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22 setembro, 2026

Embraer avança sobre Airbus em disputa por até 20 jatos da Japan Airlines

Companhia japonesa estaria inclinada a escolher o E190-E2 para a primeira etapa da renovação da frota regional; decisão poderá ocorrer em outubro, mas ainda não foi formalizada


*LRCA Defense Consulting - 22/09/2026

A Embraer abriu vantagem sobre a Airbus na disputa por uma encomenda de aproximadamente 20 jatos regionais da Japan Airlines (JAL). Segundo pessoas familiarizadas com as negociações ouvidas pela Bloomberg, a companhia japonesa está inclinada a escolher a família E2, enquanto avalia também o A220. A decisão poderá ser tomada já em outubro de 2026, embora ainda não esteja concluída e possa mudar.

A informação representa uma evolução importante em um processo acompanhado desde 2024. A JAL planeja começar a receber sua nova geração de aeronaves regionais no ano fiscal de 2028, iniciado em 1º de abril daquele ano. Em novembro de 2025, a Bloomberg informou que o estudo poderia envolver cerca de 40 jatos regionais, além de até 30 turboélices. O número agora mencionado, próximo de 20 aeronaves, sugere uma primeira etapa da renovação, possivelmente concentrada nos E170 mais antigos da subsidiária J-AIR.

Nem a JAL nem os fabricantes confirmaram a escolha. A Japan Airlines não respondeu à consulta feita pela Bloomberg durante o feriado japonês, enquanto Embraer e Airbus recusaram-se a comentar. Portanto, o negócio deve ser tratado como uma concorrência em andamento, na qual a fabricante brasileira aparece como favorita, e não como uma encomenda fechada.

E190-E2 se ajusta à operação atual
A J-AIR, subsidiária regional integralmente controlada pelo Grupo JAL, opera 32 E-Jets: 18 E170 com 76 lugares e 14 E190 configurados para 95 passageiros, dos quais 15 na Classe J e 80 na classe econômica. Os E170 começaram a chegar em 2008 e entraram em serviço em 2009; os E190 foram incorporados a partir de 2016.

Esse perfil ajuda a explicar a vantagem do E190-E2. Em uma configuração de duas classes citada pela Bloomberg, o modelo transporta cerca de 97 passageiros, capacidade muito próxima dos 95 assentos dos E190 atuais. O concorrente Airbus A220-100 acomoda aproximadamente 120 passageiros em configuração comparável. Para rotas regionais com demanda limitada, a diferença pode tornar o avião da Embraer mais adequado, permitindo preservar frequências sem oferecer assentos em excesso.

A opção pelo E2 também reduziria a ruptura operacional. Embora o E190-E2 tenha novos motores, asas redesenhadas e sistemas atualizados, a aeronave preserva elevada comunalidade com a geração anterior dos E-Jets. A J-AIR já dispõe de pilotos, técnicos, procedimentos, experiência operacional e relacionamento logístico construídos ao longo de 18 anos com a Embraer. A adoção do A220 exigiria incorporar uma família inteiramente nova à operação regional.

Os motores, isoladamente, não devem decidir a disputa. Tanto o E190-E2 quanto o A220 utilizam versões da família de turbofans com engrenagens da Pratt & Whitney. Os problemas de disponibilidade e manutenção que atingiram esses motores vêm apresentando melhora nas variantes que equipam os jatos menores, segundo representantes do setor de leasing ouvidos pela Reuters.

Primeira etapa pode substituir os E170
A frota de E170 da J-AIR tem idade média próxima de 15 anos, enquanto os E190 estão em torno de nove anos. Isso reforça a hipótese de que uma encomenda inicial de aproximadamente 20 E190-E2 seria destinada prioritariamente à substituição dos 18 E170, com alguma margem para crescimento ou reserva operacional. Uma segunda etapa poderia alcançar os E190 ou ampliar a frota, dependendo da demanda doméstica e da estratégia de malha da JAL.

Essa interpretação concilia os dois números conhecidos. A avaliação divulgada em 2025 abrangia cerca de 40 jatos; a negociação agora descrita envolve aproximadamente 20. Não há confirmação de que a necessidade maior tenha sido abandonada. A companhia pode estar dividindo a renovação em lotes para escalonar investimentos, entregas, treinamento e retirada das aeronaves atuais.

