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| O projeto do drone Falcão, em variantes a pistão e/ou a turbina, pode fornecer a base da nova família de VANTs da Avibras |
*LRCA Defense Consulting - 30/06/2026
Em entrevista exclusiva ao Estadão, Sami Youssef Hassuani, diretor-presidente da Avibras Aeroco, revelou que a empresa pretende entrar no mercado de aeronaves não tripuladas, tem um protótipo de VANT pronto e um sistema antidrone por fragmentação de explosivos em desenvolvimento. Hassuani também detalhou especificações inéditas do Míssil Tático de Cruzeiro (MTC-300), confirmou a natureza hipersônica do futuro Míssil Tático Balístico (S+100), divulgou a nova inauguração da empresa e anunciou metas financeiras ambiciosas para os próximos anos. Esta matéria completa e amplia a anterior: Avibras Aeroco retoma produção e prepara dois novos mísseis após reestruturação
MTC-300: até 450 km, 200 kg de
ogiva e meta de 200 unidades por ano
A matéria traz detalhes
técnicos do MTC-300 que não haviam sido divulgados publicamente até então. O
míssil, que pesa pouco mais de uma tonelada, tem alcance inicial de 300
quilômetros, podendo atingir alvos a até 450 quilômetros com precisão (CEP) de 9
metros. Carrega uma ogiva de até 200 quilos e é movido por motor com força de
oito toneladas. O próximo lançamento de teste está previsto para novembro de
2026; ainda faltam três voos para concluir o processo de certificação.
Segundo o diretor-presidente, o sistema será operado tanto pelo Exército Brasileiro quanto pela Força Aérea Brasileira (FAB) e é lançado pelo sistema de artilharia ASTROS, também da Avibras Aeroco. A empresa projeta vender até 200 unidades por ano e exportar o míssil para países do Golfo Pérsico e do Sudeste Asiático. Na comparação com o mercado norte-americano, Hassuani foi direto: os fornecedores americanos só entregariam em 2032 o que for encomendado agora, enquanto a Avibras Aeroco estaria em condições de exportar em dois anos.
S+100 confirmado como
hipersônico
O Míssil Tático Balístico
S+100, em desenvolvimento conjunto com o Exército Brasileiro, foi descrito por
Hassuani como hipersônico, um detalhe que vai além das informações
anteriormente divulgadas pela empresa, que falavam apenas em voo supersônico e
trajetória direta ao alvo. Com alcance superior a 120 quilômetros, o S+100 é
mais barato que o MTC-300 e complementa o portfólio de fogos de longo alcance
da Avibras Aeroco ao cobrir uma faixa de engajamento diferente, com velocidade
de impacto significativamente maior.
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| Lançamento do futuro Míssil Tático Balístico AV-SS +100 pelo ASTROS (renderização) |
Drones: empresa tem protótipo pronto e desenvolve
sistema antidrone
A Avibras Aeroco pretende abrir um portfólio de aeronaves não tripuladas, com foco em sistemas de maior alcance e autonomia de voo, tanto para vigilância quanto para ataque. "Todos os nossos clientes querem drones", afirmou Hassuani, acrescentando que essas plataformas são mais baratas que os mísseis e aumentam a capacidade de vigilância do campo de batalha com tempo de resposta imediato para o engajamento de alvos.
A empresa já dispõe de um protótipo de VANT pronto, segundo Hassuani, que não revelou o nome ou as especificações da aeronave. A Avibras teve, em sua história, um projeto de VANT batizado de Falcão, desenvolvido a partir do final dos anos 2000 em parceria com o Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA) e posteriormente incorporado, em 2013, à Harpia Sistemas, consórcio formado pela Embraer Defesa & Segurança e pela AEL Sistemas (subsidiária da israelense Elbit Systems), e posteriormente descontinuado. Não há, porém, confirmação de que o protótipo citado por Hassuani na entrevista ao Estadão seja esse mesmo programa; a identidade da aeronave permanece a esclarecer. No entanto, segundo alguns dados públicos, o Falcão segue formalmente listado no portfólio da empresa, mas isso é um dado de contexto, não uma confirmação.
