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18 setembro, 2026

DESAER adota engenharia digital da Siemens para desenvolver o ATL-100

A escolha de ferramentas para projeto e simulação soma-se à encomenda tecnológica de Maricá e à formação de uma equipe local; empresa ainda não anunciou prazo para o protótipo ou o primeiro voo 


*LRCA Defense Consulting - 18/09/2026 (atualizado em 23 de setembro)

A DESAER selecionou o portfólio Siemens Xcelerator para o desenvolvimento do ATL-100, avião turboélice bimotor projetado para transportar até 19 passageiros ou 2.500 quilos de carga útil. Anunciada em 17 de setembro de 2026, a contratação prevê reunir projeto mecânico, sistemas elétricos, gerenciamento de dados e simulações em uma representação digital integrada da aeronave. O objetivo declarado é identificar problemas e avaliar alternativas antes da construção física, mantendo rastreáveis as alterações feitas pelas diferentes equipes de engenharia.

O anúncio ganha outra dimensão quando visto ao lado de duas medidas tomadas neste ano em Maricá, no Rio de Janeiro. Em março, a prefeitura assinou com a DESAER uma encomenda tecnológica e um termo de cooperação, com investimento municipal anunciado de R$ 32 milhões em estudos de engenharia, testes e validação. Em julho, a empresa apresentou um plano de contratação de 40 engenheiros e arquitetos para a implantação da unidade local. A nova infraestrutura digital pode oferecer a essas equipes um ambiente comum de trabalho, embora os comunicados não esclareçam se o contrato com a Siemens integra a encomenda financiada pelo município.

O que muda na engenharia 
O conjunto anunciado inclui o Designcenter, para o projeto tridimensional; o Capital, para os sistemas elétricos e eletrônicos; o Teamcenter, para organizar os dados e as versões do produto; e o Simcenter, para simulações de estruturas, fluidos e outros fenômenos físicos. Em termos práticos, a integração permite estudar como uma alteração em determinada parte do avião afeta outras partes e registrar qual configuração foi analisada. Esse encadeamento de informações é especialmente relevante em um projeto com várias configurações de cabine e diferentes missões.

O chamado gêmeo digital, porém, não é um avião pronto nem substitui automaticamente protótipos, ensaios físicos ou demonstrações necessárias à certificação. Seu valor está em permitir que a empresa teste hipóteses de engenharia, compare soluções e reduza retrabalho antes de fabricar componentes. Os ganhos efetivos de prazo e custo dependerão da implantação das ferramentas, da qualidade dos modelos e da validação dos resultados obtidos.

Uma aeronave para pistas com infraestrutura limitada 
A DESAER apresenta o ATL-100 como uma aeronave multimissão destinada ao transporte regional, à logística, à evacuação aeromédica e a operações de defesa e segurança. Segundo as informações divulgadas sobre o projeto, a cabine poderá ser reconfigurada e a aeronave deverá operar em pistas curtas e superfícies não preparadas, incluindo terra e cascalho. Trata-se de requisitos que interessam tanto à ligação de localidades remotas quanto ao apoio a operações em áreas com infraestrutura aeroportuária restrita. Essas capacidades, entretanto, ainda precisam ser demonstradas em uma aeronave construída e ensaiada.

Maricá entra na trajetória do programa 
A prefeitura informou que a primeira etapa de pesquisa e desenvolvimento seria conduzida no Galpão Tecnológico, em Inoã, e que a encomenda tecnológica abrange engenharia, testes e validação. Na apresentação de julho, anunciou-se que os engenheiros recrutados passariam por capacitação para o setor aeronáutico, enquanto arquitetos poderiam atuar também nos interiores das aeronaves. O investimento público e a formação da equipe mostram uma tentativa de criar capacidade local para desenvolver e futuramente produzir o ATL-100. 

