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15 fevereiro, 2026

Antes das Armas, o Lápis, a Guerra que o Brasil precisa vencer de maneira urgente!!

 


*Luiz Alberto Cureau Jr. - 15/02/2026

A Defesa e as Forças Armadas estão certas em insistir na busca por melhor orçamento e previsibilidade, mas o Estado brasileiro não pode evitar mais encarar a base do problema: sem educação de qualidade, não há como termos uma soberania sustentável.

Os números são preocupantes. O Inaf indica que apenas cerca de 8% dos brasileiros atingem nível proficiente de alfabetismo. O PISA (OCDE) mostra o Brasil abaixo da média em leitura, matemática e ciências. A consequência é direta: baixa produtividade, menor geração de riqueza e, portanto, orçamento estruturalmente limitado para investimento estratégico, logicamente que inclusive em defesa.

Agora olhemos para exemplos concretos.

A Coreia do Sul, devastada pela guerra na década de 1950, tinha renda per capita comparável à de países africanos pobres. A virada começou com investimento maciço e disciplinado em educação básica e técnica. Hoje, mais de 70% dos jovens sul-coreanos ingressam no ensino superior (dados da OCDE). O país lidera rankings globais em matemática e ciências. E qual o resultado disso? Transformou-se em potência tecnológica, sede de conglomerados globais e referência em indústria de defesa, exportando sistemas avançados como o caça KF-21 e blindados da série K2 para a Europa.

O Japão, após a Segunda Guerra Mundial, fez da educação universal e da formação técnica pilares da reconstrução. Já nos anos 1960 apresentava quase universalização do ensino básico e forte ênfase em matemática e engenharia. Décadas depois, tornou-se líder mundial em tecnologia, indústria automotiva, eletrônica e sistemas de alta complexidade. Hoje, investe consistentemente acima de 3% do PIB em P&D (Banco Mundial), sustentando base tecnológica capaz de apoiar uma sofisticada indústria de defesa.

Não foi assistencialismo, como o Brasil faz, que os transformou. Foi escola forte, currículo exigente, disciplina social e valorização do mérito, fórmula fácil que insistimos em não copiar, e a quem interessa?

Defesa nacional depende de engenheiros, cientistas, técnicos altamente qualificados. Depende de interpretação de dados complexos, domínio matemático e capacidade de inovação. Sem isso, a Base Industrial de Defesa se torna frágil, dependente e limitada.

Quando a maioria da população não domina plenamente leitura e raciocínio lógico, o país inteiro opera abaixo do seu potencial. A arrecadação cresce pouco. O investimento encolhe. A soberania vira papo de boteco, não realidade.

Educação básica não é política setorial. É política estratégica de Estado. É pré-requisito para crescimento econômico, indústria forte e Forças Armadas adequadamente financiadas.

Se quisermos sair da periferia geopolítica e ocupar posição de protagonismo, precisamos começar onde as grandes nações começaram, na sala de aula de verdade.

Sem base educacional sólida, não haverá potência, apenas intenção, ou sonho de um país do futuro que nunca chegará. 


*Luiz Alberto Cureau Jr. é General de Brigada R/1 do Exército Brasileiro, Doutor em Ciências Militares e Bacharel em Educação Física pela Escola de Educação Física do Exército. Foi comandante do Centro de Capacitação Física do Exército, comandante da 6ª Bda Infantaria Blindada e, atualmente, é consultor em meio ambiente e projetos de crédito de carbono no Instituto Climático VBH em Brasília.    

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