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22 setembro, 2026

Embraer avança sobre Airbus em disputa por até 20 jatos da Japan Airlines

Companhia japonesa estaria inclinada a escolher o E190-E2 para a primeira etapa da renovação da frota regional; decisão poderá ocorrer em outubro, mas ainda não foi formalizada


*LRCA Defense Consulting - 22/09/2026

A Embraer abriu vantagem sobre a Airbus na disputa por uma encomenda de aproximadamente 20 jatos regionais da Japan Airlines (JAL). Segundo pessoas familiarizadas com as negociações ouvidas pela Bloomberg, a companhia japonesa está inclinada a escolher a família E2, enquanto avalia também o A220. A decisão poderá ser tomada já em outubro de 2026, embora ainda não esteja concluída e possa mudar.

A informação representa uma evolução importante em um processo acompanhado desde 2024. A JAL planeja começar a receber sua nova geração de aeronaves regionais no ano fiscal de 2028, iniciado em 1º de abril daquele ano. Em novembro de 2025, a Bloomberg informou que o estudo poderia envolver cerca de 40 jatos regionais, além de até 30 turboélices. O número agora mencionado, próximo de 20 aeronaves, sugere uma primeira etapa da renovação, possivelmente concentrada nos E170 mais antigos da subsidiária J-AIR.

Nem a JAL nem os fabricantes confirmaram a escolha. A Japan Airlines não respondeu à consulta feita pela Bloomberg durante o feriado japonês, enquanto Embraer e Airbus recusaram-se a comentar. Portanto, o negócio deve ser tratado como uma concorrência em andamento, na qual a fabricante brasileira aparece como favorita, e não como uma encomenda fechada.

E190-E2 se ajusta à operação atual
A J-AIR, subsidiária regional integralmente controlada pelo Grupo JAL, opera 32 E-Jets: 18 E170 com 76 lugares e 14 E190 configurados para 95 passageiros, dos quais 15 na Classe J e 80 na classe econômica. Os E170 começaram a chegar em 2008 e entraram em serviço em 2009; os E190 foram incorporados a partir de 2016.

Esse perfil ajuda a explicar a vantagem do E190-E2. Em uma configuração de duas classes citada pela Bloomberg, o modelo transporta cerca de 97 passageiros, capacidade muito próxima dos 95 assentos dos E190 atuais. O concorrente Airbus A220-100 acomoda aproximadamente 120 passageiros em configuração comparável. Para rotas regionais com demanda limitada, a diferença pode tornar o avião da Embraer mais adequado, permitindo preservar frequências sem oferecer assentos em excesso.

A opção pelo E2 também reduziria a ruptura operacional. Embora o E190-E2 tenha novos motores, asas redesenhadas e sistemas atualizados, a aeronave preserva elevada comunalidade com a geração anterior dos E-Jets. A J-AIR já dispõe de pilotos, técnicos, procedimentos, experiência operacional e relacionamento logístico construídos ao longo de 18 anos com a Embraer. A adoção do A220 exigiria incorporar uma família inteiramente nova à operação regional.

Os motores, isoladamente, não devem decidir a disputa. Tanto o E190-E2 quanto o A220 utilizam versões da família de turbofans com engrenagens da Pratt & Whitney. Os problemas de disponibilidade e manutenção que atingiram esses motores vêm apresentando melhora nas variantes que equipam os jatos menores, segundo representantes do setor de leasing ouvidos pela Reuters.

Primeira etapa pode substituir os E170
A frota de E170 da J-AIR tem idade média próxima de 15 anos, enquanto os E190 estão em torno de nove anos. Isso reforça a hipótese de que uma encomenda inicial de aproximadamente 20 E190-E2 seria destinada prioritariamente à substituição dos 18 E170, com alguma margem para crescimento ou reserva operacional. Uma segunda etapa poderia alcançar os E190 ou ampliar a frota, dependendo da demanda doméstica e da estratégia de malha da JAL.

Essa interpretação concilia os dois números conhecidos. A avaliação divulgada em 2025 abrangia cerca de 40 jatos; a negociação agora descrita envolve aproximadamente 20. Não há confirmação de que a necessidade maior tenha sido abandonada. A companhia pode estar dividindo a renovação em lotes para escalonar investimentos, entregas, treinamento e retirada das aeronaves atuais.

A decisão preenche ainda a lacuna deixada pelo Mitsubishi SpaceJet. A Japan Airlines havia contratado 32 unidades do jato regional japonês, inicialmente denominado MRJ, que deveriam tornar-se aeronaves centrais da futura frota da J-AIR. Os sucessivos atrasos impediram as entregas, e a Mitsubishi Heavy Industries encerrou o programa em 2023. Sem o SpaceJet, a JAL permaneceu dependente dos E170 e E190 que o novo avião deveria complementar e, progressivamente, substituir.

Programa Pool fortalece a posição da Embraer
A notícia surge imediatamente após a Japan Airlines e a Embraer renovarem, por vários anos, o acordo do Programa Pool que sustenta os 32 E170 e E190. O contrato, anunciado em 21 de setembro, cobre componentes reparáveis, manutenção e peças de reposição, além de manter estoque relevante próximo às bases da companhia japonesa.

Segundo a Embraer, a frota da J-AIR registrou confiabilidade média de serviço de 99,8% nos seis meses anteriores ao anúncio. O índice, associado à continuidade do suporte, fornece à JAL uma referência concreta sobre a capacidade da fabricante de manter os aviões disponíveis em uma rede na qual a mesma aeronave pode cumprir vários trechos diários.

A renovação do Programa Pool não equivale a uma escolha do E190-E2. A frota atual permanecerá em operação durante a transição e continuará necessitando de peças e reparos. Entretanto, o acordo reforça a relação entre as empresas justamente quando a JAL se aproxima da decisão sobre seu próximo jato regional. Também permite imaginar uma substituição gradual, na qual E170, E190 e E190-E2 convivam por alguns anos sob uma estrutura integrada de suporte.

ANA ajuda a criar uma base japonesa para o E2
Outro elemento favorável à Embraer é a escolha já feita pela ANA Holdings, maior concorrente da Japan Airlines. A ANA encomendou inicialmente 15 E190-E2, com cinco opções, e acrescentou oito unidades firmes em 2026. O compromisso alcançou 23 aeronaves, mantidas as cinco opções, com primeiras entregas previstas para 2028.

Se a JAL confirmar aproximadamente 20 unidades, as duas maiores companhias aéreas japonesas somarão pelo menos 43 E190-E2 firmes. Essa escala poderá estimular a formação de um ecossistema nacional de treinamento, manutenção, peças e conhecimento técnico, reduzindo riscos e custos para os operadores. Também representará uma conquista estratégica para a Embraer em um mercado tradicionalmente dominado por Boeing e Airbus e abalado pelo encerramento do projeto SpaceJet.

Para a Airbus, uma derrota retiraria do A220 a oportunidade de conquistar uma operadora regional de grande visibilidade no Japão. A fabricante europeia obteve encomendas importantes para o modelo, mas o programa ainda enfrenta o desafio de elevar a produção e melhorar sua rentabilidade. Já a família E2 conquistou, no último ano, pedidos de empresas como ANA, Finnair e SAS, além de disputar uma possível grande encomenda da indiana IndiGo.

Decisão terá alcance além das 20 aeronaves
A eventual vitória da Embraer não significará apenas a venda de cerca de 20 aviões. Ela poderá assegurar a continuidade de uma relação iniciada em 2008, estabelecer o E190-E2 como sucessor natural dos E-Jets da J-AIR e consolidar o Japão como um dos mercados mais relevantes da nova geração de jatos comerciais brasileiros na Ásia-Pacífico.

Para a Japan Airlines, a escolha definirá a capacidade, os custos e a flexibilidade de parte importante de sua rede doméstica por décadas. A decisão precisará equilibrar preço, consumo, manutenção, disponibilidade de motores, treinamento, capacidade de passageiros e desempenho nos aeroportos regionais. Nos elementos já conhecidos, o E190-E2 reúne uma vantagem decisiva: oferece tecnologia de nova geração sem obrigar a companhia a abandonar um modelo operacional que alcançou elevada confiabilidade.

Até o anúncio formal, permanecem em aberto a quantidade definitiva, eventuais opções de compra, configuração interna, valor do contrato e cronograma de entregas. A indicação de preferência, porém, coloca a Embraer em posição concreta de transformar sua presença histórica na J-AIR em uma nova encomenda e de vencer mais uma disputa direta com o Airbus A220.

03 setembro, 2026

Brasil eleva Embraer e Petrobras a peças de uma nova agenda industrial com a África do Sul

Ata da Comissão Mista Brasil-África do Sul associa o KC-390, os jatos E2 e o retorno da Petrobras dentro de uma mesma estratégia de aprofundamento econômico entre os dois países 

Renderização de um C-390 nas cores da Força Aérea Sul-Africana

*LRCA Defense Consulting - 03/09/2026 

O chanceler brasileiro Mauro Vieira colocou, em uma única frase de discurso, três negócios que normalmente seriam tratados como notícias separadas. Na ata final da VIII Sessão da Comissão Mista Brasil-África do Sul, realizada em 26 de agosto de 2026, em Pretória, o Vieira “destacou também as negociações em curso relativas à aeronave brasileira de transporte militar KC-390 e aos jatos regionais E2 da Embraer, e observou as oportunidades decorrentes da retomada das operações da Petrobras na África do Sul”, segundo o documento assinado por ele e pelo ministro sul-africano Ronald O. Lamola.