Em 23 de setembro, o plano avançou com a assinatura de um termo de parceria entre a DESAER e o Movimento das Cooperativas de Maricá. O acordo envolve quatro cooperativas, três de engenharia e uma de tecnologia, e prevê a contratação de 40 engenheiros e arquitetos, entre os quais egressos do Passaporte Universitário. A prefeitura informou que já existem profissionais selecionados, mas não esclareceu se os 40 contratos previstos foram formalizados.

O próximo marco ainda precisa ser definido 
Até o momento, não foram divulgados o valor e a duração do contrato com a Siemens, a extensão das licenças e dos serviços contratados, nem um cronograma atualizado para conclusão do projeto, montagem do protótipo, primeiro voo e certificação. A AEROIN registra expressamente que não há data para o primeiro protótipo. A contratação das ferramentas é, portanto, um marco da organização do desenvolvimento, mas não permite antecipar quando o ATL-100 estará disponível para operadores civis ou militares.

Para avaliar o avanço do programa daqui em diante, será importante acompanhar a implantação real do ambiente digital, a consolidação da equipe em Maricá, a definição da configuração do avião e o início da fabricação e dos ensaios do protótipo. É nesses marcos que a infraestrutura de engenharia anunciada agora poderá ser medida pelos resultados que produzir.

04 julho, 2026

Desaer anuncia 40 vagas para engenheiros e arquitetos na futura fábrica de aeronaves em Maricá

Reunião entre Prefeitura, Movimento das Cooperativas e a empresa apresentou o plano de contratação e detalhes da produção do ATL-100 


*LRCA Defense Consulting - 04/07/2026

A Desaer, empresa brasileira de desenvolvimento aeronáutico responsável pela futura fábrica de aeronaves de Maricá, no litoral fluminense, anunciou a abertura de 40 vagas para engenheiros e arquitetos que atuarão na implantação da unidade industrial. O anúncio foi feito nesta quarta-feira (1º), durante reunião promovida pela Prefeitura de Maricá com o Movimento das Cooperativas, no Território do Futuro, no bairro do Flamengo. O encontro reuniu mais de 50 profissionais cooperativados da cidade, entre engenheiros de diferentes especialidades e arquitetos, além de representantes da empresa e do movimento cooperativista.

Capacitação técnica e frentes de atuação
Segundo a Desaer, os engenheiros selecionados passarão por uma etapa de capacitação específica, voltada a adaptar profissionais de áreas diversas às exigências técnicas da produção aeronáutica antes de atuarem no projeto. Já os arquitetos poderão trabalhar em diferentes setores da fábrica, incluindo o desenvolvimento de interiores das aeronaves. Segundo a empresa, as vagas não devem se concentrar apenas na linha de produção, havendo também oportunidades em planejamento, projetos, engenharia e acabamento.

ATL-100 abre a primeira frente de produção
A Desaer pretende iniciar, em Maricá, a produção do ATL-100, aeronave bimotor turboélice não pressurizada com capacidade para 19 passageiros ou 2,5 toneladas de carga, projetada para operar em pistas curtas e rústicas. A previsão inicial apresentada pela empresa é fabricar até quatro unidades por mês. A companhia também informou participar de uma licitação relacionada ao modelo ATL-300, turboélice de maior porte, com capacidade para 40 passageiros; caso avance nesse processo, a demanda por profissionais poderá crescer, abrindo novas vagas no município. A implantação da fábrica, portanto, deve ocorrer em etapas: primeiro, a estruturação da equipe técnica e o início da produção do ATL-100; depois, eventuais novos contratos poderão ampliar o porte da operação.

Cooperativas como ponte entre empresa e profissionais
Para o coordenador do Movimento das Cooperativas, José Carlos de Azevedo, a parceria cria uma alternativa concreta para profissionais que buscam novas áreas de atuação. “Essa parceria demonstra a força do cooperativismo em Maricá”, afirmou. Segundo ele, a estratégia do movimento é conectar cooperativas locais a projetos de maior porte, sobretudo em setores capazes de gerar empregos técnicos e renda especializada. Também participaram do encontro o CEO da Desaer, Evandro Fileno; o coordenador do Movimento das Cooperativas, Fábio Cardoso; e o economista basco Natxo Devicente, assessor do movimento.

