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16 outubro, 2026

Avibras Aeroco leva equipe comercial a Marraquexe e abre nova fase sob controle da Globe

Participação no Marrakech Airshow 2026 antecede em poucos dias a conclusão da compra pelos irmãos Batista e soma-se à primeira entrega de munições ao Exército, mas ainda não resultou em contratos divulgados



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LRCA Defense Consulting - 16/10/2026 - 13h58

A Avibras Aeroco enviou sua equipe de vendas internacionais ao Marrakech Airshow 2026, realizado de 7 a 10 de outubro na base das Forças Reais Aéreas, em Marraquexe, no Marrocos. Em publicação no LinkedIn em 15 de outubro, a empresa informou que o vice-presidente de Vendas Internacionais, Rodolfo Romero, e o gerente de Vendas Internacionais, João Paulo Fonseca, participaram de reuniões com lideranças e representantes de alto nível, com o objetivo de ampliar o diálogo com potenciais clientes e parceiros estratégicos. A companhia não divulgou os nomes dos interlocutores, os produtos apresentados nem eventuais contratos ou acordos resultantes dos encontros.

A viagem ocorreu em um momento de virada para a fabricante de Jacareí (SP). Cinco dias depois do encerramento da feira, a Globe Investimentos, holding de investimentos pessoais dos empresários Joesley e Wesley Batista, concluiu a aquisição da totalidade do capital da companhia e confiou a Bruno Dantas, ex-presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), a missão de liderar sua internacionalização. A presença em Marraquexe é, assim, um dos primeiros movimentos externos visíveis de uma estratégia que passa a colocar as exportações no centro do plano de reconstrução da empresa.

Uma vitrine em ascensão no norte da África 
Realizada sob o alto patrocínio do rei Mohammed VI, a oitava edição do Marrakech Airshow foi organizada pela Association des Salons du Spatial, de l'Aéronautique et de la Défense (ASSAD), em parceria com o Ministério da Indústria e Comércio, a Administração da Defesa Nacional, as Forças Armadas Reais e a Gendarmaria Real. No balanço de encerramento, o presidente da ASSAD, Taoufiq Moucharraf, informou que o evento reuniu cerca de 200 expositores de 27 países e mais de 60 delegações estrangeiras, das quais 27 africanas. A feira registrou ainda mais de 17 mil visitantes profissionais nos três primeiros dias, além de aproximadamente 25 mil visitantes do público geral.

Em 8 de outubro, o Ministério da Indústria e Comércio marroquino firmou protocolos de acordo com as empresas APS Coating, MATIS e Mecapole, voltados a tratamento de superfícies, cablagem elétrica e usinagem de precisão de peças aeronáuticas. Esses números e acordos referem-se à feira como um todo e não a resultados atribuídos à Avibras Aeroco.

O movimento mais revelador para a empresa brasileira, porém, ocorreu na abertura. Em 7 de outubro, o ministro delegado encarregado da Administração da Defesa Nacional, Abdeltif Loudiyi, e a empresa Harmattan AI assinaram carta de intenção para a aquisição, o desenvolvimento e a produção no Marrocos dos sistemas de ataque em profundidade IRIFI. Trata-se justamente do segmento de fogos de longo alcance em que a Avibras atua. A aposta marroquina na produção local pode representar oportunidade, por meio de parcerias e transferência de tecnologia, mas também indica um mercado disputado, no qual estiveram presentes grupos como Lockheed Martin, Boeing, Airbus, Safran, Thales, IAI e Elbit Systems.

Presença brasileira além da Avibras 
A Avibras Aeroco não foi a única empresa da Base Industrial de Defesa (BID) em Marraquexe. Como noticiou o LRCA Defense Consulting em 9 de outubro, a Embraer e a Atech conduziram campanha conjunta na feira, com destaque para o KC-390 Millennium, o Super Tucano e soluções de comando e controle, sinalizando interesse em participação industrial local. Até o momento, não há anúncio público de compra marroquina.

A aproximação entre a Embraer e o Marrocos já havia sido formalizada no Marrakech Air Show de 2024, quando as partes assinaram memorando de entendimento para o desenvolvimento de um ecossistema aeronáutico no país africano. A ida da Avibras insere-se, portanto, em um movimento mais amplo de empresas brasileiras voltadas ao mercado marroquino. 

Sami Youssef Hassuani, CEO da Avibras Aeroco, maior indústria bélica da América Latina, fala sobre como o País deve organização a indústria de defesa (Marcelo Godoy - Estadão)

Equipe comercial e rede de adidos 

A delegação da Avibras Aeroco foi integrada por Rodolfo Romero e João Paulo Fonseca, o que indica prioridade à interlocução comercial direta. A empresa não detalhou as agendas individuais dos executivos.

Fonseca já havia representado a companhia em 30 de setembro, na Rodada de Relacionamento com Adidos Militares, realizada na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). Segundo a Avibras, o encontro reuniu 26 adidos brasileiros das três Forças, designados para atuar em 31 países. A rodada encerrou um workshop de dois dias promovido pelo Departamento de Defesa e Segurança (DESEG) da Fiesp, apontado pelo SIMDES como a primeira ação prática do acordo de cooperação entre a federação e o Ministério da Defesa, com a participação de 16 empresas. Na ocasião, o executivo destacou que o apoio dos adidos é fundamental para promover os produtos da empresa no exterior.