Isoladamente, nenhum dos três temas é inédito. O interesse sul-africano pelo KC-390 já é acompanhado desde 2023; a presença comercial da Embraer no País, por meio da Airlink, é antiga; e o retorno da Petrobras à exploração na África do continente vem sendo construído desde 2024. A novidade está em outro lugar: pela primeira vez, os três temas aparecem reunidos dentro do texto oficial de uma reunião ministerial de alto nível, como parte da mesma agenda econômica e estratégica bilateral, e não mais como notícias setoriais dispersas.

Defesa: o KC-390 como carro-chefe industrial 
No eixo de defesa, o compromisso já tem lastro contratual. Em abril de 2025, durante a feira LAAD Defence and Security, no Rio de Janeiro, a Embraer e a Denel, estatal sul-africana de defesa, assinaram um memorando de entendimento para uma futura colaboração na fabricação de aeroestruturas e em serviços de manutenção, reparo e revisão (MRO) do KC-390. O acordo foi firmado por Fabio Caparica, vice-presidente de Contratos da Embraer Defesa & Segurança, e Chris Boshoff, CEO da área aeroespacial da Denel.

A ata da Comissão Mista recupera esse memorando e o descreve como potencial gerador de cooperação industrial aeroespacial, desenvolvimento tecnológico, integração em cadeias internacionais de suprimentos e transferência de competências entre as indústrias de defesa dos dois países. O documento tem uma seção própria dedicada ao programa KC-390, na qual os dois governos registram que prosseguem as discussões sobre a possível adoção da aeronave na África do Sul.

Do lado comercial, a ofensiva da Embraer ganhou estrutura dedicada em janeiro de 2026, quando a fabricante nomeou Leandro Marc Pienaar como diretor de Desenvolvimento de Negócios para a África Austral, com a promoção do KC-390 e do A-29 Super Tucano entre suas atribuições. Pienaar, formado em engenharia mecânica pela Universidade de Pretória, veio da Milkor (Pty) Ltd, onde negociou contratos de defesa em todo o continente.

A publicação sul-africana DefenceWeb confirmou, em reportagem de 26 de junho de 2026, que a Embraer vê o KC-390 como a aeronave preferencial para substituir a envelhecida frota de C-130BZ Hercules da Força Aérea Sul-Africana (SAAF). Segundo Marcio Monteiro, diretor de Marketing da Embraer Defesa & Segurança, a força aérea sul-africana gastou 2,3 bilhões de rands entre os exercícios fiscais de 2021/22 e 2025/26 apenas com fretamento de aeronaves para sustentar missões de paz na República Democrática do Congo e em Moçambique, recurso que poderia ter sido direcionado à compra de aviões novos.

Um fator estratégico adicional reforça o interesse: Brasil e África do Sul operam o caça sueco Gripen (a FAB com as versões E/F, a SAAF com C/D), e o KC-390 já foi certificado, em testes conduzidos com a Saab e a Força Aérea Brasileira, para reabastecer Gripens em voo. A África do Sul perdeu sua capacidade de reabastecimento aéreo com a aposentadoria dos Boeing 707 usados como tanque. 

Presidente sul-africano Cyril Ramaphosa (D) observa o interior de uma aeronave de transporte Embraer C-390 Millennium durante sua visita à Africa Aerospace and Defence (AAD) 2024 Trade and Exhibition na Base Aérea de Waterkloof, em Pretória, em 18 de setembro de 2024. (Foto de Phill Magakoe / AFP)

Aviação comercial: os E2 em um mercado já consolidado 
Se no KC-390 a Embraer ainda negocia uma venda, na família E2 ela já colhe resultados. A Airlink, maior operadora de aeronaves Embraer da África desde 2001 e dona de uma frota de 70 aparelhos da fabricante, fechou em agosto de 2025 um contrato de leasing com a Azorra para dez unidades do E195-E2. As três primeiras aeronaves foram entregues entre setembro e outubro de 2025 e entraram em operação comercial em dezembro daquele ano, com voo inaugural entre Joanesburgo e Durban; as demais devem chegar até 2027.

O mercado sul-africano foi formalmente aberto à nova geração de jatos em 3 de setembro de 2025, quando a Autoridade de Aviação Civil da África do Sul (SACAA) concedeu a certificação de aceitação de tipo ao E190-E2 e ao E195-E2. Segundo Stephan Hannemann, vice-presidente sênior da Embraer para África e Oriente Médio, a certificação abriu novas oportunidades para as aeronaves no continente.

É nesse contexto que a menção de Vieira a negociações envolvendo os E2 ganha outro significado. Como o negócio com a Airlink já está em curso, a referência do chanceler sugere uma agenda comercial mais ampla do que essa operação isolada, possivelmente incluindo outras companhias aéreas sul-africanas ou aprofundamento da cooperação industrial em torno da família E2, e não apenas a confirmação de um contrato que já foi assinado.

Energia: a Petrobras de volta ao setor exploratório sul-africano 
O terceiro eixo citado por Vieira é a retomada das operações da Petrobras na África do Sul. A estatal brasileira participa do bloco Deep Western Orange Basin (DWOB), na costa sul-africana, operado pela TotalEnergies, dentro de um movimento mais amplo de reposicionamento da companhia no continente africano desde fevereiro de 2024. A mesma estratégia já rendeu à Petrobras participação em blocos na Namíbia (o 2613, também com a TotalEnergies) e em São Tomé e Príncipe, onde a estatal brasileira é operadora, com 75% do Bloco 3.

A ata da Comissão Mista também registra que os dois países discutem a finalização de um acordo de cooperação nuclear, que permitiria o comércio na área nuclear entre Brasil e África do Sul, além de intercâmbios técnicos sobre transmissão elétrica, energias renováveis e minerais críticos.

Uma agenda industrial em formação 
Reunidos em um único parágrafo da fala oficial do chanceler brasileiro, os três temas (defesa, aviação comercial e energia) desenham algo que ultrapassa o comércio bilateral tradicional entre Brasil e África do Sul, historicamente descrito nas atas da Comissão Mista sobretudo pelos números de exportação de minérios, produtos químicos e alimentos. A ata de 2026 também documenta outros sinais dessa aproximação industrial: a cooperação entre a Denel e a Embraer, apontada como base para participação da indústria sul-africana no programa KC-390; a chegada da missão empresarial sul-africana ao Brasil em agosto de 2026, com empresas dos setores aeroespacial, de defesa e de mineração; e as tratativas para um Acordo de Cooperação e Facilitação de Investimentos entre os dois países, que ambos os lados pretendem concluir até o fim de 2026.

Ainda não há confirmação de uma decisão de compra do KC-390 pela SAAF, nem detalhamento oficial de quais negociações específicas em torno dos E2 Vieira tinha em mente ao discursar em Pretória. O que a ata deixa mais claro é a intenção política de tratar aeroespacial e energia como setores estratégicos comuns entre os dois países, ao lado de temas já consolidados como agronegócio e mineração.

22 junho, 2026

Embraer almeja se tornar uma empresa de US$ 10 bilhões até 2030

Jornalista e Editor do portal DefenceWeb (África do Sul), Guy Martin, traça um panorama bastante detalhado sobre a Embraer, onde esteve a convite da empresa

A gama de aeronaves da Embraer abrange aviação de defesa, comercial, executiva e de mobilidade aérea. Imagem: Embraer
 

*DefenceWeb, por Guy Martin - 18/06/2026

A Embraer é a terceira maior fabricante de aeronaves civis do mundo, depois da Airbus e da Boeing, e tem grandes planos para aumentar seu faturamento e participação de mercado nos setores de defesa, aviação comercial e executiva.

Desde a sua fundação em 1969, a Embraer já produziu mais de 9.000 aeronaves. Em média, uma aeronave Embraer decola a cada dez segundos em algum lugar do mundo, transportando 150 milhões de passageiros por ano. A empresa possui mais de 2.000 clientes em mais de 100 países e é a principal fabricante de jatos comerciais com capacidade para até 150 passageiros.

Francisco Gomes Neto, presidente e CEO do Grupo Embraer, disse a jornalistas durante uma visita da imprensa às instalações da empresa em São José dos Campos, no início de junho, que a empresa possui contratos de defesa com 60 forças armadas e 170 clientes comerciais (além de uma base considerável de clientes de jatos executivos e uma presença menor no segmento de aeronaves agrícolas). A Embraer tem presença global, com instalações nos Estados Unidos, México, Reino Unido, França, Portugal, Holanda, Emirados Árabes Unidos, Índia, China e Singapura, e clientes em todos os continentes para seus produtos comerciais, executivos e de defesa.

A Embraer está apresentando um crescimento substancial e pretende se tornar uma empresa de US$ 10 bilhões antes de 2030. Ela registrou uma taxa de crescimento anual composta de 13% em sua carteira de pedidos desde 2021, que atualmente totaliza US$ 32,1 bilhões (aviação comercial representa 47% desse valor, com US$ 15 bilhões; aviação executiva, 24%, com US$ 7,6 bilhões; defesa e segurança, 13%, com US$ 4,4 bilhões; e serviços e suporte, 16%, com US$ 5,1 bilhões), o que corresponde a vários anos de produção.

