Pesquisar este portal

05 junho, 2026

FAB emprega sistema de sequestro cibernético de drones na Operação Ágata Amazônia 2026

Adquirido em caráter emergencial para a COP 30, o EnforceAir da israelense-britânica D-Fend Solutions ganhou nova missão operacional na fronteira amazônica, onde drones clandestinos apoiam o crime transfronteiriço 


*LRCA Defense Consulting - 05/06/2026

A Força Aérea Brasileira (FAB) implantou na Operação Ágata Amazônia 2026 o sistema de contramedidas antidrones EnforceAir, desenvolvido pela D-Fend Solutions, empresa de origem israelense sediada em Londres. O equipamento, empregado pelo 3º Grupo de Defesa Antiaérea (3º GDAAE) com apoio do Destacamento de Controle do Espaço Aéreo de São Gabriel da Cachoeira (DTCEA-UA), cobre a vigilância de baixa altitude em áreas operacionais sensíveis, neutralizando aeronaves remotamente pilotadas (RPAs) que possam ameaçar as forças em campo ou apoiar atividades ilícitas.

Da COP 30 à fronteira norte
O EnforceAir chegou ao inventário da FAB em outubro de 2025, quando a Base Aérea de Anápolis (BAAN) contratou a D-Fend Solutions em caráter emergencial, por dispensa de licitação, para proteger áreas sensíveis e delegações de chefes de Estado durante a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP 30), realizada em Belém em novembro daquele ano. O contrato, assinado em 29 de outubro de 2025, teve validade de doze meses e valor de R$ 6,6 milhões.

Com a COP 30 encerrada, o sistema não foi recolhido: foi reempregado na Operação Ágata Amazônia 2026, rebatizada de Comando Conjunto Harpia, que mobiliza cerca de 1.638 militares das três Forças Armadas, além de agentes da Polícia Federal, do Ibama e do Censipam, em ações de vigilância e combate a ilícitos transfronteiriços na Amazônia Ocidental.

EnforceAir implantado pela FAB na Operação Ágata Amazônia 2026

Como funciona o sistema
O EnforceAir é classificado como sistema C-UAS (counter-unmanned aircraft systems) de categoria não cinética e não bloqueadora. Em vez de destruir fisicamente o drone ou embaralhar sinais de radiofrequência de forma indiscriminada, a tecnologia executa o que a D-Fend denomina RF cyber takeover: intercepta o protocolo de comunicação entre o drone e seu operador, assume o controle do equipamento e o pousa em uma zona segura predefinida, sem derrubar o aparelho e sem interromper outras comunicações no espectro.

A solução opera de forma autônoma ou manual, detecta e identifica múltiplas ameaças simultaneamente, não requer linha de visada direta com o alvo e distingue automaticamente entre drones autorizados e não autorizados, permitindo que aeronaves amigas continuem operando na mesma área. O hardware inclui rádio definido por software (SDR, software-defined radio) de baixo consumo e peso, com antenas omnidirecionais de banda ultralarga que cobrem 360 graus.

A versão mais recente, o EnforceAir PLUS, acrescenta um radar de estado sólido para detecção antecipada e uma opção de bloqueio seletivo de radiofrequência como camada adicional, gerenciados pelo motor de fusão de dados SmartAir, que integra as informações de sensores cibernéticos e de radar em um quadro situacional unificado.

 

Emprego operacional na Amazônia
De acordo com o Comandante da Força Aérea Componente (FAC) na operação, Brigadeiro do Ar Mateus Barros de Andrade, o sistema antidrone integra um esforço mais amplo que inclui defesa aeroespacial, controle de solo e atividades de inteligência, vigilância e reconhecimento. "O nosso principal foco, durante a Operação Ágata, está nas ações de defesa aérea, medidas de controle de solo e atividades de inteligência, vigilância e reconhecimento. Para garantir a proteção do nosso material e das aeronaves empregadas em São Gabriel da Cachoeira, adquirimos também um equipamento antidrone, com o objetivo de evitar possíveis ameaças às nossas aeronaves", disse o Brigadeiro Mateus.

A relevância do sistema se amplifica no contexto amazônico: drones clandestinos são frequentemente usados por organizações criminosas para monitorar operações policiais e militares, orientar o transporte de drogas e ouro, e apoiar o garimpo ilegal em territórios indígenas e unidades de conservação de difícil acesso. A capacidade de pousar o drone invasor intacto, em vez de abatê-lo, tem o benefício adicional de preservar o equipamento como evidência.

