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29 outubro, 2026

Gripen amplia suas capacidades com sensores de reconhecimento e ataque de precisão

Ensaios realizados pela FAB com os sistemas RECCELITE e Litening representam um avanço na evolução multifuncional do F-39 e reforçam a perspectiva de substituição do A-1M AMX



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LRCA Defense Consulting - 29/10/2026 - 11h21

A Força Aérea Brasileira (FAB) realizou, entre 6 e 8 de outubro de 2026, na Base Aérea de Anápolis (GO), os primeiros voos do F-39 Gripen equipado com os sistemas RECCELITE e Litening, fabricados pela israelense Rafael. Os ensaios, divulgados oficialmente em 28 de outubro, marcam uma nova etapa do Projeto F-X2: a incorporação progressiva de recursos destinados ao reconhecimento tático e à designação de alvos para armamentos de precisão.

Os voos fizeram parte dos Testes de Aceitação em Solo e em Voo (SAT, do inglês Site Acceptance Test) dos dois sistemas. Além das atividades aéreas, a etapa incluiu o recebimento e a verificação das estações e dos equipamentos de solo, bem como avaliações de conectividade e integração. A campanha reuniu militares da FAB e representantes da Embraer, da sueca Saab e da Rafael, com o objetivo de verificar e validar o funcionamento dos equipamentos e sua integração ao caça.

Segundo a revista Tecnodefesa, os voos foram realizados com o Gripen FAB 4100, aeronave empregada pela Saab e pela Embraer no desenvolvimento e na campanha de ensaios do caça, em coordenação com o Centro de Ensaios em Voo do Gripen (GFTC) e o Centro de Projetos e Desenvolvimento do Gripen (GDDN).

Embora a etapa confirme avanços concretos, não equivale à declaração de que essas capacidades já estejam plenamente incorporadas ao emprego operacional do F-39. A própria FAB prevê importantes avanços ao longo de 2027. 


Sensores complementares para reconhecer e atacar 
Instalados externamente na aeronave, os dois pods são visualmente semelhantes, mas exercem funções distintas e complementares. O RECCELITE, desenvolvido para missões de inteligência, vigilância e reconhecimento, emprega sensores eletro-ópticos e infravermelhos capazes de obter imagens de alta resolução a grandes distâncias, de dia e à noite. O sistema permite monitorar extensas áreas e reunir informações detalhadas sobre o terreno e pontos de interesse, apoiando o planejamento e a execução das operações.

O Litening, por sua vez, reúne sensores de alta resolução, câmeras infravermelhas e recursos de rastreamento para detectar, identificar e acompanhar alvos a grandes distâncias, inclusive em condições de baixa luminosidade e quando estão em movimento. Sua tecnologia de designação por laser orienta armamentos compatíveis até os alvos, e seus recursos também contribuem para a avaliação dos resultados das missões. De acordo com a Tecnodefesa, entre as armas compatíveis estão as bombas Lizard, Paveway e L-JDAM; a FAB e a Saab já testaram o lançamento da bomba guiada LIZARD III pelo Gripen durante a Operação Thor, em Natal (RN).

A cobertura especializada identifica as versões submetidas a ensaio como RECCELITE XR e Litening G5; o comunicado oficial da FAB, porém, utiliza apenas as denominações RECCELITE e Litening.

Essa complementaridade permite que uma mesma plataforma desempenhe missões de vigilância, reconhecimento e ataque, respeitadas as configurações de equipamentos e armamentos e as etapas de certificação exigidas para cada tipo de emprego.

A transmissão de dados é tão importante quanto a imagem 
Um dos aspectos mais significativos da campanha é a conexão entre a aeronave e as equipes que exploram as informações em terra. O RECCELITE dispõe de recursos de transmissão e processamento de dados em tempo real, o que permite analisar em estações de solo as imagens captadas durante o voo, contribuindo para a consciência situacional e a tomada de decisões.