Além do VANT, a Avibras Aeroco está desenvolvendo um sistema antidrone que satura o céu com uma cortina formada pela fragmentação de explosivos, com o objetivo de neutralizar enxames de aeronaves inimigas. O conceito responde à ameaça crescente representada por drones de pequeno porte em operações de combate, tendência amplamente documentada nos conflitos em curso na Ucrânia e no Oriente Médio.
Produção, empregos e metas
financeiras
Dois meses após a reabertura, a
Avibras Aeroco já conta com 500 funcionários e 90% da cadeia de fornecedores
restabelecida. Em julho de 2026, a empresa inicia a montagem de novos foguetes
e o corte de chapas para blindados do Exército Brasileiro. A data também marca
a abertura oficial do complexo industrial de Jacareí, no interior de São Paulo,
que deverá receber os comandantes das três forças armadas. A cerimônia havia sido
adiada anteriormente.
O complexo tem 2,7 milhões de metros quadrados e 18 unidades fabris encravadas na Serra do Mar, próximas à Rodovia dos Tamoios. O acesso é controlado: celulares e computadores são proibidos no interior das instalações, e o servidor de engenharia não se comunica com a internet. A empresa dispõe de quatro estiradeiras de aço para a fabricação de foguetes, em processo a frio. Existem apenas cinco dessas máquinas no Brasil, quatro das quais pertencem à Avibras Aeroco. O Prédio dos Estirados, uma das 18 unidades fabris, tem capacidade para produzir até 5 mil foguetes envelopados por mês, incluindo os foguetes SS-80 e SS-40 e os foguetes Skyfire-70 de 70 mm usados pelos Super Tucanos exportados pela Embraer e pelos helicópteros do Exército e da FAB.
Para 2027, a empresa projeta entregas maiores ao Exército e à FAB, bem como as primeiras remessas de novas encomendas ao exterior. A meta é faturar R$ 500 milhões em 2028, quando Hassuani espera que a empresa esteja "em pleno vapor". Em 2029, a previsão é iniciar operações em dólar.
Inauguração do complexo: adiamento e novo calendário em julho
Em julho, o complexo industrial de Jacareí será oficialmente aberto com a presença dos comandantes das três forças armadas. A cerimônia, originalmente prevista para 2 de julho de 2026, foi adiada em 24 de junho, poucos dias antes da data marcada, a pedido formal da Presidência da República. Conforme comunicado enviado aos convidados, a reprogramação visou permitir a participação de autoridades do Governo Federal que manifestaram interesse em prestigiar o evento. A nova data, ainda em definição quando do adiamento, está confirmada para julho, segundo a entrevista de Hassuani ao Estadão.
O adiamento com antecedência tão curta não é trivial: para convidados de fora de São Paulo, como representantes militares de outros estados e eventuais delegações internacionais, a mudança implicou rever deslocamentos e estadias já planejados. A confirmação de autoridades do escalão presidencial, além de elevar o nível de representação esperado de ministros e comandantes, redimensiona o próprio evento como vitrine política.
Duas hipóteses, não confirmadas oficialmente, circulavam no setor à época do adiamento. A primeira é a de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pudesse anunciar, na nova data, a liberação do aporte público previsto no plano de reestruturação da Avibras Aeroco, estimado em outros R$ 300 milhões, que poderiam vir da Finep, do BNDES ou do PAC e que, até dezembro de 2025, não havia sido destravado. A segunda é de natureza eleitoral: 2026 é ano de eleição presidencial, e a presença de Lula em um evento que simboliza o encerramento de uma crise de 1.280 dias de greve, com recuperação de empregos qualificados e discurso de soberania industrial, reuniria elementos típicos de capitalização política. Um indício contextual reforçou essa leitura: no dia 26 de junho, dois dias após o comunicado de adiamento, o presidente afirmou, durante o batismo da fragata Cunha Moreira, em Itajaí (SC), que incluirá a defesa nacional em seu programa de governo pela primeira vez, como compromisso público sobre o tipo de defesa que o país deve ter.