A decisão preenche ainda a lacuna deixada pelo Mitsubishi SpaceJet. A Japan Airlines havia contratado 32 unidades do jato regional japonês, inicialmente denominado MRJ, que deveriam tornar-se aeronaves centrais da futura frota da J-AIR. Os sucessivos atrasos impediram as entregas, e a Mitsubishi Heavy Industries encerrou o programa em 2023. Sem o SpaceJet, a JAL permaneceu dependente dos E170 e E190 que o novo avião deveria complementar e, progressivamente, substituir.

Programa Pool fortalece a posição da Embraer
A notícia surge imediatamente após a Japan Airlines e a Embraer renovarem, por vários anos, o acordo do Programa Pool que sustenta os 32 E170 e E190. O contrato, anunciado em 21 de setembro, cobre componentes reparáveis, manutenção e peças de reposição, além de manter estoque relevante próximo às bases da companhia japonesa.

Segundo a Embraer, a frota da J-AIR registrou confiabilidade média de serviço de 99,8% nos seis meses anteriores ao anúncio. O índice, associado à continuidade do suporte, fornece à JAL uma referência concreta sobre a capacidade da fabricante de manter os aviões disponíveis em uma rede na qual a mesma aeronave pode cumprir vários trechos diários.

A renovação do Programa Pool não equivale a uma escolha do E190-E2. A frota atual permanecerá em operação durante a transição e continuará necessitando de peças e reparos. Entretanto, o acordo reforça a relação entre as empresas justamente quando a JAL se aproxima da decisão sobre seu próximo jato regional. Também permite imaginar uma substituição gradual, na qual E170, E190 e E190-E2 convivam por alguns anos sob uma estrutura integrada de suporte.

ANA ajuda a criar uma base japonesa para o E2
Outro elemento favorável à Embraer é a escolha já feita pela ANA Holdings, maior concorrente da Japan Airlines. A ANA encomendou inicialmente 15 E190-E2, com cinco opções, e acrescentou oito unidades firmes em 2026. O compromisso alcançou 23 aeronaves, mantidas as cinco opções, com primeiras entregas previstas para 2028.

Se a JAL confirmar aproximadamente 20 unidades, as duas maiores companhias aéreas japonesas somarão pelo menos 43 E190-E2 firmes. Essa escala poderá estimular a formação de um ecossistema nacional de treinamento, manutenção, peças e conhecimento técnico, reduzindo riscos e custos para os operadores. Também representará uma conquista estratégica para a Embraer em um mercado tradicionalmente dominado por Boeing e Airbus e abalado pelo encerramento do projeto SpaceJet.

Para a Airbus, uma derrota retiraria do A220 a oportunidade de conquistar uma operadora regional de grande visibilidade no Japão. A fabricante europeia obteve encomendas importantes para o modelo, mas o programa ainda enfrenta o desafio de elevar a produção e melhorar sua rentabilidade. Já a família E2 conquistou, no último ano, pedidos de empresas como ANA, Finnair e SAS, além de disputar uma possível grande encomenda da indiana IndiGo.

Decisão terá alcance além das 20 aeronaves
A eventual vitória da Embraer não significará apenas a venda de cerca de 20 aviões. Ela poderá assegurar a continuidade de uma relação iniciada em 2008, estabelecer o E190-E2 como sucessor natural dos E-Jets da J-AIR e consolidar o Japão como um dos mercados mais relevantes da nova geração de jatos comerciais brasileiros na Ásia-Pacífico.

Para a Japan Airlines, a escolha definirá a capacidade, os custos e a flexibilidade de parte importante de sua rede doméstica por décadas. A decisão precisará equilibrar preço, consumo, manutenção, disponibilidade de motores, treinamento, capacidade de passageiros e desempenho nos aeroportos regionais. Nos elementos já conhecidos, o E190-E2 reúne uma vantagem decisiva: oferece tecnologia de nova geração sem obrigar a companhia a abandonar um modelo operacional que alcançou elevada confiabilidade.

Até o anúncio formal, permanecem em aberto a quantidade definitiva, eventuais opções de compra, configuração interna, valor do contrato e cronograma de entregas. A indicação de preferência, porém, coloca a Embraer em posição concreta de transformar sua presença histórica na J-AIR em uma nova encomenda e de vencer mais uma disputa direta com o Airbus A220.

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