*LRCA Defense Consulting - 08/04/2026
Os meses de março e abril marcaram um passo significativo no relacionamento entre o Brasil e a Colômbia no campo da defesa aeroespacial.
No mês passado, segundo o Infodefensa, o presidente colombiano Gustavo Petro determinou, em reunião do Conselho de Ministros, o início formal de um processo de aquisição de duas aeronaves de transporte tático-estratégico KC-390 Millennium, fabricadas pela Embraer. Em paralelo, a fabricante brasileira e a Corporação Colombiana da Indústria Aeronáutica (CIAC) assinaram, hoje (08), um Memorando de Entendimento (MoU) durante a feira aeroespacial FIDAE, realizada no Chile, visando expandir a cooperação industrial entre os dois países.
Segundo apuração do Infodefensa, a motivação do presidente Petro para a decisão foi o desejo de fortalecer uma aliança de defesa aérea com o Brasil, a partir de compromissos assumidos com o presidente brasileiro. A ordem presidencial ganhou ainda mais urgência diante de um cenário operacional delicado: a Força Aeroespacial Colombiana (FAC) anunciou que dois de seus aviões C-130H Hercules estão temporariamente fora de serviço, aguardando o fornecimento de peças de reposição.
O interesse colombiano no KC-390 Millennium remonta ao menos a 2023, mas até agora não havia registrado avanços oficiais. A decisão de Petro marca um ponto de inflexão, fazendo a questão passar de uma fase meramente exploratória para um processo institucional que pode resultar em uma compra futura. Vale destacar que a FAC também mantém no radar outras opções para substituir seus Hércules, como o Airbus A400M Atlas e o Lockheed Martin C-130J Super Hercules, dentro de um processo que deverá observar a legislação contratual colombiana e as necessidades estratégicas do país.
Em 08 de abril, a Embraer e a CIAC formalizaram sua parceria por meio do MoU. O acordo cria um marco para uma possível ampliação da cooperação técnica e industrial em toda a linha de produtos da empresa brasileira, que inclui o A-29 Super Tucano, já operado pela FAC, além do próprio KC-390 Millennium. Segundo Fabio Caparica, vice-presidente de Contratos da Embraer Defesa e Segurança, o objetivo é não apenas fortalecer a indústria aeroespacial colombiana, mas também avaliar oportunidades para integrar a CIAC às cadeias de produção globais da Embraer.
Do lado colombiano, o Coronel Oscar Francisco Zúñiga Martin, presidente interino da CIAC, classificou o acordo como um passo estratégico para consolidar a empresa estatal como ator relevante no cenário internacional, avançando na transferência de conhecimento, no desenvolvimento de capacidades técnicas e na integração em cadeias de valor globais.
A Colômbia representa hoje um mercado expressivo para a Embraer. A empresa conta com uma frota de 50 aeronaves operando no país, distribuídas entre os segmentos de Defesa e Segurança, Aviação Comercial e Executiva. Entre elas, estão 24 A-29 Super Tucanos em serviço na FAC, presença que reforça a credibilidade da fabricante brasileira junto às forças armadas colombianas e pavimenta o terreno para novos negócios.
A CIAC, empresa estatal vinculada ao Ministério da Defesa da Colômbia, possui mais de 69 anos de experiência em manutenção de aeronaves e componentes, fabricação de sistemas de proteção balística e desenvolvimento de aeronaves tripuladas e não tripuladas (VANTs), atuando tanto no mercado comercial quanto no de defesa.
Os dois movimentos, a ordem presidencial de compra e a assinatura do MoU, sinalizam que a parceria entre Brasil e Colômbia no setor aeroespacial entra em uma nova fase, com perspectivas concretas de negócios e cooperação industrial nos próximos anos.

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