Felipe Santana, Vice-Presidente de Relações Financeiras e com Investidores, observou que a Embraer tem apresentado um sólido desempenho financeiro e operacional nos últimos anos, adicionando US$ 1 bilhão em receita anual nos últimos quatro anos. A receita líquida atingiu US$ 7,5 bilhões em 2025 e a previsão é de que alcance entre US$ 8,2 bilhões e US$ 8,5 bilhões este ano, impulsionada pela entrega planejada de 80 a 85 aeronaves comerciais e de 160 a 170 aeronaves executivas.

A empresa está trabalhando para garantir novos pedidos, ao mesmo tempo em que aumenta a produção e melhora a eficiência e o desempenho da cadeia de suprimentos. A Embraer tem investido muito em eficiência geral, disse Neto, pois a empresa quer entregar mais com menos e está usando novas tecnologias para isso: ele quer que a empresa seja a fabricante de equipamentos originais (OEM) mais eficiente. Essa dedicação à eficiência ficou evidente durante a visita às instalações da empresa em São José dos Campos e Gavião Peixoto, onde a automação e os robôs são amplamente utilizados e não se viu nenhum resíduo de material nos galpões de produção.

A melhoria da eficiência é evidente na gestão da cadeia de suprimentos da Embraer – a empresa registrou um aumento de 18% nas entregas de aeronaves e uma redução de 22% na média de faltas de peças no último ano. Nos últimos cinco anos, os prazos de produção caíram 45% para a aviação executiva, 34% para a aviação de defesa e 28% para a aviação comercial. A Embraer firmou uma parceria com a Toyota para implementar o Sistema de Produção Toyota (TPS) e otimizar a fabricação de aeronaves. Ao aplicar essas metodologias de produção enxuta, a fabricante aeroespacial reduziu significativamente os prazos de produção, alcançando uma redução de 17% no tempo de produção de asas e impulsionando ganhos de eficiência operacional geral de cerca de 20%.

Defesa e segurança

O portfólio de defesa da Embraer abrange principalmente a aeronave de transporte militar multimissão de nova geração C-390 Millennium e a aeronave de treinamento e ataque leve A-29 Super Tucano, mas a Embraer também oferece uma linha completa de soluções integradas para sistemas aéreos, espaciais, marítimos, terrestres e cibernéticos. Por exemplo, a empresa (juntamente com sua subsidiária Atech) firmou parceria com o estaleiro alemão TKMS para construir as quatro primeiras fragatas da classe Tamandare para a Marinha do Brasil. A primeira fragata da classe entrou em serviço este ano, e o contrato para mais quatro unidades já foi assinado. Na área de radares, a Embraer desenvolve e produz radares táticos terrestres, como o M20, M60, M200 e radares de contrabateria. A empresa também produz aeronaves de alerta aéreo antecipado, como o R-99/E-99 e o Netra, baseadas em suas plataformas de aeronaves comerciais.

KC-390 Millennium.
Foto: Guy Martin

O C-390 Millennium é capaz de transportar até 26 toneladas métricas de carga a uma velocidade máxima de 470 nós (870 km/h), com capacidade para operar em ambientes austeros, incluindo pistas não pavimentadas ou danificadas. A aeronave já está em operação no Brasil, Portugal e Hungria, foi encomendada pela Coreia do Sul, Holanda, Áustria, República Tcheca, Uzbequistão, Suécia e Emirados Árabes Unidos, e foi selecionada pela Eslováquia e Lituânia. A Grécia iniciou recentemente o processo de aquisição de três aeronaves. A Embraer está de olho em muitos novos clientes, como Marrocos e África do Sul.

A Embraer descreve o A-29 Super Tucano como líder global em sua categoria, com mais de 300 encomendas e mais de 600.000 horas de voo acumuladas, incluindo 65.000 horas de combate. Atualmente, 22 forças aéreas selecionaram o Super Tucano, com outras encomendas em análise. O Super Tucano pode realizar uma ampla gama de missões, como patrulha aérea, operações especiais, coordenação aérea e tática (TAC), inteligência, vigilância e reconhecimento (ISR), vigilância de fronteiras, reconhecimento, escolta aérea, combate a sistemas aéreos não tripulados (UAS) e treinamento básico, operacional e avançado de pilotos. O Super Tucano tem desempenho comprovado em combate, com diversas forças aéreas africanas utilizando o modelo em operações de contra-insurgência – a Força Aérea Nigeriana o utiliza extensivamente para combater o Boko Haram e outros grupos terroristas.

A-29 Super Tucano.
Foto: Guy Martin

Ainda no setor de defesa, a Embraer monta o caça Gripen da Saab para a Força Aérea Brasileira. O Gripen foi selecionado em 2014 em um acordo que incluía compartilhamento de tecnologia – em março deste ano, o primeiro Gripen E produzido no Brasil saiu da linha de montagem da Embraer – a única instalação desse tipo para a aeronave fora da Suécia. A Embraer montará e entregará 15 Gripens para a Força Aérea Brasileira e espera aumentar a participação da Saab na montagem final do Gripen para atender à crescente demanda pelo jato. O Brasil encomendou 28 unidades do modelo E (monoposto) e oito do modelo F (biposto). Dias após a entrega do primeiro Gripen F para o Brasil, o país sul-americano anunciou, no início de junho, planos para comprar mais 20 Gripen E. Embora a cooperação com a Saab esteja indo bem, Neto afirmou que desenvolver seu próprio caça não é algo que a Embraer realmente deseja priorizar, e que estudará outros segmentos de mercado primeiro, além de se concentrar em produtos já existentes.

Aviação comercial

A Embraer Aviação Comercial possui mais de 100 clientes em todo o mundo operando as famílias de aeronaves ERJ e E-Jets. A família E-Jets começou com quatro aeronaves com capacidade entre 70 e 130 assentos: o E170, E175, E190 e E195. Em 2013, a Embraer lançou o E2, a segunda geração da família de aeronaves comerciais E-Jets, composta por duas novas aeronaves – o E190-E2 e o E195-E2 – com capacidade para até 146 passageiros. Um total de 202 aeronaves E2 foram entregues, acumulando 1,25 milhão de horas de voo desde que entraram em serviço em 2018, enquanto os pedidos e opções somam 397 aeronaves (em comparação, 819 aeronaves E175 foram entregues, acumulando 17,9 milhões de horas de voo).

A Embraer afirma que a família E2 possui os maiores intervalos de manutenção na categoria de jatos de corredor único – com 10.000 horas de voo para verificações básicas e sem limite de calendário para operações típicas do E-Jet, permitindo operação com tempo de inatividade mínimo. Além disso, a tecnologia embarcada na aeronave permite o uso de ferramentas de manutenção preditiva que geram dados para que as companhias aéreas antecipem suas necessidades de manutenção.

E-Jets da Embraer em sua unidade de São José dos Campos.
Foto: Guy Martin

O programa E-Jets registrou mais de 2.000 encomendas e 1.900 entregas para 90 companhias aéreas em 60 países, incluindo a África do Sul. A Airlink é a maior operadora comercial de aeronaves Embraer na África, utilizando os modelos E170, E175, E190, E195 e E195-E2, além dos jatos regionais ERJ 135/140. A Airlink encomendou dez novos E195-E2 (arrendados pela Azorra) para substituir modelos mais antigos e aumentar a capacidade. O primeiro E195-E2 entrou em serviço na Airlink em dezembro de 2025 – vários outros estão em construção nas instalações da Embraer em São José dos Campos. A Airlink tornou-se a primeira companhia aérea da África Austral a operar o E195-E2, que é equipado com motores turbofan Pratt & Whitney PW1009G com redução de potência, ampliando o alcance em relação aos modelos anteriores. A Airlink já recebeu três aeronaves E195-E2, e as restantes deverão ser entregues nos próximos 18 meses.

Rodrigo Silva e Souza, Vice-Presidente de Marketing da Divisão de Aviação Comercial, afirmou que o setor de aviação comercial enfrenta desafios constantes, como a pandemia de Covid-19 e agora o conflito no Irã, mas a divisão comercial da Embraer permanece resiliente, com crescimento previsível e vendas sólidas: a Aviação Comercial registrou US$ 7,4 bilhões em vendas em 2025, com a carteira de pedidos atingindo US$ 15 bilhões. A Embraer registrou 397 pedidos/opções do E2 e 215 pedidos/opções do E175 desde 2024 – detendo 76% da participação de mercado em sua categoria (contra o Airbus A220). A Embraer espera entregar de 80 a 85 E-Jets em 2026, um aumento em relação aos 78 em 2025 e 73 em 2024, além de até 170 jatos executivos este ano.

Um Embraer E-Jet.
Foto: Guy Martin

A Embraer está de olho na Índia e recentemente assinou um Memorando de Entendimento com a Adani Defence and Aerospace para estabelecer uma linha de montagem final para os E-Jets no país, prevendo um grande crescimento das companhias aéreas regionais indianas. No âmbito militar, a Embraer e o Grupo Mahinda firmaram uma parceria para produzir o C-390 na Índia, caso a empresa vença uma possível licitação – um edital formal ainda não foi publicado, mas acredita-se que a Índia esteja buscando adquirir até 80 novas aeronaves de transporte. Um Pedido de Propostas (RFP) para o programa de Aeronaves de Transporte Médio é esperado ainda este ano. Os requisitos de defesa indianos estipulam que cerca de metade dos componentes sejam de origem local para grandes compras. Uma linha de montagem completa poderia ser estabelecida na Índia, replicando a atual unidade de produção do C-390 em Gavio Peixoto.