Retomada industrial dá lastro à oferta 

A ofensiva comercial apoia-se na reativação industrial da Avibras Aeroco, constituída no processo de reorganização da antiga Avibras Indústria Aeroespacial para reunir seus ativos industriais e tecnológicos, sem os passivos da antecessora. Em maio, a nova empresa foi credenciada pelo Ministério da Defesa como Empresa Estratégica de Defesa (EED).

Em 6 de outubro, cinco meses após o reinício das operações, a companhia realizou a primeira entrega de munições ao Exército Brasileiro, no Centro de Logística de Mísseis e Foguetes, em Formosa (GO). A empresa não informou o tipo nem a quantidade do lote. Dias antes, em 25 de setembro, o Diário Oficial da União publicou a sub-rogação total do Contrato nº 130/2023 à Avibras Aeroco, no valor de R$ 60.800.818,56 e com vigência até 31 de dezembro de 2026. Como revelou o LRCA Defense Consulting, o contrato prevê 3.072 foguetes para o Sistema ASTROS: 2.624 AV-SS-09 TS, destinados ao treinamento, e 56 contêineres AV-CL/SS-30, com 448 foguetes SS-30. Não há, porém, confirmação pública de que o lote entregue pertença a esse contrato. No dia seguinte à entrega, a fábrica recebeu uma comitiva do Centro de Instrução de Artilharia de Mísseis e Foguetes do Exército.

Portfólio em diferentes estágios de maturidade 
O portfólio que a empresa pode levar ao exterior combina produtos consolidados e projetos em desenvolvimento. O Sistema ASTROS segue como principal referência internacional da marca, e a companhia retomou a fabricação de foguetes como o SS-40 e o SS-80. O Míssil Tático de Cruzeiro (MTC-300), com alcance declarado de até 300 quilômetros, encontra-se em fase avançada de certificação: em 26 de agosto, novo ensaio realizado com o Exército no Centro de Avaliações do Exército (CAEx), na Restinga da Marambaia (RJ), atingiu os objetivos previstos, segundo a empresa. O Exército prevê ainda uma futura versão MTC Bloco II, com maior alcance e guiamento terminal, ainda sem alcance definido publicamente nem desenvolvimento iniciado.

Já o Míssil Tático Balístico (MTB) está em desenvolvimento em parceria com o Exército, no âmbito do Programa Estratégico ASTROS-FOGOS. As diretrizes de contratação foram discutidas em maio com a Diretoria de Fabricação e o CAEx, e o presidente da empresa, Sami Youssef Hassuani, descreveu o projeto ao jornal O Estado de S. Paulo como um míssil balístico guiado de 120 quilômetros de alcance. A eventual oferta internacional de cada solução dependerá de sua maturidade, da disponibilidade industrial e das autorizações de exportação aplicáveis. 

Imagem meramente ilustrativa

Nova estrutura acionária e prioridade às exportações 
Em 15 de outubro, a Globe Investimentos e a Avibras Aeroco anunciaram a conclusão da operação. A Globe tornou-se a única acionista da Nova AVB, controladora integral da Avibras Aeroco, mantendo o controle nacional da companhia. A transação havia sido aprovada sem restrições pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) em 14 de setembro, e seu valor não foi divulgado.

Com o fechamento, Bruno Dantas assumiu a presidência executiva do Conselho de Administração (Executive Chairman), com a atribuição de apoiar a reconstrução da capacidade industrial e liderar a abertura de novos mercados, fazendo das exportações o principal vetor de crescimento da empresa. Em nota, Dantas afirmou que a Avibras "voltará a fornecer tecnologia e equipamentos para todo o mundo". Sami Hassuani permanece na presidência da companhia, desenho que confirma a separação entre direção estratégica e gestão executiva antecipada pelo LRCA Defense Consulting em 20 de setembro.

Segundo reportagem da Folha de S.Paulo, a nova fase mira mercados como Índia e Malásia, e o plano apresentado por Hassuani estabelece como metas para 2028 alcançar 1.000 funcionários e faturamento de R$ 500 milhões.

O desafio de transformar contatos em encomendas 
Em entrevista ao Estadão, reproduzida em julho (vídeo acima), Hassuani afirmou esperar iniciar as exportações de produtos completos já em 2027, um ano antes do cronograma inicialmente previsto. O prazo representa uma expectativa da direção, e não a confirmação de contratos. Em setembro, a própria empresa informou que parte dos compromissos negociados com o governo federal, envolvendo compras das Forças Armadas, recursos para tecnologia e garantias para exportação, ainda não havia se concretizado.

A ida a Marraquexe deve ser compreendida, portanto, como etapa de reposicionamento. Depois de reabrir suas linhas, voltar a entregar material ao Exército e definir uma nova estrutura de controle, a Avibras Aeroco procura reconstruir relacionamentos comerciais no exterior. O próximo indicador concreto dessa estratégia será o anúncio de encomendas, parcerias formalizadas ou entregas destinadas a clientes internacionais.

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