O tenente engenheiro Nickolas Batista Mendonça Machado, responsável pela equipe técnica da FAB envolvida no SAT, ressaltou que o voo é apenas uma parte da missão de reconhecimento, que também envolve o planejamento feito pelos operadores da estação de solo e a análise posterior das imagens. Segundo ele, o principal diferencial dos novos equipamentos é a capacidade de datalink, "que permite ao operador acompanhar em tempo real ao longo do voo o cumprimento da missão; e o recebimento de imagens também em tempo real, permitindo uma análise de toda a inteligência que está sendo coletada pela aeronave".

Na prática, essa capacidade pode encurtar o intervalo entre a observação de determinada área, a interpretação das informações e sua utilização no processo decisório. A integração dos sensores, portanto, não deve ser compreendida apenas como a adição de equipamentos ao caça: ela envolve uma cadeia de reconhecimento que inclui planejamento, aquisição de imagens, enlaces de dados, estações terrestres e operadores especializados. A eficácia do conjunto dependerá da maturidade de todos esses elementos.

A transição das missões do AMX para o Gripen 
Os ensaios também têm importância para o futuro das missões hoje realizadas pelo A-1M AMX, aeronave que a FAB emprega em atividades de ataque e reconhecimento. Segundo a Tecnodefesa, as poucas unidades restantes do jato ítalo-brasileiro (cerca de seis) estão concentradas no Esquadrão Poker (1º/10º GAV), sediado na Base Aérea de Santa Maria (RS), que já utiliza o Litening e o RECCELITE em versões de geração anterior às que equiparão o Gripen.

A integração de equipamentos mais modernos ao F-39 constitui, assim, uma etapa tecnológica relevante para a transferência dessas missões à nova plataforma. Isso não significa, contudo, que a substituição operacional esteja concluída: ela exige, além dos sensores, a validação de armamentos, procedimentos, treinamento, infraestrutura e doutrina de emprego.

A Tecnodefesa informa que os Gripens deverão iniciar a operação em Santa Maria a partir de 2029, já capazes de desempenhar as missões hoje atribuídas aos A-1. Trata-se de uma perspectiva divulgada pela publicação especializada, e não de um cronograma confirmado no comunicado da FAB sobre os testes de outubro.

Duas frentes de evolução no programa F-X2 
Os testes em Anápolis começaram no mesmo dia em que o primeiro Gripen E produzido no Brasil realizou seu voo inaugural. Em 6 de outubro, às 10h21, a aeronave decolou do aeródromo da Embraer em Gavião Peixoto (SP), conduzida pelo piloto de provas chefe da Saab, Jakob Högberg, no que foi classificado como o primeiro teste de aceitação de produção. Concluída essa campanha, o caça será certificado e transferido para o 1º Grupo de Defesa Aérea (1º GDA), em Anápolis, que opera atualmente dez Gripens. Trata-se do primeiro de 15 exemplares previstos para produção no País.

As duas atividades foram distintas, mas revelam frentes complementares do programa: a consolidação da capacidade industrial brasileira e a expansão gradual das funções operacionais da aeronave.

O contrato do F-X2, assinado em 2014, contempla 36 caças Gripen (28 monopostos e oito bipostos), além de transferência de tecnologia e participação da indústria nacional. Em 21 de julho de 2026, durante o Farnborough International Airshow, Saab e Embraer assinaram um acordo preliminar (Heads of Agreement) para a potencial produção de 20 Gripen adicionais em Gavião Peixoto, conforme noticiou o LRCA. A evolução do projeto depende, portanto, tanto da fabricação e sustentação da frota quanto da incorporação sucessiva de capacidades de missão.

Um avanço concreto, ainda em desenvolvimento 
A incorporação do RECCELITE e do Litening amplia o horizonte de emprego do Gripen brasileiro e fortalece a perspectiva de concentrar em uma plataforma moderna funções hoje distribuídas entre diferentes aeronaves da FAB. Especialmente relevante é a possibilidade de combinar reconhecimento de alta resolução e ataque de precisão com uma arquitetura de transmissão de informações para os escalões de decisão.

O alcance efetivo desse salto, contudo, somente poderá ser medido à medida que as etapas de integração, certificação, treinamento e avaliação operacional sejam concluídas. Por enquanto, o resultado confirmado é importante e específico: a FAB executou ensaios de aceitação em solo e em voo dos sistemas, preparando a evolução dessas capacidades ao longo de 2027.

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