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| A-29 Super Tucano em demonstração na Base Aérea de Accra, Gana, em 19 de fevereiro de 2024 |
*LRCA Defense Consulting - 23/06/2026
A Embraer afirmou estar pronta para apoiar qualquer pedido que venha a surgir da Força Aérea de Gana (Ghana Air Force) para a aquisição do A-29 Super Tucano, segundo reportagem publicada pelo portal sul-africano DefenceWeb em 23 de junho de 2026. A declaração foi feita por Marcio Monteiro, diretor de marketing da Embraer Defesa & Segurança, durante visita de imprensa à fábrica da empresa em São José dos Campos (SP), no dia 10 de junho.
Uma década de interesse sem contrato fechado
O interesse de Gana pelo Super
Tucano remonta a mais de dez anos. Em junho de 2015, a Embraer anunciou ter
fechado contrato para a venda de cinco unidades do A-29 ao país, condicionado
ao cumprimento de exigências específicas; à época, o então chefe do Estado-Maior
da Aeronáutica ganesa, vice-marechal do ar Michael Samson-Oje, chegou a
declarar que os planos para recompor a capacidade de treinamento da força aérea
estavam em estágio avançado. O acordo, no entanto, não avançou.
A Embraer não desistiu do projeto. Em fevereiro de 2024, a empresa levou um A-29 a Acra para uma demonstração estática e de voo na Base Aérea de Acra, ao lado da Sierra Nevada Corporation (SNC), parceira norte-americana no programa. Na ocasião, o então chefe do Estado-Maior, vice-marechal do ar Frederick Asare Kwasi Bekoe, e o então ministro da Defesa, Dominic Nitiwul, defenderam publicamente a aquisição como resposta ao crescimento das ameaças terroristas na sub-região. Segundo estimativa da consultoria GlobalData, o valor do negócio giraria em torno de US$ 52,8 milhões.
Togo entra na frente, mas Gana continua na fila
Em dezembro de 2025, a Embraer
anunciou a venda de quatro Super Tucanos a um cliente africano não
identificado, para entrega em 2026. À época, especulou-se que o comprador fosse
Gana; meses depois, confirmou-se tratar-se do Togo, que se tornará o sexto operador
do A-29 no continente, depois de Angola, Burkina Faso, Mali, Mauritânia e
Nigéria. O contrato togolês, avaliado em cerca de US$ 82 milhões, prevê o
emprego dos quatro aviões no combate ao grupo jihadista Jama'at Nusrat
al-Islam wal-Muslimin (JNIM), que tem ampliado sua atuação do Sahel em
direção ao litoral da África Ocidental.
Questionado sobre o caso ganês durante a visita a São José dos Campos, Monteiro reiterou que a Embraer permanece disponível para qualquer encomenda de Gana e lembrou que negócios de defesa costumam levar tempo para maturar; como exemplo, citou o contrato dos Emirados Árabes Unidos para o cargueiro KC-390 Millennium, fechado mais de dez anos depois das primeiras conversas.
Por que Gana quer o Super Tucano
A instabilidade no Sahel, com a
expansão de grupos como o JNIM em direção aos países costeiros do golfo da
Guiné, é apontada como pano de fundo da insistência ganesa. A força aérea do
país já exibiu o A-29 ao lado de helicópteros Mi-171 e Z-9 e de jatos de
treinamento K-8, e vê na aeronave um instrumento para reforçar o controle de
fronteiras e a capacidade de ataque leve e contrainsurgência. Segundo a
GlobalData, os gastos de defesa de Gana devem crescer a uma taxa média anual de
11,3% entre 2025 e 2029, atingindo US$ 509,6 milhões no período, depois de anos
de retração.
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| Divulgação inicial da demonstração na Base Aérea de ACCRA, realizada somente em fevereiro de 2024 |
África como motor das vendas do A-29
O caso ganês se insere em um
quadro mais amplo de demanda africana pelo Super Tucano. Segundo a Embraer, o
continente deve responder por 28% das cerca de 500 novas unidades que a empresa
projeta vender nas próximas duas décadas, na frente de América do Sul (23%),
Oriente Médio (18%), Ásia (18%) e Europa (13%). Até o momento, o A-29 foi
escolhido por 22 forças aéreas, com mais de 300 unidades encomendadas, das
quais 39 nos últimos dois anos (entre os clientes recentes estão Uruguai, com
cinco aeronaves, Panamá, com quatro, e a norte-americana Sierra Nevada
Corporation, com uma). A Embraer produz cerca de 12 unidades por ano, a
depender da demanda.
O maior pedido africano até hoje partiu da Nigéria, que adquiriu 12 aeronaves dos Estados Unidos em 2018, por meio do programa de venda militar direta (Foreign Military Sale), em negócio avaliado em US$ 500 milhões e que incluiu peças de reposição, suporte logístico, munição e obras de infraestrutura na base de Kainji. Os Super Tucanos nigerianos já somavam mais de 10 mil horas de voo até agosto de 2024, boa parte delas em combate contra o Boko Haram e outros grupos.
O que o A-29 oferece
O A-29 Super Tucano é um
turboélice monomotor com motor Pratt & Whitney PT6 de 1.600 cavalos de
potência, blindagem em pontos críticos e tanques de combustível auto-obturantes
para resistir a tiros de armas leves. A aeronave carrega até 1.550 quilos de
carga útil em cinco pontos de fixação e pode ser equipada com metralhadoras,
bombas, foguetes e, nas estações externas, mísseis ar-ar. A Embraer descreve o
avião como apto a missões de apoio aéreo aproximado, patrulha aérea, operações
especiais, interdição aérea, controle aéreo avançado, reconhecimento armado,
vigilância de fronteiras, treinamento básico, operacional e avançado, transição
para caças de superioridade aérea e, mais recentemente, combate a aeronaves não
tripuladas (missões contra-UAS, na sigla em inglês). Ao todo, a frota já soma
mais de 625 mil horas de voo, das quais 65 mil em combate.
Para a Embraer, Gana permanece um mercado em aberto, mas sem data prevista; a empresa evita previsões e repete o discurso que sustenta há mais de dez anos de conversas, até agora sem contrato assinado.


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