Maricá busca consolidar novo polo industrial
A chegada da Desaer integra a estratégia de Maricá para diversificar a economia local, hoje fortemente dependente dos royalties do petróleo, e ampliar a geração de empregos qualificados fora dos setores tradicionais do município. Com a fábrica, a cidade passa a disputar espaço em uma cadeia produtiva ligada à aviação, que envolve engenharia, arquitetura, manutenção, produção, tecnologia e logística.

O projeto foi formalizado em março, quando a Prefeitura assinou com a Desaer um contrato de Encomenda Tecnológica (ETEC) no valor de R$ 32 milhões, no Galpão Tecnológico de Inoã, com a participação do Instituto de Ciência, Tecnologia e Inovação de Maricá (ICTIM) e da Companhia de Desenvolvimento de Maricá (Codemar). Na ocasião, o prefeito Washington Quaquá afirmou que o investimento geraria de imediato 60 empregos para engenheiros locais, com projeção de até 6 mil vagas diretas e indiretas em três ou quatro anos, quando um protótipo deverá voar a partir do Aeroporto de Maricá.

Fundada em 2017 em São José dos Campos (SP) por ex-funcionários da Embraer, entre eles o próprio Evandro Fileno, a Desaer é uma empresa independente e de capital nacional, voltada a aeronaves utilitárias para os mercados regional e militar. Antes de firmar o acordo com Maricá, a companhia buscou instalar sua fábrica em Araxá (MG), negociação que não avançou; o novo polo fluminense começou a ser desenhado a partir de 2024 e 2025, com protocolos de intenção assinados em abril do ano anterior.

19 março, 2026

Maricá investe R$ 32 mi com Desaer e mira 6 mil empregos no setor aeronáutico

 


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LRCA Defense Consulting - 19/03/2026

Maricá, no litoral fluminense, deu um passo ousado rumo à diversificação econômica ao anunciar, na terça-feira (17), um investimento de R$ 32 milhões em parceria com a Desaer, startup brasileira do setor aeronáutico. O prefeito Washington Quaquá assinou o convênio no Galpão Tecnológico de Inoã, prometendo transformar a cidade em um hub de inovação, com geração imediata de 60 empregos para engenheiros locais e até 6 mil vagas diretas e indiretas em poucos anos. 

Anúncio histórico no Galpão Tecnológico
Durante a cerimônia, realizada às 14h e envolvendo a Prefeitura, o Instituto de Ciência, Tecnologia e Inovação de Maricá (ICTIM) e a Companhia de Desenvolvimento de Maricá (Codemar), Quaquá destacou o impacto transformador do projeto. "Estamos investindo R$ 32 milhões para gerar imediatamente 60 empregos de engenheiros. Daqui a três ou quatro anos, com o protótipo voando no Aeroporto de Maricá, serão 3 mil empregos diretos e mais 3 mil indiretos", afirmou o prefeito, enfatizando a qualificação local com cursos de pilotos e mecânicos. 

O contrato de Encomenda Tecnológica (ETEC) marca o início do desenvolvimento de uma aeronave no município, com planos para instalação de uma fábrica no Parque Tecnológico. A iniciativa visa atrair indústrias fornecedoras de peças, reduzindo a dependência de royalties do petróleo, principal receita atual de Maricá. 

Desaer: das origens na Embraer ao renascimento aeronáutico brasileiro
Fundada em 2017 em São José dos Campos (SP), a Desaer surgiu de ex-funcionários da Embraer demitidos via Plano de Demissão Voluntária (PDV), liderados pelo CEO Evandro Fileno, engenheiro com vasta experiência na gigante brasileira. Apesar da ligação histórica mencionada por Quaquá, a empresa é independente e 100% nacional, focada em aeronaves utilitárias para aviação regional e militar. 

