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25 fevereiro, 2026

Avibras mira retomada das operações em março, mas aguarda definição do governo federal

Empresa de defesa divulga nota atualizando condições para reativação após três anos paralisada  


*LRCA Defense Consulting - 25/02/2026

A Avibras, tradicional fabricante brasileira de sistemas de defesa, divulgou nesta quarta-feira (25/02) uma nota à imprensa detalhando o andamento das condições necessárias para a retomada de suas operações, prevista para março de 2026. O comunicado revela um cenário de avanços em várias frentes, mas aponta um entrave crítico: a ausência de definição sobre a contribuição do governo federal.

O caminho até aqui
A empresa acumula três anos de paralisação, período que a própria nota descreve como marcado pelo "desgoverno da antiga administração" e pelo processo de Recuperação Judicial. A virada começou a se desenhar com a elaboração de um Plano de Reestruturação, aprovado com expressiva adesão de 99,2% dos credores presentes na Assembleia Geral. Em agosto de 2025, a companhia passou por uma mudança de controle, com uma nova gestão assumindo o compromisso de implementar o plano.

O que avança e o que trava
Das cinco condições precedentes listadas pela Avibras, quatro apresentam algum grau de progresso. As negociações com o Sindicato dos Trabalhadores são descritas como consistentes. As aquisições estratégicas pelo Exército Brasileiro seguem em curso, aguardando apenas a confirmação orçamentária. A negociação tributária registra avanços com os órgãos competentes. E os recursos privados liderados por credores já estão estruturados e disponíveis.

O ponto de atenção está na quinta condição: a contribuição do governo brasileiro, na forma de fomento, "permanece sem definição", expressão que, no contexto de uma nota cuidadosamente elaborada, soa como um recado direto a Brasília.

O que está em jogo
A Avibras não é uma empresa qualquer. Conhecida internacionalmente pelo sistema de artilharia fogueteiro ASTROS, a companhia é considerada estratégica para a soberania e a defesa nacional, argumento que a própria nota evoca ao defender "uma solução brasileira, sustentável". A retomada de suas atividades interessa tanto à cadeia produtiva da indústria de defesa quanto às Forças Armadas, que dependem de fornecedores nacionais para a manutenção de sua autonomia tecnológica.

O recado da nota
Ao listar publicamente o estado de cada condição, a Avibras adota uma postura de transparência calculada: celebra o que foi conquistado, reconhece o que falta e, implicitamente, coloca o governo federal diante de sua responsabilidade. A empresa afirma que "seguirá envidando todos os esforços necessários" para viabilizar a retomada, mas o tom geral do comunicado deixa claro que o próximo movimento decisivo depende de Brasília.

Com março se aproximando, o relógio corre... e a bola, pelo que parece, está com o governo.

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