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15 julho, 2026

Guardião Cibernético 2026: exercício reunirá mais de 240 organizações no maior treinamento de defesa cibernética do Hemisfério Sul

Coordenado pelo Comando de Defesa Cibernética do Exército Brasileiro, o EGC 2026 terá sede em Brasília e hubs regionais em seis capitais, entre 21 e 25 de setembro



*LRCA Defense Consulting - 15/07/2026

O Exército Brasileiro, por meio do Comando de Defesa Cibernética (ComDCiber), confirmou a realização do Exercício Guardião Cibernético 2026 (EGC 2026), considerado o maior treinamento de defesa cibernética do Hemisfério Sul. A atividade está marcada para o período de 21 a 25 de setembro e deve reunir cerca de 240 organizações, entre Forças Armadas, órgãos governamentais, agências reguladoras, instituições de ensino e operadores de setores estratégicos como energia, água, telecomunicações e finanças.

O exercício simula ataques cibernéticos em larga escala contra infraestruturas críticas nacionais, com o objetivo de testar e fortalecer a capacidade de resposta do País diante de ameaças digitais. A programação combina duas frentes: simulações de gestão de crise voltadas a lideranças e tomadores de decisão, que reproduzem cenários de coordenação política e institucional sob pressão; e treinamentos técnicos práticos, destinados a equipes operacionais especializadas na contenção de ataques e no restabelecimento de sistemas.

A edição de 2026 terá Brasília como sede principal e contará com hubs regionais em Manaus, Belém, Recife, Rio de Janeiro, São Paulo e Curitiba, ampliação que busca dar maior capilaridade às atividades do exercício em diferentes regiões do País. O modelo descentralizado é apontado pelo ComDCiber como uma das principais ferramentas de integração entre o Ministério da Defesa e o ecossistema de inovação, empresas e instituições que atuam com segurança da informação.

Parceria Exército e CESAR/CISSA

O hub de Recife e o papel do CESAR
Um dos destaques da edição de 2026 é a confirmação do CESAR (Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife) como um dos hubs regionais do exercício, em solenidade realizada em 2 de julho. A escolha reforça o protagonismo da capital pernambucana e do CISSA, Centro de Competência Embrapii em Segurança Cibernética operado pelo CESAR, no ecossistema nacional de segurança digital.

O CISSA é, segundo o CESAR, o único Centro de Competência em Cibersegurança credenciado pela Embrapii (Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial) no País, credenciamento obtido em 2024. A instituição atua em quatro frentes principais: pesquisa, capacitação de talentos, aceleração de startups (ventures) e conexão entre empresas, governo e instituições de ensino e pesquisa, com linhas de investigação que vão de gestão de identidade e acesso e proteção e privacidade de dados a inteligência de ameaças cibernéticas e aspectos legais, éticos e comportamentais da segurança digital. Entre os parceiros institucionais do centro estão o Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República (GSI) e a Agência Brasileira de Inteligência (ABIN), além de um conselho consultivo formado por representantes do CESAR, da Embrapii, do MCTI, da Febraban e do Google.

"O CESAR é uma referência aqui na região e é uma forma que as Forças encontraram de estar mais próximas da indústria, dos serviços e do comércio no Nordeste. Nós trouxemos o Exercício Guardião para diversas regiões do país e, aqui em Recife, o CESAR foi uma escolha natural nesse processo de aproximação com os serviços e as indústrias da região", afirmou o general de divisão Jacy Barbosa Junior, comandante cibernético do Exército.

"Estar entre os anfitriões participantes do Guardião Cibernético é o reconhecimento de um trabalho que o CESAR vem construindo e um marco para o CISSA. Coloca Recife no centro de um dos maiores exercícios de defesa cibernética do mundo e reforça o papel do CISSA nesse campo", avaliou Georgia Barbosa, gerente executiva do CISSA.

Uma trajetória de expansão desde 2018
O Guardião Cibernético é realizado anualmente pelo ComDCiber desde 2018 e vem ampliando escopo, número de participantes e complexidade a cada edição. Inicialmente concentrado em setores como o financeiro e o nuclear, o exercício passou a incorporar progressivamente novas instituições e cenários. Na edição 3.0, em outubro de 2021, participaram 350 pessoas de 58 organizações públicas e privadas; entre as empresas do setor de defesa, a Atech (grupo Embraer) e a Avibras já disponibilizavam, à época, sistemas simulados de defesa aérea para reproduzir cenários de características militares, em modelo inspirado no exercício Locked Shields, promovido pela OTAN na Estônia.

A edição 4.0, realizada em agosto de 2022, teve o edital de chamamento público publicado no Diário Oficial da União em janeiro daquele ano. Já a edição 6.0, entre 14 e 18 de outubro de 2024, ocorreu simultaneamente na Escola Superior de Defesa, em Brasília, e no Comando da 2ª Divisão de Exército, em São Paulo. Segundo dados divulgados pelo próprio ComDCiber, a edição de 2023 havia reunido mais de 700 participantes e 100 organizações, patamar hoje superado pelas quase 240 organizações previstas para o EGC 2026.

Não há, até o momento, uniformidade na nomenclatura numérica adotada nas divulgações oficiais: enquanto notas de imprensa recentes do próprio ComDCiber, como a que registrou a visita técnica ao Comando Militar da Amazônia em março de 2026, se referem ao exercício como Guardião Cibernético 8.0 (EGC 8.0), o material de divulgação institucional mais recente, vinculado à confirmação dos hubs regionais, adota a denominação Guardião Cibernético 2026 (EGC 2026). A divergência é editorial e não afeta o conteúdo do exercício, mas fica registrada como ponto de atenção para cobertura futura.

Relevância para a base industrial de defesa
Para além do treinamento de resposta a incidentes, o ComDCiber tem associado o Guardião Cibernético ao fortalecimento da Base Industrial de Defesa (BID) e à pesquisa, ao desenvolvimento e à inovação de produtos de defesa. O exercício também é apresentado pelo Exército como instrumento de cooperação internacional, em um contexto no qual o Comando de Defesa Cibernética passou, em 2026, a integrar formalmente inteligência artificial ao escopo de suas atribuições, com a renomeação do antigo Programa de Defesa Cibernética para "IA e Defesa Cibernética".

O acordo entre o Exército e o CESAR, e de forma mais ampla a realização do EGC 2026, ganha relevância em um momento de aumento global na frequência e na sofisticação de ataques a infraestruturas críticas como energia, água, telecomunicações e sistema financeiro. Segundo o próprio ComDCiber, a combinação entre a capacidade de coordenação e inteligência das Forças Armadas e a expertise técnica e científica de centros como o CISSA amplia a capacidade do País de antecipar, simular e responder a esses cenários, ao mesmo tempo em que fortalece a formação de talentos e a geração de conhecimento aplicado na área.

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