Souza enfatizou que as companhias aéreas estão adicionando mais capacidade regional do que capacidade de longo alcance, especialmente em decorrência do aumento dos preços do combustível devido ao conflito com o Irã, o que está beneficiando a carteira de encomendas da Embraer. Jatos regionais tornam-se valiosos quando os preços do combustível sobem ou a demanda enfraquece, pois as companhias aéreas podem continuar operando rotas sem ter muitos assentos vazios. Os clientes da Embraer não estão solicitando adiamento de entregas ou suspensão de vendas em meio aos preços mais altos do combustível.

Serviços e suporte

Serviços e Suporte é uma das quatro principais unidades de negócios da Embraer, juntamente com seus ramos de Aviação Comercial, Defesa e Segurança e Aviação Executiva, e representa quase um terço da receita total da empresa. A área de Serviços e Suporte tem crescido rapidamente, com uma carteira de pedidos de US$ 4,9 bilhões para 2025 e US$ 5,1 bilhões atualmente – um novo recorde (em 2020, era de US$ 2 bilhões).

A unidade de negócios de Serviços e Suporte também inclui a OGMA, com sede em Portugal, fornecedora de serviços de manutenção, reparo e revisão (MRO) para aeronaves e motores civis e militares, e a Embraer CAE Training Services (ECTS), que oferece soluções avançadas de treinamento para os jatos Phenom e E-Jets E2. Com mais de 5.000 profissionais em todo o mundo, a Embraer Serviços e Suporte atende a mais de 2.000 clientes em mais de 100 países. Sua rede global compreende 80 centros de serviço autorizados, 14 instalações próprias de MRO, 200 representantes de suporte em campo, sete centros de distribuição globais e 100 simuladores de voo. O Centro de Atendimento ao Cliente oferece suporte global 24 horas por dia, 7 dias por semana, com uma equipe qualificada de técnicos disponível ininterruptamente, atendendo a mais de 35.000 chamadas anualmente e realizando mais de 100.000 interações com clientes. O portfólio inclui soluções de materiais, programas de pagamento por hora, manutenção, modificações de aeronaves, treinamento, suporte integrado, serviços digitais, serviços de engenharia e muito mais.

Limpeza da aeronave em andamento.
Foto: Guy Martin

Na África do Sul, a ExecuJet é a fornecedora autorizada de serviços de manutenção, reparo e revisão (MRO) para a Embraer no setor comercial, mas um recente memorando de entendimento com a Denel a designaria como fornecedora de serviços de MRO para o setor de defesa, caso a África do Sul, por exemplo, adquira o C-390 Millennium.

Carlos Naufel, presidente e CEO de Serviços e Suporte, afirmou que a divisão está crescendo 50% ao ano e, consequentemente, expandindo suas instalações. O segmento de serviços de defesa está testemunhando um aumento na demanda, com a Embraer inaugurando novos centros de serviço autorizados para o C-390 em todo o mundo, à medida que as vendas aumentam. A empresa também está recebendo mais serviços de manutenção de suas frotas de Super Tucano – muitas forças aéreas costumavam realizar sua própria manutenção, mas a Embraer agora está conquistando mais contratos de manutenção para o turboélice.

Aviação executiva

Em meados da década de 1990, a Embraer diversificou suas atividades para o mercado de aviação executiva e, em 2000, lançou o Legacy 600, baseado em seu jato regional ERJ 145. Em 2005, foram lançados o Phenom 100, um jato muito leve (VLJ) totalmente novo, e o Phenom 300, um jato leve. O carro-chefe da empresa, o Lineage 1000, uma versão para 19 passageiros do avião comercial E190, surgiu em 2006.

A Embraer Executive Jets introduziu o sistema fly-by-wire em jatos de médio porte com o lançamento do Legacy 450 e 500 em 2008. O Legacy 650, uma versão aprimorada e de maior alcance do Legacy 600, estreou em 2009. A linha de jatos executivos foi atualizada ao longo dos anos, incluindo o Lineage 1000E (Enhanced), com cabine, cockpit e alcance aprimorados (2013); o Phenom 100E, com spoilers multifuncionais (2014) e o 100EV (Evolution), com motor e aviônicos aprimorados (2016); o Legacy 650E, com a adição de visão sintética e acelerador automático (2016); e o Phenom 300E, com novo interior e aviônicos (2017). Os Legacy 450/500 foram atualizados para os modelos Praetor 500 e 600, de maior alcance.

Os modelos Lineage 1000/1000E e Legacy 600/650 não são mais fabricados: atualmente, a Embraer produz o Phenom 100EX e o 300E na categoria de jatos leves, bem como os jatos médios Praetor 500E e Praetor 600E nos segmentos médio e supermédio, respectivamente. A Embraer afirma que o Phenom 300E é o jato leve mais rápido em produção, enquanto o Praetor 500E foi otimizado para voar mais longe e mais rápido em seu segmento. Da mesma forma, afirma que o Praetor 600E é o jato supermédio com maior alcance do mundo.

Molho secreto

Cleiton Diniz, vice-presidente de Tecnologia e Equipamentos Eletrônicos da Embraer, acredita que a empresa possui o que ele chama de "ingrediente secreto" quando se trata de excelência em engenharia. Todos os engenheiros trabalham sob uma mesma estrutura, dando suporte a todas as divisões. Isso permite que eles transitem entre as divisões comercial, executiva e de defesa, onde podem compartilhar novas tecnologias (como os mais recentes sistemas fly-by-wire), melhores práticas e ideias inovadoras. Diniz afirmou que este é um momento empolgante para ser engenheiro na Embraer, pois a empresa tem muitos projetos para os engenheiros trabalharem – desde 2000, a Embraer certificou 22 aeronaves diferentes. "Não conheço nenhuma outra empresa que faça tanto quanto ele", disse.

Em 2019, a Embraer recebeu a certificação simultânea para seu E192-E2 da ANAC (Autoridade Nacional de Aviação Civil do Brasil), da Administração Federal de Aviação dos EUA e da Agência Europeia para a Segurança da Aviação, em um feito inédito no mundo.

A Embraer mantém seus engenheiros ocupados com inúmeros projetos de tecnologias futuras, como emissão zero, voo autônomo, inovações da Indústria 4.0, inteligência artificial, ciência de dados e segurança cibernética, entre outros. No que diz respeito à emissão zero, a empresa está explorando combustíveis sintéticos para aviação, energia de hidrogênio, sistemas elétricos de degelo e tecnologias futuras para cabines, como reconhecimento de voz.

Mobilidade aérea urbana

O projeto de mobilidade aérea urbana Eve Air Mobility da Embraer é a sua maior iniciativa de emissão zero. Ele começou como um projeto dentro da Embraer-X, uma aceleradora de mercado da Embraer encarregada de encontrar oportunidades disruptivas para crescimento exponencial. A ideia da mobilidade aérea urbana foi concebida para melhorar a mobilidade das pessoas em cidades ao redor do mundo. A Eve abriu seu capital com uma oferta pública inicial (IPO) na Bolsa de Valores de Nova York em 2022.

A aeronave totalmente elétrica possui oito hélices para voo vertical e uma única hélice propulsora para voo horizontal de cruzeiro. Ela foi projetada para um alcance de 85 km (mais reservas), transportando quatro passageiros e um piloto (no futuro, uma versão não tripulada poderá transportar seis passageiros); a tecnologia aprimorada de baterias promete aumentar ainda mais o alcance. Graças ao uso de motores elétricos, a aeronave deverá ser substancialmente mais silenciosa do que os helicópteros tradicionais, facilitando a operação a partir de cidades. Por questões de ruído, a Embraer optou por uma aeronave totalmente elétrica em vez de híbrida.

Protótipo Eve eVTOL em voo. Foto: Embraer

O primeiro voo do protótipo de engenharia não tripulado ocorreu em dezembro de 2025. Johann Bordais, CEO da Eve, afirmou que o protótipo já realizou 59 voos, acumulando duas horas e meia de tempo de voo. Este ano, a empresa planeja aumentar o envelope de voo da aeronave e expandir o voo vertical para transições horizontais completas. Um protótipo tripulado voará em 2027 e a certificação pela ANAC no Brasil é esperada para 2028. A certificação estava anteriormente prevista para 2026 e depois para 2027.

Até o momento, o Eve eVTOL conquistou 27 clientes em nove países, com 2.700 pedidos firmes e cartas de intenção (100 delas já estão em fase de contratos vinculativos). A carteira de pré-encomendas está avaliada em US$ 13,5 bilhões, com US$ 500 milhões em contratos vinculativos. Um dos pedidos vinculativos é da Revo, uma empresa de transporte aeroportuário por helicóptero em São Paulo, que encomendou dez aeronaves e possui 40 opções.

Embora muitos fabricantes estejam investindo pesado no setor de aeronaves elétricas de decolagem e pouso vertical (eVTOL), os obstáculos relacionados à certificação, desenvolvimento e regulamentação continuam a dificultar o progresso devido à complexidade de introduzir uma categoria de aeronave completamente nova. Ainda assim, a Embraer está otimista quanto às perspectivas do Eve e acredita que ele poderá gerar entre US$ 1 bilhão e US$ 1,5 bilhão em receita anual.