Após negociações frustradas em Araxá (MG), onde planos de fábrica não avançaram, Maricá surge como novo polo desde 2024-2025, com protocolos de intenção assinados em abril do ano passado. 

Foco no ATL-100: sucessor moderno do Bandeirante
No centro do projeto está o ATL-100, bimotor turboélice não pressurizado para 19 passageiros ou 2,5 toneladas de carga. Com rampa traseira para operações em pistas curtas e rústicas, a aeronave tem envergadura de 20 metros, peso máximo de decolagem de 8.618 kg, velocidade máxima de 428 km/h e alcance de até 3.700 km. Posicionado como evolução do clássico EMB-110 Bandeirante da Embraer, o modelo atende demandas de transporte leve em regiões remotas, com potencial civil e militar. 

Impactos econômicos e estratégicos para Maricá e o Brasil
A parceria não só impulsiona empregos qualificados, mas também fortalece a cadeia de suprimentos aeronáuticos no RJ, alinhando-se à expertise nacional em aviação. Para Quaquá, é "o primeiro passo para uma Maricá industrializada, investindo em educação, ciência e tecnologia".  

A Desaer planeja protótipos em 3-4 anos, com produção em escala transformando Inoã em referência tecnológica. Maricá, assim, planeja voar alto para além do petróleo.

25 abril, 2023

Construção da fábrica de aviões da Desaer deve começar em maio

Prefeitura de Araxá concedeu um terreno de 277,8 mil metros quadrados no Aeroporto Romeu Zema para a implantação da Desaer | Crédito: Divulgação/Prefeitura de Araxá

*Diário do Comércio, por Thyago Henrique - 25/04/2023

Com previsão para durar cerca de um ano e meio, as obras para a construção da primeira fábrica de aviões da Desaer – Desenvolvimento Aeronáutico devem ter início no próximo mês. A informação é do CEO e um dos sócios-fundadores da empresa, Evandro Fileno.

O empreendimento será erguido em uma área anexa ao Aeroporto Romeu Zema, no município de Araxá, na região do Alto Paranaíba. O terreno de 277,8 mil m² foi concedido pela prefeitura local à companhia em abril do ano passado. Na época, a estimativa era de que as intervenções fossem iniciadas ainda no segundo semestre de 2022.

A construção da unidade demandará investimentos de pelo menos US$ 100 milhões. Os aportes serão realizados por investidores estrangeiros. Segundo o Executivo, a transição de governo implicou uma interrupção momentânea no diálogo para o financiamento. Mas de acordo com ele, as conversas foram retomadas no último mês.

Fileno ressalta que em março, inclusive, a Desaer transferiu seu escritório para Araxá e “agora tudo indica que o dinheiro vai conseguir entrar no Brasil no próximo mês para a construção da fábrica”. Conforme o CEO, nesta semana, ele realizará uma viagem à negócios e “conseguindo trazer o recurso, a construtora já está pronta para começar (as obras)”.  

Geração de empregos e a escolha por Araxá
A fábrica de aviões também resultará em benefícios para a região. Estima-se, por exemplo, que a receita municipal, atualmente girando em torno de R$ 500 milhões anuais, tenha um incremento de 20% com a nova empresa. Além da contribuição com impostos pagos ao município, serão gerados milhares de postos de trabalho.

ATL-100 deve ser o primeiro avião a ser fabricado em Minas | Crédito: Divulgação

De acordo com o sócio-fundador, as construtoras estimam a criação de cerca de 1.500 empregos no canteiro de obras. Após o término das intervenções e o início das operações, que está previsto para 2025, a fábrica de aviões deve gerar de 1.200 a 1.300 vagas, entre diretas e indiretas em um turno de serviço, podendo dobrar, a depender da demanda.

