Em entrevista ao ABIMDE Cast, representante da empresa detalha produtos em homologação, capacidade de fornecimento de insumos estratégicos e planos de expansão comercial
*LRCA Defense Consulting - 10/10/2026
A Indústria de Material Bélico do Brasil (IMBEL) pretende utilizar a 9ª Mostra BID Brasil, programada para 24 a 26 de novembro de 2026, em Brasília, para apresentar uma combinação de armamentos, sistemas de comunicações e insumos estratégicos. Em entrevista ao ABIMDE Cast, a tenente-coronel Marília Vilas Boas, assessora de Relações Institucionais da empresa, destacou projetos em desenvolvimento, a produção nacional de propelentes e o interesse de clientes estrangeiros por produtos da indústria brasileira.
A entrevista oferece detalhes sobre iniciativas que já vinham sendo divulgadas. Em julho, o LRCA noticiou a apresentação de uma nova geração de produtos da IMBEL durante a troca de sua presidência. Agora, as declarações permitem examinar o estágio de alguns projetos e a importância de sua inserção na cadeia de suprimentos de defesa.
Propelente para o míssil MAX e substituição de fornecedores
Um dos pontos mais relevantes foi a confirmação, por Marília, de que a IMBEL desenvolveu um grão propelente destinado ao míssil MAX, associado ao programa MSS 1.2 MAX, e já o comercializa. Segundo a representante, a aproximação com a empresa responsável pelo projeto ocorreu após atrasos de um fornecedor estrangeiro. A entrevista não identifica contratos, quantidades entregues nem o estágio de incorporação do insumo aos lotes de mísseis produzidos.
O dado reforça a relevância da produção nacional de materiais energéticos em um mercado internacional marcado por restrições de fornecimento e prazos prolongados. A IMBEL mantém capacidade industrial em explosivos e propelentes, incluindo a Fábrica Presidente Vargas, em Piquete (SP). A nacionalização de um insumo específico, entretanto, não equivale à nacionalização integral do sistema de armas.
Comunicações: Rondon e recursos além da linha do horizonte
Na área de comunicações, Marília citou a família Rondon, de rádios definidos por software, nas configurações veicular, portátil e manpack. Também mencionou recursos de comunicação satelital, criptografia e interoperabilidade entre equipamentos de diferentes fabricantes. Não ficou esclarecido, na entrevista, se todas essas capacidades pertencem aos mesmos modelos Rondon ou a outros sistemas do portfólio da IMBEL.
A representante salientou que os rádios apresentados como futuros lançamentos ainda aguardam testes e homologação. Portanto, a previsão de exibição na Mostra BID não deve ser confundida com disponibilidade operacional imediata. A família Rondon já havia sido apresentada em eventos anteriores, de modo que a novidade está principalmente na atualização sobre versões, funcionalidades e maturidade do desenvolvimento.
Armamentos voltados à redução de peso
A IMBEL também pretende destacar uma pistola 9 mm de percussor lançado, conhecida como striker, e um fuzil de precisão, além de um simulador de tiro associado ao IA2 em calibre 5,56 mm. Marília relacionou o desenvolvimento de armamentos mais leves às necessidades de militares e agentes de segurança pública, que transportam equipamentos durante longos períodos de serviço.
A empresa já divulga em seus canais oficiais projetos como a Pistola IMBEL 9 Striker e o fuzil de alta precisão IMBEL 308 WIN. A entrevista não apresenta resultados de ensaios, cronogramas definitivos de homologação ou encomendas para os novos modelos. Entre os produtos mencionados como já comercializados figuram o fuzil .308 e a pistola 9 TC MD6.
Munições, exportações e capacidade industrial
Outro tema abordado foi a planta de carregamento de munições na Fábrica de Juiz de Fora (MG). A instalação integra a estratégia de ampliar a capacidade interna de suprimento, especialmente diante da dificuldade de aquisição de determinados materiais no exterior. A planta já havia sido anunciada pela IMBEL, mas a entrevista reforça sua importância no atual cenário internacional.
Marília afirmou que países estrangeiros vêm procurando a IMBEL especialmente para fornecimento de explosivos e propelentes, não apenas de munições completas. A declaração indica oportunidades comerciais, embora não traga informações que permitam medir crescimento de exportações, identificar novos compradores ou confirmar contratos recentes.
Tradição industrial e inovação
Criada formalmente em 1975, a IMBEL reúne fábricas com origens históricas muito anteriores, algumas vinculadas ao desenvolvimento da indústria militar brasileira desde o início do século XIX. A empresa busca conciliar esse legado com sua atuação como Instituição Científica, Tecnológica e de Inovação (ICT), desenvolvendo soluções a partir de demandas das Forças Armadas, órgãos de segurança e parceiros industriais.
Na entrevista, Marília também recordou a trajetória do coronel Paranhos, ligado ao desenvolvimento do sistema Gênesis, como exemplo da continuidade de projetos tecnológicos conduzidos por profissionais civis e militares. Segundo ela, a IMBEL responde por cerca de 2 mil empregos diretos e mais de 20 mil indiretos, números apresentados pela representante, sem detalhamento metodológico.
O que observar na Mostra BID
A exposição em novembro deverá oferecer oportunidade para esclarecer quais produtos já concluíram homologação, quais funcionalidades dos rádios estão efetivamente demonstradas e em que estágio se encontra o fornecimento do propelente destinado ao MAX. Essas respostas serão decisivas para distinguir demonstrações tecnológicas, capacidades industriais existentes e entregas comerciais consolidadas.