*Guy Martin estava no Brasil a convite da Embraer.

 

20 fevereiro, 2026

Embraer e Hindalco assinam um MoU para avaliar potenciais oportunidades de negócios com alumínio no setor aeroespacial

Hidalco é a maior empresa de alumínio do mundo em receita e o segundo maior produtor mundial de barras de cobre fora da China


*LRCA Defense Consulting - 20/02/2026

A Embraer e a Hindalco Industries Limited assinaram um Memorando de Entendimento (MoU, em inglês) para avaliar e explorar potenciais oportunidades de negócios na Índia. A atuação em conjunto visa identificar possibilidades na fabricação de matérias-primas de alumínio aeroespacial para apoiar as iniciativas industriais da Embraer, ao mesmo tempo em que fortalece o compromisso da empresa com a ambição Make in India.

"Essa atuação em conjunto reforça nosso objetivo em identificar parceiros locais que possam se tornar nossos fornecedores e, ao fazer isso, acelerar o desenvolvimento da base industrial indiana", afirma Roberto Chaves, Vice-Presidente Executivo de Compras Globais e Cadeia de Suprimentos da Embraer. "A iniciativa fortalece o empenho da Embraer no avanço do ecossistema aeroespacial na Índia, criando valor em toda a cadeia de suprimentos no longo prazo".

A assinatura deste MoU ocorre em um momento em que a Embraer está expandindo sua presença na Índia de forma constante e mantendo um diálogo ativo com líderes locais da indústria e do governo. Ao longo desse ciclo de avaliação, a empresa avaliou diversas capacidades industriais no país, incluindo montagem de aeroestruturas, usinagem, forja e fundição, compostos, cablagem, desenvolvimento de hardware e software.

A Índia representa um mercado estratégico para a Embraer em todos os seus segmentos de negócios. Atualmente, a empresa possui uma frota de 47 aeronaves operando no país, atendendo clientes nas áreas de Aviação Comercial, Executiva e Defesa & Segurança. Isso inclui cinco jatos VIP da Embraer operados pelo governo indiano e três aeronaves EMB 145 AEW "Netra" operadas pela Força Aérea Indiana.

Hindalco Industries Limited em Renukoot, na Índia

Sobre a Hindalco Industries
Hindalco Industries Limited é a empresa principal de metais do Grupo Aditya Birla. É a maior empresa de alumínio do mundo em receita e o segundo maior produtor mundial de barras de cobre fora da China.

A Hindalco atua em toda a cadeia de valor, desde mineração de bauxita, refino de allumina, mineração de carvão e geração de energia cativa até fundição, laminação, extrusões e folhas de alumínio. Junto com sua subsidiária Novelis, é líder global em produtos laminados planos e o maior reciclador mundial de alumínio.

A Hindalco é a maior produtora de cobre da Índia, fornecendo mais da metade da demanda nacional de cobre. Sua instalação de cobre em Gujarat conta com um complexo de fundição e refinaria de classe mundial, unidades a jusante e um cais cativo.

Com 52 fábricas em 10 países, a Hindalco foi classificada como a empresa de alumínio mais sustentável do mundo nos Índices de Sustentabilidade Dow Jones (DJSI) por cinco anos consecutivos — 2020, 2021, 2022, 2023 e 2024. 

14 fevereiro, 2026

Embraer acelera ofensiva estratégica na Ásia-Pacífico com múltiplas frentes de atuação

Fabricante brasileira posiciona região como novo eixo de crescimento global, combinando aviação comercial, defesa e mobilidade aérea urbana 


*LRCA Defense Consulting - 14/02/2026

A participação da Embraer no Singapore Airshow 2026, realizado entre 3 e 8 de fevereiro, consolidou uma mensagem clara: a Ásia-Pacífico deixou de ser um mercado secundário para se tornar um dos principais vetores de expansão da fabricante brasileira nas próximas décadas. Com avanços simultâneos em aviação comercial, defesa e mobilidade aérea urbana, a empresa reforça seu papel como player global em um dos mercados mais dinâmicos e competitivos do mundo.

KC-390 Millennium: conquistas e perspectivas promissoras
O transporte tático multimissão KC-390 Millennium protagonizou alguns dos anúncios mais significativos da feira. Durante o evento, a Embraer revelou o Uzbekistão como cliente não divulgado anteriormente, tornando o país da Ásia Central o primeiro operador do C-390 na região. A aeronave será utilizada principalmente em missões de transporte e humanitárias, representando uma modernização significativa das capacidades da Força Aérea uzbeque.

"Oficialmente damos as boas-vindas à República do Uzbekistão ao grupo de operadores do C-390, à medida que a Força Aérea uzbeque moderniza suas capacidades de transporte", declarou Bosco da Costa Junior, presidente e CEO da Embraer Defesa e Segurança. "Estamos honrados pela escolha desta força aérea líder da Ásia Central e trabalharemos em estreita colaboração com eles para garantir uma operação impecável da aeronave."

A Coreia do Sul representa outro marco importante. O primeiro KC-390 destinado à Força Aérea da República da Coreia (ROKAF) atingiu a fase final de montagem em dezembro de 2025 e está previsto para ser entregue ainda em 2026. O país asiático adquiriu três aeronaves sob o programa Large Transport Aircraft II, demonstrando confiança na plataforma brasileira.

Segundo da Costa Junior, a Embraer identificou um mercado endereçável de 184 aeronaves de transporte na região Ásia-Pacífico, muitas delas com cerca de 50 anos de idade e necessitando substituição urgente. A empresa reduziu o tempo de produção em 33% e planeja entregar seis aeronaves Millennium em 2026, ante três em 2025, com meta de produzir dez unidades anuais até 2030.

Índia: a grande oportunidade
A Índia representa potencialmente o maior contrato individual do KC-390. O país lançou uma concorrência para o programa MTA (Medium Transport Aircraft - Aeronave de Transporte Médio), que prevê a aquisição de 40 a 80 aeronaves para substituir os envelhecidos Antonov An-32 e Ilyushin Il-76.

A Embraer firmou parceria estratégica com o grupo Mahindra para estabelecer uma linha de montagem local do C-390 caso vença a concorrência, alinhando-se aos programas "Make in India" e "Aatmanirbhar Bharat" (Índia Autossuficiente). A proposta vai além da simples venda de aeronaves, incluindo transferência de tecnologia, desenvolvimento industrial, fabricação de peças e gestão de MRO (Manutenção, Reparação e Revisão) local.

Recentes mudanças nos requisitos da Força Aérea Indiana (IAF) parecem favorecer o C-390. A exigência de que a aeronave possa transportar o tanque leve Zorawar, de 25 toneladas, eliminou o Lockheed Martin C-130J Super Hercules da competição, deixando apenas o C-390 Millennium (26 toneladas de carga útil) e o Airbus A400M (37 toneladas) como concorrentes viáveis.

Fontes da IAF, citadas pelo site especializado IDRW, indicaram que o C-390 seria o "favorito" devido ao seu maior potencial para utilização em outras funções como Alerta Aéreo Antecipado (AEW), patrulha marítima (MPA), reabastecimento aéreo e plataforma ISTAR (Inteligência, Vigilância, Aquisição de Alvos e Reconhecimento).

A Embraer também propôs desenvolver uma nova plataforma AEW&C baseada na fuselagem do C-390, representando um avanço significativo em relação ao atual sistema Netra Mk1, baseado no jato regional ERJ-145. A empresa inaugurou recentemente um escritório em Nova Délhi para ampliar sua presença no mercado indiano.

Demonstrações estratégicas: Filipinas, Indonésia, Malásia, Tailândia e Singapura no radar
Além dos contratos já firmados, a Embraer tem intensificado demonstrações e reuniões de alto nível com diversos países da região Ásia-Pacífico, buscando expandir a presença do KC-390 Millennium.

- Filipinas: imediatamente após o Singapore Airshow 2026, um KC-390 Millennium realizou demonstração na Clark Air Base para a Força Aérea das Filipinas (PAF), marcando um movimento estratégico da Embraer para capturar futuros ciclos de modernização de transporte no arquipélago filipino. A presença do embaixador brasileiro Gilberto Moura e de diplomatas reforçou o caráter de diplomacia de defesa da ação.

A demonstração ocorre em contexto favorável. O Brasil é apontado pelo Departamento de Defesa Nacional filipino como único parceiro formal de defesa na América Latina e "importante contribuidor" da modernização das Forças Armadas das Filipinas, principalmente devido ao sucesso do contrato dos Super Tucano. Em fevereiro de 2026, visitas de autoridades brasileiras a Manila destacaram agendas de logística, indústria de defesa, segurança marítima e o Comprehensive Archipelagic Defense Concept filipino.

O KC-390 é apresentado à PAF como plataforma multimissão (transporte, reabastecimento em voo, evacuação médica, apoio humanitário e eventual patrulha marítima) particularmente adequada ao cenário arquipelágico filipino. A aeronave competiria numa "camada intermediária" entre os C-295 já operacionais (cinco ou mais unidades) e os C-130J Super Hercules contratados com entregas a partir de 2026.