Posicionamento internacional da D-Fend Solutions
Fundada em Israel e hoje com sede em Londres, a D-Fend Solutions posiciona o EnforceAir como solução de referência para agências governamentais de alto nível, destacando implantações em órgãos militares e de segurança federal dos Estados Unidos, além de grandes aeroportos internacionais. A empresa fornece atualizações de software com frequência para ampliar a cobertura de novos modelos de drones comerciais, e afirma que o sistema opera com taxa próxima a zero de falsos alarmes.

O contrato com a FAB representa uma das primeiras implantações públicas conhecidas do EnforceAir na América do Sul, sinalizando a entrada da D-Fend Solutions no mercado de defesa brasileiro em um momento em que a proliferação de drones de baixo custo redefine os requisitos de proteção do espaço aéreo tanto em grandes eventos civis quanto em ambientes operacionais militares.

04 junho, 2026

Honduras avança na avaliação do A-29 Super Tucano e sinaliza interesse em modernização da frota de ataque

Presidente Asfura e alto comando das Forças Armadas receberam demonstração da aeronave brasileira em Tegucigalpa; nenhum contrato foi anunciado, mas visita ocorre em paralelo à repotenciação dos T-27 já em serviço 


*LRCA Defense Consulting - 04/06/2026

O aeródromo da Base Aérea Coronel Hernán Acosta Mejía, em Tegucigalpa, recebeu na última semana o avião demonstrador do A-29 Super Tucano, turboélice de ataque leve da Embraer. A visita reuniu o presidente constitucional e comandante-geral das Forças Armadas de Honduras, Nasry Juan Asfura Zablah, o secretário de Defesa, Enrique Rodríguez Burchard, o chefe do Estado-Maior Conjunto, general Héctor Benjamín Valerio Ardón, e o comandante da Fuerza Aérea Hondureña (FAH), general Walter Yanuario Paz López. A embaixadora brasileira em Honduras, Andrea Watson, e representantes da Embraer completaram a delegação.

Durante o evento, o diretor de Desenvolvimento de Negócios da Embraer, Alfredo Roberto, apresentou as capacidades da aeronave em missões de vigilância aérea, patrulha de fronteiras, reconhecimento armado, treinamento avançado e defesa do espaço aéreo. Nenhum contrato ou carta de intenções foi anunciado publicamente.

Frota envelhecida e duas frentes de modernização
A avaliação do A-29 ocorre em contexto de renovação parcial da aviação de ataque hondurenha. A FAH opera há décadas aeronaves com limitações crescentes de manutenção: os caças Northrop F-5E/F Tiger II, recebidos a partir de 1987, enfrentam décadas de restrição no fornecimento de peças de reposição pelos Estados Unidos, e os Cessna A-37B Dragonfly acumulam velhice similar.

Em paralelo à demonstração do A-29, as Forças Armadas apresentaram ao presidente Asfura os resultados de um programa interno de modernização e repotenciação da frota de Embraer T-27 Tucano já em serviço. Um dos aviões realizou seu primeiro voo de retorno ao serviço ativo em 23 de maio de 2026, após 13 anos imobilizado. A aeronave será empregada em missões contra o narcotráfico e na vigilância do espaço aéreo, segundo as Forças Armadas.

A presença da embaixadora brasileira nas duas ocasiões, tanto na cerimônia do T-27 quanto na demonstração do A-29, reforça o papel diplomático do Brasil no processo. O governo hondurenho não divulgou estimativa de custo nem cronograma para eventual aquisição.

Embraer amplia penetração na América Central e no Caribe
Caso Honduras confirme a compra, será o terceiro país da América Central e do Caribe insular a operar o Super Tucano. A República Dominicana adquiriu a aeronave há mais de 15 anos, e o Panamá assinou contrato recente para equipar seu Serviço Nacional Aeronaval (Senan) com o modelo. A aeronave também foi adquirida recentemente pelo Uruguai (primeiras duas unidades entregues em fevereiro de 2026) e pelo Paraguai.

