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12 julho, 2026

SARP HARPIA participa da Operação Furnas 2026 e demonstra potencial expedicionário para a Marinha do Brasil

Drone da ADTECH-SD foi empregado em missões de vigilância e reconhecimento em cenário ribeirinho no Lago de Furnas, em treinamento que reúne 2 mil militares dos Fuzileiros Navais e reforça requisitos para o futuro Programa SARP-E


*LRCA Defense Consulting - 12/07/2026

A Operação Furnas 2026, exercício da Marinha do Brasil realizado no Lago de Furnas, em Minas Gerais, serviu de cenário para uma demonstração operacional do Sistema de Aeronave Remotamente Pilotada (SARP - drone) HARPIA, desenvolvido pela empresa brasileira ADTECH-SD. Segundo release distribuído pela assessoria de imprensa da companhia, a atividade teve como objetivo avaliar o potencial do equipamento como um futuro multiplicador de força para as unidades do Corpo de Fuzileiros Navais (CFN).

A região do Lago de Furnas, conhecida como “Mar de Minas”, reproduz condições de operações expedicionárias, ribeirinhas e de reação rápida. De acordo com o material da ADTECH-SD, o ambiente lacustre reúne meios navais, terrestres e aéreos em cenários que exigem elevada mobilidade e ampla consciência situacional, contexto em que sistemas não tripulados vêm ganhando relevância crescente ao oferecer informações em tempo real aos comandantes e reduzir a exposição de tropas em missões de reconhecimento.

Segundo a Marinha, por meio da Agência Marinha de Notícias, a Operação Furnas 2026 teve início em 22 de junho e se estendeu até 3 de julho, mobilizando cerca de 2 mil militares em São José da Barra (MG). O exercício, coordenado pela Força de Fuzileiros da Esquadra, empregou carros lagarta anfíbios, viaturas blindadas, embarcações de desembarque litorâneo, robôs e drones em atividades de operações ribeirinhas, apoio à Defesa Civil e treinamento para missões de paz. O Capitão de Mar e Guerra Adilson Cappucci, chefe do Estado-Maior do Comando da Divisão Ribeirinha, associou a atividade ao centenário da presença da Marinha em Minas Gerais e à oportunidade de projetar o País no exterior e desenvolver capacidades para cenários de gerenciamento de crises.

Emprego em vigilância e reconhecimento ribeirinho
Conforme descrito no release, durante a demonstração o HARPIA foi empregado em missões de vigilância, observação e reconhecimento, permitindo a obtenção de informações sobre áreas de interesse antes do deslocamento das forças terrestres. A capacidade de monitorar extensas áreas, identificar movimentações e transmitir imagens em tempo real foi apresentada como uma oportunidade de incremento para as operações conduzidas pelos Fuzileiros Navais e pela Esquadra brasileira.

O cenário ribeirinho de Furnas, caracterizado por grandes espelhos d'água, áreas de difícil acesso, margens extensas e múltiplos eixos de aproximação, teria permitido avaliar a plataforma em condições que exigem meios capazes de ampliar o alcance da observação. Segundo o release, o HARPIA contribuiu para a vigilância de rotas fluviais, o reconhecimento de pontos de desembarque, o monitoramento de embarcações e o apoio a operações de controle de áreas ribeirinhas.

Candidato ao Programa SARP-E da Marinha
A participação do HARPIA na Operação Furnas 2026 ocorre em meio a um processo mais amplo de avaliação do sistema pela Marinha do Brasil. O equipamento já havia sido submetido a uma demonstração conduzida pela Diretoria de Aeronáutica da Marinha (DAerM), com apoio do Comando da Força Aeronaval, nos dias 25 e 26 de setembro, na Base Aérea Naval de São Pedro da Aldeia (RJ), com o propósito de verificar as capacidades do sistema para operações em terra e sobre o mar. Naquela ocasião, a própria Marinha informou que a demonstração contribuiria para o estabelecimento de requisitos para o Programa de Obtenção de SARP-E, previsto no Portfólio Estratégico da Força, e para o desenvolvimento de produtos estratégicos pela Base Industrial de Defesa (BID).

O release da ADTECH-SD reforça essa leitura ao afirmar que o HARPIA vem sendo observado como uma potencial solução para atender tanto à Aviação Naval embarcada quanto ao Corpo de Fuzileiros Navais, especialmente em missões de Inteligência, Vigilância e Reconhecimento (ISR). A empresa também destaca que a mobilidade elevada, a rápida entrada em operação e a reduzida demanda logística do sistema seriam compatíveis com o perfil expedicionário da Força, permitindo emprego tanto em operações anfíbias a partir de meios de superfície da Esquadra quanto em missões ribeirinhas.

Características técnicas do sistema
O HARPIA é um SARP de asa fixa, movido a motor de combustão, com decolagem por catapulta e pouso por paraquedas, configuração que dispensa infraestrutura de lançamento e recolhimento mais complexa. De acordo com dados já divulgados pela própria Marinha, o sistema possui envergadura de 4 metros, comprimento de 2 metros e autonomia nominal de 12 horas, com alcance de até 218 km em operações além da linha de visada (Beyond Visual Line of Sight, BVLOS).

O sistema obteve, em 6 de abril de 2026, o Certificado de Aeronavegabilidade Especial de RPA (CAER) junto à Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), tornando-se, segundo reportagem publicada pelo portal LRCA Defense Consulting, o único drone de sua categoria autorizado a operar a até 180 km de distância e 10.000 pés de altitude, podendo também atuar sobre áreas urbanas quando empregado por órgãos governamentais. A ADTECH-SD é reconhecida pelo Ministério da Defesa como Empresa Estratégica de Defesa (EED) e o HARPIA figura entre os produtos classificados como estratégicos de defesa. A companhia destaca ainda que o sistema foi desenvolvido integralmente no Brasil e sem restrições da International Traffic in Arms Regulations (ITAR), legislação norte-americana que costuma limitar o uso e a personalização de equipamentos importados.

Outros empregos do sistema
Além da avaliação pela Marinha, o HARPIA já vem operando em contextos de segurança pública e defesa civil. O sistema foi adquirido pela Secretaria de Justiça e Segurança Pública do Acre, primeiro estado brasileiro a incorporar a plataforma, e também está em processo de implantação no Amazonas, onde é utilizado no monitoramento de áreas de difícil acesso na região amazônica. O drone também foi empregado em missões reais de busca e resgate no litoral norte paulista, conforme relatado pelo portal Zona Militar, e em ação de mapeamento de áreas atingidas por enchentes no Rio Grande do Sul, quando um SARP foi lançado a partir do Navio Aeródromo Multipropósito “Atlântico”.

A Operação Furnas 2026, por sua vez, tem reunido outras empresas da Base Industrial de Defesa em ambiente operacional. Segundo o portal Defesa em Foco, além do HARPIA foram avaliados armamentos portáteis da Taurus, coletes balísticos flutuantes da Protecta, meios não letais da Condor e simuladores do míssil MAX, da SIATT/ADTech, além de veículos aéreos não tripulados da Atech e da Vultis empregados em reconhecimento tático e vigilância de baixa altura.

A ADTECH-SD não informou prazo ou condições para uma eventual contratação do HARPIA pela Marinha do Brasil no âmbito do Programa SARP-E.

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