Acordo formaliza colaboração voltada ao desenvolvimento de capacidades avançadas de reabastecimento em voo; a LRCA Defense Consulting havia antecipado a aliança em agosto de 2025 e em fevereiro de 2026
*LRCA Defense Consulting - 19/02/2026
A Embraer e a Northrop Grumman Corporation tornaram pública, nesta quinta-feira (19), uma parceria estratégica para o desenvolvimento conjunto de capacidades avançadas de mobilidade aérea, com foco no KC-390 Millennium. O acordo confirma o que esta Consultoria havia antecipado com precisão: em 5 de agosto de 2025, a LRCA Defense Consulting publicou análise identificando as negociações em curso entre as duas empresas, e em 1º de fevereiro de 2026 reforçou os indícios da parceria iminente, apontando que se tratava da iniciativa mais promissora da Embraer para conquistar o mercado militar dos Estados Unidos.
O comunicado conjunto divulgado pelas empresas detalha que a colaboração visa fornecer um sistema de reabastecimento aéreo de última geração para a Força Aérea dos Estados Unidos e para nações aliadas. O foco imediato é o desenvolvimento do KC-390 Multi-Mission Tanker, com ênfase em uma lança de reabastecimento autônoma avançada, o chamado boom rígido, além de comunicações aprimoradas, sistemas de consciência situacional, opções de sobrevivência e sistemas de missão adaptáveis.
Uma parceria construída sobre complementaridade técnica
A lógica do acordo é clara: a Embraer detém uma plataforma aeronáutica
moderna, operacionalmente comprovada e com boa relação custo-benefício,
enquanto a Northrop Grumman traz consigo décadas de experiência em sistemas de
reabastecimento aéreo e um relacionamento consolidado com o Pentágono. Trata-se
exatamente da combinação que a Embraer buscava desde o encerramento de sua
parceria com a L3Harris, no final de 2024, empresa com a qual havia trabalhado
no conceito "Agile Tanker" desde 2022.
Tom Jones, Vice-Presidente Corporativo e Presidente da Northrop Grumman Aeronautics Systems, destacou que a iniciativa visa "suprir a lacuna em soluções avançadas de mobilidade aérea em nível global", ressaltando o foco na autonomia e eficiência operacional dos países aliados. Bosco da Costa Junior, Presidente e CEO da Embraer Defesa e Segurança, foi direto ao ponto: "O KC-390 é uma plataforma comprovada operacionalmente e com boa relação custo-benefício, que poderia ser rapidamente incorporada ao inventário da Força Aérea dos EUA."
O KC-390 e o programa NGAS
O pano de fundo estratégico é o programa Next Generation Air Refueling
System (NGAS) da USAF, destinado a substituir os antigos KC-135, parte da frota
de reabastecimento americano que data da década de 1950. Conforme antecipado
por esta Consultoria, a Embraer já havia respondido a uma solicitação de
informações sobre sistemas de missão NGAS e mantinha contato ativo com a Força
Aérea americana. A nova parceria com a Northrop Grumman eleva substancialmente
as credenciais da candidatura do KC-390, uma vez que associa a aeronave
brasileira a uma das empresas mais influentes do complexo industrial-militar
dos Estados Unidos.
A aeronave possui características que se alinham ao conceito de Agile Combat Employment (ACE) da USAF: capacidade de operar em pistas precárias, reconfiguração entre missões em horas por meio de kits roll-on/roll-off, velocidade de cruzeiro de Mach 0,8 com motores Pratt & Whitney, e taxas de disponibilidade operacional superiores a 93%. Mais de 50% dos materiais de cada aeronave são fornecidos por 59 empresas aeroespaciais americanas, o que facilita a conformidade com o Buy American Act.
Uma campanha longa, agora com novo combustível
A parceria com a Northrop Grumman é a terceira grande tentativa da Embraer
de fixar o KC-390 no mercado americano. A primeira, com a Boeing, foi anunciada
em novembro de 2019 e encerrada unilateralmente pela empresa americana em abril
de 2020. A segunda, com a L3Harris, foi dissolvida no final de 2024 por
"prioridades diferentes". As duas experiências, embora frustradas,
ensinaram a Embraer a buscar um parceiro com complementaridade técnica mais
evidente, e a Northrop Grumman preenche esse requisito com folga,
especialmente no que diz respeito ao boom de reabastecimento rígido,
tecnologia que o KC-390 ainda não possui em sua configuração atual.
Paralelamente à parceria, a Embraer segue com sua estratégia comercial multifacetada para os EUA: planos de estabelecer uma linha de montagem no país com investimentos entre US$ 500 milhões e US$ 1 bilhão, criação de 2.500 empregos de alta tecnologia, e uma proposta ousada de tarifa zero em troca de produção local, resposta direta às tarifas de 10% impostas pela administração Trump. A empresa projeta exportações de US$ 13 bilhões ao mercado americano até 2030.
Em outubro de 2025, integrantes do Departamento de Defesa da Embaixada dos EUA visitaram a Base Aérea de Anápolis para conhecer o KC-390 em operação com o Esquadrão Zeus. Antes disso, Bosco da Costa Junior havia se reunido com o Secretário de Defesa americano Pete Hegseth durante o Shangri-La Dialogue, em Singapura. Esses contatos diplomáticos de alto nível, combinados com matérias patrocinadas em portais especializados como o Breaking Defense e postagens coordenadas de executivos-chave no LinkedIn, compõem uma campanha que esta Consultoria descreveu, em fevereiro, como "a mais estruturada e agressiva da empresa para conquistar o mercado americano".
O papel de Portugal
A parceria ora anunciada também beneficia Portugal, primeiro cliente
internacional do KC-390 e parceiro industrial estratégico da Embraer. A OGMA,
empresa aeroespacial controlada em 65% pela Embraer e 35% pelo governo
português, fabrica componentes críticos da aeronave, incluindo a fuselagem
central. Uma eventual adoção do KC-390 pela Força Aérea americana
representaria, para Portugal, um efeito multiplicador que ampliaria a produção
na OGMA, reforçaria o papel do país como hub europeu de manutenção e
consolidaria a Base Aérea nº 11 como centro de excelência em treinamento, posição que Portugal já começou a construir ao ser o primeiro membro da OTAN a
operar o tipo.
Perspectivas
A formalização da parceria com a Northrop Grumman representa um salto
qualitativo na campanha da Embraer. Diferentemente dos acordos anteriores, este
une uma plataforma comprovada a uma empresa com relacionamento orgânico com o
Pentágono e expertise direta na tecnologia que faltava ao KC-390. O
comunicado conjunto menciona explicitamente os investimentos coordenados das
duas empresas e o foco na "entrega rápida de capacidades às forças
armadas", linguagem que sugere alinhamento com as urgências operacionais
que a USAF tem sinalizado.
O desfecho desta parceria, e da candidatura do KC-390 ao programa NGAS, definirá não apenas o futuro da aeronave, mas também as ambições globais da Embraer no setor de defesa. Esta Consultoria seguirá acompanhando os desdobramentos.


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