Com mais de 290 pedidos registrados e presença em 22 forças aéreas ao redor do mundo, o A-29 acumula mais de 570 mil horas de voo, sendo ao menos 60 mil em combate. A Embraer anunciou ainda que capacidades contra sistemas não tripulados (C-UAS) serão incorporadas ao modelo a partir do segundo semestre de 2026, ampliando seu portfólio operacional. A variante A-29N, alinhada com requisitos da OTAN, foi selecionada por Portugal.

Perspectiva industrial
Para a Embraer, Honduras representa uma oportunidade de expansão em um mercado onde a empresa já detém laços históricos: os T-27 Tucano da FAH são de fabricação brasileira, e a empresa brasileira conduz o programa de repotenciação em andamento. Analistas do setor apontam que a visita presidencial ao demonstrador é um indicativo relevante de que a aeronave está entre as principais candidatas para os planos de modernização de médio prazo da força aérea hondurenha, embora Honduras ainda não tenha formalizado nenhum programa de aquisição.

Brasil manifesta interesse em comprar mais 20 caças Gripen

Ministros da Defesa do Brasil e da Suécia assinam declaração de intenções em Estocolmo; aeronaves seriam fabricadas no Brasil, ampliando a parceria Saab-Embraer; contrato definitivo ainda não foi firmado 


*LRCA Defense Consulting - 04/06/2026

O ministro da Defesa do Brasil, José Múcio, esteve em Estocolmo na quinta-feira (4) para uma coletiva de imprensa conjunta com o ministro da Defesa sueco, Pål Jonson. A agenda incluiu a cerimônia de roll-out do primeiro Gripen F (versão biplace do caça) realizada em Linköping no dia 2 de junho, e a assinatura de uma declaração de intenções (letter of intent) para aprofundar a cooperação bilateral em defesa.

O anúncio
Jonson declarou à imprensa que o Brasil manifestou interesse em adquirir mais 20 caças das variantes E e F, além dos 36 já contratados em 2014. "O Brasil expressa o interesse em ir além dos 36 Gripen e adquirir outros 20", afirmou o ministro sueco. Múcio, por sua vez, referiu-se a "talvez 20 Gripen". Os dois ministros confirmaram também que a Saab abrirá um novo centro de pesquisa e desenvolvimento no Brasil, em São José dos Campos (SP), cidade-sede da Embraer, parceira principal dos suecos na produção local do caça.

As aeronaves adicionais seriam fabricadas no Brasil, no complexo industrial de Gavião Peixoto (SP), o que implicaria uma expansão da capacidade produtiva da linha conjunta Saab-Embraer, hoje responsável por até 20 aeronaves por ano. A Saab já sinalizou que precisará ampliar essa capacidade em função do contrato firmado semanas antes com a Ucrânia, que inclui a venda de 20 Gripen E.

O que está confirmado e o que ainda não está
O anúncio é uma declaração de interesse, não um contrato. O documento assinado pelos dois ministros é uma letter of intent, instrumento que formaliza a intenção política, mas não cria obrigações jurídicas de compra. A formalização do contrato depende de negociações ainda em curso entre os dois governos, de disponibilidade orçamentária e, no caso brasileiro, de autorização do Congresso Nacional. O Ministério da Defesa do Brasil não havia respondido a questionamentos sobre o modelo exato das aeronaves nem sobre eventuais condições de financiamento até o fechamento desta matéria.

O programa atual: atrasos, aditivos e linha produtiva ganhando ritmo
O contrato original, assinado em 2014 no valor de 39,3 bilhões de coroas suecas (cerca de R$ 20 bilhões, financiados em 25 anos), prevê a entrega de 36 aeronaves, sendo 28 Gripen E monoplace e 8 Gripen F biplace. O prazo inicial era 2024, mas doze aditivos contratuais já deslocaram o cronograma para 2032, um atraso de oito anos atribuído, entre outros fatores, ao ineditismo do programa de transferência de tecnologia e ao alto grau de inovação do próprio avião em relação à geração anterior.

O orçamento autorizado do programa em 2026 é de R$ 1,36 bilhão. Até março deste ano, 57% do valor total previsto já havia sido executado, mas somente 11 dos 36 aviões haviam sido entregues à operação. Os doze aditivos, segundo a FAB, representaram custo equivalente a mais seis aeronaves adicionais. Apesar dos atrasos, o Gripen é apontado como um dos programas com melhor execução financeira nas Forças Armadas brasileiras.