Para a PAF, o KC-390 representaria diversificação de fornecedores além de EUA e Europa, maior carga útil e velocidade que o C-295, interoperabilidade com operadores em crescimento no Indo-Pacífico (Coreia do Sul, Uzbequistão) e potencial para cooperação tecnológica e manutenção local. Embora ainda não haja anúncio público de encomenda, as Filipinas aparecem nas comunicações da Embraer como alvo prioritário da campanha comercial do KC-390 no Sudeste Asiático. 
 

- Indonésia: em fevereiro de 2026, o presidente Prabowo Subianto participou pessoalmente de uma demonstração do KC-390 na Base Aérea Halim Perdanakusuma, em Jacarta, acompanhado pelo marechal-do-ar Mohamad Tonny Harjono, chefe do Estado-Maior da Força Aérea da Indonésia (TNI-AU). A demonstração ocorreu dias após reuniões entre autoridades brasileiras e indonésias, explorando oportunidades de negócios para atender às necessidades de defesa e aviação do arquipélago.

A Indonésia representa um mercado estratégico para o KC-390. O país recentemente adquiriu cinco Lockheed Martin C-130J-30 Super Hercules, mas opera uma frota envelhecida de C-130B/H com idade média superior a 47 anos. Com a recente aquisição do sistema de mísseis supersônicos BrahMos e a necessidade de transportar sistemas como as baterias de foguetes Astros II, a Indonésia busca vetores capazes de operar dentro do conceito Agile Combat Employment (ACE), especialmente em pistas das numerosas ilhas que formam o arquipélago indonésio.

- Malásia: em julho de 2025, durante a Cúpula do BRICS no Rio de Janeiro, o primeiro-ministro da Malásia, Datuk Seri Anwar Ibrahim, realizou reunião estratégica com a liderança da Embraer, incluindo o CEO Francisco Gomes Neto. O encontro, que contou com a participação de Anthony Loke (ministro dos Transportes) e Tengku Zafrul Tengku Abdul Aziz (ministro do Investimento, Comércio e Indústria), discutiu oportunidades de investimento estratégico e fortalecimento do ecossistema da indústria de aviação da Malásia.

As discussões abordaram possíveis colaborações em MRO, infraestrutura aeroespacial, desenvolvimento de talentos locais e, no setor de defesa, interesse no C-390 Millennium. A aeronave poderia preencher lacunas críticas na capacidade de transporte aerotático das Forças Armadas da Malásia (ATM), especialmente considerando a geografia diversa do país, que inclui áreas insulares e florestas densas.

Especulações sugerem que a Embraer teria oferecido um Pacote de Transferência de Tecnologia (PTU) para facilitar a integração da aeronave no ecossistema de defesa malaio, incluindo a criação de centros de manutenção regionais. Além do C-390, a Malásia poderia ter interesse no A-29 Super Tucano para missões de vigilância marítima e patrulha costeira, à semelhança de seus vizinhos Indonésia e Filipinas.

- Tailândia: a Tailândia tem demonstrado interesse crescente no KC-390, tendo recebido demonstrações da aeronave em eventos aeronáuticos regionais. O país opera uma frota de C-130 Hercules que necessitará substituição nas próximas décadas, e o KC-390 emerge como a melhor alternativa atual para modernização da capacidade de transporte tático da Real Força Aérea Tailandesa.

- Singapura: embora Singapura tenha optado recentemente por não selecionar o C-390 para substituir seus C-130, escolhendo adiar a modernização de sua frota de transporte tático, a Embraer mantém expectativas de futuras oportunidades na cidade-estado. Bosco da Costa Junior, CEO da Embraer Defesa & Segurança, afirmou no Singapore Airshow 2026 que a empresa continua vendo "oportunidades futuras para o C-390 na região, apesar da decisão de Singapura".

Singapura serve como hub das operações da Embraer na Ásia-Pacífico, abrigando o Centro de Distribuição Regional com mais de US$ 100 milhões em peças de reposição e o primeiro simulador completo de voo dos E-Jets E2 na região. Esta infraestrutura permanente demonstra o compromisso de longo prazo da empresa com o mercado asiático.

Filipinas dobra frota de Super Tucano
Além de potencial cliente do KC-390, a Embraer confirmou as Filipinas como o destino de seis aeronaves A-29 Super Tucano adicionais, dobrando a frota do país para 12 unidades. 

A empresa brasileira projeta um mercado endereçável de cerca de 90 aeronaves A-29 na Ásia-Pacífico, com 26 vendas identificadas como oportunidades de curto prazo.

Parceria estratégica com Grupo Adani para Aviação Comercial
Em janeiro de 2026, a Embraer e o Grupo Adani Defence & Aerospace assinaram um Memorando de Entendimento (MoU) para desenvolver na Índia um ecossistema integrado de aeronaves com foco na aviação comercial regional. Esta parceria complementa o acordo já firmado com a Mahindra para o segmento de defesa, demonstrando a estratégia dual da Embraer no mercado indiano.

A joint venture planejada com a Adani prevê a instalação de uma unidade de produção de aeronaves na Índia, com ampliação gradual do conteúdo produzido localmente, apoiando o programa de Aeronaves de Transporte Regional (RTA). A parceria abrangerá fabricação de aviões, cadeia de suprimentos, serviços de pós-venda e treinamento de pilotos.

"A Índia é um mercado fundamental para a Embraer, e esta parceria reúne nossa experiência no setor aeronáutico às sólidas capacidades industriais da Adani e ao seu compromisso com o desenvolvimento da indústria local", afirmou Arjan Meijer, presidente e CEO da Embraer Aviação Comercial.

A Adani, que já administra aeroportos e possui presença crescente nos setores de defesa e aeroespacial, contribuirá com infraestrutura aeroportuária, produção aeroespacial, serviços de MRO (Manutenção, Reparação e Revisão) e treinamento de pilotos. A iniciativa se alinha aos programas Make in India, "Aatmanirbhar Bharat" (Índia Autossuficiente) e UDAN, política nacional dedicada à ampliação da conectividade aérea regional.

A Embraer projeta que a Índia necessitará de pelo menos 500 aeronaves na categoria de 80 a 140 assentos nas próximas duas décadas. A Star Air é atualmente a única companhia aérea indiana a operar aviões da Embraer, com quatro E175 e quatro ERJ-145, mas considera anunciar sua primeira encomenda direta de até 20 jatos E2 em 2026.

Analistas do mercado financeiro avaliam que a parceria com a Adani, embora focada inicialmente em aviação comercial, pode facilitar a Embraer a apresentar suas aeronaves de transporte militar às forças armadas do país, criando sinergias entre os segmentos comercial e de defesa.

Aviação Comercial: E-Jets E2 ganham tração regional
Na aviação comercial, os jatos da família E2 consolidam presença crescente na região. A Scoot, subsidiária de baixo custo da Singapore Airlines, opera uma frota de E190-E2 em diversos destinos desde maio de 2024. A Virgin Australia iniciou operações com o E190-E2 em novembro de 2025, enquanto a All Nippon Airways (ANA), do Japão, encomendou 15 E190-E2 com opção para mais cinco aeronaves.

Malásia: mercado estratégico com potencial de 150 aeronaves
A Malásia emerge como um dos mercados mais promissores para os E-Jets E2 na região Ásia-Pacífico. Em maio de 2023, a SKS Airways selecionou dez jatos E195-E2 para impulsionar seus planos de crescimento, tornando-se a primeira operadora do E195-E2 no Sudeste Asiático. Os jatos, arrendados através da empresa Azorra, têm como base o Aeroporto de Subang, em Kuala Lumpur, e começaram operações em 2024.

A escolha da SKS Airways está alinhada ao Plano de Revitalização do Aeroporto de Subang (SARP), anunciado pelo governo malaio em fevereiro de 2023, que prevê transformar o aeroporto em um centro de excelência e plataforma de aviação regional. A eficiência de combustível, as baixas emissões de carbono e de ruído do E195-E2 tornam a aeronave ideal para operações em um aeroporto próximo ao centro de Kuala Lumpur.

Em julho de 2023, os jatos E190-E2 e E195-E2 da Embraer receberam a Certificação de Tipo da Autoridade de Aviação Civil da Malásia (CAAM). "Após uma avaliação completa, a CAAM está satisfeita em conceder a certificação de tipo para os jatos E195-E2 e E190-E2", afirmou o Capitão Norazman Bin Mahmud, CEO da CAAM.

Mercado expressivo
Estudos da Embraer identificam oportunidades significativas no mercado malaio. A fabricante prevê que jatos regionais podem viabilizar a abertura de mais de 120 novas rotas na região da Malásia, incluindo conexões domésticas e no Sudeste Asiático. Estas novas rotas impulsionariam a conectividade entre as cidades da Península da Malásia e as regiões de Sabah e Sarawak.

A Embraer também identificou a necessidade de 150 novas aeronaves com menos de 150 assentos nos próximos 20 anos na Malásia. Aeronaves regionais desse porte complementariam os widebodies maiores que são predominantes no país, aumentando a viabilidade de estabelecer novas rotas ou ampliar a frequência das rotas existentes.

