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26 setembro, 2026

Guardião Cibernético mobiliza instituições em sete cidades e testa resposta a crises digitais

Oito anos após sua criação, exercício coordenado pelo Exército amplia os cenários simulados; setor nuclear inclui transporte marítimo e fontes oficiais divergem sobre o número de participantes

Imagem meramente representativa


*LRCA Defense Consulting - 26/09/2026

O Exercício Guardião Cibernético 8.0 terminou na sexta-feira (25) após cinco dias de simulações de ataques capazes de afetar serviços essenciais. Com sede na Escola Superior de Defesa, em Brasília, e polos em Belém, Manaus, Curitiba, Recife, Rio de Janeiro e São Paulo, a atividade reuniu Forças Armadas, órgãos públicos, reguladores, empresas e instituições de ensino para testar a resposta conjunta a incidentes cibernéticos. Sua realização coube ao Ministério da Defesa, sob coordenação do Comando de Defesa Cibernética (ComDCiber) do Exército, com participação da Marinha e da FAB.

No ambiente simulado, militares do Exército desempenharam o papel de atacantes. Equipes das instituições participantes precisaram identificar, conter e responder às ameaças, enquanto gestores exercitaram decisões e planos de contingência. Os setores envolvidos incluíram energia, água, telecomunicações, finanças, transporte e atividades nucleares. O treinamento, portanto, examinou tanto procedimentos técnicos quanto a articulação entre organizações responsáveis por infraestruturas críticas.

Quatro cenários no setor nuclear 

Uma das novidades mais concretas surgiu no setor nuclear. Segundo a Secretaria Naval de Segurança Nuclear e Qualidade (SecNSNQ), da Marinha, foram trabalhados quatro cenários em Brasília: uma usina nuclear em terra, um hospital, um laboratório e uma embarcação que transportava material nuclear com destino a uma usina nuclear flutuante. O cenário marítimo foi incluído pela primeira vez no Guardião Cibernético. A preparação utilizou o Anshar, simulador de ataques cibernéticos da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

A Autoridade Nacional de Segurança Nuclear (ANSN) informou que todos os cenários destinados ao setor foram inéditos ou reformulados. A autarquia distingue a simulação construtiva, voltada à gestão da crise, comunicação e coordenação institucional, da simulação virtual, em que equipes técnicas respondem a situações em tempo real. A ANSN também menciona um cenário relativo a pequenos reatores modulares, elaborado com colaboração da Marinha, sem especificar se corresponde ao transporte marítimo descrito pela SecNSNQ.

A composição das equipes demonstra a amplitude da resposta exigida por um incidente. A Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) relatou a participação de profissionais das áreas técnica, jurídica, de comunicação e da alta gestão. O chefe do Centro de Ciência e Tecnologia do Exército, general Hertz Pires do Nascimento, também destacou o papel da comunicação social para informar a população sobre uma crise e as medidas adotadas. 

Contagens oficiais ainda não coincidem 
A dimensão do exercício exige uma ressalva. O Ministério da Defesa informou na abertura cerca de 1.300 participantes, 300 organizações e representantes de 14 países. Nota do Exército divulgada na manhã do último dia repetiu esses números. Já a SecNSNQ registrou mais de 4 mil participantes, 382 instituições públicas e privadas e representantes de 20 países; a CNEN apresentou números próximos para pessoas e instituições.

As notas não esclarecem os critérios usados em cada contagem. Uma possibilidade é que os números menores retratem um conjunto mais restrito de participantes e os maiores incluam atividades nos polos e outras modalidades de participação, mas isso ainda não foi confirmado pelos organizadores. Também não há explicação publicada para a diferença entre 14 e 20 países. Por isso, os dados devem permanecer atribuídos a cada fonte, sem serem tratados como uma série única ou um balanço reconciliado.