A Indústria de Material Bélico do Brasil (IMBEL) pretende utilizar a 9ª Mostra BID Brasil, programada para 24 a 26 de novembro de 2026, em Brasília, para apresentar uma combinação de armamentos, sistemas de comunicações e insumos estratégicos. Em entrevista ao ABIMDE Cast, a tenente-coronel Marília Vilas Boas, assessora de Relações Institucionais da empresa, destacou projetos em desenvolvimento, a produção nacional de propelentes e o interesse de clientes estrangeiros por produtos da indústria brasileira.
A entrevista oferece detalhes sobre iniciativas que já vinham sendo divulgadas. Em julho, o LRCA noticiou a apresentação de uma nova geração de produtos da IMBEL durante a troca de sua presidência. Agora, as declarações permitem examinar o estágio de alguns projetos e a importância de sua inserção na cadeia de suprimentos de defesa.
Propelente para o míssil MAX e substituição de fornecedores
Um dos pontos mais relevantes foi a confirmação, por Marília, de que a IMBEL desenvolveu um grão propelente destinado ao míssil MAX, associado ao programa MSS 1.2 MAX, e já o comercializa. Segundo a representante, a aproximação com a empresa responsável pelo projeto ocorreu após atrasos de um fornecedor estrangeiro. A entrevista não identifica contratos, quantidades entregues nem o estágio de incorporação do insumo aos lotes de mísseis produzidos.
O dado reforça a relevância da produção nacional de materiais energéticos em um mercado internacional marcado por restrições de fornecimento e prazos prolongados. A IMBEL mantém capacidade industrial em explosivos e propelentes, incluindo a Fábrica Presidente Vargas, em Piquete (SP). A nacionalização de um insumo específico, entretanto, não equivale à nacionalização integral do sistema de armas.
Comunicações: Rondon e recursos além da linha do horizonte
Na área de comunicações, Marília citou a família Rondon, de rádios definidos por software, nas configurações veicular, portátil e manpack. Também mencionou recursos de comunicação satelital, criptografia e interoperabilidade entre equipamentos de diferentes fabricantes. Não ficou esclarecido, na entrevista, se todas essas capacidades pertencem aos mesmos modelos Rondon ou a outros sistemas do portfólio da IMBEL.
A representante salientou que os rádios apresentados como futuros lançamentos ainda aguardam testes e homologação. Portanto, a previsão de exibição na Mostra BID não deve ser confundida com disponibilidade operacional imediata. A família Rondon já havia sido apresentada em eventos anteriores, de modo que a novidade está principalmente na atualização sobre versões, funcionalidades e maturidade do desenvolvimento.
Armamentos voltados à redução de peso
A IMBEL também pretende destacar uma pistola 9 mm de percussor lançado, conhecida como striker, e um fuzil de precisão, além de um simulador de tiro associado ao IA2 em calibre 5,56 mm. Marília relacionou o desenvolvimento de armamentos mais leves às necessidades de militares e agentes de segurança pública, que transportam equipamentos durante longos períodos de serviço.
A empresa já divulga em seus canais oficiais projetos como a Pistola IMBEL 9 Striker e o fuzil de alta precisão IMBEL 308 WIN. A entrevista não apresenta resultados de ensaios, cronogramas definitivos de homologação ou encomendas para os novos modelos. Entre os produtos mencionados como já comercializados figuram o fuzil .308 e a pistola 9 TC MD6.
Munições, exportações e capacidade industrial
Outro tema abordado foi a planta de carregamento de munições na Fábrica de Juiz de Fora (MG). A instalação integra a estratégia de ampliar a capacidade interna de suprimento, especialmente diante da dificuldade de aquisição de determinados materiais no exterior. A planta já havia sido anunciada pela IMBEL, mas a entrevista reforça sua importância no atual cenário internacional.
Marília afirmou que países estrangeiros vêm procurando a IMBEL especialmente para fornecimento de explosivos e propelentes, não apenas de munições completas. A declaração indica oportunidades comerciais, embora não traga informações que permitam medir crescimento de exportações, identificar novos compradores ou confirmar contratos recentes.
Tradição industrial e inovação
Criada formalmente em 1975, a IMBEL reúne fábricas com origens históricas muito anteriores, algumas vinculadas ao desenvolvimento da indústria militar brasileira desde o início do século XIX. A empresa busca conciliar esse legado com sua atuação como Instituição Científica, Tecnológica e de Inovação (ICT), desenvolvendo soluções a partir de demandas das Forças Armadas, órgãos de segurança e parceiros industriais.
Na entrevista, Marília também recordou a trajetória do coronel Paranhos, ligado ao desenvolvimento do sistema Gênesis, como exemplo da continuidade de projetos tecnológicos conduzidos por profissionais civis e militares. Segundo ela, a IMBEL responde por cerca de 2 mil empregos diretos e mais de 20 mil indiretos, números apresentados pela representante, sem detalhamento metodológico.
O que observar na Mostra BID
A exposição em novembro deverá oferecer oportunidade para esclarecer quais produtos já concluíram homologação, quais funcionalidades dos rádios estão efetivamente demonstradas e em que estágio se encontra o fornecimento do propelente destinado ao MAX. Essas respostas serão decisivas para distinguir demonstrações tecnológicas, capacidades industriais existentes e entregas comerciais consolidadas.