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dezembro 22, 2020

Taurus desenvolve novos fuzis, mas os produzirá no Brasil?


*LRCA Defense Consulting - 22/12/2020

A Taurus Armas S.A. está desenvolvendo novos modelos de fuzis nos calibres 7,62 x 51mm (NATO), 5,56 x 45mm e 7,62 x 39mm visando, principalmente, o mercado internacional. Estas armas, nos dois primeiros calibres, foram apresentadas por Samuel Cout em vídeo recente realizado quando de sua visita à empresa e publicado em seu canal no YouTube.

Uma das novidades é o Taurus T10, um fuzil no calibre 7,62 baseado na conceituada plataforma AR-10, o que lhe permite beneficiar-se de um eventual intercâmbio de peças e acessórios com outros modelos desenvolvidos na mesma plataforma.

Fabricado com reforçado protocolo militar, o T10 é um típico fuzil de assalto com cano de 20 polegadas, mas que também poderá ser fabricado com um de 16 polegadas. Esta arma está sendo planejada para disputar os mercados militar e de segurança com outros fuzis similares existentes no mundo.

A outra novidade são os fuzis T4 em três tamanhos, sendo um com o calibre .300, e cano de 14 polegadas; outro, com cano de 11,5 polegadas e calibre 5,56; e um menor ainda, com cano de apenas 9 polegadas e no calibre 5,56, podendo este último ser lançado também no calibre .300. Além desses modelos, a empresa ainda mostrou um T4 tradicional que foi parcialmente customizado, bem ao gosto de caçadores, atiradores esportivos e colecionadores (CACs).

T4 com calibre .300

T4 com cano de 11,5 polegadas

T4 com cano de apenas 9 polegadas   

T4 customizado

A multinacional gaúcha também está desenvolvendo um rifle de ferrolho nas versões de ação curta e ação longa, com três calibres em canos rosqueados intercambiáveis: 308, .243 e 6,5, destinando-se à caça de javalis e outros animais de médio e grande portes, bem como a atiradores de escol (snipers). A coronha será intercambiável com o rifle Remington.

Protótipo incial do novo rifle de ferrolho

T4 no calibre 7,62 x 39mm
Por fim, embora tenha sido apenas comentado no vídeo, é relevante ressaltar que a Taurus também está desenvolvendo um fuzil T4 (plataforma AR-15) com calibre 7,62 x 39mm, calibre este que é usado pelos países do antigo Pacto de Varsóvia e alguns outros situados na Ásia, entre os quais a Índia. Será produzido com protocolo militar e com cano nos cumprimentos de 11,5, 16 e 20 polegadas.

A propósito, vale lembrar que a Índia passará a contar com dois calibres padrão de fuzis de assalto: 7,62 x 51 (NATO) e 7,62 x 39 (URSS). O primeiro é usado pelo SIG Sauer 716 G2 Patrol com cano de 16 polegadas, do qual já foram comprados 144.000 unidades para ser usadas pelas tropas indianas nas operações de contra-terrorismo e nas funções de linha de frente fronteiriça, chamada de Linha de Controle (Line of Control, LoC). O restante das forças armadas indianas será suprido com os fuzis Kalashnikov AK-203 (versão mais moderna do AK-47), no calibre 7,62 x 39mm, os quais serão produzidos em conjunto (joint venture) pela Índia e pela Rússia na fábrica de munições Amethi. 

Considerando o exposto acima, é razoável supor que, além dos 500.000 fuzis CQB (T4, nos calibres 5,56 x 45 e 7,62 x 39) que pretende vender à Índia por meio da JV com Jindal Defense, a Taurus também esteja mirando o imenso mercado indiano de fuzis de assalto nos dois calibres, especialmente por saber que o SIG é importado (e essa não é mais a ideia desse país) e que a JV com a Rússia ainda está "patinando" em questões de preço e burocráticas, enquando sua unidade fabril nesse país começará a produzir já no primeiro trimestre de 2021.

Produção no exterior?
Estas armas, bem como todas as demais, são planejadas e desenvolvidas no Centro Integrado de Tecnologia e Engenharia Brasil/EUA, localizado na unidade fabril de São Leopoldo (RS).


Centro Integrado de Tecnologia e Engenharia Brasil/EUA


A fabricação de tais armas no Brasil, onde a Taurus tem as linhas de montagem especializadas, poderá ser feita desde que os produtos visem somente a exportação, já que para venda no mercado nacional necessitam ser submetidos ao Exército para a devida homologação, em um processo que pode demorar dois anos ou mais.

No entanto, é preciso considerar que o mercado nacional está ávido por fuzis de qualquer tamanho e calibre, desde que tenham um preço de acordo com o bolso do consumidor médio, o que afasta as opções importadas hoje existentes.

Assim, para que a empresa possa comercializar os novos fuzis também no Brasil, mas com a agilidade que hoje não tem devido à burocracia regulatória, a opção da Taurus seria produzir as armas fora do País e lançá-las simultaneamente aqui e no exterior.

A fábrica da Georgia (EUA), embora não possua as linhas de montagem necessárias, é uma opção, mas talvez não seja interessante para a unidade brasileira deslocar algumas linha de montagem do Brasil ou lá construir novas.

Neste cenário, volta à baila a possibilidade já comentada pelo CEO da empresa no press release do balanço do 3T20 e na reunião na Apimec: a aquisição estratégica de uma empresa estrangeira. 

Para melhor contribuir com o core business e com a hipótese que está sendo construída, esta aquisição teria que ser concretizada em uma empresa que já produza armas similares, cujas linhas de montagem só precisem das necessárias adaptações.

No entender desta Consultoria, uma aquisição deste tipo, além de viabilizar a hipótese proposta, agregaria um grande valor à Taurus Armas e, consequentemente, aos seus acionistas.

 

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