Visita da Marinha e da SIATT aproxima fabricante nacional do míssil de alcance estendido; contrato anterior com a turca Kale Jet Engines ainda exige esclarecimentos
*LRCA Defense Consulting - 23/09/2026
A AeroConcepts anunciou que está no horizonte a formalização do uso de suas turbinas no MANSUP-ER, versão de alcance estendido do míssil antinavio desenvolvido pela SIATT em cooperação com a Marinha do Brasil e o grupo EDGE. A informação foi divulgada após uma visita técnica de representantes da Diretoria de Sistemas de Armas da Marinha e da SIATT às instalações da empresa em São José dos Campos (SP), na segunda-feira, 21 de setembro. É um avanço potencialmente relevante para a nacionalização da propulsão, embora o anúncio ainda não especifique o motor, o calendário nem os termos de fornecimento.
O que a comitiva conheceu
A agenda passou pela Unidade II da AeroConcepts, no Parque de Inovação Tecnológica (PIT), e por instalações do Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), com o qual a companhia mantém colaboração há mais de duas décadas. Segundo a empresa, os visitantes conheceram sua estrutura de engenharia, fabricação e testes de sistemas propulsivos, inclusive bancos de ensaio desenvolvidos no IAE. A demonstração em funcionamento da turbina de 500 N empregada no drone Albatroz Vórtex, da STELLA Tecnologia, integrou a visita.
Essa demonstração não identifica a turbina destinada ao MANSUP-ER. A AeroConcepts não declarou que o motor de 500 N do Albatroz será empregado no míssil. São aplicações diferentes, e a configuração técnica anunciada para o programa ainda precisa ser detalhada.
O contrato existente com a Turquia
A novidade deve ser lida à luz de um compromisso já divulgado. Em abril de 2025, a Kale Jet Engines anunciou contrato com a SIATT para fornecer o turbojato KTJ-3200, desenvolvido na Turquia, e integrá-lo ao MANSUP-ER. A LRCA informou então o acordo. Por isso, a menção agora a turbinas AeroConcepts levanta uma questão objetiva: o propulsor brasileiro será uma alternativa nacional, equipará uma variante específica ou substituirá o motor contratado à Kale? Até o momento, as empresas não esclareceram publicamente essa relação.
O MANSUP-ER foi concebido para ampliar o alcance do MANSUP original mediante uma solução de propulsão distinta. A SIATT apresenta a família em configurações de alcance padrão, de 70 km, e estendido, de 200 km. A eventual incorporação de uma turbina fabricada no País poderia aumentar o domínio nacional de uma etapa crítica do sistema e abrir oportunidades de produção e manutenção locais. Essas consequências dependem, porém, da seleção efetiva do motor, da integração e da validação técnica.
Parceria naval e ampliação da capacidade industrial
De acordo com a AeroConcepts, as conversas também trataram das futuras demandas da Marinha em sistemas propulsivos e da possibilidade de um acordo de parceria para desenvolvimento tecnológico semelhante ao estabelecido com o Estado-Maior da Aeronáutica. A colaboração com a FAB, por meio do IAE, já permitiu à empresa desenvolver e ensaiar tecnologias nacionais. A visita não representa, por si só, a assinatura de novo acordo com a Marinha.
O CEO Alexandre Roma anunciou ainda a previsão de estrutura fabril própria em Sertãozinho (SP) em 2026, voltada a serviços e fabricação de turbinas a gás e a vapor. Para o início de 2027, a empresa projeta três bancos de ensaio dedicados a sistemas propulsivos no PIT, em São José dos Campos, com capacidade anunciada para testes com combustível sustentável de aviação (SAF). São etapas previstas pela companhia, cuja implementação poderá ampliar sua capacidade de qualificar e entregar propulsores.
O estágio do MANSUP-ER
O anúncio coloca uma fornecedora brasileira em uma discussão antes associada publicamente ao turbojato turco. Para definir o alcance da mudança, faltam respostas sobre qual turbina está sendo considerada, o estágio de desenvolvimento e ensaio, a situação do contrato com a Kale e o significado preciso da “futura formalização” mencionada pela AeroConcepts. A LRCA acompanhará os esclarecimentos da empresa, da SIATT e da Marinha.
De acordo com a AeroConcepts, as conversas também trataram das futuras demandas da Marinha em sistemas propulsivos e da possibilidade de um acordo de parceria para desenvolvimento tecnológico semelhante ao estabelecido com o Estado-Maior da Aeronáutica. A colaboração com a FAB, por meio do IAE, já permitiu à empresa desenvolver e ensaiar tecnologias nacionais. A visita não representa, por si só, a assinatura de novo acordo com a Marinha.
O CEO Alexandre Roma anunciou ainda a previsão de estrutura fabril própria em Sertãozinho (SP) em 2026, voltada a serviços e fabricação de turbinas a gás e a vapor. Para o início de 2027, a empresa projeta três bancos de ensaio dedicados a sistemas propulsivos no PIT, em São José dos Campos, com capacidade anunciada para testes com combustível sustentável de aviação (SAF). São etapas previstas pela companhia, cuja implementação poderá ampliar sua capacidade de qualificar e entregar propulsores.
O estágio do MANSUP-ER
O anúncio coloca uma fornecedora brasileira em uma discussão antes associada publicamente ao turbojato turco. Para definir o alcance da mudança, faltam respostas sobre qual turbina está sendo considerada, o estágio de desenvolvimento e ensaio, a situação do contrato com a Kale e o significado preciso da “futura formalização” mencionada pela AeroConcepts. A LRCA acompanhará os esclarecimentos da empresa, da SIATT e da Marinha.



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