*LRCA Defense Consulting - 10/07/2026
O Exército Brasileiro, por intermédio do Departamento de Engenharia e Construção (DEC), formalizou a aquisição de um robô de neutralização de artefatos explosivos de fabricação nacional, produzido pela empresa Ambipar Robotics, sediada em Jacareí, no interior de São Paulo. O anúncio foi feito pela própria Força nesta sexta-feira (10), por meio de nota publicada em seu portal oficial.
O equipamento é um robô EOD, sigla em inglês para Explosive Ordnance Disposal (neutralização de artefatos explosivos), destinado a reduzir a exposição de militares durante ações de desativação em campo. A plataforma opera por controle remoto, permitindo que equipes especializadas identifiquem, manipulem e neutralizem ameaças explosivas sem a necessidade de aproximação direta em etapas críticas da operação.
Requisito da ONU
Segundo o
Exército, a incorporação do robô visa atender aos requisitos do Sistema de
Preparação para Capacidades de Manutenção da Paz da Organização das Nações
Unidas (Peacekeeping Capability Readiness System, ou UNPCRS), mecanismo
que estabelece as condições de prontidão de tropas para missões no exterior.
Reportagens do setor de defesa publicadas em maio de 2026 já haviam noticiado a
entrega de um robô EOD da Ambipar Robotics ao 6º Batalhão de Engenharia de
Combate, sediado em São Gabriel (RS), unidade que participa de ciclos de
treinamento para certificação de tropas em missões de paz. A nota oficial do
Exército divulgada nesta sexta-feira não especifica se a aquisição agora
anunciada se refere ao mesmo equipamento entregue àquela unidade ou a um novo
lote, de modo que a relação entre os dois anúncios ainda carece de confirmação.
Múltiplas funções
De acordo com o
Exército, o robô possui múltiplas funções e foi configurado para emprego em
missões da ONU, operações militares convencionais, ações de ajuda humanitária e
apoio subsidiário à segurança. A incorporação do material integra o
planejamento de logística e capacidade operacional da Força Terrestre,
disponibilizando novas ferramentas tecnológicas para as atividades de
engenharia e segurança.
Integração entre
indústria, academia e Exército
O processo de
obtenção do equipamento foi conduzido pela Diretoria de Material de Engenharia
(DME), com suporte técnico do Sistema Defesa, Indústria e Academia,
iniciativa que integra o setor militar ao meio acadêmico e ao mercado
corporativo para o desenvolvimento de soluções voltadas à Base Industrial de
Defesa (BID) nacional. Segundo informações do setor de defesa, o robô foi
desenvolvido com apoio da empresa Detronics.
Fim da
dependência de robôs importados
A chegada de um
robô EOD de fabricação nacional é relevante porque o Exército operava, até
então, equipamentos importados nessa função, como os modelos alemães tEODor
e Telemax. Peças desses sistemas chegaram a ser reproduzidas pelo
Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), da Força Aérea Brasileira, em apoio ao
Exército, diante da indisponibilidade de componentes originais por prazos
superiores a dois anos, em razão do alto custo de manutenção e dos longos
prazos de aquisição no exterior. A produção nacional do robô EOD reduz essa
dependência, ao concentrar no País a fabricação, a manutenção e a reposição de
peças do equipamento.
Presença da
Ambipar Robotics no setor de defesa
A Ambipar
Robotics já fornece plataformas robóticas para outras finalidades, como o robô
de combate a incêndios STW Response, usado por brigadas em operações de
resgate. A entrada da empresa no segmento de robôs EOD amplia sua presença na
Base Industrial de Defesa nacional, em um momento em que outras companhias do
setor, como a Taurus Armas, sinalizam interesse no desenvolvimento de veículos
terrestres não tripulados (UGV) para uso militar.
Se a Ambipar conseguir evoluir a plataforma e agregar sensores, inteligência artificial e maior capacidade de manipulação, o equipamento poderá tornar-se um produto competitivo também no mercado internacional.
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