"À medida que a demanda por viagens se recupera, vemos oportunidades únicas para a Malásia aprimorar sua conectividade doméstica e regional", disse Raul Villaron, vice-presidente da Embraer Aviação Comercial para a Ásia-Pacífico. "No entanto, essas novas rotas também devem ter viabilidade comercial para as companhias aéreas. As companhias aéreas estão enfrentando grandes desafios, como preços de combustível mais altos e um ambiente operacional cada vez mais competitivo, tornando imperativa uma adequação na capacidade de aeronaves para os passageiros."

Análises da malha aérea mostram que as três maiores operadoras locais - AirAsia, Malaysia Airlines e Malindo Air - apresentam um descompasso entre oferta e demanda. Operando majoritariamente com modelos A320 e Boeing 737, as companhias tiveram uma média de 128 passageiros por voo em 2019, contra uma oferta média de 171 assentos. Os modelos E190-E2 (114 assentos) e E195-E2 (146 assentos) seriam mais eficientes e lucrativos para rotas com demanda intermediária.

O E2 possui um custo de viagem 25% menor do que uma aeronave de corredor único de nova geração, mantendo a paridade de custo por assento e melhorando a competitividade das companhias aéreas.

Expansão regional dos E2
Além da Malásia, os E-Jets têm se expandido consistentemente pela Ásia-Pacífico. Cerca de 200 E-Jets operam na região, distribuídos entre aproximadamente 20 operadoras. A presença inclui companhias de diversos portes, desde grandes carriers até operadoras regionais.

No Vietnã, a Bamboo Airways demonstrou o potencial transformador dos E-Jets ao dobrar o número de passageiros no arquipélago turístico de Côn Đảo após passar a operar com E-Jets da Embraer. O caso ilustra como aeronaves do porte adequado podem viabilizar rotas que seriam inviáveis com jatos maiores.

"As companhias aéreas da região Ásia-Pacífico valorizam cada vez mais os E-Jets E2 como um ativo estratégico para fortalecer a conectividade em toda a região", afirmou Francisco Gomes Neto, presidente e CEO da Embraer. "Os E2 deixam de ser apenas uma alternativa aos narrowbodies tradicionais e passam a ser ativos estratégicos para as companhias aéreas."

A Embraer instalou o primeiro simulador completo de voo (FFS) para os E-Jets E2 na Ásia-Pacífico, em Singapura, por meio da joint-venture Embraer-CAE Training Services (ECTS). Esta infraestrutura permanente demonstra compromisso de longo prazo e reduz barreiras importantes para operadores na região, facilitando o treinamento de tripulações.

Arjan Meijer, CEO da Embraer Aviação Comercial, anunciou durante o Singapore Airshow que todos os E2s afetados por problemas nos motores PW1900G da Pratt & Whitney deverão retornar à operação em 2026. O número de aeronaves em solo por questões técnicas caiu de 35 no pico de 2025 para apenas cinco, devendo chegar a zero em breve. A Embraer entregou 44 E2s e 34 E175-E1s em 2025.

Eve Air Mobility: primeiro acordo firme na Ásia-Pacífico
A Eve Air Mobility, subsidiária da Embraer focada em mobilidade aérea urbana, marcou presença no Singapore Airshow com o anúncio de seu primeiro contrato firme na região Ásia-Pacífico. A empresa assinou acordo com a japonesa AirX, maior operadora pública de fretamento de helicópteros do Japão, para a aquisição inicial de duas aeronaves eVTOL (electric Vertical Take-Off and Landing), com opção de ampliação para até 50 unidades.

"Nosso primeiro acordo na região Ásia-Pacífico, alcançado em parceria com a AirX no Japão, é mais do que um marco: ele inaugura uma nova era que irá redefinir a mobilidade urbana", afirmou Johann Bordais, CEO da Eve Air Mobility. "A Ásia-Pacífico está bem posicionada para liderar a transformação global rumo ao transporte aéreo sustentável".

As duas aeronaves iniciais têm previsão de entrega em 2029 e serão integradas às operações da AirX, com foco em rotas turísticas e operações de última milha em cidades como Tóquio e Osaka. O acordo representa potencial de até US$ 150 milhões caso todas as opções sejam exercidas.

A CAE, líder global em soluções de treinamento para aviação civil, anunciou, durante o Singapore Airshow 2026, a entrega do primeiro simulador de voo completo dedicado ao treinamento de pilotos para a Eve Air Mobility, subsidiária da Embraer focada em aeronaves elétricas de decolagem e pouso vertical (eVTOL).

O equipamento será operado pela Embraer-CAE Training Services (ECTS), joint venture entre as duas empresas, e representa um marco crucial no processo de certificação da aeronave eVTOL da Eve, além de preparar pilotos para operações seguras antes do início previsto dos serviços comerciais. 

Mercado promissor para eVTOLs
As projeções divulgadas pela Eve Air Mobility estimam que 41% da frota global de eVTOLs estará baseada na região Ásia-Pacífico. Esse crescimento é impulsionado pela alta densidade populacional, haja vista que a região contém oito dos dez maiores clusters urbanos do mundo, com Tóquio liderando, e pelos desafios de congestionamento, deslocamentos longos e poluição do ar.

Até 2045, os 12.200 eVTOLs projetados para este mercado representarão apenas 0,1% de toda a rede de transporte, destacando o potencial significativo da Mobilidade Aérea Avançada (AAM) para reduzir distâncias de viagem e oferecer opções de transporte mais sustentáveis.

Em dezembro de 2025, a Eve completou o primeiro voo de seu protótipo eVTOL não tripulado em escala real, marcando o início da campanha de testes de voo e validação de sistemas-chave, incluindo a arquitetura fly-by-wire de quinta geração e rotores de sustentação de passo fixo. As operações de teste continuarão ao longo de 2026.


Construindo o ecossistema: Índia e Sudeste Asiático
Além do contrato firme com a AirX no Japão, a Eve Air Mobility tem desenvolvido uma rede estratégica de parcerias em toda a Ásia-Pacífico, com foco particular na Índia e Singapura como centros de desenvolvimento do ecossistema de Mobilidade Aérea Urbana.

Índia: Bangalore como cidade-piloto
Em setembro de 2022, a Eve firmou parceria estratégica com a FlyBlade India (joint venture entre Hunch Ventures e Blade Air Mobility) que inclui uma carta de intenção não vinculante para até 200 aeronaves eVTOL, serviços de suporte e a solução de Gerenciamento de Tráfego Aéreo Urbano (UATM) da Eve.

Em novembro de 2023, Bangalore foi anunciada como cidade de lançamento para voos de mobilidade aérea urbana utilizando aeronaves eVTOL na região. Com população superior a 13 milhões de habitantes e um dos ambientes urbanos mais densos do mundo, Bangalore representa um mercado ideal para a tecnologia da Eve.

"A Índia é um mercado incrivelmente importante para a mobilidade aérea urbana e nosso objetivo é trabalhar com a Hunch Mobility para fornecer aos residentes um modo adicional de transporte eficiente e acessível para reduzir os tempos de deslocamento em uma das cidades mais populosas do mundo", afirmou Johann Bordais.

As duas empresas iniciaram um projeto piloto de três meses conduzindo voos intra-cidade com helicópteros em Bangalore para coletar dados sobre operações e experiência do cliente. Essas informações estão sendo utilizadas para desenvolver o eVTOL, soluções de serviço e suporte, e o software UATM da Eve de acordo com as necessidades específicas do mercado indiano.

A Hunch Mobility, que oferece alternativas de transporte aéreo para algumas das rotas terrestres mais congestionadas da Índia (Mumbai, Shirdi, Pune e Bangalore), atua como parceira de conhecimento local da Eve para criar o ecossistema UAM no país. A Eve foi a primeira fabricante de eVTOL a anunciar uma carta de intenção na Índia.

O eVTOL da Eve, 100% elétrico com alcance de 100 quilômetros, oferecerá aos clientes da Hunch Mobility uma maneira rápida e econômica de evitar o congestionamento de tráfego. A aeronave será pilotada no lançamento, mas evoluirá para operações não tripuladas no futuro.

Além de uma nova opção de transporte eficiente, os voos eVTOL em Bangalore devem ter impacto econômico positivo na comunidade, incluindo novas oportunidades de emprego que vão desde pilotos e técnicos de serviço de aeronaves até treinamento e serviços técnicos. O desenvolvimento da infraestrutura necessária para suportar as operações de eVTOL também deve contribuir com valor e oportunidades de emprego para a região.

Singapura e Sudeste Asiático: hub regional
Em fevereiro de 2024, durante o Singapore Airshow, a Eve assinou um Memorando de Entendimento (MoU) com a Yugo Global Industries, empresa de aviação sediada em Singapura, para estudar o potencial de Mobilidade Aérea Urbana e voos eVTOL no Sudeste Asiático.

A Yugo é uma rede de aviação privada estabelecida por especialistas em aviação, com presença global e foco no Sudeste Asiático. Em sua missão de apoiar a inovação regional em mobilidade aérea, a Yugo conta com o suporte de operadores parceiros de transporte aéreo como PhilJets (Filipinas) e Helistar (Camboja).

A colaboração entre Eve e Yugo foca especificamente nos requisitos potenciais de infraestrutura para suportar operações de eVTOL, incluindo regulamentações. As empresas também analisarão tamanho e capacidades de centros de serviço e vertiportos, manuseio em solo e outras áreas conforme necessário.