Na edição de 2025, a Escola Superior de Defesa havia distinguido cerca de 750 profissionais e 169 organizações de aproximadamente mil pessoas envolvidas em atividades on-line. A experiência anterior mostra que diferentes modalidades podem produzir contagens distintas, mas não define quais critérios foram empregados em 2026.  


O que o exercício ainda precisa demonstrar 
O material divulgado até o momento descreve cenários, setores e procedimentos exercitados, mas não apresenta um relatório consolidado de lições aprendidas. Não foram divulgados, nas fontes consultadas, tempos de detecção ou contenção dos ataques simulados, vulnerabilidades encontradas ou medidas corretivas resultantes. Esses dados permitiriam avaliar com mais precisão o que o Guardião Cibernético revelou sobre a capacidade de resposta nacional.

Ao reunir instituições de setores interdependentes, a oitava edição ampliou as oportunidades de testar decisões e canais de cooperação sob pressão. A extensão desse aprendizado para a proteção efetiva dos serviços essenciais dependerá das correções adotadas após o exercício e de um balanço que permita verificar seus resultados.

15 julho, 2026

Guardião Cibernético 2026: exercício reunirá mais de 240 organizações no maior treinamento de defesa cibernética do Hemisfério Sul

Coordenado pelo Comando de Defesa Cibernética do Exército Brasileiro, o EGC 2026 terá sede em Brasília e hubs regionais em seis capitais, entre 21 e 25 de setembro



*LRCA Defense Consulting - 15/07/2026

O Exército Brasileiro, por meio do Comando de Defesa Cibernética (ComDCiber), confirmou a realização do Exercício Guardião Cibernético 2026 (EGC 2026), considerado o maior treinamento de defesa cibernética do Hemisfério Sul. A atividade está marcada para o período de 21 a 25 de setembro e deve reunir cerca de 240 organizações, entre Forças Armadas, órgãos governamentais, agências reguladoras, instituições de ensino e operadores de setores estratégicos como energia, água, telecomunicações e finanças.

O exercício simula ataques cibernéticos em larga escala contra infraestruturas críticas nacionais, com o objetivo de testar e fortalecer a capacidade de resposta do País diante de ameaças digitais. A programação combina duas frentes: simulações de gestão de crise voltadas a lideranças e tomadores de decisão, que reproduzem cenários de coordenação política e institucional sob pressão; e treinamentos técnicos práticos, destinados a equipes operacionais especializadas na contenção de ataques e no restabelecimento de sistemas.

A edição de 2026 terá Brasília como sede principal e contará com hubs regionais em Manaus, Belém, Recife, Rio de Janeiro, São Paulo e Curitiba, ampliação que busca dar maior capilaridade às atividades do exercício em diferentes regiões do País. O modelo descentralizado é apontado pelo ComDCiber como uma das principais ferramentas de integração entre o Ministério da Defesa e o ecossistema de inovação, empresas e instituições que atuam com segurança da informação.

Parceria Exército e CESAR/CISSA

O hub de Recife e o papel do CESAR
Um dos destaques da edição de 2026 é a confirmação do CESAR (Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife) como um dos hubs regionais do exercício, em solenidade realizada em 2 de julho. A escolha reforça o protagonismo da capital pernambucana e do CISSA, Centro de Competência Embrapii em Segurança Cibernética operado pelo CESAR, no ecossistema nacional de segurança digital.

O CISSA é, segundo o CESAR, o único Centro de Competência em Cibersegurança credenciado pela Embrapii (Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial) no País, credenciamento obtido em 2024. A instituição atua em quatro frentes principais: pesquisa, capacitação de talentos, aceleração de startups (ventures) e conexão entre empresas, governo e instituições de ensino e pesquisa, com linhas de investigação que vão de gestão de identidade e acesso e proteção e privacidade de dados a inteligência de ameaças cibernéticas e aspectos legais, éticos e comportamentais da segurança digital. Entre os parceiros institucionais do centro estão o Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República (GSI) e a Agência Brasileira de Inteligência (ABIN), além de um conselho consultivo formado por representantes do CESAR, da Embrapii, do MCTI, da Febraban e do Google.