Segundo Fileno, visando capacitar a mão de obra local e contratar quando a planta estiver pronta, a Desaer está tentando levar cursos para a cidade e implantá-los dentro do programa Trilhas do Futuro, do governo de Minas Gerais, fundamental para a vinda da empresa para o Estado. A companhia foi disputada por sete unidades da Federação.

“Tivemos opções de vários municípios e vários estados, mas o Estado que conversou mais profissionalmente e com mais seriedade com a gente foi Minas Gerais. Minas ofereceu várias cidades e a gente foi analisando. Araxá, escolhemos por causa do espaço aéreo, pela  infraestrutura acadêmica e devido à prefeitura querer desenvolver a cidade”, explica.

O projeto

Esta será a primeira unidade operacional da Desaer. Fundada em 2017 por pessoas com vasta experiência no setor de desenvolvimento aeronáutico, por exemplo, ex-funcionários da Embraer,  que é o caso de Evandro Fileno, a empresa produz aviões regionais com capacidade para até 50 passageiros. Inicialmente, em Araxá serão produzidas quatro aeronaves por mês.

O primeiro avião a ser fabricado pela companhia será o ATL-100, um bimotor turboélice para 19 passageiros ou 2.500 kg de carga. O protótipo, que opera em pistas curtas não pavimentadas e de fácil manutenção, já tem, inclusive, contratos de compras assinados.
 

12 maio, 2021

Conheça a Desaer, a nova fabricante brasileira de aviões


*CNN Brasil -= 09/05/2021

A Embraer não é a única fabricante de aviões instalada em São José dos Campos (SP). A cidade, que concentra o maior polo aeroespacial do Brasil, também é a casa da Desenvolvimento Aeronáutico, ou apenas Desaer. Fundada em 2017, a empresa ainda funciona como uma startup, mas a intenção de seus fundadores é torná-la uma nova referência no setor.

“Estamos desenvolvendo uma aeronave de última geração para a categoria dos aviões utilitários. Atualmente, todos os produtos disponíveis nesse segmento são projetos das décadas de 1980 e 1970, ou até mais antigos. É um ramo da aviação carente por novidades e produtos modernos”, disse Evandro Fileno, CEO e um dos sócios-fundadores da Desaer, em entrevista ao CNN Brasil Business.

A aeronave mencionada por Fileno é o ATL-100, um bimotor turboélice para uso comercial e militar, com capacidade para 19 passageiros ou 2.500 kg de carga. A sigla ATL é uma abreviação para “Aeronave de Transporte Leve”, um tipo de avião que a Embraer parou de fabricar em 1990, quando encerrou a produção do EMB-110 Bandeirante.


“Existem cerca de 5.000 aviões do porte do Bandeirante em operação no mundo todo. Fizemos uma pesquisa de mercado e descobrimos que quase a metade dessas aeronaves deverão ser aposentadas nas próximas duas décadas. É uma demanda expressiva e vamos competir por ela”, contou o CEO da Desaer, que foi engenheiro de produção da Embraer por mais de 20 anos. “Quase todos os colaboradores da Desaer trabalharam da Embraer”, acrescentou.

Apesar de novata no mercado, a Desaer já está chamando atenção. “As Forças Armadas do Brasil demonstraram interesse no ATL-100. Também apresentamos o projeto para companhias aéreas, como a Azul”, revelou Fileno. “É um avião que pode ser interessante para a aviação regional, tanto no transporte de passageiros como de cargas.”

Quem também se interessou pelo ATL-100 foram os portugueses. Em maio de 2020, a Desaer anunciou a formação de uma joint venture com o Centro de Engenharia e Desenvolvimento de Produto (CEiiA), a maior instituição de Portugal na área de pesquisas sobre mobilidade. O CEiiA, inclusive, é um dos parceiros da Embraer no desenvolvimento da aeronave C-390 Millennium.

