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16 junho, 2026

Modirum Group cria subsidiária internacional para comercializar portfólio da Modirum Gespi no exterior

A Modirum International será responsável pelas vendas globais de munições, foguetes e sistemas não tripulados produzidos pela fabricante brasileira, consolidando a estratégia de expansão do grupo finlandês-brasileiro


*LRCA Defense Consulting - 16/06/2026

O Modirum Group anunciou, em 16 de junho de 2026, a criação da Modirum International, nova empresa do grupo destinada a atuar como braço global de vendas, comercialização e logística de defesa. Sediada em Paris, a subsidiária foi apresentada como a representante internacional oficial da Modirum Gespi, fabricante brasileira de origem estratégica classificada como Empresa Estratégica de Defesa (EED) pelo Ministério da Defesa.

A Modirum International concentrará suas atividades em três segmentos principais: munições, foguetes e sistemas aéreos não tripulados (Unmanned Aerial Systems, UAS), incluindo componentes e matérias-primas para fabricação de produtos de defesa. A empresa funcionará como plataforma de intermediação comercial, responsável por estruturar transações, assegurar o abastecimento e garantir entregas a mercados internacionais em conformidade com as regulamentações vigentes.

Segundo o comunicado do grupo, a nova estrutura fortalece a capacidade de oferecer soluções respaldadas diretamente pelo fabricante aos parceiros globais, mantendo aderência às normas internacionais de controle de exportações.

A liderança da Modirum International ficará a cargo de Jussi Tammelin, que assumirá a presidência da subsidiária. Tammelin possui mais de duas décadas de experiência nos setores de defesa e tecnologia, com atuação em liderança executiva, engenharia de sistemas e excelência operacional.

“Este é um marco fundamental para fortalecer nossa posição no mercado internacional de defesa. Ao integrar a excelência industrial da Modirum Gespi à nossa organização global de vendas de defesa e ao unir nossas equipes, parcerias e redes de relacionamento, estamos construindo uma plataforma mais robusta para um crescimento sustentável e para o sucesso de longo prazo”, afirmou Tammelin no comunicado oficial.

 

Da Gespi à Modirum Gespi: uma trajetória de meio século
A empresa que hoje integra o Modirum Group tem raízes profundas na Base Industrial de Defesa (BID) brasileira. Fundada em 1974, a Gespi construiu ao longo de cinco décadas um portfólio diversificado, que inclui foguetes de 70 mm (2,75"), bombas aéreas das séries MK 81, 82, 83 e 84, bombas de exercício BDU-33 e BDU-50, o lança-rojão Hunter e barcos de patrulha blindados, além de serviços de militarização de aeronaves.

No início dos anos 1990, os sócios administradores João Batista M. Scarparo (CEO) e Carlos Augusto Picolini (CFO) assumiram o controle da empresa. Em 2012, a israelense Rafael Advanced Defense Systems adquiriu 40% das ações, prevendo o desenvolvimento de novos sistemas de mísseis no Brasil. A parceria permitiu acordos com a alemã Dynamite Nobel Defence (controlada pela Rafael), possibilitando transferência de tecnologia para a Gespi e a IMBEL no desenvolvimento da Arma Leve Anticarro (ALAC), hoje denominada Hunter.

Em 2019, ao completar 45 anos, os sócios readquiriram as ações detidas pela Rafael, devolvendo à empresa seu status de companhia 100% brasileira. Em setembro de 2024, entretanto, a multinacional finlandesa Modirum Defence adquiriu participação majoritária na Gespi, dando origem à atual denominação Modirum Gespi. A transação foi concluída com todas as aprovações regulatórias necessárias, sem divulgação do valor.

A integração reuniu a expertise em fabricação de hardware e munições da Gespi com as capacidades de inteligência artificial (IA) e comando e controle da Modirum Defence, cujas operações se estendem pela Finlândia, Estados Unidos, Reino Unido, Estônia e Emirados Árabes Unidos.