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| Sistema de defesa antiaérea de média altitude no ASTROS MK6 (renderização Avibras Aeroco) |
Eurosatory e MBDA: defesa aérea no centro de uma parceria histórica
Recém-chegado da Eurosatory, feira de defesa realizada em Paris em junho de 2026, Hassuani revelou que a Avibras Aeroco manteve contatos com fornecedores e parceiros, sem fechar negócios. Entre as empresas com as quais se reuniu estão a francesa MBDA (com ênfase em defesa aérea), a alemã Rheinmetall, a franco-alemã KNDS, as turcas Aselsan e Baykar e as israelenses AEL Sistemas e Elbit Systems.
A menção específica à defesa aérea na reunião com a MBDA não é fortuita. A Avibras tem com o consórcio europeu, maior fabricante de mísseis da Europa, uma parceria que remonta a 2013, quando, na LAAD, apresentou um conceito antiaéreo baseado no míssil MICA VL, associado ao Dassault Rafale, então finalista do programa FX-2 da FAB. Com a não seleção do Rafale, o foco migrou para o míssil CAMM (Common Anti-Air Modular Missile). Em novembro de 2014, a Avibras e a MBDA apresentaram ao Exército Brasileiro, em Brasília, o conceito do AV-MMA (Míssil Modular Antiaéreo), desenvolvido em conjunto, com cerca de 70% de conteúdo nacional e baseado nas plataformas e veículos do Sistema ASTROS 2020. O projeto, no entanto, não chegou a ser contratado, e a crise de 2022 encerrou esse ciclo em momento crítico.
Em dezembro de 2025, o Exército formalizou a escolha do sistema EMADS (Enhanced Modular Air Defence Solutions), da MBDA, para preencher a lacuna de defesa antiaérea de média altitude e médio alcance, com aquisição via acordo governo a governo (G2G) com a Itália e investimento estimado em até R$ 5 bilhões. O míssil selecionado é o CAMM-ER (versão de alcance estendido, superior a 45 km), da mesma família que equipa as fragatas da Classe Tamandaré. A Avibras Aeroco não integra essa primeira fase, cujo contrato já está definido.
Existe, porém, uma janela nas fases seguintes, sustentada por dois pilares: a arquitetura aberta do EMADS, que prevê explicitamente a integração futura com radares da Base Industrial de Defesa nacional, e a sinalização do ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, de que a aquisição poderá abrir caminho para a fabricação de mísseis no Brasil, mediante transferência de tecnologia com a Itália. Se esse cenário se concretizar, a Avibras Aeroco, única empresa nacional com histórico documentado de parceria com a MBDA no desenvolvimento de sistemas superfície-ar, seria a candidata natural para sediar essa produção. O fato de a empresa manter ativo o sistema de média altitude em seu portfólio e de Hassuani ter destacado a defesa aérea como tema central nas conversas com a MBDA na Eurosatory sugere que o diálogo entre as duas empresas não foi encerrado.
Consórcios e integração: SIATT, Mac Jee e o modelo europeu como referência
Na entrevista ao Estadão, Hassuani defendeu que empresas nacionais como a Avibras Aeroco, SIATT e Mac Jee estabeleçam parcerias ou consórcios, a exemplo do modelo europeu, para integrar o dinheiro da pesquisa (Finep e FNDCT), o crédito industrial (BNDES) e o orçamento do Ministério da Defesa. Para o executivo, programas estruturados segundo capacidade real de produção e entrega são o único caminho para que o Brasil feche o triângulo da soberania industrial, cujo terceiro vértice, a capacidade de repor estoques em escala e velocidade, passou a ser decisivo nos conflitos modernos a partir de 2022.



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