“A parceira com o CEiiA é muito importante para nós. Teremos mais profissionais envolvidos no projeto do ATL-100, aqui no Brasil e em Portugal. Também nos ajuda a atrair mais investidores internacionais”, afirmou, acrescentando que a empresa negocia com potenciais investidores da Ásia, Europa e Oriente Médio.

ATL-100
Primeiro produto da Desaer, o ATL-100 segue à risca a receita da categoria “Commuter”. Por definição, esse é um segmento restrito a aeronaves utilitárias com motores turboélices, capacidade para 19 passageiros, sem cabine pressurizada e com peso máximo de decolagem na faixa dos 8.600 kg. O Bandeirante da Embraer, por exemplo, obedece a esses critérios.

O avião projetado pela Desaer ainda conta com algumas características que aumentam a performance e as possibilidades operacionais, como as asas montadas na parte superior da fuselagem e o conjunto de trem de pouso fixo. Esses componentes são ideais para aviões que exercem trabalhos pesados, como aterrissar e decolar a partir de pistas de terra ou grama. Nas mãos de pilotos militares, uma aeronave como essa pode pousar até onde não há pistas.

“A ATL-100 tem características únicas nesse segmento, como a porta traseira com uma rampa de acesso. Isso facilita muito a operação de carga e descarga em aeroportos pouco estruturados, pois não exige equipamentos de solo especiais, como empilhadeiras”, disse o CEO da Desaer.

Segundo dados da startup, o ATL-100 poderá voar a velocidade máxima de 430 km/h (e cruzeiro de 380 km/h) e terá uma autonomia de, aproximadamente, 2.000 km (ou cerca de 570 km totalmente carregado). O modelo também já tem preço: US$ 5,5 milhões (R$ 29,9 milhões na cotação atual).

“Estamos trabalhando para apresentar o ATL-100 e voar com primeiro o protótipo até o fim 2024. A produção dos primeiros componentes do avião deve começar nos próximos meses”, prevê Fileno, que planeja o lançamento da aeronave no mercado para meados de 2025.

Para o ATL-100 decolar, a Desaer busca um investimento de US$ 100 milhões (cerca de R$ 543,5 milhões). “Esse orçamento cobre a produção dos primeiros protótipos, testes de voo e a certificação, que é a parte mais cara e complexa no processo de desenvolvimento de um novo avião”, contou o CEO da empresa.

Embora ainda esteja longe de voar, o ATL-100 já conquistou um cliente. Em 2019, durante a feira de aviação executiva Labace, em São Paulo, a Desaer confirmou a assinatura de um contrato de intenção de compra da AGS Logística. A empresa de transporte de cargas planeja adquirir até cinco exemplares da aeronave.

Fábrica em Araxá (MG)
O avanço mais recente da Desaer foi a escolha de Araxá (MG) para sediar a futura fábrica da empresa. A planta será inserida no aeroporto Romeu Zema e também contará com escritórios administrativos e de engenharia. “A fábrica deve gerar entre 1.000 e 1.200 empregos diretos e indiretos da região. A cadência de produção inicial em Araxá será de quatro aeronaves por mês”, avalia Fileno. A construção da nova sede é orçada em US$ 70 milhões (R$ 380 milhões).

A mudança da Desaer para o município mineiro é viabilizada pela Prefeitura de Araxá com apoio do Governo de Minas Gerais, através da Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais (CODEMGE) e do Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais (CEFET-MG).

“Ainda vamos manter um centro de desenvolvimento em São José dos Campos. Também temos planos de erguer uma fábrica em Portugal, na cidade de Ponte de Sor, região do Alentejo, por meio da joint venture com o CEiiA”, contou o diretor da Desaer.

Prevendo voos ainda mais altos, Fileno contou que a Desaer trabalha atualmente em outros cinco projetos de aeronaves, além do ATL-100. “Esperamos por grandes avanços após a pandemia. Temos projetos de drones agrícolas, aviões de treinamento, uma aeronave para 40 passageiros, entre outros. Vem muita coisa por aí.”

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