Em março de 2026, Brasil e Suécia apresentaram o primeiro caça supersônico montado em solo brasileiro, o F-39E, de matrícula FAB 4109, produzido em Gavião Peixoto. A FAB acumulou 12 aeronaves recebidas até aquela data (11 fabricadas na Suécia e uma no Brasil). Há atualmente três unidades em construção na linha brasileira. A planta de Gavião Peixoto é também responsável pela produção de 15 dos 17 Gripen E encomendados pela Colômbia, haja vista que os dois Gripen F colombianos serão fabricados em Linköping.

O Gripen F biplace
O roll-out do Gripen F na terça-feira (2), em Linköping, foi o outro evento central da viagem de Múcio à Suécia. A aeronave, de matrícula FAB 4000, é o primeiro exemplar da variante biplace do Gripen E e levou cinco anos para ser desenvolvida com participação direta de engenheiros e técnicos brasileiros. O modelo não possui o canhão interno Mauser BK-27 presente no Gripen E e é cerca de 70 centímetros mais longo. Ele foi projetado para combinar funções de treinamento de conversão e missões de combate na mesma plataforma. A FAB receberá oito unidades do modelo. Colômbia e Tailândia também adquiriram a variante F.

O pano de fundo: o maior corte orçamentário da Defesa em 2026
O anúncio em Estocolmo contrasta com o cenário fiscal doméstico. No dia 29 de maio, o governo federal publicou decreto de contenção de R$ 23,7 bilhões no Orçamento de 2026, com o Ministério da Defesa figurando como a pasta mais afetada: R$ 4,4 bilhões bloqueados, impactando diretamente Exército, Marinha e Força Aérea. Os ministérios e órgãos têm até 8 de junho para informar quais programas sofrerão restrições dentro dos limites estabelecidos.

O bloqueio aprofunda uma crise orçamentária que já pesava sobre as Forças Armadas. Em maio, o próprio Múcio havia declarado, durante o Mecodex 2026 em Brasília, que o orçamento da Defesa "não dá para nada". Analistas e setores militares apontam que a viagem a Estocolmo, embora relevante para o programa F-X2, expôs a tensão entre a agenda diplomático-industrial e a urgência política de defender os recursos militares em Brasília.

A questão dos Gripen C/D e o apagão em ataque a solo
O anúncio dos 20 Gripen adicionais não responde a uma demanda prioritária das Forças Armadas: a substituição dos aviões AMX A-1, que serão aposentados em 2027 e são hoje os únicos caças da FAB com capacidade de ataque a solo. Militares brasileiros vinham negociando com a Suécia a aquisição de ao menos 12 Gripen C/D usados para cobrir essa lacuna até a conclusão das entregas dos Gripen E/F.

A perspectiva de obter essas aeronaves, porém, tornou-se mais difícil. Como parte do acordo firmado na semana anterior com a Ucrânia, a Suécia comprometeu-se a doar 16 dos 96 Gripen C/D de sua frota ativa ao país em guerra com a Rússia. A doação reduz o estoque disponível para eventuais transferências e impõe um custo estratégico a Estocolmo, que desde seu ingresso na OTAN, em 2024, mantém a maior parte de sua frota em prontidão operacional.

Gavião Peixoto como polo regional
A expansão do programa Gripen interessa também à estratégia comercial da Saab para a América do Sul. O CEO da empresa, Micael Johansson, já declarou que pretende transformar Gavião Peixoto em polo de produção regional do caça. Além dos pedidos já confirmados de Colômbia e Tailândia, a Saab apresentou oferta formal à Colômbia. Uma ampliação da linha para os 20 Gripen brasileiros adicionais aumentaria a escala produtiva e reduziria custos unitários, beneficiando também os programas de exportação.

Embraer e a contrapartida sueca
A parceria bilateral envolve contrapartidas comerciais significativas para o Brasil. A Suécia formalizou a compra de quatro aeronaves de transporte tático Embraer C-390 Millennium por cerca de 8 bilhões de coroas suecas (aproximadamente US$ 857 milhões), com entregas previstas a partir do primeiro trimestre de 2028 e opção de aquisição de mais sete unidades. A Suécia torna-se a sexta nação europeia a operar o C-390, ao lado de República Tcheca, Hungria, Países Baixos, Portugal e Áustria.

Postagem em destaque