"O CESAR é uma referência aqui na região e é uma forma que as Forças encontraram de estar mais próximas da indústria, dos serviços e do comércio no Nordeste. Nós trouxemos o Exercício Guardião para diversas regiões do país e, aqui em Recife, o CESAR foi uma escolha natural nesse processo de aproximação com os serviços e as indústrias da região", afirmou o general de divisão Jacy Barbosa Junior, comandante cibernético do Exército.

"Estar entre os anfitriões participantes do Guardião Cibernético é o reconhecimento de um trabalho que o CESAR vem construindo e um marco para o CISSA. Coloca Recife no centro de um dos maiores exercícios de defesa cibernética do mundo e reforça o papel do CISSA nesse campo", avaliou Georgia Barbosa, gerente executiva do CISSA.

Uma trajetória de expansão desde 2018
O Guardião Cibernético é realizado anualmente pelo ComDCiber desde 2018 e vem ampliando escopo, número de participantes e complexidade a cada edição. Inicialmente concentrado em setores como o financeiro e o nuclear, o exercício passou a incorporar progressivamente novas instituições e cenários. Na edição 3.0, em outubro de 2021, participaram 350 pessoas de 58 organizações públicas e privadas; entre as empresas do setor de defesa, a Atech (grupo Embraer) e a Avibras já disponibilizavam, à época, sistemas simulados de defesa aérea para reproduzir cenários de características militares, em modelo inspirado no exercício Locked Shields, promovido pela OTAN na Estônia.

A edição 4.0, realizada em agosto de 2022, teve o edital de chamamento público publicado no Diário Oficial da União em janeiro daquele ano. Já a edição 6.0, entre 14 e 18 de outubro de 2024, ocorreu simultaneamente na Escola Superior de Defesa, em Brasília, e no Comando da 2ª Divisão de Exército, em São Paulo. Segundo dados divulgados pelo próprio ComDCiber, a edição de 2023 havia reunido mais de 700 participantes e 100 organizações, patamar hoje superado pelas quase 240 organizações previstas para o EGC 2026.

Não há, até o momento, uniformidade na nomenclatura numérica adotada nas divulgações oficiais: enquanto notas de imprensa recentes do próprio ComDCiber, como a que registrou a visita técnica ao Comando Militar da Amazônia em março de 2026, se referem ao exercício como Guardião Cibernético 8.0 (EGC 8.0), o material de divulgação institucional mais recente, vinculado à confirmação dos hubs regionais, adota a denominação Guardião Cibernético 2026 (EGC 2026). A divergência é editorial e não afeta o conteúdo do exercício, mas fica registrada como ponto de atenção para cobertura futura.

Relevância para a base industrial de defesa
Para além do treinamento de resposta a incidentes, o ComDCiber tem associado o Guardião Cibernético ao fortalecimento da Base Industrial de Defesa (BID) e à pesquisa, ao desenvolvimento e à inovação de produtos de defesa. O exercício também é apresentado pelo Exército como instrumento de cooperação internacional, em um contexto no qual o Comando de Defesa Cibernética passou, em 2026, a integrar formalmente inteligência artificial ao escopo de suas atribuições, com a renomeação do antigo Programa de Defesa Cibernética para "IA e Defesa Cibernética".

O acordo entre o Exército e o CESAR, e de forma mais ampla a realização do EGC 2026, ganha relevância em um momento de aumento global na frequência e na sofisticação de ataques a infraestruturas críticas como energia, água, telecomunicações e sistema financeiro. Segundo o próprio ComDCiber, a combinação entre a capacidade de coordenação e inteligência das Forças Armadas e a expertise técnica e científica de centros como o CISSA amplia a capacidade do País de antecipar, simular e responder a esses cenários, ao mesmo tempo em que fortalece a formação de talentos e a geração de conhecimento aplicado na área.

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