Acordo com
o município e o complexo Sirena amplia rede que já inclui Santa Catarina;
startup gaúcha tem raízes na Brave Aviation e parceria com a Eve desde 2022,
mas aeronave ainda está em fase de testes de voo
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| Renderização produzida por IA |
*LRCA Defense Consulting - 03/08/2026
A FlyBIS Air Mobility, startup de mobilidade aérea sediada em Caxias do
Sul (RS), assinou na segunda-feira (27) um protocolo de intenções com a
Prefeitura de Gramado para implantar uma das primeiras operações comerciais de
eVTOLs no país, as aeronaves elétricas de decolagem e pouso vertical
popularmente chamadas de “carros voadores”. A previsão de início das operações
é 2028, com voo entre Porto Alegre e o complexo turístico Sirena Gramado
estimado em 25 minutos.
As aeronaves previstas para a operação na região terão autonomia de 100
quilômetros e capacidade para até quatro passageiros, dispensando pistas
convencionais por decolarem e pousarem na vertical. Representantes da FlyBIS
estiveram, também na segunda-feira, na área do complexo Sirena, no bairro Mato
Queimado, onde será construído o primeiro vertiporto de Gramado. Segundo a
diretoria da empresa, as primeiras rotas ligarão Gramado, Canela, Bento
Gonçalves e Caxias do Sul, com planos de expansão para Argentina, Uruguai,
Paraguai e Chile.
Uma rede que já
vinha sendo construída desde maio
O protocolo com Gramado não é o primeiro movimento da empresa na Região
Sul. Em maio, a FlyBIS já havia firmado, durante o Gramado Summit, um memorando
de entendimento com o Grupo Sirena, incorporador do complexo turístico de 205
hectares onde ficará o vertiporto, e um acordo semelhante com o governo de
Santa Catarina. Nesse último, estão previstas operações em toda a ilha de
Florianópolis no primeiro ano, com inclusão de Balneário Camboriú, Joinville e
Porto Alegre na segunda etapa.
O complexo Sirena Gramado, erguido entre o município e o Parque do
Caracol, é liderado por Dody Sirena, cofundador da DC Set Group, com gestão e
incorporação da Star Ópera sob o CEO Jaime Sirena, e tem o Club Med como
parceiro de hotelaria, o primeiro Exclusive Collection da América Latina no
país. O empreendimento, estimado em cerca de R$ 1 bilhão, está incorporando a
mobilidade aérea avançada como diferencial de posicionamento turístico.
Parceria com a
Eve remonta a 2022
A carta de intenções entre FlyBIS e Eve Air Mobility, controlada pela
Embraer, para até 40 aeronaves não é recente: foi assinada em 8 de dezembro de
2022, com declaração do então co-CEO da Eve, André Stein, sobre a expansão da
mobilidade aérea para “áreas do Sul do Brasil”. À época, a previsão de início
das operações apontada em entrevistas do setor era 2026, prazo que desde então
foi postergado para 2028. Dos 40 eVTOLs contratados, os três primeiros devem
ser entregues no primeiro ano de operação no Rio Grande do Sul, conforme a
assessoria técnica do projeto.
As aeronaves da FlyBIS integram o backlog global da Eve, que soma até
2.770 unidades encomendadas por operadores em diferentes países, incluindo
parceiros como a United Airlines e a Blade Air Mobility.
Quem é a FlyBIS
A FlyBIS Aviação Ltda. foi fundada em 10 de março de 2022, em Caxias do
Sul, pelos sócios Carlos Alberto Bertotto (sócio-administrador), Gustavo Flores
da Cunha Zanettini (administrador), André Luis Tessari e a holding VZM Aero
Participações Ltda. Zanettini é consultor em aviação e piloto comercial em
atividade; Bertotto se apresenta como piloto, empresário e cientista da
computação, com mais de 25 anos de experiência em aviação, formado pela
Unisinos.
A empresa é apoiada pela Brave Aviation, companhia gaúcha de propriedade
compartilhada de aeronaves sediada em Caxias do Sul, cuja frota atual inclui o
jato executivo Phenom 100, da Embraer, além de outras aeronaves. A Brave, que
iniciou voos em 2019 e investiu R$ 18 milhões na aquisição do primeiro jato do
grupo, tinha entre seus sócios fundadores André Tessari, o mesmo nome que
figura no quadro societário da FlyBIS, o que indica continuidade entre os dois
negócios.
Desde a assinatura da carta de intenções com a Eve, a FlyBIS ganhou
visibilidade em eventos do setor, como o SITRAER 2023, o World Aviation
Festival em Lisboa, painéis na LABACE ao lado de executivos da Eve e da ANAC, o
Paris Air Show 2025, quando apresentou um mock up em escala real de seu eVTOL,
e o Electric Move Brasil 2024, em Caxias do Sul.
Certificação
segue em andamento
A assessoria técnica do projeto é feita pela Leading Aviation, empresa
sediada em Madri. Segundo a consultora Laura Calegari, o processo de
certificação junto à Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) está em
andamento, com conclusão prevista para o final de 2027 para o conjunto de cinco
empresas interessadas em operar esse novo modal no país, cronograma compatível
com o início comercial anunciado para 2028.
A aeronave que a Eve pretende fornecer, porém, ainda não está
certificada. A empresa concluiu em dezembro de 2025 o primeiro voo de seu
protótipo em escala real, nas instalações da Embraer em Gavião Peixoto (SP),
consistindo em uma manobra de pairar não tripulada que validou sistemas como a
arquitetura fly by wire de quinta geração. A Eve planeja fabricar seis
protótipos e realizar centenas de testes ao longo de 2026 antes da
certificação, e fez sua estreia em um evento do setor de helicópteros, a Verticon
2026, em março, com um mock up em escala real da aeronave.

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