL, a operação representa um marco no processo de integração e operação da NPC, permitindo a consolidação dos parâmetros de processo e a coleta de dados essenciais para a otimização contínua da produção. Os resultados obtidos devem servir de base para o aperfeiçoamento das rotinas operacionais, fortalecendo a capacidade produtiva da Empresa e reafirmando seu compromisso com a excelência, a segurança e a qualidade dos produtos.
Da inauguração à
validação operacional
A NPC foi
inaugurada em cerimônia realizada em Juiz de Fora no início de agosto de 2025,
com a presença de autoridades militares e de representantes de empresas
parceiras da Base Industrial de Defesa (BID). Na ocasião, o diretor-presidente
da IMBEL, general de divisão veterano Ricardo Rodrigues Canhaci, destacou que a
nova estrutura representa um passo importante para a garantia da soberania
nacional, ressaltando que ela resulta da evolução de uma planta originalmente
importada, hoje modernizada pela engenharia nacional.
O chefe da fábrica de Juiz de Fora, coronel veterano Renato Mitrano Perazzinni, explicou que a instalação eleva a capacidade de carregamento de granadas e cabeças de guerra em calibres entre 60 mm e 155 mm, incluindo versões de alcance estendido, carga oca e explosivos insensíveis, estes últimos voltados à redução de riscos de acidentes no manuseio e no transporte. Segundo ele, o avanço abrange também a nacionalização, a independência e o domínio técnico dos sistemas capazes de fabricar essas munições.
Um capítulo na
trajetória da FJF
A Fábrica de Juiz
de Fora integra o Sistema de Ciência e Tecnologia (SCT) do Exército Brasileiro
e detém exclusividade na fabricação de munições para a Força Terrestre. Suas
origens remontam a 1934, quando foi criada como Fábrica de Estojos e Espoletas
de Artilharia (FEEA), designação alterada para FJF em 1939.
O início das operações da NPC dá sequência a um processo de nacionalização já em curso na unidade. Em 2022, a fábrica entregou ao Exército Brasileiro o primeiro lote do Tiro 155 mm M107 fabricado integralmente no País, com componentes como o corpo da granada, as estopilhas MK2A4 e M82 e a carga de projeção M3A1 produzidos sem dependência de fornecedores estrangeiros.
A validação da NPC deve ampliar o portfólio de carregamento da IMBEL e reduzir a dependência externa em um segmento considerado estratégico para as Forças Armadas, consolidando a Empresa como fornecedora nacional de munições de artilharia de médio e grande calibre.

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