"Estamos ansiosos para trabalhar colaborativamente com a Yugo para estudar e ajudar a definir o ecossistema UAM em Singapura e no Sudeste Asiático", disse Johann Bordais. "Nosso objetivo é também entender e definir um modelo de negócio que não apenas possibilite voos eVTOL na região, mas também avance o ecossistema de mobilidade como um todo."

Singapura está posicionada como pioneira no Sudeste Asiático para UAM, podendo fornecer aos países vizinhos um modelo para apoiar o desenvolvimento adicional do ecossistema na região. A infraestrutura de aviação do Sudeste Asiático está avançando rapidamente: as Filipinas estão construindo o New Manila International Airport pela San Miguel Corporation, enquanto o OCIC Group está construindo o Techo Takhmao International Airport do Camboja, com abertura prevista para 2025. Ambos os desenvolvimentos estão considerando estações de carregamento e rotas de voo para táxis aéreos e jatos elétricos.

"Acreditamos fortemente que as economias do Sudeste Asiático contribuirão muito para o desenvolvimento da indústria de eVTOL e UAM", afirmou Thierry Tea, presidente da Yugo. "Nossa colaboração com a Eve oferecerá insights valiosos sobre os requisitos essenciais para o desenvolvimento da mobilidade aérea regional."

Parcerias regionais adicionais
A Eve mantém parcerias ativas em toda a Ásia-Pacífico, incluindo colaborações com Jeju Air e Moviation na Coreia do Sul, Ascent Flights Global (que inclui operações em Bangkok, Manila, Melbourne, Singapura e Tóquio) e SkyScape no Japão para soluções de gerenciamento de tráfego aéreo urbano.

Com 400 cartas de intenção de clientes na região Ásia-Pacífico (incluindo Austrália, Índia, Japão e Coreia do Sul) de um total global de 2.850 LoIs, a região representa uma das áreas mais importantes para a estratégia de crescimento da Eve.

Infraestrutura e compromisso de longo prazo
A Embraer está presente na Ásia-Pacífico há quase cinco décadas, desde que a primeira aeronave Bandeirante iniciou operação na região em 1978. Singapura serve como centro das operações regionais, incluindo um Centro de Distribuição Regional que abriga mais de US$ 100 milhões em peças de reposição.

"A dinâmica da região Ásia-Pacífico é um dos vetores de crescimento da Embraer e vemos diversas oportunidades nas áreas aeroespacial e de defesa", destacou Francisco Gomes Neto. "Ao mesmo tempo, vemos um forte potencial para o KC-390 Millennium que ganha espaço globalmente, comprovando sua capacidade multimissão, confiabilidade e eficiência."

Além de Singapura, a empresa mantém escritório em Pequim, na China, e inaugurou recentemente uma nova sede em Nova Délhi, na Índia, que deverá estar totalmente operacional em 2025-2026, oferecendo serviços de engenharia, suporte técnico, fornecimento estratégico e desenvolvimento de negócios.

Estratégia multidimensional
A ofensiva da Embraer na Ásia-Pacífico revela uma estratégia clara de reposicionamento geoeconômico. Diferentemente de abordagens pontuais, a empresa atua simultaneamente em múltiplas frentes:

- Defesa: capitalizando a demanda regional por autonomia logística, transferência de tecnologia e produção local, com parcerias estratégicas como Mahindra (Índia) e DAPA (Coreia do Sul).

- Aviação Comercial: posicionando os E-Jets E2 como aeronaves ideais para aumentar conectividade em mercados densos e fragmentados, com rotas regionais de alta eficiência.

- Mobilidade Urbana: participando desde o início da construção do futuro da mobilidade aérea em megacidades asiáticas, com o eVTOL da Eve.

- Serviços e Suporte: investindo em infraestrutura permanente (simuladores, centros de distribuição, escritórios regionais) para reduzir barreiras operacionais e demonstrar compromisso de longo prazo.

Desafios e concorrência
Apesar dos avanços, a Embraer enfrenta concorrência acirrada. No segmento de defesa, compete com gigantes como Lockheed Martin e Airbus, que também possuem parcerias locais estabelecidas. Na aviação comercial, embora líder no segmento de até 150 assentos, a empresa ainda busca conquistar grandes operadores asiáticos.

A competição pelo contrato MTA da Índia será particularmente intensa. A Lockheed Martin anunciou planos para segunda linha de montagem do C-130J em parceria com a Tata, enquanto a Airbus possui contrato para fornecimento do C-295 com montagem parcial local, também com a Tata.

No entanto, a proposta mais abrangente da Embraer - que inclui não apenas venda de aeronaves, mas transferência de tecnologia, desenvolvimento de cadeia de suprimentos local e até possibilidade de tornar a Índia um hub de exportação do C-390 - pode fazer a diferença em um mercado que valoriza autonomia estratégica e desenvolvimento industrial próprio.

Perspectivas
Com 50 vendas ou seleções firmes do KC-390 globalmente (mais 19 opções), presença comercial crescente dos E-Jets E2, e o primeiro contrato firme de eVTOL na região, a Embraer demonstra que a Ásia-Pacífico não é apenas uma oportunidade futura, mas uma realidade presente em sua estratégia de crescimento.

A possível vitória na concorrência indiana, que pode representar até 80 aeronaves, consolidaria definitivamente a posição da empresa na região e abriria portas para novos mercados. Combinada com a expansão prevista da Eve Air Mobility e o crescimento contínuo dos jatos comerciais, a trajetória da Embraer na Ásia-Pacífico aponta para um papel cada vez mais relevante no ecossistema aeroespacial global.

"Estamos honrados e comprometidos com a região", concluiu Bosco da Costa Junior. "O que estamos construindo aqui vai muito além de contratos comerciais, pois estamos estabelecendo parcerias estratégicas de longo prazo que beneficiarão tanto a Embraer quanto nossos parceiros asiáticos nas próximas décadas."


Principais números da presença da Embraer na Ásia-Pacífico:

  • Quase 50 anos de operação na região (desde 1978)
  • Centro de Distribuição Regional em Singapura com mais de US$ 100 milhões em peças
  • Primeiro simulador E2 na região (Singapura)
  • 184 aeronaves de transporte como mercado endereçável (KC-390)
  • 40-80 aeronaves na concorrência MTA da Índia
  • 150 aeronaves previstas no mercado malaio (E2) nos próximos 20 anos
  • 120+ novas rotas potenciais na Malásia com jatos regionais
  • 500 aeronaves previstas no mercado indiano (80-140 assentos) nas próximas 2 décadas
  • 2 eVTOLs vendidos no Japão (opção para até 50)
  • 200 eVTOLs em carta de intenção na Índia (Hunch Mobility/FlyBlade India)
  • 400 cartas de intenção de clientes na região Ásia-Pacífico
  • 2.850 cartas de intenção globais (maior número entre fabricantes de eVTOL)
  • 41% da frota global projetada de eVTOLs na região
  • 15 E190-E2 encomendados pela ANA (+ 5 opções)
  • 10 E195-E2 selecionados pela SKS Airways (Malásia)
  • 3 KC-390 para Coreia do Sul
  • 2 KC-390 para Uzbekistão
  • 6 Super Tucano adicionais para Filipinas (total: 12)
  • 200 E-Jets operando na região (aprox. 20 operadoras)

Principais operadores e clientes comerciais na Região:

  • Scoot (Singapura) - E190-E2
  • Virgin Australia - E190-E2
  • All Nippon Airways (Japão) - 15 E190-E2 encomendados
  • SKS Airways (Malásia) - 10 E195-E2
  • Star Air (Índia) - 4 E175 e 4 ERJ 145
  • Bamboo Airways (Vietnã) - E-Jets
  • AirX (Japão) - 2 eVTOL (opção para 48 adicionais)

Principais clientes de Defesa na Região:

  • Coreia do Sul - 3 KC-390
  • Uzbekistão - 2 KC-390
  • Filipinas - 12 A-29 Super Tucano
  • Indonésia - 16  A-29 Super Tucano
  • Índia - Em negociação (potencial 40-80 KC-390)

Parcerias estratégicas estabelecidas:

  • Mahindra Group (Índia) - C-390 Millennium / Programa MTA
  • Adani Defence & Aerospace (Índia) - E-Jets E2 / Aviação comercial regional
  • Hunch Mobility/FlyBlade India (Índia) - eVTOL / 200 LoIs / Bangalore como cidade-piloto
  • Yugo Global Industries (Singapura) - eVTOL / Estudo UAM no Sudeste Asiático
  • AirX Inc. (Japão) - eVTOL / 2 unidades firmes + 48 opções
  • Jeju Air e Moviation (Coreia do Sul) - eVTOL / Ecossistema UAM
  • Ascent Flights Global (Regional) - eVTOL / Bangkok, Manila, Melbourne, Singapura, Tóquio
  • SkyScape (Japão) - UATM / Conceito de operações AAM para governo japonês
  • Azorra (leasing) - E195-E2 para SKS Airways (Malásia)
  • DAPA (Coreia do Sul) - Programa LTA-II

Países com interesse demonstrado:

  • Indonésia - Demonstração presidencial do KC-390 (fev/2026)
  • Malásia - Reunião de alto nível PM + Embraer (jul/2025)
  • Tailândia - Demonstrações e interesse no KC-390
  • Filipinas - Demonstração do KC-390 em Clark Air Base (fev/2026)
  • Singapura - Oportunidades futuras (apesar de não seleção recente)

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