Expansão da base industrial: aquisição da Ocellott e parceria com a IMBEL
Desde a fusão, a Modirum Gespi ampliou sistematicamente sua base industrial no Brasil. Em abril de 2025, a empresa adquiriu participação majoritária na Ocellott, Empresa Estratégica de Defesa especializada em engenharia eletrônica complexa. O portfólio da Ocellott inclui rádios definidos por software, sistemas de energia, baterias, antenas MAGE (Medida de Apoio à Guerra Eletrônica) e outros subsistemas críticos.

A aquisição foi descrita pela direção da empresa como estratégica para consolidar capacidades críticas sob um único teto e acelerar a entrega de sistemas de defesa integrados. Com a incorporação da Ocellott, a Modirum Gespi passou a ter maior controle sobre subsistemas relevantes para suas plataformas autônomas não tripuladas, incluindo sistemas de enxame. A Ocellott foi posteriormente redenominada e incorporada à marca Modirum Gespi.

Em setembro de 2025, a Modirum Gespi e a IMBEL (Indústria de Material Bélico do Brasil) anunciaram o fortalecimento de uma parceria de longa data, com foco no desenvolvimento de soluções voltadas tanto para as Forças Armadas brasileiras quanto para o mercado externo. O acordo prevê compartilhamento de know-how técnico, aprimoramento de produtos, certificação e padronização segundo os mais altos requisitos institucionais e internacionais.

“O fortalecimento desta parceria com a IMBEL marca um passo estratégico importante na trajetória de longo prazo da Modirum Gespi. A integração de nossas competências representa entregar resultados cada vez mais inovadores e um avanço significativo na consolidação de um ecossistema tecnológico de segurança robusto, confiável e ágil”, declarou Elias Silvola, presidente e CEO da Modirum Gespi.

Também em 2025, a empresa recebeu visita da comitiva do Comando Logístico (COLOG) do Exército Brasileiro, chefiada pelo General de Exército Flávio Marcus Lancia Barbosa, Comandante Logístico. Na ocasião, foram apresentadas as capacidades industriais da empresa, reforçando o alinhamento com as prioridades estratégicas do Exército.

Portfólio em evolução: munições inteligentes e sistemas autônomos
Em dezembro de 2025, a Modirum Gespi anunciou o desenvolvimento da munição vagante autônoma Dart, do tipo switchblade, para lançamento em 2026. O sistema tem alcance de 80 km, autonomia de voo de 40 minutos e velocidade de até 130 km/h. Seu desenvolvimento resulta da integração entre a capacidade de fabricação de hardware e munições da Gespi e as soluções de inteligência artificial da Modirum Defence, matriz finlandesa do grupo. Lançado de tubo compacto com asas retráteis, pode operar em modo espera sobre área designada antes de atacar com precisão. Essa tecnologia foi inclusive demonstrada recentemente em ambiente operacional para o Comando do Exército Brasileiro como parte das modernizações de combate da base industrial de defesa do país, durante o 1º Simpósio de Sistemas Não Tripulados da Força Terrestre 2026 (SSNTFT).

O diferencial do sistema reside na capacidade de operação em enxame: dezenas de unidades poderão ser controladas simultaneamente pelo software de IA denominado SISU AI, que elimina a necessidade de controle humano direto em cada unidade, conferindo maior eficiência e velocidade às operações táticas.

O portfólio em expansão contempla ainda munições convencionais de alta precisão no calibre 155 mm em padrão OTAN, em linha com a demanda crescente por munição de artilharia observada no conflito na Ucrânia e com o interesse de aliados ocidentais em diversificar fontes de suprimento.

A criação da Modirum International representa, portanto, não apenas uma reorganização comercial, mas o desfecho lógico de um ciclo de integração vertical e tecnológica iniciado com a aquisição da Gespi em 2024. Com uma subsidiária dedicada exclusivamente à projeção internacional, o grupo busca converter a capacidade produtiva acumulada no Brasil em contratos de exportação consistentes, num momento em que a demanda global por munições e sistemas não tripulados segue em trajetória ascendente.

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